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Denise Calado

Eduardo Caria é o novo responsável da área de Pessoas & Organização do Grupo Ageas Portugal

25 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

Após liderar a área de Transformação & Eficiência da seguradora, Eduardo Caria é agora o novo responsável de Pessoas & Organização do Grupo Ageas Portugal. O profissional conta com cerca de 25 anos de experiência diversificada em tecnologias de informação, áreas de negócio e de transformação da indústria seguradora.

Em 2009, exerceu as funções de Diretor Geral da AXA Tech (sucursal tecnológica do Grupo) e em 2016, aquando a compra pelo Grupo Ageas, assumiu a Direção Geral de Sistemas de Informação, integrando o Comité Executivo da Ageas Seguros, tendo sido mais tarde nomeado responsável pela marca e canal de distribuição da Seguro Directo.

Em 2020, Eduardo Caria, criou a área de Transformação e Eficiência, com um programa de eficiência de custos e aposta na automação, por meio de um centro de excelência em automação e laboratórios de testes, alavancando novas tecnologias.

“Sabemos que as tendências são voláteis e o reflexo disso é a mais recente aposta nos dois novos edifícios sede do Grupo Ageas Portugal – em Lisboa e Porto -, que vai ao encontro das mais atuais formas de trabalhar. No entanto, existe algo que é imutável: são as pessoas que constroem e fazem crescer as empresas. E nesse enorme desafio, que reside em gerir e cultivar talentos, o Grupo Ageas tem trilhado um caminho ímpar com os melhores profissionais, pessoas empreendedoras que colocam toda a sua energia e profissionalismo ao serviço dos Clientes.”, afirma Eduardo Caria

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Uma semana de quatro dias é o futuro do trabalho

25 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

O novo modelo de quatro dias de trabalho e 32 horas, adotado e testado em países como Irlanda, o Japão, e Espanha, já revelou inúmeros benefícios, nomeadamente a preservação económica e bem-estar dos funcionários. O World Economic Forum (WEF) enumerou três razões que tornam a semana de quatro dias o padrão do futuro.

Não reduz a produtividade, podendo até aumentá-la

Maior produtividade garante maior prosperidade. Até podemos, intuitivamente, acreditar que remover um dia de trabalho significa menor eficiência, mas existem provas do contrário. O The Guardian avança com um exemplo no Japão, onde a Microsoft testou o novo modelo e viu a sua produtividade aumentar em 40%. Uma simples mudança resultou em funcionários mais felizes e diminuiu consideravelmente os níveis de stress. A longo prazo, reduzirá o número de baixas por motivos de saúde, e permitirá às empresas reduzir custos de energia e recursos.

Promove a igualdade de direitos

Independentemente do género, o dia extra de folga dará mais tempo aos trabalhadores para atender a responsabilidades familiares, pessoais, e cuidar dos filhos, sem comprometer o trabalho. Consequentemente, significa promover a igualdade no local de trabalho, uma vez que as mulheres são as mais propensas a deixar o emprego para responder às tarefas da casa e da família.

O estudo “The Global Childcare Workload from School and Preschool Closures During the COVID-19 Pandemic”, lançado em 2021 pelo Center for Global Development, constatou que, a nível global, as mulheres são três vezes mais propensas, em comparação aos homens, de assumir a responsabilidade de cuidar dos filhos.

Oferecer aos trabalhadores melhores e iguais oportunidades de equilibrar o trabalho e a vida pessoal irá também contribuir economicamente: o relatório de 2015 “The Power of Parity” do McKinsey Global Institute revelou que o progresso na igualdade de género poderia adicionar 12 mil milhões de dólares em crescimento económico até 2025.

Reduz as emissões de carbono

Um estudo de 2019 financiado pelo Alex Ferry Foundation, organização que visa apoiar as comunidades do Reino Unido, descobriu que ao ser adotada a semana de quatro dias,  as emissões de carbono britânicas serão reduzidas em quase 20%, num total de 127 milhões de toneladas até 2025. Uma redução semelhante caso fossem eliminados todos os carros particulares das estradas do Reino Unido. Também a Comissão Europeia, reconheceu o crescimento económico como o principal benefício de uma sociedade de baixo carbono.

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Banca: lucros podem aumentar até 4%

25 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

Os bancos tradicionais poderão aumentar as suas receitas em quase 4% por ano se repensarem os seus modelos de negócio e abraçarem estratégias inovadoras no setor financeiro, exclusivamente digitais. Até 2025, calcula-se que esta transformação seja equivalente a 518 mil milhões de dólares.

Estas são as conclusões do estudo ‘The Future of Banking: está na hora de uma mudança de perspetiva’, da Accentura, numa análise aos modelos de negócio de quase 100 dos principais bancos tradicionais e de mais de 200 players unicamente digitais em 11 países na América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e América Latina. O estudo identifica dois modelos de negócio comuns:

  • verticalmente integrado – modelos de negócios lineares tradicionais, ou seja, aqueles que vendem apenas os seus próprios produtos, que distribuem produtos de outros fornecedores e que fornecem tecnologia ou processos de negócio a terceiros;
  • não linear – modelos de negócios adaptativos, ou seja, ‘pacotes’ que juntam novas propostas de valor, que vão além da distribuição; que incorporam as suas propostas em serviços de terceiros, como serviços (no ponto de venda) de “compre agora, pague depois”.

Muitos dos principais bancos analisados ​​no relatório possuem modelos de negócio verticalmente integrados. No entanto, o estudo concluiu que aqueles que desagregam os seus produtos tradicionais e fazem parcerias com terceiros para criar e distribuir novas ofertas personalizadas podem atingir um crescimento acelerado e avaliações de mercado mais altas. Em particular, ao sobrepor modelos de negócio não lineares ao modelo tradicional verticalmente integrado, os bancos poderão aumentar as suas taxas de crescimento anuais em aproximadamente 4%, o que resultaria em 518 mil milhões de dólares em receitas adicionais totais até 2025.

O relatório observa que, entre 2018 e 2020, players (e.g. bancos e fintechs) exclusivamente digitais tiveram um desempenho significativamente melhor do que os bancos tradicionais. Mas aqueles que adotaram modelos de negócios não lineares alcançaram uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 76% de receita, enquanto que os intervenientes digitais que emularam modelos tradicionais integrados verticalmente, alcançaram uma CAGR de 44%. Os bancos tradicionais, mesmo nos mercados maduros e de melhor desempenho, aumentaram a receita a uma taxa média de menos de 2% ao ano – apesar de partirem de uma base muito maior.

São ainda apresentadas estratégias através das quais os bancos tradicionais podem alavancar os seus pontos fortes – balanço, experiência em gestão de risco e conhecimento regulatório – para aumentarem a flexibilidade do seu modelo de negócio e se diferenciarem da concorrência.

Especificamente, o documento aponta que os bancos devem considerar a adoção de um modelo ou uma combinação dos seguintes modelos:

  • Vender apenas os produtos que o banco cria e controlar todos os elementos da cadeia de valor, da produção à distribuição, com um fator-chave que é a capacidade de consolidar a posição através de fusões e aquisições e obter participação no mercado.
  • Desenvolver um ecossistema orientado para a distribuição, distribuindo produtos bancários e financeiros de outras empresas, e criar um mercado para a distribuição de produtos não bancários.
  • Procurar escala, através da disponibilização de tecnologia ou processos de negócio a outras empresas.
  • Criar novas propostas de valor, construindo ou agrupando produtos e serviços fragmentados, que podem ser distribuídos pelo banco ou por terceiros.

“Ser digital já não é um fator diferenciador”, afirma Luís Pedro Duarte, Vice-presidente da Accenture Portugal, responsável pela área de Serviços Financeiros. “Para conseguirem crescer, os bancos tradicionais precisam de ir além de ‘serem as melhores versões digitais de si mesmos’ e passar a operar vários modelos de negócios simultaneamente. Uma ideia central à forma como encaramos esta mudança é que há um novo papel para os bancos que quiserem agarrar este desafio: ser um arquiteto de valor. E esta é uma oportunidade que tem tanto de potencial como de entusiasmante. Tanto de crescimento de negócio como de reinvenção do seu papel na indústria, para os seus clientes e para os seus parceiros”.

Consulte aqui o relatório completo

Arquivado em:Economia, Notícias

Segurança Informática

25 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

A Cyber Segurança é atualmente um dos temas de maior relevância no contexto empresarial, e por essa razão, merece toda atenção por parte dos gestores e líderes das empresas: A aceleração da transformação digital, impulsionada pela pandemia, levou as empresas a reinventarem-se e a investir numa mudança para o digital; inclusivamente alterando o paradigma do modelo de trabalho. No entanto, o maior número de serviços digitais e os modelos de trabalho remoto e híbrido tornam as organizações mais vulneráveis a ataques e incidentes de cibersegurança. As empresas devem definir e implementar estratégias de proteção, investindo por um lado nas infraestruturas e por outro nos colaboradores.

Em 2021, registou-se um aumento na quantidade de ataques informáticos, com os cibercriminosos a tirarem partido das fragilidades dos mercados e da adaptação das empresas a um mundo mais digital. Desde o início deste ano, já se registaram vários ataques em território nacional (Grupo Impresa, Cofina, TAP, Vodafone, Laboratório Germano de Sousa…) com elevado impacto na atividade das instituições e organizações visadas. O crescimento dos ataques não se verifica, apenas no número de ataques mas também na qualidade dos mesmos e no seu impacto na sociedade, o que coloca a a Cibersegurança na ordem do dia. Hoje, mais do que nunca, a segurança da informação e da infraestrutura informática assume uma especial importância para as organizações e para o Estado, já que afeta o funcionamento das mais diversas instituições.

O impacto dos ataques informáticos nas organizações pode prolongar-se muito para lá do momento do  ataque. As empresas e instituições visadas arriscam prejuizos financeiros, perda de produtividade , danos reputacionais perturbações na sua atividade e até mesmo implicações ao nível da responsabilidade legal. E estes ataques estão a aumentar em frequência; de acordo com um relatório da Cybersecurity Ventures, a frequência dos ataques de Ransomware, em que a vítima se vê impedida de aceder ao seu sistema ou dados até pagar um resgate aos criminosos, terá aumentado de um ataque a cada 40 segundos no final de 2016 para apenas um ataque a cada 11 segundos em 2021. Assim, empresas e instituições que não estão devidamente precavidas para se protegerem, certamente estarão a colocar as suas atividades em risco e a prejudicar a segurança de dados de colaboradores e clientes.

Os dados hoje ocupam a posição de verdadeiros ativos para as empresas, sendo eles indispensáveis para a tomada de decisão, para o relacionamento com o cliente e para a gestão empresarial como um todo. Por esse motivo, algo que é tão valioso merece uma proteção robusta, já que indivíduos mal intencionados reconhecem o valor desses dados e vão querer apropriar-se deles para poder tirar algum tipo de vantagem. Tendo em conta os riscos para as organizações, estas não podem a segurança da informação para segundo plano.

O grande objetivo da segurança da informação passa por manter o acesso aos dados sempre protegido, ou seja, livre de invasões e outras ações maliciosas que possam comprometer a privacidade, a integridade e o valor das informações. Por ouro lado, o acesso às infraestruturas das organizações deve também ser restringido, salvaguardando o seu bom funcionamento.

Torna-se crucial que as empresas tenham uma estratégia de segurança informática que seja transversal aos diversos departamentos. Este tipo de entendimento é essencial, já que o cibercrime e as ameaças digitais são uma realidade e exigem que cada um de nós (individualmente, como empresa  ou como serviço público) adote medidas de proteção. Nesse sentido, é fundamental investir em equipamento e em profissionais com competências para garantir essa proteção, blindando os sistemas da empresa e garantindo uma maior segurança tanto da informação como da infraestrutura.

Investir em segurança digital é portanto uma necessidade, independentemente do tamanho ou do setor em que determinada empresa atue. Este é um facto que as empresas um pouco por todo o mundo, começam gradualmente a aceitar e é algo que irá mudar a estrutura dos negócios. Diversos especialistas em segurança digital classificam as empresas em dois tipos: as que já foram atacadas e as que ainda não sabem que o foram. Embora esta seja uma visão um pouco alarmante,  serve bem para ilustrar que todos os setores devem ter preocupação com a temática em questão.

Apesar de ainda haver muito para fazer na área da segurança informática em Portugal, nem tudo são más notícias. O aumento dos ataques tem levado a que muitas empresas comecem a investir mais em programas de formação de segurança informática para combater o crime cibernético e evitar a ocorrência de violações dos sistemas. Ou seja, estas práticas e medidas de segurança informática têm estado a melhorar, ainda que de forma algo lenta. Por outro lado é preciso ter em atenção que os cibercriminosos também estão cada dia mais rápidos a encontrar novas formas sofisticadas de frustrar os esforços das organizações para proteger os seus dados.

Importa, por isso, referir que existe uma grande variedade de oferta formativa nesta área, direcionada para as diferentes vertentes da segurança informática, que pode ser aproveitada para reforçar as competências da equipa responsável pela proteção informática da organização.

A GALILEU disponibiliza formação e certificação da EC-Council, uma organização dedicada à segurança informática, que conta com a confiança de instituições como Exército dos EUA, Marinha dos EUA, Departamento de Defesa dos EUA, o FBI, Microsoft, IBM ou as Nações Unidas. A sua oferta formativa inclui um programa que prepara ethical hackers, profissionais contratados pelas organizações para encontrar as fragilidades dos seus sistemas das organizações, utilizando as mesmas técnicas e ferramentas que hackers; um programa de formação para a defesa dos sistemas informáticos; programas de formação específicos para a componente forense da segurança informática ou programas especializados na segurança da cloud, entre outros.

Mas além da formação de especialistas em segurança informática, importa desenvolver conhecimentos e competências de segurança informática em todos os colaboradores da organização, já que todos os colaboradores e todos os equipamentos são uma potencial porta de entrada para ataques informáticos

De acordo com as previsões divulgadas em outubro de 2021, pelo Gartner Group:

  • até 2024, as organizações que adotarem medidas fortes de segurança informática reduzirão o impacto financeiro dos incidentes de segurança em cerca de 90%;
  • em 2025, 40% dos conselhos de administração terão um departamento de cibersegurança;
  • até 2025, 70% dos CEOs criarão uma cultura de resiliência organizacional para sobreviver a ameaças coincidentes de crimes informáticos, eventos climáticos severos, distúrbios civis e instabilidades políticas.

Deste modo e tendo em conta a importância do tema abordado é possível dizer que a tendência destes ataques vai aumentar, mas serão eles os grandes impulsionadores da forma como a segurança da informação será tratada dentro das organizações. Ela será considerada uma decisão de negócio, começará a fazer parte das prioridades e terá uma abordagem orientada para resultados.

Proteger os dados da sua empresa, dos seus clientes e colaboradores é obrigatório não apenas perante a lei, mas também como uma forma de obter um posicionamento sério no mercado.

Assim, adotar mecanismos, recursos, ferramentas e frameworks de segurança de dados será sempre uma ação crucial nos dias em que vivemos.

No entanto para atingir toda essa transformação cultural e organizacional, é necessário começar o quanto antes e não negligenciar a importância da segurança informática.

Necessitamos cada vez mais de produzir o nosso “exército” no ciberespaço.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Até onde nos pode levar o Metaverso?

25 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

Já estamos dentro do Metaverso e neste momento há investigação a ser feita, a partir de Portugal, de tecnologia para registar os nossos sonhos. Há cada vez mais jovens a querer ser iguais aos avatares, com a estética tecnológica a influenciar o mundo real. E o MIT defende ser estatisticamente provável estarmos a viver dentro de um filme do Matrix. E nada disto é ficção científica, é o mundo de agora e não deixa de ser perturbante.

O dilema entre o mundo virtual e real foi o mote para a talk “Até onde nos pode levar o Metaverso?” de Nuno Jardim Nunes, Professor Catedrático do Técnico, e professor convidado no Human-Computer Interaction Institute (HCII), na Universidade de Carnegie Mellon, durante o encontro do grupo Leading Tech, parte do projeto Leadership Summit Portugal, na “Casa da Praia” da Agência White (WYgroup).

“Se tecnologicamente fosse possível criar uma realidade indiferenciada desta realidade física em que vivemos, a probabilidade de estarmos no Metaverso seria muito alta, ou seja, de não estarmos a viver nesta realidade física”, esta afirmação, de um professor do MIT, fez Nuno Jardim Nunes lançar a reflexão para o Metaverso e as suas diferentes implicações práticas e, até, filosóficas.

A tecnologia aliada às várias dimensões virtuais (Realidade Aumentada, Realidade Virtual e Realidade mista) é algo que tem mais de 30 anos, e tem vindo a ser discutido por académicos e investigadores, fazendo parte do nosso imaginário, tal como dos filmes e literatura.

Anualmente, o famoso hype cicle, criado pela consultora Gartner, mostra quais as tecnologias emergentes, as que estão a cair no “fosso” e que estão a atingir um plateau de produtividade. “É surpreendente ver que, no ciclo de Gartner, há 20 anos, a primeira vez que aparece a Realidade Virtual, ela surge logo como uma tecnologia que dificilmente ia ter uma aplicação. Nunca chegou a ter um hype, caiu longo num fosso”, diz o professor.

A existência do Metaverso implica algumas exigências, tais como a RV, ou seja, a capacidade de criar um ambiente suficientemente imersivo para nos sentirmos fora da realidade física. Para criar a sensação de indistinção da realidade física, precisa também de tecnologia, dispositivos, como headsets, sensores e processadores. E ainda exige as tecnologias de Blockchain e NFTs.

Nuno Jardim Nunes explica que “o mundo do Metaverso passa a ter interesse económico a partir do momento em que há necessidade de manter uma persistência entre o mundo físico e o mundo virtual”. Mas no final, no balanço entre os dois, “como sempre, não é tecnologia que importa”. O que importa é serem mundos iminentemente sociais, onde as pessoas aderem porque vão encontrar outras pessoas. O Facebook ou o Instagram, que já é um Metaverso não imersivo, é um lugar onde vamos procurar outros que se apresentam por avatares.

Há duas áreas prioritárias no Metaverso: o social, que está correr bem no setor dos jogos, mas no ensino e no mundo empresarial nem tanto, pois admite haver um cansaço sobre o virtual; e a Geração-Z, que já vive no metaverso, e que terá impacto quando se tornar consumidora. Quanto aos principais problemas para esta tecnologia, são identificados os mesmos da Web 2.0, que é centralização em grandes empresas, com o controlo de todos os conteúdos. Um problema mais prático é o da grande maioria das pessoas enjoarem quando estão num ambiente totalmente imersivo, com o capacete de RV.

Cláudia Mendes Silva, Ambassador da Womenintech em Portugal, participou mais tarde numa conversa e lançou o desafio: “Será que o metaverso neste momento ainda é uma coisa de ricos, um local de colecionadores com muito dinheiro, que tenham tempo e espaço para explorar a inovação? Ainda é só um nicho de grandes empresas e marcas que podem investir nesta área, ou já está acessível a todos?”

A verdade é que não. Para poder experienciar o Metaverso exige-se tecnologia específica, que não está ao alcance de todos, muito menos daqueles que vivem fora do mundo ocidental. O professor dá o exemplo de Portugal, em que já há muitas empresas de RA, casos de sucesso, para além de “um número impressionante de unicórnios”, mas que nestas áreas onde o design e os conteúdos tem um peso muito importante, estamos muito atrasados. Na sua visão, “a aposta deve ser não tanto na tecnologia mas nas pessoas que são capazes de a usar e de influenciar tendências tecnológicas ligadas aos conteúdos, e é isso que vai permitir dar o salto em Portugal”. Referiu também o nível de investimento e a capacidade de atração de talento que as empresas globais têm, e que hoje se tornaram os centros de investigação de alto nível, que antes só existiam nas universidades.

Tenha acesso à galeria do evento aqui.

Por Rita Saldanha

Arquivado em:Artigos, Leading Tech

Guerra na Ucrânia- liderança, precisa-se!

24 Fevereiro, 2022 by Denise Calado

Liderança, Precisa-se !

O que está a acontecer no conflito entre a Ucrânia e a Rússia é exemplo da falta de lideranças no mundo, algo fundamental para o equílibrio geopolítico do século XXI. A Rússia não se gere pelos mesmos princípios das nações Ocidentais, portanto é difícil para os ocidentais entender este pensamento imperialista de um país que já foi o líder do Pacto de Varsóvia. Putin está apenas a aproveitar o momento de confusão mundial com a saída dos EUA do Afeganistão e foco no mar da China, a mudança de poder na Alemanha, a falta de estabilidade no Reino Unido, a dificuldade de reeleição de Macron (líder da CE), a fragmentação da Europa, a inexistência de um exército Europeu e a fragilização da NATO com o desinteresse demonstrado pela redução do financiamento desta organização… Ou seja a falta de liderança e de referências no mundo democrático criou uma oportunidade única para um regime oligarca a quem já foi tolerada a invasão da Crimeia. As medidas de retaliação que o mundo assumiu depois deste facto (essencialmente económicas e dirigidas aos líderes russos), são represálias ligeiras que os russos devem ter encarado como mera brincadeira. Um líder tem de ser corajoso e estas medidas de retaliação da invasão da Crimeia, mostraram que os líderes da altura, não o foram. E como tudo na vida, Moscovo aproveitou bem esta fraqueza de liderança. Putin pretende atingir vários objetivos (segundo a minha opinião) mesmo sacrificando vidas e desrespeitando o direito internacional:

  • Ganhar acesso acesso às cidades de Donetsk e Luhansk, controladas por rebeldes pró-russos, dando á Rússia um maior poder sobre a Ucrânia. Assim evita pretensões de adesão à NATO ou à UE e cria uma nova“URSS” informal;
  • Ameaça todos aqueles estados fronteira do antigo pacto de Varsóvia do que lhes pode acontecer se tiverem as mesmas intenções;
  • Reafirma a Rússia como um “player” mundial na geopolítica, como uma das maiores potências militares, com forte influência e poder na região da federação russa;
  • Aumenta o preço do gás natural, dos quais é um dos maiores fornecedores da Europa;
  • Finalmente um objectivo interno de voltar a restaurar o orgulho russo, demonstrando que a democracia ocidental não tem êxito na Ucrânia, ou seja mesmo ás portas das suas fronteiras.

E Putin só não segue para outros países devido á possibilidade de intervenção da NATO. Mesmo sabendo que a invasão da Ucrânia terá uma resposta enérgica do ponto de vista político, económico e diplomático das várias nações ocidentais, que pode imobilizar o seu país. Mas não está preocupado com isso, pois a sua autocracia não segue os padrões de liderança democrática. Nem está preocupado sequer com o impacto na vida dos cidadãos russos que as medidas ocidentais possam ter.

Chiavenato refere que a liderança é “um traço é uma qualidade ou característica distintiva da personalidade. Entre outros, destaco os traços intelectuais (“adaptabilidade, agressividade, entusiasmo e autoconfiança”) e os traços relacionados com a tarefa (“impulso de realização, persistência e iniciativa.”). Ou seja algo que Putin tem (pelos motivos errados) e que os restantes líderes mundiais não têm. Estes ameaçam, declaram, mas não tomam uma posição que imponha o respeito pelo equílibrio e o direito internacional. Não têm nem os traços intelectuais nem os de tarefa, pois apenas querem dissuadir e não impedir. Liderança, Precisa-se!

 

Por Nelson Ferreira Pires, General Manager Jaba Recordati S.A.

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