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Titiana Barroso

A Vodafone Portugal e o duplo desafio das pessoas e da aceleração digital

13 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Com o 5G no horizonte e depois de 1,6 mil milhões de euros investidos em Portugal nos últimos sete anos, a Vodafone enfrenta hoje o grande desafio da COVID-19. No mundo imprevisível que vivemos, certezas apenas uma, a do quão cruciais as Comunicações se mostram em cenários de vida e trabalho que julgávamos apenas possíveis na ficção.

A realidade veio ensinar-nos que nada é líquido e nada pode ser dado como adquirido. Ou talvez não. Como diz Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, a crise trouxe ao de cima o que mais importa: o Outro, que somos todos.

A entrevista foi conduzida por Francisco X. Froes, no âmbito de um projeto académico desenvolvido em conjunto com Miguel Pina e Cunha (professor de liderança da NOVA SBE e diretor da revista Líder) e Arménio Rego (professor da Católica Porto Business School e diretor do LEAD.Lab) durante o período de confinamento em maio de 2020.

Recorda-se do momento em que pela primeira vez ouviu falar da crise pandémica que atravessamos?
Sim, foi em meados de fevereiro de 2020, quando as notícias do que estava a acontecer em Itália chegaram à Comunicação Social portuguesa. Nessa altura, e perante o que ouvimos, fiquei com o sentimento de que era algo que poderia ter ondas de impacto entre nós. Por essa altura começámos também a ter algum feedback interno, da Vodafone Itália, de que as coisas poderiam estar a agravar-se.

Perante o que ia acontecendo que medidas tomaram? Tinham já alguma preparação para uma situação desta amplitude?
As medidas que tomámos foram progressivas. Começámos pela proibição das viagens profissionais para regiões de maior risco, primeiro China e depois Itália. E estabelecemos a obrigatoriedade de quarentena para quem viajasse. Isto logo no início de fevereiro. Sabíamos, no entanto, que não tínhamos o direito de proibir, mas aconselhar. Mais tarde, começámos a bloquear idas a Espanha e depois todas as viagens para o exterior – isto cá, mesmo antes do Grupo Vodafone tomar essa decisão, convencidos de que por essa via conseguiríamos estancar a entrada do vírus. Mas tudo evoluiu muito rapidamente. Quanto a estarmos preparados, uma empresa como a nossa tem de ter um plano de contingência, e tem-no, mas focado em algo mais específico, que afete ou ameace uma infraestrutura, por exemplo, mas nada de forma a enfrentar uma crise com esta dimensão e este caráter inédito.
Depois de se tentar controlar a circulação e restringir grupos de risco, no início de março começámos a considerar a hipótese de reduzirmos substancialmente o número de colaboradores. Depois percebemos que tinha de ser a sua totalidade. Dia 13, sexta-feira, colocámos os nossos colaboradores em trabalho remoto.
Dada a natureza da crise e do elevado risco associado, antecipámo-nos ao colocar os nossos colaboradores em teletrabalho ainda antes de ter sido decretado o estado de emergência nacional. De qualquer forma, devemos reconhecer que havia muito desconhecimento do que estava a acontecer, mesmo com alguma informação já de Itália, onde as coisas estavam a acontecer com cerca de duas, três semanas de avanço. Mas havia muita informação contraditória, pelo que houve decisões tomadas por via da sensibilidade de alguns membros. Posso dizer que eu era um pouco mais otimista e achava que isto poderia ser controlado.
Por um lado, temia que decisões extremas levassem à instauração de pânico, e por outro havia quem me dissesse que se nos acontecesse aqui alguma coisa teríamos 1400 pessoas no edifício-sede em risco, mais as lojas abertas e as pessoas dos outros escritórios, o que seria um problema gigantesco. Portanto, o que se fez foi ir tomando decisões passo a passo, de degrau em degrau. Por exemplo, os comerciais “face to face” foram para casa e demos prioridade às reparações, a ter equipas a trabalhar em segurança, evitar ao máximo ir a casa das pessoas, entre outras iniciativas. A 16 de março, dia em que foi decretado o Estado de Emergência, focámo-nos numa segunda prioridade: depois das pessoas, a rede. A disponibilidade do serviço passou a ser crítica, sobretudo perante padrões de utilização muito diferentes e mais exigentes face aos padrões até aí normais. Só a título de exemplo, registámos um crescimento da internet fixa acima de 70%!


Existia já na empresa um Gabinete de Crise preparado para responder a situações como esta?
Sim. Nós temos na organização um responsável pela continuidade do negócio, bem como um plano traçado e, do ponto de vista estratégico, ativámos de imediato um plano de prevenção específico. Obviamente acompanhámos mais de perto toda a evolução da situação, com reuniões diárias. Ou seja, acompanhar de perto as necessidades e problemas que iam surgindo com as pessoas, rede, o impacto no negócio, desde o financeiro ao comercial, recursos humanos, tecnologia na componente de IT, a grande pressão sobre tudo o que é VPN, quer no que diz respeito a cliente, quer a nível interno… Com a quase totalidade das pessoas à distância, esta monitorização era fundamental, pelo que foi criado um conjunto de reports diários e KPI de acompanhamento.

Qual é o vosso lema de empresa? Veio a mostrar-se importante para o enfrentar da situação?
Assinávamos: “O futuro é incrível. Ready?”. Mas, na verdade, esta Pandemia veio mostrar que é melhor olhar para o presente e provar que a tecnologia é nuclear. Já no início de abril, a Vodafone apresentou a sua nova estratégia de comunicação global de marca, focada na nova assinatura “Together We Can” para simbolizar a aliança entre tecnologia e humanidade. Acreditamos que conseguir construir um futuro melhor – We Connect for a Better Future é o nosso Purpose – se nos mobilizarmos e usarmos a tecnologia no sentido certo.

E neste contexto a comunicação mostrou-se crucial, presumo.
Sim, sem dúvida. Comunicação, acima de tudo. Utilizamos muito o vídeo. Nos primeiros dias era fundamentalmente a comunicação utilizada, até nos Recursos Humanos, com um conjunto de instruções transmitidas em permanência, de forma a mostrar às pessoas que estávamos atentos ao que estava a acontecer. Por regra, faço mensalmente uma comunicação aos colaboradores sobre o negócio. Recordo-me que na de fevereiro já adiantava a minha visão sobre o que é que poderia estar a aproximar-se… Depois de as pessoas estarem em casa iniciámos um processo de comunicação, mais uma vez através de vídeos, em que eu fiz o primeiro ponto de situação, sumariando as medidas que tínhamos tomado em termos de pessoas e em termos de negócio, e a garantir que o País continuava ligado em termos de rede. Depois, todos os dias tivemos um elemento do “board” a fazer o ponto de situação da sua área de negócio: consumo, empresarial, tecnologia, entre outras.. Comunicámos durante uns dez dias; depois definimos outras estratégias de comunicação e, mais tarde, voltámos a recuperar a normalidade com comunicações todos os meses e em situações pontuais em que tal se justificasse.  Globalmente, mais ou menos de 15 em 15 dias, avançámos com uma “call survey” a perguntar a todos os colaboradores como é que se estavam a sentir, como é que estavam a viver um momento tão singular como este. Ou seja, queríamos demonstrar o nosso apoio, a preocupação com o andamento do trabalho, mostrar que continuávamos perto apesar da distância física. De outra forma, procurámos perceber quais eram as principais preocupações e sentimentos vividos. Os Colaboradores valorizaram muito a prioridade dada à sua segurança, sem layoffs ou outro tipo de medidas difíceis. Felizmente não tivemos de optar por esse tipo de caminhos, e a prioridade número um foi garantir a segurança e a proteção de todos, ao mesmo tempo que continuámos a assegurar a entrega de um serviço de excelência aos nossos Clientes.

A nível pessoal, quais foram as suas primeiras reações e sentimentos quando isto surgiu em catadupa?
Primeiro, experimentar um sentimento de alguma ansiedade. Uma ansiedade  muito significativa, para ser sincero. O que não se quer! Mas inevitável face a um inimigo dito “invisível”, enorme potenciador de insegurança e incerteza. Face a uma situação destas, em que não existem realmente meios de defesa, é muito complicado reagir ou saber como reagir… Tudo eram dúvidas. Muito bem, havia que lavar as mãos, mas e se o outro tocou ali naquela maçaneta e se ficou lá o vírus, e por quanto tempo? Tudo era desconhecido, além das notícias contraditórias por todo o lado. Isso trouxe uma grande incógnita do ponto de vista pessoal e empresarial e um enorme grau de incerteza. Mas com o tempo a ansiedade vai diluindo, mal seria se assim não fosse! Começámos a pensar que haveria de chegar-se a uma solução, haveria de encontrar-se um remédio, mais tarde ou mais cedo iria aparecer uma vacina. É claro que enfrentar o inverno foi duro, a economia afundou, e durante muito tempo ninguém sabia o que é que iria acontecer. Todos os planos empresariais ficaram como que congelados. Contudo, do ponto de vista de gestão, a equação foi simples: primeiro, as pessoas, em segundo garantir que a rede funciona. Estas foram e são as prioridades. Quando todos estamos alinhados nestes propósitos a crise acaba por se gerir sem grandes perturbações. A questão é olhar para a frente. Agora, houve mudanças em  termos de previsibilidade e de gestão do negócio a prazo, onde enfrentámos as maiores dificuldades.

Que ações em “real time” teve de tomar?
A decisão de dizer às pessoas naquela quinta-feira “amanhã já não vêm para o escritório”. Foi uma decisão tomada a quente sem se saber exatamente quais as consequências! Já tinha feito um teste à capacidade da nossa VPN, pedindo às pessoas para ficarem uma manhã em casa… Mas a própria capacidade teórica que tínhamos disponível em princípio não iria suportar todas as pessoas , por isso podíamos ter uma disrupção de serviço complexa no dia seguinte. Escolher entre ter uma rotura de serviço ou ter aqui pessoas que podem ser contagiadas ou podem contagiar outras?! Vamos  fazer o teste. Essa foi uma decisão difícil. As outras decisões, apesar de tudo, não foram decisões de elevado risco. Decidir, por exemplo, pôr as todas pessoas do Apoio ao Cliente a trabalhar a partir de casa, na realidade nunca se tinha experimentado em lado nenhum e na Vodafone fomos o primeiro País a fazê-lo e a assumir esse risco, mas, ainda assim, um risco controlado. Se corresse mal em casa não seria pior do que ter um “Call Center” infetado…  Estes “trade-offs” não foram muito difíceis. Há muitas decisões tomadas na hora, até para mostrar um sentido de urgência e emergência, e para as Equipas sentirem o conforto da tomada de decisão. Pode até não ser a decisão que queriam ou esperavam, mas percebem que se trata de uma decisão urgente que se tomou, assumiu e que tem por intuito seguir-se para a frente. Nessas ocasiões, temos de mostrar que é tempo de tomar decisões, não se pode estar à espera da mecânica de todo um processo burocrático, de muita discussão e racionalização, porque há um sentido de emergência e muitas das decisões têm que demonstrar que estamos alinhados nesse sentido..

E relativamente aos clientes, qual a estratégia seguida?
Em primeiro lugar temos os clientes empresariais, que, numa fase inicial, ainda nos usaram muito como referência. Telefonavam-nos a saber o que iríamos fazer, como fazer, e foi uma fase em que tivemos de comunicar bastante, e ajudámo-los muito nos planos iniciais. Depois, na vertente prática das suas realidades empresariais concretas, eram os clientes que tinham que aportar as suas soluções para essa realidade. E é claro que a nossa ajuda foi fundamental; tivemos nos dez dias iniciais muitos pedidos de colaboração, no sentido de alargar capacidades, garantir soluções de conectividade móvel para colocar em casa colaboradores quando não havia outra alternativa, entre outras iniciativas. Quanto aos clientes particulares, a primeira preocupação foi setorial, pelo que os três operadores juntaram-se para apresentar ao Governo um plano para minimizar os impactos da pandemia e  temos um gabinete que funciona com o Governo nesta área. As grandes preocupações com as pessoas foram naturalmente para a necessidade de lhes providenciar mais dados nas comunicações móveis, para não terem uma limitação. Embora, na verdade, a grande exigência de redes tenha sido no segmento fixo, porque na componente móvel a situação solucionava-se melhor a partir de casa. O nosso objetivo foi ajudar todos os clientes, sejam aqueles que foram para segunda habitação, seja os que passaram a trabalhar em casa, seja aqueles que se confrontaram com dificuldades de pagamento.

Sob o ponto de vista estratégico, o que acha que mudou e ainda vai mudar?
Apesar de ser um otimista estou bastante cético, porque acho que vamos passar por uma crise muito profunda e a sua duração é que é a grande incógnita. Todos irão ser afetados de uma forma ou de outra, e a Vodafone como empresa também, e sem dúvida o País. A nossa economia cresceu bastante em função do turismo, em particular naquilo que é a microeconomia, com muitos empresários em nome individual, muitas microempresas que viviam exclusivamente do Turismo, e a recuperação nesta área vai ser muito, muito longa… As próprias ajudas que serão disponibilizadas e a capacidade concreta de cada um, de cada empresa recuperar será diferente. Os nossos principais mercados de exportação também estão bastante afetados, a começar por Espanha. O Reino Unido também não está melhor, talvez com a Alemanha se consiga fazer qualquer coisa. Em termos de economia global estou algo cético. Por outro lado, e numa vertente positiva, este é o momento em que ficou mais claro que nunca a relevância atual das comunicações e a importância da aceleração digital.

Que alterações irá esse novo contexto suscitar na Hard part e na Soft part da Vodafone?
Com esta aceleração aquilo que julgámos que iria fazer-se em cinco anos vai acontecer em menos tempo. Mas é algo que já estava em curso dentro da Vodafone. Ou seja, já assumíramos antes a transição para um mundo mais digital, que acelerou com esta situação. O que muda nas organizações está relacionado com o potencial do trabalho à distância. O exemplo maior é o caso dos Call Centers, em que uma das grandes limitações existentes e simultaneamente um dos custos substanciais era ter as pessoas alocadas a um espaço confinado. Hoje, prova-se que é possível prestar esses serviços enquanto freelancer e a trabalhar a partir de casa. Portanto, há nesta nova realidade, agora assumida, realmente um potencial. Quanto ao e-commerce, o digital, nas telecomunicações, tinha bastante expressão na relação de cliente, mas na vertente comercial era relativamente reduzida. Ora, isso também vai mudar. Não será tão radical como está a ser hoje, mas vai acelerar, claramente, e isso traz transformações ao modelo de negócio. Conversões previsíveis e que se sabia que iriam  acontecer, só não se sabia que ocorreriam tão cedo!

Que surpresas e descobertas trouxe toda esta nova realidade?
Uma descoberta é que nós conseguimos ser eficientes nas reuniões à distância, e que realmente grande parte da nossa ineficiência das reuniões parte do facto de estarmos juntos… fisicamente! O que pode parecer paradoxal. Mas o estar-se juntos, fisicamente, leva a algumas perdas de tempo, é o bebe-se agora um cafezinho, conversa-se sobre outras coisas antes e depois, é levantar-se para isto e para aquilo… Enfim, e a verdade é que se consegue ser muito mais organizado e produtivo até nas próprias intervenções, porque todos têm de estar calados enquanto quem intervém fala. Digamos que é um método muito mais eficaz. Neste contexto, nós conseguimos ser mais organizados e acabamos por conseguir produzir mais nessas reuniões virtuais do que nas físicas. Isto é óbvio que tem a ver com uma questão cultural. Mas é uma descoberta que realmente conseguimos ser eficientes a funcionar assim. O que tem um contraponto, naturalmente. Sente-se a falta dessas pequenas “pausas” no final do dia. Uma pessoa à frente dos écrans acaba por se cansar mais. No resto, é possível funcionar com eficiência à distância, embora seja fundamental manter a interação nas Equipas. É preciso manter reuniões de Equipa, manter esse espírito, e julgo que é por isso necessário criar um escritório onde as pessoas tenham que lá ir pelo menos uma vez por semana, para que sintam os valores da empresa e se sintam integrados nos seus objetivos.

O que é que aprendeu com tudo isto?
Em primeiro, que nunca podemos dizer que já vimos tudo nem dar nada por certo… E, realmente, eu nunca achei que isto fosse possível, isto é, o extremo de se fechar um País, de parar o País e irmos todos para casa. Era algo impensável. Claro que houve gente que continuou a trabalhar e a movimentar-se, mas realmente enfrentámos uma realidade que parecia ser apenas possível no domínio da ficção, e o choque foi muito grande. É claro que também trouxe aspetos positivos, como fazer com que o mundo inteiro se comportasse como um só e todos contribuíssem e trabalhassem para chegar a uma solução global. Portanto, houve um reescalonar de prioridades e uma união muito grande entre as pessoas. Mas tudo isto gera também um enorme desgaste, psicológico, mental, para não falar do plano económico. No plano do relacionamento social, julgo que a sociedade enfrenta também um grande desafio. Porque este modo de estar e viver acaba por não ser normal, o ser humano precisa de se relacionar, de tocar os outros, de interagir fisicamente, é essencial.

O que é que passa aos seus filhos?
Esta confiança em que, apesar de tudo, a vida continua e alguma solução haverá de encontrar-se, isto sabendo de antemão que todas as gerações tiveram ou viveram momentos dramáticos. Talvez mais específicos nuns casos, e nesta crise com a diferença de ser transversal, global, de uma amplitude por que ninguém ainda tinha passado e com consequências ainda por determinar. O que há a fazer é aprender com o vivido, e neste caso há que retirar lições, a começar pela certeza de que só pelo coletivo e em união podemos sair disto. E creio que aprendemos todos a dar mais valor às coisas certas, à saúde principalmente, mas também ao ajudarmo-nos uns aos outros, ao sermos solidários.

Uma palavra que resuma a COVID-19?
Bastante assustador na primeira fase, agora é desafiante. De assustador a desafiante.

Arquivado em:Entrevistas

Making of da capa da edição de primavera da Líder

13 Abril, 2021 by Titiana Barroso

André Nassar, Consultor Criativo da FCB Lisbon, assina a criatividade das últimas capas da Líder. Na edição de primavera com o tema “Sustainable Leadership: The Grand Challenge” explica-nos o exercício de construção criativa.

«Para contar a história da primeira capa da Revista Líder de 2021, preciso primeiro de falar sobre a referência que me fez chegar a este resultado. Se ainda não viu o documentário “A Life On Or Planet” do historiador natural inglês e apresentador David Attenborough, recomendo que pare de ler o texto neste preciso momento e o retome depois de o ver.


A “Life On Our Planet” é um documentário muito importante, porque explica de forma clara o que está a acontecer com a vida no nosso Planeta: as causas, as consequências e o que podemos fazer de concreto, se agirmos agora, para consertarmos este cenário desastroso.

David Attenborough teve o privilégio de visitar todos os cantos do Planeta e dá-nos o testemunho do que presenciou. Aos 94 anos de idade, ele viu com os seus próprios olhos um Planeta que em 1937 abrigava uma população de 2,3 mil milhões de pessoas e mantinha 64% das regiões selvagens intocadas, saltar para 7,5 mil milhões de habitantes e reduzir as áreas remanescentes para apenas 35%.

Confesso que estava, de uma certa forma, anestesiado em relação a debates sobre o aquecimento global. Acho que nos sentimos um pouco impotentes em relação a este tipo de debate, já que parece tão distante das nossas vidas quotidianas.

Afinal, o que podemos fazer na prática para diminuir o impacto de algo que, aparentemente, não está a ser causado diretamente por nós?

A imagem que me veio à cabeça foi a de George Floyd a ser sufocado no chão de uma rua. Ele repetia a frase “I can’t breathe”, mas o polícia insistia, continuava a pressionar a sua garganta, até que já era tarde demais.

Quando vemos uma imagem dramática quanto essa, causa-nos uma angústia muito grande, um sentimento de urgência.

A vontade de tirar o joelho daquele polícia faz-nos levantar. E fez o mundo levantar-se.

Foi essa a sensação que senti quando vi as imagens dos estragos cometidos pelo ser humano contra o seu próprio Planeta ao longo dos anos. O Planeta tem um joelho na sua garganta. O Planeta não consegue mais respirar.

Para ilustrar esta capa, que fala sobre os enormes desafios que estão no nosso horizonte, precisava de uma imagem que expressasse este sentimento de urgência perante a necessidade de um mundo sustentável.

Decidi representar esse sentimento juntando alguns elementos numa única imagem. Escolhi o menino índio da Amazónia por ser a figura mais próxima do ser humano original, relembrando-nos o quão íntimos éramos da natureza. Ele nos confronta com o seu olhar inocente e assustado no meio das chamas e a fumaça estilizada da floresta. A pintura no seu rosto complementa a imagem com as palavras proferidas por George Floyd. “I can’t breathe”. A natureza está desesperada e pede-nos ajuda.

Esta edição, através de entrevistas, artigos e reportagens, aponta-nos alguns caminhos. E convida-nos a refletir sobre o que cada um de nós está a fazer e pode fazer para tornar as nossas vidas, as nossas empresas e o nosso Planeta mais sustentáveis.

Como David Attenborough, a Líder deste mês deixa-nos uma mensagem clara: não se trata mais de salvar o Planeta. É sobre salvar-nos.»

Arquivado em:Notícias

3 compromissos para a justiça racial nas empresas

13 Abril, 2021 by Titiana Barroso

A 25 de maio de 2020, o afro-americano George Floyd morreu em Minneapolis, após um polícia se ter ajoelhado no seu pescoço estrangulando-o durante mais de nove minutos. “I can’t breath” tornou-se num grito mundial e o mote para um movimento contra a discriminação e o racismo que ultrapassou fronteiras. Mesmo em Pandemia, os protestos Black Lives Matter mobilizaram milhares a saírem à rua. O racismo, preconceito e discriminação face a pessoas negras é atual e está presente nas ruas, estádios de futebol e também dentro das empresas.

Há 40 anos, Leo Sullivan, Líder dos Direitos Civis e Ativista anti-Apartheid, criou um conjunto de diretrizes, “Os Princípios Sullivan” para incitar os líderes das empresas a promover a integração racial, através de medidas como a promoção de mais funcionários negros e de outras raças para cargos de supervisão. O antigo membro do Conselho de Administração da General Motors pretendia assim o envolvimento ativo das empresas americanas na resistência e eliminação do racismo sistémico.

O caso de George Floyd e os efeitos desproporcionalmente negativos do COVID-19 nas comunidades negras aumentaram a consciência social e vieram colocar a luta contra o racismo sistémico como uma prioridade nas agendas corporativas. Há um reconhecimento crescente da necessidade de transformar este momento de avaliação racial num movimento de justiça racial mais amplo que combata os sistemas e as práticas da desigualdade racial no local de trabalho, nos mercados e nas comunidades. Embora muitos líderes corporativos já o façam, as empresas não serão capazes de cumprir os seus compromissos sem o envolvimento profundo dos seus Conselhos de Administração.

Stephanie J. Creary e John W. Rogers Jr. num artigo para a revista Strategy+Business explicam como os Diretores de Conselhos de Administração podem promover a justiça racial, propondo três compromissos para ajudar as empresas a resistir ao status quo e eliminar o racismo sistémico.

Compromisso 1: Um Conselho de Administração inclusivo

O Conselho de Administração (CA) precisa de assumir o compromisso de recrutar Diretores que valorizem e tenham um histórico em questões de diversidade, equidade e inclusão (DEI). No entanto, o fenómeno do tokenismo – o esforço de incluir um funcionário numa força de trabalho para criar a impressão de inclusão social e diversidade, a fim de desviar acusações de discriminação – pode impedir esse objetivo.

Um CA não pode promover a justiça racial sem Diretores de todas as raças comprometidos com a liderança inclusiva. Para isso, devem-se recrutar Diretores com um histórico de suporte e melhoria da justiça racial e de origens racialmente diversas.

Defender abertamente a igualdade e inclusão racial, bem como contratar e promover pessoas de cor para funções de liderança e colaborar em conselhos de organizações sem fins lucrativos envolvidas com comunidades de cor, são prova desse compromisso.

Compromisso 2: Capacitar os Diretores a fazer-se ouvir

Os CA costumam ser hierárquicos: o Presidente do Conselho ou o Diretor-geral dominam as reuniões não havendo oportunidade para outros Diretores falarem. Na perspetiva dos autores, tal pode comprometer o avanço de uma agenda de justiça racial, ou seja, um Conselho não consegue ajudar uma empresa a promover essa agenda sem uma cultura que incentive à expressão de ideias e opiniões.

Os CA racialmente inclusivos falam abertamente sobre justiça e inclusão racial. É fundamental incorporar na agenda das reuniões o tópico da justiça racial pelo menos uma vez por ano. Essas discussões devem incluir: o planeamento de sucessão e a diversidade racial em todos os níveis da empresa, relações com líderes empresariais negros, contribuições filantrópicas e envolvimento com organizações que defendam pessoas negras.

Compromisso 3: Ética e responsabilidade

Segundo os autores, para que uma empresa promova uma agenda de justiça racial terá de existir um senso de ética e responsabilidade. No entanto, cultivar esse sentimento não é uma tarefa fácil.

É necessário que se fale sobre questões de justiça racial. Nas palavras do congressista afro-americano John Lewis, líder de movimentos de direitos civis: “Quando se vê algo que não é justo, tem-se a obrigação moral de falar.” Líderes como John Lewis e Leon Sullivan lideraram a partir de um espaço de obrigação moral e encorajaram as pessoas a falar a verdade e assim ser capaz de desafiar a autoridade e criar mudanças concretas. É claro, que o “Compromisso 2” exige que os líderes criem uma cultura que incentive os diretores a manifestar as suas opiniões, mas os próprios devem agir de acordo com esse imperativo – mesmo em Conselhos de Administração que não incentivem a expressão ou percebendo o risco pessoal em fazê-lo.

Os Diretores do CA têm o dever de agir para o bem da empresa e ter o devido cuidado na forma como gerem e conduzem o seu destino para um futuro mais sustentável. Quando se trata de uma agenda de justiça racial, devem responsabilizar os líderes da empresa no alcance dessas metas. Para isso, podem pedir para verificar os dados relacionados com a diversidade racial, os fornecedores contratados e como a empresa conduz a sua política filantrópica (se considera organizações que trabalham com comunidades mais desprotegidas). Essas métricas podem ser incluídas como parte da avaliação do desempenho executivo da empresa.

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House of Digital Business. É desta nova experiência de trabalho que tanto se fala

12 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Pensada de raiz para revolucionar o futuro do trabalho, a nova sede da PHC Software tem 4 mil m2 de espaço de trabalho para 300 colaboradores, e mais dois pisos de estacionamento em pleno Taguspark, em Oeiras Valley. Uma operação no valor de 12 milhões de euros com a ambição de construir em Portugal um exemplo do que melhor há a nível mundial.

Os três pisos de superfície mais dois abaixo do solo somam 8mil m2, capacidade para 250 lugares de estacionamento. As instalações foram desenhadas a pensar num novo conceito de escritório, com espaço para a criatividade e colaboração. Mais do que um simples espaço, é uma nova forma de pensar o escritório e o local de trabalho.

As instalações oferecem luz natural em todos os postos de trabalho e um terraço com vista privilegiada para o mar. Foi ainda feito um investimento no conforto acústico, para aumentar o foco e a produtividade. A pensar num novo e moderno conceito de trabalho na empresa, conta com vários espaços, nomeadamente auditórios, salas de reunião, estúdio de gravação, espaços de lazer e bem-estar e salas para incubação de startups, entre outros.


“Quisemos ir além da ideia convencional de empresa e criar uma verdadeira House of Digital Business, onde os nossos colaboradores têm todas as condições para ser altamente produtivos e com elevadas condições de bem-estar. Estas instalações são mais do que um edifício, na medida em que são um verdadeiro conceito que nos prepara para criar uma experiência incrível para os colaboradores e clientes. Queremos criar ainda mais valor para a sociedade”, destaca Ricardo Parreira, CEO da PHC Software.

A nova sede da PHC Software fica situada no Lote 33 do Taguspark, perto do Núcleo central e da Praça Nelson Mandela. O edifício consolida uma nova fase de desenvolvimento do Taguspark, no que diz respeito a novas construções, contribuindo assim para a evolução e modernização da arquitetura da Cidade do Conhecimento situada no Concelho de Oeiras.

A PHC Software é uma multinacional portuguesa de software de gestão, com escritórios em Oeiras, Porto, Madrid, Maputo, Luanda e Lima, e conta com mais de 34 mil clientes espalhados por mais de 25 países. A empresa tem sido reconhecida pelas suas boas práticas de gestão e aposta na felicidade no local de trabalho, que já lhe valeram diversos prémios nestas áreas.

Arquivado em:Inovação, Notícias

O homem que cortou a última árvore

12 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Sexta-feira lembrei-me de uma passagem de um dos grandes livros de Jared Diamond: o que terá pensado o homem que cortou a última árvore da Ilha de Páscoa? É verdade que a última árvore talvez já não fizesse muita diferença, mas alguém a cortou na mesma. E se a decisão de sexta-feira tiver sido uma espécie de última árvore? Que efeitos poderá ter esta decisão?

Nesta altura é impossível antecipar os efeitos de uma decisão tão importante, mas este poderá ser o golpe final na confiança de muitos cidadãos nas instituições. Nem se trata de saber quem é inocente e quem é culpado, mas do facto de esta decisão, pela sua natureza, acrescendo ao estado de degenerescência da justiça, acentuar duas suspeitas do cidadão comum: a de que os ricos se safam sempre e a de que existem redes de proteção que se aproveitam de prazos, legalidades e da natureza dos macroprocessos, para garantir o ponto anterior.

Foi uma boa decisão para os populistas à direita e à esquerda. À direita pode agora dizer-se que o regime está podre e que falta ao governo a vontade de o reforma. À esquerda confirma-se que os perigosos capitalistas se safam sempre. Sejamos claros: uma boa economia de mercado precisa de um Estado forte capaz de punir os prevaricadores, nomeadamente os que cimentam as suas posições através da corrupção e não da competição com regras. A nossa desgraça é que nem o Estado é forte nem as empresas que recorrem ao capitalismo de compadres são punidas. Estamos assim condenados a empobrecer enquanto assistimos ao abate da última árvore, esperando que nada aconteça. Afinal era só mais uma árvore…


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

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O capitalismo está morto. Viva o capitalismo

12 Abril, 2021 by Titiana Barroso

Na sua forma atual, o capitalismo irá ruir em 2060. Num artigo que reúne os pensadores de todas as ideologias, Sergio C. Fanjul, para a Forbes espanhola, convida à reflexão sobre o que está para vir.

“É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo” escreveu o Filósofo Fredric Jameson. Desde a queda da União Soviética, o mundo deixou de ser dividido entre capitalismo e comunismo, vivendo, com poucas exceções, num Planeta onde o sistema capitalista é incomparável. Ficaram para trás as profecias de esquerda que consideravam que o capitalismo estava condenado à sua própria morte. Apesar de tudo, são cada vez mais as vozes que consideram necessário, ou mesmo inevitável, que o capitalismo evolua para novas formas para assim superar os problemas que ameaçam o modelo e a própria civilização. O que vem a seguir?

“Esta forma de capitalismo não é mais sustentável”, disse Klaus Schwab, Diretor do Fórum Económico Mundial, que em 2020 concentrou-se precisamente em encontrar uma saída realista para o impasse que o capitalismo hoje representa, em busca de um modelo mais justo e sustentável.

Segundo Santiago Niño Becerra, Economista e Professor da Universidade Ramón Llull, em Barcelona, nos últimos dois milénios, os sistemas socioeconómicos duraram entre 240 a 250 anos: se essa regra continuar a ser observada, o capitalismo irá terminar entre 2060 e 2070.

Tecnocracia para a Democracia

Na previsão menos positiva de Niño Becerra, a classe média continuará em declínio. Assim como o fator trabalho versus capital, a propriedade dará lugar ao pagamento pelo usufruto e as corporações irão substituir as funções do Estado. Segundo o economista, “A Democracia, invenção da burguesia oitocentista, e intimamente ligada ao indivíduo, irá regredir ante o avanço da tecnocracia e a aplicação de normas que, em várias ocasiões, irão significar a diminuição da liberdade pessoal e da privacidade”.

Juan Costa, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia do Governo de Aznar, contesta: “O capitalismo financeiro atual teve grandes sucessos, como a criação de uma classe média global ou um aumento relevante da prosperidade e da liberdade”, mas tal resultou em grandes problemas, tais como a destruição do meio ambiente ou a falta de confiança gerada pela crescente desigualdade. A polarização política e a ascensão do populismo geram, por sua vez, essa falta de confiança.

Já existem indícios que antecedem a mudança. O Economista Emilio Ontiveros, Presidente da AFI (International Financial Analysts) e autor do livro Excesos: Amenazas a la prosperidad global aponta para alguns: BlackRock, a maior sociedade gestora de investimentos do Planeta, anunciou que não iria comprar ações de empresas que não estivessem explicitamente comprometidas com a redução da sua pegada de carbono.

Enquanto o modelo do multicapitalismo depende do mercado, no capital verde, uma das resoluções em torno das alterações climáticas é o ambicioso Green New Deal que propõe uma forte intervenção do Estado: inclui uma maior regulação da economia, uma revisão da tributação, o investimento em energias renováveis, a eliminação das emissões de CO2 ou a criação de empregos numa economia sustentável. Resumindo: não se consegue o progresso ao mesmo tempo que se protege o meio ambiente, sem fazer do cuidado com o meio ambiente o motor do progresso.

Pragmatismo para o regresso à ética

Paul Collier, Professor de Economia de Oxford, explica no seu livro The Future of Capitalism: Facing the New Anxieties como a mudança tecnológica associada à globalização da produção desvalorizou o trabalho, gerando incerteza e desespero e estimulando o populismo. Ele propõe medidas pragmáticas para reparar esse capitalismo fraturado, o regresso a um mundo ético e boas práticas de negócios que redistribuem os lucros e dão aos trabalhadores poder de decisão: bons empregos também tornam as empresas mais lucrativas. Propõe uma tributação progressiva e incidindo sobre as metrópoles, deixando para trás as pequenas cidades e o campo: é preciso taxar mais os proprietários de terras e casas na cidade e os profissionais altamente qualificados que aí trabalham. Cidadania ética e família devem ser baseadas na responsabilidade mútua e obrigações que vão para além da coexistência.

O antigo capitalismo era melhor?

Há também quem assinale que essa utopia capitalista do pós-guerra, com altas taxas de redistribuição da riqueza, não chegou a existir, embora muitos se lembrem dela assim.

Branko Milanovic, Economista e autor do livro Capitalism, Alone, destaca que, embora o capitalismo seja atualmente o único sistema, ele tem duas vertentes: o capitalismo meritocrático liberal, o modelo ocidental, e o capitalismo político, o modelo asiático liderado pela superpotência chinesa. O que mais preocupa o autor é o aumento da desigualdade, não entre países, mas entre as classes sociais dentro de cada país. Para superar essa lacuna são propostas algumas medidas: vantagens fiscais para a classe média; aumento de impostos para rendimentos mais altos e heranças, a fim de reduzir a concentração da riqueza nas mãos dos ricos; melhorar o financiamento e a qualidade da educação pública, entre outras.

O “pós-capitalismo” é o nome dado pelo Jornalista britânico Paul Mason ao sistema económico que está para vir. Nas suas palavras: “Primeiro, salvamos a globalização ao nos livrarmos do neoliberalismo; e depois salvamos o Planeta (e a nós próprios do abismo do caos e da desigualdade) indo para além do próprio capitalismo”.

O capitalismo perdeu a sua capacidade de se adaptar às novas realidades geradas pela explosão tecnológica e precisa ser substituído. O modelo proposto já tem as suas bases no modelo atual: é baseado no fim do trabalho, que pode ser alcançado pela própria tecnologia, a eliminação dos monopólios de informação e a expansão da produção colaborativa, tudo com a ajuda tanto dos Estados como dos mercados.

Alex Williams e Nick Srnicek, autores do livro Inventing the Future: Postcapitalism and a World Without Work e pensadores do Movimento Aceleracionista, defendem a renúncia às mudanças revolucionárias e o alcance da superação do capitalismo com a aceleração radical da sua própria tecnologia. No futuro que propõem, a sociedade pós-trabalho que a tecnologia pode produzir, libertando-nos da maldição do trabalho, também irá precisar de uma poderosa renda de cidadania.

Em conclusão, o autor refere que a partir de muitas posições ideológicas de esquerda, afirma-se a impossibilidade de coexistência do sistema capitalista com a sobrevivência do Planeta, e alerta-se para a possibilidade de existência de um pós-capitalismo num Planeta devastado e distópico. Contudo, Emilio Ontiveros faz a ressalva de que muitas das vozes que clamam por uma reforma do capitalismo não vêm necessariamente da esquerda: “Não são social-democratas ou marxistas, são defensores do sistema, mas capazes de ver com uma visão mais alargada que o curto prazo deste capitalismo selvagem não pode levar a um bom fim”.

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