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Leonor Wicke

A Inteligência Artificial criativa revela que o humano é sobre-humano

12 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A capacidade criativa da inteligência artificial (IA) mostra que o humano não se pode definir como sendo o ser exclusivamente criativo, mas que aquele que é criativo é já sobre-humano.

O actual debate académico sobre IA e criatividade é marcadamente antropocêntrico, isto significa que o debate ainda avalia a criatividade a partir exclusivamente da perspectiva humana. Seja quando afirma que a IA não pode ser criativa tal como o humano ou, pelo contrário, quando afirma que já é tão criativa como o humano, ou ainda mais criativa. Se os estudos do Antropoceno mostram que um foco exclusivo na perspectiva humana bloqueia a nossa capacidade de pensar a sustentabilidade num sentido mais alargado incluindo outros seres vivos, é preciso fazer o mesmo gesto no debate sobre a IA e a criatividade: pensar a criação para além do humano.

A razão é simples: limitar a criatividade ao humano, apenas mostra que o humano é da ordem do limitado, que recusa aquilo que o questiona, nomeadamente, que a criatividade não é apenas da ordem humana, que não lhe pertence exclusivamente. Contudo, esta recusa tem uma justificação: visa evitar uma “perda antropológica”, porque os humanos, ao cederem a capacidade de criatividade à IA, parecem ceder algo essencial de si, cedem o potencial de criatividade como aquilo que define exclusivamente o humano em oposição à IA. Os humanos sentem que foram substituídos, que algo lhes foi tirado.

Estudos feitos com poesia e música criada por IA mostram algo revelador. Os humanos, quando não sabem que esses objectos artísticos são feitos pela IA, afirmam apreciar esses objectos. Contudo, quando são informados de que foram feitos pela IA, arrependem-se dessa apreciação e consideram-na errada. Estes estudos revelam que rejeitar a criatividade da IA pode decorrer de um preconceito antropocêntrico.

Gilbert Simondon, um pensador da tecnologia francês, argumenta que quando as máquinas conseguem fazer coisas que apenas os humanos conseguiam fazer, não significa apenas que as máquinas tiraram uma função que apenas pertencia ao humano. Pelo contrário, era o humano que estava a fazer algo que poderia vir a ser substituído por uma máquina no futuro. O argumento é feito com um foco em funções altamente repetitivas, mas ele pode ser usado também para pensar algo menos repetitivo como a criatividade. Se a IA consegue ser tão ou mais criativa que o humano, significa que a criatividade humana já estava disponível para vir a ser realizada por IA, que ela não era apenas humana.

A criatividade é algo que leva o humano a conceber algo que não está limitado pela forma humana, por isso é que o humano criou a IA. Significa que o humano cria, no presente, coisas que só máquinas do futuro ainda não imaginadas podem vir a replicar. Não se deve então temer ser substituído pela IA em termos de criatividade, mas criar com a IA para se descobrir o sobre-humano que todo o humano tem. Quando a IA é criativa, ela não afirma que o humano deixou de ser criativo, mas que a criatividade no humano já não era apenas humana, mas sobre-humana.

Arquivado em:Opinião

9 em cada 10 CEOs estão muito otimistas para 2026

11 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Num contexto global marcado pela incerteza, não é fácil para líderes e gestores manterem o otimismo. Ainda assim, 95% dos CEOs antecipam um 2026 mais positivo e 84% esperam uma melhoria das condições económicas globais.

A International Workplace Group (IWG) acaba de divulgar o relatório State of the C-Suite 2026, que revela este forte otimismo por parte dos executivos sobre o próximo ano. Perante um contexto ainda desafiante, a totalidade dos CEOs reforça a importância do controlo de custos, ao mesmo tempo que os CFOs já estão a implementar cortes orçamentais na ordem dos 10%, em média.

Para alcançar estas poupanças e aumentar a eficiência, as empresas estão a apostar, sobretudo, na inteligência artificial (IA) e em modelos de trabalho flexível – duas estratégias que permitem reduzir custos operacionais e imobiliários e, simultaneamente, libertar recursos para reinvestimento em áreas estratégicas.

 

IA e trabalho flexível como motores de poupança e produtividade

Segundo o relatório, a IA pode gerar reduções de 20% a 40% nos custos operacionais, enquanto o trabalho flexível pode diminuir em 55% os custos imobiliários das organizações. A produtividade será também uma prioridade central: 82% dos executivos planeiam aumentar o investimento em IA/automação e outros 82% vão direcionar investimento adicional para iniciativas de produtividade.

No que diz respeito à IA como aliada à produtividade, estudos anteriores da IWG revelam que 78% dos trabalhadores dizem que a IA poupa tempo, com uma média de 55 minutos por dia, praticamente o equivalente a um dia inteiro adicional de produtividade por semana.

«Já não existe uma escolha binária entre trabalhar a partir de casa ou trabalhar a partir do escritório», afirma Mark Dixon, Fundador e CEO do International Workplace Group. «Ao reduzir deslocações diárias caras para escritórios distantes e ao permitir que as pessoas trabalhem mais perto de onde vivem e querem estar, os líderes podem cortar custos, maximizar a produtividade, aumentar a satisfação e retenção de talento e melhorar o retorno do investimento. E, embora os benefícios empresariais sejam claros, investigação adicional da IWG mostra que os colaboradores podem também poupar até 30.000 dólares (25.800 euros) por ano ao trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais de elevada qualidade nas suas comunidades locais».

O futuro do trabalho distribuído e a nova geografia económica

Empresas de todas as dimensões estão a permitir que os seus colaboradores trabalhem em múltiplas localizações, dividindo o tempo entre espaços de trabalho locais, o escritório central e a casa. Esta mudança reflete não apenas uma alteração no modo de trabalhar, mas também uma redistribuição mais ampla do local onde o valor económico é criado. Os avanços tecnológicos reduziram a necessidade de estar preso a uma sede única, diminuindo a relevância de deslocações longas e dispendiosas.

O relatório confirma que a tendência para o trabalho distribuído continuará a acelerar em 2026: 83% dos CEOs já permitem que as suas equipas trabalhem em múltiplas localizações. As principais motivações incluem redução do tempo de deslocação (43%), acesso a talento mais diversificado (37%), preferência e bem-estar dos colaboradores (37%), ganhos de produtividade (37%) e menor custo com imobiliário (37%). No próximo ano, 56% dos CEOs planeiam contratos de arrendamento mais curtos ou a adesão a redes de coworking e espaços flexíveis (54%).

«A produtividade e o desempenho resultam de uma boa gestão de pessoas», afirma Mark Dixon. «À medida que os líderes navegam entre IA, poupança de custos e retenção, tendo em conta o elevado custo associado à perda de talento, os benefícios do trabalho flexível permitem reforçar os seus negócios e prepará-los para o crescimento.»

Conclusões adicionais, incluindo análises detalhadas por função, estão disponíveis aqui.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Natal: 61% dos portugueses mantêm o orçamento de 2024, mas 13% vai gastar mais

11 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Com o Natal à porta e a azáfama típica desta época a instalar-se, as famílias começam a calcular orçamentos e gerir os gastos extra que se avizinham com a compra de presentes.

A  Escolha do Consumidor lançou um estudo que analisa as preferências, tendências e hábitos de consumo dos portugueses no decorrer deste período festivo.

A maior parte dos inquiridos (30%) planeia gastar entre 100€ a 250€ em presentes e 22% entre 50€ a 100€. Apenas 6% considera orçamentos superiores a 500€, enquanto 11% prefere reduzir os custos e gastar até 50€. 18% dos entrevistados admite ainda que vai gastar entre 250€ e 500€ e 13% não decidiu quanto irá gastar neste período. Mais de metade dos consumidores afirma também que o orçamento se mantém semelhante ao do ano passado (61%). Em contrapartida, 26% prepara-se para gastar menos na compra das prendas deste Natal e 13% tenciona gastar mais.

 

Orçamentos divididos, mas tendência para contenção

Apesar da forte presença do comércio online, 48% dos portugueses quer manter a tradição de comprar pessoalmente os seus presentes de Natal. No entanto, 30% revela que vai distribuir as compras de forma equilibrada entre lojas físicas e a via online. Já 22% dos inquiridos, afirma que vai fazer as suas compras maioritariamente online, evidenciando que o digital continua a ganhar espaço, mas ainda sem ultrapassar o comércio tradicional.

De acordo com o estudo, 44% planeia comprar antecipadamente os seus presentes de Natal e apenas 11% costuma comprar por impulso. Cerca de 37% dos entrevistados planeia a maioria das compras, mas deixa alguns dos seus presentes de Natal para a última hora, equilibrando o planeamento e a espontaneidade. Curiosamente, 8% indica não saber ainda qual a estratégia de compra que vai adotar.

 

A relação dos portugueses com as prendas que recebem

Quando questionados sobre o hábito de troca dos presentes de Natal, 46% dos participantes assegurou que não costuma trocar o que recebe, demonstrando uma tendência para ficar com as ofertas, mesmo que não sejam totalmente do seu agrado. Ainda assim, 29% admite fazê-lo ocasionalmente e 8% fazem-no com frequência. Por fim, 17% garante nunca trocar os presentes, valorizando o gesto e o simbolismo das ofertas.

Roupa e acessórios de moda será a opção de compra dos presentes para 32% dos inquiridos. 13% tem a intenção de comprar mais produtos de beleza e cosmética, 12% está mais inclinado para a compra de brinquedos e jogos e 11% prefere comprar experiências, desde viagens, a concertos ou vouchers. Artigos para casa (10%) e tecnologia (9%) também estão na lista do “Pai Natal” dos consumidores este ano. Por outro lado, 10% dos participantes não pretende oferecer presentes e 3% refere outras opções, como um determinado valor monetário ou admite ainda não ter decidido.

No geral, o cartão de débito é o método de pagamento mais utilizado pelos participantes (41%). O MB Way (22%), o cartão de crédito (17%) e os pagamentos em dinheiro (21%) também são três das opções eleitas pelos entrevistados. Com menor expressão surgem as transferências bancárias (4%) e outras formas de pagamento (2%).

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Estas são as tendências que marcaram o marketing B2B em 2025

10 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

O marketing B2B viveu em 2025 um ano de grande transformação, marcado pela integração definitiva da Inteligência Artificial nos processos das equipas e pela consolidação de práticas mais estratégicas, analíticas e orientadas a resultados.

Ao longo do ano, a IA tornou-se o elemento central nas operações de marketing, aplicada à análise, segmentação, criação de conteúdo, personalização e automação. De acordo com o  Estudo do Panorama do Marketing B2B em Portugal 2025, desenvolvido pela Martech Digital, a IA lidera a lista de prioridades – com 31% – posicionando-se como a inovação mais desejada pelas equipas de marketing.

«A Inteligência Artificial transformou o ritmo do marketing. O que antes exigia semanas passou a ser executado em minutos. As empresas que adotaram IA ao longo de 2025 ganharam velocidade, precisão e uma capacidade acrescida de produzir resultados consistentes», afirma Ana Barros, CEO da Martech Digital.

Esta adoção transversal da IA permitiu acelerar ciclos criativos, melhorar a precisão das decisões e reforçar a capacidade das equipas para testar, ajustar e otimizar campanhas em tempo útil. Em paralelo, as empresas reforçaram a ligação entre marketing e vendas, adotaram métricas orientadas ao negócio e aumentaram o investimento em ferramentas que trouxeram maior eficiência e previsibilidade comercial. Além da IA, o personal branding, os eventos, e as redes sociais continuaram a marcar as tendências na área de marketing em Portugal.

 

Tendências de marketing B2B em 2025

1. Inteligência Artificial como músculo criativo

A IA liderou as prioridades das equipas de marketing, sendo apontada como foco principal por 31% das empresas. Esta tecnologia foi utilizada para prever comportamento, gerar conteúdos, segmentar audiências e otimizar campanhas, permitindo ciclos criativos até 3 vezes mais rápidos e decisões mais fundamentadas.

 

2. Marketing orientado ao negócio

As equipas passaram a medir desempenho com base em métricas concretas como ROI, CAC e impacto nas oportunidades comerciais. A integração entre marketing e vendas tornou-se mais clara, acompanhada pela adoção crescente de tecnologia. No entanto, estas boas práticas estão ainda limitadas a equipas mais estruturadas e com maior investimento em tecnologia e CRM.

 

3. Marcas humanas e liderança com voz

O personal branding ganhou maturidade. Os executivos reforçaram presença em redes, eventos e debates, posicionando-se como fontes de autoridade e contribuindo para reputação e confiança.

 

4. Conteúdo estratégico e de autoridade

O investimento em formatos aprofundados como estudos, newsletters e whitepapers cresceu de forma significativa. As empresas afirmam que vão aumentar o investimento em conteúdo estratégico, confirmando a valorização do thought leadership como pilar de diferenciação. De acordo com o estudo, o marketing de conteúdo e a gestão de redes sociais são áreas em crescimento para 44% das empresas, especialmente pela capacidade de construir autoridade e educar o mercado em funis complexos.

 

5. Eventos como geradores de pipeline

A recuperação dos eventos fez-se acompanhar de maior mensurabilidade e ligação ao negócio. 39% das marcas afirmam que os eventos (presenciais e online) continuam a absorver uma parcela relevante do orçamento em setores industriais, mas que são também ação que geram oportunidades comerciais diretas.

 

6. Social media como comunidade ativa

O LinkedIn consolidou-se como plataforma central no B2B, com crescimento dos microinfluenciadores e conteúdos especializados. As marcas apostaram em relações de proximidade e diálogo contínuo com audiências específicas.

 

7. Marketing e vendas integrados

A adoção de tecnologia potenciou maior alinhamento entre equipas. Funis partilhados, dados integrados e campanhas ABM tornaram-se mais eficazes. Mas, embora 79% dos inquiridos indiquem colaboração ativa com a área comercial, os dados qualitativos e o cruzamento com outras respostas sugerem que, na maioria dos casos essa colaboração ainda não é sistematizada através de processos formais, KPIs partilhados ou rotinas regulares de trabalho conjunto.

 

8. Automação e CRM como pilares

A tecnologia de marketing (MarTech) como automação e CRM, é mencionada por 36% dos inquiridos como área de investimento prioritário, embora a sua implementação prática ainda enfrente desafios de integração. O CRM emergiu como tecnologia crítica para gestão do relacionamento com clientes, sendo que o foco passou a ser consistência, integração e personalização orientada por dados. Ferramentas como HubSpot, ActiveCampaign e Brevo consolidaram-se como essenciais.

 

9. Storytelling com dados

As marcas passaram a combinar evidência analítica com narrativa clara, reforçando credibilidade e influência. A procura por dashboards, relatórios e análises interpretadas cresceu ao longo do ano, consolidando a importância do data storytelling.

Arquivado em:Marketing, Notícias

Setor de bens de consumo desacelera e apresenta elevados níveis de risco de crédito

10 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

O setor de bens de consumo duradouros tem uma elevada exposição a riscos geopolíticos e económicos, como a queda dos mercados acionistas e a volatilidade dos preços das matérias-primas. Estes fatores estão a atrasar o seu crescimento e a principal razão é o protecionismo e as tarifas comerciais.

Um relatório recente da Crédito y Caución prevê que o crescimento das vendas globais será de apenas 1,8% em 2025 e 1,3% em 2026. É de recordar que o setor registou uma recuperação de 5,8% em 2024, pelo que a desaceleração estimada para este ano é significativa.

No caso da Europa, a estimativa de crescimento situa-se em 3,8% em 2025 e apenas 0,1% em 2026. Os mercados com os níveis mais elevados de risco de crédito são a Áustria, a Suécia e a França.

Neste último caso, o aumento do desemprego registado em França está a aumentar a relutância dos agregados familiares em reforçar o seu consumo devido à falta de confiança no futuro. Os stocks estão bastante elevados devido aos baixos níveis de procura.

As tarifas comerciais agravam a pressão sobre o setor

As tarifas comerciais e o protecionismo são as principais ameaças para este setor. Potenciais perturbações nas cadeias de abastecimento e o aumento da volatilidade nos preços das commodities, energia e transportes poderão aumentar os preços dos equipamentos domésticos no retalho e, de um modo geral, afetar as decisões de compra dos consumidores.

Se os custos operacionais aumentarem substancialmente, alguns retalhistas poderão ser obrigados a modificar as suas políticas de fornecimento e a procurar novos parceiros para contornar aumentos tarifários. Muitos tentarão transferir os custos para os clientes, aumentando os preços para proteger margens já apertadas.

Concorrência crescente e maior risco de insolvências

Os operadores de menor dimensão em mercados avançados enfrentam riscos mais elevados de insolvência. Ao mesmo tempo, os retalhistas online estão a aumentar a sua quota de mercado, pressionando os operadores tradicionais.

Neste contexto, para se manterem competitivos, os operadores tradicionais e os pequenos retalhistas terão de oferecer serviços adicionais, expandir o seu negócio online e melhorar as suas capacidades digitais. No entanto, isto exige um investimento elevado num cenário de margens de lucro apertadas, especialmente no caso dos pequenos retalhistas.

Arquivado em:Economia, Notícias

Migração vista como positiva pela maioria. Mais de 70% elogiam impacto no país

9 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A mobilidade humana é hoje um dos fenómenos que mais influenciam o crescimento económico, a inovação e a transformação social em todo o mundo. Em Portugal, os resultados são particularmente expressivos: 71,7% classificam o impacto económico da migração como positivo, com uma intensidade média de 7.0, numa escala de 10. Esta avaliação coloca Portugal entre os países com perceções mais favoráveis, destacando-se pela relação entre talento internacional, modernização económica e renovação demográfica.

A conclusão consta da nova edição do estudo The Next Mindset: Mobilidade Humana, desenvolvida pela LLYC no âmbito da iniciativa Partners for What’s Next, revela que Portugal afirma a sua posição como um dos países europeus onde a migração tem efeitos económicos mais positivos, tanto pela capacidade de atrair talento qualificado, como pelo contributo direto para setores essenciais da economia.

O relatório combina uma metodologia própria que integra o Radar IA, uma ferramenta baseada em técnicas de Deep Learning e em métricas de consenso inter-modelos. Este sistema analisou 1.440 respostas geradas por quatro modelos de inteligência artificial, comparando o impacto económico da migração em 12 países, incluindo Portugal.

O estudo confirma o impacto positivo da migração a nível global, com exemplos em três países:

  • Motor económico: Em Espanha, a imigração contribuiu com 80% do crescimento económico dos últimos 15 anos. O Banco Central Europeu realça que o aumento de população estrangeira em idade ativa foi uma das principais causas do crescimento na zona euro entre 2023 e 2025;
  • Fonte de inovação: Mais de 46% das empresas da Fortune 500 nos EUA foram fundadas por migrantes ou pelos seus filhos;
  • Inclusão produtiva: Em países como o Peru, o investimento na assistência aos migrantes gera um retorno fiscal de 2,6 soles por cada sol investido, demonstrando que a diversidade é sinónimo de crescimento.

 

Tecnologia, inovação, turismo e hotelaria são os setores que mais florescem 

De acordo com o estudo, o setor Tecnologia e Inovação é aquele onde a migração gera efeitos mais claros. Os modelos analisados sublinham que cerca de 20% da força de trabalho do setor tecnológico português é composta por profissionais migrantes, que desempenham funções críticas em áreas como inteligência artificial, desenvolvimento de software ou blockchain. Casos empresariais como Unbabel, Farfetch ou Talkdesk, surgem nas narrativas de IA como exemplos de ecossistemas onde a diversidade de talento é motor de competitividade global.

O relatório evidencia também o contributo decisivo da mobilidade humana para o turismo e a hotelaria, um dos setores mais relevantes para o PIB nacional. As respostas analisadas referem que a mão de obra migrante foi essencial para a recuperação pós-pandemia e destacam ainda a importância crescente do turismo VFR (Visiting Friends and Relatives), fenómeno amplificado pelas próprias comunidades migrantes residentes em Portugal. Exemplos como a Cervejaria Ramiro, ou a oferta hoteleira do Algarve e de Lisboa, surgem associados a esta dinâmica.

 

Mas também surgem desafios

A agricultura é outro dos setores onde a migração tem um impacto estrutural, sendo considerada indispensável para assegurar colheitas de fruta, melão, olival e horticultura, bem como para modernizar práticas e técnicas de produção. Já na logística e no transporte urbano, Portugal regista um dos consensos mais elevados entre todos os países analisados: os modelos apontam que a economia de última milha, o setor do delivery e projetos de infraestrutura – como a expansão do Metro de Lisboa – dependem, em grande medida, de trabalhadores migrantes.

Apesar dos benefícios generalizados, o estudo identifica também desafios num conjunto de áreas, em particular na educação, saúde e administração pública, onde surgem tensões relacionadas com capacidade de resposta e burocracia. Os modelos destacam, por exemplo, a pressão gerada pelo volume de pedidos associados à transição do SEF para a AIMA e as dificuldades de reconhecimento de qualificações, que frequentemente limitam a progressão profissional de muitos migrantes.

Para Marlene Gaspar, Diretora-Geral da LLYC em Portugal, «Cada fluxo migratório, cada viagem, reconfigura as economias, redesenha geografias e dinamiza a complementaridade do talento, criando um mapa de oportunidades para aqueles que aprendem a ler o mundo em movimento. A verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de interpretar estes grandes movimentos e poder decidir de forma informada e antecipada. O movimento transforma a economia, a sociedade, a cultura e o funcionamento dos mercados.»

Aceda à análise completa aqui.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

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