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Leonor Wicke

Filipa Fontoura assume liderança em People Excellence na Sanofi Portugal

4 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A Sanofi Portugal anuncia a nomeação de Filipa Fontoura como People Excellence Lead, reforçando a sua ambição de melhorar a experiência de trabalho da sua equipa e acelerar o seu desenvolvimento.

No novo cargo, Filipa irá liderar a estratégia de Cultura e Pessoas, implementar programas inovadores de desenvolvimento profissional – garantindo que cada colaborador tem um plano de crescimento alinhado com os desafios da saúde do futuro – e promover iniciativas de transformação cultural e melhoria contínua.

Num momento em que retenção e qualificação são desafios globais, a Sanofi coloca as pessoas no centro da sua estratégia, preparando-as para competências emergentes como inteligência artificial e liderança adaptativa. O nosso objetivo é claro: criar um ecossistema de aprendizagem contínua, onde talento humano e tecnologia caminham lado a lado para melhorar vidas. Queremos proporcionar experiências de trabalho que inspirem cada pessoa a atingir o seu máximo potencial. Juntos, vamos construir um futuro onde inovação e propósito andam de mãos dadas.

Filipa Fontoura, People Excellence Lead da Sanofi Portugal

Filipa Fontoura regressa à Sanofi com uma sólida experiência em gestão de pessoas e liderança estratégica, associando o conhecimento da organização à capacidade de impulsionar talento e liderar mudanças culturais. A sua atuação será crucial para conectar a estratégia global de Pessoas & Cultura às necessidades do mercado português.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Conselhos de Administração em 2025: líderes que avaliam melhor, governam melhor

3 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Num momento em que as empresas operam sob o escrutínio constante de acionistas, reguladores e opinião pública, a eficácia dos conselhos de administração tornou-se um fator crítico de competitividade. As empresas com melhor reputação e maturidade de governance, nos EUA e no Canadá, distinguem-se por práticas de avaliação mais rigorosas, transparentes e diversificadas, que elevam a fasquia para todo o mercado.

Estas são algumas conclusões dos estudos Board Effectiveness in 2025, focado nas empresas do índice TSX30, e Annual State of Board Evaluations in the U.S. 2025, do índice S&P 500, ambos da Korn Ferry. As análises traçam uma radiografia atualizada da governação corporativa, revelando um setor mais atento à responsabilização e ao desempenho estratégico, mas ainda marcado por lacunas estruturais que precisam de ser resolvidas.

A conclusão central? Avaliar já não basta – é preciso transformar e evoluir.

Transparência em alta, mas ação ainda curta

Tanto no Canadá como nos EUA, a quase totalidade das empresas divulga hoje informação sobre o processo de avaliação do conselho. No S&P 500, 98% das empresas detalham o seu processo em documentos públicos, enquanto no TSX30 a avaliação é universal e realizada em três níveis – conselho, comissões e administradores individuais.

Mas permanece uma lacuna crítica: poucas empresas explicam o que mudam na prática. Nos EUA, apenas 18% reportaram alterações concretas após a avaliação (menos do que em anos anteriores).

No Canadá, o número não é muito superior. A ausência de follow-through torna mais difícil perceber o compromisso real com a melhoria contínua.

Avaliações mais profundas e métodos mais variados

Outra tendência verificada este ano foi a de os conselhos diversificarem as suas metodologias. No S&P 500, 60% das empresas usam questionários, mas cresce o recurso a entrevistas e discussões de grupo, sobretudo entre as World’s Most Admired Companies.

No Canadá, os questionários são também o método dominante, mas as entrevistas individuais continuam. subutilizadas – uma oportunidade perdida para captar nuances de comportamento e dinâmica interna.

Ambos os estudos sublinham que a avaliação individual dos administradores é uma tendência crescente: no S&P 500, 55% das empresas já o fazem, um aumento de cinco pontos percentuais face ao ano anterior.

O papel crescente dos avaliadores externos

O recurso a entidades externas tornou-se um indicador de maturidade em governação. No S&P 500, 38% das empresas já utilizam terceiros para apoiar ou conduzir avaliações, com destaque para métodos como entrevistas independentes – usadas por 81 empresas, segundo o gráfico da página 14 do relatório.

Os dados mostram também que os conselhos que recorrem a avaliadores externos confiam mais no processo e agem mais sobre os resultados, tal como evidencia o estudo ao citar que 81% dos administradores consideram as avaliações mais eficazes quando há facilitadores independentes.

O que distingue os líderes globais

As empresas classificadas como World’s Most Admired apresentam práticas mais robustas do que as restantes do S&P 500. Especificamente, usam múltiplos métodos de recolha de feedback (58% vs. 45%). Revelam também mais informação sobre temas avaliados (68% vs. 56%), e recorrem mais a terceiros (42% vs. 33%)

No Canadá, a exigência regulatória e a forte cultura de governance elevam a fasquia: todas as empresas do TSX30 avaliam o desempenho individual, e há uma ênfase clara em competências, composição e transparência.

A conclusão combinada dos dois relatórios é inequívoca: os conselhos mais eficazes são os que tratam a avaliação como um instrumento estratégico, não como uma obrigação formal.

Para onde caminha a governação?

Os dois estudos apontam três prioridades essenciais para 2026:

  1. Mais profundidade nos métodos de avaliação, com entrevistas e feedback alargado à gestão;

  2. Mais independência, através do uso regular de avaliadores externos;

  3. Mais ação e transparência, divulgando não apenas o processo, mas sobretudo as melhorias implementadas.

Em suma, o novo padrão global é este: avaliar melhor para governar melhor.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Estudo revela diferenças entre líderes e equipas sobre práticas éticas nas organizações

3 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

A filosofia não costuma ter lugar à mesa nas empresas, pelo menos regularmente. Conceitos como a ética podem revelar-se essenciais e existe uma preocupação generalizada com esta questão, ainda que superficial.

Líderes e liderados convergem na perceção de que os líderes evidenciam mais comportamentos que visam comunicar expetativas claras para uma prática ética e, com menos frequência, para apoiar o programa de ética. Os líderes reportam, em média, comportamentos éticos com frequência moderada, enquanto os liderados percecionam essas práticas de forma mais intermitente.

A Católica Porto Business School apresentou os primeiros resultados do Inquérito de Liderança Ética, desenvolvido no âmbito do estudo anual do Fórum de Ética, que celebra este ano o seu 10º aniversário. O inquérito avaliou quatro dimensões fundamentais: demonstrar que a ética é uma prioridade, comunicar expectativas claras para uma prática ética, tomar decisões éticas e apoiar o programa de ética organizacional. Conclui que há ainda um longo caminho a percorrer para que os comportamentos éticos se tornem uma prática sistemática e visível no quotidiano das organizações.

«Mais do que medir, queremos mobilizar. Mais do que avaliar, queremos dar poder de agir,» afirma Helena Gonçalves, coordenadora do Fórum de Ética da Católica Porto Business School. «Se a ética é clara nas palavras, porque é que nem sempre é visível nas práticas? Como podemos tornar a ética mais visível, partilhada e reconhecida nas práticas diárias de liderança?», questiona.

 

Entre intenção e prática, a ética não está plenamente integrada

Em termos de ‘Demonstração de que a ética é uma prioridade’, os líderes referem que assumem com frequência comportamentos que identificam a ética como uma prioridade e os liderados confirmam. Criar oportunidades para discutir preocupações éticas, bem como incluir expectativas específicas para a prática ética nos planos de desempenho são comportamentos considerados menos frequentes por líderes e liderados.

Já no que diz respeito a ‘Comunicação de expectativas éticas’ ambos reconhecem no líder o esforço consciente para servir de modelo de práticas éticas e clarificar as expetativas em relação à prática. O comportamento menos frequente identificado por ambos é o de abordar desafios que a equipa possa enfrentar, quando se comunicam as expectativas de práticas éticas.

 

A ética como decisão: práticas assumidas e fragilidades persistentes

Na ‘tomada de decisões éticas’, os líderes consideram frequentes os comportamentos que visam assegurar que não favorecem injustamente uma determinada pessoa ou grupo, bem como o ponderar os efeitos e o impacto nos outros. Ocasionais são os comportamentos de recorrer ao Código de Ética e Conduta para apoiar na decisão ou nomear responsável por destacar considerações éticas.

Na área do ‘Apoio ao programa de ética’, líderes e liderados concordam que os líderes ocasionalmente encorajam os liderados a comunicar irregularidades da organização quando há uma preocupação ética. Ambos estão também de acordo em considerar ocasionais a tomada de medidas para garantir que as atividades de ética são adequadamente financiadas e dotadas de recursos.

O estudo, que decorreu entre 15 de setembro e 30 de outubro, recolheu exemplos concretos de comportamentos que ilustram tanto situações de sucesso como de falha nas quatro dimensões avaliadas. No total envolveu 323 participantes com experiência profissional, dos quais 80% ocupam ou ocuparam funções de liderança, abrangendo diferentes níveis hierárquicos e setores (privado, público e social). A maioria dos respondentes pertence ao setor privado e situa-se na faixa etária dos 46 aos 60 anos.

Arquivado em:Liderança, Notícias

O panorama em mudança do mercado global de luxo

3 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Nos últimos meses, deparei-me com dois estudos publicados este ano que oferecem uma visão abrangente do atual panorama do mercado de luxo: o True-Luxury Global Consumer Insights do Boston Consulting Group (BCG) e o relatório da European Cultural and Creative Industries Alliance (ECCIA)–Bain, sobre as indústrias culturais e criativas de topo na Europa. Embora diferentes em âmbito, ambos convergem numa mensagem clara: o setor do luxo está a passar por uma transformação profunda, moldada pela evolução das expectativas dos consumidores, pela volatilidade económica e por um foco renovado na experiência e na autenticidade.

O estudo do BCG destaca uma grande mudança estrutural: o crescimento futuro será impulsionado esmagadoramente por clientes de topo, uns minúsculos 0,1% de consumidores que geram 23% do valor do mercado. Estes indivíduos priorizam a exclusividade, relações personalizadas e experiências verdadeiramente memoráveis. O relatório ECCIA–Bain reforça esta ideia ao demonstrar que a liderança da Europa no luxo está enraizada no seu artesanato, riqueza cultural e ecossistemas de serviço altamente personalizados (high-touch), revelando também que o turismo relacionado com o luxo representa até 25% do valor do turismo e motiva 30 a 40% dos viajantes globais.

Juntos, os estudos sugerem que a hotelaria de luxo e o turismo estão no centro da próxima fase da indústria. Se o luxo se está a tornar mais seletivo, experiencial e impulsionado pela emoção, então a hospitalidade é um dos setores melhor posicionados para corresponder a estas expectativas. As viagens têm a capacidade única de proporcionar experiências imersivas e irrepetíveis (once-in-a-lifetime), precisamente as experiências que a BCG identifica como os maiores impulsionadores dos gastos em luxo. Isto representa uma oportunidade tremenda, não apenas para hotéis e resorts, mas para todo o ecossistema que os rodeia: artesanato, instituições culturais, design, gastronomia, fornecedores locais e bem-estar.

Ambos os relatórios enfatizam que a centralidade no cliente – servir menos clientes, mas servi-los muito melhor – definirá as marcas que prosperam. Isto envolve cultivar um genuíno ‘sentido de pertença’ e uma ligação emocional entre o cliente e a marca. Para os prestadores de serviços, isto significa elevar a qualidade, aprofundar relações e oferecer experiências dotadas de identidade e significado.

Para Portugal, estes insights são particularmente relevantes. O turismo e a hotelaria estão entre os maiores contribuintes para o PIB português e o país incorpora muitas das qualidades agora mais valorizadas no luxo: artesanato autêntico, rico património cultural, gastronomia de classe mundial, tradições de bem-estar e uma reputação crescente de qualidade e criatividade.

Ao alinhar-se com as tendências destacadas em ambos os estudos – experiências exclusivas, serviço personalizado e excelência -, Portugal tem uma oportunidade única de capturar um nicho lucrativo e em expansão no mercado global de luxo. Ao integrar artesãos, chefs, designers, produtores de vinho e curadores culturais num ecossistema de luxo coeso, Portugal pode tornar-se não apenas um participante, mas um ponto de referência no novo panorama do luxo.

Arquivado em:Opinião

iServices revela novo guia de presentes para toda a família

3 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

Há momentos que pedem um presente especial e outros em que a surpresa é, simplesmente, um gesto de carinho. Em qualquer caso, a iServices reúne opções para esta época, adaptados a todos os perfis: práticas, modernas e alinhadas com as tendências de tecnologia e lifestyle.

Estas sugestões ajudam a simplificar a escolha e a garantir ofertas com utilidade real no dia-a-dia. E há ainda uma vantagem adicional: com o Cartão Cliente iServices, acumula pontos a cada compra e pode trocá-los por descontos nas próximas visitas às lojas ou ao site. Um benefício que prolonga o valor do presente.

 

Para o Pai

Sugestões pensadas para quem valoriza gadgets funcionais e discretos:

  • Cartão Localizador
    Perfeito para quem perde objetos com frequência. Compatível com Apple Find My, permite localizar carteiras, mochilas ou chaves em segundos;
  • Carteira em pele MagSafe
    Minimalista, elegante e prática. Fixa-se magneticamente ao iPhone e mantém os cartões essenciais sempre acessíveis;
  • Mochila Executiva
    Ideal para o trabalho ou viagens rápidas. Confortável, resistente e com vários compartimentos estrategicamente distribuídos.

 

Para a Mãe

Presentes que combinam utilidade com sofisticação:

  • Mala de Viagem
    Leve, robusta e com um design contemporâneo. Um essencial para quem adora escapadinhas;
  • Smartwatch Elegance

Monitorização de saúde, vários modos de desporto e um look sofisticado que se adapta ao quotidiano;

  • Pistola de Massagem
    Compacta e potente, com 6 níveis de intensidade, 3 cabeças amovíveis e modo de aquecimento até 46ºC. O aliado perfeito para relaxar após um dia exigente.

 

Para os irmãos desportistas

Ideias que acompanham treinos, rotinas e objetivos:

  • Liquidificador Portátil
    Para smoothies e batidos proteicos, em qualquer lugar. Leve, recarregável e fácil de transportar;
  • Headphones Bluetooth com ANC
    Cancelamento ativo de ruído, conforto e um som envolvente que motiva qualquer treino;
  • Pulseira Inteligente
    Acompanha passos, ritmo cardíaco, sono e calorias queimadas. Ideal para monitorizar evolução ao longo das semanas.

 

Para as crianças

Sugestões que estimulam criatividade e autonomia:

  • Máquina Fotográfica para Crianças

Colorida, resistente e simples de usar. Incentiva a criatividade e ajuda a criar memórias únicas;

  • Fones Bluetooth para Crianças
    Com limite de volume, conforto e cores divertidas — pensados para proteger a audição dos mais pequenos;
  • Conjunto Karaoke
    Coluna Bluetooth com LED e microfone sem fios. Com efeitos de voz e autonomia prolongada, transforma qualquer divisão num palco.

Arquivado em:Líder Corner

Perspetivas 2026: o mercado global de obrigações está a mudar e exige uma gestão ativa

2 Dezembro, 2025 by Leonor Wicke

À medida que os investidores globais em obrigações olham para 2026, o panorama parece moldar-se por ciclos cada vez mais desalinhados entre as principais economias. As trajetórias da inflação, da política monetária e do crescimento económico a divergirem de região para região.

Os responsáveis pelas nossas equipas de rendimento fixo partilham as suas perspetivas sobre a forma como estes mercados podem ser navegados no novo ano.

Os especialistas da Schroders Julien Houdain (Diretor de Obrigações Globais sem Restrições), Lisa Hornby (Diretora de Rendimento Fixo dos EUA) e Abdallah Guezour (Diretor de Dívida de Mercados Emergentes e Matérias-Primas), destacam que 2026 será marcado por ciclos económicos e monetários cada vez mais dessincronizados entre regiões. Este é um contexto que reforça a importância da gestão ativa e flexível nas carteiras de obrigações globais.

 

Ciclos dessincronizados e oportunidades atraentes para obrigações globais

Julien Houdain, PhD, Head of Global Unconstrained Fixed Income

2025 foi um ano de forte diferenciação nos mercados de obrigações, com grandes divergências nos movimentos dos rendimentos, tanto entre regiões geográficas como ao longo das diferentes maturidades da curva. Esperamos que esta tendência continue à medida que entramos em 2026.

Porquê? Simples: as perspetivas de crescimento, o mercado de trabalho e a inflação estão dessincronizados entre países, e os principais bancos centrais encontram-se em fases distintas dos seus ciclos de política monetária. A Reserva Federal dos EUA (Fed) e o Banco de Inglaterra permanecem na fase de flexibilização, o Banco Central Europeu parece estar confortavelmente em pausa e o Banco do Japão ainda não concluiu o ciclo de aumento de taxas.

Isto representa uma grande oportunidade, mas apenas para quem adota uma abordagem ativa na alocação de obrigações e é capaz de tirar partido de condições económicas rápidas e assimétricas a nível global. A gestão passiva, neste contexto, pode deixar as carteiras demasiado expostas aos relativos ‘perdedores’, à medida que os rendimentos divergem, o que pode resultar em retornos abaixo do esperado e risco acrescido.

 

Figura 1: 2025 registou movimentos de rendimentos dessincronizados por país e maturidade, e esperamos que esta tendência continue em 2026

Variação dos rendimentos no acumulado do ano, por país e ao longo da curva (em pontos base)

Fonte: Macrobond, Bloomberg, Schroders, a 28/10/2025. As tendências económicas e de mercado atuais não constituem garantia de resultados futuros e podem não se manter.

 

Demasiado de uma coisa boa?

Estamos otimistas quanto às perspetivas para a economia dos EUA em 2026, com um duplo impulso: estímulo orçamental (à medida que o impacto total do One Big Beautiful Bill Act se faz sentir) e uma política monetária mais acomodatícia (impulsionada pelo abrandamento do mercado de trabalho em meados de 2025) a disseminarem-se pela economia.

Embora saudemos o apoio do Governo e da Reserva Federal na redução dos riscos crescentes de um hard landing que antecipávamos no verão de 2025, receamos que os decisores possam exagerar no estímulo. Na nossa opinião, ‘demasiado de uma coisa boa’ é um cenário realista. Estamos atentos a sinais de que a política económica se tornou excessivamente expansionista, como um novo aperto no mercado laboral ou um aumento da inflação subjacente e dos salários.

Após um período de melhor desempenho das obrigações norte-americanas, começam a surgir oportunidades mais interessantes para carteiras globais. Acreditamos também que dispor de proteção contra a inflação a baixo custo é sensato, tendo em conta a forte perspetiva de crescimento, a postura acomodatícia da política económica e o risco contínuo de erosão da credibilidade da Fed, com o fim do mandato de Jerome Powell em maio de 2026 e a nomeação de um novo(a) presidente.

A economia europeia tem vindo a melhorar gradualmente ao longo de 2025. Antecipamos que essa tendência continue no próximo ano, com o estímulo orçamental alemão a contribuir positivamente — embora, no nosso entender, sem alterar de forma estrutural o ritmo de crescimento da zona euro.

No Reino Unido, contudo, o abrandamento do mercado laboral, aliado a um orçamento que apertará a política fiscal, deverá manter o crescimento abaixo da tendência no início do ano. Isto deverá continuar a criar oportunidades no mercado de gilts.

 

A única certeza é a incerteza

Seja pela preocupação com um crescimento excessivamente concentrado na IA, pela valorização elevada das ações, pela volatilidade da política nos EUA ou por outros riscos, os benefícios de diversificação das obrigações enquanto classe de ativos estão a aumentar, numa fase em que as pressões inflacionistas permanecem moderadas a nível global.

Para os investidores que continuam com posições muito elevadas em liquidez, a rede de segurança já não é tão robusta como antes. Com as taxas dos depósitos a descer e incapazes de acompanhar o ritmo da inflação, as obrigações continuam a constituir uma oportunidade atrativa de rendimento.

 

A paciência é uma virtude

As obrigações corporativas tiveram mais um ano de desempenho positivo, mas vemos o ponto de partida das avaliações como o principal motor dos retornos futuros. O spread obtido por assumir risco de crédito adicional face às obrigações soberanas encontra-se agora em níveis historicamente baixos. Com margens tão reduzidas, uma exposição significativa a este segmento parece-nos pouco prudente neste momento.

As oportunidades para aumentar o risco em crédito vão surgir em 2026 – surgem sempre – e raramente conhecemos o catalisador antecipadamente. Dada a nossa visão positiva sobre o crescimento, acreditamos que manter capacidade significativa para mobilizar capital quando essas melhores oportunidades aparecerem é a abordagem mais sensata. Entretanto, é fundamental recorrer a investigação fundamental rigorosa, procurar onde outros investidores não procuram e continuar a inovar para gerar alpha dentro do universo das obrigações corporativas.

Esta abordagem flexível à alocação de ativos implica também aproveitar oportunidades mais favoráveis quando surgem noutros mercados. As obrigações hipotecárias de agência (agency MBS) deverão beneficiar de avaliações atrativas e de uma menor volatilidade das taxas de juro. Na Europa, encontramos igualmente boas oportunidades em emitentes quase-soberanos e em obrigações cobertas (covered bonds).

Os desafios que 2026 inevitavelmente trará vão criar simultaneamente riscos e oportunidades – e isso tornará uma abordagem ágil e ativa ao investimento em obrigações ainda mais importante para alcançar desempenhos consistentes.

 

Um ano forte para as obrigações dos EUA – condições favoráveis poderão prolongar-se em 2026

Lisa Hornby, CFA, Diretora de Rendimento Fixo dos EUA

Apesar do pessimismo no início do ano, o mercado obrigacionista norte-americano registou um desempenho sólido na maioria dos segmentos. Os retornos fortes e consistentes foram impulsionados pelo rendimento proporcionado por cupões elevados, apoiados adicionalmente pela valorização das obrigações do Tesouro, resultante da descida das taxas de juro, e pela compressão dos spreads nos segmentos de crédito e de obrigações hipotecárias titulizadas (mortgage-backed securities, MBS).

Figura 2: Fortes retornos no acumulado de 2025 na maioria dos sectores do mercado obrigacionista norte-americano

Fonte: Bloomberg, a 31/10/2025. A rendibilidade passada não garante resultados futuros e pode não repetir-se.

 

Acreditamos que o atual contexto económico benigno deverá manter-se e continuar a sustentar o desempenho do mercado obrigacionista norte-americano em 2026. A economia dos EUA continua a absorver choques de forma eficaz.

O país estabilizou num enquadramento típico de meio de ciclo económico, com o crescimento a abrandar face ao ritmo elevado do ano anterior, mas a manter-se positivo; a inflação a convergir para um intervalo mais próximo da zona de conforto da Reserva Federal; e o mercado de trabalho a ajustar-se de forma gradual. Para os investidores obrigacionistas, esta combinação – crescimento mais lento, mas sem contração acentuada, e inflação controlada – tem sido, historicamente, um terreno fértil para bons retornos totais.

Vários fatores poderão continuar a sustentar o mercado obrigacionista dos EUA em 2026. Importa destacar que o impacto inflacionista das tarifas alfandegárias se mantém limitado, com as empresas a absorverem parte das pressões de custos através de ganhos de produtividade e margens de lucro mais baixas, reduzindo assim o risco de uma nova escalada inflacionista. Se este padrão se mantiver, existe margem para que as taxas de juro permaneçam estáveis ou recuem gradualmente, o que poderá favorecer a valorização das obrigações.

Os estímulos orçamentais resultantes do One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) deverão prolongar-se até 2026, ajudando a amortecer o impacto de uma procura privada por trabalho mais fraca. A possibilidade de as empresas deduzirem imediatamente o investimento em capital e o aumento dos compromissos de investimento federal deverão continuar a sustentar o crescimento nominal do PIB, reforçando a qualidade de crédito.

O consumidor norte-americano permanece, no geral, saudável, apoiado por balanços familiares robustos, embora o consumo esteja cada vez mais concentrado nos 10% com maiores rendimentos. Isto introduz alguma fragilidade no crescimento, mas o consumo agregado deverá permanecer resiliente – criando um enquadramento favorável para os mercados de crédito e produtos estruturados ao longo do próximo ano.

Condições como inflação moderada, estabilidade orçamental e um consumidor resiliente criam um cenário construtivo para os retornos do rendimento fixo nos EUA em 2026, tanto pelo lado do rendimento como pelo potencial de valorização de capital, à medida que as yields se ajustam a uma política monetária moderada e a um pano de fundo económico de crescimento.

 

Os riscos à conjuntura permanecem

Falências recentes em segmentos menos regulados dos mercados de dívida sublinham a importância da transparência e liquidez – características que deverão continuar a atrair os investidores para mercados de dívida pública e regulada se a volatilidade aumentar em 2026. Paralelamente, o rápido fluxo de capital para o ecossistema da inteligência artificial aumentou a interconectividade do setor tecnológico. Uma correção de valor numa parte da cadeia de fornecimento da IA poderá gerar efeitos de contágio devido às interligações financeiras muito apertadas.

 

Posicionar para qualidade num mundo de yields mais elevadas

O mercado obrigacionista norte-americano continua a oferecer um perfil de retornos prospetivo atrativo, especialmente olhando para 2026. O ambiente atual exige maior seletividade entre sectores. Vemos valor em aumentar a exposição a ativos de maior qualidade e duração mais longa, como obrigações municipais isentas de imposto e instrumentos titularizados, evitando assumir risco genérico de crédito numa fase em que o prémio de spread já não compensa suficientemente. Com as yields já em níveis historicamente atrativos, os investidores não precisam de procurar rendimento extra assumindo riscos adicionais.

Na nossa perspetiva, a prioridade deve ser dada a títulos e setores onde o rendimento é sustentável e o risco de queda é limitado.

Apesar das incertezas, a mensagem central mantém-se: os mercados obrigacionistas dos EUA continuam a beneficiar de inflação moderada, dinâmicas orçamentais mais estáveis e uma economia resiliente, ainda que mais lenta.

Neste enquadramento, sectores de maior qualidade como obrigações hipotecárias de agência (agency MBS) e obrigações municipais de longo prazo isentas de imposto deverão manter um bom posicionamento em 2026. O desempenho robusto de 2025 reforça a tese de que as yields iniciais são determinantes, e acreditamos que os investidores focados em qualidade e valor serão recompensados à medida que as condições favoráveis se prolongam.

 

Dívida de mercados emergentes: tudo preparado para um novo ciclo de realocação

Abdallah Guezour, Diretor de Dívida de Mercados Emergentes e Matérias-Primas

A dívida de Mercados Emergentes (ME) está a caminho de registar o terceiro ano consecutivo de retornos fortes, à medida que os mercados continuam a recompensar os ajustamentos macroeconómicos realizados pelos principais países emergentes no período pós-pandemia. Estes ajustamentos – que preservaram a sustentabilidade orçamental e externa e reforçaram as reservas e amortecedores externos – explicam a resiliência recente do crescimento destes países face a perturbações do comércio global e da geopolítica.

Com os investidores globais a começarem a reconhecer estes progressos, está em curso uma recuperação dos fluxos de capitais para os mercados de rendimento fixo dos emergentes. Este ciclo de realocação de capital encontra-se ainda numa fase inicial e tem espaço para continuar: os investidores globais continuam subexpostos a esta classe de ativos, apesar da forte performance dos últimos anos.

 

Mais espaço para cortes de juros

Na nossa perspetiva, esta recuperação dos fluxos de capital será reforçada pelo crescimento económico dos emergentes, que deverá ganhar força em 2026, graças à melhoria das condições de liquidez doméstica, já que os bancos centrais dos emergentes recuperam margem para reduzir as taxas de juro. Este novo ciclo monetário e de crédito está a desenvolver-se num contexto de balanços privados sólidos, o que deverá facilitar a transmissão do estímulo para a economia real.

De forma encorajadora, as exportações dos emergentes também se mantiveram resilientes, apesar dos ventos contrários originados pelas tarifas comerciais recentes dos EUA.

Esperamos que estas dinâmicas mantenham o prémio de crescimento dos emergentes face aos EUA num nível historicamente suficiente para sustentar o renovado interesse dos investidores por ativos ME. Contudo, a trajetória de crescimento da China poderá manter-se contida, devido à fraqueza persistente do sector imobiliário e ao risco contínuo de novas tensões comerciais ou geopolíticas com os EUA. Ainda assim, o apoio de política económica calibrado, o sólido excedente externo e as amplas reservas cambiais deverão continuar a proporcionar um amortecedor relevante contra riscos de queda.

A tendência global de desinflação dos últimos dois anos mantém-se, embora os EUA possam tornar-se uma exceção, caso o impacto das tarifas se torne mais visível, mantendo pressões sobre os preços e potencialmente minando a credibilidade do atual ciclo de flexibilização da Fed. Embora isto represente um risco para os emergentes, o facto de a inflação ME permanecer mais moderada – apoiada pelos preços contidos da energia e dos alimentos, e pela exportação de deflação da China – oferece suporte adicional.

 

Uma perspetiva favorável para a inflação

Esta deflação exportada pela China é particularmente benéfica para economias emergentes com barreiras comerciais reduzidas e baixa sobreposição de exportações com a China – nomeadamente vários exportadores de matérias-primas na América Latina, Europa de Leste, Médio Oriente e África. Com esta perspetiva favorável, as taxas de juro reais permanecem desnecessariamente elevadas nos mercados emergentes e as yields das obrigações soberanas locais a 10 anos continuam a oferecer valor atrativo. Esta atratividade é reforçada por uma melhoria nas dinâmicas da dívida pública EM, sobretudo em comparação com as economias desenvolvidas (Figura 3).

Figura 3 – Dinâmicas da dívida e rendimentos reais: comparação entre mercados emergentes e desenvolvidos

Fonte: FMI, Macrobond, Schroders, setembro de 2025. As tendências económicas e de mercado atuais não constituem garantia de resultados futuros e podem não se manter.

 

Um ciclo cambial que pode favorecer ativos não norte-americanos

Este cenário favorável poderá ser ainda reforçado se o dólar norte-americano continuar o movimento cíclico de descida iniciado em 2025. Embora seja de esperar recuperações pontuais da moeda – exigindo uma gestão ativa do risco cambial – vários fatores deverão continuar a exercer pressão sobre o dólar. Com efeito, o dólar permanece sobrevalorizado em termos de taxa de câmbio real efetiva. Está também a perder suporte relativo das taxas de juro e a ser cada vez mais penalizado pela acumulação insustentável dos défices gémeos – orçamental e da balança corrente.

Tendo o dólar quebrado em 2025 uma tendência de valorização com 15 anos, o ciclo cambial parece agora inclinar-se a favor de uma melhor performance dos ativos internacionais face aos norte-americanos.

Este enquadramento, aliado a uma liquidez financeira global abundante, reforça a atratividade relativa da dívida de mercados emergentes, sobretudo nos segmentos denominados em moeda local. Continuamos a privilegiar mercados como Brasil, México, África do Sul, Índia e algumas economias da Europa Central, onde as avaliações permanecem atrativas e a flexibilidade de política económica é elevada.

Embora os spreads da dívida ME denominada em dólares já tenham comprimido de forma substancial, este segmento continua a oferecer oportunidades interessantes de rendimento elevado, especialmente entre emitentes soberanos e corporativos high yield selecionados.

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