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Marcelo Teixeira

António Pinto Barbosa: O Primeiro Economista – Filipe S.Fernandes

1 Setembro, 2025 by Marcelo Teixeira

António Manuel Barbosa, de Filipe S. Fernandes, não é apenas o retrato do primeiro economista nomeado ministro das Finanças, no Estado Novo, e Governador do Banco de Portugal; é também a crónica de vida do homem que dignificou o ensino da Economia no país, até então inexistente.

Carimbo da Guerra e Paz.

Arquivado em:Livros e Revistas

Fintech cresce três vezes mais rápido do que setor financeiro tradicional

1 Setembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A indústria global de fintech vive um ciclo de expansão acelerado. Em 2024, as receitas do setor aumentaram 21%, um crescimento três vezes superior ao do setor financeiro tradicional (6%), segundo o estudo Global Fintech 2025: Fintech’s Next Chapter: Scaled Winners and Emerging Disruptors, elaborado pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a QED Investors.

A rentabilidade acompanha a expansão. A margem média de EBITDA das fintechs cotadas subiu para 16% no ano passado, mais 25% do que em 2023. Ao mesmo tempo, 69% destas empresas já apresentam resultados positivos, contra menos de metade no ano anterior. A nova geração de fintechs em escala — com receitas anuais acima dos 428 milhões de euros — já representa 60% das receitas globais do setor, num total de 197 mil milhões de euros.

 

Pagamentos puxam pelo setor, mas a geografia divide

O segmento dos pagamentos é hoje o motor do crescimento, responsável por 107,92 mil milhões de euros das receitas, sobretudo através das carteiras digitais (57 mil milhões). Neobancos e corretagem de criptomoedas no retalho somam 23 mil milhões e 14 mil milhões, respetivamente. Já o modelo “Buy Now, Pay Later” cresce a ritmo recorde, 42% ao ano, embora represente apenas 7 mil milhões.

Geograficamente, os Estados Unidos dominam com 52% do mercado (103 mil milhões de euros), seguidos pela China (16%), enquanto a Europa fica pelos 8%, travada pela fragmentação regulatória e cultural. Ásia-Pacífico (excluindo a China) e América Latina rondam os 10% cada, e Médio Oriente e África continuam em fase embrionária, com menos de 1%.

 

IA acelera a transformação

A próxima etapa do setor passará pelos modelos B2B2X, infraestrutura financeira assente em dados e soluções de crédito. Mas a tecnologia será o grande divisor. Fintechs alimentadas por inteligência artificial representam apenas 23% do mercado, mas já absorvem 49% do investimento total — reflexo da aposta dos investidores nos agentes de IA autónomos, capazes de reduzir custos e acelerar operações.

Também a tokenização de ativos através de blockchain promete transformar a indústria, abrindo caminho para liquidações mais rápidas e menos onerosas. Neobancos e fundos de crédito privado completam o leque de tendências em ascensão, embora enfrentem barreiras regulatórias e o teste de um ciclo económico completo.

 

Regulação e cooperação serão determinantes

Para sustentar este ritmo, a BCG defende quatro pilares: regulação ágil e harmonizada, sobretudo em IA e ativos digitais; maior aposta dos investidores em regiões emergentes e infraestrutura financeira; disciplina operacional das fintechs de maior escala; e parcerias estratégicas entre bancos e fintechs para reforçar competitividade.

Com receitas ainda limitadas a 3% do setor financeiro global, as fintechs têm margem para crescer. A questão é se o mercado será capaz de conjugar inovação, disciplina e regulação num mesmo caminho.

Arquivado em:Economia, Notícias

Investir em sustentabilidade: cinco vantagens que já pesam nas compra de imóveis

1 Setembro, 2025 by Marcelo Teixeira

A sustentabilidade deixou de ser um detalhe para se tornar critério decisivo na hora de comprar casa. Um estudo da Product of the Year Portugal revela que 49% dos consumidores nacionais já boicotaram marcas por falta de compromisso ambiental. Esta mudança de mentalidade chega agora ao setor imobiliário.

Embora responsável por parte das emissões de gases com efeito de estufa, o setor tem também a capacidade de ser motor de mudança e investir em imóveis com características sustentáveis pode ser um fator chave.

A SOLYD Property Developers, promotora imobiliária, aponta cinco razões que fazem dos imóveis com características sustentáveis não só uma escolha consciente, mas também um investimento seguro e valorizado a longo prazo.

 

Custos controlados, contas mais leves

Habitar um edifício com certificação energética A ou A+ significa reduzir consumos de energia e água. Painéis solares, caixilharias com isolamento térmico ou bombas de calor deixam de ser meros detalhes: são garantias de conforto e de faturas mais baixas. O futuro, contudo, passa já pelos edifícios nZEB (Nearly Zero Energy Building), quase autossuficientes em energia, e pela obrigatoriedade de emissões zero (ZEB) a partir de 2030. A SOLYD tem seguido esse caminho, com projetos que integram energias renováveis e soluções de alta eficiência, traduzindo-se em contas previsíveis e pegada ambiental reduzida.

 

Valorização patrimonial

Comprar verde é também comprar seguro. A pressão regulatória europeia, a banca a privilegiar financiamento sustentável e a crescente exigência dos compradores estão a empurrar o mercado nesse sentido. Imóveis eficientes vendem-se mais depressa, atraem mais investidores e resistem melhor às flutuações. No caso da SOLYD, a valorização é reforçada pela integração de espaços verdes, zonas comuns orientadas para a vida comunitária e soluções de mobilidade sustentável.

 

Mais conforto, mais saúde

Não se trata apenas de poupança. O conforto dentro de casa é cada vez mais central – isolamento térmico e acústico, qualidade do ar, estabilidade térmica. A promotora destaca ainda a aposta em piscinas, ginásios e espaços comuns em quase 90% dos projetos, respondendo a uma procura crescente por soluções que melhorem diretamente a qualidade de vida.

 

Mobilidade e conveniência

Sustentabilidade também se mede na forma como nos deslocamos. A SOLYD inclui pré-instalações para carregamento de veículos elétricos, cacifos inteligentes para reduzir entregas porta a porta e até a oferta de trotinetes elétricas em alguns empreendimentos. A mobilidade ativa e a conveniência juntam-se, assim, ao pacote habitacional.

 

Estilo de vida sustentável

Por fim, a sustentabilidade prolonga-se para lá da construção. A promotora equipa as cozinhas com eletrodomésticos SMEG de baixo consumo e oferece kits de boas-vindas que incentivam práticas saudáveis e ambientais – de tapetes de ioga a ecopontos domésticos de parede, como aconteceu no projeto Miraflores Park.

Comprar um imóvel sustentável já não é apenas uma decisão ambientalmente consciente. É, sobretudo, um investimento com retorno em poupança, conforto, valorização e qualidade de vida.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Ligações humanas retêm talento

1 Setembro, 2025 by Marcelo Teixeira

Nos últimos anos, muitas empresas têm apostado em benefícios diferenciadores para melhorar a sua proposta de valor e atrair e reter talento. Medidas como modelos de trabalho flexíveis, apoio à saúde física e mental ou descontos em parceiros são cada vez mais comuns. Mas há um fator que continua a ser imprescindível para atrair e reter o melhor talento: as ligações humanas.

A ligação humana no trabalho é essencial e constrói-se através da confiança, de uma comunicação aberta e de um interesse genuíno pelas pessoas. De facto, ao ouvir ativamente, dar feedback construtivo e reconhecer os esforços das equipas, cria-se um sentido de pertença que estimula a motivação e a produtividade. Num ambiente presencial, promover esta cultura pode parece menos desafiante, pela proximidade física e contacto mais regular entre as equipas. Ainda assim, independentemente do modelo de trabalho, a ligação entre as pessoas deve ser uma prioridade.

Quer seja num regime presencial, remoto ou com equipas mais dispersas em alturas como o verão, por exemplo, é crucial manter uma comunicação fluida e alinhada para garantir que nenhum tema ou tarefa se perde. Investir em plataformas que permitam manter toda a comunicação num só espaço, para partilhar atualizações e mensagens, por exemplo, reforça a cultura e a coesão da empresa, mesmo à distância.

Paralelamente, a retenção do talento depende igualmente do reconhecimento e das oportunidades de crescimento. Reconhecer o esforço diário dos colaboradores e dar visibilidade ao seu trabalho aumenta a sua motivação e vontade de continuar a contribuir para a organização. Da mesma forma, investir no seu desenvolvimento, com planos de formação e percursos de progressão claros, revela um compromisso genuíno por parte das lideranças e fortalecem a ligação entre equipas e empresa.

Finalmente, estimular estas ligações depende também de interações regulares informais, conversas claras entre líderes e equipas e feedback contínuo. Esta cultura de comunicação permite construir relações mais relevantes, que são um verdadeiro motor de produtividade.

Equipas que confiam umas nas outras são mais eficientes e conseguem ultrapassar desafios de forma mais ágil e empática. Por esse motivo, quer seja num regime remoto ou presencial, as lideranças devem sempre ter como prioridade a conexão real das pessoas. Porque a capacidade de cultivar relações é, hoje, a verdadeira chave para atrair e reter talento.

 

Arquivado em:Opinião

Sinais do corpo e a visceral vontade de comer

29 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

Em criança, o meu sogro aprendeu que a forma educada de terminar uma refeição era dizer: «Estou cheio. Posso levantar-me da mesa, por favor?» Muitas famílias têm uma variação desta frase — e a maior parte faz provavelmente muito mais sentido do que esta. Mas isto levanta uma questão: como é que sabemos que estamos saciados? E como é que aquilo que aprendemos na infância afeta a forma como comemos em adultos?

Uma forma de saber que já comemos o suficiente é quando os recetores sensíveis à distensão enviam uma mensagem para o cérebro através do nervo vago, informando-o de que o estômago está a ficar cheio, e isso leva-nos a reduzir a ingestão de alimentos. O momento em que esta resposta é ativada pode variar, mas alguns estudos realizados com voluntários que beberam água até se sentirem satisfeitos, e depois continuaram até se sentirem desconfortavelmente cheios, sugerem que começamos a sentir-nos saciados quando atingimos 50 a 60 por cento da nossa capacidade máxima, o que corresponde a cerca de 1 litro para a maioria das pessoas.

Um estudo sobre um caso extremo de alimentação excessiva sugere que podemos alterar o nosso limite de saciedade — por vezes ao ponto de já não conseguirmos sequer sentir que estamos cheios. Em 2007, investigadores da Universidade da Pensilvânia observaram o estômago de um concorrente num campeonato mundial de comida enquanto ele engolia o maior número possível de cachorros-quentes em doze minutos (o tempo habitual em competições deste tipo). O homem conseguiu comer trinta e seis cachorros-quentes em dez minutos, altura em que os investigadores interromperam a experiência, preocupados com o facto de que o seu estômago tivesse expandido tanto que pudesse rebentar. Surpreendentemente, apesar de o seu estômago se ter tornado, como escreveram os investigadores, «um saco gigante e flácido que ocupava a maior parte do abdómen superior», o homem não se sentiu cheio nem inchado e não relatou qualquer desconforto. Em comparação, um participante do grupo de controlo conseguiu ingerir apenas sete cachorros-quentes antes de não suportar mais, sentindo que ficaria enjoado se tentasse continuar.

Os participantes nestes concursos de comida treinam antes dos campeonatos, comendo além do limite de saciedade para expandirem o estômago para a grande competição. Uma estrela destes concursos de comida, Takeru Kobayashi, anunciou a sua retirada em 2024, invocando que, após vinte anos a forçar quantidades excessivas de comida para dentro do estômago, já não conseguia sentir fome nem saciedade. E sem sensações viscerais para se orientar, chegava a passar três dias sem comer. Estava preocupado, receando ter causado danos permanentes ao seu próprio corpo.

Ainda não se sabe ao certo se formas menos extremas de comer em excesso também dilatam o estômago e abafam os sinais interocetivos de saciedade. Alguns estudos concluíram que pessoas com obesidade têm uma capacidade estomacal significativamente maior do que indivíduos mais magros, enquanto outros sugerem que estômagos maiores são capazes de reter mais comida antes de o sinal de saciedade ser ativado. Não é claro o que surge primeiro: se as pessoas que desenvolvem obesidade já têm estômagos naturalmente maiores ou menos sensíveis, ou se elas se tornam menos sensíveis aos seus sinais de saciedade, fazendo com que o estômago se distenda e exija mais comida para se sentir saciado.

No entanto, o que é certamente verdade é que algumas pessoas são mais sensíveis às sensações do seu estômago do que outras, e isso afeta a quantidade de comida que ingerem. O modo como essas diferenças se manifestam e a sua relação com os sinais e a interpretação que o cérebro faz deles é algo que Sahib Khalsa quer descobrir com a sua cápsula vibratória.

No primeiro estudo realizado pela equipa, publicado em 2023, voluntários saudáveis usaram um conjunto de elétrodos no estômago para medir os ritmos naturais do sistema gastrointestinal, e outro no couro cabeludo para medir a atividade cerebral. A equipa da investigadora Catherine Tallon-Baudry, da École Normale Supérieure, em Paris, já tinha identificado uma «rede gástrica» no cérebro que monitoriza a atividade do estômago, e Khalsa queria perceber se a cápsula vibratória seria capaz de a ativar.

E foi o que aconteceu. Cerca de meio segundo depois de a cápsula começar a vibrar, foi detetada atividade na rede gástrica do cérebro, e quanto mais forte era a vibração da cápsula, mais intenso era o sinal no cérebro. A perceção consciente das vibrações (avaliada pela rapidez com que os voluntários carregavam num botão) surgia cerca de meio segundo depois para a vibração mais fraca — que, para mim, parecia um leve tremor, quase impercetível. A vibração mais forte, semelhante ao zumbido de uma mosca presa, tornava-se consciente um pouco mais rapidamente, cerca de 0,2 segundos depois de o cérebro registar o sinal. É importante notar que os elétrodos colocados no abdómen dos voluntários mostraram que a cápsula não alterava o ritmo natural gastrointestinal — uma onda de atividade elétrica que percorre todo o comprimento do sistema a cada vinte segundos, começando no esófago, que liga a garganta ao estômago, e continuando pelo intestino delgado e grosso até sair pela outra extremidade. Assim, as alterações no cérebro ocorriam devido à estimulação das vias intestino-cérebro e não porque a cápsula estivesse a provocar movimentos anormais no estômago ou no intestino.

Khalsa e a sua equipa tencionam agora usar a cápsula para explorar a variação da sensibilidade do sistema gastrointestinal em pessoas com perturbações alimentares, obesidade ou outras perturbações, como a síndrome do intestino irritável. A ideia é que, quando compreendermos melhor se estas perturbações estão relacionadas com uma sensibilidade deficiente ou excessiva aos sinais viscerais, e se o problema ocorre no estômago e intestinos ou no cérebro, talvez possamos ser treinados para interpretar melhor as nossas sensações estomacais.

Pode demorar algum tempo até que isto esteja disponível como terapia, mas uma versão menos tecnológica que todos podemos tentar desde já é algo chamado alimentação intuitiva. Foi apresentada pela primeira vez pelas nutricionistas Evelyn Tribole e Elyse Resch em meados da década de 1990 como uma alternativa à cultura das dietas, que, segundo elas, não promove uma relação saudável com os alimentos nem permite manter a perda de peso que a dieta pode ajudar a alcançar.

A ideia da alimentação intuitiva consiste em prestar atenção aos sinais viscerais quando começamos a comer e em manter a atenção para percebermos quando é que nos sentimos saciados. Entre as principais recomendações de Tribole e Resch estão «honre a sua fome» e «respeite a sua saciedade». Outra das recomendações é que preste atenção às suas necessidades psicológicas, além das físicas. Se sentir necessidade de conforto alimentar, não há problema, desde que perceba o que está a fazer e porquê. Por outras palavras, a alimentação intuitiva consiste em detetar e interpretar os sinais interocetivos — e em compreender como é que eles se relacionam com a forma como nos sentimos.

A alimentação intuitiva não foi concebida como uma intervenção interocetiva, mas os investigadores interessaram-se pela forma como ela se relaciona com o apetite e as emoções. Alguns estudos sugerem que as pessoas que detetam com maior precisão os seus batimentos cardíacos têm maior probabilidade de comerem por motivos físicos e não emocionais, e de confiarem nos sinais do corpo quando têm fome e estão saciadas. Curiosamente, Chris White, o negociador de reféns que conhecemos no capítulo 1 e que obteve uma pontuação quase perfeita no teste de deteção do batimento cardíaco, tem uma abordagem à comida muito semelhante à alimentação intuitiva. «Sei quando preciso de comer — e nem sempre é pequeno-almoço, almoço e jantar», afirma. Mesmo que seja a meio do dia e alguém anuncie que está na hora do almoço, ele não se deixa influenciar. «Se não tenho fome, não como», declara.

Eu consigo perceber isto. Quando era criança, parava de comer quando me sentia cheia — e nenhum castigo na Terra me fazia limpar o prato se já tivesse comido o suficiente. Apesar da minha teimosia, a minha mãe e o meu padrasto conseguiram incutir-me a ideia de que comer tudo o que nos põem à frente é um sinal de «boa educação à mesa». A mensagem deve ter acabado por passar, porque em adulta consigo ignorar a minha saciedade quando a educação assim o exige. Até já me ouvi a dizer ao meu filho adolescente que comer algo que não queremos é uma competência essencial para a vida — basta enfiar a comida na boca, mastigar, engolir e dizer obrigado.

Porém, embora a alimentação intuitiva pareça uma abordagem mais sensata do que ignorar ou anular as nossas sensações viscerais, ela esbarra num grave problema da sociedade ocidental moderna. Porque, para o bem ou para o mal, a saciedade já não é o sinal fiável de outrora.

De acordo com estimativas recentes, 60 por cento da alimentação média no Reino Unido e nos Estados Unidos consiste em alimentos ultraprocessados (AUP). O termo foi cunhado por um grupo de investigadores brasileiros em 2010 e adotado pelas Nações Unidas em 2019. O grau de processamento dos alimentos foi desde então introduzido como parte do aconselhamento dietético oficial em países como o Brasil e o Canadá, que aconselham a substituição de alimentos ultraprocessados por alimentos integrais, sempre que possível. Nos últimos anos, esta questão gerou controvérsia nos círculos de investigação sobre nutrição e no público em geral, após uma onda de interesse dos meios de comunicação social sobre o modo como os AUP e as dietas modernas estão associados à obesidade e a uma saúde precária. São vários os critérios que permitem classificar um alimento como ultraprocessado, mas, no geral, se ele tiver sido produzido em larga escala e for barato e viciante, provavelmente encaixa nessa categoria. Carlos Monteiro, o nutricionista que lidera o grupo brasileiro, descreveu os alimentos ultraprocessados como «fórmulas artificialmente criadas pela indústria a partir de fontes baratas de energia e nutrientes, com aditivos, que passam por vários processos». Por outras palavras, não são exatamente comida de verdade.

Tem havido muito debate sobre a utilidade do rótulo «AUP» e sobre as desigualdades sociais profundamente enraizadas que tornam estes alimentos difíceis de substituir. No que diz respeito às nossas sensações viscerais e ao modo como elas devem ser interpretadas, a coisa mais importante sobre os alimentos ultraprocessados é que eles parecem influenciar as vias interocetivas que nos indicam quando devemos comer e quando devemos parar e a relação entre a comida e a forma como nos sentimos.

Este artigo foi publicado através de um excerto original do livro ‘O Sentido Interior’ da autora Caroline Williams, com o consentimento da mesma.

Arquivado em:Artigos, Notícias

Oito caminhos para regressar ao trabalho com energia renovada

29 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

As férias terminam, o despertador volta a tocar e a rotina reaparece com força. A caixa de correio transborda, o ritmo profissional impõe-se e a disposição nem sempre acompanha. Ainda assim, o regresso não precisa de ser pesado: pode transformar-se numa oportunidade de ganhar clareza, foco e entusiasmo.

Foi nesse espírito que a Adecco Portugal reuniu oito orientações práticas para enfrentar o pós-férias de forma mais leve e produtiva.

«Este é um momento determinante no calendário profissional. Gerir o regresso de forma consciente influencia o desempenho individual, a coesão das equipas e até a retenção de talento. Pequenos ajustes na rotina podem ter um impacto significativo», sublinha Vânia Borges, diretora de Recursos Humanos da Adecco Portugal.

 

As propostas da Adecco incluem:

  1. Retomar gradualmente – Definir prioridades e recuperar o controlo antes de executar.
  2. Renovar o espaço de trabalho – Alterar a disposição, acrescentar elementos visuais ou reorganizar materiais.
  3. Criar metas semanais realistas – Conquistar pequenas vitórias que devolvam confiança.
  4. Valorizar o bem-estar – Sono regular, alimentação equilibrada e pausas constantes reforçam a energia.
  5. Aproveitar a inspiração do descanso – Ideias, conversas ou experiências podem abrir novos horizontes.
  6. Reforçar a comunicação interna – Partilhar expectativas e ouvir colegas gera alinhamento.
  7. Aceitar um ritmo progressivo – A consistência supera a urgência da produtividade imediata.
  8. Definir um propósito claro – Traçar intenções concretas dá sentido ao trabalho diário.

Com estas recomendações, a Adecco pretende apoiar profissionais e organizações na construção de ambientes mais equilibrados, motivadores e sustentáveis. O regresso ao trabalho deixa, assim, de ser apenas um regresso: pode tornar-se um verdadeiro ponto de partida.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

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