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Denise Calado

A Idade da Sabedoria

9 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

A esperança média de vida tem aumentado a um ritmo consistente nos últimos 200 anos.

A geração dos jovens nascidos em 2007 vai viver, em média, até aos 107 anos. O tempo total de trabalho aumentou. Há uma preocupação generalizada com a sustentação financeira de uma população mais envelhecida.

Mas ainda que hoje a discussão esteja muito centrada na vertente económica, há outras dimensões a abordar quando se pensa em longevidade. O modelo profissional mudou: a abordagem que tínhamos de que numa primeira fase estudávamos, depois começávamos a trabalhar e depois nos reformávamos… não é atual.

  1. Os conceitos de carreiras estáveis e consistentes (tradicionalmente ascendentes) está desatualizado – há várias carreiras, caminhos novos ou complementares, dentro da vida profissional ativa. É uma evidência que já ultrapassa o filtro geracional.
  2. A aprendizagem é uma prática ao longo da vida. Juntam-se à licenciatura e aos mestrados inúmeras opções de aprendizagem em formatos e modelos diversos; num imperativo de acompanhamento e evolução pessoal.
  3. A fase da reforma não é necessariamente o fim da vida ativa ou de contributo profissional.

As evidências do impacto da longevidade no modelo profissional tradicional são explícitas. Mas, a sociedade no geral e as empresas, em concerto, tendem a não acompanhar esta mudança. Muitos indivíduos, sobretudo os que saem das empresas na meia-idade, mergulham num mundo desconhecido e, raras vezes, têm um plano definido ou ideias concretas sobre como conduzir o tempo ativo de que ainda dispõem. E, invariavelmente, este vazio é dissonante da vasta vivência e competências adquiridas ao longo de décadas. Este imenso portefólio de experiências pode ser convertido em contributos válidos profissionalmente; com formatos e soluções que não são necessariamente modelos convencionais.

As empresas estão ainda aquém deste imperativo social. Há políticas sustentadas no desenvolvimento de competências de progressão internas e práticas generosas para acompanhamento das saídas dos ex-colaboradores… Mas faltam abordagens novas e sustentáveis.

Na era de longevidade é obrigatório que todos se preparem para a vida longa.

  • Individualmente devemos assumir a responsabilidade pela definição e condução das nossas múltiplas carreiras. O autoconhecimento é só a mais elementar rotina a implementar e a dar continuidade. Além disso, há que desenvolver intencionalmente interesses extraprofissionais e investir tempo nos mesmos; investir em formação complementar; em hobbies, intervenção social, entre outros.
  • Os líderes e as empresas devem ter programas disruptivos que ajudem os colaboradores a planear as suas carreiras – dentro ou fora da organização. É possível apoiar os futuros ex-colaboradores a desenhar os seus percursos de forma séria e empenhada – com soluções credíveis, profissionais e orientadas à prática – aumentando uma rede de alumni forte e também a sua credibilidade enquanto empregadores.

Pode parecer idílico e impraticável. Mas nas empresas, como na vida, no meio está a solução certa.

As empresas que o decidirem empreender seriamente estarão a promover a economia circular, a sustentabilidade; e a tornarem-se exemplos a seguir de políticas social governance mais realistas, solidárias e construtivas.

Porque como disse Emerson “A sabedoria consiste em compreender que o tempo dedicado ao trabalho nunca é perdido”

Para que esse tempo não seja perdido é fundamental que sejamos todos, indivíduos e empresas, mais sábios no redesenho das carreiras profissionais, nesta era de vida profissional longa!

 

Arquivado em:Opinião

Sofia Lages Fernandes é a nova Country Manager do Omnicom PR Group em Portugal

9 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

Sofia Lages Fernandes é, desde o início de fevereiro, a country manager do Omnicom PR Group em Portugal, sucedendo a Mariana Victorino que, após 20 anos ao serviço da agência, aceitou um novo desafio profissional.

Com 25 anos de experiência na área da comunicação, Sofia Lages Fernandes iniciou o seu percurso profissional no jornalismo, passando pelo marketing e área da comunicação. Em 2008 entrou para a Porter Novelli, e após um interregno com uma experiência na área política, voltou ao Omnicom PR Group, assumindo a posição de Associate Director até ao final de janeiro de 2023.

A profissional é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo ISCSP-UTL e mestranda em Ciência Política na Universidade de Lisboa.

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Já disponível na Líder TV o novo episódio de People F1rst

9 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

Já saiu o quarto episódio da segunda temporada do “People F1rst”, o podcast da Fidelidade, em que todas as semanas, Nilton apresenta novos convidados e conversas sobre as pessoas, o bem-estar e desenvolvimento nas organizações.

Desta vez está em destaque o tema da inclusão social, contando com a participação de Catarina Oliveira, nutricionista, palestrante e fundadora da @especierarasobrerodas, e Diogo Simões, Diretor da Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social.

Episódio disponível aqui.

Arquivado em:Notícias

Saiba quais foram os países mais e menos democráticos de 2022

8 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

O declínio da democracia global estagnou em 2022, de acordo com a última edição do Democracy Index do Economist Intelligence Unit.

O estudo anual avalia o estado da democracia em 167 países com base em cinco medidas, com pontuação máxima de dez: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política democrática e liberdades civis.

Em 2022 quase metade (45,3%) da população mundial vive em algum tipo de democracia, enquanto mais de um terço (36,9%) vive sob um regime autoritário.

A pontuação global é de 5,29 em dez, um aumento de apenas 0,01 em relação ao ano anterior, representa uma maior estagnação do que reversão da recessão democrática iniciada em 2016, que parecia provável.

Um dos motivos pelos quais se esperava uma recuperação relacionava-se com o levantamento das restrições da pandemia em 2022.

A supressão generalizada das liberdades individuais, inicialmente destinada a proteger as pessoas da Covid-19, reduziu as pontuações em 2020 e 2021. Mas quaisquer melhorias em 2022 foram compensadas por desenvolvimentos negativos noutros países.

Ainda assim, a Europa contraria a tendência

A Europa Ocidental, lar de oito dos dez principais países do índice, foi a única região a registar uma melhoria acentuada em 2022.

A sua pontuação regional voltou aos níveis pré-pandémicos e a Noruega manteve sua posição de longa data no topo do rankings, seguido pela Nova Zelândia, Islândia e Suécia.

A Turquia, o único “regime híbrido” na região, registou um declínio acentuado na última década, o que reflete o governo cada vez mais autocrático do seu presidente, Recep Tayyip Erdogan. O país enfrenta uma eleição crucial neste verão que pode decidir o seu status democrático.

China com a pior pontuação desde que há registo

A China – que contém um quinto da população mundial – só pôs fim à sua política de Zero Covid em dezembro, tendo confinado dezenas de milhões dos seus cidadãos por meses a fio ao longo do ano.

O governo abandonou a política de Zero Covid após protestos generalizados. A resposta repressiva do estado a esses protestos ajudou a reduzir a pontuação da democracia da China para 1,94 em dez, a menor desde que o índice começou em 2006.

Mas foi a Rússia que caiu a pique

A Rússia registou o maior declínio democrático de qualquer país do mundo, caindo 22 lugares no ranking para o 146º lugar.

A ambição de Vladimir Putin de restaurar a posição da Rússia como potência imperial é ferozmente contestada pelo Ocidente, mas a condenação de países não ocidentais não é universal.

Cerca de dois terços das pessoas vivem em países cujos governos são neutros ou favoráveis à Rússia. A máquina de propaganda de Putin está a tentar persuadir o sul global de que o objetivo do Ocidente é “dividir e destruir” a Rússia.

Na própria Rússia, o controlo firme do Estado sobre a comunicação social e a repressão aos manifestantes antiguerra contribuíram para a pontuação mais baixa de todos de sempre: 2,28.

Estados Unidos da América polarizados

A polarização continua sendo a maior ameaça à democracia nos Estados Unidos, embora o comparecimento historicamente alto nas eleições de meio de mandato em novembro, e uma ampla rejeição de candidatos que ainda negam os resultados da eleição presidencial de 2020, tenham ajudado a pontuação do país a permanecer estável, com 7,85 pontos.

Mais a sul, um golpe fracassado do presidente do Peru (já deposto), Pedro Castillo, enfraqueceu uma democracia já instável. O índice agora classifica o governo do país como um “regime híbrido”, e não como democrático.

Vários golpes fizeram com que Burkina Faso caísse 16 posições no ranking. As tentativas falhadas de golpe na Guiné-Bissau, em São Tomé e Príncipe e no Gâmbia contribuíram para a estagnação dos resultados democráticos da África Subsariana pelo segundo ano consecutivo.

Apesar de algumas melhorias globais, a democracia continua ameaçada.

Arquivado em:Notícias, Política

Portugal lidera paridade de género na Europa, mas apenas 6% dos CEO são mulheres

8 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

Portugal lidera na União Europeia a incorporação das mulheres no mercado de trabalho, tendo atingido 50% da população ativa. No entanto, a desigualdade de género no mercado de trabalho mantém-se e as mulheres continuam a enfrentar uma situação de disparidade na progressão profissional, ocupando apenas 6% dos cargos de liderança.

O estudo “Women Matter”, elaborado pela McKinsey & Company, mostra ainda que Portugal ocupa o 15.º lugar no Índice de Igualdade da União Europeia e o 29.º no Índice Global de Desigualdade de Género do Fórum Económico Mundial. A maioria das mulheres (56%) consideram ser reconhecidas e recompensadas pelo seu trabalho como sendo o fator mais importante na sua decisão de aderir ou permanecer numa organização. A análise foi feita em 45 empresas em Portugal e Espanha que empregam mais de 300 mil pessoas.

Outro elemento positivo no mercado de trabalho português é o baixo impacto da maternidade nas taxas de emprego feminino: Portugal é o país com a taxa de emprego mais elevada para mulheres entre os 20-49 anos com filhos, mais de 80% em comparação com a média europeia de 64,1%.

Mulheres e o seu lugar nas carreiras do futuro

A verdade é que as dinâmicas atuais ainda não estão configuradas para o sucesso das mulheres no mundo empresarial. As mulheres sentem que têm menos oportunidades de desenvolvimento que os homens (64% vs. 76%).

Por outro lado, ocupam mais funções de suporte (recursos humanos, finanças, área administrativa etc.)  do que os homens (41% vs. 28%), participam menos em programas de mobilidade geográfica e participam mais em programas de flexibilidade. O estudo mostra ainda que 49% das mulheres são responsáveis por todas ou quase todas as tarefas domésticas versus 15% dos homens, além de que 45% sente-se em burnout nestes últimos meses, em comparação com 33% dos homens.

Foi também analisada a perceção que mulheres e homens têm do empenho das suas empresas na aplicação de políticas DEI (Diversidade, Equidade, Inclusão), destinadas a promover a igualdade de género e a gerar ambientes inclusivos e atrativos para as mulheres.

Segundo os resultados obtidos as mulheres percebem que têm menos acesso a estes programas do que os homens. Por exemplo, 90% dos homens em comparação com 71% das mulheres acreditam que a empresa aplica medidas de flexibilidade e 57% em comparação com 34% das mulheres acreditam que a empresa tem medidas de apoio à guarda de crianças.

De acordo com a perceção das mulheres inquiridas, 48% considera que existe uma maior preocupação com o seu bem-estar pessoal quando os cargos executivos são mulheres. Além disso, segundo o estudo as mulheres em cargos superiores estão mais sensíveis à gestão e oferta de horários de trabalho flexíveis e alternativas de teletrabalho (49% vs. 45%) e são menos exigentes em termos de disponibilidade dos seus colaboradores (20% vs. 26%).

Cinco fatores-chave para as mulheres no local de trabalho

Reconhecimento

56% das mulheres consideram que serem reconhecidas e recompensadas pelo seu trabalho é o fator mais importante para ingressar ou permanecer numa organização.

Remuneração competitiva

41% das mulheres valorizam a igualdade de remuneração como o segundo fator mais relevante na tomada de decisão para ingressar numa organização ou abandoná-la.

Mentoria / sponsorship

31% das mulheres consideram que não ter uma rede de apoio é um dos desafios mais relevantes ao seu desenvolvimento profissional.

Flexibilidade

1/3 das mulheres considera que o ajuste do horário de trabalho em função das suas necessidades potencia a produtividade.

Modelos a seguir

53% das mulheres com menos de 40 anos de idade admite um maior interesse em progredir para níveis mais seniores se reconhecerem que os seus líderes têm estilos de vida sustentáveis.

Medidas a adotar para se atingir a igualdade de género

Horários de trabalho flexíveis e apoio aos cuidados a crianças e/ou dependentes

75% das mulheres considera como muito importante a existência de medidas que potenciem a flexibilidade de horário para se alcançar uma maior igualdade de género

Programas de desenvolvimento profissional

A importância é semelhante para ambos os sexos, embora as mulheres considerem os programas destinados ao apoio e acompanhamento individual através de coaching (81% das mulheres participantes consideram-nos eficazes, em comparação com 77% dos homens), e o mentoring (79% das mulheres e 73% dos homens) como particularmente eficazes.

Remuneração mais competitiva

Os sistemas de remuneração mais atrativos favorecem geralmente a retenção de talentos e equidade de oportunidades, sendo considerado por 90% das empresas inquiridas como um dos fatores mais importantes atualmente.

Para colocar mais mulheres em cargos superiores, as empresas não precisam de lançar muitas iniciativas, mas sobretudo concentrarem-se naquilo que sabemos que funciona: oferecer oportunidades de desenvolvimento que exijam resultados, proporcionando flexibilidade num sentido amplo e apoio nos momentos chave da sua carreira, especialmente no primeiro salto para responsabilidades de gestão que, muitas vezes, coincide com a maternidade. As empresas que têm ambição, liderança empresarial e infra-estruturas são capazes de capitalizar os benefícios da diversidade

Joana Magalhães Silva, sócia associada da McKinsey

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Índia: a fortuna dos mais ricos representa uma grande parcela do PIB do país

8 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

A Índia está entre as economias que mais crescem no mundo e, à medida que o país continua a progredir, aumenta também a fortuna dos seus cidadãos mais ricos, evidenciando as crescentes desigualdades no país.

De acordo com dados da Finbold, em dezembro de 2022, as dez pessoas indianas mais ricas controlavam uma fortuna de 387 mil milhões de dólares. A soma equivale a 11,16% do Produto Interno Bruto estimado do país (3,47 triliões de dólares), de acordo com a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro de 2022.

Uma análise das pessoas mais ricas indica que Gautam Adani, da Adani Enterprises, é a pessoa mais rica da Índia, com um património líquido de 132 mil milhões de dólares, seguido de Mukesh Ambani, da Reliance, com 96,50 mil milhões de dólares. Cyrus Poonawalla ocupa o terceiro lugar, com 24,88 mil milhões de dólares.

Fonte: Finbold

Que impacto tem?

O alto nível de desigualdade de riqueza na Índia já foi motivo de preocupação no passado, já que esta ameaça o progresso económico e social do país.

Este desequilíbrio pode ter efeitos adversos, como a mobilidade social reduzida e a instabilidade política. Também pode ser prejudicial ao crescimento económico, desencorajando o investimento e o empreendedorismo entre os mais pobres, que precisam de mais acesso a recursos necessários para iniciar ou desenvolver um negócio.

O governo indiano reconheceu que é preciso focar no crescimento económico para reduzir a pobreza, mesmo que isso aumente a desigualdade. O governo acredita que a diferença será reduzida à medida que o crescimento for atingindo os valores desejados.

Causas das desigualdades de riqueza na Índia

No geral, esta desigualdade na Índia pode ser atribuída a vários fatores, como a existência de um sistema tributário regressivo. Nesse caso, os mais poderosos do país estão a pagar impostos mais baixos, apoiados por políticas governamentais específicas que são consideradas benéficos para os mais ricos.

Entretanto a maioria da força de trabalho caracterizada por más condições de trabalho, baixos salários e falta de proteção social. Estes fatores fazem com que seja difícil para os trabalhadores economizar e investir em educação e formação, ou na criação de pequenos negócios, levando à falta de mobilidade económica.

Ao mesmo tempo, a privatização de serviços essenciais como a educação e a saúde, torna-os efetivamente mais caros para os grupos mais vulneráveis na Índia.

Outro fator importante para a desigualdade significativa que se verifica é a crescente diferença de salários, onde os altamente qualificados beneficiaram mais do progresso tecnológico do que os menos qualificados. Assim, a origem da riqueza é um elemento crucial, já que os mais ricos derivam a sua fortuna de ativos do mercado financeiro e património empresarial.

Embora os fatores macroeconómicos predominantes ameacem a sua riqueza, possíveis medidas de recuperação provavelmente agiram em seu benefício. Além disso, os pobres não têm capital para possuir ações, fator que explica por que a fortuna dos indianos mais ricos representa uma grande parcela do PIB do país.

 

Arquivado em:Economia, Notícias

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