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Marcelo Teixeira

Depois das raquetes, Nadal agarra novos projetos e negócios

25 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

O sangue maiorquino corre-lhe nas veias, mas Rafael Nadal Parera pertence ao mundo. À volta do globo, o espanhol brilhou em 22 Grand Slams, ganhou 92 títulos ATP, e arrecadou 14 troféus em Roland-Garros. Segurou sempre a raquete com adorno e a força das suas pancadas deram-lhe o estatuto de gigante. Pelo caminho, assinou contratos com empresas espalhadas pelo mundo. Cresceram em conjunto e deixaram marcas nas enciclopédias do desporto. Terminou a semana passada, aos 38 anos, a carreira de uma lenda.

Há atletas que mudam a história do desporto. Normalmente, são aqueles que transpiram lágrimas, que deixam a pele em campo e que se superam a eles próprios. Nadal é feito dessa casta. Soube sempre dizer não ao que era devido. Não ao cansaço. Não a desistir. Não à derrota. Com os atributos técnicos aliados ao carisma, seduziu desde cedo patrocinadores.

O caso mais marcante é o da Nike, com quem Nadal assinou o seu primeiro contrato aos 13 anos de idade. A empresa norte-americana vestiu-o durante toda a sua carreira e, em 2018, anunciou a sua última extensão em troca de dez milhões de dólares garantidos.

O reconhecimento da marca é perentório. Na sua última atuação no court, durante a Taça Davis em Málaga, a Nike mudou até o seu emblemático logótipo, o “Swoosh”, pelo símbolo de um touro, figura icónica associada ao tenista.

O rei da terra batida, onde somou o maior número de títulos (63), ajudou os patrocinadores a ganharem visibilidade. Exemplo disso é a fabricante automóvel de origem sul-coreana, KIA, que nomeou Nadal embaixador mundial em 2006 e com quem o espanhol tinha, inicialmente, um contrato até 2025. Durante este período, o preço das ações da Kia também registou uma subida vertiginosa, valorizando-se em mais de 400%. Mais recentemente, Nadal renovou ainda os seus compromissos com várias das maiores empresas espanholas, como é o caso do banco Santander e da Telefónica.

 

O adeus do tenista ao público, na Copa Davis, em Málaga, o seu último torneio. Fonte: Instagram Rafael Nadal

 

O futuro financeiro de Nadal

Rafael Nadal e o grupo hoteleiro Meliá assinaram uma aliança em que acordaram abrir novos hotéis em conjunto. A lenda espanhola também está a investir no setor imobiliário. Inclusivamente, criou uma empresa imobiliária, chamada Palya Invest, com a qual planeia investir mais de 200 milhões de euros na construção de casas de luxo na Costa del Sol.

Nos últimos anos, Nadal tem também estado intimamente ligado ao setor hoteleiro, que é fundamental para a sua carteira de investimentos. É coproprietário da Tatel, uma cadeia de restaurantes de luxo com filiais em Madrid, Ibiza, Miami e Beverly Hills. Por último, existe a Academia Rafa Nadal, um centro educativo e desportivo de renome mundial, inaugurado em 2016.

Rafael Nadal manteve-se no top 10 do ténis mais de 900 semanas consecutivas, disputando no total de 1308 partidas ao longo do percurso desportivo. Canhoto por opção, é destro no dia-a-dia. Lutador nato, homem de família, foi sempre um exemplo de cavalheirismo no court. Nunca partiu uma raquete ao longo de duas décadas.

Além disso, também é craque fora dos campos. Nadal ajudou a população maiorquina aquando das cheias de 2018, tendo sido mais um a limpar lama das ruas. Na despedida emocionada, considerou-se «um sortudo» por ter conseguido perseguir os sonhos. Demonstração clara da humildade de uma lenda que vai deixar saudades.

 

Imagem destaque: Instagram Rafael Nadal

Arquivado em:Desporto, Economia, Notícias

Seis em 10 colaboradores em Portugal sentem-se confiantes no futuro da sua empresa

25 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

Mais de seis em cada dez colaboradores em Portugal sentem-se motivados no trabalho e confiantes no futuro.  Também acreditam ter as ferramentas certas para realizarem o trabalho. Já em comparação com a realidade europeia, os portugueses apontam a necessidade de melhorias na eficácia com que o trabalho é organizado. Acrescenta-se ainda terem mais incertezas sobre as decisões da direção e a eficácia na gestão das empresas.

São metade (50%) os portugueses que olham para a empresa como uma organização bem gerida e corretamente administrada, valor abaixo dos 54% dos congéneres europeus. Quando questionados se a liderança se esforça por obter contributos, ideias e opiniões dos colaboradores, 51% dos inquiridos nacionais concordam com essa afirmação, perante 54% dos europeus.

Mais de metade (61%) dos inquiridos em Portugal considera que os líderes promovem a comunicação de informações importantes, mesmo que se trate de más notícias. E sobre o futuro, os colaboradores portugueses revelam-se confiantes (78%) e em linha com o valor registado na Europa (76%).

O estudo “Norms Insights 2024” apresenta um conjunto de resultados sobre dinâmicas laborais. Foram ouvidas 956 empresas e 8,4 milhões de colaboradores, sendo apresentada uma análise comparativa das perceções dos colaboradores portugueses face aos europeus em vários subtemas: cultura e liderança; confiança no futuro, relação com as chefias;  cooperação; remuneração e benefícios; diversidade e inclusão e bem-estar dos colaboradores, eficiência operacional; são algumas delas.

Analisando o tópico da eficiência operacional, 69% dos colaboradores portugueses dizem sentir que dispõem das ferramentas e recursos adequados para fazer o seu trabalho corretamente (69% na Europa). Embora apenas
51% dos inquiridos em Portugal considere o trabalho bem organizado no seu local de trabalho (53% na Europa).

 

Apenas 31% dos portugueses considera ser remunerado de forma justa

Quanto à remuneração e benefícios, os colaboradores nacionais são mais favoráveis à remuneração por desempenho (43%) e ao seu pacote de benefícios (68%) do que os seus colegas europeus (41% e 64%, respetivamente). Apesar disso, existe uma grande diferença em termos de remuneração justa: apenas 31% dos portugueses considera que é remunerado de forma justa, face aos 49% de congéneres europeus.

Na relação com as chefias, os portugueses são ligeiramente menos positivos em relação aos seus gestores do que os outros europeus. 71% dos inquiridos em Portugal indica que o seu líder direto dá feedback que ajuda a melhorar o desempenho (72% na Europa). Valor que desce para 68% quando se trata de avaliar se tem apoio no seu desenvolvimento profissional (70% na Europa). Nota para o facto de 73% dos inquiridos nacionais indicarem que podem exprimir as suas ideias e opiniões sem receio de consequências negativas, valor acima do registado na Europa (67%).

Os portugueses têm opiniões diferentes entre a cooperação na empresa (74%) e a sinergia entre diferentes departamentos (50%), e estão ambas abaixo das pontuações da Europa (77% e 55%). Por sua vez, os colaboradores nacionais sentem-se mais capacitados (75%) do que os seus colegas europeus (72%). .

No que diz respeito ao desenvolvimento da carreira, em comparação com a Europa (77%), os colaboradores em Portugal são mais negativos (72%) quanto à utilização das suas competências e potencialidades profissionais.  Mesmo assim estão mais satisfeitos com os seus percursos (56% face a 52% na Europa) e objetivos de carreira (60% face a 58% da Europa).

 

Portugal está abaixo da norma europeia no que respeita a tratar as pessoas de forma justa

No que concerne à Diversidade, Equidade e Inclusão, Portugal está abaixo da norma europeia no que respeita a tratar as pessoas de forma justa (76% face a 80% na Europa). No que toca a proporcionar um local de trabalho sem discriminação  também cede para a Europa (76% face a 83%).

Na componente de bem-estar dos colaboradores, Portugal está ligeiramente acima da Europa em termos de equilíbrio trabalho/vida pessoal (67% face a 66% na Europa) e carga de trabalho (64% face a 62% na Europa). Está, no entanto, ligeiramente abaixo em termos de stress no trabalho (69% face a 71% na Europa) e de preocupação da empresa com o bem-estar dos seus colaboradores (54% face a 56% na Europa).

 

Arquivado em:Corporate, Gestão de Pessoas, Notícias, Trabalho

Ausências, impasse ecológico e cabeças de dinossauro: eis o que se passou na Cop29

22 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

A COP29 começou com ambiente de desconfiança. Os principais líderes mundiais, dos países que mais poluem, não quiseram viajar até Baku, Azerbaijão, onde termina hoje a 29ª cimeira pelo clima das Nações Unidas. A ausência de Joe Biden, Vladimir Putin, Xi Jinping ou até mesmo de Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, não foi indiferente e o resultado está à vista. Discórdias e impasse ecológico, enquanto o planeta precisa de respostas e  soluções.

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, não teve quaisquer dúvidas em afirmar, logo na primeira semana do evento, que os «ricos causam o problema e os pobres pagam o preço mais alto». Basta relembrar a Cop27 que destacou o Chade, a Somália e a Síria como os países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Nesse sentido, a atribuição de um montante para defender estes e outros territórios da destruição ambiental continua sem acordo. 

Adonia Ayebare, representante do Uganda e que preside o grupo G77 + China, formado por países em desenvolvimento, disse à agência de informação Reuters existir um sentimento de «frustração». A expetativa era que as nações ricas fornecessem 1,2 milhão de milhões de euros por ano, até 2030, em financiamento público para o clima. Porém, rumores do que se tem passado nos bastidores da cimeira, avançados pela Reuters, apontam que a União Europeia tem em mente uma proposta mais baixa, entre 190 e 280 biliões de euros.

Números informais e que já foram desmentidos pela instituição. Ainda de acordo com a Reuters, o comissário climático da UE, Wopke Hoekstra, justifica que o bloco não está disposto a falar sobre o valor até que tenha mais detalhes estruturais, comparando o momento a um «cesto de compras com um preço sem se saber o que está lá dentro». 

 

Cabeças de dinossauro para quem não tem ambições ecológicas 

A passividade dos encontros também foi posta em xeque pelas organizações ambientalistas. Ainda sem um valor para o “Novo Objetivo Coletivo Quantificado” (NCQG), nome dado ao documento que será a bússola da transição ecológica, os ativistas presentes na conferência das Nações Unidas atribuíram esta quarta-feira à UE o “fóssil do dia”, um prémio satírico que censura o desempenho europeu. Os ambientalistas, agrupados na “Climate Action Network” (CAN, uma rede internacional que junta quase 2.000 organizações), atribuem os “galardões” em cada cimeira climática da ONU. Com os “fósseis do dia”, que têm a forma de uma cabeça de dinossauro, visam os países ou entidades que, na sua opinião, não estão a mostrar ambição nas negociações da transição climática. 

Apesar das incertezas, Wopke Hoekstra convergiu com os ambientalistas sobre alguns assuntos. Em conferência de imprensa, considerou, na quarta-feira, o projeto de acordo final «inaceitável» e «insuficientemente ambicioso em matéria de redução dos gases com efeito de estufa», muito devido à oposição dos países produtores de petróleo. Destaque para a presença recorde de pelo menos 1.773 representantes do lobby e indústria petrolífera nesta cimeira.  

 

Apesar das divisões, já há acordos com olhos no futuro 

Centrais a carvão – Mesmo numa senda de divisões e discórdias, há acordos com olhos no futuro. Sobre o carvão, 25 países, a maioria deles ricos, comprometeram-se, nesta quarta-feira, a não inaugurar mais centrais a carvão sem sistemas de captura de CO2. O Reino Unido, que acaba de fechar a sua última central a carvão, Canadá, França, Alemanha e Austrália, um grande produtor de carvão, assinaram esse apelo voluntário durante a conferência da ONU sobre o clima em Baku. China, Índia e Estados Unidos não apoiaram a iniciativa.   

Combustíveis Fósseis – Também houve progressos sobre a eliminação dos combustíveis fósseis. Reino Unido, Colômbia e Nova Zelândia anunciaram a adesão à Coalizão Internacional para a Eliminação Gradual de Incentivos aos Combustíveis Fósseis (COFFIS). A iniciativa, lançada em 2021 durante a COP26 de Glasgow, passa a contar com 16 membros que se comprometem a ir para a próxima COP30 no Brasil com um plano nacional para eliminar gradualmente os subsídios neste setor. 

Emissões de metano – A cimeira da ONU sobre o clima promoveu uma declaração para inverter as emissões de metano provenientes dos resíduos orgânicos, responsáveis por cerca de 20% das emissões do gás. De acordo com a Avaliação Global do Metano do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), para conter o aquecimento global em 1,5°C, o mundo deve reduzir as emissões de metano da indústria de resíduos em entre 30% e 35% até 2030 e em cerca de 55% até 2050.  

Energia Nuclear – Apesar de ser um tema tabu, a energia nuclear começa a ganhar força nas alternativas energéticas. O movimento começou já na conferência climática do ano passado, nos Emirados Árabes Unidos, quando 22 países prometeram, pela primeira vez, triplicar o uso mundial de energia nuclear até a metade do século para ajudar a conter o aquecimento global. Na cúpula deste ano, no Azerbaijão, mais seis países assinaram o compromisso. 

Oceanos – Com o aumento das temperaturas dos oceanos, também estes ganharam protagonismo ao longo da cimeira. A degradação da biodiversidade muito se deve a este flagelo. As funções dos oceanos são determinantes para o bom funcionamento do planeta, dando equilíbrio e vida aos ecossistemas. Está agora em marcha um plano de financiamento para preservar e assegurar áreas marinhas, por exemplo como os Açores. No próximo ano a cimeira da ONU sobre o Oceano terá lugar no mês de junho, em Nice, França. 

Informação – A Iniciativa Global para Integridade da Informação sobre Mudanças do Clima também foi assunto de discussão. Este grupo de trabalho quer mais força no combate à desinformação sobre as alterações climáticas. O Relatório Riscos Globais de 2024, do Fórum Económico Mundial e publicado em janeiro, colocou os eventos climáticos extremos no topo da lista dos 10 principais riscos que as populações globais enfrentarão ao longo da década. Já no curto prazo, a desinformação é apontada como o fator de maior perigo para as economias. 

 

Em discurso nesta quinta-feira, em Baku, António Guterres disse que o “fracasso não é uma opção”, alertando que o resultado da falta de ação poderá ser catastrófico.

Arquivado em:Clima, Notícias, Política, Sustentabilidade

Ativos de pensões em Portugal atingiram os 41,7 mil milhões de euros

20 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

Os ativos de pensões em Portugal, em 2022, atingiram os 41,7 mil milhões de euros. Este valor representa apenas 0,8% do total global e menos de 3% do total cumulativo dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). Numa era em que a esperança média de vida não para de aumentar, algumas estratégias, se aplicadas, podem ajudar a melhorar a vida dos reformados portugueses.  

A conclusão vem do relatório da Oliver Wyman e da Morgan Stanley, “Longevidade Desbloqueada: Reformar-se na Era do Envelhecimento”. O documento destaca os desafios e oportunidades galvanizados pelo envelhecimento da população global e pela crescente responsabilidade individual na gestão da reforma. O estudo pode ser uma bússola para gestores de património e de ativos, até porque a literacia financeira da população mais envelhecida em Portugal está aquém das suas potencialidades. 

Para dar resposta às dificuldades encontradas por esta faixa etária, os gestores de património e de ativos devem, portanto, oferecer soluções mais integradas e contundentes. Se o planeamento financeiro for bem estruturado é capaz de gerar receitas significativas. De acordo com o estudo, poderão ser alcançados mais de 400 mil milhões de dólares em receitas adicionais até 2028. Isto se for aproveitado o potencial aumento da esperança média de vida e respetivo planeamento financeiro na reforma. 

O caminho é feito com estratégias que impulsionam o setor

No caso de Portugal, o relatório desvenda várias estratégias para impulsionar o setor. Através de produtos integrados criam-se soluções que combinam acumulação, desacumulação e características de proteção adaptadas à realidade dos reformados. O acesso ao aconselhamento financeiro não é menos importante. Esta premissa ajuda a ampliar a oferta de produtos financeiros, incluindo opções de mercados privados e seguros, bem como ajustar os modelos de prestação de serviços para atrair novos segmentos. Por último, destaca-se a utilização da inteligência artificial capaz de desenvolver soluções personalizadas às necessidades da população envelhecida. 

Para 2025, o governo já preparou uma subida de 30 euros nas pensões de alguns idosos. Contudo, o valor exato do aumento das pensões em 2025 só se saberá depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgar a inflação média anual até novembro.  Mas tendo em conta as previsões do Banco de Portugal para a inflação em 2024 (2,3%) e para o crescimento do PIB em 2023 (2,3%) e 2024 (1,6%), a generalidade dos pensionistas e reformados terá um aumento inferior a 3%. 

Em suma, o relatório Longevidade Desbloqueada: Reformar-se na Era do Envelhecimento” evidencia a importância de Portugal apostar numa maior inovação e integração no setor financeiro. Enfrentar as mudanças demográficas e corresponder às expectativas de um público que trabalhou a vida toda, pode ser o caminho para encontrar estabilidade durante a reforma. 

 

 

Arquivado em:Economia, Notícias, Responsabilidade Social, Sociedade

Viagens de empresas mais caras por falta de articulação entre fornecedores e tecnologia

19 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

A crescente procura por políticas sustentáveis, as disputas geopolíticas e a falta de integração entre plataformas tecnológicas estão a fazer subir os preços das viagens de negócios. Para piorar o cenário, a grande variedade de canais de distribuição também produz maior fragmentação no setor. Existem, por isso, soluções no mercado que ajudam os clientes a otimizar tempo e recursos. 

O relatório Navigating Fragmentation in Corporate Travel, da Business Travel Association (BTA), sublinha a importância de reforçar parcerias para agilizar as experiências dos passageiros. No fundo, para enfrentar os desafios da fragmentação, as Travel Management Company (TMC) têm de melhorar a relação e integração com as plataformas tecnológicas, ou seja, os seus fornecedores. Por exemplo, a adoção desigual da norma New Distribution Capability (NDC) pelas companhias aéreas tem dificultado a comparação de tarifas assim como a disponibilidade de conteúdos. 

Entre outras causas, a sustentabilidade contribui para o aumento da fragmentação. À medida que cresce a procura de viagens mais responsáveis a nível ambiental, as empresas procuram reduzir a sua pegada de carbono e nem sempre dão conta de como fazê-lo. Do mesmo modo, os fatores geopolíticos e regulamentares condicionam a experiência. Podem afetar rotas, preços dos combustíveis e dos bilhetes.

Consequentemente, para as empresas, a gestão dos custos, o acompanhamento dos viajantes e o cumprimento das políticas de viagem tornam-se mais complexos sem uma ferramenta especializada para essa gestão. 

Estando o setor das viagens em permanente transformação, tornou-se essencial conectar a indústria de viagens com os seus clientes, simplificando processos e tornando as viagens menos dispendiosas.  

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade, Tecnologia

Capital natural da Terra é luz verde para investidores

18 Novembro, 2024 by Marcelo Teixeira

A extração global de matérias-primas triplicou desde a década de 1970 e o consumo e desperdício de água aumentou 70% nos últimos 50 anos. No caminho que a humanidade tece, a natureza é afetada 1,7 vezes mais rápido do que a sua biocapacidade em se regenerar.  Adicionalmente, por perdas económicas relacionadas com o clima, em 2022, cada português teve um abalo de quase 75 euros na carteira.

No fundo, andamos a dizimar os ativos naturais, como a água, os oceanos, o solo ou o ar, afetando a biodiversidade envolvente e a vida de todos. Apesar da crise, existem modelos de negócio a promover o capital natural para tentar mudar o rumo dos acontecimentos. São, também, cada vez mais frequentes as cimeiras das Nações Unidas (COP’s), como a que está a decorrer, em Baku, no Azerbaijão.

 

O que está a ser feito para contrariar este rumo? 

Um estudo da universidade de Cambridge, protagonizado em 2021 por Sir Partha Dasgupta, estima que o capital natural na Terra tenha diminuído uns impressionantes 40% per capita nos últimos 35 anos. Para combater o fenómeno, foi criada a Rede para a Ecologização do Sistema Financeiro (NGFS), composta por 125 bancos centrais e supervisores financeiros, com o objetivo de desenhar diretivas para investimentos em áreas que se relacionem com a natureza. Desenham-se modelos económicos que servem para otimizar recursos de provisionamento e diminuir impactes ecológicos.

Estão assentes em critérios e estratégias que enumeram riscos e soluções para empresas e organizações que necessitem destes serviços. No guião Natural Capital & Biodiversity, elaborado pela Schroders, são elencados e categorizados os aspetos a ter em conta. Entre eles destacam-se a dinâmica dos mercados; fluxo de capital e financiamento; eficiência de recursos; produtos e serviços; e capital de reputação. 

Após o Acordo de Paris, consumado em 2015, a reação democratizou-se. Dos encontros, o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF) apresentou 23 objetivos para uma recuperação total da natureza até 2030 e recrudescimento até 2050. As recomendações finais do Grupo de Trabalho sobre Divulgações Financeiras Relacionadas com a Natureza (TNFD) oferecem respostas ao panorama atual e também trazem oportunidades. A informação é caraterizada por métricas, estratégias, avaliação de modos de governança e risco e impacte ambiental. 

O relatório da Schroders identifica que o valor anual estimado dos serviços ecossistémicos ronda os 125 biliões de dólares, sendo os pagamentos reais 40 vezes menores. Há uma clara noção de falta de investimento e consequente degradação e esgotamento dos recursos naturais. Além disso, há impactes visíveis na vida de todos. Por perdas económicas relacionadas com o clima, só em 2022, cada português teve um abalo de quase 75 euros na carteira, pode ler-se num estudo publicado no Pordata.

Leia aqui na íntegra o relatório Natural Capital & Biodiversity

Foto: Pixabay

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