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Denise Calado

Atlas das Fronteiras – Regresso das frentes, crescimento do muros de Hugo Billard e Frédéric Encel

15 Maio, 2023 by Denise Calado

As fronteiras são as herdeiras da história, fruto de guerras, ódios, desejo de liberdade e poder: como se impuseram desde a Antiguidade?

Um atlas que levanta questões fulcrais para compreendermos o passado e o presente:

– Quando nasceram as fronteiras modernas?
– O Império Chinês terá sido uma construção de frentes, muralhas e fronteiras?
– As fronteiras coloniais poderão ser descolonizadas?
– A Guerra Fria foi também uma guerra de fronteiras?
– E haverá mesmo fronteiras-fantasma? Como a que assombra, desde 1990, a antiga República Democrática Alemã?
– E que outra coisa é um campo de refugiados a não ser uma fronteira sob tensão?

Arquivado em:Livros e Revistas

Pessoas Altamente Sensíveis

15 Maio, 2023 by Denise Calado

Precisa de estar sozinho todos os dias, nem que seja alguns minutos?
O barulho e a confusão afligem-no?
As pessoas à sua volta acham-no demasiado tímido ou reservado?
Se respondeu sim a tudo, há fortes probabilidades de ser uma Pessoa Altamente Sensível (PAS).

Mas não se preocupe, faz parte de uma família numerosa: estima-se que entre 15 a 20 por cento das pessoas (e, curiosamente, dos animais) partilham este traço de personalidade, descoberto há 25 anos pela Dra. Elaine Aron. A autora, psicóloga clínica de renome internacional, e ela própria altamente sensível, dedicou grande parte da sua carreira a estudar as pessoas altamente sensíveis (PAS).

Arquivado em:Livros e Revistas

Biden, um candidato normal

15 Maio, 2023 by Denise Calado

Amanda Hay, da Universidade de Nottingham Trent, apresentou há meses a ideia de que devemos almejar líderes adequados. Por líderes adequados refere-se a pessoas com as qualidades das pessoas normais. Falamos, interpreto, de pessoas com uma dose de bom senso, ligação à terra, sentido de responsabilidade e um bom entendimento do que significa governar.

Teresa de Sousa, a analista imprescindível, refere-se a esta adequação como a força de Joe Biden, um americano normal defensor da normalidade. Os adequados também percebem que o poder deve encerrar uma certa gravitas, uma pose de responsabilidade que é o oposto do espalhafato de Trump, da arrogância imperialista de Putin ou do sentido messiânico de muitos dirigentes do nosso tempo. Também cá faz falta esta gravitas, por vezes trocada por episódios de telenovela rocambolesca. Um governo sem uma dose de gravitas desgoverna-se.

Num tempo de líderes anormais (que se dizem excecionais), esta normalidade é uma característica refrescante. Precisamos de gente assim, normal e adequada. A alternativa são figuras atraídas pelo poder e pela intoxicação que ele provoca. O tema é tratado por Brian Klaas no seu excelente Corruptíveis, sobre as pessoas que se deixam tentar pela magia do poder. Essas, se possível, deixemo-las à distância.

 

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

«Liderar implica a partilha constante de experiências», diz Stella Zita de Azevedo, cofundadora do Instituto Zorgi

15 Maio, 2023 by Denise Calado

Pensar a liderança é sempre um desafio na medida em que qualquer líder é agente de transformação de realidades/contextos com o objetivo de capacitar o outro, ou seja, aqueles que lidera, para a consecução de finalidades e metas que materializam a visão e a missão da organização que representam. Sem pretender referir-me arqueologicamente ao conceito de Liderança, o meu propósito passa por situar esta competência no plano da corresponsabilidade relacional (De Azevedo, 2020), sobretudo no contexto profissional.

“Se escrevo é para abordar o dilema, não é necessariamente para o resolver.”

(J. le Carré, 2013)

As competências de liderança aqui consideradas fundamentais partirão do que hodiernamente se instituiu como autoconhecimento, autoconfiança, resiliência, empatia e solicitude, acrescidas do que no âmbito da Filosofia Hermenêutica a se compreende como Ética do Cuidado. Compreender o que elas pressupõem implica, também, o regresso à raiz do pensamento filosófico ocidental. Mas isso ficaria para outro espaço.

O paradigma moderno da consciência foi substituído pelo paradigma comunicativo, cujo núcleo se encontra no carácter fundamentalmente interpretativo da racionalidade humana. A essência humana é, doravante, possibilidade, vulnerabilidade, incerteza e risco.

O fundo extralinguístico da tradição filosófica ocidental, a partir do qual o “saber ser” se constitui como a finalidade poética da assunção do ser humano no mundo, explicita a vida e o modo de ser das coisas como sendo correferenciais, abertas e históricas. A existência humana é tempo e é na temporalidade que confluem diferentes sentidos e racionalidades que remontam a percursos individuais, sociais e comunitários. É no seio deste modo de ser (ético) que converge dialogicamente a corresponsabilidade relacional (De Azevedo, 2020) e que proponho que se alargue ao pensamento sobre a Liderança como resposta aos problemas éticos e políticos que a pós-modernidade (Bauman, 2000, 2007) ainda levanta (acrescidos de outros de natureza cibernética e digital), através da promoção da incerteza (Rosnay, 1995) e da mudança permanentes ao nível do sistema de valores, atirando-nos para o que Ulrich Beck (2002) chama a sociedade do risco.

Para além do microscópio e do telescópio, encontramo-nos perante o “infinitamente complexo” (Rosnay, 1995), perante o qual a inteligência humana cede espaço e tempo à Inteligência Artificial (IA) e às máquinas aprendentes (Machine Learning) para desenvolverem automatizadamente processos e tarefas como respostas aos problemas oriundos da imensa complexidade da vida e das sociedades.

Não nos desviando do nosso propósito, pergunto de que forma o princípio da incerteza se articula com os desafios com que a Liderança hoje se depara? A resposta que imediatamente surge será a de se defender uma abordagem sistémica do ponto de vista educacional (formal e não formal), salientando a importância da causalidade mútua, da interdependência e da dinâmica característica de sistemas complexos, apoiando-se no pensamento que integra o tempo nos níveis complexos do conhecimento (informação e valores). Este movimento da consciência humana obedeceria aos princípios da educação e do desenvolvimento do ser humano do ponto de vista sistémico, aos níveis intelectual e ética (a pessoa), social ou relacional (o cidadão) e simbólico (a linguagem e a comunicação).

Olhar para a Liderança é direcionarmo-nos para o ver como abertura ao outro, portanto, para a coerência entre os valores e a ação. A complexidade dos processos de comunicação interpessoal torna necessária a aquisição de competências que facilitem a comunicação interpessoal e a gestão de conflitos, através da comunicação empática e da educação ativa. À semelhança da ideia de saúde perfeita (Illich, 1999), definida como ausência de doença, dor e sofrimento, há na definição de Liderança algo que não é objetivável. A experiência humana de autenticidade depara-se, antes de mais, com o opaco e o desconhecido e, do mesmo modo, a liderança de pessoas. Portanto, liderar não é evidenciar nem demonstrar, ao contrário do que acontece no campo tecnológico na sua pretensão exclusiva à verdade.

O tempo cronológico e cairológico no exercício da Liderança 

Há um saber cairológico que é de natureza prudencial, casuístico e dialógico no exercício de Liderança. A ligação subsidiária e familiarmente natural entre o líder e aqueles que lidera reside no facto de que através da linguagem, da memória e da capacidade humana de previsão, este planeia e dirige a ação de liderança em função de objetivos e finalidades previamente estipuladas. O líder possui o seu horizonte de sentido que é proveniente de interrogações, desafios e dúvidas. Liderar, tampouco, coincide com uma racionalidade prática, já que “construir” algo que não está construído implica recuperar a intencionalidade dessa mesma construção (cf. Gadamer, 1992). Liderar implica saber construir uma relacionalidade baseada na confiança, na solicitude e na exemplaridade. Deste ponto de vista, o líder é um facilitador de processos de desenvolvimento identitário de si e dos outros. A sua autenticidade inspira os outros. Sem a sua pessoa, as suas ideias e as suas propostas não têm capacidade de mobilização sustentável. Por conseguinte, ser bem-sucedido significa ter a certeza sobre as suas próprias prioridades, ter consciência dos seus valores e da sua concretude prática. A plasticidade perante a diversidade das pessoas e das suas circunstâncias versam, pois, a versatilidade, a flexibilidade, a capacidade de adaptação, a hospitalidade para com o outro (Ricœur, 1990).

Se o autoconhecimento é a atenção a si, questionamento, honestidade, desafio e apelo à ação, por outro lado, também, é a procura incessante do sentido e significado da experiência humana, a capacidade de partilha, a clarividência assente na coerência, a rede de apoio através da reflexão dialógica e as respostas perante a interpelação da vulnerabilidade e finitude humanas, nomeadamente o criticismo e a intolerância face ao que Arendt (2003) designou como a banalidade do mal.

Liderar implica a partilha constante de experiências, a procura incessante do saber, fortalecendo uma relação de reciprocidade, confiança e esperança de autossuperação num mundo em que a compreensão da pluralidade de pontos de vista enriquece a interpretação de uma dada realidade ou contexto.

Daqui se inferem outras competências, como as de resiliência (Coutu, 2002; Frankl, 2017, 2021), empatia e solicitude, já que as organizações giram em torno da necessidade de sentido, da liberdade e da responsabilidade, das dinâmicas de autotranscendência e autossuperação. A empatia e a solicitude resituam a inteligência, transferindo-a da dimensão cognitiva para as dimensões emocional e ética. Sabe-se que a promoção de experiências de proximidade cognitiva e emocional é uma estratégia impactante na implementação de partilha de experiências, visões e sentimentos.

A reconfiguração do modelo de Liderança é subsidiária da importância que a técnica (e.g. cibernética, o digital) teve na globalização. O etos ou “saber ser”, herdada da ética nicomaqueia, foi reduzido a modelos e categorias pragmáticas (por exemplo, rede, orgânico, artificial, digital, fragmentos, presença fractal, prótese, cibernético, proficiência) correlativas do dever ser.

A técnica do mundo pós-moderno não apreende a dimensão ética e dialógica do que é a solicitude e a comunicação humana.

A ação humana não se reduz à pragmática pois o seu núcleo é ético: preocupação e cuidado com o outro. Daí a experiência humana de vulnerabilidade percebida, sobretudo, em espaços desumanizados e desumanizantes, onde se recriam narrativas que oscilam entre o desgaste profissional e défices relacionais e comunicacionais (sofrimento, burnout, depressão, alienação, assédio).

Associando a solicitude e a responsabilidade relacional à competência de liderar, a Ética do Cuidado (ética concreta, prática) apreende o sentido da capacidade de resposta de quem está sob o cuidado e daquele que se implica naquela capacitação.

Liderar sob a égide ética conforma o individualismo, não fora a responsabilidade e o compromisso intrínsecos ao desempenho e à ação dentro das organizações, sejam elas empresariais ou não. Articulando diferentes lógicas de ação, a relação ética gera uma dinâmica constitutiva da subjetividade e identidade quer de quem lidera, quer de quem é liderado.

 

 

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder. 

Subscreva a Líder AQUI.

 

Stella de Azevedo vai marcar presença na Leading People HR Conference

Stella de Azevedo vai estar presente, no próximo dia 31 de maio, no Centro Cultural de Cascais, com a apresentação da talk “Lideranças Zorgi ou a Arte de Cuidar” juntamente com Sónia Mendes Barbosa, Psicóloga e Psicoterapeuta Cofundadora e CEO do Instituto Zorgi. O momento faz parte do programa da próxima edição da Leading People – International HR Conference, este ano sobre o tema “Sensitive Leadership – Reset, Rebirth, Reinvent Ourselves”.

Pode assistir a todos os momentos do evento, a partir do dia 2 de junho, disponível on demand, de acesso universal e gratuito, na Líder TV, posição 165 do MEO e 560 da NOS.

 

Arquivado em:Artigos

Taxa de desemprego continua a aumentar no primeiro trimestre do ano

15 Maio, 2023 by Denise Calado

A taxa de desemprego continua a aumentar no primeiro trimestre do ano, sendo a maior dos últimos dois anos. Apesar do aumento, os resultados do Inquérito ao Emprego do INE, têm-se caracterizado por um lento aumento do número de empregados (21.800 pessoas) face ao trimestre anterior, confirmando uma desaceleração no mercado de trabalho português.

O número de empregados passou para as 4.924.700 pessoas (85,1% trabalhadores por conta de outrem). O aumento simultâneo do emprego e do desemprego deve-se ao incremento da população ativa, que cresceu, durante o primeiro trimestre, e alcançou um total de 5.305.000 pessoas ativas.

Análise Randstad

A análise aos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE) no primeiro trimestre de 2023, elaborada pela Randstad, revela um aumento do desemprego trimestral de 37.600 pessoas, com a taxa de desemprego a situar-se nos 7,2%. O aumento do desemprego de trimestre para trimestre faz com que esta seja a taxa mais elevada dos últimos 2 anos. Apesar deste aumento do desemprego, o aumento da população ativa faz com que o emprego também registe um aumento de 21.800 profissionais, face ao trimestre anterior.

Este crescimento trimestral lento do número de empregados em cerca de 0,4%, se traduz numa desaceleração no mercado de trabalho português.

Segundo a análise, verifica-se um crescimento, não só trimestral, mas também interanual do emprego (+23.800 pessoas) e do desemprego (+71. 900 pessoas) em simultâneo, explicado pelo aumento da população ativa, em 95.700 pessoas face ao 1º trimestre de 2022.

O estudo revela que o aumento trimestral do emprego se registou no grupo dos assalariados (por conta de outrem) e é mencionado ainda que neste grupo, o primeiro trimestre do ano tem sido caracterizado pela diminuição dos contratos com termo (-1,4%) e pelo aumento dos contratos sem termo (+0,3%). No entanto, em termos homólogos, a situação é diferente, com um aumento registado nos contratos com termo (+7,2%). Ainda no primeiro trimestre do ano, a taxa de trabalho temporário situou-se nos 17,18%

O ligeiro aumento do emprego no primeiro trimestre registou-se em todos os grupos etários, exceto a faixa dos 35 aos 44 anos. Em termos homólogos, apesar do aumento registado, verifica-se uma forte queda nesta faixa etária.

Face ao quarto trimestre de 2022, o emprego cresceu em todos os setores, registando-se um maior crescimento no setor da agricultura com um aumento de 7,6% e as maiores quedas, subsetoriais, verificaram-se dentro do setor dos serviços. O emprego no setor industrial e na agricultura, em termos interanuais, cresceu 3,2% e 13,2%, respetivamente.

 

Em termos homólogos, o aumento trimestral do desemprego registou-se em todas as faixas etárias, sobretudo no grupo dos 45 aos 54 anos, onde se verificou um aumento de 10.600 pessoas desempregadas.

Segundo os dados do INE, do primeiro trimestre de 2023, num total de 4.924.700 profissionais empregados em Portugal, só 19% indica ter a possibilidade de trabalhar a partir de casa, ou seja, 937.000 pessoas, nas diferentes modalidades de teletrabalho. É na Área Metropolitana de Lisboa que se regista a maior percentagem de teletrabalho, em 30,1%.

O desemprego registou um aumento trimestral de 37.600 pessoas (9,9%, face ao 4º trimestre 2022). A taxa de desemprego cresceu, trimestralmente, 0,7 p.p e em 1,3 p.p. face ao 1º trimestre de 2022 (interanualmente), situando-se nos 7,2%. Em termos interanuais (homólogos), o emprego teve um aumento de 23.800 profissionais (+0,5%) face ao primeiro trimestre de 2022. A população ativa teve um aumento de 95.700 pessoas e o desemprego cresceu em 71.900 pessoas face ao primeiro trimestre de 2022 (18,9% de crescimento interanual), estimando-se em 380.300 o número de pessoas desempregadas em Portugal.

 

Evolução da população empregada, variação absoluta trimestral em milhares e variação homologa em %
1T 2017 – 1T2023

 

 

Evolução da taxa de desemprego em %
1T 2017 – 1T 2023

 

 

 

Apesar de um ligeiro aumento no emprego, os últimos dados revelam um cenário desafiante do mercado de trabalho português. A taxa de desemprego aumentou tanto em termos trimestrais como homólogos em quase todas as regiões do país, com exceção da Região Autónoma da Madeira, com uma leve diminuição. Os primeiros sinais de abrandamento, com aumentos cada vez menores do emprego surgiram em 2022. No entanto, há ainda algumas variáveis com bom desempenho e, por exemplo, a população considerada desempregada de longa duração diminuiu em 5.100 pessoas e a taxa de desemprego dos mais jovens diminuiu ligeiramente face ao trimestre anterior

Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad

 

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Um cérebro, múltiplas estratégias de decisão: a descoberta da Fundação Champalimaud

15 Maio, 2023 by Denise Calado

Escolher uma fila no supermercado pode parecer simples, mas essa decisão pode envolver uma série complexa de cálculos mentais. Contar o número de clientes em cada fila, estimar o número de artigos que cada pessoa tem no seu carrinho de compras, considerar a velocidade da pessoa na caixa;

Há uma multiplicidade de estratégias para resolver este problema. Mas como é que o cérebro sabe qual decisão tomar em situações com várias estratégias possíveis?

Um estudo publicado a 13 de abril na revista Nature Neuroscience oferece uma resposta a esta pergunta. O estudo revela que o cérebro, em vez de se comprometer com uma única estratégia, é capaz de calcular várias estratégias alternativas de decisão simultaneamente.

O estudo foi desenvolvido pela investigadora Fanny Cazettes e pelos investigadores principais Zachary Mainen e Alfonso Renart, na Fundação Champalimaud em Lisboa, Portugal. Nele é apresentado um conjunto de experiências realizadas num ambiente de “realidade virtual”, onde ratos procuram água num mundo virtual.

Os autores desenharam um “mundo virtual para ratinhos” baseado no desafio de procurar alimento, um problema para o qual o cérebro destes animais evoluiu para resolver. Neste mundo, qualquer zona pode de repente deixar de dispensar água. Os ratinhos tinham de decidir quando sair de um determinado local e ir para outro em busca de mais água.

Os investigadores registaram a atividade de grandes grupos de neurónios numa parte do cérebro conhecida como córtex pré-motor, enquanto os ratinhos realizavam a tarefa. Procuraram, então, combinações dos perfis temporais de atividade dos neurónios pré-motores que poderiam corresponder às variáveis de decisão associadas às diferentes estratégias.

Para surpresa dos autores, os dados mostraram que, apesar de cada ratinho se concentrar na sua própria estratégia, os seus cérebros não.

“Descobrimos que, embora a atividade no córtex pré-motor refletisse a computação que o animal estava realmente a usar, ela também refletia variáveis de decisão alternativas úteis para a mesma tarefa e até mesmo variáveis de decisão úteis para outras tarefas”, explicou Fanny Cazettes. 

Zach Mainen acrescentou: “Ao contrário da nossa experiência nas filas das caixas do supermercado, descobrimos que o cérebro pode realmente executar várias estratégias de contagem diferentes ao mesmo tempo“.

Este estudo abre novas perspetivas para uma investigação futura: “As nossas descobertas sugerem a necessidade de novas formas de pensar sobre os principais processos envolvidos na tomada de decisões e na seleção de ações”, disse Cazettes.

Alfonso Renart argumenta que a capacidade de representar simultaneamente estratégias utilizadas e não utilizadas pode facilitar a flexibilidade cognitiva e de aprendizagem.

“Estas descobertas têm implicações importantes para a nossa compreensão de como o cérebro processa e seleciona variáveis de decisão em ambientes complexos”, diz Renart. “A mudança de estratégias requer apenas que seja dada atenção à variável de decisão pré-computada correta, em vez de construí-la do zero”.

Além disso, estas descobertas podem ter implicações importantes além da neurociência. Zach Mainen sugere que elas poderiam ser úteis para o desenvolvimento de sistemas de machine learning mais flexíveis e adaptáveis. “Em situações de alta incerteza ou complexidade, a capacidade de calcular e manter várias estratégias de decisão em simultâneo poderia ser extremamente útil”, conclui Mainen.

Este estudo é um marco importante na compreensão de como o cérebro toma decisões e sugere novas abordagens para abordar problemas complexos de decisão. Ao revelar que o cérebro é capaz de processar várias estratégias de decisão ao mesmo tempo, a equipa da Fundação Champalimaud forneceu uma nova visão sobre a notável capacidade de adaptação do cérebro e abriu a porta para novas investigações sobre como essa capacidade pode ser explorada em outras áreas, incluindo a inteligência artificial.

Arquivado em:Ciência, Notícias

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