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Titiana Barroso

Um caminho Sustentável para um futuro responsável

10 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Nos dias que correm, cada vez mais a Sustentabilidade é um tema de primeira ordem. E cada vez mais indivíduos, empresas e sociedades reúnem esforços que têm como objetivos últimos erradicar a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar, combater as desigualdades sociais, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas. Todos estes fatores afetam o Planeta e vão acabar por impactar os negócios, as nossas casas e a forma como vivemos.

Torna-se por isso urgente criar alertas, para que a vários níveis, possamos entrar nas batalhas que estão ao nosso alcance e ganhar a guerra. Desde há alguns anos que a Multipessoal se tem empenhado em desenvolver ações que promovem a Sustentabilidade. Em 2020, com o processo de transformação, e com ênfase também num futuro responsável, estabelecemos parcerias e desenvolvemos iniciativas de forma voluntária, que têm contribuído para a valorização e Sustentabilidade da sociedade. Algumas dessas iniciativas passaram pela redução da utilização de papel a grande escala: implementámos a inscrição presencial digital (que eliminou a ficha de inscrição em papel), os recibos de vencimento digitais (evitando o consumo e a impressão de milhares de folhas, assim como envelopes para envio aos colaboradores), e a assinatura digital (evitando a impressão de todos os documentos, incluindo contratos que passam a ser assinados por esta via).

Alguns exemplos de outras iniciativas são a disponibilização em todas as instalações da Multipessoal de contentores de reciclagem para que todos nós possamos fazer a correta separação dos resíduos, procurámos também reduzir a produção de resíduos eliminando o plástico descartável, fazendo parte do Welcome Kit para todos os novos colaboradores uma garrafa de água e uma chávena de café reutilizável. De forma a reduzir também o consumo de papel de alumínio, plástico ou papel para transportar o lanche para o trabalho, foi oferecido a todos os colaboradores uma bolsa Boc n’roll, reutilizável e lavável que pode ainda ser utilizada como individual nas refeições do escritório. A iluminação da maioria das instalações é LED e foram instalados em vários locais sensores de movimento que ligam e desligam automaticamente as luzes.

A estratégia da Multipessoal passa ainda por disponibilizar aos colaboradores informação sistemática sobre o tema, comunicar curiosidades e integrar estas temáticas no sistema de gestão interno e desta forma despertar consciências.

Temos ainda um caminho a percorrer e muito para fazer no que diz respeito a novas formas de alcançar maiores níveis de Sustentabilidade, mas cada passo que é dado enquanto organização nessa direção é mais uma conquista que se traduz na nossa contribuição enquanto equipa para um Planeta mais sustentável.


Por Rute Belo, National Senior Manager da área de Recrutamento e Seleção Especializado da Multipessoal

O artigo foi publicado no especial Formação de Líderes para a Sustentabilidade na edição de primavera da revista Líder.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Milhões dizem não às vacinas. Quais as suas razões?

10 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Enquanto o Mundo aponta o foco do período pós-pandemia para uma imunidade geral, através da vacinação em massa da população, permitindo com isso a retoma dos sistemas económicos e sociais e a respetiva abertura dos países a uma nova globalização, cada vez mais vozes se levantam pela opção de escolha a não ser vacinado.

É dos Estados Unidos da América que surge o fenómeno dos no-vaxxers, que não sendo anti vacina contra a COVID-19, reservam-se ao direito de optar pela sua não toma. Tal postura já representa um em cada quatro americanos que dizem não ter intenções de vir a tomar a vacina, uma posição que ainda encontra uma tónica maior entre Democratas e Republicanos dos quais cerca de metade, com menos de 50 anos, afirma perentoriamente não querer tomar a vacina. Esta lacuna partidária está a manifestar-se um pouco por todo o país, com uma queda de cerca de 20%, nas últimas semanas, do número médio de doses diárias administradas, particularmente acentuada nos estados maioritariamente Republicanos.

Num artigo para a revista The Atlantic, o jornalista Derek Thompson, assumidamente a favor da toma da vacina, quis perceber o que pensam e quais as razões dos não-vaxxers.

O jornalista falou com pessoas com menos de 50 anos em que na sua maioria disseram não ser contra todas as vacinas; a sua postura é especificamente contra a vacina da COVID-19.

São várias as razões que levam as pessoas a ter esta atitude, muitas afirmam confiar no seu sistema imunológico para protegê-las e outros ainda referem que pelo facto de já se terem recuperado da COVID-19 acham, por isso, a vacina desnecessária.

Há também quem tema os efeitos colaterais da vacina a longo prazo, reforçando a sua opinião pelo que leram sobre o risco da infeção da COVID-19 em pessoas com menos de 50 anos, sentido por isso que tal não representava uma ameaça particularmente grave.

De forma a conseguir uma mudança de mentalidade entre os não-vaxxers, o jornalista apresenta ainda três formas que podem persuadir aqueles que não consideram imunizar-se contra a COVID-19:

  1. Testar um “serviço de vacinas ao domicílio”

A ideia parte do princípio de que é mais fácil envolver uma pessoa numa atividade quando o acesso a esta é facilitado. Entre as várias sugestões para convencer as pessoas a tomar a vacina (oferta de dinheiro e de comida, por exemplo), mereceu destaque a que propôs um serviço de vacinação ao domicílio, implementado pelas comunidades e feito através de um sistema de reservas. Com este tipo de serviço, tornar-se-ia ainda mais fácil conseguir levar as pessoas mais novas a tomar a vacina.

  1. Quem não é vacinado está a empatar os outros

Alguns governos e empresas americanas estão a descobrir formais mais subtis de levar os não-vaxxers a tomar a vacina. O artigo dá como exemplo o caso da Governadora do estado do Michigan, Gretchen Whitmer, que vinculou as suas políticas de reabertura ao progresso nas vacinas, permitindo que restaurantes e bares aumentassem a sua ocupação assim que 60% do estado fosse vacinado e dando a promessa de suspender o uso de máscaras assim que 70% da população recebesse a segunda dose.

Uma outra forma poderá ser negar o acesso a quem não tenha sido vacinado a eventos desportivos, espetáculos e viagens (algo desejado por milhões de pessoas), o que vem levantar a questão de recorrer à utilização dos passaportes verdes.

  1. A “imunidade natural” não chega a todos

Um dos argumentos que o jornalista encontrou contra as vacinas foi o da suficiência do sistema imunitário de cada um, contraposto pelo facto de as vacinas serem ainda melhores a proteger os outros.

Mesmo para quem já recuperou da COVID-19, a vacinação total fortalece a proteção dos anticorpos e das células T contra a doença e provavelmente fornece uma proteção superior contra variantes que podem afetar a imunidade natural.

É importante existirem vários níveis de proteção, uma vez que as vacinas não se limitam a construir uma parede defensiva em torno de pessoas jovens. Está-se também a criar uma defesa coletiva em torno dos mais vulneráveis, como familiares e vizinhos mais idosos e pessoas portadoras de doenças autoimunes.

Na opinião do jornalista, os EUA sofrem de um deficit de imaginar a vida das outras pessoas. Tanto para os já vacinados, que não perdem tempo a perceber a lógica daqueles que recusam as vacinas, como para os não-vaxxers, que poderiam reconsiderar a sua postura se compreendessem as consequências a longo prazo das suas decisões. Em vez de apontar o dedo ou intimidar, o foco deveria ser ampliar o círculo de cuidado, percebendo que as células podem ser boas o suficiente para nos proteger a nós próprios mas não aos outros.

Arquivado em:COVID-19, Notícias

A ambição da H&M: «Tornarmo-nos totalmente circulares e positivos para o Ambiente»

10 Maio, 2021 by Titiana Barroso


A indústria da moda está perante uma emergência ambiental, profundas transformações estão a ser encetadas para melhor e o Grupo H&M está a preparar-se para não ficar para trás.

«Criar mudança sustentável numa indústria de rápida evolução requer que combinemos uma liderança pelo exemplo com parcerias e diálogo, por isso acredito que uma abordagem colaborativa é essencial», explica Nuria Ramirez, Sustainability Manager da H&M Portugal e Espanha.

Determinada, juntamente com a sua equipa, a dirigir a indústria para um método de trabalho circular em todas as fases da cadeia de valor da H&M – do design e produção à utilização, reutilização e reciclagem por parte do consumidor – e a utilizar apenas recursos sustentáveis, renováveis e reciclados. Entre as diversas iniciativas, em fevereiro último, a H&M apresentava um novo conceito de marca, as Innovation Stores, com coleções que se inserem exclusivamente na lógica da moda sustentável.



A ambição da equipa é clara: tornar a marca positiva para o Ambiente em 2040. Alguns dos objetivos mais notáveis são até 2030 utilizar 100% de materiais de fontes sustentáveis nas coleções, 100% de energia renovável e 100% de embalagens produzidas em materiais reciclados ou de fontes sustentáveis, detalha ainda em conversa com a Líder. Nuria Ramirez integrou a H&M em 2000, como responsável da segunda loja aberta em Madrid, durante mais de uma década a sua trajetória desenvolveu-se na área Comercial, posteriormente assumiu a posição de Manager de área ao longo de oito anos e em 2014 incorporou o Departamento de Sustentabilidade com responsabilidades em Espanha e Portugal.

O foco da multinacional sueca de moda e artigos para o lar estará na inovação e na transparência seja nas novas formas de trabalhar, como e com quem trabalha, à performance e aos desafios que enfrenta, assim como a divulgar todos os detalhes dos produtos aos clientes.

Reunimos algumas marcas que se destacam no panorama da Sustentabilidade para nos desvendarem quais as suas metas para um futuro mais verde. Nuria Ramirez aceitou o desafio.

«A indústria da moda está a mudar para melhor e o Grupo H&M quer liderar esta mudança. O nosso compromisso para catalisar e contribuir para o progresso sistémico nas questões mais urgentes da nossa indústria, é um impulsionador importante das nossas ambições estratégicas: tornarmo-nos totalmente circulares e positivos para o Ambiente, sendo uma empresa justa e igualitária.

Temos como focos a inovação e a transparência para catalisar a mudança, identificando e escalando novas formas de trabalhar e soluções para desafios sociais e ambientais complexos e estando abertos a como e com quem trabalhamos, à nossa performance, e aos desafios que ainda enfrentamos, assim como a divulgar mais detalhes dos produtos aos nossos clientes.

A crise climática e a escassez de recursos são dois dos maiores desafios que o Planeta enfrenta e estamos determinados a ser proativos em dirigir a nossa indústria para um método de trabalho circular em todas as fases da nossa cadeia de valor – do design e produção à utilização, reutilização e reciclagem do consumidor – e a utilizar apenas recursos sustentáveis, renováveis e reciclados. O nosso objetivo é tornarmo-nos completamente circulares, o que é uma base importante para nos tornarmos positivos para o ambiente em 2040.

Alguns dos objetivos mais notáveis são até 2030 utilizar 100% de materiais de fontes sustentáveis nas nossas coleções, 100% de energia renovável e 100% de embalagens produzidas em materiais reciclados ou de fontes sustentáveis.

Criar mudança sustentável numa indústria de rápida evolução requer que combinemos uma liderança pelo exemplo com parcerias e diálogo, por isso acredito que uma abordagem colaborativa é essencial.»

Pode ler todas as intervenções na edição de primavera da revista Líder.

Por TitiAna Amorim Barroso

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Liderança, masculinidade precária e as raízes do autoritarismo

10 Maio, 2021 by Titiana Barroso

As características de muitos apoiantes de perfis autoritários podem ser explicadas pela «teoria da «masculinidade precária»[1] .Esta teoria deriva essencialmente da nossa forma de reprodução biológica que considera o esforço reprodutivo entre homem e mulher dividido de forma assimétrica.[2]. Enquanto os homens podem reproduzir-se a uma taxa muito mais rápida do que as mulheres e beneficiam mais com quanto mais copulação tiverem, as mulheres não. Porém, a masculinidade, enquanto parte integrante da exibição das capacidades do «macho humano» no seu esforço de acasalamento, tem de ser afirmada e reafirmada, não lhe bastando os «marcadores biológicos». Por isso é muito (mais) comum nas nossas vidas quotidianas ouvir ainda a expressão “sê um homem!” do que “sê uma mulher!”. É que a masculinidade tende a ser tratada de forma mais «precária» do que a feminilidade (daí o nome da teoria). Num certo sentido o homem tem de «tornar-se», enquanto a mulher não. Bastam-lhe os marcadores biológicos.

Ora, se isto significa que a masculinidade tem de ser alcançada, significa também que pode ser perdida, dependendo da permanente exibição das capacidades competitivas, habilidades e recursos ou de outros traços exibidos que sinalizem e distingam o «valor» do seu portador aos olhos dos outros.

Ao longo da história as diferenças na biologia reprodutiva da nossa espécie conseguiram sempre motivar os homens para encetar comportamentos políticos acompanhadas de riscos substanciais. Eis porque a guerra e o crime são, e sempre foram, assuntos essencialmente masculinos, mesmo sendo muito arriscados (ou talvez por isso). É que para os homens, o maior risco de todos consiste em não serem sequer selecionados para se reproduzirem e ficarem assim fora da «corrida reprodutiva» no fundo genético, o que faz com que quaisquer atividades, por mais arriscadas que sejam, ou qualquer risco, por maior que for, seja melhor que risco nenhum.

Em todas as culturas conhecidas é mais provável que sejam os homens do que as mulheres a agredir fisicamente os seus opositores, como também que sejam eles a agrupar-se e a aliar-se no apoio à competição e ao confronto e que sejam capazes de arriscar mesmo a sua vida. Tudo serve para mostrarem as suas capacidades, destreza, habilidades e recursos, no fundo, o seu valor como (bons) parceiros. Ao equiparar a «masculinidade» ao «sucesso» nestes domínios, as normas culturais não fizeram mais do que reforçar e amplificar as diferenças evolutivas de base associadas ao sexo e ao género na psicologia política e na biopolítica.

A teorização da «masculinidade precária» pode parecer «estranha», mas ajuda a compreender por que razão os homens com menos educação formal e ansiosos de mobilidade social ascendente são mais propensos a apoiar indivíduos autoritários e dominadores e a aderir ao seu discurso. É que este tipo de personagem política ajuda emocional e simbolicamente este tipo de indivíduos a reafirmarem também a sua «masculinidade». E de resto, os indivíduos autoritários continuarão a fazer parte da realidade e da coreografia política, atual e futura.

 


Por Paulo Finuras, Ph.D, Professor Associado Convidado ISG

NOTA: Partes deste artigo foram extraídas, com alterações, do livro Bioliderança, 2018, do mesmo autor, Edições Sílabo

[1] Bosson & Vandello, 2011

[2] Enquanto os homens não são (do ponto de vista fisiológico) obrigados a suportar os custos parentais (i.e. o esforço despendido para criar a descendência como por exemplo o custo da gestação e da amamentação), as mulheres são

Arquivado em:Academia

iServices celebra 10 anos com a abertura de duas novas lojas

7 Maio, 2021 by Titiana Barroso

No mês que a iServices completa 10 anos de existência no mercado nacional e para assinalar a celebração, a marca acaba de inaugurar, a 4 de maio, mais duas novas lojas: na Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo e no Braga Parque, em Braga. A marca líder de mercado em reparação de smartphones e tablets tem vindo a verificar um crescimento superior a 20% na sua faturação, e prossegue desta forma o seu plano de expansão em Portugal.


“A abertura de novas lojas faz parte da nossa estratégia para alargarmos, cada vez mais, a nossa presença física em todo o território nacional. O nosso objetivo é a criação, de forma crescente e abrangente, de uma maior proximidade com todos os nossos clientes, de norte a sul do País o que nos permitirá continuar a crescer a um ritmo superior a 20% ao ano, tal como temos vindo a verificar até aqui”, salienta Bruno Borges, fundador e CEO da marca.

As novas lojas, nos centros comerciais Estação Viana e Braga Parque, mantêm o padrão e disponibilizam agora aos habitantes das respetivas cidades, uma ampla e diversificada oferta de serviços de reparação e produtos de marca própria que fazem parte do quotidiano de todos os portugueses, sejam cabos, capas, películas e outros acessórios diversos. Para além do core business na área de reparação de equipamentos, a empresa tem aumentado as vendas de equipamentos recondicionados nas suas lojas físicas e na loja online, com base nos preços competitivos e numa oferta cada vez mais diversificada.

O plano de expansão da iServices para 2021 continua através da inauguração de novas lojas em território nacional, estando para breve a abertura de mais espaços quer no continente, quer nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Com esta aposta, a iServices reforça, uma vez mais, a sua presença no mercado português, tendo em aberto um processo de recrutamento para Técnicos de Eletrotécnica.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Criar uma cultura de empoderamento

7 Maio, 2021 by Titiana Barroso

A grande mudança para o trabalho remoto que ocorreu em 2020 fez com que as empresas tivessem, subitamente, de depositar muito mais confiança nos seus colaboradores, acreditando que cumpririam as suas tarefas.

A sensação de controlo que os ambientes de escritório traziam desapareceu de um dia para o outro quando os colaboradores se instalaram nos seus escritórios em casa, ou nos seus quartos ou mesas da cozinha, e prosseguiram o trabalho como sempre. Os receios de grandes quebras de produtividade provaram ser infundados e muitas organizações reportaram impactos positivos nas suas equipas.

O que esta situação ilustra é a vantagem da capacitação e autonomia dos colaboradores – dar-lhes a oportunidade de tomar os assuntos nas suas próprias mãos não leva ao desastre!

Embora possamos regressar a um certo nível de normalidade nos próximos meses, ninguém pode esperar que o mundo do trabalho volte a ser o que era novamente. De facto, o que esperamos que aconteça é que muitos venham a utilizar esta oportunidade para dividir o seu trabalho de forma mais equilibrada entre o escritório e as suas casas.

Se há uma lição que as empresas devem retirar de 2020 e dos primeiros meses de 2021, é que é possível confiar que as pessoas farão o seu trabalho; e que esta perspetiva deve refletir-se na cultura da empresa e na sua abordagem ao futuro. Temos uma oportunidade real para realizar uma mudança generalizada na forma como gerimos, motivamos e avaliamos as pessoas. Então… como as podemos capacitar?

Não mude o objetivo: mude a proposta

Desde o início do mundo dos negócios como o conhecemos que os líderes e os gestores têm estabelecido metas para os seus colaboradores – vendas, geração de leads, taxas de conversão, resultados, etc. – e depois criado “caixas de verificação” passo a passo para lá chegar. Isto permite aos colaboradores trabalhar com um plano pré-definido e, em teoria, na direção dos objetivos. Mas se este ano nos ensinou alguma coisa, é que nem tudo funciona como planeamos, e que um mais um nem sempre é igual a dois.

Obrigar pessoas a trabalhar segundo diretrizes rígidas e a cumprir avaliações de desempenho arbitrárias através de ações específicas não apenas aniquila a sua criatividade e entusiasmo, como também pode prejudicar ativamente os resultados finais. Em vez disso, as empresas necessitam de reestruturar os seus modelos organizacionais para colocar o foco nos resultados gerais, e não nas formas através dos quais estes se atingem.

Atribuir objetivos aos colaboradores, dando-lhes a liberdade de escolher como os atingir, encoraja-os a encontrar métodos inovadores para o fazer. Dotar as pessoas desse poder, autonomia e responsabilidade pode ter um impacto muito significativo na sua motivação, inspirando novas formas de pensar e possivelmente levando até a novas descobertas e uma maior produtividade. Criar estruturas de incentivo que premeiam o engenho e os resultados melhorará este sistema ainda mais, encorajando colaboradores hesitantes a pensar ativamente sobre o que poderão fazer para melhorar o seu desempenho e ajudar a sua equipa.

Autonomia com apoio

A capacitação dos colaboradores mantém as empresas vivas – é o que lhes permite enfrentar o que se segue e continuar a evoluir. A autonomia pode aproximar os colaboradores do propósito fulcral da organização e funcionar como o verdadeiro “cruzamento” entre o que é bom para o colaborador e o que é bom para a empresa.

Como quase tudo, a autonomia comporta riscos. Permitir que os colaboradores façam o que entenderem não garante que estes atinjam os seus objetivos de forma mais eficiente – ou, já agora, que os atinjam de todo. É esta a questão que leva a que, frequentemente, muitos gestores controlem demasiado os processos, temendo que acabem por ser eles os responsáveis por quaisquer falhas.

No entanto, este é frequentemente um medo do desconhecido, e não um medo que resulte de uma experiência. Para os líderes e managers é assustador transitar para um cenário de total autonomia dos colaboradores; e pode, inclusivamente, fazê-los sentir redundantes e sem controlo. No entanto, há sempre um papel fundamental que as pessoas em cargos de gestão têm de continuar a desempenhar: o de orientar, de localizar a Estrela Polar e guiar toda a gente na sua direção. Por outras palavras, o de definir o objetivo, mas não necessariamente a forma de lá chegar. Se tiver contratado as pessoas certas e se as tiver formado adequadamente, pode mesmo vir a testemunhar uma evolução fantástica com esta mudança.

As melhores ferramentas para o conseguir

É aqui que a tecnologia entra em cena. Um colaborador autónomo precisa de ferramentas para concretizar ideias. Dotar as equipas de tecnologia que não seja “user-friendly” e esperar algo mais que o status quo não é inteligente. Gostaria de citar agora a velha frase “os colaboradores são o maior ativo de uma organização”, substituindo-a por “o maior ativo de uma organização são colaboradores bem equipados”.

O que temos realmente de começar a fazer é investir nos nossos colaboradores da mesma forma que investimos nos nossos clientes. Analisamos meticulosamente cada passo da jornada de um cliente, assegurando que tudo é simples e instantâneo; não queremos que se deparem com bloqueios ou que fiquem presos em burocracias. E se uma determinada corrente de pensamento afirma que os clientes merecem atenção porque são quem garante a entrada de dinheiro numa empresa, também poderíamos argumentar que sem colaboradores não haveria empresa para precisar de dinheiro.

Assim sendo, precisamos de começar a prestar mais atenção às nossas pessoas – construindo soluções adequadas aos nossos propósitos, e não apenas “fora da caixa” na esperança de que funcionem. É necessário ouvir as necessidades dos colaboradores, compreender como os seus dias funcionam e encontrar maneiras de resolver os problemas que têm. Pode apresentar a mais brilhante das tecnologias aos seus colaboradores, e isso não fará diferença se eles não tiverem qualquer autonomia.

Qualquer que seja o futuro do trabalho, a capacitação dos colaboradores deve estar no topo das prioridades. Embora seja difícil para muitos dar este “salto de fé”, aqueles que adaptarem a sua abordagem e capacitarem os seus colaboradores serão quem vai colher os frutos da nova era que se avizinha.


Por Bruno Guicardi, Co-Founder & President da CI&T

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