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Leonor Wicke

Black Friday e Cyber Monday disparam consumo e dinamizam economia em Portugal

9 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A última edição do Black Weekend – que integra a Black Friday, o fim de semana de compras e a Cyber Monday – voltou a dinamizar a economia portuguesa e a reforçar a importância dos pagamentos digitais no consumo.

De acordo com o REDUNIQ Insights, relatório que analisa a evolução dos pagamentos registados por cartão na sua rede de aceitação de pagamentos, a faturação total entre 28 de novembro e um de dezembro registou um crescimento de 9,53% face ao período homólogo de 2024, refletindo um consumidor mais estratégico e atento às oportunidades de compra.

 

O impulso do consumo nacional e a força da Cyber Monday

Este aumento foi impulsionado sobretudo pelos consumidores nacionais, cuja faturação subiu 10,48%, contrastando com uma evolução de 3,78% nos pagamentos de origem estrangeira. Já o número total de transações aumentou 6,37%, revelando que não só se comprou mais, como o ticket médio também cresceu, passando de 36,58€ em 2024 para 37,67€ em 2025 (+2,97%).

Ao analisar os diferentes dias, a Cyber Monday destaca-se como o momento de maior dinamismo económico, com um aumento de 23,17% na faturação face ao ano anterior. Esta evolução poderá estar associada ao facto de, em 2025, a data ter coincidido com um feriado nacional, ampliando o tempo disponível para pesquisar promoções e realizar compras, tanto online como em loja física, já em preparação para o período de Natal. No conjunto dos restantes dias, a Black Friday registou uma variação de 4,93%, o sábado cresceu 8,32% e o domingo aumentou 5,18%.

O ticket médio da Cyber Monday acompanhou esta tendência, com um crescimento de 12,16%, reforçando a relevância deste dia no comportamento de consumo e evidenciando uma tendência para compras de valor mais elevado.

Setores com desempenhos excecionais e um destaque inesperado

Durante o período analisado, foram vários os setores a registar desempenhos particularmente expressivos, mas nenhum tão marcante como o dos Casinos e Salas de Jogo, com a faturação a disparar 438,62%. Em termos de consumo, a moda foi um dos motores do período promocional, com uma subida de 25,48%. Seguiram-se o retalho alimentar tradicional (+23,25%), os hiper e supermercados (+12,73%) e a restauração (+12,94%), refletindo uma combinação de compras planeadas e reposição habitual de bens essenciais.

As perfumarias registaram um crescimento de 6,92%, enquanto o segmento de tecnologia e eletrodomésticos, tradicionalmente associado a grandes descontos nesta época, subiu 2,43%, sugerindo alguma normalização após anos de forte procura.

O dinamismo do Black Weekend fez-se sentir de norte a sul do País, com todas as regiões a registarem aumentos na faturação. As subidas mais expressivas ocorreram no Alentejo (+16,17%), Centro (+15,94%) e na região Oeste e Vale do Tejo (+13,78%). A Área Metropolitana de Lisboa apresentou um crescimento mais moderado (+6,05%), enquanto Madeira e Açores registaram variações de 2,86% e 6,72%, respetivamente.

Pagamentos digitais consolidam liderança e transformam a experiência de compra

Entre as nacionalidades que mais contribuíram para a faturação estrangeira, o top 5 manteve-se relativamente estável, embora com ligeiras variações face ao ano anterior. Os EUA tiveram o maior peso (11,65% em 2025 vs. 12,17% em 2024), seguidos do Reino Unido (10,80% vs. 12,03%), Irlanda (9,58% vs. 9,78%), França (9,30% vs. 10,00%) e Espanha (8,82% vs. 7,94%).

A performance destes mercados sugere comportamentos distintos, com Espanha a reforçar a sua presença.
«Os pagamentos digitais continuam a ser um motor essencial do consumo em Portugal», afirma Tiago Oom, Head of Merchant Acquiring na UNICRE. A forte adesão dos consumidores nacionais e o crescimento expressivo da Cyber Monday mostram um mercado mais omnicanal, mais digital e mais confortável com novas formas de pagamento.

O responsável destaca ainda que a inovação está a transformar o setor, referindo soluções como Parcela Já com UNICRE, Pay by Link e Tap on Phone, que permitem experiências mais flexíveis, rápidas e convenientes, fortalecendo a relação entre marcas e consumidores.

Os números do Black Weekend de 2025 consolidam assim uma tendência: consumidores mais informados, exigentes e focados numa experiência de compra fluida, eficiente e inteligente.

Arquivado em:Economia, Notícias

No Porto, hoje debate-se a nova era climática para empresas

9 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Após a COP30, o mundo está a entrar num novo ciclo climático, em que a regulamentação, financiamento e estratégias corporativas serão moldadas por planos climáticos nacionais (NDC) renovados. A entrada nesta nova era aumentou também as expectativas em relação à forma como as empresas, nomeadamente portuguesas e europeias, descarbonizam, inovam e mobilizam investimentos. Por outro lado, a governança climática global continua a ser ameaçada por tensões geopolíticas e estruturas fragmentadas.

Nesse sentido, e no âmbito do executive master em Sustainability Management, a Porto Business School (PBS) promove a talk The new climate commitments and the decarbonization pathways, que acontece hoje às 17h30. Durante o evento, serão debatidos os principais resultados da COP30, bem como o impacto dos mesmos nas políticas climáticas e decisões de investimento, particularmente para as empresas que se posicionam numa economia de baixo carbono cada vez mais competitiva.

A introdução e abordagem inicial a estas temáticas será protagonizada por João Dias da Silva, Diretor do executive master em Sustainability Management, e por Luiz Rielli, professor da Porto Business School em Sustentabilidade e Economia Circular. Seguem-se dois painéis, um dedicado às políticas públicas e outro ao investimento privado, que contam com a intervenção de Lourenço de Almeida e Silva, business development manager – hidrogénio e energias renováveis, e de João Mestre, Diretor de Sustentabilidade da Fidelidade, e Daniel Freitas, Diretor para a Neutralidade Carbónica do Porto, respetivamente. Sofia Peixoto, Civil Engineer Manager e embaixadora da EDP Renováveis na América do Norte, será a moderadora.

A parte final do evento abre a conversa ao público, permitindo colocar questões aos diferentes oradores. Refira-se que a talk, que será realizada em língua inglesa, é presencial, mas terá transmissão online. Mais informações disponíveis aqui.

Arquivado em:Clima, Notícias

Portugal precisa falar de dinheiro – a começar pelos jovens

5 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Num país onde falar de dinheiro ainda é visto como desconfortável, o conceito de literacia financeira ganha força. A relação dos portugueses com o dinheiro esteve em cheque no evento O Poder da Literacia Financeira, promovido pelo Bison Bank e pelo Doutor Finanças, que reuniu o CEO, António Henriques e Rui Pedro Bairrada, Chairman, em debate. Com percursos profissionais opostos – Bairrada começou como estafeta; Henriques construiu uma carreira planeada na banca até chegar a CEO – ambos defenderam que a literacia financeira continua a ser um dos maiores desafios do país.

Portugal ocupa o penúltimo lugar na Europa e, segundo os oradores, a raiz do problema é cultural. «Temos vergonha de falar sobre dinheiro», afirmou Rui Bairrada, incentivando os jovens a quebrar o tabu. A sessão ganhou um caráter prático com conselhos dirigidos à geração Z: António Henriques reforçou a importância de «não ter pressa», celebrar pequenas vitórias e assumir riscos informados – por a «skin in the game» – enquanto Rui Bairrada deixou uma regra simples de produtividade: «Quanto mais depressa fizer o que menos gosto, mais tempo ganho para o que importa.»

Ambos sublinharam que o dinheiro deve ser visto como ferramenta e não como fim. Nas perguntas do público, destacaram-se temas como o destino do dinheiro aos 20 anos – com ênfase nas oportunidades ligadas à Inteligência Artificial e Blockchain – e o impacto da literacia financeira na fuga de talento jovem. O consenso final foi claro: falar de dinheiro é falar de autonomia, futuro e cidadania, e Portugal só avançará quando abandonar o silêncio que o mantém para trás.

Em exclusivo para a Líder, o CEO e o Chairman aprofundaram as suas visões do panorama financeiro português.

Que estratégias e práticas devem ser fomentadas para aumentar a literacia financeira nos jovens? É uma responsabilidade das famílias, das escolas e universidades ou das empresas?

António Henriques, CEO do Bison Bank (AH): A promoção da literacia financeira é uma competência fundamental para o século XXI e, como tal, deve assentar numa responsabilidade partilhada e concertada entre vários pilares da sociedade. Não se trata de uma responsabilidade exclusiva, mas sim de um ecossistema de aprendizagem. O ponto de partida está, sem dúvida, nas famílias, onde deve ser quebrado o ‘tabu’ cultural que existe em Portugal em torno das finanças pessoais através de conversas abertas sobre rendimentos, despesas e poupança.

Este esforço deve, depois, ser formalizado e estruturado nas escolas e universidades, que têm a responsabilidade de integrar a educação financeira nos currículos como uma competência para a vida. Acompanhamos a evolução do setor, somos parte integrante do mesmo, e a nossa parceria com o Doutor Finanças, inicialmente para o programa ‘Banco de Horas’ desenvolveu-se e abrange agora formação certificada com formação essencial que inclui um modulo sobre ativos digitais e blockchain, ministrado pela nossa equipa, e que tem como objetivo preparar os jovens para o futuro das finanças.

Por fim, as empresas e o setor financeiro têm o dever de ser a ponte entre a teoria e a prática. Iniciativas como a que promovemos com o Doutor Finanças são um exemplo disso. Cidadãos financeiramente mais informados são clientes mais conscientes, investidores mais sofisticados e profissionais mais preparados, o que fortalece toda a economia.

Rui Pedro Bairrada, Chairman do Doutor Finanças (RPB): A literacia financeira é uma competência essencial para a vida, tal como ler ou escrever. Por isso, deve ser uma responsabilidade partilhada. As famílias têm um papel fundamental na transmissão de valores e hábitos, mas não podemos esperar que todos tenham conhecimento técnico. As escolas e universidades devem integrar conteúdos práticos sobre gestão financeira no currículo, porque preparar para a vida é mais do que ensinar matemática. E as empresas, sobretudo as que atuam no setor financeiro, têm a obrigação de contribuir com conteúdos e ferramentas que descompliquem conceitos e ajudem os jovens a tomar decisões informadas. No Doutor Finanças acreditamos que esta é uma missão coletiva: só assim conseguimos criar uma geração mais preparada e menos vulnerável. E é por isso que temos apostado tanto na formação e em programas que levem mais conhecimento a diversos públicos.

António Henriques e Rui Bairrada

Dizem à Geração Z para não ter pressa, mas também para assumir riscos. Como é que se equilibra prudência com ambição num mercado tão volátil como o atual?

AH: A aparente contradição entre ‘não ter pressa’ e ‘assumir riscos’ resolve-se com uma palavra: estratégia. O equilíbrio não está no ato, mas no método. Há a necessidade de construir uma base de conhecimento sólida, que resista à tentação do lucro imediato e especulativo que a volatilidade do mercado muitas vezes promete. Significa estudar, planear e definir objetivos a longo prazo.

Por outro lado, o conselho para ‘assumir riscos’, ou como eu prefiro dizer, ‘por a skin in the game‘, é a fase seguinte. O risco deve ser calculado, informado e, acima de tudo, dimensionado. Para um jovem, o primeiro investimento não tem como objetivo a rentabilidade, mas sim a aprendizagem. Começar com pequenas quantias, em áreas de interesse como os ativos digitais, permite aprender com os erros e acertos sem comprometer a estabilidade financeira. O equilíbrio encontra-se na diversificação e na visão de longo prazo. A prudência está na base da carteira de investimentos, na diversificação de ativos.

RPB: O equilíbrio entre prudência e ambição começa pelo conhecimento. Quem entende os riscos e as oportunidades consegue tomar decisões mais conscientes. Não se trata de evitar riscos, mas de saber quais são ponderados e quais são imprudentes. A Geração Z tem uma vantagem: é digital, informada e ágil. Mas precisa de estruturar essa ambição com planeamento. Definir objetivos, diversificar investimentos e não apostar tudo em tendências são práticas essenciais. Prudência não é falta de coragem; é garantir que cada passo tem uma base sólida. Ambição sem conhecimento é sorte. Ambição com literacia é estratégia.

De que forma é que uma literacia mais generalizada iria mudar o ecossistema empresarial e de investimento em Portugal?

AH: Uma população financeiramente mais capacitada é o catalisador para uma transformação profunda e positiva de todo o ecossistema, criando um círculo virtuoso com um triplo impacto:

A literacia produz investidores mais exigentes e sofisticados, que vão além dos depósitos a prazo e procuram diversificar soluções. Este tipo de economia força as instituições financeiras a inovar e a elevar a qualidade do serviço. Consequentemente, os mercados de capitais tornam-se mais fortes e dinâmicos, pois uma maior participação dos cidadãos aumenta a profundidade e liquidez. Consequentemente, geram-se fontes de financiamento mais sólidas para as empresas crescerem e criarem emprego qualificado. No seguimento, este fortalecimento do ecossistema interno vai tornar Portugal num hub de investimento muito mais atrativo para o capital estrangeiro. A confiança dos investidores internacionais aumenta quando percebem que operam num ecossistema maduro, com uma base de investidores locais informada.

No Bison falamos muito da captação de investimento estrangeiro para o país como fonte de riqueza. Para Portugal o fazer de forma sustentada, é necessário planeamento estratégico, que passa pela formação e capacitação de toda a população e o foco nos jovens é essencial pois são a geração futura e excelentes multiplicadores de conhecimento.

RPB: Uma sociedade financeiramente literata é uma sociedade mais competitiva. Empresas com colaboradores que entendem conceitos financeiros tomam melhores decisões, reduzem desperdícios e aumentam a sustentabilidade. No ecossistema de investimento, mais literacia significa mais confiança, mais participação e menos dependência de soluções de curto prazo.

Portugal tem um enorme potencial, mas ainda sofre com a falta de conhecimento financeiro básico. Se conseguirmos mudar isso, teremos cidadãos mais preparados, empresas mais robustas e um mercado mais dinâmico. É um efeito dominó: começa na educação e termina na transformação económica.

Arquivado em:Finanças, Notícias

Leadership Wrapped: o que ouvem os líderes?

5 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Acaba de ser lançado o Spotify Wrapped, o resumo anual que milhões de utilizadores esperam como um ritual digital de fim de ano. De estatísticas coloridas e horas de música constrói-se o resumo do que cada utilizador ouviu durante o ano. Esta retrospetiva tornou-se um espelho curioso: mostra quem somos, como vivemos e até como trabalhamos.

Com base em tendências globais, clássicos intemporais e músicas que são banda sonora incontornável da liderança, deixamos-lhe o Leadership Wrapped, uma playlist que personifica os líderes.

Ouça a playlist:

1. Everybody Wants to Rule the World — Tears for Fears

Esta música explora a ambição e o peso do poder numa realidade incerta, onde todos parecem querer liderar o mundo, ainda que não o devessem fazer.

2. Under Pressure — Queen & David Bowie

Um retrato da tensão emocional e da responsabilidade que recaem sobre quem lidera – e do que é preciso para resistir à pressão.

3. LA FAMA — Rosalía & The Weeknd

Reflete sobre o custo da fama e da visibilidade, de quem vive sob escrutínio permanente.

4. Money — Pink Floyd

Uma crítica ao poder económico e à sedução do capital, para refletir sobre ética e liderança no mundo corporativo.

5. Homem do Leme — Xutos & Pontapés

Um hino português sobre resiliência e direção, onde a metáfora do leme simboliza a coragem de quem lidera em mar incerto.

6. Rasputin — Boney M.

Um retrato groovy de influência carismática e controvérsia, lembrando como líderes podem moldar – ou desestabilizar – o curso da história.

7. LO QUE LE PASÓ A HAWAiI — Bad Bunny

Uma crítica à influência e imposição dos EUA em territórios como Porto Rico e Havai, transforma esta canção num manifesto de resistência cultural e crítica a líderes norte-americanos.

8. My Name Is Prince — Prince

Uma afirmação de identidade e autoconfiança radical, qualidades essenciais para lideranças que se destacam pela singularidade.

9. Run the World (Girls) — Beyoncé

Um manifesto de empoderamento feminino e liderança global, celebrando a força das mulheres que comandam o futuro.

10. É p’ra amanhã — António Variações

Um apelo à mudança e à urgência de agir, sem esquecer a procrastinação que se pode apoderar das tomadas de decisão.

Imagem destaque: Pinterest

Arquivado em:Lazer, Notícias

2026 pode ser o ano do Chief Data, Analytics, and AI Officer. A sua empresa já o tem?

4 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Nas previsões para 2026, a tecnologia é uma das prioridades incontornáveis para as organizações. De acordo com um inquérito da Harvard Business Review, 89% dos inquiridos afirmam que a IA será ‘a tecnologia mais transformadora de uma geração’, mas a realidade continua a ser paradoxal: a maioria das empresas ainda não consegue gerar valor consistente com estas ferramentas.

A corrida para adotar inteligência artificial acelerou, mas a maturidade para a integrar estrategicamente está muito atrás. É neste contexto que está a emergir uma figura essencial para o futuro da liderança tecnológica e empresarial: o CDAIO – Chief Data, Analytics, and AI Officer. A HBR explica como pode este cargo ser essencial.

Um papel que nasce da necessidade

Ao longo das últimas décadas, dados e analítica passaram de funções de bastidores para pilares da estratégia corporativa. Depois da crise financeira de 2008, tornou-se evidente que decisões tomadas sem dados fiáveis podiam ser desastrosas. Foi aí que surgiu o CDO (Chief Data Officer). Mais tarde, a pressão para extrair valor dos dados levou à evolução para o CDAO (Chief Data and Analytics Officer).

Agora, com a explosão da IA – e com 53% das empresas já a criarem funções específicas para a área -, este papel está novamente a transformar-se. Para os especialistas que aconselham empresas Fortune 1000, o futuro passa por concentrar responsabilidade e visão num único líder, capaz de articular estratégia, tecnologia, cultura e resultados de negócio. Defendem que ter vários executivos tecnológicos é redundante e ineficaz.

Evangelista, estratega, operador

O CDAIO deve ser simultaneamente visionário e pragmático. Deve inspirar a organização para o potencial da IA, mas também saber dizer ‘não’ a projetos sem retorno. É um papel que exige domínio tecnológico, sensibilidade organizacional e foco obsessivo na criação de valor.

Segundo os autores da HBR, muitos líderes caem porque investem em dados e IA sem demonstrar impacto mensurável. O CDAIO, pelo contrário, deve garantir valor desde o primeiro dia – seja através de receita, eficiência ou inovação.

Um mandato claro para liderar a transformação

Para que o papel resulte, as empresas precisam de dar ao CDAIO um mandato explícito e abrangente, que inclua as seguintes tarefas:

  • Definir e liderar a estratégia de IA, com uma visão clara de como esta cria valor;

  • Preparar a organização para novos riscos, num território onde segurança, privacidade e regulação evoluem rapidamente;

  • Construir a infraestrutura tecnológica de IA, evitando a fragmentação de ferramentas e plataformas;

  • Garantir que os dados estão prontos para IA, sobretudo os não estruturados – essenciais para modelos generativos;

  • Criar uma cultura “AI-ready”, em parceria com os Recursos Humanos, onde a adoção da IA seja natural e orientada ao valor;

  • Desenvolver talento interno e externo, com parcerias estratégicas;

  • Gerar ROI claro, acelerando a passagem de experimentação para escala;

Onde deve estar o CDAIO na hierarquia?

A tendência é evidente: os CDAIO já não devem depender apenas das áreas tecnológicas. Cada vez mais reportam a líderes de negócio – COO, presidentes ou diretamente ao CEO. Só assim podem influenciar prioridades, orçamento e impacto. Empresas como a JPMorgan já integraram esta função no comité executivo, sinalizando o seu peso estratégico.

Os responsáveis pelo acompanhamento do CDAIO devem, aliás, garantir que existem respostas para questões críticas como: ‘Temos um líder único e responsável por gerar valor com IA?’ ou ‘Estamos a medir KPIs de IA com frequência e rigor suficientes?’.

O futuro da liderança em IA

Os primeiros CDOs falharam muitas vezes porque eram vistos como guardiões de dados e não como criadores de valor. A união das funções de dados, analítica e IA corrige essa limitação estrutural. Ao juntar a fundação (dados) com o motor (IA), o CDAIO torna-se o elemento central para transformar experimentação em vantagem competitiva.

Não se trata de uma função transitória; trata-se do próximo passo lógico da liderança empresarial num mundo acelerado pela inteligência artificial. Como concluem os autores, «o futuro pertence às empresas que tratarem a IA como músculo organizacional – não como experiência isolada».

Arquivado em:Liderança, Notícias, Tecnologia

Líderes de RH alertam: flexibilidade ultrapassa salário na atração de talento

4 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A flexibilidade do modelo de trabalho (híbrido, remoto ou presencial) consolida-se como o principal fator na procura de emprego em 2025. Esta é uma prioridade que, na perspetiva de 91,73% dos profissionais de Recursos Humanos, os candidatos já colocam à frente do pacote de compensação e benefícios (86,47%). É o estudo Experiência Digital do Emprego – Tendências e Aplicações que o afirma, desenvolvido pelo Clan em parceria com o IIRH.

Apesar disso, o estudo revela um desalinhamento entre a perceção dessa tendência e a prática. Embora as empresas identifiquem a flexibilidade como a nova prioridade do talento, apenas 47,83% das organizações a destacam como um dos elementos que mais impactam positivamente os colaboradores, muito atrás de outros elementos da experiência digital como o ‘Acesso fácil e rápido a informações’ (73,19%) e a ‘Automação de processos administrativos’ (57,97%).

 

Transformação digital a duas velocidades

Em contraste com esta procura por modelos de trabalho modernos, o estudo revela um grande atraso na digitalização da experiência do colaborador por parte das empresas e uma baixa adoção de tecnologia na jornada do trabalhador. Mais de 90% das organizações admitem não usar tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial, em momentos tão críticos como o onboarding de novos colaboradores (92,03%) e o processo de offboarding (90,58%).

O estudo aprofundou os motivos por trás desta transformação digital a duas velocidades. Enquanto a principal motivação para adotar novas ferramentas é a diminuição do tempo na execução de tarefas (88,41%), os maiores obstáculos identificados são o custo e a gestão da mudança (ambos com 62,32%), a par de riscos como a segurança de dados (52,17%) e o receio da perda de humanização (50,72%).

 

E quais são as competências do futuro?

Este novo cenário exige uma evolução no perfil do profissional de Recursos Humanos, que deverá atuar como um ‘arquiteto da experiência do colaborador’. Questionados sobre as competências do futuro mais valorizadas, os inquiridos apontam a capacidade de análise de dados (People Analytics) como a mais crítica (65,94%), seguida pela adaptação à mudança (39,13%) e pelo conhecimento em automação e IA (38,41%).

«Estes números são um apelo à ação. A tecnologia não pode ser vista apenas como uma ferramenta de eficiência, mas como um investimento estratégico no nosso ativo mais valioso: as pessoas», afirma Eduardo Marques Lopes, Diretor de Marketing e Comunicação do Clan. «O estudo prova que a flexibilidade é a nova moeda de troca para atrair talento e que as empresas devem usar a tecnologia com intencionalidade, para construir uma cultura de confiança e crescimento. O nosso papel no Clan é ajudar os líderes a serem os arquitetos desta nova experiência de trabalho», concluiu.

De acordo com as conclusões do estudo, que inquiriu 128 profissionais de Recursos Humanos em Portugal, maioritariamente Diretores de RH e Técnicos Especializados, o futuro pertence às organizações que olharem para a digitalização não como um fim, mas como o meio para desenhar um ambiente de trabalho mais humano, flexível e gratificante.

Arquivado em:Gestão de Pessoas, Notícias

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