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Denise Calado

IA: a classe política estará à altura?

14 Abril, 2023 by Denise Calado

Estaria a mentir se dissesse que a Inteligência Artificial não é uma das tecnologias mais fascinantes que vi em toda a minha vida. Vivemos tempos incríveis, que poderão ser um ponto de viragem na história da humanidade. No entanto, estes são também tempos que impõem apreensão e discussão.

O avanço técnico no campo da Inteligência Artificial caminha hoje a uma velocidade exponencial que dificilmente a nossa sociedade conseguirá acompanhar. A mudança em curso é maior do que simples ferramentas que nos permitem criar texto, imagem ou música — que por si já têm um efeito disruptivo no mercado de trabalho ou no mundo da arte. E coloca pressão sobre o ensino, a legislação e, inevitavelmente, a classe política.

O ponto de viragem no campo da Inteligência Artificial que hoje atravessamos representa o início da passagem da chamada Narrow AI (uma inteligência que ultrapassa o desempenho humano num determinado campo) para uma General AI (uma inteligência com capacidade de aprender a aplicar conhecimento em vários domínios em simultâneo). Uma passagem que não deve ser feita de ânimo leve devido aos riscos que traz à própria liberdade, democracia e vida humana.

Nesse sentido, a proposta de se parar por seis meses a investigação dos grandes modelos de Inteligência Artificial, apresentada no recente manifesto “Pause Giant AI Experiments: An Open Letter”, assinado por mais de 22 mil pessoas, entre as quais alguns líderes mundiais de referência (como Elon Musk, Yuval Noha Harari ou Steve Wozniak), traz à discussão esta necessidade urgente de regulamentação e discussão do impacto da Inteligência Artificial na sociedade.

Na “carta” lemos que as decisões do impacto da Inteligência Artificial são de tal ordem que não podem ser delegadas a líderes tecnológicos não eleitos. E este é o ponto principal. A Inteligência Artificial deixou de ser uma questão tecnológica. É uma questão política. E os nossos eleitos não se podem demitir da sua principal função de legislar e regulamentar.

Urge a criação de boas práticas, legislação e mecanismos de fiscalização no campo da Inteligência Artificial. Concordando com os perigos manifestados na “carta”, não podemos deixar que se desenvolvam entidades superiores à capacidade humana sem que estas tenham padrões éticos e valores no seu código. Uma Super AI sem valores humanos é um perigo para a nossa própria existência, quer por ser programada para objetivos maliciosos, quer por ter objetivos meritórios, mas não olhe a meios para os alcançar.

O que seria se uma Super AI programada para preservar o planeta decidisse que a melhor forma de o fazer seria explodir meia dúzia de centrais nucleares? Ou colapsar o sistema financeiro? Bloquear as cadeias de distribuição de medicamentos e alimentos? É fundamental percebermos que as máquinas terão os valores que lhe serão impostos. Sem padrões éticos, existe um risco real de uma Inteligência Artificial ficar fora de controlo. Há o risco de escapar da mão do criador e facilmente nos lesar ou subjugar. Quem nos defende disto? Os líderes tecnológicos? Dificilmente.

Se me perguntam o que penso sobre uma paragem de seis meses, terei de dizer que será impossível de impor ou controlar. Mas a “carta” tem o mérito de trazer o tema para a agenda e pressionar as autoridades competentes a agirem de forma célere. Queremos que sejam os líderes tecnológicos a decidir que ética devem ter as máquinas? Queremos deixar essa decisão à arbitrariedade dos técnicos? A resposta é sempre que não. Devem ser os eleitos a tomar essa decisão. É a sua função.

Terão de ser os governos a assumir uma função regulatória da IA. É por isso que os elegemos. Para que alguns digam o que vale para todos. Existe alguma esperança, dado que a União Europeia já está quase a produzir legislação avançada sobre este tema. Mas, neste ponto de viragem sobre o futuro da humanidade, a classe política não nos poderá falhar. Estará à altura?

Arquivado em:Opinião

“Os Futuristas”: Ai a guerra!

13 Abril, 2023 by Denise Calado

Enquanto escrevo este texto, algoritmos de inteligência artificial (AI) estão a pintar quadros, a imaginar imagens, a responder a e-mails, preparar planos de negócio, criar música de autor, apresentações em powerpoint, esquiços de arquitetura ou ainda, a analisar resultados de exames e dar conselhos médicos.

A inteligência artificial já faz mais parte da sua vida do que imagina. Já é usada extensivamente para decidir preços de medicamentos, construir carros em linhas de montagem, determinar que publicidade nos é mostrada nas redes sociais. Mas a inteligência artificial generativa ou gerativa é uma categoria própria que está agora a entrar no nosso dia a dia.

Como é que esta inteligência, que não se limita a processar ou analisar, mas tem um poder de criação que é tanto rápido como eficaz, pode definir o futuro?

Especificamente, no quadro de eventos destrutivos, como é o caso da guerra, e no contexto atual, em que a guerra voltou à Europa, como é que a AI generativa é usada? E se ambos os lados recorrem a esta tecnologia, podemos pensar em guerras travadas apenas no metaverso ou pelo contrário, numa situação distópica em que temos os algoritmos a enviar e “mandar” em tropas humanas decidindo sobre as suas vidas com a frieza e racionalidade de uma máquina?

O uso de AI no desenvolvimento de armas ou em estratégias de planeamento de guerra  não é novo. Há vários anos que muitos países têm investido de forma muito expressiva no desenvolvimento de AI para uso militar.  Mas o surgimento da AI generativa pode trazer uma mudança relevante ao setor da defesa e à forma como os países se preparam ou na forma como se envolvem em conflitos.

Este tipo de AI pode dotar indivíduos de capacidade de criar conteúdo adulterado e falso mas com uma verossimilhança tal que pode passar por verdadeiro (deep fakes), de forma rápida, barata e eficaz pode influenciar a opinião pública assim como criar situações de treino que sejam emulações da vida real.

Também pode levar à criação de novos tipos de armas que são mais baratas, letais e eficazes do qualquer uma das armas existentes, e acima de tudo, armas autónomas da intervenção humana. Mas não pensemos apenas em armas letais, mas também na capacidade de hackear serviços básicos ou a gestão de infraestruturas fundamentais como abastecimento ou transporte.

Estas são apenas algumas razões que vão seguramente ditar uma espécie de conveção internacional sobre o uso de AI generativa, nomeadamente no que diz respeito à utilização de armas que são operadas através de inteligência artificial, da mesma forma como temos hoje em dia convenções que regulam o uso de armas químicas ou nucleares. Despois da explosão do Chatgpt, este futuro está ao virar da esquina.

Arquivado em:Academia, Futuristas, Notícias

O petróleo russo ainda passa pela Ucrânia?

13 Abril, 2023 by Denise Calado

É “irónico e ridículo”, afirmou um consultor de energia ucraniano, que prefere manter-se anónimo: no meio da guerra da Rússia contra a Ucrânia, o petróleo e o gás russo continuam a fluir pelos oleodutos ucranianos, de acordo com The Economist.

Antes da guerra, a Europa importava da Rússia cerca de 40-45% do seu gás natural e cerca de um quarto do seu petróleo. Desde então, a Rússia tem tentado intimidar a Europa para que abandone as sanções económicas; A Europa, por sua vez, desligou-se quase totalmente da energia russa, mas não totalmente.

O que ainda flui para o ocidente é, por um lado, uma ressaca do antigo sistema, e por outro o cumprimento da lei contratual, a realidade do mercado, e a conveniência política.

Peguemos no exemplo do Petróleo

Em dezembro do ano passado, a Europa proibiu as importações de petróleo marítimo da Rússia (com algumas exceções temporárias).

Porém, um acordo foi feito para permitir o transporte de petróleo por gasodutos para países sem litoral. Em retaliação à proibição, a Rússia interrompeu o fornecimento de petróleo através do gasoduto Northern Druzhba para a Polónia e Alemanha.

Ainda assim, o petróleo continuou a fluir através do gasoduto Southern Druzhba, passando pela Ucrânia e chegando às refinarias na República Checa, Eslováquia e Hungria.

Essa situação beneficia o presidente russo, Vladimir Putin, pois fortalece o seu relacionamento especial com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban. Orban tem sido um opositor consistente das sanções da União Europeia contra a Rússia.

As sanções impediram esses três países de exportar o combustível que produzem a partir do petróleo russo para outros países, com uma exceção: podem enviá-lo para a Ucrânia.

As refinarias ucranianas, principalmente no leste do país devastado pela guerra, foram duramente atingidas. Com os seus portos no Mar Negro bloqueados, a única outra maneira pela qual a Ucrânia pode obter gasolina é por camiões ou comboios. “Em termos de uma estratégia militar, ainda precisamos desse petróleo”, diz o consultor de energia ucraniano.

O gás natural russo, entretanto, nunca foi bloqueado. No entanto, assim que a Europa impôs sanções, a Rússia começou a fechar as torneiras. Apesar da misteriosa destruição do gasoduto Nord Stream em setembro, a Rússia poderia ter fornecido gás aos clientes europeus por meio da rede ucraniana.

Mas quando a Ucrânia fechou um ponto de entrada do oleoduto no território ocupado, a Rússia recusou-se a pagar as taxas de trânsito e ameaçou cortar o fornecimento. A Ucrânia ofereceu-se para redirecionar o gás, mas a Rússia recusou.

A Naftogaz, empresa estatal de energia da Ucrânia, levou a Gazprom, a russa, ao Tribunal Internacional de Arbitragem para resolver a disputa.

A advertência de Putin de que a Europa iria “congelar” sem o gás russo nunca chegou a acontecer: o inverno foi quente e a Europa encontrou outras fontes de abastecimento.

Em março, a participação da Rússia nas importações europeias de gás havia caído para pouco mais de 10%. Cerca de metade desse valor é gás natural líquido comprado de uma empresa privada russa; um quarto passa pelo oleoduto TurkStream para o sul da Europa. O restante passa pela Ucrânia, principalmente para a Eslováquia e a Áustria. O contrato entre a Naftogaz e a Gazprom termina no final de 2024, e dificilmente será renovado.

As autoridades ucranianas dizem que, enquanto os europeus estiverem a comprar gás natural russo, eles honrarão o seu contrato para transportá-lo. Manter a rede da Ucrânia aberta também ajuda os clientes europeus que estão a processar a Gazprom por cortar o fornecimento. Por outro lado, os russos podem argumentar que a explosão do Nord Stream impossibilitou a entrega.

A própria demanda de gás da Ucrânia foi caindo, com grande parte da sua indústria destruída. O país produz quase o suficiente para as suas necessidades. Ainda assim, a Ucrânia importa grande parte do petróleo que consome, especialmente o diesel para os geradores que usa durante os blackouts, e para veículos militares.

Arquivado em:Notícias, Política

O que se passa nos bastidores não pode ficar nos bastidores. As emoções da Leadership Summit Cabo Verde

13 Abril, 2023 by Denise Calado

Foi um dia de muita aprendizagem, de grande cumplicidade e, acima de tudo, de grande realização para todos no palco da Leadership Summit Cabo Verde. E fora dele, também nos bastidores viveram-se momentos marcantes no passado dia 24 de março, na Assembleia Nacional, na Cidade da Praia.

Mesmo logo a seguir ao arrastar das cortinas do grande palco, foram muitas as emoções vividas e captadas pela lente do fotógrafo Joaquim Morgado e a videografia de Pedro Luís, e a orquestração dos oradores e moderadores a cargo de Heloísa Gonçalves. Há registos fotográficos da força que emanava dos bastidores, dos sorrisos mais rasgados aos abraços apertados, das mensagens de incentivo aos desabafos, das conversas inspiradoras à felicidade da concretização de um evento desta envergadura. Também ali se maquilhava e geriam as emoções antes dos grandes momentos que compunham a Leadership Summit Cabo Verde.

https://lidermagazine.sapo.pt/wp-content/uploads/P1200431.mp4

Assista a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

Disponível online aqui.

Tenha acesso à galeria de imagens da Leadership Summit Cabo Verde aqui.

Galeria dos bastidores:

 

https://lidermagazine.sapo.pt/wp-content/uploads/P1200320.mp4

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Novo Open Day para quem procura emprego

13 Abril, 2023 by Denise Calado

Vai ser lançado um novo projeto de Open Days, onde a Randstad terá portas abertas para os candidatos que procuram emprego.

O Randstad Open Days pretende proporcionar oportunidades para encontrar o emprego certo, através do esclarecimento de dúvidas com especialistas da área dos recursos humanos, de workshops, e da participação em  entrevistas.

O projeto vai decorrer de abril a outubro, e terá lugar em 20 cidades. O primeiro local a estrear a iniciativa será Leiria, no próximo dia 18 de abril.

Seguem-se a cidades de Figueira da Foz; Aveiro; Lisboa; Valença; Famalicão; Porto; Maia; Setúbal; Sines; Viseu; Covilhã; Ovar; São João da Madeira; Braga; Viana do Castelo; Faro; Mem Martins; Vila Franca de Xira e Funchal.

“Consideramos que para continuar a trabalhar nos nossos objetivos de desenvolvimento de talento e expansão, focados no ativo mais importante – as pessoas – é fundamental estarmos próximos. É importante que consigamos criar momentos de partilha e experiências que permitam aos candidatos adquirir mais contactos, conhecimentos, conhecer os valores da Randstad e esclarecer todas as suas dúvidas com os nossos especialistas. Trabalhamos no sentido de criar a melhor experiência aos nossos candidatos, para que as pessoas encontrem os empregos certos”

Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal

 

Os interessados em participar deverão realizar a sua inscrição na página da iniciativa, com a escolha do dia e local da sua conveniência.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Aprendemos as lições da última grande crise da dívida soberana?

13 Abril, 2023 by Denise Calado

A crise da dívida soberana que atingiu a Europa de 2010 a 2012 teve um impacto significativo em todos os países da zona euro, mas será que resultou em alguma lição importante para os anos seguintes?

Em 2010, a Grécia anunciou que não conseguiria cumprir as suas responsabilidades financeiras e precisava de ajuda para evitar o incumprimento (risco de crédito). Isso levou a uma crise de confiança nos mercados financeiros, e outros países da zona euro com elevados níveis de dívida pública, como o caso de Portugal, e défices orçamentais começaram a ser afetados pela crise.

Em resposta, a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) forneceram ajuda financeira aos países em dificuldades, mas tal não foi suficiente para evitar a recessão económica na zona euro.

No caso português, foram implementadas medidas de austeridade para reduzir o seu défice orçamental e controlar a sua dívida pública. Estas medidas incluíram cortes nos gastos públicos, aumento dos impostos e reformas estruturais, como a reforma do sistema de pensões.

Embora estas medidas tenham sido controversas, ajudaram a melhorar a saúde financeira do país e a reduzir a sua vulnerabilidade a futuras crises financeiras.

O período da pandemia voltou a alertar para este problema, sendo que os níveis extremamente elevados de dívida começaram a baixar com o retomar da atividade económica.

Fonte: Macrobond

No entanto, à medida que a conjuntura económica se agrava, o país volta a estar numa situação extremamente vulnerável, sobretudo quando analisamos o crescimento real do PIB, que é francamente modesto e insustentável para atenuar o impacto do excesso de dívida contraída pelo país.

O aumento das yields, fruto das expectativas sobre novos aumentos das taxas de juro no lado do BCE, colocam mais pressão sobre o mercado de dívida nacional. Em conjunto com tudo isto, o elevado nível da dívida pública, bem como o aumento das yields das obrigações, deverão começar a levantar algumas “red flags” sobre a economia portuguesa, sobretudo quando esta começar a dar sinais de abrandamento a nível de crescimento económico.

Fonte: Macrobond

Por outro lado, o setor privado continua a ser o mais vulnerável, fundamental, porém, para a criação de riqueza no país, mas que tem sido negligenciado e pouco estimulado ao longo dos anos. A dívida consolidada do setor privado é muito superior à média europeia, o que coloca os empresários portugueses, nomeadamente as PMEs, demasiado expostos às condições económicas que podem provocar danos severos nos seus negócios e atividades.

Fonte: Eurostat

Mas será que desenvolvemos mecanismos de defesa para se evitar repetir aquilo que aconteceu na crise da dívida soberana na Europa?

A crise demonstrou que a falta de coordenação e cooperação entre os países membros da UE pode agravar a crise e aumentar a incerteza nos mercados financeiros. Os países da UE precisam de trabalhar juntos para lidar com crises financeiras e económicas.

Contudo, os países do sul voltam a estar mais uma vez vulneráveis a estas condições, demonstrando que pouco ou nada aprenderam para evitar aquilo que aconteceu há pouco mais de 10 anos.

Arquivado em:Opinião

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