Num mundo que se quer sustentável e onde os humanos padecem de diversos tipos de cegueira, é urgente tornar as coisas claras e visíveis para que nos possamos salvar.
Nesta obra de leitura obrigatória, Ziya Tong mostra-nos exaustivamente e com o rigor de uma escrita jornalística e de divulgação científica, os ângulos mortos, o que nos escapa ao olhar do dia-a-dia. Ângulos mortos biológicos, sociais e civilizacionais tanto nos impedem de ver ultravioleta e infravermelhos, como também de ver o que está mesmo à nossa frente. Uma sociedade cega que precisa de abrir os olhos para se salvar é o repto de Ziya Tong nesta entrevista exclusiva à Líder.
Por Catarina G. Barosa
Foto Noel Fox

O que significa blind spot (ângulo morto)?
Um ângulo morto é a incapacidade de ver alguma coisa que está presente. Quanto aos tipos de ângulos mortos há uns que são intencionais, ou seja, correspondem ao desejo de não ver. Outros, dizem respeito a algumas limitações em relação ao que somos fisicamente capazes de ver. No meu livro, olho para esses dois tipos e para um outro: a este chamo ângulos mortos civilizacionais.
Como seriam as nossas vidas se os ângulos mortos que menciona no seu livro estivessem no nosso campo de visão? Alguma vez imaginou o que poderia mudar para melhor? Ou para pior? Acho que o problema que enfrentamos hoje – todos os grandes problemas, como as alterações climáticas, a pobreza e a crise de extinção – tem que ver com o facto de a sociedade ser cega. Por isso, acredito que é necessário que haja mais transparência e olhos mais abertos.
O que a levou a escrever este livro?
Em parte, foi uma ideia de duche. Um dia, estava a pensar no quão estranho é que, no século XXI, haja câmaras em todo o lado, exceto: de onde vem a nossa comida, a nossa energia e para onde vai o nosso lixo. Chocou-me o quão estranho é nós sermos a espécie mais poderosa do mundo, mas estarmos cegos em relação à forma como sobrevivemos. Então, quis investigar este assunto. Ao mesmo tempo, ao difundir questões científicas durante os últimos dezassete anos, trabalhei com cientistas de todo o mundo, com diferentes “lentes” sobre o mundo: alguns estudam os solos e conseguem ver os mais pequenos micróbios, outros são astrónomos e astrofísicos, que olham para cima, para os massivos reatores nucleares a que chamamos estrelas. Há muitas formas através das quais os cientistas conseguem observar e há coisas que conseguem ver que não são visíveis a olho nu. Quis juntar estas duas ideias para revelar o que consegui encontrar; para revelar o que a ciência nos pode dizer sobre os nossos ângulos mortos.

Algumas das histórias que conta sobre a capacidade que determinados animais têm para ver o que nós não vemos é surpreendente. Quais são os animais que mais a surpreenderam e porquê?
Como sabe, há tantas formas incríveis através das quais os animais conseguem ver e nós não! Contudo, algumas coisas que achei maravilhosas são o facto de os pequenos besouros de esterco (escaravelhos) navegarem através da Via Láctea e como os pombos conseguem detetar com precisão o tecido maligno de cancro da mama. Os animais têm tantas formas incríveis de ver o mundo, que nós não temos. É inspirador.
Na segunda parte, escreve sobre ângulos mortos sociais. Aqui, a mensagem sobre a cegueira dos humanos nas suas relações com a comida, a natureza e ainda com outros seres vivos é clara. O que realçaria acerca destes ângulos mortos e como é que poderíamos tornar as coisas mais visíveis e evidentes, ao ponto de acordarmos para a realidade?
Pode ler a entrevista completa na nossa edição de primavera da revista Líder.










