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Denise Calado

Putin e o Bulldog que não sabia que não morderia

2 Março, 2022 by Denise Calado

Certo domingo, pela manhã, durante o conturbado período da Guerra de Secessão nos EUA, o Secretário de Estado de então, William Seward, entrou de rompante no gabinete do Presidente Lincoln. Estava agitado e preocupado com os ataques da imprensa britânica. Orville Browning, então senador, estava a tomar chá com o presidente e desvalorizou as preocupações de Seward. Insistiu que a Inglaterra “não faria uma coisa tão tola” como declarar guerra aos EUA. Lincoln, mais cético, contou a história de um famoso e feroz bulldog da sua terra-natal. Os vizinhos convenceram-se de que nada havia a temer. Mas um homem sábio fez a seguinte observação: “Sei que o bulldog não morderá. Vocês sabem que ele não morderá. Mas saberá o bulldog que não morderá?”

Esta pergunta terá emergido na mente de Angela Merkel quando, em 2001, Putin se dirigiu ao parlamento alemão. Acanhado e aparentemente humilde, o líder russo exprimiu, num alemão perfeito, o desejo de desenvolver laços com o Ocidente. Garantiu que as duas nações estavam do mesmo lado. Afirmou que “a ideologia totalitária estalinista já não podia opor-se às ideias de liberdade e democracia”. E acrescentou: “A Rússia é uma nação europeia e amistosa”. Os deputados levantaram-se e aplaudiram entusiasticamente. Mas a futura chanceler, na segunda fila do hemiciclo, com ar sério, não se levantou e quase não bateu palmas.

Nascida na Alemanha de Leste e ciente da tirania soviética, Merkel estava ciente de que o cérebro de um agente do KGB não se reconfigura facilmente. Sabia que o bulldog não sabia que não morderia. Madeleine Albright, ex-Secretária de Estado da Administração de Bill Clinton, que visitara Putin em 2000, também o sabia. No encontro, deu-se conta de que o autocrata falava, sem emoção, sobre a sua determinação em ressuscitar a economia russa e extinguir os rebeldes chechenos. Regressada a casa, escreveu que Putin “é tão frio que chega a ser quase reptiliano. (…). Está envergonhado com o que ocorreu ao seu país [colapso da URSS] e determinado a restaurar a sua grandeza”.

O bulldog, tirano e vértice de uma cleptocracia, atacou, mordeu e continuará a matar. E outros bulldogs continuarão a morder, com o beneplácito perigoso de figuras sem pudor, sem remorosos e sem alma. Quando Putin reconheceu a independência das autoproclamadas repúblicas de Lugansk e Donetsk, Trump afirmou que o autocrata russo “é muito esperto” e elogiou a sua “jogada de “génio”. Sugeriu que estratégia similar poderia ser usada pelos EUA na fronteira ao Sul – ou seja, com o México, para evitar que “milhões de vagabundos” entrassem nos EUA. Pouco depois, receoso da perda de apoio entre a sua base republicana, lamentou a invasão da Ucrânia e denominou o seu presidente como “valente”. Ao mesmo tempo, referiu-se aos líderes americanos como “idiotas”. Afirmou ainda que, se a eleição não lhe tivesse sido roubada, nada do que está a acontecer ocorreria sob a sua presidência. A ideia de que Trump liderou os EUA e se prepara para se recandidatar ao cargo é assustadora. Não porque Trump seja perigoso – que o é – mas porque é apoiado por milhões e milhões de seres humanos que alinham pela mesma bitola ou subestimam os perigos deste tipo de liderança para as liberdades, as democracias e a dignidade da pessoa humana.

Quando procuramos compreender os comportamentos dos líderes (e das pessoas em geral), tendemos a imaginar o que faríamos se estivéssemos no lugar deles. Todavia, este é um exercício votado ao fracasso quando estamos a lidar com lideranças psicopatas. O líder psicopata é, na condição menos perversa, indiferente ao sofrimento dos outros. É desprovido de empatia. Na condição mais maligna, obtém prazer do sofrimento dos outros. Instrumentaliza-os enquanto lhe são úteis e logo os descarta. Socorre-se de todos meios, incluindo a persuasão e a sedução, para progredir na escada do poder. E, quando alcança o topo, revela a sua natureza em toda a sua amplitude. Mordendo quem o contraria, fica rodeado de espécies da mesma matilha. As suas decisões tornam-se ainda mais perigosas. Putin está a demonstrá-lo à saciedade. A vida empresarial, terreno competitivo e por vezes feroz, não é imune a este perfil de liderança.

No nosso mundo “privilegiado”, habituados à paz e ao exercício das liberdades, tomamos como adquirido que o mundo caminha para um futuro melhor. Baixamos as nossas guardas perante os perigos. Ignoramos que a natureza humana é dotada da bondade, mas também da maldade. Somos anjos – e grandes bestas. Agora que o bulldog voltou a morder, deixamos de ter desculpas para a nossa ingenuidade. Podemos, no entanto, fazer algo mais do que manifestações. Se me permite: faça um donativo à UNICEF. Mitigará o inacreditável sofrimento de crianças.

 

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Catarina Simões é a nova Chief People Officer da Affinity

2 Março, 2022 by Denise Calado

Catarina Simões assume a liderança da área de People da Affinity, após um percurso de seis anos na consultora portuguesa em Tecnologia e Sistemas de Informação, onde assumiu as funções de Corporate & Culture Manager, responsável pelo recrutamento da equipa Corporate da Affinity, gestão de equipas e acompanhamento de carreira.

A nova Chief People Officer abraça este novo cargo, em linha com a estratégia de negócio da Affinity para 2022, focada no negócio e sourcing de talento internacional, no aumento da densidade de talento interno, na melhoria da vida meritocrática dos colaboradores da empresa e no desenvolvimento de novas lideranças. Garantindo a consistência da cultura da empresa, Catarina Simões irá garantir a melhor gestão das pessoas, em defesa da sua #LifetimeExperience.

Sobre esta nomeação, Carlos Pais Correia, Chief Executive Officer da Affinity, afirma: “A Catarina é uma expert na gestão de pessoas, aliando esse talento a uma grande sensibilidade para as exigências empresariais de uma empresa de tecnologias como a Affinity. Talentosa e resiliente, ambiciosa e com um toque mordaz, torna-se refrescante trabalhar com ela!”

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Novo projeto vai validar cientificamente jogos para telemóveis

2 Março, 2022 by Denise Calado

O GAIN (Games for Anxiety Inquired through Neuroscience) é o novo projeto que junta o Human Neurobehavirol Laboratory, da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica no Porto (HNL/FEP/UCP), com a tecnológica Infinity Games, empresa de criação de jogos para telemóveis. “The Effects of playing mobile games in anxiety and neurocognitive functions”, é o nome do estudo que promove a parceria entre as Neurociências e o desenvolvimento de jogos para telemóveis, com o objetivo de desenvolver uma nova tendência no mercado: a validação científica de produtos.

Tal validação será feita através da aplicação de técnicas das Neurociências que analisam os efeitos dos jogos no bem-estar dos seus utilizadores, nomeadamente na ansiedade e noutras funções neurocognitivas. Ao longo do projeto GAIN, a equipa pretende desenhar e validar novos protocolos de validação de produtos, que são aplicados como uma ferramenta para incentivar a mudança comportamental e promover atitudes desejadas em diferentes dimensões.

O projeto de investigação está a ser desenvolvido por uma equipa multidisciplinar composta pela investigadora e diretora do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL/FEP/CEDH), Patrícia Oliveira-Silva, em parceria com Pedro Miguel Rodrigues, responsável pela área de Processamento de Sinal do Centro de Investigação CBQF (CBQF/ESB/UCP), e dois estudantes de mestrado. Atualmente, os dados estão a ser recolhidos e o primeiro estudo será concluído no final de março de 2022.

Patrícia Oliveira-Silva, investigadora e coordenadora do GAIN, explica que um dos grandes objetivos deste projeto é o de “criar uma parceria a longo prazo entre os dois parceiros que represente uma boa prática que interliga interesses, valores, investimento, estratégias e objetivos comuns. Trabalhar com as empresas representa um novo motor de inovação para a academia. E além disso, preocupamo-nos que a investigação realizada no HNL tenha uma forte adesão à realidade”.

Sobre os desafios colocados por esta parceria, João Ramos, Head of Business Development da Infinity Games, refere que “se prendem com o contexto que atravessamos e não com a parceria em si. Em primeiro lugar, a indústria dos jogos não tem, de forma geral, um relacionamento muito positivo com a saúde. Depois, o mercado dos jogos é um mercado de rápida evolução e transformação, que exige decisões muito rápidas e foco quase exclusivo na receita do próximo trimestre ou dos próximos seis meses. Nós estamos focados em como vamos produzir os melhores jogos do mercado dentro de um ou dois anos, aliando as nossas experiências imersivas ao relaxamento”. “Avizinham-se tempos de muita colaboração e investimento”, conclui.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Poluição atmosférica aumenta ameaça do COVID

2 Março, 2022 by Denise Calado

A poluição atmosférica é uma das grandes ameaças à saúde pública, sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que respirar ar poluído contribui para 7 milhões de mortes prematuras anualmente. Em acréscimo, compromete o sistema imunológico, tornando as pessoas mais suscetíveis à ameaçada do COVID-19, avançou artigo do World Economic Forum (WEF).

No mais recente vídeo da OMS “WHO’s Science in 5: Air Pollution, a Public Health Emergency”, a Diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente, Maria Neira, corrobora “A exposição prolongada à poluição do ar afetará o seu sistema imunológico e, portanto, torná-lo-á mais suscetível a qualquer doença respiratória”, nomeadamente o COVID-19, sendo por isso crucial combate-la como forma de assegurar a saúde pública.

Há que reconhecer que, embora a poluição possa vir de fontes naturais como os vulcões, muitas das partículas tóxicas que se respira são geradas pela atividade do homem, nomeadamente na queima de combustíveis fósseis. A forma mais fácil é parar de queimar combustíveis fósseis e mudar para energias mais limpas, mas que se passe à ação muitas etapas necessitam ser cruzadas.

A Diretora avança também que as partículas tóxicas presentes no ar não apenas afetam o sistema respiratório como, ao irem para os pulmões e chegarem à corrente sanguínea, acabam por entrar também no sistema cardiovascular, tornando-a responsável pelas doenças cardiovasculares isquémicas, distúrbios neurológicos, ataques cardíacos e problemas no sistema reprodutivo.

Maria Neira acredita que a legislação pode ajudar os países a aplicar diretrizes que assegurem a qualidade do ar, sejam mudanças a nível local, ou municipal, em torno dos transportes públicos, na promoção da redução do uso de carros particulares e do uso eficiente de energia. Monitorizar a qualidade do ar através de sistemas deverá ser também uma prioridade para garantir que se está a ir no caminho certo. “Enfrentar as causas das mudanças climáticas trará enormes benefícios na redução das causas da poluição do ar, contribuindo enormemente para a nossa saúde”, afirmou.

Arquivado em:COVID-19, Notícias

Trabalho híbrido, sim, mas como pode ser mais eficaz?

2 Março, 2022 by Denise Calado

Há muito se fala dos benefícios o trabalho híbrido, seja na sua flexibilidade física, temporal, seja pela forma como tem garantido bons níveis de produtividade. Mas o ambiente das nossas casas não oferece, à partida, as mesmas condições nem ferramentas que o escritório da empresa.

Em tempo de Pandemia, “na prática (…) o grande desafio foi conseguir duplicar em casa condições muito semelhantes das que tínhamos no escritório”, revelou Pedro Coelho, Area Category Manager da HP Portugal, na sessão “Make hybrid work, work”, do evento IDC FutureScape 2022.

No ano de 2022 a mudança não irá estagnar, e será tendência procurarmos ter em casa ambientes de trabalho eficientes, complementados com ecossistemas de acessórios, tais como as câmaras, monitores, e tecnologias de som mais avançadas, e questões de ergonomia, de luminosidade, entre outros.

Desta forma, a tecnologia terá de capacitar-nos de desempenhar as nossas funções, indo ao encontro dos novos estilos de vida. Pedro Coelho referiu que num estudo recente, 66% revelou preocupar-se com a qualidade da imagem e do som, em reunião por Zoom ou noutra plataforma. Conheça algumas das principais tendências que irão tornar o trabalho híbrido mais eficaz:

  • Mobilidade das câmaras: no caso de trabalhar em casa, é provável que não queira estar unicamente sentado à frente de um computador, ao mesmo tempo que se tenta enquadrar com a câmara. “Não quero ser eu a enquadrar-me com a câmara, quero que a câmara me encontre, à medida que me desloco e faça o enquadramento automático” indicou Pedro Coelho;
  • Filtros de ruído e captação de voz mais nítida: imagine tecnologia que filtre unicamente a sua voz, não deixando passar o ruído caso esteja a trabalhar num café, em casa, ou noutros espaços onde conviva com mais pessoas. A tecnologia será também capaz de captar a voz mesmo com o uso de máscara e irá automaticamente ajustar o nível de som para que ressoe de forma nítida;
  • Mais privacidade: se estiver a trabalhar num local público, vai precisar de tecnologia que o assegure ser o único capaz de ver os dados em que está a trabalhar, e não a pessoa que se sentou ao seu lado;
  • Imagem de câmara mais nítida: “Hoje em dia já temos câmaras de cinco megapixéis nos portáteis, com quatro vezes mais qualidade do que tínhamos há dois anos”;
  • Adaptar a luminosidade: sem adaptação manual, as câmaras serão capazes de retificar a imagem que está a ser captada, independentemente de carecer ou ter grande luminosidade;
  • Configuração mais personalizada: a própria câmara, através de configuração do enquadramento, pode ser capaz de focar apenas a cabeça, ou os ombros e a cabeça, ou a totalidade do corpo;
  • Voice leveling: num raio de três metros, pode andar a circular à volta do portátil e este será capaz de captar a sua voz e, se estiver mais distante, ele automaticamente irá ajustar para que o consigam ouvir da mesma maneira, caso estivesse mais próximo do dispositivo.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

10 mandamentos para lidar com a volatilidade no mercado da bolsa

2 Março, 2022 by Denise Calado

Os últimos tempos têm sido consideravelmente agitados e, consequentemente, também o mercado reagiu às mudanças políticas, económicas e corporativas. Warren Buffett, investidor e filantropo americano, afirma “a menos que possa ver as suas ações a descer 50%, sem entrar em pânico, não deve entrar no mercado de ações”.

A Fidelity International, consultora em investimentos, lançou um documento sobre a volatilidade dos mercados e apresenta dez mandamentos para melhor lidar com isso:

  1. Faz naturalmente parte do investimento
  2. Investidores a longo prazo são geralmente recompensados
  3. As correções de mercado podem criar oportunidades
  4. Evite parar e iniciar investimentos
  5. Os benefícios do investimento regular acumulam-se
  6. A diversificação dos investimentos ajuda a suavizar os retornos
  7. O foco nos rendimentos aumenta o total de retornos
  8. Investir em ações de qualidade
  9. Não se deixe influenciar pelo sentimento abrangente
  10. O investimento ativo pode ser uma estratégia bem sucedida

 

O mercado da bolsa e a sua volatilidade muitas vezes cria oportunidades atrativas, e as perdas podem vir seguidas de recuperações, para novos máximos. Observando o MSCI AC World Price Index (índice de Preços Mundiais), constata-se que, embora se tenham registado quedas abruptas na bolsa, como foi caso a crise financeira de 2008 e a do COVID entre 2019 e 2020, tendencialmente, os valores têm sempre vindo a subir e a recuperar as perdas.

Ser consistente é importante se estiver a considerar investir na bolsa. Evite parar e iniciar investimentos, perder os melhores dias do mercado vai impactar a longo prazo os retornos. Dados recolhidos entre finais de 1992 e 2021, da Standard & Poor’s 500, revelam que, ao permanecer totalmente investido, o retorno total regista os 1835% (em dólares americanos). No entanto, a percentagem reduz drasticamente para 233% se tiver perdido os melhores 30 dias da bolsa, e 1122% se tiver deixado passar cinco.

Peter Lynch, antigo gestor do Fidelity Magellan Fund, afirma que “todos têm o poder de fazer dinheiro em ações, mas nem todos têm estômago”. Embora possa ser gratificante investir na bolsa, requer muito tempo, fortes capacidades de investigação, mentalidade racional e voltada para o longo prazo e paciência.

Arquivado em:Economia, Notícias

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