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Leonor Wicke

Porque é que cada vez menos profissionais querem ser líderes?

11 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Cada vez mais profissionais recusam promoções para funções de liderança. A pergunta que surge é: o que mudou?

A resposta não está na falta de ambição e sim na transformação profunda do papel do líder. Nos últimos anos, a função deixou de ser apenas estratégica ou técnica. O líder tornou-se gestor de mudança permanente, mediador de conflitos, promotor de bem-estar, garante de resultados trimestrais, facilitador de diversidade, integrador de tecnologia e referência cultural da organização. A complexidade e incerteza aumentaram, o que torna mais difícil a execução desta missão, que nem sempre foi acompanhada de maior suporte ou preparação.

O foco no curto prazo, impulsionado por métricas imediatas e ciclos económicos voláteis, intensificou a exigência sobre quem decide. O líder vive entre a urgência operacional e a necessidade de visão estratégica. Muitas vezes, o desenvolvimento das equipas, que garante a sua sustentabilidade, é adiado em nome da entrega imediata. O resultado é previsível: sobrecarga, desgaste e uma sensação de exposição constante.

Para muitos profissionais, a equação risco-benefício deixou de ser evidente. A diferença salarial nem sempre compensa o aumento da responsabilidade, da pressão emocional e da disponibilidade exigida. Acresce a isto uma maior valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A liderança tradicional, associada a disponibilidade permanente, já não é atrativa para todos.

Existe ainda um fator estrutural: promovem-se excelentes técnicos para cargos de liderança sem preparação adequada para gerir pessoas. A transição de especialista para líder exige competências distintas, nomeadamente de comunicação, gestão emocional, capacidade de desenvolver talento. Quando essa transição não é apoiada, o cargo torna-se mais fonte de tensão do que de realização.

As organizações enfrentam, assim, um desafio estratégico. Se o pipeline de liderança enfraquece, a execução também enfraquece. Sem líderes preparados e motivados, a transformação torna-se errática, a cultura fragiliza-se e a retenção de talento diminui. Assim, a escassez de líderes é uma questão de competitividade.

Talvez a pergunta mais relevante não seja porque é que os profissionais não querem liderar, mas que modelo de liderança lhes estamos a propor. Se o papel continuar a ser sinónimo de sobrecarga, isolamento nos processos de tomada de decisão e foco exclusivo em resultados imediatos, a tendência dificilmente se inverterá.

No entanto, organizações competitivas dependem de líderes que queiram assumir essa responsabilidade. O futuro exige um reposicionamento da liderança: mais sustentável, mais apoiada, mais orientada ao desenvolvimento de pessoas e menos centrada apenas na pressão de curto prazo. Tornar a liderança desejável implica redesenhar expectativas, investir em preparação e criar culturas onde liderar seja sinónimo de criar impacto duradouro.

Arquivado em:Opinião

Ageas Cooljazz: o guia completo para a edição de 2026

8 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Este é o cartaz completo das principais atuações do Ageas Cooljazz 2026:

  • 8 de julho — Gilberto Gil + Maria Luiza Jobim
  • 14 de julho — David Byrne + Bia Maria + Bardino
  • 15 de julho — Loyle Carner + Ana Lua Caiano + Marta Rodrigues
  • 18 de julho — Jamiroquai + Moullinex (DJ Set) + Maria Carvalho & Bruno Ponte
  • 22 de julho — Diana Krall + Gisela Mabel
  • 25 de julho — Franz Ferdinand + Bombazine
  • 29 de julho — Scissor Sisters + Saint Caboclo
  • 31 de julho — Chet Faker + Luís Severo

O palco Cascais Jazz Sessions by Smooth FM completa a programação com a atuação dos vencedores do Concurso de Talentos Ageas Cooljazz by Smooth FM: The Brothers, Terra Terra e Miguel Marôco. Além da presença no festival, os vencedores recebem um prémio monetário de dois mil euros atribuído pela Ageas e um troféu entregue pela Câmara Municipal de Cascais. «Acreditamos que era preciso dar um ânimo aos jovens que escolheram a arte e a cultura como percurso profissional», acrescentou Teresa Thöbe.

Depois dos concertos principais, as noites continuam no anfiteatro do Parque Marechal Carmona com os habituais DJ sets. A programação arranca a 8 de julho com DJ Petrolati. Após o concerto de David Byrne, a 14 de julho, a música passa para as mãos de João Gomes, uma figura incontornável da cena musical portuguesa. No dia seguinte, é DJ Mei Glez quem assume a pista.

A 18 de julho, a seleção musical fica a cargo de Paulo Fernandes, animador da M80. Na noite de atuação de Diana Krall, a 22 de julho, o encerramento pertence a Sofia Morais, da Smooth FM. O dia 25 de julho traz um alinhamento totalmente feminino com o trio Mão na Anca, composto por Patrícia Barnabé, Raquel Castro e Isabel Nogueira. Já a 29 de julho, depois do concerto dos Scissor Sisters, a festa continua com Manel Moreira. O encerramento da edição de 2026 do Ageas Cooljazz acontece a 31 de julho com um DJ set de Nicolle Velcro.

Esta é uma edição focada na acessibilidade e talento nacional

Num evento de apresentação à imprensa, que aconteceu no Hipódromo Manuel Possolo, epicentro do festival, foram apresentadas as novidades e cartaz completo da edição de 2026. Este ano, o festival reflete-se, nas palavras de, Karla Campos, CEO da Live Experiences, «em mais conforto, acessibilidade e talento nacional».

As principais medidas de acessibilidade são precisamente uma das grandes novidades. O festival, em conjunto com a Fundação Ageas, reforça recursos de acessibilidade com o compromisso de tornar o festival num espaço cada vez mais inclusivo, com apoio da AcessLab. Os concertos de oito de julho (Gilberto Gil), 14 de julho (David Byrne), 25 de julho (Franz Ferdinand), 29 de julho (Scissor Sisters), contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e com coletes de vibração, recursos especialmente pensados para a comunidade Surda.

«A cultura tem de ser para todos. Este ano reforçámos a acessibilidade com zonas adaptadas para pessoas com mobilidade condicionada, coletes sensoriais, língua gestual portuguesa e outras soluções que permitem que mais pessoas possam viver o festival em igualdade», declarou, à Líder, Karla Campos.

 

Bilhete de acompanhante gratuito é outra conquista

Estas medidas juntam‑se também à opção de gratuitidade do Bilhete de Acompanhante, dirigida a pessoas com grau de incapacidade igual ou superior a 60%, mediante apresentação do Atestado Médico de Incapacidade Multiuso (AMIM). Esta iniciativa assegura que quem precisa de apoio para uma experiência plena pode fazê‑lo sem custos adicionais, removendo uma das barreiras mais frequentes ao acesso a eventos culturais.

«A acessibilidade cultural é um direito humano e faz parte do compromisso da Ageas com a diversidade e inclusão. Já trabalhamos estas práticas internamente há vários anos e faz sentido trazê-las também para os eventos culturais. O objetivo é que deixem de ser iniciativas excecionais e passem a ser práticas normais e enraizadas», referiu Teresa Thöbe, Head of External Communication&Brand, Corporate Communication, do Ageas Portugal Group.

«Falar em Cooljazz é falar em Cascais, pois é um festival alinhado com os valores do município», referiu ainda Nuno Piteira Lopes, Presidente da Câmara de Cascais.

O evento terminou com a atuação de Marta Garret.

 

Mais noites de música incluindo programação gratuita

Outra das novidades desta edição é o anúncio da oitava noite de concertos, acrescentando um dia aos usuais sete do festival. Gilberto Gil foi o nome anunciado, que tocará a oito de julho. A noite de 15 de julho, que tem Jamiroquai como cabeça de cartaz, já está esgotada.

O palco Cascais Lazy Sundays já é uma das imagens de marca do Ageas Cooljazz e mantém-se este ano. O espaço tem desafiado o público com formatos inesperados e, em 2026, os encontros passam para o relvado do Parque Marechal Carmona nos domingos de 12, 19 e 26 de julho, entre as 17h e as 20h, com entrada gratuita.

A programação, que é inteiramente composta por DJ’s mulheres, arranca com a comunicadora Joana Barrios, que troca o microfone pela mesa de mistura para um DJ set de duas horas. No segundo domingo, a dupla Pequenas Reivindicações de Liberdade, formada por Mariana Lobo Vaz e Rita Poças, sai do universo do podcast para assumir a curadoria musical da tarde.

Já no encerramento dos Lazy Sundays, a música fica a cargo de Maria Castello Branco, Adriana Cardoso e Leonor Rosas, criadoras do podcast Lei da Paridade, que levam ao festival uma seleção pensada para o ambiente intimista do parque.

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

«Se a marca não lidera, o consumidor escolhe outra»: sustentabilidade já é condição para a continuidade das marcas

8 Maio, 2026 by Leonor Wicke

As marcas que incorporam sustentabilidade na sua missão tornam-se agentes de transformação, capazes de gerar impacto positivo em maior escala, enquanto reforçam o seu próprio valor competitivo. Hoje, uma marca não é apenas o que vende, mas aquilo que defende e os esforços que faz para cumprir os seus compromissos, deixando a responsabilidade de ser tendência para se tornar expectativa. Se a marca não lidera, o consumidor escolhe outra que o fará.

Investir em sustentabilidade não é um luxo, é uma necessidade estratégica: reduz riscos, aumenta a eficiência operacional, estimula inovação e fortalece a reputação e credibilidade corporativa. Além disso, as empresas alinhadas com critérios ESG têm acesso mais fácil a capital e demonstram maior resiliência num mundo volátil.  

 

A sustentabilidade não pesa no bolso do consumidor 

Mas perante os evidentes benefícios da sustentabilidade para empresas, como explicar ao consumidor final que a sustentabilidade também é benéfica para a sua carteira? Para que seja percebido pelo consumidor, é necessário traduzir valores éticos em vantagens concretas.  

Muitas vezes, a sustentabilidade é tratada como um acréscimo moral, um apelo à melhor natureza das pessoas. Mas os consumidores não compram apenas por ética. Eles compram por preço, conveniência, estética, performance e outros atributos funcionais. Se a sustentabilidade não entregar nesses aspetos, a estratégia comercial estará condenada a falhar. A sustentabilidade sozinha não vai vender produtos ou serviços. Ela deve procurar melhorar o produto integrando benefícios funcionais tangíveis, porque é isso que as pessoas querem produtos melhores.  

Para os colegas de comunicação e marketing: talvez seja altura de voltar ao marketing 101. Os consumidores querem produtos melhores, aprimorados pela inovação com base em critérios ESG, mas, acima de tudo, produtos que resolvem um problema, ajudam a economizar ou facilitam a vida do utilizador. 

Ténis feitos com «materiais reciclados» é um facto; «duram mais e acompanham o ritmo do dia-a-dia», é um selling point. Um telemóvel com «modo de poupança de energia» é um facto; «Menos carregamentos, mais autonomia durante o dia» é um ponto diferenciador.  

A sustentabilidade não precisa de moralizar, é importante que demonstre que ser consciente também é inteligente e rentável. É fundamental deixar claro que é uma oportunidade de poupança e eficiência: produtos duráveis reduzem custos a longo prazo, soluções energéticas eficientes diminuem despesas domésticas e escolhas conscientes reforçam a qualidade de vida.  

 

Um peão na estratégia de marca 

Para além de comunicar os atributos funcionais de um produto, a comunicação das marcas também pode trazer outras vantagens. As marcas são ‘omnipresentes’ – funcionam como lentes através das quais interpretamos e vivemos o mundo. 

Isso dá aos marketeers uma oportunidade poderosa: transformar produtos comuns em portas de entrada para estilos de vida mais sustentáveis, ligando o consumo do dia-a-dia a escolhas mais conscientes. A transparência e a simplicidade na comunicação ajudam a tornar a decisão sustentável a opção mais natural, mostrando que é possível alinhar responsabilidade ambiental e económica.  

Em última análise, a sustentabilidade não é apenas uma escolha ética ou uma tendência de mercado – é uma estratégia inteligente e rentável. A empresas que integram valores ambientais e sociais nos seus produtos e serviços não estão apenas a proteger o planeta, estão a criar valor real para os consumidores, tornando a vida mais fácil, eficiente e económica. Ao mesmo tempo, fortalecem a sua reputação e resiliência num mundo cada vez mais exigente.  

O desafio não está apenas em ‘fazer bem’, mas em comunicar bem, mostrando que responsabilidade coletiva e benefício pessoal podem caminhar lado a lado. Quando a sustentabilidade é incorporada de forma orgânica e traduzida em vantagens concretas para quem compra, deixa de ser um custo ou uma obrigação moral – torna-se uma oportunidade de negócio, uma ferramenta de inovação e um motor de transformação. 

O futuro depende disso, desta junção dos planos coletivos e individuais: a maneira como produzimos, comunicamos e consumimos hoje define o planeta que herdaremos e a qualidade da própria experiência humana. Sustentabilidade não é apenas um caminho a seguir é, de facto, a condição para a continuidade da vida, da economia e da sociedade. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Nacional, Notícias, Sustentabilidade

Trabalho remoto cresce com crise energética, mas empresas enfrentam novos riscos

8 Maio, 2026 by Leonor Wicke

O debate sobre os modelos de trabalho volta a ganhar centralidade, não apenas como uma política de flexibilidade, mas também no quadro dessa resposta a choques económicos e energéticos, e como uma medida de suporte face ao esforço financeiro adicional por parte das famílias.

No entanto, os resultados do Global Talent Barometer 2026, do ManpowerGroup, mostram que o impacto dos diferentes modelos de trabalho é complexo e nem sempre linear. Apesar de melhorarem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, os modelos híbridos e remotos levantam desafios relevantes ao nível do stress, da confiança e da retenção de talento.

O estudo Talent Barometer 2026 é uma ferramenta que mede o bem-estar e a satisfação profissional dos trabalhadores com base em 12 indicadores-chave, agrupados em três índices: Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança.

 

Trabalhadores em modelos híbridos e remotos reportam melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas níveis elevados de stress

Os modelos remotos e híbridos destacam-se pelos níveis mais elevados de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com 76% e 77%, respetivamente, a reportarem uma perceção positiva neste indicador. Estes modelos apresentam também níveis mais elevados de alinhamento com os valores da organização e de significado e propósito no trabalho.

No entanto, esta melhoria na perceção de equilíbrio não se traduz numa redução do desgaste. Os modelos híbridos e remotos apresentam níveis mais elevados de stress diário (49% e 55%, respetivamente) face ao trabalho presencial imposto (46%), impactando o sentimento global de Bem-Estar destes trabalhadores.

Neste contexto, é importante que as organizações complementem a flexibilidade destes modelos, com medidas de gestão da carga de trabalho, uma maior clareza de objetivos e iniciativas de apoio ao bem-estar mental. Caso contrário, o teletrabalho não reduz o desgaste real sentido, apesar de melhorar a perceção de equilíbrio.

 

Fidelização e segurança no emprego atual continuam a ser o principal desafio dos modelos flexíveis

Os elevados níveis de stress impactam também o sentimento geral de satisfação e fidelização dos trabalhadores em modelos híbridos e remotos. Nestes casos observam-se os níveis mais baixos de fidelização à empresa atual, com 50% dos trabalhadores em modelos remotos e 45% dos trabalhadores em modelos híbridos a consideram mudar de emprego nos próximos seis meses. Existe igualmente uma maior perceção de instabilidade laboral, já que 46% dos primeiros e 35% dos segundos manifestam um sentimento de insegurança quanto ao seu emprego atual.

Assim, ao impacto dos níveis de stress, acresce igualmente uma menor ligação à organização, fruto da distância física, com impacto direto no engagement e na retenção. Para enfrentar este desafio, é importante que as empresas promovam momentos presenciais com um propósito claro de colaboração e reforço cultural, evitando que a distância física se traduza em distância emocional ou organizacional, comprometendo a ligação entre as equipas.

 

Híbrido e remoto lideram em competências e confiança tecnológica

Paralelamente, os modelos híbridos e remotos são os que apresentam os valores mais elevados no sentimento de confiança dos trabalhadores, sendo este sentimento suportado maioritariamente pela perceção de oportunidades de desenvolvimento de carreira (70% e 69%, respetivamente) e de desenvolvimento de competências (83% e 80%). Nestes modelos, a confiança nas oportunidades de carreira situa-se mesmo 18 pontos percentuais acima dos modelos presenciais impostos.

Por outro lado, num momento em que muitos trabalhadores revelam uma redução na sua confiança no uso das tecnologias mais recentes e da IA, os trabalhadores em modelos híbridos e remotos são os que caem menos e destacam-se pela maior confiança, refletindo a maior exposição a estas ferramentas e tecnologias, possivelmente associada à natureza das funções que desempenham.

 

Presencial imposto fragiliza confiança e perspetivas de futuro

Os dados mostram também que os modelos totalmente presenciais, quando impostos, apresentam fragilidades relevantes ao nível da experiência do colaborador.

Estes trabalhadores registam níveis mais baixos de confiança, com um índice de 64%, nove pontos percentuais abaixo da média global. Apenas 50% afirmam confiar na sua capacidade para utilizar tecnologia no trabalho, enquanto 51% identificam oportunidades para atingir os seus objetivos de carreira. Embora apresentem maior perceção de segurança no emprego e menor predisposição para procurar novas oportunidades, estes profissionais revelam menor confiança nas suas lideranças diretas e menor alinhamento com a organização. Do mesmo modo, é nestes modelos que o sentimento de bem-estar é mais baixo (63%), com a perceção de equilíbrio vida-trabalho, alinhamento de valores e sentido de propósito a revelarem desvios de até 16 pontos percentuais face aos modelos híbridos.

Este cenário reforça uma conclusão crítica: embora nem todos os trabalhadores e empresas possam adotar modelos híbridos e remotos, a flexibilidade e autonomia que permitam um maior equilíbrio na vida dos profissionais é hoje um fator fundamental de satisfação e algo que as empresas devem procurar integrar na sua experiência de talento.

 

Flexibilidade sem liderança não é suficiente

Os dados do Global Talent Barometer 2026 mostram que nenhum modelo de trabalho é, por si só, uma solução perfeita. O teletrabalho melhora o equilíbrio, mas não reduz o stress nem garante retenção. O presencial assegura maior estabilidade, mas pode comprometer bem-estar e confiança.

Num contexto onde os modelos de trabalho voltam à agenda dos líderes organizacionais, a decisão a tomar deve pesar claramente o impacto na experiência de talento, sendo fundamental haver uma comunicação clara do propósito na adoção de determinada opção em detrimento de outras. Em todos os casos, é importante procurar responder às aspirações atuais dos trabalhadores, combinando autonomia e flexibilidade com proximidade, oportunidades de desenvolvimento e sentido de propósito.

«Durante a pandemia de Covid, foi notável a capacidade de adaptação do mundo do trabalho, ao viabilizar rapidamente o trabalho remoto, algo que antes parecia inalcançável. No entanto, no período pós-pandemia ficaram também claras importantes limitações desses modelos, sobretudo na cultura, aprendizagem, mentoria e exposição ao negócio», afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup. «Hoje, perante os desafios da crise energética, voltamos a ser chamados a adaptar-nos. Se é certo que os modelos híbridos se afirmam como uma solução relevante, é importante não esquecer os ensinamentos passados – nomeadamente com uma atenção reforçada à gestão do stress, ao mesmo tempo que continuamos a desenvolver oportunidades reais de capacitação, crescimento e progressão de carreira, fundamentais para sustentar o compromisso dos profissionais com as organizações.»

Arquivado em:Notícias, Trabalho

O design hostil como falência da ética

8 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Nós passamos. Olhamos para o relógio, ou para iPhone, para qualquer coordenada que não coincida com aquele retângulo de miséria.

Mas o que me fere o olhar não é apenas a pobreza e a miséria humana, sobretudo a maldade desenhada. Nas saliências das lojas de luxo, o urbanismo revelou a sua face mais perversa, espigões de metal atravessados no chão. É o chamado ‘design hostil’. O objetivo é claro, impedir que um corpo cansado repouse ali, para que a vitrine não perca o brilho.

Vejo nisto a Normalização do Desvio levada ao seu expoente máximo. Aceitámos que espetar metal no chão para expulsar um semelhante é uma ‘medida de segurança’ ou de ‘preservação de ativos’. Que erro de análise. Quando o ferro passa a ser mais importante que a carne, a nossa ‘gestão’ faliu.

Vejo isto todos os dias. À noite, ao descer em direção ao Marquês, o acampamento de papelão já está montado. De manhã, quando regresso ao serviço, eles ainda lá estão, numa luta muda, a sacudir a manta e a dignidade com a réstia de água que sobrou da noite.

O desvio sociológico já não é a existência da pobreza, essa é uma falha estrutural. O verdadeiro desvio é a nossa indiferença institucionalizada. É o «sempre foi assim» que nos está a corroer a cultura organizacional e a alma coletiva. Tornou-se ‘normal’ gerir cidades e empresas através da exclusão, em vez da integração.

Um dia destes, acordamos e a cidade é toda de metal frio, sem espaço para um abraço, quanto mais para um sono. E o Marquês? O Marquês continua lá no alto, impassível, a olhar para baixo, esperando para ver se alguém, no meio de tanta gestão e de tanto KPI, ainda se lembra de ser gente.

Arquivado em:Opinião

Susana Pascoal nomeada Presidente Executiva da WIRE Portugal

7 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Susana Pascoal, que já integrava a direção no mandato anterior, assume agora a liderança executiva, garantindo a continuidade e uma abordagem dinâmica à gestão da associação.

«Assumo a presidência executiva da WIRE com enorme orgulho e um sentido de responsabilidade que me motiva a ir mais longe. Há ainda muito caminho por percorrer, mas as oportunidades de afirmação e impacto no setor são reais e estamos determinadas a aproveitá-las. Quero deixar um agradecimento especial à VICTORIA Seguros, cuja confiança e apoio foram determinantes no meu percurso profissional e continuam a ser uma fonte de inspiração», afirma Susana Pascoal, Diretora de Marketing da VICTORIA Seguros e Presidente Executiva da WIRE.

A nova estrutura da WIRE contempla a criação do cargo de Presidente Fundadora, assumido por Filipa Arantes Pedroso, e a constituição de um Conselho Estratégico, órgão consultivo que integrará mulheres com percursos de destaque no setor imobiliário e noutras áreas de atividade. Todos os membros da Direção são mantidos: Patricia Barão, Diana Nigra, Margarida Caldeira, Andrea Ferreira e Carlota Varela Cid.

Para o novo mandato, a associação traça um plano ambicioso, centrado no reforço do seu posicionamento e no aprofundamento do seu compromisso com um mercado imobiliário mais equilibrado, inclusivo e profissionalizado.

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