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Marcelo Teixeira

Perspetivas para o Private Equity: três alavancas para navegar a incerteza

26 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

A incerteza e a volatilidade continuam a marcar a macroeconomia e os mercados globais. Após mais de três anos de abrandamento no fundraising, na atividade de novos negócios e nas saídas, as avaliações em private equity, para o 3.º trimestre de 2025, apresentam-se mais atrativas — tanto em termos absolutos como relativos. Para os investidores, o momento abre espaço a oportunidades capazes de reforçar resiliência e retorno.

No atual enquadramento de mercado, algumas estratégias oferecem perfis de risco e retorno mais favoráveis. Três vetores assumem particular relevância: crescimento transformador, empresas de base local e inovação multipolar — entendida como a emergência de polos tecnológicos em várias geografias.

Este artigo parte de uma análise da Schroders.

Seletividade como condição

As mudanças na política norte-americana desde o início do ano, a preocupação com a sustentabilidade da dívida pública e a continuação ou agravamento de conflitos no Médio Oriente e na Europa de Leste têm provocado instabilidade acentuada nos mercados acionistas e obrigacionistas.

Perante este contexto, o private equity volta a demonstrar o seu valor como instrumento de diversificação. Historicamente, a classe de ativos ofereceu proteção relativa em períodos de volatilidade dos mercados públicos e registou desempenhos superiores durante ciclos de retração.

Ainda assim, a seletividade torna-se determinante. Identificamos hoje oportunidades mais atrativas em estratégias que combinem:

  • equilíbrio entre procura e oferta de capital, permitindo avaliações de entrada favoráveis;
  • empresas com receitas predominantemente domésticas, mais protegidas de riscos geopolíticos e comerciais;
  • prémios de risco associados à complexidade, inovação e transformação;
  • menor alavancagem, garantindo proteção em cenários adversos;
  • baixa correlação com mercados cotados.

Três alavancas para atravessar a turbulência

Num ambiente marcado por menor atividade de investimento, saídas mais lentas e captação de fundos condicionada, os investidores podem concentrar-se em três eixos complementares:

  1. Campeões locais — apoiar empresas com receitas maioritariamente internas, menos expostas a tarifas e choques nas cadeias de abastecimento.
  2. Crescimento transformador — apostar em negócios com capacidade de gerar valor através da inovação ou da complexidade operacional, criando prémios adicionais de retorno.
  3. Inovação multipolar — investir em diferentes polos tecnológicos (EUA, Europa, China, Índia, Ásia-Pacífico), reduzindo riscos de concentração e captando crescimento onde ele surge.

O papel dos small e mid buyouts

Os small e mid-sized buyouts permanecem um dos motores de resiliência do private equity. Estes negócios oferecem múltiplos de entrada mais baixos (cerca de 7,7x EV/EBITDA, menos 40% do que os grandes negócios) e recorrem a níveis modestos de alavancagem. O seu perfil defensivo reforça-se pela maior exposição a setores de serviços e a receitas domésticas, o que mitiga choques comerciais.

As saídas também revelam menor dependência dos mercados bolsistas, privilegiando vendas estratégicas ou secundárias, o que suaviza o calendário de liquidez.

Continuation funds: prolongar a criação de valor

As transformações empresariais mais complexas exigem, por vezes, horizontes superiores ao período tradicional de quatro a cinco anos. Os continuation funds permitem aos investidores manterem-se expostos ao mesmo gestor e ao mesmo ativo, prolongando o plano de criação de valor e oferecendo maior previsibilidade.

Este segmento tem crescido a ritmo composto de 27% ao ano desde 2013, refletindo o interesse em prolongar histórias de investimento e acelerar o retorno de capital — em média, 18 meses mais cedo do que num buyout convencional.

Venture capital em fase inicial: captar a inovação multipolar

O venture capital em fase inicial representa uma porta de entrada privilegiada para a inovação global. Atualmente, pelo menos cinco polos concentram investigação de ponta e formação de novas empresas: EUA, Europa, China, Índia e Ásia-Pacífico.

Embora os EUA mantenham liderança, cerca de 45% dos unicórnios já surgem fora do país. Cada região evidencia especializações distintas — software empresarial nos EUA, fintech na Europa, consumo na China.

Em 2024, a inteligência artificial captou 15% do financiamento global em venture, mas outras áreas emergem com igual potencial: biotecnologia, fintech, tecnologias climáticas e deep tech. Destaca-se a biotecnologia, que após anos de aversão ao risco apresenta hoje avaliações mais acessíveis.

 

Conclusão

Num cenário de volatilidade prolongada, o private equity mantém a capacidade de oferecer retorno ajustado ao risco, desde que ancorado em estratégias seletivas e diversificadas. O foco em campeões locais, crescimento transformador e inovação multipolar constitui, em 2025, a tríade essencial para desbloquear valor e resiliência.

Arquivado em:Corporate, Economia, Notícias

Saiba como identificar ofertas de emprego falsas e ciberfraudes

26 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

As falsas ofertas de emprego estão a ganhar terreno no espaço digital, explorando sobretudo a popularidade de aplicações de mensagens instantâneas como o WhatsApp. O esquema, em expansão em Portugal e noutros países, ameaça tanto os candidatos em busca de novas oportunidades como as empresas, cujos nomes são frequentemente usados de forma abusiva.

O mecanismo é simples: alguém faz-se passar por uma empresa ou recrutador credível, envia mensagens diretas a candidatos e apresenta propostas de emprego que parecem legítimas. Seguem-se links de origem duvidosa, pedidos de dados pessoais ou exigência de pagamentos para assegurar uma vaga. O tom informal das mensagens facilita a aproximação e torna mais difícil perceber a fraude.

«À medida que o recrutamento se torna mais digital, também aumentam os riscos associados à ciberfraude. A proteção dos candidatos começa na informação clara e na capacitação digital», sublinha Alexandra Andrade, responsável da Adecco em Portugal. «É fundamental que empresas e profissionais estejam atentos — e preparados para reagir rapidamente.»

Perante um mercado de trabalho cada vez mais pressionado, reforçar a literacia digital é uma das principais defesas. Especialistas em recursos humanos recomendam a adoção de boas práticas para reduzir o risco de ser alvo destes esquemas:

  • Verifique a origem da oferta — Desconfie de contatos feitos apenas por WhatsApp. Prefira sempre emails institucionais e websites oficiais.
  • Não partilhe dados pessoais — Evite fornecer informações sensíveis em plataformas de mensagens.
  • Nunca pague para garantir uma vaga — Processos de recrutamento legítimos não envolvem qualquer custo.
  • Denuncie e bloqueie — Se receber mensagens suspeitas, reporte à plataforma e bloqueie o número.
  • Conheça o processo da empresa — Informar-se sobre os canais habituais de comunicação pode ajudar a identificar tentativas de fraude.
  • Invista em formação em cibersegurança — A sensibilização de candidatos e equipas continua a ser uma barreira eficaz.

Num cenário em que o emprego se cruza cada vez mais com a tecnologia, a segurança digital tornou-se parte essencial do próprio processo de recrutamento. O alerta é claro: a confiança no mercado de trabalho só se constrói quando empresas e candidatos caminham lado a lado, atentos às novas formas de fraude.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Obedeço, será que existo?

25 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

Penso, logo existo, escreveu Descartes, confiando no pensamento como prova última da existência. Hoje, parece que a equação se inverteu. O que legitima já não é a consciência, mas a obediência. Já não é o pensar, mas o funcionar. O existir passou a ser medido pela capacidade de cumprir, de alinhar, de corresponder ao esperado, sem erros, sem atrito, sem demora.

Há qualquer coisa de profundamente inquietante quando passamos a existir apenas enquanto cumprimos. Quando o gesto é exacto, mas vazio. Quando a obediência toma o lugar da consciência. Quando cumprir se torna mais importante do que compreender. Quando nos habituamos à fluidez dos dias sem perguntas, e deixamos que a normalidade nos desfigure sem darmos por isso.

Platão falava da caverna, onde se confundem sombras com verdade. Kant dizia que há um mundo para lá do que podemos conhecer, onde habita aquilo que nenhuma razão pode tocar. Ambos reconheciam um limite, esse ponto onde o humano se afirma não pelo controlo, mas pela consciência do que lhe escapa. Um lugar onde o erro tem valor. Onde a dúvida é condição de liberdade. Onde o que não serve é, tantas vezes, o que salva.

Hoje, esse limite não desapareceu. Apenas mudou de forma. Chama-se agora algoritmo. Um sistema que responde, calcula, antecipa. Que nos conhece melhor do que nós próprios ou, pelo menos, assim se diz. Um sistema que obedece com perfeição. E que, aos poucos, se torna modelo do que esperamos de nós: precisão, velocidade, previsibilidade. Tudo limpo. Tudo certo. Tudo funcional. Tudo controlado até à última variável.

A máquina não hesita. Executa. Sem angústia. Sem contradição. Sem demora. Nós, cada vez mais, fazemos o mesmo. Agimos por reflexo. Tomamos decisões por automatismo. Reagimos segundo o que é suposto. E chamamos a isso inteligência, eficiência, adaptação. Mas talvez seja apenas o fim do humano como espaço de liberdade.

Porque existir não é só fazer. É escolher. É resistir. É errar. É amar sem lógica. Perdoar sem cálculo. Parar sem justificação. Nenhuma máquina faz isso. Nenhuma IA contempla o silêncio. Nenhuma sente o peso de uma ausência, o impacto de um olhar, o mistério de um gesto gratuito. Nenhuma se espanta com a beleza ou vacila perante o abismo. Nenhuma se lembra. Nenhuma se comove. Nenhuma vive.

Obedecer não é existir. É funcionar. E, no entanto, é essa funcionalidade que hoje se valoriza. O útil tornou-se critério de valor. O resto, a alma, a dúvida, o espanto, foi empurrado para os bastidores. Para o silêncio dos que ainda ousam perguntar.

Kant dizia que o ser humano é um fim em si mesmo. Que a dignidade reside na liberdade interior, não na conformidade exterior. Mas hoje, nesse desejo de sermos sempre performativos, disponíveis, alinhados, vamos abdicando do que nos torna únicos.

Penso, logo existo foi a afirmação radical de uma humanidade desperta. Mas agora que obedecemos sem pensar, que nos moldamos sem consciência, é legítimo perguntar: será que ainda existo?

Arquivado em:Opinião

Organizações sensíveis: a nova vantagem competitiva na era da inteligência artificial

25 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

Na corrida pela inteligência artificial (IA), a verdadeira vantagem não está apenas em automatizar tarefas ou acelerar produção. Está em desenvolver ‘organizações sensíveis’ — empresas capazes de sentir o que os clientes realmente precisam e responder com clareza e relevância.

O conceito parte de uma inversão de prioridades. Durante décadas, o mercado operou segundo uma lógica de escala, publicidade em massa e métricas de curto prazo. Hoje, isso já não chega. O excesso de conteúdo e a fragmentação da atenção exigem algo mais raro: empatia organizacional.

«A sensibilidade não é reação, é capacidade de resposta», escreve Martin Adams, cofundador da Metaphysic, num ensaio publicado pelo Fórum Económico Mundial.

Tal como na biologia, onde a sobrevivência depende de captar sinais do ambiente e agir em conformidade, no mundo empresarial a sensibilidade torna-se a chave para a relevância cultural.

Da intenção ao interesse

O erro comum das empresas está em depender apenas de dados de ‘intenção’ — carrinhos abandonados, pesquisas ou cliques. Esses sinais captam apenas o fim da jornada de decisão. O que realmente importa é o que antecede: os dados de interesse. O que as pessoas leem, que comunidades seguem, que valores partilham. É aí que a IA pode revelar motivações invisíveis às métricas tradicionais.

Exemplos recentes provam o ponto:

  • NYX (L’Oréal) identificou, através de IA, subculturas ligadas ao gótico e ao cosplay. Em parceria com a Netflix e The Chilling Adventures of Sabrina, lançou uma linha de maquilhagem que esgotou em 24 horas — sem um euro em publicidade paga.
  • LEGO utiliza IA para monitorizar fóruns de fãs e influenciadores, antecipando tendências de nicho e lançando produtos modulares que dialogam com microcomunidades globais.

Alinhar dentro para agir fora

A sensibilidade não é apenas externa. Organizações que sabem escutar o mercado precisam também de consenso interno. É aqui que a IA generativa assume um papel inesperado: acelerar alinhamento. Prototipar campanhas, gerar moodboards ou simular cenários em tempo real distribui criatividade e quebra hierarquias de decisão. O resultado: respostas mais rápidas, mas sobretudo mais coesas.

O novo manual estratégico

No lugar da obsessão por ‘alcance’, a métrica central passa a ser ressonância. O desafio é deixar de apenas produzir conteúdo ou recolher dados, e começar a ouvir profundamente para depois responder com precisão, confiança e impacto emocional.

As empresas vencedoras não serão as mais rápidas nem as maiores, mas as mais sensíveis: aquelas que descobrem comunidades mal servidas, alinham equipas em torno de insights partilhados e oferecem experiências que refletem aquilo que as pessoas realmente valorizam.

Na era da IA, sensibilidade deixou de ser fraqueza. Tornou-se superpoder.

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Concentração em risco? Adecco alerta para novo desafio do trabalho híbrido

25 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

A capacidade de concentração dos trabalhadores está a diminuir de forma preocupante, sobretudo em contextos de trabalho remoto e híbrido. A conclusão resulta de vários estudos internacionais e é agora sublinhada pela Adecco Portugal, que identifica na quebra de foco um dos maiores riscos para a produtividade e para o bem-estar das equipas.

Reuniões virtuais sucessivas, notificações constantes e a tendência para o multitasking estão a fragmentar o tempo de trabalho, reduzindo a atenção sustentada e aumentando o cansaço mental. «A quebra de concentração não é um problema individual, é uma questão estrutural da nova realidade laboral. A atenção plena é hoje um ativo escasso, mas absolutamente crítico para a produtividade e a saúde organizacional», afirma Vânia Borges, diretora de Recursos Humanos da Adecco Portugal.

De acordo com a análise da empresa, os profissionais em teletrabalho reportam níveis mais elevados de distração e dificuldade em lidar com tarefas complexas. O fenómeno tem implicações não apenas no desempenho, mas também na saúde mental e na capacidade de inovação das equipas.

Para mitigar o problema, a Adecco recomenda a adoção de estratégias pessoais e organizacionais de gestão do foco. Entre as práticas sugeridas destacam-se:

  • Trabalhar em blocos de tempo definidos, como na técnica Pomodoro, para evitar fadiga prolongada;
  • Reduzir distrações digitais, desativando notificações e mantendo o espaço de trabalho limpo;
  • Estabelecer rituais de início e fim do dia, criando fronteiras claras entre casa e trabalho;
  • Fazer pausas regulares e intencionais, essenciais para restaurar a energia mental;
  • Valorizar momentos de colaboração de qualidade, em reuniões mais curtas, focadas e com propósito definido.

A tendência não é exclusiva do mercado português. Diversas investigações apontam para um tempo médio de concentração contínua de cerca de 25 minutos, frequentemente interrompido por hábitos autoinduzidos, como a consulta de emails ou redes sociais.

Num ambiente laboral em que a produtividade depende cada vez mais da capacidade de manter a atenção, a gestão da concentração surge como um novo campo de batalha para empresas e trabalhadores.

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Segurança dos CEOs torna-se um dos maiores custos de Wall Street

22 Agosto, 2025 by Marcelo Teixeira

Na manhã gelada de dezembro em Manhattan, Brian Thompson, presidente executivo da UnitedHealthcare, foi morto a tiro no coração da cidade financeira mais vigiada do mundo. O assassinato, inicialmente descrito como um ‘cisne negro’, revelou-se antes um sinal dos tempos. Em menos de um ano, outros altos responsáveis corporativos viriam a ser alvo de ataques, e a sensação de vulnerabilidade deixou de ser exceção para se tornar rotina.

Também o homicídio de Wesley LePatner, executiva da Blackstone, em julho, veio acirrar a preocupação. Dois casos em poucos meses que vieram confirmar um cenário que os especialistas descrevem como inevitável: a escalada da violência dirigida a líderes empresariais.

Segundo dados da consultora Equilar, a despesa mediana com segurança pessoal de executivos das 500 maiores empresas cotadas nos Estados Unidos cresceu 16% em 2024, atingindo um recorde de 106.530 dólares anuais por dirigente. Os números incluem vigilância residencial, guardas privados, cibersegurança e serviços mais sofisticados, como transporte aéreo exclusivo. Entre CEOs, o valor mediano dos chamados ‘perks’ de segurança quase duplicou desde 2020, de 40 mil para 78 mil dólares.

«Os riscos dispararam desde a pandemia, com as redes sociais a amplificarem ameaças e agora com a inteligência artificial a facilitar ataques digitais e tentativas de intrusão», alerta Ben Joelson, especialista em segurança corporativa do Chertoff Group.

Da porta de casa ao helicóptero

O reforço vai muito além de alarmes e vigilância discreta. Em Nova Iorque e em Silicon Valley, multiplicam-se os esquemas que envolvem equipas de batedores, carros blindados e, em alguns casos, helicópteros para evitar trajetos previsíveis e minimizar riscos de emboscada.

Empresas de segurança privada oferecem pacotes que incluem análises de risco permanentes, rotas alternativas para deslocações urbanas, treino de familiares e até escoltas armadas em jatos executivos. «Hoje, muitas multinacionais organizam verdadeiras operações militares para garantir que o CEO chega em segurança de casa para o escritório», explica Glen Kucera, presidente da Allied Universal.

O exemplo brasileiro

No Brasil, onde o sequestro e a violência urbana sempre foram ameaças concretas, os executivos de grandes grupos já circulam com este tipo de aparato há anos. São comuns os comboios de SUVs blindadas com motoristas treinados, escoltas armadas em motociclos e até o uso de helicópteros privados em cidades como São Paulo, onde o trânsito denso também se torna um fator de risco.

Empresas como Itaú, Vale e Petrobras contratam serviços que combinam tecnologia de rastreamento, monitorização em tempo real e logística aérea. Só na capital paulista, o transporte executivo por helicóptero tornou-se uma indústria milionária — com heliportos instalados em edifícios corporativos e uma malha aérea privada que rivaliza com a de Nova Iorque.

Tendência global

Especialistas dizem que o movimento é imparável. A instabilidade geopolítica, os ataques cibernéticos e o escrutínio público sem precedentes sobre quem ocupa cargos de topo tornam os executivos alvos cada vez mais vulneráveis.

«A aceitação social da violência como resposta a frustrações ou desigualdades está a crescer. Isso mudou o cálculo das empresas: já não se trata de luxo ou privilégio, mas de mitigação de risco», resume Matthew Dumpert, da consultora Kroll.

A tendência, antes vista como um exagero do mundo financeiro norte-americano ou uma necessidade típica do Brasil, está a espalhar-se pela Europa. Grandes grupos industriais e tecnológicos, pressionados por acionistas e pela opinião pública, começam a investir em planos de segurança para os seus líderes.

Num mundo onde a visibilidade pode ser ameaça, a proteção dos executivos tornou-se um negócio em plena expansão — e, para muitos, a única forma de garantir que as decisões de topo não são interrompidas por uma bala ou por um sequestro.

Este artigo é uma extensão de outro da Reuters.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

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