(Dušu j tilo my položym za našu svobodu, Hino Ucraniano)
É impossível deixar de citar Erich Hartmann nos dias que correm. Afinal, é importante voltarmos todos a relembrar que as guerras são “o lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si, por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam”. Sabemos que esta é uma frase de redenção, um pedido de perdão de alguém que teve uma carreira militar ao serviço de um regime criminoso. E sabemos, também, que velhos eram estes. Eram os Líderes.
Hoje multiplicaram-se as palavras duras e as críticas severas por parte da maioria das individualidades políticas e diplomáticas. Porém, as palavras de hoje não podem ser apenas retóricas adequadas ao momento, uma vez que a liberdade e a defesa dos direitos humanos devem ser a prioridade máxima, sempre e acima de tudo.
A retórica de hoje de nada serve, se pensarmos que estas individualidades e lideranças não impediram que Putin – desprezando, completamente, todos os apelos à Paz e à Diplomacia – tenha tido caminho aberto para planear, organizar e estacionar os seus exércitos ao longo das fronteiras ucranianas e tenha posto em prática as suas ambições de autocratismo imperialista na passada madrugada de 24 de fevereiro.
Os discursos que agora se repetem em exposições de solidariedade para com o povo ucraniano, não são reflexo das atuações de liderança que, não tendo sido tomadas, não impediram Putin de preparar os exercícios militares massivos na fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia; nem impediram Putin de reconhecer a independência dos territórios separatistas nas províncias de Luhansk e Donetsk, numa atitude de absoluta violação do direito internacional e da soberania ucraniana.
Parece-me tão óbvio, quanto assustador, que Putin não vai ficar por aqui pelo que, o momento de hoje já não é o da retórica, tem de ser o da Ação:
- Ação Humanitária: todo o apoio que seja necessário ao povo ucraniano que necessite de auxílio ou refúgio, bem como, apoio total a toda a comunidade ucraniana, residente em Portugal;
- Ação Económica: apoiar todas as decisões sobre as sanções drásticas à Rússia, independentemente de as mesmas poderem vir a ter impactos económicos em Portugal;
- Ação Militar: reforçar a aliança e asseverar que as nações democráticas estão unidas e alinhadas para atuar de forma indúctil, caso haja a mínima hipótese de ameaça a um dos parceiros da NATO ou da União Europeia.
É por isso crítico relembrar três pontos:
- Em 2019 Vladimir Putin afirmava que o liberalismo se havia tornado “obsoleto” e dizia ele que as ideias liberais sobre refugiados, imigração e questões LGBT estavam já a ser “fortemente” combatidas pela “esmagadora maioria” da população. No que toca ao meu país, fico feliz que as últimas eleições de 2022 tenham mostrado a Putin o quão estava errado;
- Na realidade, Putin tem medo de que o seu povo perceba que a democracia liberal é o único sistema político que lhes pode trazer mais prosperidade e uma vida melhor e o exijam, depondo o atual regime autocrático. Os crescimentos das democracias liberais às suas portas comprovam, de dia para dia, que os governantes russos falharam, clamorosamente, o desenvolvimento económico do seu país, que hoje tem um PIB per capita que é menos de metade do português, enquanto outros Estados vizinhos que adotaram a democracia liberal e políticas liberais são hoje mais ricos do que Portugal e proporcionaram ao seu povo melhores condições de vida com mais liberdade individual, pelo que, a agressão expansionista é uma tentativa desesperada de Putin, para manter o poder;
- Os inimigos da Democracia e da Liberdade estão presentes em todos os extremos do hemiciclo português, não só no extremo direito, mas igualmente no extremo esquerdo onde, infelizmente, ainda figuram partidos políticos que não se coíbem, e muito menos se envergonham, de manifestar o seu apoio às ações imperialistas da Rússia e ao perfil autocrático de Putin.
A agressão russa é um ataque feroz aos valores da democracia liberal. Dito isto, só há uma conclusão a tirar: quem acredita que a democracia liberal está obsoleta acaba por agir em conformidade e abre guerra, não só às liberdades individuais, bem como, ao Estado de Direito e Democracia, e por fim, aos direitos humanos.
Este é um momento em que não podem existir hesitações das lideranças democráticas: o lado certo é o lado da democracia liberal e de todos os povos que a ambicionem e lutem contra quem a quer reprimir usando violência de Estado ao serviço dos interesses da sua classe política.
#StandWithUkraine
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