Numa das suas crónicas recentes no Financial Times Gillian Tett explicava que, há uma década, o governo suíço decidira, num momento de otimismo, desmantelar um conjunto de explosivos montados durante a guerra fria em pontes, túneis e outras estruturas para retardar uma possível invasão. O texto explicava que a decisão hoje é vista pelas autoridades helvéticas como errada.
O que estes últimos anos têm mostrado é que decisões tomadas de acordo com pressupostos otimistas são custosas. Talvez o mundo ocidental tenha sido influenciado pelo conforto do fim da História, tão bem enunciado por Fukuyama: a ideia de que no futuro seríamos todos demoliberais. Sabemos que o fim da História chegou ao fim. Um conjunto de homens fortes investiu contra os pilares do Estado de direito e as ideias castigadoras do wokismo andaram a obrigar o ocidente a uma reflexão penosa e autopunitiva sobre o seu passado.
Parece hoje claro que a Europa tem uma oportunidade única de se afirmar como o lugar do mundo onde sobrevive a ideia de Ocidente como bastião dos direitos humanos, do multilateralismo e da liberdade. Para isso temos de afirmar o nosso hard power (sem sacrificar o soft) e recordar os nossos valores para os podermos defender, sem estados de alma perante aqueles que os atacam em nome de alegadas utopias.
Não vai ser um caminho fácil mas se não formos por aqui podemos voltar a ser a Europa onde começam as guerras. Não esqueçamos o passado para nos preparamos para o futuro.

