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Leonor Wicke

Um bom presente: leituras para oferecer neste Natal

18 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Tem sido um tema recorrente nos meus textos na Líder: o declínio do hábito de leitura. Por isso, e porque esta Líder sai no mês de Natal, porque não deixar a sugestão de oferecer livros?

Eis uma coleção de obras que, creio, têm algo a ver com a quadra.

Boas leituras, Bom Natal, Feliz Ano Novo!

 

Um Espião em Privado

Dom Quixote

Para estes dias em que o tempo para ler é mais largo, ‘Um Espião em Privado’ (Dom Quixote), organizado por
Tim Cornwell, reúne a correspondência de John Le Carré, grande escritor. É sempre interessante conhecer o
homem por trás do autor e este grosso volume ajuda-nos a espiar o escritor de espiões.

 

Filósofos em Liberdade

Gradiva

Quem também merece sempre ser lido é Umberto Eco. Já partiu mas deixou uma obra que continua a encantar. ‘Filósofos em Liberdade’ (Gradiva) oferece uma introdução informal e divertida à história da Filosofia, uma conjugação de caricaturas e pequenos poemas que, a brincar mas a sério, nos contam a história da Filosofia através de alguns dos seus nomes maiores.

 

Ficções e Ensaios

Guerra e Paz

‘Ficções e Ensaios’, de Rui Azevedo Teixeira (Guerra e Paz), traz de volta um dos mais entusiasmantes escritores portugueses. Não é tão elogiado nem conhecido como merece, imagino que por não fazer parte dos networks literários. Mas merece muito ser lido.

 

Ambição Moral

Bertrand

‘Ambição Moral’, de Rutger Bregman (Bertrand), não é um “livro de Natal” mas é um bom livro para o Natal. Bregman discute como todos podemos ajudar a melhorar o mundo. E faz notar que esse não é um livro de auto-ajuda. Bregman é um autor com uma missão: ajudar a contrariar o cinismo e dar um empurrão para um mundo melhor. Se este não é o espírito da quadra.

 

A Harmonia das Esferas

Gradiva

‘A Harmonia das Esferas’ tem tudo a ver com a quadra festiva. O livro de João Paulo André e Carlos Fiolhais junta música e ciência. Abordar a música a partir da ciência é um prazer, maior ainda quando se juntam dois divulgadores de grande gabarito. Porque o Natal deve ser tempo de harmonia, como não sublinhar esse estado com este livro que é, além do mais, um belo objeto?

 

Abominável Mundo Novo

Dom Quixote

Para aqueles familiares para quem não é fácil discernir o que oferecer, ‘Abominável Mundo Novo’, o mais recente livro de Nuno Rogeiro (Dom Quixote), é uma boa escolha. Este livro, que nos transporta pelo roteiro do caos (Caxemira, Bósnia, Israel, Congo), é um descodificador do estranho mundo em que vivemos. Escolha infalível para todos os que se interessam pelo estado do mundo.

 

Uma Breve História do Japão

Casa das Letras

Para um outro tipo de viagem, ‘Uma Breve História do Japão’, de Christopher Harding (Casa das Letras), oferece um guia curto mas abrangente sobre o País do Sol Nascente, essa terra que fascina, por igual, quem já conhece e quem ainda não conhece.

 

A Rapariga com Gelo nas Veias

Dom Quixote

E como não há Natal sem um bom policial, uma tradição que vem de Agatha Christie, aqui vai o novo ‘A Rapariga com Gelo nas Veias’, o regresso de Lisbeth Salander agora pela pena de Karin Smirnoff. Não que se trate do policial soft de Christie mas está sintonizado com o frio escandinavo. Estes franchises têm sempre algo de duvidoso, mas Lisbeth merece uma chance.

 

A Morte de Bunny Monroe

Nick Cave

Uma escolha muito pessoal é ‘A Morte de Bunny Monroe’, de Nick Cave (Casa das Letras). Cave é um herói pessoal e o autor que melhor, com mais beleza, transmite a fealdade do mundo – ou vice-versa, não sei. É sempre uma experiência entrar no mundo sofrido de Cave, desta vez por escrito. Pouco natalício, perfeito para o Natal.

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Leadership, Livros e Revistas

Simplificar: a edição de inverno da Revista Líder já está nas bancas

18 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Simplificar é o grande tema da revista Líder n.º 32. A edição já está disponível nas bancas (incluindo livrarias, Fnac e Bertrand) e em formato digital. 

Mats Alvesson, Professor na Universidade de Lund e autor do livro The Art Of Less – How to Focus on What Really Matters at Work, um manifesto contra a tendência das organizações em se empanturrarem com mais e a produzir lodo (organizational sludge), uma lama que bloqueia as empresas e as pessoas, é o protagonista da Grande Entrevista.  

Na Grande Reportagem ‘O Caminho que Nasce nas Rampas e se Negoceia no Digital é de Todos’, Rui, Diogo e Benedita partilham um quotidiano onde cada passo, cada plataforma e cada papel exige atenção total. A legislação europeia sobre as acessibilidades ainda apresenta desafios e está longe de permitir a autonomia de quem deve ter o direito de simplificar e transformar obstáculos em caminhos e pequenos gestos em vitórias.  

Simplificar – Eliminar o desnecessário, evitar o redundante ou que não agrega valor. Clarividência, eficiência. Simplificar remete-nos para o minimalismo, para o despojamento, para a renúncia aos objetos supérfluos, à tralha. É um estímulo à nossa capacidade de adaptação a ambientes externos multidimensionais e sensoriais, à nossa flexibilidade. Na gestão organizacional, significa reduzir burocracias em processos internos, implementar estruturas mais leves e ágeis, focar numa comunicação clara. Simplificar é a arte de tornar o complexo mais direto, preservando a qualidade e promovendo resultados. É um princípio universal que beneficia tanto as organizações quanto os indivíduos, em qualquer contexto. Se assim o é, por que nos estamos a tornar cada vez mais complexos?  

Se é verdade que o Mundo está cheio de complexidade e a simplicidade é uma filosofia de vida a que se aspira, o que nos impede de ser mais simples? Existe um materialismo ‘bom’ e ‘mau’? Como podemos ser mais seletivos? A reflexão e o pensamento não parecem que se coadunam com o modo de ação dos humanos. Exige-se mais tempo para pensar e refletir, contudo a espécie humana, na sua evolução, está programada para fazer coisas, em vez de pensar sobre o que está a fazer. Historicamente, procurámos durante séculos a sofisticação, a opulência e a formalidade, hoje vivemos uma jornada da complexidade para a simplicidade. Procuramos a simplicidade não porque somos simples, mas porque estamos afogados em complexidade. Nesta edição abordamos a arte de simplificar em múltiplas vertentes, do estilo de vida, à habitação, moda, alimentação, processos criativos, de trabalho, felicidade e poesia. É um peneirar da essência, a depuração para chegar ao núcleo do ‘saber viver’. 

Marta Faustino, Professora Convidada do ISCTE/LCT e investigadora do Instituto de Filosofia da NOVA, abre o tema de capa com o artigo ‘A Sabedoria Antiga e a Arte de Simplificar’, seguindo-se ‘A Navalha de Einstein’ por Carlos Fiolhais, Professor emérito de Física da Universidade de Coimbra. 

‘Por que Razão a Paz não é Simples’ é a questão que coloca Tiago André Lopes, Professor Auxiliar de Relações Internacionais na Universidade Lusíada do Porto, investigador do CEJEIA (Universidade Lusíada), e José Luis Orihuela, Professor de Comunicação e Multimédia na Universidade de Navarra, e autor de Manual Breve de Mastodon (2023) e Culturas Digitales (2021), deixa o desafio de um digital detox com o artigo ‘A Hora do Minimalismo Digital’. 

Neste que foi o ano da afirmação da Inteligência Artificial, o artigo ‘O Advogado depois da Máquina’, João Lourenço Silva, Co-Founder e António Lopes dos Santos Legal Specialist, ambos da Affine by NeuralShift destaca a relação entre o humano e a máquina. O Diretor da Rede Nacional Mundial de Oração do Papa, P. António de Magalhães Sant’Ana, sj escreve sobre a simplicidade em ‘A Vida no Silêncio Monástico’, e compreende-se a poesia simples a partir do livro de Matsuo Bashô, O Eremita Viajante no texto ‘Haiku, Os Poemas Sem Palavras’. 

‘Simplicidade como a Forma Mais Pura de Presença’ é o texto escrito pela mão de Ricardo Preto, que recentemente assumiu a direção criativa da Leitão&Irmão. Nini Andrade Silva, Designer e Arquiteta de Interiores, escreve ‘O Luxo da Simplicidade’. O tema da simplicidade é também aplicado ao tema da habitação no artigo ‘Casas Modulares, A redefinição do futuro da habitação’, Carlos Baião da Cruz, CEO e Diogo Pinto, Marketing Manager, ambos da Kōzōwood Industries. A agricultura celular e o futuro da sustentabilidade estão em foco no artigo  ‘Simplificar para Alimentar o Futuro’, escrito por Vítor Verdelho Vieira, CEO da Cell4Food. ‘A Força de um Clássico Português que se Reinventa no Simples’, é o texto de Hélder Pinto, CEO da Sanjo. 

A edição de inverno conta ainda com três dossiers especiais. O primeiro, Leading People tem como tema “Talento: a arte de encontrar as pessoas certas e desenvolver futuros líderes”, Leadding Tech “Para além do hype da IA: softwares de gestão” e Leading Brands “Future Trends 2026” 

Líder é a revista da Tema Central. É uma publicação, com quatro edições por ano, de ensaio, crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança. 

Compre aqui a edição nº 32 da revista Líder. 

Subscreva aqui a revista Líder. 

Arquivado em:Liderança, Notícias

Revista Líder nº32 – Inverno/2025

18 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Simplificar é o grande tema da revista Líder n.º 32. A edição já está disponível nas bancas (incluindo livrarias, Fnac e Bertrand) e em formato digital. 

Mats Alvesson, Professor na Universidade de Lund e autor do livro The Art Of Less – How to Focus on What Really Matters at Work, um manifesto contra a tendência das organizações em se empanturrarem com mais e a produzir lodo (organizational sludge), uma lama que bloqueia as empresas e as pessoas, é o protagonista da Grande Entrevista.  

Na Grande Reportagem ‘O Caminho que Nasce nas Rampas e se Negoceia no Digital é de Todos’, Rui, Diogo e Benedita partilham um quotidiano onde cada passo, cada plataforma e cada papel exige atenção total. A legislação europeia sobre as acessibilidades ainda apresenta desafios e está longe de permitir a autonomia de quem deve ter o direito de simplificar e transformar obstáculos em caminhos e pequenos gestos em vitórias.  

Simplificar – Eliminar o desnecessário, evitar o redundante ou que não agrega valor. Clarividência, eficiência. Simplificar remete-nos para o minimalismo, para o despojamento, para a renúncia aos objetos supérfluos, à tralha. É um estímulo à nossa capacidade de adaptação a ambientes externos multidimensionais e sensoriais, à nossa flexibilidade. Na gestão organizacional, significa reduzir burocracias em processos internos, implementar estruturas mais leves e ágeis, focar numa comunicação clara. Simplificar é a arte de tornar o complexo mais direto, preservando a qualidade e promovendo resultados. É um princípio universal que beneficia tanto as organizações quanto os indivíduos, em qualquer contexto. Se assim o é, por que nos estamos a tornar cada vez mais complexos?  

Se é verdade que o Mundo está cheio de complexidade e a simplicidade é uma filosofia de vida a que se aspira, o que nos impede de ser mais simples? Existe um materialismo ‘bom’ e ‘mau’? Como podemos ser mais seletivos? A reflexão e o pensamento não parecem que se coadunam com o modo de ação dos humanos. Exige-se mais tempo para pensar e refletir, contudo a espécie humana, na sua evolução, está programada para fazer coisas, em vez de pensar sobre o que está a fazer. Historicamente, procurámos durante séculos a sofisticação, a opulência e a formalidade, hoje vivemos uma jornada da complexidade para a simplicidade. Procuramos a simplicidade não porque somos simples, mas porque estamos afogados em complexidade. Nesta edição abordamos a arte de simplificar em múltiplas vertentes, do estilo de vida, à habitação, moda, alimentação, processos criativos, de trabalho, felicidade e poesia. É um peneirar da essência, a depuração para chegar ao núcleo do ‘saber viver’. 

Marta Faustino, Professora Convidada do ISCTE/LCT e investigadora do Instituto de Filosofia da NOVA, abre o tema de capa com o artigo ‘A Sabedoria Antiga e a Arte de Simplificar’, seguindo-se ‘A Navalha de Einstein’ por Carlos Fiolhais, Professor emérito de Física da Universidade de Coimbra. 

‘Por que Razão a Paz não é Simples’ é a questão que coloca Tiago André Lopes, Professor Auxiliar de Relações Internacionais na Universidade Lusíada do Porto, investigador do CEJEIA (Universidade Lusíada), e José Luis Orihuela, Professor de Comunicação e Multimédia na Universidade de Navarra, e autor de Manual Breve de Mastodon (2023) e Culturas Digitales (2021), deixa o desafio de um digital detox com o artigo ‘A Hora do Minimalismo Digital’. 

Neste que foi o ano da afirmação da Inteligência Artificial, o artigo ‘O Advogado depois da Máquina’, João Lourenço Silva, Co-Founder e António Lopes dos Santos Legal Specialist, ambos da Affine by NeuralShift destaca a relação entre o humano e a máquina. O Diretor da Rede Nacional Mundial de Oração do Papa, P. António de Magalhães Sant’Ana, sj escreve sobre a simplicidade em ‘A Vida no Silêncio Monástico’, e compreende-se a poesia simples a partir do livro de Matsuo Bashô, O Eremita Viajante no texto ‘Haiku, Os Poemas Sem Palavras’. 

‘Simplicidade como a Forma Mais Pura de Presença’ é o texto escrito pela mão de Ricardo Preto, que recentemente assumiu a direção criativa da Leitão&Irmão. Nini Andrade Silva, Designer e Arquiteta de Interiores, escreve ‘O Luxo da Simplicidade’. O tema da simplicidade é também aplicado ao tema da habitação no artigo ‘Casas Modulares, A redefinição do futuro da habitação’, Carlos Baião da Cruz, CEO e Diogo Pinto, Marketing Manager, ambos da Kōzōwood Industries. A agricultura celular e o futuro da sustentabilidade estão em foco no artigo  ‘Simplificar para Alimentar o Futuro’, escrito por Vítor Verdelho Vieira, CEO da Cell4Food. ‘A Força de um Clássico Português que se Reinventa no Simples’, é o texto de Hélder Pinto, CEO da Sanjo. 

A edição de inverno conta ainda com três dossiers especiais. O primeiro, Leading People tem como tema “Talento: a arte de encontrar as pessoas certas e desenvolver futuros líderes”, Leadding Tech “Para além do hype da IA: softwares de gestão” e Leading Brands “Future Trends 2026” 

Líder é a revista da Tema Central. É uma publicação, com quatro edições por ano, de ensaio, crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança. 

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Arquivado em:Líder Magazine

Regulamentação do ‘lobbying’ aprovada em maioria. O que muda?

17 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Foi aprovado em parlamento, na semana passada, o novo regime que visa regular o lobbying – influência organizada e legítima de decisões políticas ou legislativas. O documento final da Comissão de Assuntos Constitucionais teve o apoio do PSD, Chega, PS, IL, Livre, PAN e JPP. Apenas o PCP se opôs, alegando uma legalização do tráfico de influências e abrir portas à corrupção.

A nova lei cria o Registo de Transparência da Representação de Interesses (RTRI), tornando obrigatória a inscrição das entidades que procuram influenciar políticas públicas. Prevê ainda um Código de Conduta, define deveres claros de identificação e de atuação para os representantes de interesses, introduz um mecanismo de pegada legislativa e estabelece um regime sancionatório inédito em Portugal.

A proposta partiu de projetos apresentados pelo PSD, Chega, PS, IL, CDS e PAN, aprovados na generalidade em julho deste ano, que tinham como principal objetivo aumentar a transparência, estabelecer regras e criar código de conduta. O PSD congratulou a aprovação, classificando-a como um momento histórico num processo que se iniciou há dez anos.

 

O que muda a partir de agora?

Para o processo legislativo ser concluído, falta ainda a promulgação pelo Presidente da República. As propostas de lei pretendem regular a representação de interesses em Portugal, introduzindo mudanças concretas na forma como empresas, associações e outras entidades interagem com o poder político e administrativo.

Até agora, esta atividade existia num vazio legal; com o novo regime, passa a estar enquadrada por obrigações claras de transparência, identificação e responsabilização.

 

Registo obrigatório para quem quer influenciar decisões públicas

A principal alteração é a criação do RTRI, que obriga qualquer empresa, associação, ONG, escritório ou entidade que pretenda influenciar políticas públicas, legislação ou decisões administrativas a inscrever-se previamente neste registo público.

Sem essa inscrição, não será legítimo contactar decisores públicos no âmbito de processos legislativos ou regulatórios. O registo inclui informação sobre:

  • a identidade da entidade e dos seus representantes;
  • os interesses ou setores representados;
  • os clientes ou organizações em nome de quem atua, quando aplicável.

Para as empresas, isto significa que a representação de interesses deixa de ser informal ou opaca e passa a exigir estrutura, planeamento e cumprimento de regras.

 

Maior transparência nos contactos com decisores

Outra mudança relevante é a introdução da chamada ‘pegada legislativa’. Este mecanismo permite identificar, de forma transparente, quem contactou quem, em que contexto e no âmbito de que processo legislativo ou regulatório.

Na prática, as interações entre representantes de interesses e decisores públicos passam a ficar associadas aos processos em causa, reforçando a rastreabilidade das decisões.

A lei consagra ainda um Código de Conduta, que estabelece princípios como transparência, lealdade institucional, veracidade da informação e identificação clara do interesse representado.

 

Um novo enquadramento para a relação entre empresas e Estado

No seu conjunto, a nova legislação não proíbe nem limita a defesa de interesses legítimos, torna-a visível, estruturada e regulada. Em suma, o lobbying deixa de ser um tema implícito ou desconfortável e passa a ser uma atividade reconhecida, regulada e integrada no funcionamento democrático, exigindo às organizações mais transparência, rigor e responsabilidade institucional.

Arquivado em:Economia, Notícias, Política

Mais de metade dos líderes considera que projetos de IA agravam o cansaço nas equipas

17 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A inteligência artificial figura em todas as tendências e previsões para 2026. Ainda assim, 55% dos líderes considera que os projetos de IA agravam o cansaço e não aliviam a carga de trabalho, revelando uma desconexão entre a ambição tecnológica e a preparação das equipas para a integrar no quotidiano.

A Emergn, consultora de transformação organizacional, revela no estudo The Global Intelligent Delusion que o entusiasmo em torno da IA está a criar expectativas difíceis de acompanhar. A investigação, que envolveu 751 organizações de grande dimensão, evidencia também que as iniciativas de transformação estão a esgotar as equipas e a comprometer o desempenho das organizações.

 

IA acelera competitividade, mas gera cansaço

Apesar de 82% dos líderes defenderem que a transformação é crucial para manter a competitividade, o modo como estes processos estão a ser conduzidos está a gerar cansaço e frustração às equipas. Metade dos colaboradores afirma já ter sentido fadiga devido às mudanças constantes, 45% diz ter sofrido burnout e 36% admite ponderar sair da empresa por não conseguir acompanhar o ritmo.

«Demasiadas empresas confundem atividade com progresso. A transformação não deve sobrecarregar as pessoas, mas sim fortalecer as suas competências. Neste momento, estamos a assistir ao contrário. Isto já não é apenas um desafio de liderança, é um problema de modelo de negócio», afirma Alex Adamopoulos, fundador e CEO da Emergn.

 

Equipas estão mal informadas e com baixa formação

A falta de clareza tem sido outro elemento crítico neste processo. Cerca de 31% dos profissionais sente-se mal informado sobre os objetivos das transformações em curso, 42% garantem não ter recebido formação suficiente e 41% apontam falhas de liderança como causa direta para o insucesso de iniciativas anteriores.

Para Alex Adamopoulos, estes números mostram que muitas empresas ainda encaram a transformação como algo que impõem às pessoas, e não como um processo construído com elas. «As organizações estão a avançar rapidamente para novas tecnologias sem garantir a preparação humana necessária para as sustentar. Isto não é transformação digital, é exaustão digital», sublinha.

O estudo conclui que esta fadiga generalizada representa um risco estratégico para o negócio. As empresas que não equilibrarem tecnologia, comunicação e capacitação correm o risco de perder talento, competitividade e foco.

Não há mérito num projeto bem-sucedido que deixa as equipas exaustas, desiludidas ou à procura de outro emprego. Se a mudança é constante, a comunicação e o desenvolvimento de competências também têm de ser.

O estudo recolheu respostas de executivos com mais de cinco anos de experiência em funções de direção, provenientes de organizações com mais de mil colaboradores e receitas superiores a 500 milhões de dólares anuais, incluindo CEOs, CTOs, COOs e líderes de transformação operacional.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Lucros robustos e investimento em tecnologia sustentam as ações globais para 2026

16 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Os investidores em mercados desenvolvidos continuam a enfrentar avaliações elevadas, incerteza política e uma liderança setorial concentrada, mas fatores de suporte sólidos, como fundamentos empresariais robustos e os avanços em inteligência artificial, podem oferecer um potencial significativo de valorização.

Entretanto, nos mercados emergentes, as avaliações mantêm-se razoáveis e a Schroders espera que o impulso dos lucros persista, com o recomeço da desvalorização do dólar americano a ser um fator favorável. Os especialistas da Alex Tedder analisa as razões para o otimismo, mesmo num contexto de avaliações elevadas, enquanto Tom Wilson explora os fatores que podem sustentar o desempenho das ações dos mercados emergentes em 2026.

 

Ações globais: o argumento para um otimismo cauteloso

Por Alex Tedder, Portfolio Manager & CIO (Equities)

Apesar da concentração de mercado, das avaliações relativamente elevadas e dos crescentes receios sobre uma possível bolha de IA, as perspetivas para as ações globais não são necessariamente negativas. O impulso económico positivo, o apoio robusto aos lucros e o investimento estrutural em novas tecnologias poderão sustentar os mercados globais por algum tempo ainda.

 

Mais um ano surpreendentemente forte

Em 2024, num contexto de incerteza macroeconómica e geopolítica, as ações globais ofereceram um retorno de 18% em termos de dólares americanos. Até agora em 2025, apesar da contínua volatilidade política, os mercados acionistas globais voltaram a ter um desempenho extraordinariamente bom, gerando um retorno de 20,5% em dólares à data da redação deste texto.

Vários fatores estão em jogo. A economia dos EUA mantém-se robusta, suportada por um estímulo fiscal massivo (como aconteceu com a One Big Beautiful Bill Act); elevados níveis de despesas de capital, particularmente por parte das grandes empresas tecnológicas; crescimento sólido dos salários; e preços baixos da energia. As políticas tarifárias do Presidente Trump aceleraram o investimento interno nos EUA e, pelo menos até agora, não levaram a uma inflação mais elevada. O resultado geral tem sido um forte crescimento dos lucros: os lucros do S&P 500 deverão aumentar 13% em termos anuais no total em 2025. Não é surpreendente, portanto, que os investidores tenham simplesmente olhado para além do ruído geopolítico e se tenham focado nos fundamentos.

No resto do mundo, o otimismo também prevaleceu, com os mercados europeus e asiáticos a registarem alguns dos seus melhores retornos em muitos anos. No entanto, os motores do retorno têm sido até agora ligeiramente diferentes, já que o dinamismo económico e o crescimento dos lucros têm sido muito mais moderados em ambas as regiões. A reavaliação tem sido o principal fator.

Os investidores antecipam uma recuperação económica em 2026. As estimativas gerais de consenso são sólidas: a Europa, a Ásia e os EUA deverão agora gerar um crescimento dos lucros de 12-15% no próximo ano.

 

As avaliações são elevadas, mas podem manter-se assim (por agora)

Uma preocupação válida é os mercados já estarem a descontar mais do que um cenário de crescimento positivo. Quase todos os mercados do mundo parecem caros em relação à história recente, negociando a múltiplos bem acima das medianas dos últimos 15 anos. Medidas fundamentais de longo prazo, como o rácio preço/lucro (CAPE) ajustado ciclicamente, ou a medida de capitalização bolsista/PIB (produto interno bruto) (preferida por Warren Buffett), estão a piscar a vermelho.

Os céticos podem certamente apontar o facto de que, historicamente, os mercados voltaram sempre à média, o que sugere uma queda significativa em relação aos níveis atuais. Embora esse seja um risco que, com razão, pesa no nosso debate diário, todas as dinâmicas de mercado que aqui referimos levam-nos a acreditar que essas avaliações elevadas são por agora sustentáveis.

As taxas de juro de curto prazo em muitos países tendem a cair, o que serve de suporte aos múltiplos de mercado, especialmente nos EUA. À medida que os níveis de confiança em economias como a China, Índia ou Brasil começam a melhorar, poderá haver uma forte procura por ativos nestes mercados, especialmente devido à exposição diversificada ao risco.

Fatores estruturais, como a transição da China para se tornar um gigante tecnológico (já evidente nos setores de veículos elétricos, energias renováveis e robótica), também estão provavelmente a ser subestimados pelo mercado. De forma semelhante, na Europa, fatores estruturais como a infraestrutura tecnológica e a transição energética continuam a ser fundamentalmente subestimados, na nossa opinião. Todos estes fatores sugerem que avaliações relativamente elevadas podem ser mantidas e podem subir ainda mais.

 

A concentração, por si só, não é algo mau

Compreensivelmente, há muito foco no grau de concentração nos mercados acionistas, particularmente nos EUA. Os 10 maiores nomes tecnológicos representam agora cerca de 40% da capitalização bolsista do S&P 500, um recorde.

Olhando para trás, é claro que todas as grandes fases da inovação foram caracterizadas por longos períodos de concentração. Ao contrário das fases anteriores, a atual vaga de inovação impulsionada pela tecnologia é composta por múltiplos ciclos de inovação, dos quais o mais recente (e mais rápido) é evidente no campo dos grandes modelos de linguagem, também conhecidos como IA Generativa.

O desempenho do preço das ações dos Magnificent Seven (Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla) tem sido impulsionado por um enorme investimento em infraestruturas de IA. Como mostrado na Figura 1, os aumentos do capital nos últimos anos representam uma proporção relativamente pequena dos seus fluxos de caixa operacionais. Os maiores gastadores têm margem para aumentar bastante os gastos se acharem apropriado.

 

Figura 1: As despesas de capital dos hyperscalers podem ainda ter margem para crescer

Fonte: Schroders, Bloomberg a 31 de julho de 2025. Os números são anualizados, as estimativas futuras baseiam-se em estimativas de consenso. Os títulos apresentados mantinham-se na estratégia, mas o momento das compras, a dimensão da posição e o retorno podem variar entre carteiras dentro da mesma estratégia. As tendências económicas e de mercado atuais não são um guia para resultados futuros e podem não continuar.

À medida que os números aumentaram, também aumentaram as dúvidas sobre o provável retorno do investimento e a circularidade inerente à atual cadeia de abastecimento de IA. Com as maiores empresas a representarem mais de 70% do total de despesa de capital do S&P 500 este ano, não é exagero dizer que o destino do mercado acionista dos EUA, como um todo, depende da confiança contínua no futuro da IA.

Por agora, essa confiança mantém-se intacta. Existem alguns sinais de exuberância irracional, como se reflete no desempenho desproporcionado de empresas ligadas à IA, sem lucros ou mesmo sem receitas. No entanto, a capitalização bolsista total dessas empresas é pequena. A questão muito mais importante neste momento é se os modelos de IA conseguem monetizar a uma taxa que justifique os enormes gastos acima descritos. Houve alguns sinais encorajadores a este respeito, com a Alphabet, mãe da Google, a reportar uma contribuição significativa para o crescimento das receitas na cloud, pesquisa e até no YouTube, devido à implementação relacionada com IA.

Curiosamente, o próprio ChatGPT já está a gerar receitas: cerca de 20 mil milhões de dólares em 2025. Com base na nossa análise, os modelos ChatGPT poderão gerar receitas de 200 mil milhões de dólares até 2030. Isto coloca a atual avaliação de mercado de 500 mil milhões de dólares da empresa-mãe OpenAI num contexto nítido. Se a empresa estivesse cotada, uma avaliação não irrealista seria 10 vezes as vendas futuras, implicando uma capitalização bolsista de 2 biliões de dólares. Tendo em conta que a fabricante de chips de IA Nvidia atualmente tem uma avaliação de 5 biliões de dólares, o entusiasmo pelo investimento em IA torna-se subitamente bastante racional.

 

Conclusão: Avance com confiança, invista com cautela

O nosso otimismo quanto às perspetivas para 2026 não diminui a nossa consciência dos riscos. Se, como esperamos, os mercados continuarem a subir, o risco de uma correção importante torna-se, por definição, mais agudo. Isto é particularmente verdade com avaliações já em níveis elevados.

O velho ditado de que os mercados em alta não morrem de velhice é provavelmente tão válido hoje como sempre foi. Implica que tem de haver um catalisador para que uma correção substancial ocorra. Neste momento, não há um catalisador claro à vista. Mais cedo ou mais tarde, no entanto, na nossa opinião, surgirá um catalisador, muito provavelmente do mercado obrigacionista. As políticas de Trump, embora se revelem eficazes a curto prazo, estão potencialmente a acumular problemas sob a forma de inflação mais elevada e dívida federal desenfreada. De forma semelhante, a economia do Reino Unido, já a lutar para encontrar vias de crescimento, poderá ser sobrecarregada pelo peso dos gastos públicos financiados por impostos, exigindo eventualmente um resgate.

Existem vários outros potenciais catalisadores, qualquer um dos quais pode precipitar um reajuste das avaliações de mercado para níveis mais normais. Nessas circunstâncias, a maioria dos ativos terá um desempenho bastante fraco. Dentro das ações, existe, no entanto, um grupo de empresas pouco valorizadas, geradoras de dinheiro e bem financiadas que poderiam ter um desempenho relativamente forte. A maior exposição a ações seletivas de saúde, de consumo e de serviços públicos provavelmente proporcionará uma diversificação útil quando a correção ocorrer.

 

Após uma forte valorização, ainda será possível antecipar uma subida para as ações emergentes em 2026?

Tom Wilson, Head of Emerging Market Equities

As ações de mercados emergentes (EM) tiveram um desempenho forte em 2025, superando as ações globais. Após mais de uma década de baixo desempenho, estamos num ponto de inflexão e até que ponto as ações dos mercados emergentes podem continuar a apresentar bons retornos em dólares americanos em 2026?

Os mercados emergentes não são homogéneos, por isso é útil olhar para estes mercados em relação às suas partes constituintes. Quatro países representam 80% do índice de ações MSCI EM: China, Índia, Taiwan e Coreia.

A China enfrenta obstáculos económicos estruturais e cíclicos contínuos: o investimento continua a ser uma fatia demasiado elevada do produto interno bruto (PIB), os níveis de dívida estão elevados, a economia sofre excesso de capacidade e deflação persistente e parece estar numa armadilha de liquidez. Uma crise imobiliária prejudicou significativamente as finanças do governo local e continua a afetar a confiança das famílias.

No entanto, a China é altamente inovadora e competitiva, o que, combinado com melhorias contínuas na qualidade dos produtos, está a permitir tanto a substituição de importações como o aumento contínuo da quota de mercado de exportação. O seu mercado acionista é muito amplo e podemos encontrar múltiplas oportunidades idiossincráticas de ações. Além disso, a curto prazo, a liquidez abundante está a revelar-se um motor mais forte dos preços das ações do que o crescimento nominal. A tensão geopolítica continuará, mas o domínio da China no processamento de terras raras e ímanes revelou-se um ponto chave de influência que defende a China contra medidas excessivas de tarifas e não tarifas por parte dos EUA. As avaliações subiram, tendo sido baratas há 12 meses, mas são razoáveis, e continuamos construtivos em relação à China.

A Índia apresentou retornos fracos em dólares norte-americanos em 2025 e teve um desempenho significativamente inferior após um longo período de desempenho superior. As avaliações das ações melhoraram, mas enquanto as avaliações dos títulos financeiros são atrativas, as avaliações dos não financeiros continuam caras.  A oferta de ações tem sido uma compensação significativa para os fluxos de fundos domésticos em 2024 e 2025, e outras áreas dos mercados emergentes têm oferecido melhores avaliações e um crescimento dos lucros semelhante ou melhor.

No entanto, o desempenho relativo pode, em algum momento infletir. A narrativa do crescimento estrutural é bem reconhecida. Num horizonte mais curto, a baixa inflação e o dólar fraco facilitaram a flexibilização monetária, e também assistimos a alguma flexibilização fiscal. Isto deverá servir de suporte a uma recuperação do crescimento nominal a partir de níveis relativamente baixos. Um catalisador adicional poderá surgir sob a forma de alívio tarifário, já que o prémio tarifário dos EUA sobre a importação de crude russo pela Índia poderá em algum momento ser removido, ainda que exista um risco contínuo nas exportações de serviços da Índia para os EUA. Por fim, se o tema da IA se prolongar, a Índia provavelmente beneficiaria de uma redireção do fluxo.

Isto leva-nos a Taiwan e à Coreia. O padrão de referência de Taiwan é atualmente 85% tecnologia, a Coreia é 50% tecnologia. O investimento em hardware de IA tem sido um poderoso impulsionador de desempenho em 2025. Embora os comentários da gestão, a dinâmica positiva dos lucros e um significativo aumento adicional na orientação de capex tenham reforçado a nossa convicção de que a procura tecnológica relacionada com IA se manterá robusta até 2026, há incerteza quanto ao capex em 2027. Existem questões pendentes sobre o momento da monetização da IA, a diluição dos retornos do hyperscaler e as potenciais limitações de energia. Neste momento, a tecnologia da informação justifica um excesso de ponderação, dado o seu forte impulso nos lucros, mas as avaliações subiram, e os investidores devem ser disciplinados ao cortar empresas tecnológicas que ultrapassam os fundamentos.

 

Encontrar oportunidades para além das quatro grandes

Dada a sua escala, os quatro mercados acima acima dominam o beta emergente. No entanto, para investidores ativos, ainda existem muitas oportunidades alfa no universo. Acreditamos que condições favoráveis justificam uma alocação com sobreponderação para o Brasil. As avaliações das ações são atrativas, a taxa de câmbio efetiva real é barata e as taxas de juro reais são muito elevadas.

As eleições no Brasil em outubro de 2026 poderão ver o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva perder para um candidato de centro-direita. Um governo de centro-direita mais fiscalmente responsável acalmaria os receios sobre a sustentabilidade fiscal e provocaria uma compressão significativa nas taxas reais. Isto reduziria o custo do capital, provocaria uma reclassificação considerável, suportaria a moeda e impulsionaria um aumento das alocações de capital próprio doméstico a partir de níveis baixos. Embora isto seja parcialmente antecipado pelos mercados, acreditamos que o risco/recompensa favorece os investidores. Entretanto, a baixa inflação permitirá algum alívio monetário em 2026, e a flexibilização da política da Reserva Federal e um dólar fraco fornecerão suporte adicional.

 

Figura 2: Taxa de câmbio efetiva real do dólar americano e desempenho relativo das ações emergentes

Fonte: Bloomberg, Schroders, Macrobond, BEA. Dados mais recentes em outubro de 2025. As tendências atuais de desempenho não são um guia para resultados futuros e podem não continuar.

Isto leva-nos a falar sobre o dólar americano e as tendências de longo prazo. Estamos inclinados a antecipar a desvalorização do dólar americano numa base estrutural, dada a sua elevada valorização, o apetite reduzido pelo financiamento estrangeiro dos défices dos EUA e o potencial a longo prazo para a monetização fiscal.

A depreciação do dólar americano proporcionaria condições favoráveis para o desempenho relativo das ações de mercados emergentes, pois alivia as condições financeiras e tem um efeito de tradução positivo, beneficiando o crescimento nominal em dólares e os lucros. O gráfico na figura 2 mostra a correlação inversa histórica entre o dólar americano e os retornos relativos das ações de mercados emergentes. Isto pode combinar-se com avaliações relativas atrativas e uma possível estabilização ou melhoria no retorno sobre o capital próprio (ROE) relativo.

Este é o argumento positivo para os ME mas, como sempre, a perspetiva é incerta. Entretanto, os principais riscos incluem uma transferência da temática da IA, a tensão geopolítica e a volatilidade das políticas. No entanto, quaisquer que sejam os desafios, acreditamos que as ações de mercados emergentes continuam a oferecer valor e que os investidores podem beneficiar dos benefícios de diversificação e das oportunidades de investimento ativo que este mercado proporciona.

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