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Denise Calado

«Em todo o mundo, 37% das mulheres continuam excluídas do acesso à internet», alerta António Ferrari (UNRIC)

29 Março, 2023 by Denise Calado

Hoje, as nossas vidas dependem da integração tecnológica: participar num evento online, comunicar com os nossos entes queridos, fazer uma transação bancária ou marcar uma consulta médica. Tudo passa por um processo digital que devemos saber fazer, mas para tal necessitamos de ter acesso ao mundo digital e às devidas competências que nos permitem ser utilizadores autónomos. Acontece que, atualmente, em todo o mundo, 37% das mulheres continuam excluídas do acesso à internet. Neste momento, há menos 259 milhões de mulheres do que homens com acesso à rede, ainda que elas representem metade da população mundial.

O teimoso fosso de género existente no acesso às tecnologias de informação foi, precisamente, alvo de reflexão do Dia Internacional da Mulher deste ano, que se assinalou a 8 de março, e teve como tema: “DigitALL: Inovação e Tecnologia para a Igualdade de Género”. A efeméride pretendeu, por um lado, reconhecer e celebrar as mulheres e raparigas que triunfam no avanço das tecnologias transformativas e na educação digital e, por outro, perceber o impacto real do fosso existente entre homens e mulheres no acesso a tecnologias de informação. Além disso, dá também destaque à importância de proteger as mulheres e as raparigas no espaço digital. Com efeito, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a agência da ONU especializada em tecnologias de informação e de comunicação, apenas 63% das mulheres utilizam a internet, enquanto 69% dos homens são utilizadores da rede. No entanto, apesar de terem menor acesso, as mulheres são as que mais sofrem com a violência no mundo digital.

Do ensino online e ativismo digital à rápida expansão de empregos tecnológicos com salários elevados, a era digital gerou oportunidades inéditas para o empoderamento das mulheres. No entanto, o avanço da tecnologia também está a introduzir novas formas de desigualdades e a aumentar as ameaças aos seus direitos e bem-estar. As mulheres e meninas continuam sub-representadas na criação, utilização e regulamentação da tecnologia. São também menos propensas a usar serviços digitais ou a ingressar em carreiras relacionadas com a tecnologia e estão significativamente mais expostas ao assédio e violência online. Esta realidade limita não só o seu próprio empoderamento digital, mas também o potencial transformador da tecnologia como um todo: na última década, a exclusão das mulheres da esfera digital eliminou um bilião de dólares do PIB de países de baixo e médio rendimento.

O mundo vê-se agora numa encruzilhada: deve-se permitir que a tecnologia agrave as disparidades existentes e concentre ainda mais o poder nas mãos de poucos ou deve pô-la ao serviço de um futuro mais seguro, sustentável e igualitário para todos?

Com efeito, as escolhas feitas hoje impactarão profundamente o caminho a seguir e as Nações Unidas, nomeadamente a ONU Mulheres, agência da ONU especializada em direitos das mulheres, identifica quatro passos para que se avance na direção correta.

Em primeiro lugar, é necessário acabar com as diferenças de género no acesso à internet e às competências digitais. À medida que as nossas vidas se tornam cada vez mais digitalizadas, as diferenças de género no acesso ao mundo digital ameaçam deixar mulheres e meninas ainda mais para trás. Nos países menos desenvolvidos – onde, apesar da rede de banda larga móvel cobrir 76% da população, apenas 25% está ligada – sendo que os homens têm 52% mais de hipóteses de pertencer a essa minoria online. Estes dados deixam claro que para reduzir as desigualdades digitais será necessário mais do que melhorar as infraestruturas digitais. Abordar fatores como acessibilidade, acesso à eletricidade, privacidade e segurança online, normas sociais, competências digitais e alfabetização será fundamental para assegurar a inclusão significativa das mulheres. Nenhum setor pode fazer isso sozinho: será necessária a colaboração entre governos, empresas e organizações da sociedade civil e de direitos das mulheres, entre outros. A formulação de políticas bem-sucedidas também exigirá mais dados sobre as barreiras ao acesso digital das mulheres, bem como investigar a eficácia dos esforços para superá-las.

Em segundo lugar, é necessário apoiar as mulheres e meninas a seguirem carreiras nas chamadas CTEM – Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas. Hoje, a nível mundial, as mulheres continuam a ser uma minoria na educação e nas carreiras CTEM, representando apenas 28% dos diplomados em engenharia, 22% dos trabalhadores de inteligência artificial e menos de um terço dos trabalhadores do setor de tecnologia em todo o mundo. Sem representação igualitária nestes campos, a participação das mulheres para a definição de tecnologia, investigação, investimentos e políticas permanecerá extremamente limitada. Os mesmos desafios se aplicam ao acesso a carreiras de rápido crescimento e de salários elevados – uma desigualdade agravada pelo facto de que, à medida que a tecnologia e a inovação digital puserem em causa determinados setores económicos, serão as primeiras a arcar com o peso da perda de empregos.

Em terceiro lugar, é necessário criar tecnologia que atenda as necessidades de mulheres e meninas. A tecnologia reflete os seus criadores, portanto, quando mulheres e meninas são deixadas de fora dos espaços de tecnologia e de inovação, não é de admirar que as ferramentas digitais não atendam às suas necessidades. O baixo investimento em, por exemplo, ferramentas digitais que promovem a saúde sexual e reprodutiva é o resultado natural dos processos de tomada de decisão que sistematicamente excluem as vozes das mulheres. Ao mesmo tempo, a desigualdade de género no acesso ao mundo digital significa que as mulheres produzem menos dados do que os homens e a falta de desagregação dos dados leva a uma representação desigual, o que tem um enorme impacto nos resultados gerados pela inteligência artificial. A criação de tecnologia mais inclusiva e menos tendenciosa começa com processos de design e de regulamentação baseados em direitos humanos, ou seja, centrar as vozes de mulheres marginalizadas e vulneráveis, bem como cientistas sociais e comportamentais, e especialistas em direitos humanos, na conceção de novas ferramentas digitais. Também significa abordar explicitamente as tensões entre o exercício de diferentes direitos online, como liberdade de expressão versus direito à segurança. E significa tornar as estruturas éticas aplicáveis, fundamentando-as em padrões e normas internacionais de direitos humanos. A reforma regulatória deve envolver os governos para definir as responsabilidades das empresas, exigir mecanismos de monitorização, como avaliações de impacto de género, e garantir a transparência no uso de dados através de mecanismos como auditorias obrigatórias de inteligência artificial. A nível internacional, a governação digital será crucial para garantir que o desenvolvimento da tecnologia esteja alinhado com o bem comum e não apenas com os interesses das corporações multinacionais.

Por último, é necessário abordar a violência de género que resulta dos meios tecnológicos. Apesar da sua prevalência e gravidade, não existe uma definição universalmente aceite de violência de género facilitada pela tecnologia, mas pode ser entendida como qualquer ato de violência cometido, assistido ou agravado pelo uso das TIC com base no género. Embora tais atos geralmente ocorram na esfera virtual, eles resultam em danos tangíveis – físicos, sexuais, psicológicos, sociais, políticos e/ou económicos. Esse tipo de violência não termina quando as mulheres se desligam: há uma continuidade entre a violência no mundo real e a violência online, com a tecnologia a ajudar a perpetuar e a aumentar a vigilância, o tráfico e outras formas de abuso. À medida que as redes sociais se tornaram um espaço cada vez mais crucial para socialização e organização, também se tornaram um local importante de desinformação de género, e de discurso de ódio sexista, prejudicando a expressão e o movimento online das mulheres. Uma situação que é ainda mais evidente com mulheres que enfrentam formas cruzadas de discriminação, incluindo mulheres de cor, mulheres portadoras de deficiência e mulheres LGBTIQ+. O mesmo acontece com figuras públicas – jornalistas, políticas e defensoras dos direitos das mulheres, por exemplo – que enfrentam níveis significativamente mais elevados de discurso de ódio e de outros tipos de violência do que os seus pares do sexo masculino. Além da falta de uma definição formal, não existem normas e padrões globais coerentes sobre violência baseada em género no mundo online. À medida que a tecnologia gera novas formas de violência, as estruturas legais existentes deixam de se aplicar. E a violência online (como todas as formas de violência de género) não é devidamente denunciada, com apenas um em cada quatro mulheres a reportarem atos violentos à plataforma onde estes ocorreram, e menos ainda – 14% – a comunicarem as agressões às autoridades competentes.

 

 

Texto redigido em colaboração com a ONU Mulheres

 

Este artigo foi publicado na edição especial da revista Líder Cabo Verde.

Subscreva a Líder AQUI.

Arquivado em:Artigos, Leadership

O futuro do turismo passa pela sustentabilidade

29 Março, 2023 by Denise Calado

A literacia em sustentabilidade é um dos principais fatores-chave para o sucesso do turismo em Portugal. Uma vez que quase 100% do tecido corporativo português é composto por PME’s, o desconhecimento sobre as práticas e os custos associados à transformação, são hoje um dos maiores entraves para que as empresas do setor consigam melhorar as suas credenciais em sustentabilidade.

Até 2026, é expetável que o mercado global do turismo sustentável cresça, a uma média de 12,7% ao ano e é também crescente a importância que os viajantes expressam em viajar de forma mais sustentável. Mas segundo o índice de 2022 “Environmental Performance”, da Universidade de Yale, Portugal ocupa o 48º lugar em 180 países, o que mostra um caminho longo a percorrer.

Estas são parte das principais conclusões do White Paper “Sustentabilidade no Setor do Turismo”, elaborado por Rodrigo Tavares, Professor Catedrático Convidado da Nova SBE.

O relatório, que analisa 4 áreas-chave – Empresas Sustentáveis, Empresas de Turismo Sustentável, Portugal como Destino de Turismo Sustentável e Sustentabilidade do Turismo em Portugal – aponta 17 recomendações para ajudar as empresas do setor do turismo a identificar riscos e oportunidades no campo da sustentabilidade.

Desafios e Recomendações 

Uma vez que atualmente os níveis de qualificação no setor são ainda muito baixos, o relatório destaca a literacia em sustentabilidade como uma das principais recomendações.

O investimento em formação deve ser assumido, não só por empresas e organizações (que devem investir em cursos sobre sustentabilidade corporativa ou finanças sustentáveis, já disponíveis no mercado) mas também pelos organismos públicos, nomeadamente, a Academia Digital do Turismo de Portugal (que deveria alargar consideravelmente a sua oferta formativa no domínio da sustentabilidade).

A par da literacia em sustentabilidade, a importância da integração da sustentabilidade na estratégia de financiamento das empresas é outro fator chave. Uma vez que, em Portugal, a dívida sustentável atinge um volume total de cerca de 9,3 mil milhões de euros e que existem disponíveis no mercado nacional linhas de crédito específicas (sustainability linked-loans, sustainability linked-bonds, green bonds, sustainability bonds ou social bonds) as empresas podem beneficiar de operações com condições diferenciadas relativamente a produtos mais tradicionais.

Empresas de Turismo Sustentável

Neste conjunto de empresas que para além das suas dinâmicas internas integram também a sustentabilidade nos seus produtos e serviços, foi a componente financeira que se destacou com o principal desafio: quais as reais vantagens financeiras e económicas de se enveredar pelo turismo sustentável? Quais os incentivos públicos e privados que existem para ajudar as empresas portuguesas a fazer as transformações necessárias? Como dosear os investimentos financeiros necessários à transição para o turismo sustentável e a necessidade de assegurar receitas a curto prazo?

A monitorização e análise de dados é apontada como fator-chave: a recolha e monitorização dos indicadores mais comuns no setor do turismo – consumo de eletricidade e energia em quilowatts-hora (kWh) por metro quadrado de espaço atendido; consumo de água em litros ou metros cúbicos (m3) por hóspede por noite; produção de resíduos (kg por hóspede por noite e/ou litros por hóspede por noite) – deverá juntar-se à medição das emissões de gases com efeito estufa (GEE) devendo, todos estes registos ser disponibilizados publicamente a clientes, fornecedores, acionistas.

É realçada a importância da atuação do Turismo de Portugal que, apesar de disponibilizar várias iniciativas para apoio do setor na área da sustentabilidade, deveria dar uma atenção concreta aos atributos da sustentabilidade e disponibilizar toda esta informação num website dedicado.

Portugal como Destino de Turismo Sustentável 

Apesar de Portugal se afirmar, no plano nacional e internacional, como um destino de turismo sustentável, os dados divulgados pelo Environmental Performance Index de 2022 da Universidade de Yale, colocam Portugal no 48º lugar em 180 países identificando também que a trajetória de descarbonização está atrasada. “Portugal está posicionado em 19º na categoria relativa à emissão de gases com efeito de estufa (em 63 países). Para o seu turismo ser sustentável, Portugal tem de ser sustentável. É necessária uma visão holística e estratégica de país” refere o investigador ao destacar o principal desafio neste pilar.

As recomendações recaem sobre uma atuação mais ativa do Turismo de Portugal, através, por exemplo, do lançamento de iniciativas nacionais e de larga-escala de descarbonização do setor com o desenvolvimento de uma calculadora de carbono específica e do lançamento de um selo nacional de certificação de empreendimentos turísticos reconhecidos pelas suas práticas em sustentabilidade.

Por último, o autor do White Paper defende a atualização do quadro regulatório português que estabelece o sistema de classificação de estabelecimentos hoteleiros, de aldeamentos turísticos e de apartamentos turísticos (número de estrelas).

Atualmente, os requisitos associados à sustentabilidade são opcionais e referem-se apenas à integração de sistemas que promovam o consumo eficiente de água ou de sistemas de contratação e compras que promovam a inclusão de critérios ambientais nos contratos e fornecimentos (compras ecológicas).

Sustentabilidade do Turismo em Portugal

A Sustentabilidade do Turismo em Portugal apresenta o overtourism – número excessivo de visitas turísticas a um destino ou atração popular, resultando em danos no meio ambiente local e também nas populações mais pobres, afetando a qualidade de vida dos moradores – como o maior desafio do setor.

Em 2021, o consumo turístico no território económico foi de 21,3 mil milhões de euros, representando 10,1% do total do PIB e uma subida de 1,7 p.p. face ao peso do turismo na economia nacional em 2020, quando ascendia a 8,4% do PIB (15,3% em 2019) colocando Portugal como o 5º país onde é mais forte a contribuição do turismo para o PIB.

Dentro deste âmbito, o estudo defende que as instituições públicas e governamentais, regiões de turismo e municípios deveriam estimular um debate rigoroso e científico sobre a gestão sustentável do turismo em Portugal – identificando potenciais limites à atividade turística no país, desenvolvendo estudos e metodologias de avaliação (impacto do turismo nos territórios) e monitorização e avaliação (capacidade de carga nos destinos turísticos, com detalhe de áreas protegidas e urbanas mais densamente ocupadas) – e as empresas do setor deveriam a fomentar a utilização de ferramentas tecnológicas e start-ups nas suas áreas de negócio para melhorar a eficiência dos seus serviços, aumento dessa forma a produtividade.

 

Arquivado em:Notícias

Portugal Agora: ser o melhor país da Europa para viver e trabalhar

29 Março, 2023 by Denise Calado

Partindo de um projeto de cidadania, construído por cerca de 400 subscritores, a plataforma “Portugal Agora” apresentou a visão para 2023-2025: tornar Portugal o melhor país da Europa para viver e trabalhar.

A nova direção eleita, reforça o pressuposto de pensar o país a médio e longo prazo e na operação com independência de partidos políticos ou de outras instituições, tendo como foco diversas dimensões que criem valor para Portugal.

A iniciativa tem como objetivo ligar estratégia à ação e promover o país em quatro dimensões: Portugal Atrativo, Portugal do Conhecimento, Portugal Empreendedor e Portugal Resiliente; fornecendo propostas concretas para políticas públicas ou iniciativas da sociedade civil.

“Acreditamos que uma estratégia assente nestas quatro dimensões torna mais claro o caminho a seguir para alcançar a visão de Portugal como o melhor país da Europa para viver e trabalhar”, afirma Carlos Sezões, presidente da direção do “Portugal Agora”.

Dimensões competitivas de Portugal 

Partindo das quatro dimensões, o projeto “Portugal Agora” gera propostas concretas através de crowdsourcing de ideias na plataforma online e de experts na rede, com contributos transversais da sociedade, e faz chegar essas propostas junto de decisores e no espaço mediático.

Portugal Atrativo

Salienta-se o imperativo de simplificação de processos de investimento/ inovação/ empreendedorismo, aliado às infraestruturas e à potenciação da diáspora, para conseguir a atração de talento profissional, de estudantes e de migrantes. Na base está a promoção de Portugal com um projeto integrado para a sua “marca”.

Portugal do Conhecimento

Na dimensão do Conhecimento as propostas alicerçam-se numa cultura de descoberta, aprendizagem e inovação.

Portugal Empreendedor e Resiliente 

Do Portugal Empreendedor fazem parte propostas para novos produtos, novas tecnologias e novos processos de gestão, enquanto a dimensão Portugal Resiliente tem como base garantir as condições essenciais à vida em sociedade.

Objetivos nova Direção

Para este mandato, a direção do Portugal Agora empenha-se na abrangência, nomeadamente com a constituição da lista de subscritores – conjunto de pessoas que se reveem na visão estratégica explícita no “Portugal Agora!” e nos seus princípios e objetivos – e constituição do Conselho Consultivo – leque de personalidades com expertise comprovada nas quatro dimensões do projeto (e que trazem o seu contributo com a avaliação e validação das propostas recebidas).

Com esta base, a agenda 2023-2025 assenta em quatro causas: 1. Educação e Aprendizagens ao longo da vida; 2. Disrupção Tecnológica (e grau de preparação de Portugal); 3. Demografia, Migrações e Atração de Capital Humano; e 4. Competitividade e Atração de Investimento aliada à Diáspora Nacional e o seu impacto na definição e implementação de uma marca Portugal.

Para além da Carlos Sezões, Managing Partner da Darefy, a atual direção da plataforma “Portugal Agora”, conta com Miguel Leocádio (Administrador da Glintt), Leonor Pipa (Diretora do portal Link to Leaders); Céu Mendonça (Diretora da SAP Portugal); Miguel Rebelo de Sousa (gestor na Axians); Pedro Sales (manager na NOS); Cláudia Domingues Soares (gestora na Axians); Teresa Coelho (Diretora na Tinsa – Espanha) e Inês Silva (gestora no GI Group). Luís Paulo Salvado (Presidente da Novabase) e Sandra Silva (Diretora-geral da Mary Kay Portugal) presidem, respetivamente, à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Novas Bolsas pretendem formar profissionais em Sustentabilidade Empresarial

29 Março, 2023 by Denise Calado

Estão abertas as candidaturas para 600 Bolsas ESG, no âmbito da Sustentabilidade Empresarial, destinadas a profissionais de Pequenas e Médias Empresas (PME) que pretendam adquirir e desenvolver competências e conhecimentos na área ESG (Ambiente, Social e Governação) em Portugal e no Mundo.

As bolsas dão acesso ao programa ESG para PME e são agora lançadas pela Fundação Santander Portugal em parceria com o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável.

Em que consiste? 

Um dos principais objetivos é que, no final do programa, os participantes possam conhecer os principais conceitos que estão na origem da sustentabilidade empresarial.

Identificar riscos e oportunidades, definir e introduzir a sustentabilidade como estratégia empresarial, conhecendo alguns estudos sobre empresas que adotaram a sustentabilidade como estratégia empresarial, é um dos componentes do programa.

Para além disso, pretende-se que se fique a conhecer as quatro dimensões da sustentabilidade – People, Profit, Purpose e Planet – e o seu impacto na cadeia de valor, bem como a importância da relação com os mais variados stakeholders ao longo da cadeia de valor, numa ótica de colaboração e aplicação de soluções.

Condições gerais

Podem candidatar-se quadros diretivos, trabalhadores, colaboradores, sócios, gerentes, consultores e demais colaboradores, bastando que sejam maiores de 18 anos e tenham uma ligação profissional a uma PME portuguesa ou sediada em Portugal, possuindo bons conhecimentos de língua inglesa e ser fluente em português.

Os interessados devem inscrever-se até 16 de abril através da plataforma www.santanderx.com

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Rui Barroso é o novo CEO da Kelly Portugal

29 Março, 2023 by Denise Calado

Com mais de 20 anos de experiência em gestão de empresas, nos últimos 15 anos na Kelly, Rui Barroso assume a liderança da Kelly Portugal transitando das funções de CFO da empresa. Nas suas novas funções, o objetivo é o de continuar a consolidar a posição da consultora como um dos principais players no setor de RH em Portugal e alargar as áreas de especialização, bem como o portfólio de serviços (áreas de outsourcing, consultoria e recrutamento especializado).

Formado em Organização e Gestão de Empresas com especialização em Finanças pelo ISCTE, Rui Barroso começou o seu percurso profissional enquanto Auditor Financeiro na Coopers & Lybrand (atual PwC), passando pela Samsung e entrando no mundo dos recursos humanos em 2007, quando assumiu o cargo de Finance & Administration Manager na Randstad.

No contexto macroeconómico atual, de elevada incerteza e escassez de talentos, é necessário um maior nível de exigência, não só na perspetiva de negócio, mas também na gestão das nossas pessoas. Os nossos talentos são uma prioridade, pois são o nosso principal ativo, e aqueles que temos de continuar a apoiar e desenvolver, proporcionando-lhes oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Continuar com o foco nas nossas pessoas e candidatos, mas promovendo uma organização cada vez mais ágil, criativa e perspicaz, que compreenda as reais necessidades dos nossos clientes é o nosso objetivo. Da mesma forma, num mercado tão competitivo, continuaremos seguramente a prestar um serviço de excelência e a ser reconhecidos pelos nossos clientes como um verdadeiro parceiro no seu crescimento

Rui Barroso, Vice President International da Kelly & Country General Manager da Kelly Portugal

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Os desafios da jornada tecnológica africana precisam do setor público e privado

28 Março, 2023 by Denise Calado

As novas tecnologias trazem ao Homem maior capacidade de criação, mas o uso dessas ferramentas precisa do conhecimento humano. Para além do respeito pelas pessoas há neste binómio da relação Homem – Máquina algo que nunca devemos esquecer: “as máquinas não conseguem criar com amor e com propósito”.

Foi com estas palavras que Pedro Lopes, Secretário de Estado da Economia Digital de Cabo Verde, marcou presença juntamente com Ricardo Lima, Head of Startups da Web Summit, no placo da Leadership Summit Cabo Verde. “Quem lidera a inovação, o público ou o privado?”, foi o mote para uma conversa a que se juntou Paddy Cosgrave, por videoparticipação.

O Fundador e CEO da Web Summit esteve em Cabo Verde, em 2018, e conhece de perto o desenvolvimento de startups no País. No seu testemunho reconheceu o caráter fundamental da relação entre o setor público e privado e o desafio de criar um ecossistema tecnológico, e de uma liderança das pessoas, a partir das Ilhas. Também ele de origem insular, por ser natural da Irlanda, realçou a cultura particular dessa condição “fantástica e rica pela força da sua diáspora”.

Cabo Verde como ponte de ligação com mundo

A propósito de momentos inovadores, como a realização da primeira Leadership Summit, Ricardo Lima mencionou o caráter “ousado” do evento, descantando que a “ousadia faz parte da identidade de Cabo Verde”. “Queremos trazer estes eventos, onde queremos discutir um novo mundo”, referiu.

Com base nessa ousadia, Pedro Lopes refere os “objetivos claros” que se traçam para o futuro do país: “Queremos ser uma porta de entrada para o continente do futuro, que é o continente africano. O continente africano é jovem, pois são os jovens que fazem e consomem a tecnologia. Cabo Verde é uma ponte de ligação com o mundo. Queremos contar a nossa história e não temos complexos de dizer que já fomos o marketplace de pessoas escravizadas. Hoje queremos aproveitar a nossa posição geográfica, como ponto de passagem no Atlântico”.

Sobre o aproveitamento da posição estratégica, e do caminho a ser feito, Cabo Verde é, aos dias de hoje, uma referência de uma governação digital, dando como provas o “Ella link”, cabo submarino que une os três continentes (África, Europa e América Latina), e o “NHA Card”, certificado digital, desenvolvido no contexto da Pandemia, e um dos pioneiros em África.

Estes são marcos na história do país, referiu Pedro Lopes, mas “o digital não vale apenas por ser novo, ou trendy, ele só é verdadeiramente útil quando mudar a vida das pessoas”. Acerca da identidade cabo-verdiana, o Secretário de Estado elevou o país como uma comunidade aberta ao mundo que “não persegue as pessoas pela sua cor da pele, religião ou pela sua sexualidade”. Quanto mais celebrada for a identidade do país, “mais próximos estamos de ser inventivos e de criar coisas novas”, concluiu.

Hub tecnológico: de hoje até 2040 

À semelhança do que acontece em outros pequenos países, como a Estónia ou o Ruanda, que são referências de agilidade e flexibilidade, na inovação e empreendedorismo, Cabo Verde quer ser um Hub tecnológico de acolhimento de grandes empresas e negócios. A conectividade e a criação de infraestruturas, como um Parque tecnológico, querem trazer “as grandes mentes que estão lá fora para Cabo Verde”, objetivo com o qual o poder político está comprometido.

Acerca da relação entre o setor publico e privado, na jornada da inovação “é preciso construir e edificar a estrada, mas depois é preciso ter carros para percorrer esse caminho”, afirmou Pedro Lopes, reforçando que “não há nenhuma visão estratégica do governo que possa ter sucesso se não for implementada pelo setor privado, o verdadeiro motor de desenvolvimento da economia digital”.

Para Ricardo Lima, a relação terá se existir entre os dois polos, uma vez que  “a inovação por definição é encontrar soluções para agora e para o futuro, e isso surge do encontro entre o público e o privado”.

O responsável mundial pela escolha de startups da Web Summit, referiu o papel da Inteligência Artificial no combate à desinformação, que é hoje uma das principais questões no acesso à tecnologia. “O setor público deve ajudar as pessoas a reduzir o risco quando se inova, mas é preciso haver força de vontade”, referiu, acrescentado: “Para se inovar é preciso haver essa vontade de sair da zona de conforto, é preciso haver liderança”.

A inovação não precisa de ser algo grande, disse Ricardo Lima, e pode começar por pequenas coisas, dando um exemplo concreto da relação entre os setores, que foi o facto, enquanto cabo-verdiano, de ter visto Cabo Verde como o primeiro país africano a ter uma presença forte na Web Summit. “Esse é o papel do setor público, o de dar a oportunidade a jovens, e menos jovens, de fazer networking e trocar ideias”.

Pedo Lopes concluiu com a referência ao projeto Web Summit que começou há 15 anos com 100 pessoas, e que hoje, com cerca de 80 mil acessos por evento, globalmente, é uma inspiração para Cabo Verde fazer a caminhada. E deixou um alerta– “têm de se pensar em políticas públicas que não dependem apenas de um ciclo político, temos de pensar a 20 e 30 anos”, referiu. “Que competências queremos para os cabo-verdianos em 2040? A caminhada é uma maratona, não uma corrida de 100 metros”, concluiu.

Assista à conversa de Pedro Lopes e Ricardo Lima, e a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS, a partir do dia 30 de março. Disponível online aqui.

Tenha acesso à Galeria de imagens da Leadership Summit Cabo Verde aqui.

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