Levantar o alçapão dos ‘movimentos memorialísticos’ e refletir sobre a complexidade da ‘circulação de identidades africanas e afrodescendentes’ foram os temas centrais da 2.ª edição do ciclo Afro-Portugal, ainda a decorrer, em Coimbra, até dia 15 de novembro.
Programado ao longo de quinze dias, o evento carateriza-se pela sua multidisciplinaridade no que diz respeito às representações da cultura africana. Debruça-se em desvendar possibilidades para um futuro que se avizinha, desconstruindo os esquecimentos e erros do passado. Dentro dessa diversidade, através de expressões artísticas como a música, ou no espírito tácito da literatura e do teatro, o assunto veio para a mesa dos intervenientes com afinco e esperança. Assim, para burilar a complexidade das questões, o programa contou também com diversas conversas que visaram identificar e debater problemáticas do ser humano e das suas identidades.
Por exemplo, no passado fim-de-semana, dia nove de novembro – Mês da Identidade Africana – Vânia Andrade Puma apresentou a performance A’KUBATA, em colaboração com as Mulheres Negras Escurecidas e as Batucadeiras Bandeirinha. Na performance, as mulheres participantes «emprestam as suas vozes aos pensamentos identitários, dando forma ao espaço e questionando os limites entre o ser e o não ser», lê-se no documento de apresentação do ciclo.
Nesse mesmo dia, o Teatro Griot apresentou Ventos do Apocalipse, com texto, adaptação e encenação de Noé João. A peça deambula no romance homónimo da escritora moçambicana Paulina Chiziane, a primeira mulher africana distinguida com o Prémio Camões.
O ciclo Afro-Portugal contou com o apoio da Cena Lusófona, Casa da Esquina, Casa da Cultura da Guiné-Bissau, Faculdade de Letras da UC, Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas (FLUC) e pelo Centro de Arqueologia e Artes (FLUC).
Imagem destaque: Instagram A Escola da Noite – Teatro da Cerca de São Bernardo