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Leonor Wicke

Whycations: o que são e porque pode precisar de uma viagem com propósito

26 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Depois de anos marcados pelo excesso, está a crescer o desejo por viagens e experiências mais intencionais, alinhadas com valores pessoais. A pergunta já não é ‘para onde ir de férias?’, mas sim ‘porquê viajar?’.

É esta mudança de paradigma que está na base do conceito de whycation, uma das principais tendências identificadas no Hilton 2026 Trends Report. O estudo avança que as tendências de viagens para o próximo ano passam a ser guiadas por motivações emocionais claras: descansar, reconectar, encontrar significado.

O estudo foi realizado pela Ipsos, para a cadeia de hotéis Hilton, em junho deste ano, utilizando uma amostra de mais de 14 mil adultos, de 14 países, que planeiam viajar nos próximos 12 meses.

 

Viajar com propósito, calma e identidade

A ascensão das whycations reflete um novo tipo de viajante, que procura tranquilidade, cultura e ligação – consigo próprio e com os outros. Seja uma escapadinha silenciosa, uma road trip nostálgica ou uma viagem inspirada por paixões pessoais, o ponto de partida é sempre o mesmo: o propósito.

Não é por acaso que 74% dos viajantes afirmam preferir reservar com marcas que conhecem e em que confiam. Num cenário global instável, conforto, consistência e familiaridade tornaram-se essenciais. Mais do que o destino, conta a forma como a viagem faz sentir.

Hushpitality: o luxo do silêncio

Entre as tendências emergentes está a chamada hushpitality, destinos e hotéis que oferecem silêncio, pausas digitais e menos estímulos. Quase metade dos viajantes admite prolongar as viagens para ter tempo a sós, enquanto mais de 27% dos viajantes em trabalho procura momentos de isolamento durante deslocações profissionais.

A tecnologia surge, paradoxalmente, como aliada do descanso: 73% valorizam check-ins digitais e soluções que simplificam a experiência, libertando tempo e energia.

O conforto de casa, longe de casa

Outra tendência clara é a procura de rotinas familiares durante a viagem. Desde refeições conhecidas a séries favoritas ou animais de estimação, os viajantes querem sentir-se em casa, mesmo longe dela. Quase 80% encontram conforto em pratos familiares e 64% dos donos de animais colocam as necessidades dos seus pets no centro da decisão.

Ao mesmo tempo, viajar tornou-se uma oportunidade para crescer: 72% querem explorar paixões pessoais e 60% admitem desligar-se durante longos períodos para viajar com outro ritmo.

Famílias reinventam as férias

As férias em família também mudaram. As crianças participam ativamente no planeamento, influenciam destinos e inspiram novas experiências. Crescem as viagens multigeracionais e as chamadas skip-gen trips, em que avós viajam sozinhos com os netos.

Mais do que consumo, as famílias procuram experiências com valor emocional, ligadas a tradições locais e às suas próprias raízes – uma tendência que reforça a viagem como legado.

Arquivado em:Lazer, Notícias

Companhia das Culturas: o primeiro anti-resort no Algarve

26 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A Companhia das Culturas é uma Casa Agrícola com 40 hectares no barrocal algarvio que está na família do Francisco, meu marido, há sete gerações. Quando chegou o momento de ser ele a zelar por este património, viemos viver para  S. Bartolomeu do Sul. Foi há 30 anos, em meados dos anos 90. A proposta de restauro da arquitetura rural ainda não fazia parte do caderno de encargos dos apoios comunitários e, também por isso, o mercado não estava dotado de empresas de reconstrução de casas de barro e cal.  

Sob a orientação do arquiteto Pedro Ressano Garcia, que é também o autor do projeto, eu investi-me em empreiteira em regime de adjudicação direta dos mais diversos oficiais. Durante sensivelmente 10 anos, entre 1998 e 2008, ano de abertura da Companhia das Culturas, restaurámos os primeiros 1000 m2. O processo de restauro e adaptação às novas funções prolongou-se até 2015, nesta década já noutras condições. 

Atualmente, são 2000 m2 de área coberta, que integra a Casa Grande, com sete quartos, três casas duplex, e uma de piso térreo, no total de 15 quartos, várias áreas comuns, uma Cork Box – a antiga garagem da máquina debulhadora, totalmente forrada a cortiça, constitui o mais impressivo espaço para a prática de Yoga, Pilates ou outras performances pelo conforto acústico e táctil. E um Hamam, o primeiro feito de raiz, do Portugal contemporâneo e de uso privado, para o máximo de quatro pessoas, forrado com mármore de Estremoz. 

 

 

A arte a dar a toada do acolhimento 

Se as obras de arte são objetos, gestos, sons, movimentos ou aromas que não relevam de uma relação funcional e utilitária, então eu diria que o trabalho de reconstrução do Pedro Ressano Garcia foi feito para suscitar essa relação ambígua/sensível com o mundo em redor.  A arte, seja ela qual for o suporte ou o médium, é o lugar da incerteza; uma coisa é muitas coisas.  

Uma das qualidades deste projeto arquitetónico é a de nunca sabermos ao certo se uma parede é deste tempo ou do tempo em que foi construída a chaminé da antiga cozinha que o artífice assinalou, 1828, ou como o artigo de Cristina Cordeiro, na revista de arquitetura Cubo, em 2008, sublinhava “as paredes da Companhia das Culturas são uma espécie de cartografia do tempo».  

Os mais de 40 metros de comprido da parede de vidro do alpendre, com teto e telhado em cortiça queimada, vertiginosamente virada para as oliveiras multiseculares deixa-nos fora de nós. Os desenhos a carvão de Jorge Feijão de grandes dimensões, os desenhos com fios de algodão de cores matizadas de Tomás Cunha Ferreira nas paredes mais ou menos invisíveis dos quartos, salas ou corredores, os desenhos animistas da Mumtazz, os tapetes voadores com a técnica dos tapetes de Arraiolos da dupla Tomba,  os monumentais desenhos de tinta da china de Thierry Simões, são, juntamente com os objetos de Eneida Tavares – jarras de cerâmica e ondulantes fibras vegetais, tapetes de encosto e com almofada integrada feitos com os restos de fios da  indústria têxtil, a taça de fruta em cortiça com lápis de cores a servir de pé de Fernando Brízio e que de pernas para o ar é um porta lápis são cada um deles, outros modos de fazer mundo, e todos nos oferecem a possibilidade de ser outro.

E se o centro deste negócio, a hotelaria, lato senso, zela pelo bem-estar de outros, a arte onde incluo o trabalho de restauro arquitetónico, enquanto a mais generosa relação com o mundo, dá a toada do acolhimento. 

Um contraponto ao turismo convencional  

Na capa da revista Cubo de 2008, vinha a chamada a um artigo sobre a Companhia das Culturas cujo título era “Companhia das Culturas, O primeiro anti resort no Algarve». Por tudo que foi dito dá para entender que a Companhia das Culturas é um projeto com raiz, que é um trabalho de interpretação de um lugar onde convivem vários tempos, várias gerações.

Não quisemos nem apagar, nem reificar uma época ou uma estética específica, mas fazer conviver em simultâneo e no mesmo espaço vários tempos, várias técnicas, estilos e práticas de vida, sem hierarquizar.

A esta presença simultânea de vários tempos se chama contemporaneidade ou a consciência de que uma época pode ser muitas épocas. É isso que eu acho que somos, de um tempo com muitos tempos.  

 

Fotos: Companhia das Culturas

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading Life

Natal: um convite à presença e ao equilíbrio emocional

26 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

É chegada a altura do ano em que nos despedimos uns dos outros com um «Boas Festas!» ou um «Vemo-nos para o ano!» bem intencionados e calorosos. O Natal está no ar e apresenta-se como o tempo da alegria, dos reencontros, da união. As decorações, as luzes, as músicas e as mensagens trazem consigo uma expectativa de felicidade e perfeição. As redes sociais e a cultura consumista contribuem também para aumentar expectativas sobre o espírito festivo perfeito e permanente.

Há, porém, um outro lado do Natal, menos visível, em que a saúde emocional é posta à prova. A pressão emocional é real, particularmente quando a experiência pessoal não corresponde ao padrão de perfeição que é veiculado, gerando desconforto, frustração e intensificando sentimentos de inadequação. Importa encontrar espaço para a fragilidade e para a imperfeição começando por aceitar as diferenças, respeitando a legitimidade de cada emoção.

Cuidar da saúde emocional deve ser prioridade todos os dias, mas assume particular importância em épocas festivas. E o cuidado emocional pode concretizar-se em pequenas ações, simples na forma, mas profundamente significativas no seu impacto. Estabelecer limites, dizer não ou criar pequenos rituais de bem-estar podem ser pequenos passos para o equilíbrio emocional que não obedece a um calendário. Permitir-se descansar, diminuir a carga mental e reduzir expectativas são gestos de autocuidado e de maturidade emocional. Ouvir o corpo, parar, encontrar momentos de pausa ou pedir apoio são passos que podem, também, ajudar a completar a caminhada de bem-estar. Reconhecer os limites, físicos e emocionais, é essencial num tempo em que tudo pede mais, mais presença, mais disponibilidade, mais energia, mais alegria.

Por outro lado, o cuidado emocional move-se também em torno da forma como nos relacionamos com os outros. Escutar ativa e conscientemente, acolher silêncios, oferecer um ombro ou um abraço, respeitando o espaço individual de cada um, são pequenos gestos de empatia que podem fazer a diferença, de forma significativa, no bem-estar coletivo. Num tempo que se apregoa marcado por encontros, é essencial reconhecer e validar todas as vivências, sem comparações ou julgamentos, promovendo relações mais saudáveis.

Neste final de ano, num mundo exausto e acelerado, o Natal pode ser o convite ideal para parar e refletir, individual ou coletivamente, sobre as conquistas e desafios vividos, integrando experiências com gentileza e compaixão, preparando, de forma consciente, o caminho emocional que se deseja para o próximo ano. Que neste Natal nos permitamos presença e equilíbrio emocional, saboreando, sem pressa nem julgamento, a sua perfeita imperfeição.

Arquivado em:Opinião

A navalha de Einstein

24 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

São inúmeras as frases atribuídas erradamente a Einstein. A organizadora de um volume de citações do famoso físico incluiu um capítulo com frases que erradamente lhe são imputadas. Por exemplo, Einstein nunca disse: «Uma teoria deve ser tão simples quanto possível, mas não mais simples do que isso.» Há uma óbvia ironia nesta frase, pois nada pode ser mais simples do que é possível. A frase apareceu numa edição do Reader’s Digest em 1977 e multiplicou-se por todo o lado (e ainda mais depois de ter aparecido a Internet). Mas, aparte a nota irónica, a primeira parte está de acordo com o pensamento de Einstein.

Para o maior físico do século XX a simplicidade devia ser um objectivo dos cientistas. Podemos chamar-lhe a «navalha de Einstein», piscando o olho ao monge franciscano William of Ockham que, seis séculos antes, disse mais ou menos a mesma coisa. Os físicos procuram descrições simples do mundo pela razão (simples, apetece dizer) de que o mundo é simples.

Einstein escreveu, nas suas Notas Autobiográficas, que «uma teoria será tanto mais impressionante quanto maior for a simplicidade das suas premissas e quanto mais variadas forem as coisas diferentes que relaciona e quanto mais extensa for a sua área de aplicabilidade.» Foi o caso da sua Teoria da Relatividade.

Numa conversa em 1926, Einstein disse ao seu colega Heisenberg, um dos criadores da teoria quântica (a citação está no livro deste, Diálogos sobre Física Atómica): «Tentamos ordenar unitariamente os fenómenos, reduzi-los de algum modo a uma simplicidade coerente, até que, graças a meia dúzia de conceitos, possamos entender um grupo talvez muito grande de fenómenos.» Para isso a matemática é muito útil: as fórmulas são simples.

O sábio interrogou-se se esta economia de pensamento é apenas subjectiva, mas concluiu que não. A realidade existe e, «na realidade, a simplicidade das leis da Natureza é também um facto objectivo.» Heisenberg concordou: «Creio, como o senhor, que a simplicidade das leis da Natureza tem um carácter objectivo, que não se trata apenas da economia de pensar. Quando a Natureza nos leva a formas matemáticas de grande simplicidade e beleza – refiro-me a sistemas ordenados de princípios básicos, axiomas, etc. –, que não foram alcançadas por ninguém, não se pode deixar de crer que são “verdade”, quer dizer, que representam um dado autêntico da Natureza (…) Em mim domina a convicção muito grande da simplicidade e beleza do esquema matemático que nos é sugerido pela Natureza. Deve ter, sem dúvida, experimentado igualmente uma sensação deste tipo perante a simplicidade e a ordem perfeita das interrelações em que a Natureza subitamente se abre, colhendo-nos de surpresa.»

Repare-se no uso da simplicidade e de beleza como critérios de descoberta da verdade: ambas serviram para criar as duas teorias maiores da física do século XX, a Teoria da Relatividade e a Teoria Quântica. A simplicidade está expressa no lema em latim Simplex sigilatum veri – «O simples é o selo da verdade», inscrito em letras garrafais no anfiteatro de Física da Universidade de Göttingen, na Alemanha, por onde Heisenberg andou, como uma exortação aos descobridores. Por outro lado, o papel da beleza na descoberta tem sido amplamente reconhecido. O antigo lema latino Pulchritudo splendor veritatis – «A beleza é o esplendor da verdade» significa que o indagador reconhece a verdade, como disse Heisenberg, «pelo seu esplendor, pelo modo como brilha.»

 

O que diz a «navalha de Ockham»?

Atribui-se ao franciscano a frase «As entidades não devem ser multiplicadas para além do necessário». Mas ele nunca escreveu essa frase (mais uma vez uma falsa atribuição!). Disse algo parecido: «A pluralidade nunca deve ser proposta sem haver necessidade». Ockham não foi aliás o primeiro a defender o primado da simplicidade.

Aristóteles disse: «Podemos supor a superioridade, sendo igual tudo o resto, de uma demonstração que derive de menos postulados ou hipóteses». E o teólogo Tomás de Aquino: «É supérfluo supor que o que pode ser explicado por menos princípios tenha sido produzido por muitos.» A simplicidade tem grandes tradições na ciência. O sistema heliocêntrico de Copérnico é um bom exemplo da «navalha de Ockham», pois explica mais com menos hipóteses (abandona os complicados epiciclos de Ptolomeu). Outro bom exemplo é o sistema do mundo de Newton, que precedeu o de Einstein.

Disse o sábio da gravitação universal: «A Natureza contenta-se com a simplicidade, e não se adorna com a pompa de causas supérfluas.» No século XX, o filósofo Karl Popper veio explicar porque preferimos teorias simples. Segundo ele, as teorias científicas têm de ser passíveis de um desmentido pela Natureza em observações ou experiências. Ora, as teorias simples, que se aplicam a uma vasta pluralidade de casos, são mais facilmente testáveis. Tudo isto é filosofia da ciência. A vida pode, porém, ser bem mais complicada do que a ciência. Mesmo assim, a simplicidade é um bom princípio de vida. Aceite-se o complexo apenas quando o simples não for suficiente.

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leadership

E se oferecer ações neste Natal?

24 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Com a maioria dos portugueses a manifestar interesse em investir, mas sem saber por onde começar, oferecer ações pode ser uma forma de incentivar os seus entes queridos a dar os primeiros passos.

A XTB, aplicação de investimento, introduziu a funcionalidade ‘Enviar um presente’, que permite aos utilizadores transformar os seus investimentos num presente. Nesta época natalícia, os utilizadores podem oferecer uma ação ou um direito fraccionado da sua carteira, diretamente a partir da aplicação.

Eduardo Silva, Diretor da XTB em Portugal, afirma: «Temos verificado que a consciência financeira está a aumentar. Conversas sobre economia, inflação e as últimas tendências tecnológicas estão a tornar-se parte do quotidiano de muitos de nós. É por isso que criámos um espaço onde qualquer pessoa pode partilhar a sua paixão com os outros. Estou convencido de que oferecer ações a alguém é um dos melhores presentes que se pode dar. Isso demonstra que o dinheiro pode trabalhar para o futuro e pode ser o ponto de partida para o caminho de investimento.»

Este presente tem o potencial de apoiar o futuro financeiro de alguém e pode ser enviado independentemente de o destinatário já ser um cliente XTB ou não. O valor máximo do presente não pode exceder 1000 euros, só podendo ser oferecido a uma pessoa uma vez.

O destinatário tem 21 dias para reclamar o presente e, até que o presente seja reclamado ou se não for reclamado, o doador pode utilizar livremente as ações.

Arquivado em:Finanças, Notícias

Liderar pessoas num Mundo em Mudança: da humanização à excelência operacional

24 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Com mais de 30 anos de experiência no setor automóvel, Nuno Braga é desde 2021 administrador da Caetano Auto, responsável pelos pelouros das vendas, marketing, finance e mobilidade. Reconhecido pela visão estratégica e capacidade de unir rigor e proximidade, Nuno Braga acredita numa liderança pela humanização: criar cultura, desenvolver talento e dar propósito às equipas. A sua abordagem combina excelência operacional, foco no cliente e uma forte aposta nas pessoas, princípios que têm orientado a transformação da Caetano Auto e que sustentam o tema desta breve conversa: liderar num mundo em mudança com empatia, clareza e sentido de futuro.

Enquanto parceiro, a Caetano Auto apoia a mobilidade das empresas com soluções fiáveis, simples e flexíveis, com quatro marcas que cobrem todo o ciclo de vida: Toyota & Lexus, Caetano Colisão e GlassBack. Tal significa ter ao alcance todos os serviços num único parceiro, de norte a sul do país.

Paralelamente, adaptadas à realidade de cada negócio, as soluções de Renting & Leasing Operacional e de Mobilidade Flexível (Kinto), fazem parte do conjunto de ofertas partilhadas. O objetivo é otimizar custos, simplificar processos e trazer mais flexibilidade ao dia a dia das empresas.

 

Como descreve a visão da Caetano Auto e de que forma ela orienta as decisões de liderança e estratégia?

A nossa visão é de que a Caetano Auto deixe de ser apenas um conjunto de marcas automóveis. Queremos ser reconhecidos como uma comunidade de pessoas e experiências. Isso orienta cada decisão que tomamos: do tipo de comunicação que fazemos, à forma como estruturamos a empresa e investimos nas pessoas. Por exemplo, o lançamento da Academia Caetano Auto nasceu da convicção de que o diferencial competitivo é humano, não basta vender carros. Queremos cultivar talento, propósito e compromisso com a experiência do cliente.

 

Qual o tipo de cultura interna e como garantem essa transposição para a experiência dos clientes?

É uma cultura centrada no respeito, transparência, empatia e colaboração. Internamente, incentivamos o trabalho em equipa, a partilha de ideias e o envolvimento de todos na missão da empresa. Mais do que silos, queremos fluidez e sentido de propriedade. Para que isso se reflita externamente, treinamos equipas para tratar cada cliente como uma pessoa, não como uma venda. A ‘humanização’ não é só um slogan: orienta tudo; da receção ao pós-venda, da comunicação ao acompanhamento. Essa coerência entre cultura interna e promessa externa é, a meu ver, o que define o nosso diferencial.

 

Num sector tradicional como o automóvel, orientado pelo produto e performance, como conciliar a busca por resultados e uma abordagem humana e sustentável?

Não ignoramos que o negócio automóvel exige eficiência, resultados e metas. Mas cremos que os resultados mais sustentáveis e duradouros resultam de um equilíbrio entre excelência operacional e cuidado com pessoas e clientes. Significa investir em formação, desenvolver empatia, ouvir e adaptar processos. A longo prazo, essa abordagem gera fidelidade, reputação e vantagem competitiva. Por isso, a estratégia de humanização não é um custo extra, mas sim um investimento estratégico.

 

Num contexto em que as equipas são confrontadas com mudança, pressão comercial e exigência digital, como liderar sem perder o foco humano e a motivação das pessoas?

Acredito que liderar, hoje, não é apenas definir metas ou orientar estratégia, é sobretudo criar significado e pertença. A pressão existe, os números contam, mas as pessoas movem as empresas. Por isso, quando há momentos de grande transformação, como a digitalização, o novo perfil de cliente ou a exigência de rapidez. A nossa prioridade é garantir que as pessoas não perdem o sentido do seu papel. Isso faz-se com transparência, proximidade e reconhecimento. Não temos medo de falar sobre desafios ou dificuldades, mas, sempre que possível, envolvemos as equipas nas soluções.

A motivação não se impõe. Constrói-se com confiança, escuta e propósito partilhado.

 

Qual é a sua visão da relação com o cliente e o papel dos líderes nos próximos anos?

Vejo o futuro do retalho automóvel como uma experiência cada vez mais integrada, omnicanal e emocional. Continuaremos a vender carros, claro, mas cada vez mais vamos vender confiança, serviço, experiência e relação. O cliente final quer ser tratado como pessoa, não como transação. A liderança terá a responsabilidade de preparar as equipas para isso, formar competências humanas, digitais e comportamentais; criar ambientes colaborativos e estimular a antecipação das necessidades do cliente. Acredito que a próxima década não será das empresas que vendem mais, mas das que se relacionam melhor. E é nesse caminho que queremos estar.

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Entrevistas

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