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Leonor Wicke

«Sucesso não é ganhar um campeonato da Europa. É o dia a dia». Tomás Appleton explica o que faz um atleta de topo

20 Abril, 2026 by Leonor Wicke

O desporto em Portugal está a ganhar relevância, mas continua a exigir resiliência, consistência e apoio estrutural para que os jovens consigam transformar talento em carreira. Mas o que é determinante para que os desportistas sigam o seu sonho?

Tomás Appleton e Duba Barradas exploraram este tema com base em conquistas e histórias pessoais na conversa Viver o Desporto: Sonho, Suor e Futuro. O momento aconteceu no âmbito da conferência Leadership NEXT GEN, na NOVA SBE, no dia 16 de abril, com moderação de Leonor Wicke, Coordenadora Editorial da Líder.

 

Veja o momento completo aqui:

Tomás Appleton, Duba Barradas, Leonor Wicke – Viver o deporto: sonho, suor e futuro

«O râguebi moldou-me enquanto pessoa»

Appleton confessou que nunca teve grandes expectativas em relação à carreira, mas que tudo começou aos seis anos de idade. «Comecei muito cedo, por causa do meu irmão, e depois as coisas foram acontecendo», recordou.

Hoje, diz, não consegue imaginar os seus dias sem râguebi. Para o atleta, os valores e os princípios fazem parte do ADN da modalidade. Além de jogador, é dentista e médico, mas acredita que a resiliência que o define nasceu precisamente no desporto que pratica.

O râguebi moldou-me enquanto pessoa, enquanto homem. A forma como lido com a frustração, com as pessoas, com a equipa. Muito disso vem do desporto.

Do bairro à elite mundial: «Quis ser diferente»

Já Duba Barradas encontrou no muay thai um caminho inesperado. Cresceu no bairro da Cruz Vermelha, em Cascais, num contexto onde o futebol era o desporto preferido, mas foi na luta que se destacou. «No meu bairro jogava-se muito futebol e eu era dos piores», disse, entre risos.

O atleta acredita que o desporto foi determinante para mudar o seu percurso de vida e fintar os «caminhos errados» que o ambiente da sua juventude poderia ter-lhe apresentado. «Os desportos de combate ajudaram-me a tirar o melhor de mim e a transformar completamente o meu rumo.» Foi sob essa premissa que fundou o Cascais Fight Center, um projeto de reinserção social e prevenção de comportamentos de risco através dos desportos de combate.

Apesar de nunca ter imaginado que poderia viver do desporto, sempre teve uma ambição clara: «Nunca pensei que seria campeão, mas quis sempre ser diferente e marcar pela diferença.» E no seu caminho conquistou o mundial em 2012 e vários europeus. Mas acrescentou que esse caminho não se fez sozinho: «As pessoas que tenho à volta ajudam-me imenso».

Descobri na luta o meu caminho e tive a sorte de encontrar o mestre certo.

O momento contou com a participação de Pedro Coelho e Francisca Varela, alunos do Cascais Fight Center, que fizeram uma breve demonstração de combate em palco.

Talento não chega. «O sucesso é o dia a dia»

Para ambos, o talento é importante, mas está longe de ser suficiente. Appleton defende mesmo uma visão pragmática do sucesso: «O talento está lá, mas o mais importante é o que fazemos com ele. Sucesso não é ganhar um campeonato da Europa isoladamente. Sucesso é o dia a dia, é vir treinar às sete da manhã, é controlar todos os fatores da nossa vida», explicou.

Duba reforçou a mesma ideia, vendo a consistência como o ingrediente essencial para atingir o topo. «O mais importante é ser persistente, ser teimoso, desbravar caminho. O talento faz diferença, mas o trabalho diário é o que marca o percurso.»

Há mais oportunidades no desporto em Portugal, mas ainda insuficientes

Questionados sobre o contexto atual, ambos concordaram que existem hoje mais oportunidades para os jovens. «Acho que o desporto é cada vez mais visto como um pilar fundamental da sociedade», afirmou Appleton. Ainda assim, deixou um alerta: «Há um longo caminho a percorrer. Não sei se Portugal está preparado para tanto profissionalismo desportivo.»

Duba apontou também para uma evolução significativa, sobretudo em modalidades menos tradicionais. «Quando comecei, quase ninguém sabia o que era muay thai. Hoje toda a gente conhece», disse. Destacou ainda o papel das autarquias, sobretudo em Cascais: «Aqui, ninguém fica sem treinar por falta de condições. Isso faz toda a diferença.»

 

Novas gerações têm mais talento, mas menos paciência

Outro ponto convergente foi a análise às novas gerações. Ambos reconheceram que os jovens são hoje mais preparados, mas enfrentam novos desafios. Appleton tem notado uma evolução técnica. «São miúdos muito mais competentes, com performances mais altas.» No entanto, alertou para a impaciência, sublinhando que «há dificuldade em acreditar num processo a longo prazo. Querem resultados imediatos.»

Duba não deixou de parte o impacto da tecnologia. «Há muito mais distrações, mais oferta. O desporto tem de ser visto também como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal.»

Família, escolas e Estado: uma responsabilidade partilhada

Para os dois atletas, o desenvolvimento desportivo não depende de um único fator. A responsabilidade deve ser geral – «das famílias, das escolas, das autarquias e do Estado», como referiu Duba. «O desporto ajuda a educar. A competição ensina-nos a lidar com a derrota, com a frustração, com a vida.»

Appleton reforçou o papel da família no seu percurso: «Os meus pais perderam muitos fins de semana para eu jogar râguebi. Hoje dizem que foi a melhor decisão que tomaram.» Ainda assim, apontou desafios estruturais: «Há muitos atletas que acabam por abandonar porque não conseguem conciliar estudos, trabalho e alta competição. É preciso mais apoio.»

«Não desistam»: o conselho final para os jovens atletas

Persistência foi a tónica da conclusão do debate. Duba resumiu: «Sejam persistentes. Vejam o desporto como algo importante. Só vos fará bem.»

Appleton reforçou a ideia com método. «Definam os vossos objetivos cedo e não desistam. Não desistam, não desistam, não desistam.» E deixou um alerta realista: «Há dias horríveis. Mas fazem parte. É isso que vos leva aos dias bons, às vitórias, aos momentos em que provam que todos estavam errados.»

O momento findou com o lançamento de três bolas de râguebi assinadas por Tomás Appleton, que foram arremessadas pelos três intervenientes do debate para a audiência de jovens.

Tenha acesso à galeria de imagens do evento aqui.

Todos os momentos da Leadership Next Gen estão disponíveis na Líder TV e no canal 560 da NOS.

Arquivado em:Desporto, Liderança, Notícias

Liderar com propósito

20 Abril, 2026 by Leonor Wicke

O propósito importa porque todos procuramos viver uma vida com sentido. É essa a nossa condição humana. O nosso propósito, seja o que for, contribui para explicar quem somos e porque fazemos o que fazemos. As nossas organizações podem usá-lo para se melhorarem, pensando como melhor servir aqueles para quem existem.

A chegada da inteligência artificial (IA) vem acentuar a importância de humanizar aquilo que os humanos fazem: relacionamentos e criatividade. A criação de organizações com propósito passará por aqui: pela criação de organizações mais humanistas. Mas importa não entender o propósito como panaceia. Muitas vezes, fica a sensação de que as declarações sobre o propósito não passam de proclamações vagas sem uma convicção genuína. Aí, o propósito pode gerar cinismo e não envolvimento. Por isso o propósito deve funcionar como um ‘verdadeiro norte’ organizacional, como lhe chamou o autor, com experiência executiva, Bill George.

Para seguir o norte, as organizações não devem esquecer a lição de Frederick Herzberg. A partir dos anos 1950 este autor distinguiu fatores motivacionais, nos quais se poderia incluir o propósito, e higiénicos, como as políticas, salários, relações. Para construir uma casa com propósito importa combinar sonho e realidade. É desta combinação que nascem as organizações admiráveis.

Em tempos de inteligência artificial, preservar o coração humano das organizações passa pela capacidade de combinar realismo e idealismo, propósito e pragmatismo. O que remete, como tantas vezes me acontece, para James March e a sua ideia de que um bom líder é poeta e canalizador. Não uma coisa ou outra, mas ambas. Sem esta dupla orientação o propósito tenderá a ser uma fonte de despropósito.

 

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Revista nº 33 Primavera/Verão 2026

20 Abril, 2026 by Leonor Wicke

Lynda Gratton, professora de Gestão na London Business School, fundadora da HSM Advisory e uma referência global no estudo da longevidade e do futuro do trabalho, é a protagonista da Grande Entrevista.  Quando há dez publicou o livro The 100-Year Life: Living and Working in an Age of Longevity  já havia compreendido como uma vida de 100 anos tem sobretudo a ver com o trabalho, tanto quanto o facto de sermos humanos, com um corpo, coração e mãos para fazer o que mais gostamos 

‘No Terreno dos Humanos, onde cabe a Tecnologia?’ é o título da Grande Reportagem desta edição. Em Portugal, 28,9% dos empregos correm risco de desaparecer com a automação, mas encadernadores, pescadores, médicos e engenheiros mantêm-se no terreno. Entre tradição e inovação, a pergunta é: até onde pode a máquina entrar? 

Condição Humana – Vivemos uma mudança profunda, uma transformação do que significa ser humano no trabalho, na liderança e na sociedade. A primeira edição do ano da Revista Líder marca o início de um novo ciclo: o tempo em que a tecnologia impera, mas o foco está nas pessoas. O tema recentra-se no humano como força de inovação  – empatia, equilíbrio emocional, propósito e performance são os pilares de um desempenho sustentável. As carreiras tornam-se mais longas e as organizações tornar-se-ão núcleos de experimentação e reinvenção. As lideranças evoluem de uma lógica de controlo para a colaboração, comunicação direta e agilidade, ao eliminar níveis de gestão burocrática, dando primazia aos valores humanos.  

Como ser um líder inspirador num mundo em constante reconfiguração? Qual o talento que as empresas estão a perder? Quais os benefícios das equipas intergeracionais e diversas? Viver com propósito tem sido consistentemente apontado como um indicador de um envelhecimento saudável. Executar um trabalho, com gosto e empenho, por muito simples que seja, pode ser visto com ter uma vida com propósito? Como encontrar um equilíbrio? Como criar novas profissões em busca de um sentido? A tecnologia vem para servir o Homem, para deixá-lo fazer o ‘melhor’, e o que mais gosta, e entregar o ‘pesado’ para as máquinas. Perante a nova revolução industrial, o tempo é agora para viver esta fascinante e incessante Condição Humana.  

Maria José Tonelli, Professora titular na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas onde dirige o Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas, abre o tema de capa com o artigo ‘Longevidade e Seus Desafios’, seguindo-se ‘The New Map Of Life – Uma nova Era para a longevidade’, por Mónica Chaves, CEO Brandkey & Hub Consulting Idade Maior. 

«A Maturidade não Deve Significar Retirada» é o testemunho de Conceição Zagalo, Presidente do Conselho de Administração e do Conselho Executivo da Fundação LIGA e Diogo Almeida Alves, o único português membro do Longevity Economy Taskforce do World Economic Forum GS Community escreve sobre ‘A Economia da Longevidade e o Legado Organizacional’. 

Após a implementação e a experiência da Semana de Quatro Dias de Trabalho levada a cabo por cerca de 40 empresas em Portugal, Pedro Gomes, Professor Catedrático em Economia em Birkbeck (Universidade de Londres), autor de Sexta-Feira é o Novo Sábado, e co-cordenador do projeto-piloto de Flexibilização laboral na Administração Regional Autónoma dos Açores escreve ‘O Amor ao Trabalho’. Filipa Castanheira, Professora Catedrática na Nova School of Business and Economics, UNL, fala-nos sobre o tecnostress em  ‘A Tecnologia que prometeu Liberdade também ensinou a nunca Sair do Trabalho’. 

A relação entre a tecnologia e a Arte e a forma como um artista utiliza outras ferramentas de trabalho, fez a Líder estar à conversa com a artista Fernanda Fragateiro «Um artista está sempre a trabalhar. Só quando desaparece o desejo, pode parar.» e o ator Virgílio Castelo  «A vida nunca será fácil». E ainda bem. 

«A condição humana define-se pela capacidade de pertença e pela dignidade que o trabalho confere.», assim escreve Filipa Pinto Coelho, Presidente da Direção e CEO da VilacomVida / JOYEUX Portugal no artigo ‘A Condição Humana ao Balcão – Onde o trabalho transforma o olhar’. A história e origem do conceito do ikigai, ligado à cultura de Okinawa, um arquipélago no sul do Japão, e que reúne na sua génese um equilíbrio entre paixão, vocação, missão e profissão, foi o mote para o artigo ‘Cansado de fazer sem sentir? Encontrar o ikigai é a resposta’ e a Banda Desenhada ‘Quem Manda Aqui’. 

O uso da IA Generativa nas salas de aula e em ambiente escolar, levou Ludmila Nunes, Psicóloga Cognitiva, a partilhar a sua visão no artigo ‘Educação na Era da Inteligência Artificial’, seguindo-se ‘Quando a Sustentabilidade é Condição para a Continuidade das Marcas, da Economia e da Vida’, por Joana Spencer, Gestora de Stakeholders do BCSD Portugal.  

O tema de capa encerra com o desafio lançado ao grupo de conselheiros da Líder: ‘Se pudesse escrever ao CEO do Futuro, o que não deixaria por dizer?’. Após a avaliação de um júri aos textos, não identificados, são publicadas as três cartas que reuniram um conjunto de ponderação dos critérios de avaliação mais elevado: Elsa Carvalho, Senior director WTW (Willis Towers Watson), Susana Coerver, Strategy, Transformation & Board Advisory e Joana Garoupa, Marketing Advisor, CEO Garoupa INC. 

A edição de primavera/verão conta ainda com dois dossiers especiais. O primeiro, Leading People tem como tema “Benefícios e Compensações/Neuroleadership e Inteligência Emocional” e Leadding Tech “Tecnologia, Ética e Inovação: o Triângulo do futuro”. 

Líder é a revista da Tema Central. É uma publicação, com duas edições por ano, de ensaio, crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança.  

Compre aqui a edição nº 33 da revista Líder.  

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Arquivado em:Líder Magazine

O que define a condição humana? A nova edição da revista Líder traz respostas

20 Abril, 2026 by Leonor Wicke

Lynda Gratton, professora de Gestão na London Business School, fundadora da HSM Advisory e uma referência global no estudo da longevidade e do futuro do trabalho, é a protagonista da Grande Entrevista.  Quando há dez publicou o livro The 100-Year Life: Living and Working in an Age of Longevity  já havia compreendido como uma vida de 100 anos tem sobretudo a ver com o trabalho, tanto quanto o facto de sermos humanos, com um corpo, coração e mãos para fazer o que mais gostamos 

‘No Terreno dos Humanos, onde cabe a Tecnologia?’ é o título da Grande Reportagem desta edição. Em Portugal, 28,9% dos empregos correm risco de desaparecer com a automação, mas encadernadores, pescadores, médicos e engenheiros mantêm-se no terreno. Entre tradição e inovação, a pergunta é: até onde pode a máquina entrar? 

Condição Humana – Vivemos uma mudança profunda, uma transformação do que significa ser humano no trabalho, na liderança e na sociedade. A primeira edição do ano da Revista Líder marca o início de um novo ciclo: o tempo em que a tecnologia impera, mas o foco está nas pessoas. O tema recentra-se no humano como força de inovação  – empatia, equilíbrio emocional, propósito e performance são os pilares de um desempenho sustentável. As carreiras tornam-se mais longas e as organizações tornar-se-ão núcleos de experimentação e reinvenção. As lideranças evoluem de uma lógica de controlo para a colaboração, comunicação direta e agilidade, ao eliminar níveis de gestão burocrática, dando primazia aos valores humanos.  

Como ser um líder inspirador num mundo em constante reconfiguração? Qual o talento que as empresas estão a perder? Quais os benefícios das equipas intergeracionais e diversas? Viver com propósito tem sido consistentemente apontado como um indicador de um envelhecimento saudável. Executar um trabalho, com gosto e empenho, por muito simples que seja, pode ser visto com ter uma vida com propósito? Como encontrar um equilíbrio? Como criar novas profissões em busca de um sentido? A tecnologia vem para servir o Homem, para deixá-lo fazer o ‘melhor’, e o que mais gosta, e entregar o ‘pesado’ para as máquinas. Perante a nova revolução industrial, o tempo é agora para viver esta fascinante e incessante Condição Humana.  

Maria José Tonelli, Professora titular na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas onde dirige o Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas, abre o tema de capa com o artigo ‘Longevidade e Seus Desafios’, seguindo-se ‘The New Map Of Life – Uma nova Era para a longevidade’, por Mónica Chaves, CEO Brandkey & Hub Consulting Idade Maior. 

«A Maturidade não Deve Significar Retirada» é o testemunho de Conceição Zagalo, Presidente do Conselho de Administração e do Conselho Executivo da Fundação LIGA e Diogo Almeida Alves, o único português membro do Longevity Economy Taskforce do World Economic Forum GS Community escreve sobre ‘A Economia da Longevidade e o Legado Organizacional’. 

Após a implementação e a experiência da Semana de Quatro Dias de Trabalho levada a cabo por cerca de 40 empresas em Portugal, Pedro Gomes, Professor Catedrático em Economia em Birkbeck (Universidade de Londres), autor de Sexta-Feira é o Novo Sábado, e co-cordenador do projeto-piloto de Flexibilização laboral na Administração Regional Autónoma dos Açores escreve ‘O Amor ao Trabalho’. Filipa Castanheira, Professora Catedrática na Nova School of Business and Economics, UNL, fala-nos sobre o tecnostress em  ‘A Tecnologia que prometeu Liberdade também ensinou a nunca Sair do Trabalho’. 

A relação entre a tecnologia e a Arte e a forma como um artista utiliza outras ferramentas de trabalho, fez a Líder estar à conversa com a artista Fernanda Fragateiro «Um artista está sempre a trabalhar. Só quando desaparece o desejo, pode parar.» e o ator Virgílio Castelo  «A vida nunca será fácil». E ainda bem. 

«A condição humana define-se pela capacidade de pertença e pela dignidade que o trabalho confere.», assim escreve Filipa Pinto Coelho, Presidente da Direção e CEO da VilacomVida / JOYEUX Portugal no artigo ‘A Condição Humana ao Balcão – Onde o trabalho transforma o olhar’. A história e origem do conceito do ikigai, ligado à cultura de Okinawa, um arquipélago no sul do Japão, e que reúne na sua génese um equilíbrio entre paixão, vocação, missão e profissão, foi o mote para o artigo ‘Cansado de fazer sem sentir? Encontrar o ikigai é a resposta’ e a Banda Desenhada ‘Quem Manda Aqui’. 

O uso da IA Generativa nas salas de aula e em ambiente escolar, levou Ludmila Nunes, Psicóloga Cognitiva, a partilhar a sua visão no artigo ‘Educação na Era da Inteligência Artificial’, seguindo-se ‘Quando a Sustentabilidade é Condição para a Continuidade das Marcas, da Economia e da Vida’, por Joana Spencer, Gestora de Stakeholders do BCSD Portugal.  

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A edição de primavera/verão conta ainda com dois dossiers especiais. O primeiro, Leading People tem como tema “Benefícios e Compensações/Neuroleadership e Inteligência Emocional” e Leadding Tech “Tecnologia, Ética e Inovação: o Triângulo do futuro”. 

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Mais de 2 milhões de passageiros sofreram atrasos em aeroportos portugueses no início de 2026

17 Abril, 2026 by Leonor Wicke

De acordo com um relatório da AirHelp, entre janeiro e março, passaram pelos aeroportos portugueses mais de 6,4 milhões de passageiros, distribuídos por cerca de 50 mil voos. No entanto, 36,2% das ligações aéreas registaram algum tipo de perturbação, incluindo atrasos e cancelamentos.

Aumentam voos e passageiros, mas também os atrasos

Os dados mostram uma tendência clara: o aumento da procura por viagens aéreas está a ser acompanhado por uma maior instabilidade operacional.

Comparativamente ao mesmo período de 2025:

  • O número de voos cresceu cerca de 11%;
  • O número de passageiros aumentou 7%;
  • A taxa de perturbações subiu aproximadamente 13%.

Apesar de cerca de 64% dos voos terem ocorrido dentro do horário previsto, mais de dois milhões de passageiros foram afetados por atrasos. Destes, mais de 63 mil poderão ter direito a compensação, nos casos em que os atrasos ultrapassaram três horas, houve cancelamentos ou perda de ligações.

Lisboa lidera atrasos; Faro e Porto destacam-se pela pontualidade

A análise por aeroportos revela diferenças significativas no desempenho. O Aeroporto de Lisboa continua a ser o mais afetado por perturbações, com 39% dos voos a registarem atrasos ou cancelamentos, refletindo o elevado volume de tráfego e limitações operacionais.

Por outro lado, os seguintes aeroportos destacam-se como os mais pontuais do país neste período.:

  • Faro, com 73% dos voos sem perturbações;
  • Porto, com 72%.

TAP transporta mais de 2 milhões de passageiros, mas enfrenta perturbações

A TAP Air Portugal manteve-se como a companhia aérea com maior volume de passageiros com partida de Portugal, transportando mais de dois milhões de pessoas no primeiro trimestre.

Ainda assim, 37% dos voos da companhia registaram algum tipo de perturbação, embora a performance represente uma melhoria face ao ano anterior. Mais de 10 mil passageiros da TAP poderão estar elegíveis para compensação financeira.

Passageiros podem receber até 600 euros por atraso

De acordo com o Regulamento Europeu CE 261/2004, os passageiros têm direito a indemnização até 600 euros, em situações como:

  • Atrasos superiores a três horas;
  • Cancelamentos com aviso inferior a 14 dias;
  • Overbooking.

Os passageiros podem ainda pedir reembolso de despesas adicionais e reclamar retroativamente até três anos após o voo. No entanto, existem exceções, como condições meteorológicas adversas ou emergências médicas. Já em casos de greve ou problemas operacionais das companhias aéreas, o direito à compensação mantém-se.

Crescimento do turismo pressiona infraestrutura aérea

O aumento do número de passageiros e voos reforça a recuperação do setor da aviação em Portugal, mas também evidencia desafios operacionais, sobretudo nos principais hubs como Lisboa.

Este cenário levanta questões sobre a capacidade dos aeroportos nacionais para responder ao crescimento da procura, num contexto em que o turismo continua a ser um dos principais motores da economia portuguesa.

União Europeia pode alterar regras de compensação

A AirHelp alerta ainda para possíveis alterações na legislação europeia, que poderão reduzir significativamente os direitos dos passageiros. Segundo a empresa, mais de 60% dos pedidos de indemnização por atraso poderão deixar de ser elegíveis, caso as propostas avancem, o que reduziria a proteção dos viajantes.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Emprego na saúde ultrapassa 543 mil pessoas e já representa 10% em Portugal

17 Abril, 2026 by Leonor Wicke

O crescimento confirma uma trajetória sustentada nos últimos anos, com mais de 70 mil novos empregos criados desde 2019, quando o setor empregava cerca de 472 mil pessoas.

Emprego na saúde acelera após quebra em 2024

Depois de uma ligeira contração em 2024 (-1,2%), o setor registou uma recuperação significativa ao longo de 2025, com um crescimento anual de 7,3%.

No último trimestre do ano, o aumento homólogo atingiu 10,7%, refletindo uma aceleração da procura por profissionais, tanto na área clínica como no apoio social.

A área de saúde humana continua a liderar, concentrando 65,3% do emprego, seguida pelas atividades de apoio social com alojamento (23,1%) e sem alojamento (11,6%).

Saúde é o setor mais feminino da economia portuguesa

A análise revela também que a saúde continua a ser o setor mais feminizado em Portugal. Cerca de 81% dos profissionais são mulheres, uma proporção muito superior à média da economia.

Trata-se igualmente de um setor altamente qualificado: 42,7% dos trabalhadores desempenham funções especializadas, como médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Ainda assim, uma parte significativa do emprego assenta em funções de apoio e cuidados pessoais.

Setor privado domina o emprego na saúde

O setor privado reforça o seu peso na prestação de cuidados de saúde, sendo responsável por 63,4% do emprego total, enquanto o setor público representa 36,6%.

A maioria dos profissionais trabalha por conta de outrem (87%), mas o número de trabalhadores independentes tem vindo a crescer, atingindo cerca de 38 mil pessoas, refletindo uma maior flexibilidade no mercado de trabalho.

Mais empresas e salários acima da média nacional

O número de empresas na área da saúde continua a aumentar. Em 2023, existiam mais de 118 mil empresas, um crescimento de 45% na última década.

A evolução das remunerações acompanha esta dinâmica. Em dezembro de 2025, o salário médio mensal no setor atingiu 2.033 euros brutos, cerca de 8,3% acima da média nacional.

Nos últimos dez anos, os salários aumentaram aproximadamente 70%, impulsionados pela necessidade de atrair e reter talento num contexto de escassez.

Escassez de profissionais mantém desemprego baixo

Apesar do crescimento, o setor continua a enfrentar falta de profissionais qualificados. Em fevereiro de 2026, estavam registados 18.470 desempregados na área da saúde, o equivalente a 6,1% do total nacional.

O desemprego concentra-se sobretudo em funções menos qualificadas, enquanto as profissões mais especializadas apresentam níveis residuais, evidenciando forte procura.

Para Luísa Cardoso, da Randstad, o setor está a atravessar uma transformação estrutural. «O setor da saúde está a consolidar-se como um dos principais motores do mercado de trabalho em Portugal, não só pelo volume de emprego, mas também pela crescente exigência ao nível do talento», afirma.

A especialista destaca ainda a pressão para atrair profissionais e o papel crescente do setor privado, num contexto de mudança na organização dos cuidados de saúde.

Arquivado em:Nacional, Notícias

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