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Denise Calado

Liberdade, fé e rigor – quando a liderança é, também, nunca desistir

31 Março, 2023 by Denise Calado

Perto dos 50 anos de idade, iniciou-se nas corridas, por carolice, mas com a metodologia e a perseverança que deposita em tudo. Na sua rotina de empresário e gestor, no seu papel de pai, na sua missão de voluntário em instituições sociais. Falo de João Netto. CEO da empresa que fundou há 26 anos na área das telecomunicações, empreendedor desde a juventude, líder nato e com uma energia contagiante que transferiu para as 30 corridas que coleciona, incluindo as mais radicais e extremas do mundo. É um permanente aprendiz. Não há meta que o satisfaça. Não há erro que o demova. Não há limite que o espante. Do desporto para a vida leva lições fortes. É feliz e é um homem de fé.

Paula Perfeito (PP): Com 47 anos de idade, tiveste uma experiência inaugural: a primeira participação numa maratona: a Maratona de Lisboa, em 2013. Que te levou a outras maratonas e a contabilizar hoje 30 corridas completas, entre maratonas e ultramaratonas. Como explicas a chegada das maratonas nessa fase da sua vida?

Para quem tem uma vida intensa e com as responsabilidades que eu tenho, confesso que por vezes me faltam tempo e concentração, tudo é muito rápido, a maioria das vezes atuo sem ter tempo para definir estratégias. Ora, o desporto individual dá-nos isso que por vezes nos falta, enquanto corremos, nadamos ou andamos de bicicleta longas horas, temos essa benesse e eu aproveito-a ao limite. E, como sou uma pessoa em permanente desenvolvimento, nunca acho que já dei tudo. As maratonas, até ao início de 2013, eram completamente impensáveis para mim, que não corria 400 metros! No entanto, depois de começar, efetivamente surge uma necessidade constante de ir cada vez mais longe e é essa a magia da distância. Neste momento, mais importante do que as distâncias, é o grau de dificuldade das provas. Cada prova é uma prova, como é reconhecido por todos nós, temos estados físicos e psicológicos diferentes todos os dias. E terminar uma maratona ou uma ultramaratona é sempre um acontecimento especial, porque colocamos à prova todos os nossos limites e fico sempre com a agradável sensação de realização, de concluir mais um projeto, à semelhança do que me acontece quando concluo algo importante para a minha organização profissional.

PP: Tens presença registada em algumas das provas mais exigentes e extremas do mundo, como a Maratona do Polo Norte, a experiência das 7 maratonas em 7 dias em 7 continentes, ou a Maratona no Monte Everest. Que características consideras ter para integrar o grupo tão exclusivo dos atletas que competiram nestes cenários?  

É sempre difícil quando falamos de nós próprios. À semelhança de muitos outros atletas, tenho características singulares, nunca estou completamente satisfeito com nenhum resultado, seja ele qual for! Desde que me conheço, sou uma pessoa de certa forma autossuficiente e muito pouco dependente de terceiros. Desde muito cedo, comecei a fazer a minha gestão autonomamente, comecei a trabalhar muito cedo, acumulei trabalho com os estudos e, rapidamente, progredi quer pessoalmente, quer profissionalmente a outros patamares. A dedicação, a capacidade de esforço e de superação tornam-nos pessoas diferenciadoras. Sou, pois, uma pessoa muito competitiva, muito perseverante e nunca desisto de nada. No entanto, não vou a nenhuma prova sem fazer o devido trabalho de casa. Normalmente, dizem que sou louco! Todos nós que nos metemos neste tipo de desafios somos um pouco loucos, mas não tanto como as pessoas imaginam. Uma pessoa que não faça a devida preparação para este tipo de desafios corre sérios riscos e esses sim podem ser considerados loucos. A minha principal característica, em suma, como referi, talvez seja nunca desistir de nada do que quero, esforço-me até conseguir e, quando consigo, passo sempre para o nível seguinte e é isso que me mantém ativo, a encarar a vida com a vontade de viver que todos me reconhecem. Diz o velho ditado: “Nunca deixes para amanhã aquilo que podes fazer hoje”. É exatamente o que faço, tento viver cada experiência como se fosse a última oportunidade para a viver.

PP: A Maratona do Polo Norte, para nos focarmos num dos exemplos mais ilustrativos da exigência colocada à prova, decorre em condições limite. Descreve-nos o ambiente específico. Que obstáculos/desafios enfrentaste?

É, de facto, uma prova absolutamente incrível, realizada em condições completamente ao limite do suportável para um ser humano. O diretor da organização tinha-nos informado, no briefing antes da prova, que a maratona teria 13 voltas e disse-nos que não nos devíamos esgotar nalgumas zonas do percurso, porque iríamos despender muita energia fundamental para concluir a prova. Ora, em cada volta, o percurso torna-se cada vez mais num verdadeiro pântano gelado e é efetivamente a melhor definição para aquele tipo de terreno. Entre muitas outras situações, quando se vai à tenda mudar a roupa por estar já congelada, é extremamente difícil voltar à prova e não desistir… Convém relembrar que na tenda estão cerca de 35 graus positivos e, cá fora, no final, temos uma sensação térmica de cerca de 40/50 graus negativos. Com esta diferença, torna-se somente acessível a um grupo muito restrito de pessoas, que tenham uma força de vontade absolutamente fora do normal. Tentei sempre correr tão rápido quanto possível, tendo chegado a cerca do km 11, sem nunca ter parado. Tive de optar entre abrandar ou arriscar não chegar ao fim. Mas desistir era impensável para uma pessoa como eu, o objetivo era concluir.

Ora, e a equipa organizadora é constituída por pessoas com muita experiência na realização deste tipo de eventos, que não deixam nada ao acaso, tentando minimizar ao máximo todos os riscos. A logística é incrível, dado tratar-se de um evento realizado a 70Kms do Polo Norte geográfico, onde as temperaturas chegam naquela época do ano a provocar sensações térmicas de -50 graus, como foi o caso nas últimas três horas de prova! Naquele local, não existe absolutamente nada, tudo tem de ser transportado de avião de muito longe para ser somente utilizado durante 3 semanas por ano. Depois tudo é desmontado novamente. As tendas são militares, proporcionando um desconforto incrível e sendo os únicos abrigos durante os três dias que lá passamos, pois cá fora é impossível permanecer mais de 5 minutos. O acampamento “Barneo Ice Camp” está assente na calote de gelo polar que se descola cerca de 200 metros/dia sobre o leito do Oceano Ártico.

PP: Em cada prova, competes sozinho. Mas até iniciares as corridas há uma equipa de profissionais em que te suportas na tua preparação multidisciplinar. Qual a importância desse suporte?

No início fazia efetivamente tudo sozinho, era completamente autodidata, a roçar mesmo o inconsciente, pois por desconhecimento não tinha consciência das asneiras que fazia nos treinos… Entretanto, tendo em conta o nível das provas em que comecei a participar, obriguei-me a crescer, a juntar uma equipa que me acompanha aconselhando dia a dia. Não é possível participar, por exemplo, numa World Marathon Challenge sem uma equipa a trabalhar connosco e para nós… Tenho um treinador / preparador físico, o Paulo Conde, pessoa sensata que me orienta dia a dia e me trava nos eventuais exageros…Todos os dias, literalmente todos os dias, envio um relatório de check-up ao acordar, sendo a partir desses resultados decidido o que, e como treinar nesse dia… Tenho médicos especialistas, fisioterapeutas sempre disponíveis, enfim, sozinhos vamos eventualmente mais rápido, mas juntos vamos seguramente mais longe… À semelhança das organizações profissionais, é fundamental trabalhar em equipa, de outra forma estamos, mais tarde ou mais cedo, condenados ao insucesso.

PP: A tua experiência simboliza que se pode correr pelo impossível, ultrapassar todos os obstáculos. No desporto, nas organizações, na vida… És gestor de equipas de profissionais com vocação comercial. Que ensinamentos é que as corridas te dão e que possam ser transportados para quem trabalha numa organização e, assim como no desporto, tem objetivos tão aguerridos?

A situação que mais me faz confusão é a falta de dedicação e de método da maioria dos profissionais dos nossos dias. Eu tento, através dos meus exemplos, demonstrar que nada é impossível e que se nos esforçarmos conseguimos tudo na vida. Precisamos de 30% de sorte e 70% de trabalho para o alcance dos objetivos. O principal ensinamento é que, perante um cenário extremo, temos de ser perseverantes, muito modestos e não subestimar toda e qualquer circunstância naquele meio ambiente.

PP: Vivemos hoje perante um paradigma organizacional em constante mudança, em permanente crise e com fatores de imprevisibilidade grandes. O mundo está a mudar muito rapidamente e temos de acompanhar essa mudança. Por isso, nas organizações há uma tendência crescente para valorizar a versatilidade, o maior número de competências, a inteligência emocional… A participação nas corridas ajuda-te a ganhar este “mundo”?

A versatilidade, um elevado número de competências e a inteligência emocional são sem dúvida alguns dos meus pontos fortes, tanto no desporto, como na vida profissional, assim como na pessoal. Desde muito novo que reúno essas características. Trabalho há mais de 38 anos na área das telecomunicações, que está em constante mudança e que exige versatilidade. A título de exemplo, enquanto estudante, comercializava motas e por vezes carros. Fui sócio-gerente de uma empresa familiar de exploração marítima durante 11 anos e, ao mesmo tempo que tinha essa empresa, era um quadro coordenador numa organização de referência e líder no mercado nacional. Fui quadro de topo em multinacionais, etc. Teria sido bem mais seguro e confortável ter seguido a carreira por conta de outrem, tendo em conta o patamar que já havia alcançado, mas a minha inteligência emocional permitiu-me arriscar mais, culminando na criação de uma organização que hoje já conta com 26 anos de laboração contínua.

PP: Dessa síntese entre a vida profissional e as maratonas, percebo que levas também para casa as melhores lições. Que valores acabas por transmitir, enquanto maratonista, aos teus filhos?

A família é um dos principais bens que nós possuímos! Para melhor consubstanciar a educação/formação dos meus filhos, tento aproveitar as minhas experiências, espírito evidente de sacrifício, dedicação e priorização de objetivos, por forma a que lhes sirva de exemplo.

PP: És um homem de fé. Que ferramentas da tua espiritualidade transportas para a perseverança exigida a um ultramaratonista? E vice-versa? Como vais reconstruindo a tua fé a partir das especificidades das maratonas?

Sou efetivamente um homem de fé. O que mais aprecio neste desporto são as provas de longa distância conhecidas como ultramaratonas, pelo seu grau de dificuldade. Ora, quando estou perante um desafio de extrema exigência, normalmente a fé vem sempre ao de cima. Sou um felizardo porque Deus me permite que eu ali esteja, tenho família que me proporciona essa disponibilidade, tenho saúde e capacidade financeira que me permitem ter esse privilégio e tenho, lá está, um espírito de sacrifício infindável. Já me aconteceu de tudo! Lembro-me, por exemplo, ao Km 25 na maratona de NYC (2014), de ter tido uma lesão na perna esquerda que me obrigou a arrastar-me em esforço até à conclusão da prova. A pensar que tinha uma gripe, tendo em conta a febre na véspera, corri a maratona do Porto com uma diverticulite, que me obrigou a um internamento hospitalar de cerca de 9 dias e a uma recuperação a antibióticos de 3 meses.

Mas primeiro concluí a prova e recebi a minha merecida medalha. A primeira vez que fui a Fátima a pé, partindo de Lisboa, na sequência de uma má escolha de calçado e ainda em Alverca, tive uma bolha no pé de tal dimensão de que ainda hoje me lembro. Os meus dois parceiros de peregrinação (ambos médicos) acharam que eu iria desistir, pois ainda faltava andar cerca de 120Kms em apenas dois dias. Só a fé me transportou até ao final. Na maratona de Atenas, uma inflamação extrema na perna esquerda, para a qual um médico grego no Metropolitan Hospital na véspera da prova me deu 3 injeções, sugerindo que eu rezasse, não foi suficiente para me impedir de chegar com sucesso ao fim. A fé acompanha-me sempre em tudo o que faço.

PP: A maratona, na sua essência, é também uma forma de trabalhar a felicidade, certo?  

Claro que é! Poucas coisas me dão maior felicidade do que a sensação de liberdade que a corrida me proporciona.

 

Créditos de imagem: Isabel Nolasco 

Esta entrevista é parte do livro “As perguntas que somos”, uma compilação de 34 conversas, que a partir da pergunta, mostra os olhares de personalidades desassossegadas, inquietantes, com histórias de vida, trajetos profissionais e domínio de saberes diversificados e relevantes. O projeto inicial partiu no Entre | Vistas, plataforma digital de comunicação cultural fundada por Paula Perfeito, em novembro de 2014.

Uma seleção de oito conversas será publicada, todas as sextas-feiras, até ao dia 5 de maio.

Saiba mais sobre “As perguntas que somos” aqui.

Arquivado em:Entrevistas

O que pode fazer para promover a igualdade de género na sua empresa?

31 Março, 2023 by Denise Calado

De acordo com o Relatório Global do World Economic Forum, nos últimos anos, a desigualdade de género no mundo diminuiu 68%, com países como a Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia, Irlanda e a Alemanha a posicionarem-se entre os que mais contribuem para a erradicação desta realidade.

No entanto, no mercado de trabalho, as disparidades de género continuam a ser impulsionadas por fatores como as expectativas globais da sociedade para a mulher e políticas estruturais de longa data, passando pelo ambiente legal dos diferentes mercados.

A ManPowerGroup apresenta cinco estratégias para as lideranças contribuírem para a equidade de género nas suas empresas, e ajudarem as profissionais a ultrapassarem as barreiras que enfrentam.

Eliminar preconceitos no momento de contratação

Uma das barreiras mais significativas às profissionais no mercado de trabalho ocorre precisamente no momento do recrutamento, quando preconceitos inconscientes e estereótipos relacionados com a mulher podem dificultar ou mesmo impedir a sua contratação.

Estes podem estar relacionados com a aptidão das profissionais para determinadas posições, tradicionalmente mais ligadas ao género masculino, ou com a perceção de um menor compromisso, em virtude da necessidade de maior apoio à família.

Estes preconceitos podem persistir ao longo de toda a carreira, nomeadamente, em momentos de progressão e de reconhecimento. Para combater a tendência, logo no momento da contratação, as empresas devem implementar estratégias como o blind-screening de currículos, em que são ocultados aspetos sobre o candidato, como o género ou idade, utilizando-se linguagem neutra nas descrições das vagas e fontes de recrutamento diversas.

Medir o progresso da empresa a nível de igualdade

A promoção da igualdade de género nas empresas é responsabilidade das suas estruturas e líderes, que, além de precisarem de fazer progressos significativos no que respeita a esta temática, devem acompanhar a sua evolução e tornar os resultados mensuráveis.

As entidades devem, assim, estabelecer objetivos concretos para progredir em equidade de género, as ações para os alcançar e ter profissionais dedicados ao seu acompanhamento.

Os resultados devem ser medidos continuamente, no que respeita à evolução das contratações e promoções de carreira, consoante o género, bem como à diversidade ao longo da estrutura.

Por fim, e sendo ainda o fosso salarial entre géneros um problema persistente, as empresas devem realizar auditorias salariais regulares e assegurar que as profissionais são remuneradas de forma equitativa.

Estabelecer uma estratégia desenvolvimento de carreiras igualitária 

Segundo um estudo recentemente lançado pela McKinsey, em Portugal, as mulheres representam metade da força de trabalho, mas assumem apenas 31% dos lugares nos conselhos de administração e apenas 6% são CEO’s de empresas.

Para combater esta realidade, é necessário começar a trabalhar desde a base da organização e estabelecer metas para mais mulheres na gestão e liderança de primeiro nível, criando em seguida estratégias, ao nível da exposição, formação e mentoria, que promovam o seu progresso.

Proporcionar oportunidades para o desenvolvimento profissional

De acordo com o estudo “The New Human Age”, menos de metade das profissionais acredita que o seu empregador encoraja a sua requalificação ou formação e mais de 40% dizem que este não reconhece as suas competências ou potencial.

Por outro lado, 67% afirma que a probabilidade de lhes ser sugerida formação é menor, comparativamente com os seus pares do género masculino.

As mulheres precisam, assim, de mais apoio e recursos para o desenvolvimento e progressão na carreira. 

As empresas devem investir em programas de formação e mentoria que visem as mulheres e lhes proporcionem as competências e oportunidades de networking de que necessitam para avançar nas suas carreiras.

Devem criar planos de formação concretos, que lhes permitam desenvolver skills técnicas e humanas estratégicas, tanto para a empresa como para a sua empregabilidade futura.

Alinhar a proposta de valor da empresa com as prioridades das profissionais 

80% das mulheres afirmam que é o apoio de managers e equipas o que mais valorizam, seguindo-se de 70% que referem as oportunidades de evolução na carreira.

Também a autonomia e flexibilidade são apontadas por 49% – dados do estudo “What Women Want (At Work)”, do ManpowerGroup, e que revelam algumas das principais prioridades das profissionais, a que os empregadores devem estar atentos.

A flexibilidade, tanto no que respeita ao local de trabalho como ao horário, é tão importante que o estudo “The New Human Age” revela que 35% das mulheres trocariam 5% do seu salário por uma semana de 4 dias de trabalho.

Como prioridades das profissionais, surge ainda o apoio à sua saúde mental e a valorização do tempo livre para o seu bem-estar.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Saiba como preparar um evento corporativo

31 Março, 2023 by Denise Calado

Até 2028 o mercado mundial da indústria dos eventos crescerá mais de 13% e a maioria das empresas despende cerca de 25% do seu orçamento de marketing na sua organização e gestão.  Um em cada dois marketeers B2B (53,7%) que participaram no Observatório de Tendências MarTech – “Chaves e Tendências no Marketing B2B no setor tecnológico”, reconhece que os eventos presenciais são relevantes.

A análise elaborada pela Omnitel partilha 11 dicas que deve ter em conta no planeamento de um evento.

  • Considerar as expetativas e objetivos corporativos – Compreender as expetativas e objetivos de cada cliente e definir o conceito e estratégia do evento desde o início, em linha com esses mesmos objetivos.
  • Pensar que o evento é muito mais do que um espaço “cool” – Para Esther Martin, diretora de eventos da Omnitel, “os eventos corporativos devem ser a soma de momentos inesquecíveis para os participantes. No final do dia, por vezes, estamos obcecados em procurar o local perfeito, quando temos a experiência e os recursos para criar o local perfeito”.
  • Ter em conta de que os eventos também são emoções – O planeamento de um evento começa com o processo de análise e compreensão do público a fim de impactar as suas emoções e comportamento.
  • Gerar uma estratégia contínua de emoções de PRE para o POST – Um dos principais desafios é a personalização e criação de experiências únicas para os participantes, desde o pré-evento até ao pós-evento. De acordo com um estudo da AMEX, 54% dos gestores de eventos dedicam mais tempo aos cuidados e experiência dos participantes do que à logística. “Um evento não se trata apenas de trabalho, deve também entreter, motivar, inspirar e ajudar a construir redes e equipas. É por isso que é importante planear ações para criar emoções a partir do momento em que uma pessoa recebe o convite para o evento”, explica Martin.
  • Estabelecer KPIs. Os objetivos estabelecidos serão fundamentais para determinar o sucesso do evento, estes objetivos podem ir desde o aumento da participação do público, aumento do ROI e até a medição da utilização da tecnologia no seu evento, como por exemplo, medindo os downloads de uma aplicação utilizada no evento.
  • Planificar o evento atempadamente- Não é que um evento não possa ser organizado a curto prazo, mas se um evento for dirigido a um público específico, o processo de análise e compreensão do público a fim de ter impacto nas suas emoções e comportamento requer algum tempo de preparação.
  • Ser diferenciador – Face a um grande número de eventos, os convidados acabam por selecionar aqueles que lhes interessam mais e têm uma maior empatia. É importante ter um gancho no evento corporativo, quer seja um orador bem conhecido ou uma atividade atrativa. Também não se deve esquecer a importância de criar eventos empenhados na sustentabilidade, desde a sua preparação até à sua execução.
  • Dinamizar o evento – Um dos principais desafios associado à organização de eventos passa por conseguir com que os participantes interajam e se mantenham ativos durante todo o evento. Esta interação pode também ser importante a partir do momento em que os participantes recebem os convites, na medida em que podem ajudar a gerar algum ruído em torno do mesmo. Para estimular a interação da marca e criar experiências inesquecíveis, é necessário gerar conteúdos e espaços que facilitem networking e a identificação com a marca. Por exemplo, a criação de espaços dedicados a selfies, a participação em inquéritos e jogos nas redes sociais.
  • Pensar que o cliente quer mais do que o streaming – A pandemia aproximou os clientes alocados fora das grandes cidades graças ao streaming/ webinars. Segundo a análise, há uma confiança crescente em roadshows como forma de apostar na proximidade e personalização, elevando os eventos a cada local onde existem novos clientes.
  • Tirar partido do telemarketing – Nas grandes cidades há, normalmente, uma queda significativa no número de participantes confirmados para o evento. É, por isso, que o telemarketing B2B é uma excelente ferramenta, não só para reforçar as confirmações dos participantes, mas também para descobrir potenciais convidados e traçar o seu perfil, de forma a compreender se são clientes interessantes a convidar para um determinado evento.
  • Ter em conta os imprevistos – A lei de Murphy diz: se algo pode correr mal, correrá mal. Além disso, quando várias coisas podem correr mal, a que causa mais danos é aquela que irá acontecer. É praticamente impossível ter tudo 100% garantido, pelo que deverá estar sempre preparado para quaisquer imprevistos, mas acima de tudo, deverá planear as suas respostas, de modo a conseguir responder aos mesmos. Mais uma razão para recrutar a ajuda de uma equipa profissional de eventos que compreenda as expectativas e objetivos de cada cliente e que tenha as ferramentas e experiência necessárias para os atingir com sucesso.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Crypto e um café: Bitcoin em 3 minutos

31 Março, 2023 by Denise Calado

A Bitcoin, criada em 2009, é a primeira e mais conhecida criptomoeda. A sua natureza revolucionária reside na capacidade de permitir a transferência de valor entre duas partes sem a necessidade de intermediários, como bancos ou governos. A Bitcoin é baseada na tecnologia blockchain, um registo público e descentralizado de todas as transações, que é atualizado e mantido por uma rede de computadores (nodes) recompensados em Bitcoin por este trabalho, “minerando” assim a criptomoeda.

A Bitcoin é uma inovação revolucionária por ser um sistema descentralizado de troca de valor. Eis que se possibilita a transferência digital e direta de valor entre duas partes, sem a necessidade de intermediários, como bancos ou governos. Esta abordagem descentralizada elimina o risco de corrupção e promove a transparência e a inclusão financeira, para lá dos atuais círculos fechados. A tecnologia subjacente, a blockchain, sendo pública e imutável, garante a integridade do sistema.

O acesso a criptomoedas, enquanto monetização (token) de um projecto ou tecnologia, faz-se com a criação de uma carteira digital (wallet), que pode ser feita através de aplicações ou plataformas online como correctoras (exchanges). Em seguida, é necessário adquirir criptomoedas, que podem ser compradas nestas exchanges ou obtidas por meio de mineração, no caso da Bitcoin.

Em Portugal, as criptomoedas já estão a ser aplicadas em diversos setores. Por exemplo, algumas imobiliárias aceitam pagamentos em Bitcoin na compra de imóveis, e encontram-se caixas eletrónicas (ATMs) que permitem a conversão de euros em Bitcoin e vice-versa. O país tem-se destacado pelo seu ecossistema favorável ao desenvolvimento de startups e projetos relacionados à tecnologia blockchain.

No entanto, é fundamental estar ciente dos riscos associados às criptomoedas. A sua volatilidade e falta de regulação podem levar a perdas significativas de valor. Além disso, é importante distinguir moedas fiáveis de esquemas fraudulentos. Para isso, investigue sempre o histórico, a equipa por trás do projeto e a utilidade da moeda antes de investir.

De acordo com a legislação atual em Portugal, as criptomoedas podem ser consideradas como ativos ou reserva de valor, dependendo do contexto. A Autoridade Tributária considera a Bitcoin e outras criptomoedas como ativos financeiros, e a negociação de criptomoedas está isenta de IVA, embora possam estar sujeitas a tributação sobre ganhos de capital. Isso significa que os investidores e utilizadores de criptomoedas devem estar cientes das implicações fiscais relacionadas ao uso e investimento em moedas digitais.

O futuro das criptomoedas e da tecnologia blockchain é promissor, com potencial para transformar diversos setores, desde serviços, indústria, ou cadeias de abastecimento. No entanto, é fundamental que os interessados neste mercado estejam bem informados sobre os riscos e as oportunidades inerentes a esta indústria em constante evolução.

Em resumo, a Bitcoin e outras criptomoedas revolucionaram a forma como se define dinheiro e realizamos transações. O seu potencial na aceleração e democratização da troca de valor, descentralização de tecnologia, e inclusão financeira é inegável. Hoje, focamo-nos na sua regulação responsável como um passo crucial para adopção em massa. Estando certos que esta tecnologia é incontornável no nosso futuro, é garantido que todos beneficiamos em educarmo-nos mais sobre esta e potenciais aplicações na nossa realidade imediata.

Arquivado em:Opinião

Congresso RH | Best of Gestão do Capital Humano acontece em Coimbra

31 Março, 2023 by Denise Calado

Reconhecendo a importância da Região Centro do país, o Congresso RH vai decorrer no próximo dia 20 de abril, na Coimbra Business School | ISCAC.

A iniciativa promovida pela Editora RH, com o apoio institucional da Coimbra Business School, tem o intuito de divulgar o que de melhor tem sido feito na área da gestão de pessoas.

Conta-se com a participação de líderes empresariais e membros da comunidade RH, bem como da Academia, que irão trazer à discussão temáticas como a liderança inspiradora na gestão de pessoas e negócios, contextos, perspetivas e desafios na gestão de pessoas, atração, retenção e desenvolvimento de talentos, entre outras.

Estão confirmadas as intervenções de Filipa Alves (Administradora da Águas do Centro Litoral), Ana Mafalda Varanda (Diretora de Recursos Humanos da Bluepharma), Jorge Brito (Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra), Anabela Figueiredo (presidente da MindAlliance Portugal), Paula Dinis (Chief Happiness Officer da LOBA), Joaquim Silva Nunes (General Manager da Olympus Medical Products Portugal), Rita Ventura (Human Resources Leader da CS Wind Portugal) e de Pedro Estrela (Head of Human Resources da Airbus Atlantic Portugal). A sessão de abertura estará a cargo de Alexandre Silva (presidente da Coimbra Business School | ISCAC) e de Miguel Fonseca (vereador da Câmara Municipal de Coimbra).

 

Saiba mais aqui: www.congressorh.pt

Arquivado em:Notícias, Trabalho

«A tecnologia pode mudar vidas». O testemunho inspirador de Ayumi Aoki no palco da Leadership Summit Cabo Verde

30 Março, 2023 by Denise Calado

Ayumi Moore Aoki, Presidente da Women in Tech Global (WIT), na Talk “Women in Tech: A chave para as sociedades resilientes” contou a sua história de empoderamento feminino através da tecnologia.

«A nova liderança digital é uma competência fundamental para a construção de um futuro sustentável e próspero. É através dela que vamos poder transformar os negócios, a educação e as sociedades de forma a criar soluções inovadoras para responder às necessidades crescentes da Humanidade. Mas para que esta transformação digital seja inclusiva temos de colocar todas as pessoas. Não podemos esquecer ninguém. E aqui, claro, refiro-me às mulheres», começa por explicar a importância da igualdade de género no mundo digital no palco da Leadership Summit Cabo Verde, na Assembleia Nacional.

As mulheres ainda enfrentam muitas barreiras culturais e estruturais que limitam o acesso a oportunidades, seja no trabalho, na educação ou simplesmente no acesso à internet. Ayumi chama a atenção para um fenómeno que se denomina de gender gap in tech.  Uma lacuna de representatividade de género no setor digital. «Neste momento, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas não têm acesso à internet e a maioria são mulheres. Tendo menos 30% de acesso aos dispositivos tecnológicos. Hoje, somente 20% da força de trabalho na área da Tecnologia são mulheres. Se olharmos para o aspeto financeiro, menos de 3% do financiamento do capital disponível para investimento é captado por startups lideradas por mulheres, e nos países do G20 somente 15% dos graduados em STEM são mulheres», assegura.

Para Ayumi: «Sem a tecnologia, as mulheres estão a ser deixadas para trás. Por isso, a ONU propôs como direito básico humano ter acesso à internet. Isto trata-se de equidade, é uma questão de visibilidade. E também uma questão de emprego, 85% dos empregos em 2030 ainda não existem, significa que estão a ser criados com as tecnologias que estamos agora a desenvolver. E, por último, uma questão de esperança, as mulheres querem poder ser o que quiserem, sem estarem determinadas pelo seu género, cultura ou condição social».

De acordo com a Presidente da WIT, que tem raízes brasileiras, passou grande parte da sua infância e adolescência na África do Sul e mora na Europa, a tecnologia pode mudar vidas. «Estava no auge da minha carreira, a viver em França, era Diretora de Marketing de uma grande empresa com hotéis e casinos, mas não sentia nenhuma satisfação no meu trabalho. Tive de repensar a minha vida profissional. O que queria era passar mais tempo com os meus dois filhos, passear, fazer algo mais criativo e ter impacto. Assim, saí do meu trabalho e aprendi a programar. Fiz pequenas apps sociais e construi a minha primeira empresa digital. Estas habilidades técnicas tornaram-me independente e acabei por ter mais dois filhos.»

Em 2017, Ayumi já sabia que não havia muitas mulheres nas tecnologias, mas o que não sabia era que o gender gap estava a aumentar, nos anos 70 havia mais mulheres em tecnologia. Determinada a criar alguma iniciativa, em 2018 resolveu fundar a organização Women in Tech de forma a ter uma rede em que as mulheres se pudessem capacitar, empoderar e sustentar umas às outras, trabalhando em quatro áreas distintas: educação, inclusão social, empreendedorismo e advocacia. «A intenção é ensinar e capacitar as mulheres que podem trabalhar de qualquer parte do mundo e fechar este gender gap», conta.

Neste momento, a Women in Tech está presente em 45 países e tem como missão: empoderar 5 milhões de raparigas e mulheres até 2030.

Assista à talk de Ayumi Aoki e a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS, a partir do dia 30 de março. Disponível online aqui.

Tenha acesso à Galeria de imagens da Leadership Summit Cabo Verde aqui.

Por TitiAna Amorim Barroso

Arquivado em:Liderança, Notícias

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