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Titiana Barroso

Limpar Sanitas

21 Junho, 2021 by Titiana Barroso

Foi, sensivelmente, há 25 anos que li o Vencer de Jack Welch. E dessas 300/400 páginas retive uma frase até hoje: «As montanhas movem-se». E é verdade… Mesmo com tudo aquilo que temos e fomos assistindo, desde março de 2020.

Mais de um ano volvido sobre a declaração do primeiro estado de emergência e do sai ou na sai do “bunker”, das previsões, das centenas ou milhares de artigos dos especialistas disto ou daquilo, chegou a hora de despirmos a capa de Super-Herói e largarmos clichés à volta da resiliência. Tem sido uma batalha dura e que não acabou aqui.

Eu que escrevo e tu que lês, continuamos vivos. E estamos naquela fase de limpar sanitas e isso é bom.

A história do homem que limpava sanitas não é um mito ou fábula de encantar, foi algo que aconteceu com alguém, que enquanto desempenhava essa profissão, tão digna como a de qualquer pessoa que lê este artigo, projetava o seu futuro, enquanto uma série de desafios preenchiam o seu presente, como agora acontece com muitos de nós. Esse homem acabou por mudar tudo.

Primeiro a vida das pessoas e da forma como elas foram impactadas pelo trabalho desse mesmo homem. E não se pode pensar em nada em primeiro lugar sem ser na mudança que vamos provocar nas pessoas.

Quando criamos algo, quando a melhorarmos, quando adicionamos um novo bem ou serviço à vida destas, tornando-as felizes e mais seguras, saudáveis ou melhores e quando fazemos isso com cuidado e inteligência, como tudo deveria ser, participamos de maneira mais ativa e integrada no grande teatro da Humanidade.

E este é sem dúvida o momento de “limparmos sanitas”, com a consciência de que estamos a construir o Futuro de um Mundo que não está a mudar mas que já mudou. E o maior erro que podemos cometer será continuar a aguardar que o próximo ano nos trará aquilo que tivemos antes de 2020.

Este homem chamava-se Kurt Cobain, vocalista/guitarrista dos Nirvana.

Kurt enquanto preparava esse álbum icónico chamado Nevermind, que revolucionou toda uma indústria, limpava sanitas numa escola e nunca o escondeu.

Não sei se Kurt Cobain alguma vez leu ou conheceu Jack Welch mas tenho quase a certeza que este último chegou, pelo menos, a ouvir falar desta banda de Seattle. E numa coisa estariam, seguramente, de acordo «As montanhas movem-se». Nós todos continuamos a mover as nossas. E em conjunto será sempre mais fácil.


Por Fernando Gaspar Barros, Brands Like Bands, que conta este ano com as empresas:

Nokia, Siemens, L’Oréal, Cisco,  Mercedes-Benz.io, Super Bock Group, Schneider Electric, Sabseg, Cofidis Portugal, Altice Labs,, Armis Group, Vestas, Grupo RHmais, Critical Software, Bosch Portugal, Zurich Insurance Company Ltd, Mercer, Axians Portugal, ManpowerGroup, Hospital dos Lusíadas, BYON e Noesis

 

Arquivado em:Opinião

Sofia Vaz Pires é a nova CEO da Ericsson Portugal

17 Junho, 2021 by Titiana Barroso


A presidência executiva da Ericsson Portugal vai ficar a cargo de Sofia Vaz Pires, a partir de 5 de julho de 2021. Sofia Vaz Pires dispõe de aproximadamente 20 anos de experiência em empresas líderes no setor de Tecnologia e Telecomunicações.

O seu percurso profissional inicia-se na Ericsson em 2004 e anos mais tarde, ruma a Londres e ingressa nos headquarters mundiais da BT PLC, onde chega a assumir o cargo de Vice-Presidente EMEA Telecom Sales. Em 2017, também em Londres, integra a multinacional japonesa Ricoh Company Limited como Vice-Presidente Global Business Development & EMEA Internacional Sales. Mais recentemente, após regressar a Portugal, Sofia assume um cargo de Direção na NOS Comunicações, antes de se juntar novamente à Ericsson.

De destacar a sua vasta e diversificada experiência em mercados internacionais em várias empresas, funções e geografias nomeadamente, Portugal, Espanha, Reino Unido e América Latina. A profissional foi reconhecida publicamente pelo Jornal Expresso em parceria com o Fórum de Administradores de Empresas (FAE) e o Ministério da Economia, entre outras entidades, com o prémio “Top 40 Under 40 Award”.

Sofia é licenciada em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (especialização em Telecomunicações) pelo Instituto Superior Técnico e tem um MBA pela ESADE Business School, Barcelona, ​​Espanha.

Arquivado em:Liderança, Notícias

O gato Tom e o rato Jerry são mestres no jogo viciado das emoções

17 Junho, 2021 by Titiana Barroso

A cadeia das emoções é um jogo de gato e rato. Jerry, o rato, finta o gato Tom, que foi contratado para se livrar dele.

Numa recriação em filme, brevemente disponível no cinema, temos Tom, cuja única lógica é caçar o rato Jerry, enquanto este se diverte, usando todos os recursos para desestabilizar emocionalmente o seu caçador.

O conflito entre razão e emoção está aberto. Mas, como na história de Tom e Jerry, geralmente é a emoção que vence.

E se a generalidade das pessoas já compreendeu a importância de ter uma vida mais saudável e adotar hábitos mais sustentáveis – o racional – a maioria ainda não assimilou que uma mudança verdadeiramente transformadora na vida humana e no equilíbrio planetário é resultado da relação emocional com que a vida é nutrida.

As pessoas são seres emocionais e estas expressam-se nas relações intrapessoais e interpessoais.

Das emoções surge a comunicação interior e a leitura do mundo exterior, ou seja, a criação do pensamento.

As emoções promovem a expressão dos sentimentos e a linguagem das palavras usadas no quotidiano, na vida pessoal e profissional.

Das emoções vêm os comportamentos adotados perante as circunstâncias com que somos constantemente confrontados.

Ansiedade, stress, medo ou doenças mentais estão na ordem do dia e são reações humanas internas a acontecimentos externos. São o Tom, que assimila o exterior numa lógica que é desestabilizada pelo Jerry interno, a cadeia de emoções dominadora.

As reações ocorrem no contexto do quadro emocional que cada pessoa carrega ao longo da sua existência, até escolher “ser o seu mestre” e tornar o jogo do gato e do rato num exercício de ganho mútuo equilibrado.

Na tarefa de gerir a natureza emocional de forma a desenvolver a mestria, há quatro tipos de pessoas:

  • Os que simplesmente recusam aceitar que é o que sentem que define quem são, como vivem e que resultados obtêm.

Estão convencidos que já sabem tudo o que precisam e que a sua força cognitiva e racional é tudo quanto precisam.

  • Os que intelectual e cognitivamente aceitam o facto de a natureza humana ser essencialmente emocional, mas acham que não se aplica a si e que não precisam de aprender nada.

Na sua maioria, têm medo de não corresponder, têm um grande sabotador interno ou são demasiado exigentes e não se querem defrontar consigo mesmos, por acharem que não são capazes.

  • Os que não sabem bem o que isso é, mas sentem que devem fazer mais por si e pelos outros.

Procuram ler e obter informação, mas não conseguem pôr em prática e ficam confusos e mais desorientados. Alguns procuram apoio externo para evoluírem e se autodesenvolverem.

  • Os que vivem acontecimentos difíceis ou dramáticos, agitando de tal forma as suas vidas, que se sentem confrontados com ter de agir e pedir ajuda para reencontrar o “fio à meada”.

Estas, são as pessoas que procuram ajuda profissional, para se descobrirem e autoconhecerem; dispondo-se a desvendar as suas forças e potenciais e aprender a pôr em prática esse valor, de forma coerente e consistente, para alcançarem a satisfação e as soluções que procuram.

Todas as escolhas estão certas para quem as faz. Se escolhe ser igual ao gato Tom, nunca vai saborear o divertimento do rato Jerry.

Conhecer o quadro emocional, saber geri-lo e adequar às circunstâncias trará certamente mais alegria, satisfação e qualidade de vida.

No quadro da liderança, este jogo é uma armadilha grave para quem lidera equipas. Os resultados tendem a não satisfazer ninguém, aumentando a probabilidade de conflitos e tensões.


Por Maria Julia Nunes, Diretora Geral da inSoul Leadership Coach

Arquivado em:Opinião

«Os Psicólogos são uma nova tendência nas organizações», garante Bastonário da OPP

17 Junho, 2021 by Titiana Barroso

No âmbito do projeto Ecossistemas dos Ambientes de Trabalho Saudáveis (EATS) para avaliar as condições de saúde e estilos de vida dos profissionais e de que forma as organizações são ecossistemas promotores da saúde e bem-estar, esta semana na rubrica da Líder Healthy Workplaces contamos com o contributo do Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues.


Todas as semanas, uma organização, das mais de 40 que integram o projeto, partilha reflexões e práticas de ambientes de trabalho saudáveis em diferentes setores e atividades.

A promoção do bem-estar e prevenção dos riscos psicossociais no trabalho são aspetos que ganham relevância o nível internacional e nacional. Campanhas e ações de sensibilização e de capacitação de organizações e trabalhadores, assim como o diagnóstico e monitorização de medidas de melhoria são uma aposta da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) e da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Esta semana contamos com a partilha e experiência do Bastonário Francisco Miranda Rodrigues sobre o papel da Psicologia e dos Psicólogos no âmbito da promoção e desenvolvimento de locais de trabalho saudáveis.

“Muito pouco se falava em prevenção do stress e de outros problemas psicológicos nos locais de trabalho ou mesmo de prevenção dos riscos psicossociais quando a Ordem dos Psicólogos, em 2014, deu alguns passos importantes, como se pode ler em notícia da altura em www.ordemdospsicologos.pt “(…) a OPP participará ativamente em Portugal na Campanha Healthy Workplaces Manage Stress, desenvolvida pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA).  (…) irá desenvolver diversas ações, que vão desde a organização de Conferências, Simpósios e Workshops sobre os tópicos da campanha, à organização de ações de formação e criação de um prémio para as empresas que se destaquem pelas boas práticas e inovação na prevenção do stress e dos riscos psicossociais no trabalho. (…)

De salientar ainda que esta campanha está a decorrer em mais de 30 países europeus e visa, segundo a EU-OSHA:

  • Incentivar empregadores, gestores e colaboradores a trabalharem conjuntamente para gerir os riscos psicossociais e o stress no local de trabalho;
  • Sensibilizar para o problema crescente do stress e dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho;
  • Proporcionar e promover a utilização de ferramentas práticas e orientações com vista à gestão dos riscos psicossociais no trabalho;
  • Destacar os efeitos positivos da gestão de riscos psicossociais no trabalho, incluindo a sua importância para o desempenho das empresas.”

Sete anos passados, o que mudou?

Se é verdade que numa iniciativa da OPP, em 2018, vários parceiros sociais se juntaram à mesma mesa para afirmar o seu compromisso e preocupação com a importância de locais de trabalho saudáveis e da prevenção de riscos psicossociais (UGT, CGTP, CIP e CCSP), ainda muitos receios subsistem de parte a parte (ou subsistiam até à pandemia). Pelo lado dos trabalhadores, a preocupação com a informação recolhida e sobre o uso que poderá ser feito dela, pelo outro lado, o receio que estejamos perante custos que a maior parte do tecido empresarial português não consiga fazer face, dada a sua muito reduzida dimensão (a oficina de reparações, o café, o pequeno pronto-a-vestir). Neste momento, são muitas mais as avaliações de risco realizadas do que até então, em crescimento muito acelerado, não só por ação da ACT, mas porque as organizações têm vindo a incorporar esta necessidade e estão hoje mais conscientes do impacto dos problemas psicológicos para a sua sustentabilidade.

Hoje, para além do desafio da generalização destas avaliações, muito facilitadas pelas tecnologias, está em garantirmos que as mesmas são feitas por profissionais competentes e ética e deontologicamente responsáveis. A jusante, desta preocupação está o que se faz com estas avaliações. E aí, os problemas são maiores. A baixa literacia dos empresários portugueses (que não se dissociam da população portuguesa) não ajuda. Daqui decorre uma incapacidade de distinção entre o que faz e deve fazer cada um dos profissionais (muitas vezes pensando que o médico faz tudo e que este trabalho está dentro da medicina do trabalho) como pensando que qualquer um o faz, desde tenha alguma “sensibilidade para as pessoas”. Por outro lado, pensa-se nisto apenas vendo o mais superficial, a doença que aparece ou a necessidade de apoiar o acesso a atividades vistas como promotoras da saúde, como o acesso a ginásios, à meditação, ou convívios. Nada contra. Mas estas ações não são uma resposta efetiva para as mudanças, na maior parte das vezes necessárias, para que a organização consiga prevenir o aparecimento destes problemas psicológicos ou reduzir o impacto de vários riscos psicossociais.

Os psicólogos, nomeadamente os do trabalho e das organizações, estudam e intervêm há muito tempo em contexto organizacional, de modo a melhorar o seu desempenho e das pessoas que nelas trabalham, com o equilíbrio indispensável com o seu bem-estar. Mudanças culturais, desenvolvimentos organizacionais, apoio às lideranças e ao desenvolvimento das suas competências, em alinhamento com a estratégia e objetivos pretendidos, tentando vincular os talentos à organização. Este é um trabalho com impacto na saúde das pessoas, na produtividade e por isso na sustentabilidade das organizações. Não tem fórmulas mágicas, é desenhado à medida, tem evidência científica e é estratégico para a sobrevivência e competitividade das nossas empresas e da nossa economia.

Para isso, ao longo destes anos, advogamos por mais investimento nesta área (o custo já as organizações o têm hoje por nada fazerem), por certas decisões políticas que impulsionem as medidas necessárias e as apoiem, bem como reconhecemos boas práticas, desenvolvemos competências dos psicólogos para intervir cada vez melhor neste contexto, para além de promovermos mais literacia junto dos decisores das organizações e dos trabalhadores em geral.

O site www.maisprodutividade.org é uma enorme fonte de recursos práticos para todos os envolvidos e uma ferramenta para a orientar a implementação das melhores práticas. Os psicólogos são uma nova tendência nas organizações, promovendo esse ativo central que são as pessoas, aliados da sustentabilidade das organizações. Conheça melhor o seu papel distinto e diferenciado e o seu valor acrescentado. Não fique para trás. Já está a acontecer…”

Arquivado em:Healthy Workplaces

Transição Digital: uma inevitabilidade e uma oportunidade para as PME

16 Junho, 2021 by Titiana Barroso

Foram tantas as vezes que lemos esta expressão nos últimos anos que podemos ser levados a desvalorizar ao seu significado. Vemos a “transição digital” como um processo de evolução nas empresas, algo futurístico ou uma moda impulsionada pela pandemia. Algo que se diz agora, mas cujo significado é pouco concreto e que, provavelmente, não se falará nos próximos anos.

Acontece que nós todos estamos a viver esta “transição digital” há já algum tempo. Aliás, para as pessoas nas faixas etárias até aos 25 anos já só vale o conceito de digital.

Há 20 anos comprávamos férias em agências de viagens, procurávamos informação sobre o que nos rodeia em jornais ou revistas e fazíamos muitas coisas presencialmente ou, quando muito, falando com alguém pelo telefone.

Hoje, temos tudo isto no nosso smartphone, temos mapas com trânsito em tempo real, que nos indicam todos os serviços que se encontram perto da nossa localização, inscrevemo-nos para a vacina num website e recebemos a confirmação no nosso telefone. Comunicamos mais, partilhamos mais e mais longe. Tudo é digital de forma natural e as poucas coisas que não o são, com naturalidade iremos testemunhar a sua transição

Esta utilidade de termos, à distância de uma procura no nosso smartphone, um enorme número de serviços e de informações tem um impacto grande nas nossas vidas e, por consequência, na vida das empresas que prestam esses serviços. Para além disso, esta conveniência significa, na maioria dos casos, uma poupança de recursos do Planeta. Temos de nos deslocar menos, imprimimos menos papel e produzimos menos lixo. É um mundo diferente e melhor, estou convencido. Embora existam desafios novos que ainda estamos a aprender a gerir, como a segurança, a proteção de dados e as questões de credibilidade e veracidade da informação, que são talvez os maiores desafios.

Nas empresas a “transição digital” significa, em poucas palavras, duas coisas: fazer o mesmo usando menos recursos e fazer mais com menor investimento.

Comecemos por um exemplo simples, o de ter o não ter um website. Quando estes não existiam as empresas usavam publicidade e eventos para promoverem o que faziam. Vendiam os seus produtos usando os canais de distribuição tradicionais. Em regra, a venda era feita em geografias mais próximas. A capacidade de comunicar com os seus mercados alvo era mais limitada e mais lenta. Em 2020, de acordo com dados do INE, dois terços das empresas com mais de 10 trabalhadores tinham website, valor que cresce até 95% nas empresas com mais de 250 trabalhadores.

Estas empresas com mais de 10 trabalhadores, também segundo o INE, em 2020 já tinham uma série de funcionalidades avançadas. Cerca de 22% já usavam o website para vender e mais de metade estava presente nas redes sociais.

E quando comparamos esta realidade da utilização do comércio eletrónico pelas empresas com mais de 10 trabalhadores, o mesmo estudo do INE refere (apenas com números até 2018) que a taxa de adoção em Portugal era marginalmente superior à média da UE.

A digitalização é inevitável, mas é também uma oportunidade acessível às empresas, até às mais pequenas. A questão que se coloca é se as empresas vão digitalizar-se à medida que o mundo se torna digital ou se veem aqui uma oportunidade. Para aproveitarem a oportunidade as PME têm de responder a três perguntas simples: 1) que processos de negócio posso tornar mais eficientes pela digitalização? 2) que melhorias no acesso e serviço a clientes, geradoras de receita adicional, posso explorar com a digitalização de processos? 3) que negócios novos posso desenvolver em ambiente digital?

A oportunidade está aí!


Por João Maria Porto, Partner na Expense Reduction Analysts

Arquivado em:Opinião

O sentido de urgência da ONU, segundo o Assessor de Comunicação para Portugal

16 Junho, 2021 by Titiana Barroso

Recentemente, o governo francês aprovou a suspensão de todos os voos domésticos, com partida do Aeroporto de Orly, para viagens que possam ser feitas de comboio em menos de duas horas e meia. Esta medida da Comissão Climática de Macron, inédita em toda a Europa, é a prova de que as agendas dos governos começam a olhar para a Sustentabilidade e sobrevivência da vida no Planeta como um assunto de maior urgência.

É também a prova de uma estratégia global da qual participam tanto os princípios do Acordo de Paris como a Agenda 2030, definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que considera 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em diferentes dimensões da Sustentabilidade (social, económica e ambiental), colocando ainda a atenção sobre o respeito pelos direitos humanos, paz e justiça.

Entre uma crise pandémica, em que se procurou em primeira instância fornecer respostas e apoios aos vários Estados-membros, a ONU não quer deixar de perder o seu foco num propósito primordial: continuar o caminho efetivo para a Sustentabilidade.

O primeiro desafio é à partida a pressão demográfica: em 2050 estimam-se que existam no Planeta cerca de 9 mil milhões de pessoas, o que representa um incremento de 2 mil milhões em relação ao presente. E já sabemos que a gestão dos recursos (alimentação, vestuário, transportes) e respetivo impacto sobre o ambiente tem de ser feita de forma sustentável, sem aumentar as desigualdades entre os povos.

Em que ponto está a implementação da Agenda 2030? E quais os grandes desafios para o futuro na era pós-pandemia? António Ferrari, Assessor de Comunicação da ONU para Portugal, na sua intervenção durante o encontro Leading Brands promovido pela Tema Central, detentora da revista Líder, explicou os principais objetivos, prioridades e preocupações da maior organização internacional do mundo, sempre centrado na oportunidade de o Mundo recuperar melhor.

A Pandemia veio mudar o jogo do sistema multilateral internacional

Pela primeira vez na história da ONU, que já conta com 75 anos, surgiu uma realidade que veio afetar todos os Estados-membros sem exceção. A Pandemia provocada pelo novo coronavírus, veio numa primeira fase obrigar a uma adaptação na liderança da Organização para a coordenação dos esforços internacionais. Atualmente, o objetivo seguinte é conseguir aproveitar esta crise económica, social e política para fazer de vez a tão desejada transição para um paradigma económico verde e sustentável que garanta a sobrevivência do Planeta e da Humanidade.

Apesar de terem sido desde logo ratificados por todos os Estados-membros e considerados pelos setores público e privado, o ritmo de adoção dos ODS por parte dos governos, organizações e cidadãos, já se vinha a notar lento no período pré-Pandemia. Desde 2019, e com um sentido de urgência, a ONU tem feito esforços políticos e diplomáticos pressionando os países de forma a acelerar a implementação da Agenda 2030.

É de medidas locais, como o exemplo francês, que se consegue chegar a um impacto global, alterando a forma como temos vindo a viver nas últimas décadas, num ciclo vertiginoso de aumento de produção e de consumo, sem grandes preocupações ambientais ou de saúde pública. O futuro traz grandes desafios e mudanças no nosso estilo de vida bem como nos sistemas económicos do setor privado e consumo.

Para o Assessor de Comunicação, torna-se fulcral unir esforços no desenvolvimento de um novo processo criativo que leve à mudança de mentalidades. O cidadão é o agente da mudança, através do qual é possível alavancar as principais ideias e prioridades. Há muito que se fala em Sustentabilidade, mas a mensagem parece estar saturada levando as pessoas a “desligarem-se”. Para os tempos pós-Pandemia, o principal desafio é a identificação de um novo sistema para a mudança de mentalidades e comportamentos.

Objetivos e Prioridades

Após uma resposta imediata de apoio comunitário aos países mais vulneráveis afetados pela Pandemia e já com a gestão do processo de vacinação em curso, António Guterres, Secretário-Geral da ONU, definiu no início de 2021 três prioridades políticas e diplomáticas da Organização:

  1. Resposta e coordenação de esforços internacionais no que respeita à Pandemia.
  2. Crise climática. Em torno deste tema, a ONU irá organizar grandes cimeiras nomeadamente na área da mobilidade e transportes, biodiversidade e transversalidade dos sistemas alimentares. Em novembro terá lugar a grande cimeira do clima – COP26, em que se espera que 90% dos Estados-membros se comprometam a uma redução de 90% das emissões até 2030 de forma a travar o aquecimento global abaixo de 1,5ºC até 2030.
  3. Evidenciar e denunciar o impacto da Pandemia no cumprimento dos Direitos Humanos. A Pandemia afetou os países e sistemas económicos de forma diferente, aumentando níveis de pobreza e as desigualdades entre as populações. Perante esta realidade, alguns Estados considerados mais “opacos”, estão a aproveitar a situação para retroceder e pôr em causa alguns direitos que já se davam como garantidos. António Ferrari referiu a (preocupante) retirada da Turquia da Convenção de Istambul, a mais importante Convenção internacional sobre a eliminação da violência baseada no género, nomeadamente a violência sobre as mulheres. Outro sinal de alerta é o aumento do abandono escolar, na sua maioria raparigas.

Agenda 2030: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Implementada desde 2015, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é um guião para o mundo, sendo por isso premente a necessidade de aderir de forma prática aos seus objetivos. António Ferrari afirma que, para que tal aconteça, é fundamental a ajuda financeira aos países em vias de desenvolvimento, baseados na indústria de alta produção, muito poluente, a fim de conseguirem uma adaptação à transição económica pela adoção dos ODS.

Entre as várias ações, a ONU recorre ao sistema educativo, e setor privado, entre variados parceiros, para comunicar e impactar a população sobre os grandes desafios e problemas que definem a agenda internacional – muitas vezes temas menos interessantes para o grande público, sendo que as alterações climáticas começam a estar na ordem do dia. Entre outros projetos mencionados, estão a exploração dos oceanos, a sobrepesca, a caça furtiva e o desaparecimento dos pequenos Estados insulares do Pacífico e das Caraíbas (que que poderão desaparecer até 2060 se nada for feito).

Na opinião de António Ferrari, estas realidades começam a estar cada vez mais presentes, o que pode vir a transformar as pessoas em consumidores mais interessados, preocupados e exigentes sobre a forma como as marcas comunicam os seus objetivos e prioridades em torno da Sustentabilidade.

Na sua intervenção, o Assessor de Comunicação mencionou ainda um outro fenómeno para o qual a ONU tem estado particularmente atenta que é o do marketing de influências, nomeadamente o poder e a força cada vez maior que os influenciadores digitais têm sobre um segmento de extrema importância como o da juventude. É precisamente entre os 15 e os 35 anos que estão as pessoas mais permeáveis à mudança e que por isso levam às pretendidas alterações de mentalidades e comportamentos.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

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