Cada vez mais a Inteligência Artificial (IA) faz parte do nosso dia a dia, e numa recente conversa com um colega, debatíamos o papel da Inteligência Artificial e a inevitabilidade de nos adaptarmos a conviver com ela. Por um lado, defendia-se uma espécie de apocalipse onde a inteligência artificial poderia substituir o ser humano numa […]
Cada vez mais a Inteligência Artificial (IA) faz parte do nosso dia a dia, e numa recente conversa com um colega, debatíamos o papel da Inteligência Artificial e a inevitabilidade de nos adaptarmos a conviver com ela. Por um lado, defendia-se uma espécie de apocalipse onde a inteligência artificial poderia substituir o ser humano numa grande parte de funções, havendo assim lugar à extinção destas. De facto, se em 3023 a Inteligência Artificial for igual ou superior à do ser humano talvez não estejamos cá a fazer nada.
A ideia colocada desta forma foi o mote para a minha (auto)reflexão: Imaginemos um mundo em que a IA faz tudo bem. Sem erros.
Será o erro uma “espécie” ameaçada, em vias de extinção?
Que seria do ser humano sem este lindo acontecimento da vida que é errar?
Como seria viver num mundo sem erro, onde tudo seria previsível e a liberdade de errar, cair e levantar-se (idealmente melhor) fossem eliminados?
O leitor consegue entender, que estou a extremar a ideia, mas sim, ficou claro para mim, que o erro faz parte do património imaterial da humanidade e deve ser protegido, aceite e de alguma forma valorizado.
O erro faz parte da nossa condição humana desde sempre, desempenhando um papel fundamental na nossa existência. Toda a evolução, crescimento e evolução social passa pela existência do erro. Como bem sabemos, a nossa aprendizagem e crescimento não são lineares, mas sim feitas de uma caminhada entre o certo, o errado, o previsível e o imprevisto.
No caso prático da minha profissão, enquanto gestor de marcas, quando estou num processo criativo em que o erro ocorre, normalmente a forma como lido com o erro faz toda a diferença: em vez de me culpabilizar por ter errado e não ter chegado onde me tinha proposto, prefiro abraçar o erro, observá-lo, aceitá-lo e construir por cima. É um caminho que me leva muitas vezes a uma ideia muito melhor do que a inicial.
Talvez na nossa sociedade atual, fruto da velocidade, competitividade e da pressão da entrega de resultados, a conjuntura não esteja muito favorável ao erro, mas cabe-nos a nós enquanto líderes de equipas darmos tempo, espaço e entender que o erro faz parte do processo de aprendizagem de todos. Talvez, de tempos a tempos nos esqueçamos.
Infelizmente (ainda) não somos um país tão inovador como gostaríamos de ser e é também influenciado pela nossa difícil herança cultural: a eterna associação do erro com a culpa. Desassociar a culpa do erro deve ser uma das prioridades de cada um de nós, contribuindo assim, para um futuro país onde o erro possa ser mais aceite, entendido e melhorado.
Nas nossas equipas, talvez tenhamos ainda a possibilidade de dar mais espaço para terem a liberdade de errar, cair e levantar-se.
Não façamos do erro um bicho papão, afinal ele coloca-nos bem fechadinhos “dentro do armário” e acabamos de certa forma a desperdiçar uma liberdade conquistada: a de poder errar. Será então a inteligência artificial o maior inimigo do erro? Espero que não.
p.s. Sobre o papel da inteligência artificial, que foi o que me levou a esta reflexão, acredito que será um excelente catalisador da nossa capacidade humana e de certa forma, também transformador socialmente.

