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Marcelo Teixeira

ACEGE pede consenso político na revisão do Código do Trabalho e alerta para risco de instabilidade legislativa

11 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A posição surge num momento em que o Governo discute uma nova proposta de revisão da legislação laboral, após a rutura das negociações em sede de Concertação Social. Para a ACEGE, é fundamental que o diálogo entre Executivo e parceiros sociais seja retomado com rapidez e «verdadeiro sentido de Estado», evitando que a discussão se transforme numa disputa política sem foco nas necessidades concretas da economia e das pessoas.

«Portugal não pode criar a cada ciclo político leis laborais com prazo de validade», refere a associação, defendendo que um acordo abrangente e duradouro é essencial para garantir previsibilidade no mercado de trabalho e estabilidade nas relações laborais.

Empresas competitivas como condição para trabalho digno

Na sua tomada de posição, a ACEGE sustenta que a dignificação do trabalhador depende também da existência de empresas viáveis e competitivas, capazes de responder às exigências de um mercado em constante transformação. Segundo a associação, apenas organizações sustentáveis conseguem criar emprego de qualidade, remunerar de forma justa e investir em inovação e formação.

A entidade sublinha que a relação entre empregador e trabalhador deve assentar numa lógica de confiança e cooperação, em vez de conflito permanente. «A qualidade das empresas depende da qualidade do trabalho, e a qualidade do trabalho depende da qualidade das empresas», refere o documento.

Ao mesmo tempo, a associação reconhece que persistem práticas empresariais que degradam o trabalho e desrespeitam a dignidade das pessoas, alertando para a necessidade de prevenir abusos e sancionar comportamentos que coloquem o lucro acima de princípios éticos. Nesse contexto, cita a expressão do Papa Francisco sobre uma «economia que mata», defendendo que a fiscalização e a responsabilização são essenciais para proteger trabalhadores e também os empregadores que cumprem as regras.

Inteligência Artificial e transformação do trabalho

Outro dos pontos destacados pela ACEGE prende-se com as mudanças estruturais no mundo do trabalho, marcadas pela digitalização e pela crescente integração da Inteligência Artificial nas empresas.

A associação considera que estas tecnologias representam oportunidades significativas para a inovação e para a produtividade, mas alerta para o risco de desumanização das relações laborais. Na sua perspetiva, a legislação deve acompanhar esta transformação, garantindo que as ferramentas digitais são utilizadas para potenciar o desenvolvimento humano e não para desvalorizar ou substituir indiscriminadamente trabalhadores.

Apelo a soluções equilibradas

Entre as propostas apresentadas, a ACEGE defende a necessidade de construir uma legislação laboral equilibrada, capaz de conciliar proteção dos trabalhadores com flexibilidade empresarial. Para a associação, a dignificação do trabalho não depende apenas do aumento de garantias formais, mas também de um equilíbrio entre direitos e deveres, previsibilidade e capacidade de adaptação.

A organização propõe ainda que a revisão do Código do Trabalho tenha em conta um conjunto de princípios, incluindo a promoção do diálogo alargado entre Governo, parceiros sociais e sociedade civil, a rejeição de uma visão de oposição entre capital e trabalho e a criação de regras claras e previsíveis que reduzam a litigância e a insegurança jurídica.

Entre as prioridades apontadas está também o reforço da conciliação entre vida profissional e familiar, através de práticas empresariais que respeitem a vida pessoal sem comprometer a qualidade do desempenho.

Uma legislação pensada para o longo prazo

Para a ACEGE, as alterações ao Código do Trabalho devem concentrar-se em questões estruturais que tenham impacto real na vida das empresas e dos trabalhadores, evitando medidas de curto prazo que possam tornar o mercado laboral mais volátil e menos atrativo para investimento.

A associação afirma-se disponível para contribuir para este debate e reafirma o seu compromisso com a promoção de empresas «familiarmente responsáveis», defendendo que o sucesso empresarial deve traduzir-se também na valorização das pessoas que trabalham nas organizações.

No final do documento, a ACEGE expressa o desejo de que a discussão em curso resulte numa legislação capaz de promover justiça laboral, melhores condições de vida e um ambiente económico que permita às empresas crescer e criar riqueza de forma sustentável.

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

BCE alerta: degradação ambiental pode colocar um quarto da economia europeia em risco

11 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A conclusão surge num trabalho científico desenvolvido por investigadores ligados ao BCE em colaboração com especialistas da Universidade de Oxford e da London School of Economics, que procura medir de forma mais rigorosa a dependência da economia europeia em relação aos chamados serviços dos ecossistemas, isto é, os recursos e funções naturais que sustentam atividades económicas fundamentais — desde a disponibilidade de água e solos férteis até à proteção contra inundações ou à regulação climática.

Casos concretos já visíveis na economia europeia

Em Portugal, na região de Leiria, fortes tempestades registadas no início do ano provocaram inundações em vários concelhos e deixaram um rasto de prejuízos em habitações, comércio e infraestruturas. Municípios como Alcácer do Sal, embora localizados noutras zonas do país, enfrentaram igualmente episódios de cheias associados a precipitação intensa, obrigando à mobilização de meios de proteção civil e causando interrupções na atividade económica local.

Em Espanha, onde a seca prolongada levou as autoridades da Catalunha a declarar situação de emergência hídrica em mais de 230 municípios, incluindo Barcelona, afetando cerca de seis milhões de pessoas. As restrições impostas incluíram cortes no uso de água para agricultura e indústria e limitações ao consumo urbano, medidas que ilustram a forma como um choque ambiental pode rapidamente transformar-se num problema económico e social.

Os impactos não se limitam, contudo, à Península Ibérica. Um estudo europeu recente estima que as ondas de calor, secas e inundações registadas no continente provocaram perdas económicas imediatas de cerca de 43 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 0,26% da produção económica da União Europeia num único ano. Países do sul da Europa, como Espanha, Itália, Portugal e Grécia, surgem entre os mais afetados devido à maior exposição a secas e temperaturas extremas.

Em França, por exemplo, uma sucessão de ondas de calor em 2025 teve impacto direto na atividade económica, levando à interrupção de processos industriais e a restrições operacionais em vários setores, incluindo construção e agricultura. Estimativas citadas por analistas apontam para perdas económicas equivalentes a cerca de 0,3% do PIB francês.

 

A economia europeia depende mais da natureza do que parece

A investigação parte de uma premissa simples, mas muitas vezes ignorada na análise económica tradicional: grande parte da atividade produtiva depende diretamente de condições ambientais estáveis. A agricultura, a indústria transformadora, a produção de energia ou mesmo o setor imobiliário são exemplos claros de setores cuja atividade depende, em maior ou menor grau, da disponibilidade de recursos naturais.

Segundo os autores do estudo, a escassez de água superficial, associada a secas prolongadas, captação excessiva ou degradação ambiental, representa atualmente o risco ambiental mais significativo para a economia da zona euro. Num cenário de seca severa com uma probabilidade estatística de ocorrência de uma vez em cada cem anos, cerca de 24% da produção económica europeia poderia ficar exposta a perdas ou disrupções relevantes.

O impacto não se limita, contudo, à agricultura. A análise mostra que diversos setores industriais e de serviços dependem fortemente de água em quantidade e qualidade suficientes. Entre os mais vulneráveis encontram-se a indústria transformadora, o comércio, a construção ou o setor imobiliário, que podem enfrentar perturbações significativas em cenários de stress ambiental prolongado.

Este tipo de choque, explicam os investigadores, tende a propagar-se ao longo das cadeias de abastecimento e a gerar efeitos indiretos que podem amplificar o impacto inicial. Uma quebra na produção agrícola, por exemplo, pode provocar aumentos nos preços alimentares; uma redução da disponibilidade de água pode afetar processos industriais; e níveis mais baixos nos rios podem perturbar o transporte fluvial ou a produção hidroelétrica.

Um risco também para os bancos

O estudo introduz também um ângulo particularmente relevante para os bancos centrais: o impacto potencial na estabilidade financeira. Ao cruzar dados económicos com a base de dados AnaCredit, que reúne informação detalhada sobre empréstimos bancários na zona euro, os investigadores estimaram que uma parte significativa do crédito concedido pelos bancos está exposta a riscos ambientais relacionados com a água.

De acordo com a análise, cerca de 19% dos empréstimos bancários estão expostos à escassez de água superficial, proporção que pode subir para 22% quando se inclui também a escassez de águas subterrâneas.

Este tipo de exposição significa que choques ambientais podem transformar-se rapidamente em risco de crédito, caso empresas afetadas por fenómenos como secas, degradação de solos ou poluição da água vejam a sua capacidade produtiva reduzida e enfrentem dificuldades em cumprir as suas obrigações financeiras.

Para o BCE, esta ligação entre natureza e sistema financeiro torna claro que a degradação ambiental é, cada vez mais, um tema indissociável de política económica e financeira.

 

O papel crescente da natureza na política económica

Nos últimos anos, os bancos centrais têm vindo a integrar cada vez mais os riscos climáticos e ambientais nos seus modelos de análise macroeconómica. A perda de biodiversidade, a degradação de solos, as alterações no regime das chuvas ou o aumento da frequência de fenómenos extremos podem afetar variáveis tão centrais como o crescimento económico, a inflação ou a estabilidade do sistema financeiro.

Segundo o BCE, a relação entre ecossistemas e economia é particularmente relevante na Europa, onde uma parte significativa da produção depende de cadeias de abastecimento internacionais e de recursos naturais distribuídos globalmente. De facto, cerca de metade do risco económico associado à degradação ambiental pode ter origem fora da própria zona euro, através de perturbações em fornecedores ou parceiros comerciais.

Este efeito de interdependência reforça a ideia de que os riscos ambientais têm um carácter sistémico e podem materializar-se de forma inesperada, através de canais comerciais, financeiros ou produtivos.

A investigação sublinha ainda que choques ambientais podem ter consequências diretas sobre os preços. Estudos recentes citados pelo BCE mostram que a degradação de ecossistemas ou fenómenos extremos podem provocar aumentos nos preços alimentares e pressões inflacionistas adicionais, um tema particularmente sensível para bancos centrais cuja principal missão continua a ser a estabilidade de preços.

 

A economia e a natureza cada vez mais interligadas

Para os autores, a economia europeia está mais dependente dos ecossistemas do que muitas análises tradicionais sugerem, e essa dependência representa uma vulnerabilidade crescente à medida que os sistemas naturais se degradam.

O desafio passa agora por desenvolver instrumentos mais sofisticados para medir estes riscos — incluindo modelos capazes de avaliar o impacto de choques ambientais nas empresas, nos bancos e na economia no seu conjunto.

À medida que os fenómenos climáticos extremos deixam de ser exceção e passam a integrar a nova normalidade, a fronteira entre política ambiental e política económica vai-se dissolvendo, revelando uma interdependência cada vez mais evidente entre o equilíbrio dos ecossistemas e a estabilidade das economias.

Arquivado em:Economia, Notícias

Pela primeira vez, mulheres lideram reclamações de consumo em Portugal

11 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Ao longo do último ano foram registadas 119.564 reclamações apresentadas por mulheres, um marco histórico na monitorização de conflitos de consumo no país. A tendência mantém-se em 2026: apenas nos meses de janeiro e fevereiro, as mulheres foram responsáveis por 51,86% das queixas, num total de 39.380 reclamações.

De acordo com o relatório, o aumento da participação feminina na denúncia de problemas de consumo reflete maior literacia digital, maior consciência dos direitos dos consumidores e menor tolerância a falhas nos serviços, sobretudo em áreas como o comércio eletrónico, logística e serviços públicos.

O estudo conclui que a mulher portuguesa se tornou uma das principais auditoras da qualidade do mercado, recorrendo a plataformas digitais para denunciar falhas, exigir soluções e alertar outros consumidores.

Logística, compras e serviços públicos lideram queixas

A análise dos setores mais reclamados pelas mulheres em 2025 revela um retrato das fragilidades operacionais do mercado português.

O setor de Correio, Transporte e Logística concentra a maior fatia das reclamações femininas, com 13,92% do total. Seguem-se Compras, Moda e Joalharia (10,07%) e Serviços e Administração Pública (7,94%).

Entre as empresas mais mencionadas nas queixas surgem CTT, GLS, Worten e Perfumarias Primor.

Nos serviços públicos, destaca-se o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) como a entidade mais reclamada pelas consumidoras, num contexto marcado por atrasos na atribuição de apoios à renda e por processos administrativos demorados.

 

Entregas e atrasos são o principal motivo de reclamação

O relatório identifica também os principais motivos que levam as mulheres a apresentar queixas.

Os problemas com entregas e atrasos logísticos lideram, representando 24,66% das reclamações. Seguem-se questões relacionadas com qualidade de serviços ou produtos (23,62%) e problemas financeiros e transações, incluindo reembolsos (22,61%).

 

Quem são as mulheres que reclamam online

O perfil da mulher que recorre a plataformas digitais para reclamar tem idade média de 40 anos. A maioria das queixas provém da faixa etária entre 25 e 44 anos, responsável por cerca de 55% das reclamações femininas.

Geograficamente, o fenómeno concentra-se nos grandes centros urbanos. Lisboa lidera com 31,74% das reclamações, seguida do Porto (17,94%) e Setúbal (10,86%). Aveiro e Braga completam o grupo de distritos com maior volume de queixas.

 

Diferença na resolução de reclamações

O estudo aponta ainda para uma diferença na taxa de resolução das reclamações entre géneros.

Segundo os dados analisados, 55,81% das queixas apresentadas por mulheres são resolvidas, uma percentagem inferior à registada nas reclamações feitas por homens, que atinge 59,47%.

Para Sónia Lage Lourenço, CEO do Portal da Queixa, os dados revelam uma mudança no papel das consumidoras no mercado.

«As conclusões deste barómetro são claras: o perfil da mulher consumidora em Portugal é o de uma ‘gestora de crises’ que utiliza a tecnologia para exigir o cumprimento de direitos básicos. Este relatório evidencia que a qualidade do serviço não é um luxo, mas uma pré-condição para a estabilidade social e o crescimento económico num país onde a voz feminina nunca foi tão ouvida, nem tão determinante.»

Arquivado em:Nacional, Notícias

Imóveis devolutos: quando o problema não é fiscal, mas jurídico

11 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Longe de defender soluções de intervenção pura e dura do Estado — como a expropriação ou mecanismos equiparáveis de ocupação administrativa —, é inegável que o problema exige resposta. Ignorá‑lo não é opção.

Importa recordar que a questão dos imóveis devolutos foi expressamente visada em 2019, através do Decreto‑Lei n.º 67/2019, de 21 de maio, que agravou o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) aplicável a prédios devolutos, numa tentativa de combater esta realidade e de desincentivar a especulação imobiliária.

Volvidos seis ou sete anos sobre a entrada em vigor da medida, impõe‑se a pergunta: porque persiste, em números astronómicos, o fenómeno dos imóveis devolutos em Portugal?

O primeiro fator é intuitivo e amplamente reconhecido. O IMI, assente no Valor Patrimonial Tributário (VPT), baseia‑se em critérios frequentemente desatualizados e, no contexto da carga fiscal global existente em Portugal — e sobretudo quando comparado com outros países —, é relativamente baixo. Mesmo com os agravamentos legalmente previstos, o montante de IMI a pagar continua, na maioria dos casos, a compensar a inércia dos proprietários.

Mas o problema não se esgota aqui. Uma análise mais cuidada do Decreto‑Lei revela três fragilidades estruturais:
a) a identificação dos prédios devolutos é da exclusiva responsabilidade dos municípios;
b) o agravamento do IMI apenas se aplica se o município o decidir expressamente;
c) a classificação depende de prova administrativa, como consumos de água e eletricidade ou vistorias municipais.

Na prática, isto traduz‑se em mais um processo burocrático pesado para os municípios, que atrasa — ou inviabiliza — a aplicação efetiva da taxa agravada. Os números falam por si: até 2024, apenas 64 municípios, num universo de mais de 300, aplicavam o IMI agravado. A esmagadora maioria dos prédios devolutos nunca chega sequer a ser formalmente classificada como tal, escapando assim a qualquer penalização fiscal.

Contudo, a razão decisiva é de natureza estrutural. Uma parte significativa destes imóveis não pode ser mobilizada porque se encontra “perdida” em heranças indivisas, inventários judiciais, conflitos familiares ou outros processos que se arrastam por tempo indeterminado. Nestes casos, o IMI agravado não resolve o bloqueio: limita‑se a penalizar indistintamente todos os envolvidos, ainda que possa, é certo, funcionar como fator de pressão para a resolução do impasse.

A isto acresce um regime excessivamente generoso de exceções. Ficam excluídos imóveis em obras, casas de férias, habitações de emigrantes, imóveis em litígio, entre outros. O resultado é um sistema fragmentado, pouco eficaz e com reduzido impacto prático.

Como resolver, então, finalmente, a questão?

Uma primeira solução, intuitiva e coerente com o diagnóstico, passaria pela atualização massiva dos VPT e pela exclusão dos municípios da equação classificativa, substituindo‑a por um mecanismo automático, baseado em dados objetivos de consumos de água e eletricidade. Caberia depois aos interessados o ónus de demonstrar, de forma fundamentada, as razões para a não aplicação da taxa agravada.

Mas sobretudo — e aqui reside o ponto central — o agravamento do IMI é um instrumento acessório, não estrutural. Uma solução com verdadeiro efeito prático exige necessariamente a revisão do regime sucessório, de modo a desbloquear milhares de imóveis cuja utilização está suspensa. A simplificação dos inventários e das partilhas teria, por si só, um impacto imediato muito superior a qualquer agravamento fiscal.

Existe ainda uma dimensão prática frequentemente ignorada: o tratamento fiscal das mais‑valias. Nos imóveis herdados, o valor de aquisição relevante para efeitos de IRS é o VPT à data da morte, quase sempre muito inferior ao valor de mercado. A venda gera, assim, mais‑valias artificiais elevadas, que desencorajam a alienação do imóvel. Uma exclusão — ou, pelo menos, um diferimento — da tributação em sede de IRS seria uma solução eficaz e que deveria ser seriamente ponderada.

Poder‑se‑ia ir mais longe e provocar um verdadeiro abanão estrutural, através da criação de um regime excecional e temporário (limitado a dois ou três anos) que previsse a isenção de tributação das mais‑valias em sede de IRS na venda de imóveis adquiridos por via sucessória, bem como a isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) na respetiva aquisição, desde que fosse apresentado, no prazo de um ano, um pedido de licenciamento de obras de reabilitação. Um mecanismo deste tipo permitiria alinhar incentivos fiscais com um objetivo claro de política pública — a reabilitação efetiva do edificado e a colocação de imóveis no mercado — evitando benefícios meramente especulativos, já que a falta de apresentação do pedido ou o não início das obras determinaria a caducidade da isenção e a cobrança do IMT nos termos gerais.

Em conclusão, enquanto o debate público se centrar em expropriações, slogans ou agravamentos fiscais de natureza simbólica, o problema persistirá. A solução passa por desatar nós jurídicos, alinhar incentivos fiscais e devolver previsibilidade ao sistema. Sem isso, continuaremos a viver rodeados de casas vazias — num país onde falta, precisamente, habitação.

 

Arquivado em:Opinião

Portugal com perspetivas fortes de emprego antes da nova incerteza global

10 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Os dados, recolhidos em janeiro junto de 520 empregadores, apontavam para um clima de confiança entre as empresas, refletindo o desempenho da economia portuguesa em 2025, acima da média da Zona Euro. No contexto global, Portugal posicionava-se na metade superior dos países analisados, ainda que ligeiramente abaixo da média mundial de +31%.

As conclusões do estudo, contudo, não incorporam os desenvolvimentos geopolíticos mais recentes nem os efeitos das tempestades que atingiram o país no início do ano, fatores que poderão alterar as expectativas das empresas nos próximos meses.

Segundo Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal, os indicadores apontavam para um cenário favorável antes da escalada de tensões internacionais.
«Partindo de uma análise pré-conflito, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre mais confiantes nas suas intenções de contratação, refletindo o desempenho da economia nacional e sinais de maior resiliência nos mercados internacionais parceiros», explica. Ainda assim, o responsável admite que a atual incerteza geopolítica poderá afetar o nível de confiança das empresas, embora a experiência recente tenha reforçado a capacidade das organizações para operar em contextos voláteis.

 

Crescimento das empresas impulsiona contratações

Quase metade das empresas que previam aumentar as suas equipas — 44% — indicavam o crescimento do negócio como principal motivo para contratar mais trabalhadores.

Outras razões apontadas pelos empregadores incluíam a necessidade de preencher vagas que permaneceram abertas em trimestres anteriores: 27% referiam postos não ocupados no trimestre anterior e 20% indicavam vagas por preencher há mais tempo, um sinal da persistência da escassez de talento no mercado de trabalho português.

Entre as empresas que previam reduzir o número de colaboradores, as principais justificações eram a diminuição da procura (31%), os desafios económicos (29%) e processos de reestruturação ou downsizing (21%). O impacto da automação foi referido por 15% dos empregadores, registando uma queda significativa face ao trimestre anterior.

 

Construção e imobiliário lideram otimismo

Todos os setores analisados apresentavam perspetivas positivas de contratação para o segundo trimestre de 2026. O setor da Construção e Imobiliário destacava-se como o mais otimista, com uma projeção de +46%, representando o maior crescimento entre trimestres, com uma subida de 26 pontos percentuais.

Seguiam-se o Comércio e Logística, com +34%, e a Hotelaria e Restauração, com +33%, refletindo também o efeito da sazonalidade e da aproximação da época turística.

O setor industrial apresentava igualmente intenções robustas de contratação, com uma projeção de +31%, mantendo-se estável face ao primeiro trimestre e crescendo seis pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025.

Em sentido contrário, o setor de Finanças e Seguros era o único a registar uma desaceleração, apesar de manter uma previsão positiva de +26%, menos 12 pontos percentuais face ao trimestre anterior.

Entre os restantes setores, destacavam-se ainda Tecnologia e Serviços de Informação (+20%) e o setor público e de serviços de saúde e sociais (+17%). Dentro da área tecnológica, o subsegmento de Tecnologia e Serviços de IT apresentava as perspetivas mais otimistas de todos os setores analisados, com uma projeção de +50%.

 

Centro e Norte com expectativas mais fortes

A análise regional mostrava intenções de contratação positivas em todo o país. A Região Centro liderava as expectativas, com uma projeção de +37%, seguida pela Região Norte (+32%) e pelo Grande Porto (+31%).

O Grande Porto registava mesmo a subida mais expressiva face ao trimestre anterior, com um aumento de 18 pontos percentuais. Já a Região Sul apresentava uma projeção de +30%, após um crescimento de sete pontos face ao início do ano.

 

PME mais confiantes do que grandes empresas

As médias empresas eram as que demonstravam maior otimismo em relação ao reforço das equipas, com uma projeção de +36%, um aumento significativo tanto face ao trimestre anterior como ao período homólogo de 2025.

Também as pequenas empresas revelavam intenções fortes de contratação, com +33%, registando o maior crescimento trimestral entre todos os segmentos empresariais.

Em contraste, as grandes empresas apresentavam previsões mais cautelosas: as organizações com 1000 a 4999 trabalhadores projetavam +16%, enquanto as empresas com mais de 5000 trabalhadores apontavam para +12%.

 

Perspetivas globais continuam a melhorar

A nível mundial, a projeção líquida de criação de emprego para o segundo trimestre de 2026 fixava-se nos +31%, traduzindo uma melhoria de sete pontos percentuais face ao trimestre anterior e de oito pontos em relação ao mesmo período do ano passado.

Na Europa, a tendência era igualmente positiva, com a projeção a atingir +21%, no quarto trimestre consecutivo de recuperação, ainda que abaixo de outras regiões do mundo devido ao crescimento económico mais moderado.

O estudo trimestral do ManpowerGroup baseia-se em entrevistas a 41.764 empregadores em 42 países e territórios. A próxima edição será divulgada em junho de 2026 e apresentará as previsões de contratação para o terceiro trimestre do ano.

Arquivado em:Economia, Notícias

Quatro ideias tecnológicas para o Dia do Pai

10 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A pensar nisso, a iServices sugere quatro ideias de presentes tecnológicos para o Dia do Pai, adaptadas a diferentes perfis. De equipamentos recondicionados a acessórios práticos, o objetivo passa por oferecer soluções úteis que dificilmente ficam esquecidas numa gaveta.

Para o pai curioso pela tecnologia

Para os pais que gostam de tecnologia, mas não sentem necessidade de comprar sempre os modelos mais recentes, os equipamentos recondicionados podem ser uma alternativa interessante.

Segundo a iServices, os iPhones recondicionados disponibilizados pela empresa passam por um processo técnico de verificação e substituição de componentes, permitindo manter elevados níveis de desempenho. Estes equipamentos são vendidos com três anos de garantia e apresentam também um impacto ambiental mais reduzido, ao prolongarem o ciclo de vida dos dispositivos.

Para o pai sempre em movimento

Entre trabalho, família e deslocações constantes, há pais que passam grande parte do dia com o telemóvel na mão. Para esses casos, acessórios como carregadores rápidos ou adaptadores multiporta podem tornar-se aliados úteis no quotidiano.

Pequenos e fáceis de transportar, estes dispositivos permitem carregar vários equipamentos em simultâneo ou recuperar rapidamente bateria suficiente para enfrentar um dia exigente.

Para o pai que vive de podcasts e música

Há também quem aproveite as deslocações de carro, as idas ao ginásio ou as caminhadas para ouvir música ou podcasts. Nesse caso, auscultadores ou auriculares sem fios podem ser uma solução simples, mas prática.

Atualmente, muitas opções disponíveis no mercado utilizam ligação Bluetooth, garantindo mobilidade, conforto e qualidade de som estável para utilização diária.

Para o pai que está sempre sem bateria

Existe um perfil de pai que parece repetir-se em muitas famílias: aquele que está frequentemente prestes a ficar sem bateria. Para esses casos, uma powerbank pode resolver o problema de forma imediata.

Outra possibilidade passa pela substituição da bateria do smartphone. Segundo a iServices, este processo pode ser realizado em poucos minutos nas suas lojas, permitindo recuperar autonomia e prolongar a vida útil do equipamento por mais alguns anos.

Num contexto em que a tecnologia faz parte da rotina diária, a escolha de presentes úteis pode ganhar relevância face a objetos que acabam por ser pouco utilizados. Entre equipamentos recondicionados e acessórios destinados a prolongar a durabilidade dos dispositivos, a tendência passa cada vez mais por tirar melhor partido da tecnologia já existente.

Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a iServices.

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