Na Tebaida, no alto de uma montanha, Antão é assaltado pela dúvida e por desejos longamente reprimidos, que se metamorfoseiam em visões de rara beleza e contundente terror.
A Tentação de Santo Antão, inspirado por um quadro de Pieter Bruegel, conta a história de um eremita torturado por fantasmas e alucinações que põem à prova a autenticidade da sua fé e a firmeza das suas resoluções.
Publicado em 1874, depois de várias versões (a primeira, da década de 1840, foi abandonada pelo autor após conselho dos amigos, que lhe sugeriram romances mais realistas) este texto antecipa algumas propostas da psicanálise e algumas das técnicas do surrealismo.
Os Intrusos
Os Intrusos descreve todos os grandes movimentos de refugiados para e no interior do continente europeu desde 1492, quando os governantes católicos de Espanha puseram em marcha a primeira expulsão e fuga em massa da história europeia moderna.
Ao demonstrar que a Europa tem acolhido um número muito maior de refugiados em períodos anteriores da sua história, tanto em tempo de guerra como de paz, Philipp Ther fornece uma perspetiva consistente sobre a atual «crise dos refugiados».
O autor examina as principais causas das fugas em massa, que vão da intolerância religiosa à limpeza étnica, passando pelas perseguições políticas e a guerra. Descreve ainda os perigos e traumas da fuga e explica por que razão os refugiados e os requerentes de asilo foram bem recebidos em alguns períodos e são rejeitados em tempos como o nosso.
Ao descrever a Europa como um continente de refugiados, o autor põe um rosto humano num fenómeno global que nos diz respeito a todos.
A Republicanização da Monarquia
Num século tão conturbado como foi o século XIX, a evolução política de Portugal foi marcada por um conflito insanável entre o radicalismo e o liberalismo, conflito esse que o demoliberalismo europeu do século XX parcialmente resolveu sem, no entanto, erradicar por completo a tensão que ainda hoje em dia vem ao de cima nas nossas democracias liberais, onde se digladiam as forças à esquerda adeptas do estatismo, e as que ao centro pugnando por um Estado menos invasivo, reivindicando a liberdade individual, e portanto os direitos da iniciativa privada com o seu respectivo corolário, a meritocracia. O mundo conservador, aristocrático e rural, foi silenciado, só reaparecendo na política oficial e constitucional em Portugal na primeira metade do século XX.
Nas últimas décadas do século XIX, o radicalismo revelou o seu fundo abertamente republicano, desentranhando-se do caldeirão liberal em que, por fraqueza, existira confundido com o liberalismo, sem porém abdicar do seu credo próprio, antimonárquico e antiaristocrático. O programa do radicalismo consistiu em republicanizar a monarquia: liquidar o privilégio aristocrático, eliminar a Câmara dos Pares, transformar o rei numa figura meramente decorativa, e, não menos importante revogar o artigo 6.º da Carta que determinava que o catolicismo fosse a religião oficial do Estado.
Gerir para Vencer – Como definir uma estratégia de sucesso para a sua empresa
Qual a sua ambição vencedora? Onde vai jogar? Como vai ganhar? Que capacidades deve ter para vencer? Que sistemas de gestão são necessários para apoiar as suas escolhas? A estratégia não é complexa. Mas é difícil. É difícil porque nos força a fazer escolhas específicas sobre o futuro.
Gerir para Vencer, de A. G. Lafley e Roger L. Martin, permite desenvolver uma estratégia de sucesso para empresas. De acordo com os autores, «A estratégia não precisa de ser algo misterioso. Em termos concetuais, é algo simples e direto. Requer um pensamento claro e sério, criatividade genuína, coragem e liderança pessoal. Mas pode ser feita».
Eu, Marat, Ex-Comandante do Grupo Wagner
Marat Gabidullin, nascido em 1966, é um ex-soldado do exército do grupo privado de Vladimir Putin. Entrou para o Grupo Wagner em 2015, e rapidamente atingiu a patente de comandante. Lutou em vários cenários de guerra, nomeadamente na Síria, contra Ísis, e no Donbass. A publicação do primeiro testemunho não anónimo do interior do Grupo Wagner, o exército secreto de Vladimir Putin, quase não era publicado. Um dia depois de ter mencionado o livro numa entrevista, o autor, Marat Gabidullin, antigo comandante da milícia, recebeu ameaças suficientes para o forçar a cancelar o projeto que só agora chega às livrarias. Com prefácio de José Milhazes.
Regresso da URSS
Publicados pela primeira vez em 1936 e 1937, respetivamente, os dois livros mantêm-se um testemunho fundamental e a Dom Quixote volta a colocar os livros no mercado, num único volume, com prefácio do Paulo Tunhas. Por ocasião da sua viagem à URSS, a convite das autoridades do país, o escritor francês André Gide (1869-1951), Nobel da Literatura em 1947, descobre, por detrás de um aparente entusiasmo coletivo, um projeto que o desilude. Testemunho que causou muito debate na época.