Este Dezembro, a equipa de futebol do Sporting entrou em campo antes de um jogo acompanhada de 22 idosos. O mote: Stop Idadismo. Tem estado em discussão na sociedade o fenómeno conhecido como idadismo, tradução do mais elegante ageism. A ideia é fácil de compreender: trata-se do preconceito baseado na idade. Daí resulta, por exemplo, […]
Este Dezembro, a equipa de futebol do Sporting entrou em campo antes de um jogo acompanhada de 22 idosos. O mote: Stop Idadismo. Tem estado em discussão na sociedade o fenómeno conhecido como idadismo, tradução do mais elegante ageism. A ideia é fácil de compreender: trata-se do preconceito baseado na idade. Daí resulta, por exemplo, que as pessoas chegadas a uma determinada idade têm de reformar-se – compulsivamente. A reforma compulsiva compreende-se, por um lado, mas continua a ser compulsiva, uma imposição. Como disse em entrevista o José Fragata, professor de medicina recém-aposentado, a reforma “é uma das piores coisas” para quem viveu intensamente uma profissão.
Dizia-me colega amigo, já há uns anos, que a aposentação compulsiva é ilegal na Austrália, o seu país, por ser uma forma de discriminação. Pergunta-se: faz sentido que numa sociedade que procura defender todos os direitos, que alguns direitos continuem por defender? Porque deve uma pessoa deixar de trabalhar de um dia para o outro por causa da idade?
Para agravar as coisas, numa sociedade com desafios demográficos significativos, importa repensar o trabalho também em função dos mais velhos, não apenas deixando trabalhar as pessoas com capacidade e vontade para o fazer, como repensando o trabalho quer para os mais velhos, que não quererão trabalhar como quando tinham 30 anos, bem como para aqueles que noutras fases da vida querem cuidar dos pais e familiares idosos. O combate à discriminação também passa por aqui. Bom Natal!
