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Titiana Barroso

Abrir os olhos é o repto de Ziya Tong

12 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Num mundo que se quer sustentável e onde os humanos padecem de diversos tipos de cegueira, é urgente tornar as coisas claras e visíveis para que nos possamos salvar.

Nesta obra de leitura obrigatória, Ziya Tong mostra-nos exaustivamente e com o rigor de uma escrita jornalística e de divulgação científica, os ângulos mortos, o que nos escapa ao olhar do dia-a-dia. Ângulos mortos biológicos, sociais e civilizacionais tanto nos impedem de ver ultravioleta e infravermelhos, como também de ver o que está mesmo à nossa frente. Uma sociedade cega que precisa de abrir os olhos para se salvar é o repto de Ziya Tong nesta entrevista exclusiva à Líder.

Por Catarina G. Barosa
Foto Noel Fox


O que significa blind spot (ângulo morto)?
Um ângulo morto é a incapacidade de ver alguma coisa que está presente. Quanto aos tipos de ângulos mortos há uns que são intencionais, ou seja, correspondem ao desejo de não ver. Outros, dizem respeito a algumas limitações em relação ao que somos fisicamente capazes de ver. No meu livro, olho para esses dois tipos e para um outro: a este chamo ângulos mortos civilizacionais.

Como seriam as nossas vidas se os ângulos mortos que menciona no seu livro estivessem no nosso campo de visão? Alguma vez imaginou o que poderia mudar para melhor? Ou para pior? Acho que o problema que enfrentamos hoje – todos os grandes problemas, como as alterações climáticas, a pobreza e a crise de extinção – tem que ver com o facto de a sociedade ser cega. Por isso, acredito que é necessário que haja mais transparência e olhos mais abertos.

O que a levou a escrever este livro?
Em parte, foi uma ideia de duche. Um dia, estava a pensar no quão estranho é que, no século XXI, haja câmaras em todo o lado, exceto: de onde vem a nossa comida, a nossa energia e para onde vai o nosso lixo. Chocou-me o quão estranho é nós sermos a espécie mais poderosa do mundo, mas estarmos cegos em relação à forma como sobrevivemos. Então, quis investigar este assunto. Ao mesmo tempo, ao difundir questões científicas durante os últimos dezassete anos, trabalhei com cientistas de todo o mundo, com diferentes “lentes” sobre o mundo: alguns estudam os solos e conseguem ver os mais pequenos micróbios, outros são astrónomos e astrofísicos, que olham para cima, para os massivos reatores nucleares a que chamamos estrelas. Há muitas formas através das quais os cientistas conseguem observar e há coisas que conseguem ver que não são visíveis a olho nu. Quis juntar estas duas ideias para revelar o que consegui encontrar; para revelar o que a ciência nos pode dizer sobre os nossos ângulos mortos.


Algumas das histórias que conta sobre a capacidade que determinados animais têm para ver o que nós não vemos é surpreendente. Quais são os animais que mais a surpreenderam e porquê?
Como sabe, há tantas formas incríveis através das quais os animais conseguem ver e nós não! Contudo, algumas coisas que achei maravilhosas são o facto de os pequenos besouros de esterco (escaravelhos) navegarem através da Via Láctea e como os pombos conseguem detetar com precisão o tecido maligno de cancro da mama. Os animais têm tantas formas incríveis de ver o mundo, que nós não temos. É inspirador.

Na segunda parte, escreve sobre ângulos mortos sociais. Aqui, a mensagem sobre a cegueira dos humanos nas suas relações com a comida, a natureza e ainda com outros seres vivos é clara. O que realçaria acerca destes ângulos mortos e como é que poderíamos tornar as coisas mais visíveis e evidentes, ao ponto de acordarmos para a realidade?

Pode ler a entrevista completa na nossa edição de primavera da revista Líder.

Arquivado em:Entrevistas

Igualdade de género só será atingida dentro de 135 anos, alerta WEF

12 Abril, 2021 by Titiana Barroso

De acordo com o Global Gender Gap Report, recentemente publicado pelo World Economic Forum (WEF), o progresso para alcançar a igualdade de género parou – e em alguns casos foi até revertido – devido à Pandemia causada pelo COVID-19.

Um ano após a declaração da OMS de um estado mundial de Pandemia, a 15.ª edição do relatório refere que “A emergência sanitária e a respetiva desaceleração económica afetou mais as mulheres do que os homens, reabrindo lacunas que já haviam sido fechadas”.

Analisando 156 países, o relatório considera quatro índices relativos à igualdade de género: empoderamento político; oportunidade e participação económica; saúde e sobrevivência e realização académica.

A pontuação do Global Gender Gap em 2021 é de 67,7%, mas se tivermos em conta apenas os 107 países considerados continuamente desde 2006 até 2021, o valor exato é de 68%. Isto significa que ainda existe um intervalo de 32,3% para que se atinga uma igualdade total. Dos 153 países considerados neste relatório, 98 melhoraram a sua pontuação, enquanto 55 regrediram ou estagnaram. Portugal subiu 13 lugares, classificando-se agora em 22.º posição, depois de ter ocupado o 35.º lugar na classificação anterior, com uma percentagem de igualdade de género nos 77,5%.

Embora nenhum país tenha atingido a meta dos 100%, o top 10 global continua a ser dominado pelos países nórdicos, em que a Islândia atinge os 89%:

  1. Islândia
  2. Finlândia
  3. Noruega
  4. Nova Zelândia
  5. Suécia
  6. Namíbia
  7. Ruanda
  8. Lituânia
  9. Irlanda
  10. Suíça

À medida que os confinamentos encerravam vários setores, como o do Hotelaria, Restauração e Turismo, onde há mais mulheres a trabalhar do que homens, a desvantagem foi evidente com muitas mulheres a assumir o trabalho não remunerado, na assistência aos filhos e apoio na escola virtual.

Já em março de 2021, a Organização Women 20 (W20), em parceria com a Accenture Research, publicou um estudo em que mostra como a COVID-19 teve um impacto diferenciado em homens e mulheres.

Klaus Schwab, Fundador e Presidente Executivo do WEF afirma “Os líderes têm a oportunidade de construir economias mais resilientes, respeitando a igualdade de género, através da criação de sistemas de cuidados e apoios mais equitativos que irão encorajar as mulheres, com base no seu potencial, a fazer a transição para novas funções. A igualdade de género pode ser incorporada na forma como vamos trabalhar no futuro.”

Aqui ficam 7 das principais conclusões do Relatório:

  1. Apenas 68% do caminho para uma igualdade de género global está concluído

Este número representa um retrocesso de 0,5% em relação a 2020. Na atual trajetória serão necessários 135 anos para eliminar a disparidade a nível mundial, mais 36 do que era previsto no ano passado.

  1. Há mais mulheres na política em 98 países

Há agora mais mulheres no parlamento em mais países, como a Bélgica e o Togo a elegerem pela primeira vez uma mulher para o cargo de Primeiro-Ministro. Porém, o empoderamento político é ainda a maior disparidade entre homens e mulheres – com um alcance total de apenas 22%, menos 2,4 pontos percentuais em relação a 2020.

  1. São precisos mais de 250 anos para atingir uma igualdade económica

O relatório aponta especificamente para 267, 6 anos. Relativamente ao índice “oportunidade e participação económica”, o intervalo foi encurtado em apenas 58% no índice total dos países observados, correspondendo a uma “melhoria marginal” desde a edição do ano anterior.

  1. 30 Países alcançaram a paridade na realização académica

Juntamente com “saúde e sobrevivência”, este é o índice onde existiu mais progresso. 30 países já eliminaram completamente as disparidades nos aspetos relacionados com a realização académica (literacia, escolaridade, nível de ensino superior), com 95% do índice alcançado a nível global. As projeções do WEF preveem que irá demorar mais de 14 anos para atingir os 100%.

No índice “saúde e sobrevivência”, 96% da disparidade entre os géneros foi eliminada. Aqui surge o número sempre curioso da existência de mais homens do que mulheres no mundo – com a China e a Índia a representam cerca de 90% a 95% da estimativa de 1,2 a 1,5 milhões de mulheres a menos nos nascimentos anuais em todo o mundo, em resultado de práticas seletivas na definição do sexo dos bebés. O número estimado de “mulheres desaparecidas” foi de 142 milhões em 2020, duas vezes mais do que em 1970. Numa nota mais positiva, relativamente à esperança média de vida, há quase uma paridade de género na maioria dos países incluídos no relatório.

  1. 41% dos profissionais em cargos de chefia são mulheres

Apenas 22 países eliminaram em pelo menos 80% a lacuna entre géneros na ocupação de cargos de chefia – e no lado oposto, há 20 países onde essas desigualdades representam 80% do tecido laboral, em iguais cargos. A barreira invisível de progressão de carreira, o chamado “teto de vidro”, persiste em algumas das economias mais avançadas, como os EUA, Reino Unido, Itália e Holanda.

  1. 5% das mulheres ficaram desempregadas durante a Pandemia

Este número é visto em comparação com 3,9% dos homens, de acordo com as primeiras projeções da Organização Internacional do Trabalho, que analisou o impacto da Pandemia COVID-19 nas desigualdades entre homens e mulheres, no que respeita à participação económica.

  1. As mulheres representam apenas 14% da força de trabalho na área de Cloud Computing

Em profissões ligadas à tecnologia mais emergente persistem as desigualdades. O WEF em colaboração com o Linkedin Economic Graph examinou oito mercados de trabalho em rápido crescimento. Em apenas dois existia uma paridade de género, enquanto as desigualdades acontecem com maior prevalência ​em campos que requerem capacidades técnicas mais disruptivas. Segundo o relatório, a participação das mulheres no Cloud Computing é de apenas 14,2%.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

De preencher vagas a construir estratégias

9 Abril, 2021 by Titiana Barroso

As equipas de Recursos Humanos estão a enfrentar um desafio urgente e sem precedentes: o mundo está em rota de colisão com um défice de competências de cerca de 85 milhões de pessoas, o que faz com que a escassez de profissionais especializados se torne no principal risco para as organizações, já elas fortemente pressionadas para acompanhar a evolução da tecnologia.

Enquanto os líderes empresariais tentam recorrer aos RH para obter respostas, é evidente que preencher requisitos deixou de ser suficiente. As equipas de aquisição de talento preparam-se para assumir um papel muito mais estratégico, um papel que redefinirá a forma como as empresas alinham o trabalho com a estratégia de negócio e alavancam o outsourcing para atrair todas as categorias de talento.

Os objetivos de outsourcing mudaram, abrindo portas para que os RH possam gerar um novo valor para os negócios por meio da colaboração.

Durante 20 anos, as empresas dependeram o custo como a estratégia central da aquisição e gestão do trabalho flexível (cost-out), inicialmente por meio de programas de gestão de fornecedores pelas áreas de Compras que identificavam e reduziam os gastos das empresas, depois, por uma recessão global que criou uma abundância de talento disponível no mercado, sendo notória a aplicação da lei da oferta e da procura. Mas a bolha do cost-out rebentou, e as empresas enfrentam a maior escassez de talento desde 2006. À medida que a população vai envelhecendo e as competências vão mudando, 45% das organizações têm dificuldades em preencher vagas. A equação da oferta/procura inverteu-se em prol do talento, subvertendo a balança e rompendo com estratégias old fashion que não estavam preparadas para atrair talento numa economia saudável com uma taxa de desemprego em níveis mínimos históricos. Ao mesmo tempo, os Diretores de empresa passam a reconhecer que uma abordagem isolada ao talento é o principal obstáculo à gestão estratégica de Recursos Humanos. A atual guerra pelo talento, altamente tecnológica e em rápida evolução, exige que as áreas de Compras e RH não só trabalhem em uníssono, como também envolvam empresas de outsourcing inovadoras que consigam gerar valor adicional. Estas parcerias externas têm evoluído muito além do outsourcing tradicional. Algumas empresas visionárias oferecem agora modelos colaborativos de prestação de serviços que vão desde a automação e transformação digital até serviços corporativos globais e serviços partilhados, com recurso, por exemplo, a soluções gaming, de chatbots ou análises preditivas avançadas, para transformar todas as etapas do ciclo de vida do talento, tendo-se ainda adaptado nestes dois últimos anos a metodologias de trabalho de conexão de produtividade e bem estar perfeitas, baseadas em soluções work from home com excelentes resultados.

A aquisição de talento tornou-se altamente complexa, por um lado, e profundamente pessoal, por outro.

Sob uma intensa pressão para se adaptarem e diferenciarem constantemente, as empresas veem-se dependentes de uma força de trabalho dinâmica que desafia a comodismo, atravessa múltiplas categorias de trabalho, entra no circuito através de várias fontes e por inúmeros meios e exige cada vez mais trabalhar nos seus próprios termos. Os líderes empresariais estão a subir as suas expectativas de aquisição de talento nesse sentido.

Nove em cada dez gestores de topo acreditam que, para as suas empresas continuarem a prosperar têm de melhorar substancialmente o envolvimento com os candidatos e criar metodologias de trabalho mais inovadoras – dois objetivos que requerem uma profunda compreensão do mercado de talento global e um foco na mentalidade que privilegia o talento individual. É uma tarefa difícil, e os líderes de RH mais perspicazes estão a recorrer a parceiros de outsourcing para ir além dos típicos dados demográficos e recrutar com uma promessa de personalização. Trabalhadores de todas as categorias exigem cada vez mais experiências de trabalho personalizadas, ao mesmo nível das experiências de que usufruem nas suas vidas pessoais enquanto consumidores. Embora alguns objetivos sejam digitais, os parceiros estratégicos de outsourcing sabem que a experiência humana continua a ser fundamental.

Na linha da frente estão empresas cuja abordagem de segmentação de talento que vai além da tradicional análise de dados demográficos para identificar atributos e comportamentos que definam estilos de trabalho preferenciais para os candidatos; como se sentem em relação ao desenvolvimento de competências e novos desafios; se aceitam a mudança com entusiasmo ou preferem o status quo; e qual a perceção deles sobre as marcas empregadoras, por exemplo. Este tipo de segmentação de talento oferece uma visão mais adequada para identificar, alcançar, envolver e reter os profissionais mais compatíveis com determinada estratégia de recursos humanos, além de ajudar os líderes das empresas a fazer os ajustes certos à medida que essa estratégia for mudando.

As equipas de aquisição de talento enfrentam atualmente exigências assustadoramente desafiantes – mas não as enfrentam sozinhas. As empresas de outsourcing estão a ajudar os seus parceiros de RH a desempenhar um papel mais estratégico. Em conjunto, estão a navegar o complexo cruzamento entre trabalho, trabalhadores e tecnologia e a redefinir o valor que podem agregar as empresas em todo o mundo.


Por Marco Rocha, Operations Manager Staffing & Outsourcing da Kelly Services Portugal

Arquivado em:Opinião

As 5 principais conclusões do relatório World Economic Outlook (FMI)

9 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Persiste a incerteza nas perspetivas globais do desenvolvimento e evolução das economias depois de um ano de Pandemia. Apesar do surgimento das vacinas, as novas mutações do vírus e a crescente perda de vidas humanas compõem um cenário ainda alarmante e problemático.

A recuperação económica é divergente entre países e setores, reflexo das variadas medidas de contenção do vírus e extensão das políticas de apoio.

As diferentes velocidades de recuperação das Economias verificam-se em todas as regiões e níveis de rendimento. Nas economias avançadas, espera-se que os Estados Unidos da América ultrapassem o nível do PIB pré-COVID já em 2021, enquanto noutros países o mesmo só irá acontecer em 2022. Entre os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, a China já havia regressado ao PIB pré-COVID em 2020.

Os divergentes caminhos de recuperação irão provavelmente criar lacunas significativas nos padrões de vida entre os países em desenvolvimento e outros, em comparação com o cenário pré-Pandemia. É certo que a contração da atividade económica em 2020 foi algo sem precedentes, mas poderia ter sido muito pior. As estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugerem que a contração poderia ter sido até três vezes maior se não tivesse existido um suporte extraordinário de políticas e medidas.

Para melhor compreender a perspetiva e futuro do desenvolvimento económico global, conheça as cinco principais conclusões do novo relatório World Economic Outlook (WEO), publicado pelo FMI:

  1. Uma melhor perspetiva

Após uma contração estimada de -3,3% em 2020, espera-se que a economia global cresça 6% em 2021, e 4,4% em 2022. A contração para 2020 é menos 1,1% do que o inicialmente projetado no WEO de outubro 2020, refletindo na maioria das regiões um crescimento acima do esperado no segundo semestre do ano, após o levantamento das medidas de confinamento e adaptação às novas formas de trabalho. As projeções para 2021 e 2022 são 0,8% e 0,2% acima do que o anterior WEO tinha previsto, reflexo de apoios fiscais adicionais em algumas economias e a disponibilização da vacina na segunda metade do ano 2020.

Segundo o relatório, relativamente a Portugal, e aos número do PIB -7,6% em 2020, as projeções apontam para uma variação de  -3.9% em 2021 e -4.8% em 2022, sendo que a média dos países europeus mais avançados foi de -6.8% em relação a 2020, – 4.5% em 2021 e 4.0% em 2022.

Graças a uma resposta política sem precedentes, é provável que a recessão provocada pelo COVID-19 deixe cicatrizes menores do que a crise financeira global de 2008. No entanto, as economias dos mercados emergentes e os países em desenvolvimento foram atingidos com mais força e irão sofrer a médio prazo perdas mais significativas.

  1. Impactos divergentes

As perdas têm sido particularmente grandes para os países que se apoiam no turismo e nas exportações de commodities, e também para aqueles com uma limitada resposta política. Muitos desses países entraram em crise numa situação fiscal precária e com menor capacidade de fornecer respostas nas políticas de saúde ou apoio nos meios subsistência.

Jovens, mulheres e trabalhadores com um nível de escolaridade mais baixo e os empregados em situação precária e informal, foram os mais atingidos. A Pandemia vai aumentar as desigualdades de rendimento entre as pessoas. Estima-se que um excedente de cerca de 95 milhões de pessoas passem abaixo do limiar da pobreza extrema em 2020, em comparação com as projeções pré-Pandémicas.

  1. A incerteza no panorama global

O futuro depende de vários fatores: do caminho da crise de saúde, incluindo se as novas mutações da COVID-19 serão vulneráveis às vacinas ou não; da eficácia das ações políticas na limitação dos danos económicos persistentes; da evolução das condições financeiras e os preços das commodities; e da capacidade de ajuste da Economia.

O fluxo e refluxo desses fatores e a sua interação com características específicas do país irão determinar o ritmo de recuperação e extensão dos danos causados. Considerando a grande incerteza no panorama global, os decisores políticos devem priorizar as políticas mais prudentes, independentemente do cenário que irá prevalecer, tais como: fortalecer o apoio social com maior suporte ao desemprego em trabalhadores independentes e em regime informal; dar a garantia de recursos adequados nos cuidados de saúde, em programas de desenvolvimento da primeira infância, educação e formação profissional; e investir em infraestruturas para acelerar a descarbonização.

  1. Prioridades políticas

Uma vez que a vacinação se torne vulgarizada e a pressão nos sistemas de saúde retome os níveis pré-COVID-19, as restrições podem começar a ser levantadas. Enquanto a Pandemia continua, as políticas devem primeiro focar-se em sair da crise, priorizando os gastos com a saúde, direcionando o apoio fiscal e mantendo uma política monetária adequada. Assim, à medida que se avança na recuperação, os decisores políticos devem limitar os danos económicos a longo prazo com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva (investimento público, por exemplo) e incrementar os incentivos para uma locação eficiente de recursos produtivos.

  1. Forte cooperação internacional

Tal princípio é vital para alcançar os objetivos e garantir que as economias dos mercados emergentes e países em vias de desenvolvimento reduzam a lacuna com os países mais ricos. No caso da saúde, isso significa garantir em todo o mundo uma adequada produção de vacinas e distribuição universal a preços acessíveis – inclusive através de financiamento do programa COVAX – para que todos os países possam vencer a Pandemia de forma rápida e decisiva.

A comunidade internacional precisa trabalhar em conjunto para garantir que as economias com restrições financeiras têm acesso adequado à liquidez necessária na gestão dos setores social, económico e saúde. O combate às alterações climáticas não pode ficar para segundo plano, e deve também ser feito num esforço conjunto entre os vários países. Além disso, é necessária uma forte cooperação para resolver questões como a política tributária internacional, limitação na transferência de lucros para fora de fronteiras e evasão fiscal.

Arquivado em:Notícias

Os 90 anos do Senhor Comendador Nabeiro na Líder TV

9 Abril, 2021 by Titiana Barroso

É uma homenagem onde, mais do que os títulos académicos, honrarias de Estado ou outras distinções que lhe foram legitimamente atribuídas, vale pelo seu registo genuíno, inspirador e de forte pendor emocional. Um líder que se fez líder através da vida, do fazer diário, do cultivar a relação com os outros e com a terra que o viu nascer. Campo Maior precisou deste líder e hoje é uma terra diferente por causa da sua fidelidade e liderança.

Nesta homenagem, podemos ouvir José Luís Peixoto, que nos conta o processo que o levou a escrever o romance biográfico Almoço de Domingo, da editora Quetzal, sobre a vida do Senhor Nabeiro que participa igualmente para falar da sua vida, cheia de peripécias, boas e más, mas cheia de humanidade e sentido de dever cumprido. Daqui ficam muitas lições para as nossas vidas e, acima de tudo, lições de liderança autêntica.

Para ver na Líder TV, canal 165 da MEO e ficar a saber que mais do que o Comendador Rui Nabeiro, estamos a falar do Senhor Rui.

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Destinos literários para visitar no “virar de página” da Pandemia

9 Abril, 2021 by Titiana Barroso

A ideia de que os livros dão-nos mundo nunca fez tanto sentido quando há mais de um ano é praticamente impossível a hipótese de viajar e conhecer novos lugares. Viajar através dos livros é uma excelente opção, melhor ainda se através disso se for criando um mapa de próximos destinos com base na literatura.

A leitura é uma ato criativo, e ter a possibilidade de estar no local que serviu de inspiração ao autor realça ainda mais o lugar e a história. É como se a ficção se tornasse real eternizando a história na nossa memória.

O gosto por visitar lugares literários, levou o editor da Penguin, Henry Eliot, a criar um itinerário diferente, partilhado no jornal The Guardian. Aproveite para se inspirar e boa viagem!

Lyme Regis

A cidade costeira a oeste de Dorset, é famosa pelo seu antigo paredão do porto – o Cobb. Um conjunto de degraus no Cobb relembram o momento dramático de Persuasão, de Jane Austen, quando Louisa Musgrove corre na direção dos degraus e é empurrada pelo capitão Wentworth.

Londres

A cidade onde Henry Eliot mora é especialmente rica em locais que serviram de inspiração à ficção: a encosta de Primrose Hill foi o lugar de onde os cães uivaram a pedir ajudar (o twilight bark) no livro de Dodie Smith 101 Dálmatas e onde os marcianos lutaram com cães em A Guerra dos Mundos de HG Wells; no Napoleão de Notting Hill de GK Chesterton, o assassinato dá-se ao lado do café de Bridget Jones a personagem do diário, escrito por Helen Fielding; no Agente Secreto de Joseph Conrad, a bomba explode no Parque de Greenwich e o lugar preferido do editor é a Casa do Senado em Bloomsbury, que serviu de Ministério da Informação em 1984 de George Orwell e de fortaleza contra plantas carnívoras no romance de ficção científica de John Wyndham, O dia das trífides.

Paris, Veneza e São Petersburgo

A visão do editor sobre estas três cidades foi profundamente alterada depois de ler Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, e Crime e Castigo, de Dostoiévski – o mundo dos livros tornou-se mais vívido do que a sua memória. Na sua mente, as ruas de Paris agora fervilham de carruagens e salões cintilantes; Veneza é um pergaminho de mapas e fábulas; e São Petersburgo transpira de uma autorrecriminação claustrofóbica.

Praga e Califórnia

A leitura de “O Castelo” de Kafka e A Leste do Paraíso de Steinbeck antes de visitar Praga e o Vale Salinas, na Califórnia, vieram colorir o seu imaginário. Praga era misteriosa e impenetrável, com ruas e cemitérios amontoados ao redor do castelo na colina, enquanto o Vale Salinas era épico e aberto, uma grande tela na qual se desenrolavam narrativas arquetípicas.

Grécia

Durante uma semana de férias a velejar pela Grécia, o editor leu o As Argonáuticas, um poema épico em grego antigo de Apolónio de Rodes criado no século III a.C.. Estava previsto ser uma viagem pelos Dardanelos, ao longo da costa do Mar Negro, mas em vez disso foi uma semana a saltar de ilha em ilha, enquanto lia sobre os heróis gregos, harpias, monstros e exércitos saltando de dentes de dragão, exatamente como Apolónio teria imaginado.

Escócia – Ilha de Jura

Após a viagem à Grécia, Henry Eliot visitou a Ilha de Jura, um lugar mágico, repleto de lendas e mitos, três vezes maior do que Manhattan, mas com apenas 200 habitantes. Numa caminhada pela Ilha, visitou Barnhill, a casa remota no norte da ilha, onde George Orwell morou entre 1946 e 1949. A casa está praticamente inalterada e ainda há uma máquina de escrever no quarto onde Orwell tossia na cama, morrendo de tuberculose enquanto completava o texto datilografado 1984 (publicado em junho de 1949). Nessa visita, o editor releu a obra-prima distópica – o romance passa-se numa versão urbana e suja de Londres, um mundo longe da grandeza natural do largo arquipélago das Hébridas, composto pelas rochas mais antigas das Ilhas Britânicas.


Buenos Aires

No início de 2018, Henry Eliot viveu a experiência mais memorável de conhecer um local literário, quando visitou Buenos Aires pelo olhar de Jorge Luís Borges, o poeta cego e bibliotecário. Viu o bloco de apartamentos na Avenida Maipú onde o autor morava com sua mãe idosa; tomou café no Café La Biela onde se encontrava com o amigo Adolfo Bioy Casares (há estátuas de Borges e Bioy sentadas numa mesa em La Biel). Visitou a antiga Biblioteca Nacional, onde Borges trabalhava e onde as salas octogonais parecem ter inspirado o conto A Biblioteca de Babel, em Ficções. Segundo o editor, a maior emoção foi estar na Avenida Juan de Garay, no bairro de Constitucíon, que serviu de inspiração no livro de contos “O Aleph”. No exato local onde Borges havia imaginado toda a trama, Henry Eliot leu algumas das suas passagens mais estranhas, brilhantes e caleidoscópicas, o que teve sobre si um efeito vertiginoso e fascinante.

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