Nos Estados Unidos da América, os “micro” doadores, aqueles que contribuem com 100 dólares ou menos, representam mais de 60% de todos os mecenas, mas apenas 3% do montante total de benfeitoria, de acordo com o relatório “Move fast and mend things” do The Economist. Os grandes doadores, com donativos na ordem dos 50 000 […]
Nos Estados Unidos da América, os “micro” doadores, aqueles que contribuem com 100 dólares ou menos, representam mais de 60% de todos os mecenas, mas apenas 3% do montante total de benfeitoria, de acordo com o relatório “Move fast and mend things” do The Economist.
Os grandes doadores, com donativos na ordem dos 50 000 dólares ou mais, representam apenas 0,2% de todos os filantropos, mas contribuem com mais de 47% do valor.
Paralelamente, os ricos têm-se tornado cada vez mais ricos nas últimas décadas. Em janeiro de 2024, havia mais de 2 500 bilionários em todo o mundo, dos quais 746 na América, 470 na China e 180 na Índia. A riqueza total dos 400 americanos mais ricos, de acordo com a Forbes, aumentou de 955 mil milhões de dólares em 2003 para 4,5 mil milhões de dólares em 2023.
Onde está a falhar o filantropismo?
A verdade é que os donativos a nível mundial continuam a ser residuais. O banco Citigroup considera que o valor dos ativos detidos pelo setor filantrópico seja de 2,4 mil milhões de dólares. Em comparação, os ativos dos maiores mercados de capitais estão avaliados em 112 mil milhões de dólares.
Entre os super-ricos, o ritmo das doações não acompanhou a criação de riqueza. A Forbes estima que os 400 americanos mais ricos em 2023 terão doado menos de 6% do seu património líquido atual combinado. Apenas 11 desses 400 doaram mais de 20% da sua riqueza e 127 doaram menos de 1%.

Em muitos aspetos, existiu um afastamento dos modelos filantrópicos tradicionais, numa reação ao “filantrocapitalismo”, que tem dominado o setor desde o início dos anos 2000, segundo o The Economist. O filantrocapitalismo pretendia aplicar a disciplina do mercado e de gestão empresarial ao setor não lucrativo, na esperança de que os ricos se envolvessem com mais facilidade.
No entanto, este movimento focado nas métricas e na eficiência conduziu a uma burocracia excessiva e ficou aquém das suas ambições grandiosas para a caridade.
Este reconhecimento crescente sublinha as diferenças fundamentais entre a filantropia e o mundo empresarial. Ao contrário do que acontece nos mercados, onde o interesse próprio orienta a tomada de decisões, a filantropia baseia-se em ligações pessoais, na colaboração e na concentração na parceria em detrimento da concorrência.
Agora, a esperança é que uma nova abordagem mais direta e sem compromissos – a que alguns chamam “filantropia baseada na confiança” – possa aumentar o ritmo e a eficácia das doações de uma forma que o filantrocapitalismo não conseguiu. O seu objetivo é aumentar a celeridade dos donativos, fazendo com que a ajuda chegue realmente a quem mais precisa.


