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Denise Calado

O momento agora é para fazer o clique

28 Março, 2023 by Denise Calado

Depois de algumas vindas a Cabo Verde, em conversas com muitos cabo-verdianos, de todas as proveniências sociais, de todas as áreas de atividade foi para mim evidente a força das pessoas deste país. Não é uma força qualquer, porque ela não é meramente física, é aquela capacidade de acreditar na vida e nas suas potencialidades, também a de acreditar nas pessoas e na arte da empatia. Quando somos desafiados pelo clima, pela natureza e pela insularidade para sobrevivermos, essa capacidade de sobrevivência enraíza-se e passa a ser constitutiva da personalidade, de uma certa maneira de ser. Como se no peito crescessem montanhas, nas pernas corressem rios, nas mãos se acomodassem pássaros e todas as espécies animais, como se na alma se instalasse uma orquestra vital que é música e, ao mesmo tempo, força motriz.

Assim se é em Cabo Verde, há uma força vital única, uma capacidade de resistir, de improvisar, de inventar; há arte em todos os poros de pele e há alegria. No outro dia, num hotel, pedi na receção que avisassem uns hóspedes que faziam muito barulho, riam, riam. A rececionista respondeu-me corajosamente: “É assim que nós somos, nós rimos, nós gostamos de conviver.”  Não tive coragem de lhe pedir mais nada e ela resolveu, apesar de tudo, o meu problema, talvez um falso problema.  Também quando chego com cinco minutos de antecedência a uma reunião e fico nervosa depois de passarem 3 minutos da hora combinada, a seguir penso que o meu tempo não é o tempo de Cabo Verde e devo aprender a doce morabeza que só me dará saúde e força.

Não deixei de fazer nenhuma reunião, nem de tratar de nenhum assunto e por isso, os três minutos são só o tempo dos relógios, o tempo em Cabo Verde tem a profundidade e a doçura dos vales naqueles dias em que a água chega para os pintar de verde. No meio do Atlântico, muitas vezes penso que não escolhemos o sítio onde nascemos, não escolhemos os nossos pais, nem sequer os nossos filhos e na verdade o mais importante que temos na vida não resulta da nossa escolha.

O país onde nascemos é sempre o nosso país. Quando perguntei a José Maria Neves com que líderes contava para fazer crescer o país, a resposta foi clara: “com os cabo-verdianos que estão cá e com a Diáspora cabo-verdiana”.  São esses os líderes deste país, é para estes que a Líder vai procurar trabalhar, dando o seu melhor para que o conhecimento do que melhor se faz pelo mundo aqui chegue e inspire estes homens e mulheres que no meio do Atlântico são de uma singularidade surpreendente, não são africanos, nem europeus e tão pouco americanos, são atlânticos, e ter todo um oceano que os classifica é na verdade a relação mais profunda e bonita que se pode ter com a água que por aqui escasseia. O momento agora é para fazer clique.

Este artigo foi publicado na edição especial da revista Líder Cabo Verde.

Subscreva a Líder AQUI.

 

Arquivado em:Artigos, Leadership

Grandes Empresas são necessárias para acelerar o crescimento de Portugal

28 Março, 2023 by Denise Calado

Se em 2019 tivessem surgido 150 novas grandes empresas, estas teriam contribuído mais 4% para o Valor Acrescentado Bruto a preços de mercado (VABpm), mais 5% de receita fiscal agregada e mais 10% em exportações. As grandes empresas são o principal motor da economia e um elemento essencial para estimular o crescimento do país.

Esta é uma das principais conclusões do estudo “Análise prospetiva do impacto do crescimento das grandes empresas em Portugal”, cujo objetivo foi avaliar o impacto das grandes empresas na economia nacional.

Os números das grandes empresas em Portugal

Na análise desenvolvida pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) em conjunto com a Associação Business Roundtable Portugal (Associação BRP), verificou-se que entre 2016 e 2019 – período em que o número de grandes empresas cresceu de 1.038 para 1.291 – este tipo de organizações apresentaram um VABpm 10 vezes superior a uma empresa média e, em 2019, as grandes empresas foram, em média, cerca de 3,7 vezes mais produtivas que as médias.

Já a nível salarial, as grandes empresas gastaram uma média de 30.900 euros por trabalhador, mais 30% que as médias e mais 70% que as pequenas. No que respeita ao investimento em projetos de investigação e desenvolvimento (I&D), verificou-se que, em média, o investimento das grandes empresas foi 6 vezes superior face ao investimento das médias empresas, entre 2016 e 2019.

 

Se nos focarmos apenas em 1% do total de empresas em Portugal – percentagem onde se inserem as 1.291 grandes empresas contabilizadas em 2019 – facilmente percebemos o forte impacto que as organizações de grande dimensão têm, tanto a nível económico, como dos trabalhadores e do próprio Estado. Estamos a falar de um contributo de 57% no VABpm, 62% nas exportações, 48% nos gastos com pessoal, 64% nas contribuições para a Segurança Social, e 71% em impostos, muito mais do que os restantes 99%, constituído por pequenas e médias empresas

Bruno Damásio, Professor Auxiliar na NOVA IMS e investigador responsável pelo estudo

 

 

Para compreender melhor o papel das grandes empresas para a economia, a equipa de investigação realizou ainda uma análise ‘What If’, através da qual se procurou perceber qual o impacto de ter 150 novas grandes empresas no tecido empresarial português. Dessa avaliação, que teve como base de análise os indicadores registados em 2019, estima-se que adicionar à economia nacional mais 150 grandes empresas, distribuídas pelos setores mais produtivos, iria possibilitar um aumento de 4% do Valor Acrescentado Bruto a preços de mercado, de 10% nas exportações, e de 5% na receita fiscal agregada. Para além destes fatores, também a produtividade aparente e os salários aumentariam 1% cada.

 

Já quando analisado o cenário onde 150 médias empresas dos setores mais produtivos com potencial de crescimento transitam para grandes empresas, verifica-se um aumento, por exemplo, de 5% na receita fiscal agregada e de 3% nas exportações.

A pergunta que se impõe é: perante estes números, qual não seria o impacto de existirem 2, 3 ou 4 vezes mais grandes empresas no nosso país?! Estaríamos a falar de um contributo bastante significativo para o crescimento de Portugal, permitindo-nos competir com outros mercados altamente competitivos. No entanto, o crescimento do número de grandes empresas registado no país não está a conseguir acompanhar o desenvolvimento económico dos nossos concorrentes. Precisamos, urgentemente, de agir. Portugal atravessa neste momento um cenário de défice de produtividade, perante o qual a percentagem inferior a 1% de grandes empresas na nossa economia não chega para estimular o crescimento que o país necessita. É, por isso, imperativo adotar soluções estruturantes que nos permitam potenciar o crescimento das nossas empresas, tornando as pequenas médias, as médias grandes e as grandes globais. Vimos, neste exercício, que 150 novas empresas representariam ganhos significativos na nossa economia. Imagine-se o impacto que não teriam mais 600 grandes empresas, que não só produziriam mais e criariam mais riqueza, como também pagariam melhores salários, proporcionaram maior bem-estar social e contribuiriam mais para o crescimento sustentável do país.

António Rios Amorim, Vice-Presidente e Líder do Grupo de Trabalho da Associação BRP e CEO da Corticeira Amorim

 

Arquivado em:Economia, Notícias

A Web 3.0 está a começar, mas já tem um problema de representação feminina

28 Março, 2023 by Denise Calado

Apenas 13% das equipas fundadores de empresas de Web3 inclui uma mulher, e apenas 3% tem uma equipa exclusivamente composta por mulheres, e as que são fundadas por homens angariam quase quatro vezes mais capital do que as fundadas por mulheres.

Estas empresas são focadas no desenvolvimento de novas aplicações transformadoras de várias indústrias a nível global, e envolvem tecnologias como o metaverso, blockchain e de criptografia.

O estudo “Web3 Already Has a Gender Diversity Problem” da Boston Consulting Group X e do People Crypto Lab, apontou ainda que a sub-representação é mais acentuada nestas empresas do que a verificada nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), e na indústria tecnológica em geral.

Mulheres também discriminadas com financiamento

O estudo revela também que no financiamento de empresas Web3 esta discrepância se torna ainda mais nítida. As equipas fundadoras apenas de homens angariam, em média, quase quatro vezes mais do que as equipas apenas de mulheres, cerca de 30 milhões de dólares contra cerca de 8 milhões de dólares.

Em particular, entre as empresas desta indústria que angariaram mais de 100 milhões de dólares não se encontra nenhuma equipa composta apenas por mulheres fundadoras.

O que se pode fazer? 

No entanto, uma vez que os ecossistemas da Web3 ainda se encontram numa fase embrionária de desenvolvimento, é ainda possível contornar estas questões recorrendo a medidas como:

  • Garantir uma monitorização contínua e exaustiva: um dos primeiros passos essenciais passa por realizar uma medição meticulosa e objetiva, e pela elaboração de relatórios sobre a representatividade das mulheres e de outros elementos de diversidade em todo o ecossistema dos fundadores de empresas, colaboradores e investidores;
  • Colocar as mulheres em equipas de investimento: existem dados claros que demonstram que o preconceito inconsciente pode influenciar as decisões de financiamento, e as equipas de investimento compostas apenas por homens são mais propensas a apoiar as equipas só com homens fundadores. Para combater este problema, algumas sociedades de capital de risco exigem agora que as equipas de investimento incluam pelo menos uma mulher;
  • Desenhar experiências que sejam inclusivas. As empresas que criam uma presença digital na Web3 devem assegurar-se de que estão a criar a mais vasta gama de experiências para a mais ampla base de consumidores possível.
  • Construir um ecossistema de suporte: as empresas precisam de investir tempo e recursos para garantir que as mulheres fundadoras e investidoras do setor da Web3 podem explorar redes fortes que sejam diversas e inclusivas. A mentoria, de mulheres e homens, é especialmente importante na abertura de portas para aspirantes a fundadoras e investidoras. As cimeiras e conferências da Web3 devem comprometer-se a patrocinar eventos que procurem assegurar a paridade de género entre os oradores, com um compromisso de pelo menos 30% de mulheres oradoras como ponto de partida;
  • Estabelecer parcerias com os reguladores: à medida que governos e organizações sem fins lucrativos se concentram mais em questões ambientais, sociais e de governance (ESG), estão também a desenvolver requisitos de análise mais rigorosos e outros procedimentos relativos à composição de género nas empresas e indústrias. As empresas e os investidores têm uma oportunidade de colaborar proativamente e ajudar a moldar estes regulamentos, em vez de simplesmente esperar que surjam.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Como as empresas devem olhar para a felicidade dos seus colaboradores?

28 Março, 2023 by Denise Calado

Com a crescente competição por talentos no mercado, as empresas estão cada vez mais preocupadas em manter os seus colaboradores motivados e felizes. Não é para menos, já que o bem-estar está diretamente associado aos resultados produzidos, como comprova uma pesquisa da Harvard Business Review (2020) que revela que colaboradores satisfeitos são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores.

Como criar felicidade no trabalho? Implementando formas de promover a conexão e colaboração entre os colaboradores ao longo de todo o ano. Um retiro ou team building anuais são extremamente relevantes, mas insuficientes para criar um impacto permanente numa equipa que pouco ou nada contacta no dia-a-dia.

Se 67% das pessoas afirma que ter amigos no trabalho melhora significativamente a sua satisfação (SHRM, 2019), promova encontros presenciais regulares, reforçando a conexão entre colegas e criando um sentido de comunidade entre eles – um tour guiado, uma happy hour ou mesmo atividades culturais como ir a um jogo de futebol ou a um comedy club. No escritório, quebre a rotina com ações imprevisíveis e impactantes, como uma invasão de massagistas, entrega de ovos da Páscoa, gelados ou manjericos com uma quadra personalizada e o convite para o arraial da empresa.

Sabendo que colaboradores que recebem feedbacks regulares são 12,5% mais produtivos (Gallup, 2021) e que 69% confirma trabalhar melhor (Forbes, 2021), foque-se numa cultura de feedback positivo e construtivo. Recompensas e benefícios são outra forma de mostrar aos colaboradores que valoriza o seu bem-estar, seja oferecendo planos de saúde, flexibilidade no horário, férias ou licença parental remuneradas, seguro de vida, descontos em produtos e serviços, ginásio ou mesmo uma folga extra no dia aniversário. Eventos anuais de entrega de prémios são outra forma de atribuir o reconhecimento, estimulando o empenho de toda a equipa e retribuindo merecidamente aqueles que se destacaram.

Outro aspeto cada vez mais valorizado é a flexibilidade, tanto de local como de horário. Sabia que, segundo a Forbes (2021), 82% dos colaboradores afirma que seria mais leal ao empregador se tivesse mais flexibilidade no trabalho? Pondere implementar trabalho remoto, horários reduzidos ou flexíveis e dias de folga para ajudar a equilibrar a vida pessoal e profissional da sua equipa.

Um bom relacionamento com os superiores é também crucial para 70% dos colaboradores, no que toca à sua felicidade no trabalho (Harvard Business Review, 2020). Líderes comprometidos com a equipa e os objetivos da empresa são, por isso, mais uma forma de alcançar resultados de excelência e manter os talentos por perto.

Em suma, valorize líderes dedicados, fomente uma cultura de feedback e reconhecimento, seja flexível com os horários de trabalho e comece já a planear ações de conexão da equipa ao longo dos próximos meses. Transforme a sua empresa num lugar de valor e é certo que terá uma equipa mais feliz, empenhada e produtiva.

 

 

Arquivado em:Opinião

Raul Neto é o novo CEO da Randstad Portugal

28 Março, 2023 by Denise Calado

Raul Neto é o novo CEO da Randstad Portugal, sucedendo a José Miguel Leonardo, responsável pela operação desde 2014. Raul Neto, até à data CFO da empresa, iniciará funções a partir do dia 1 de abril.

Raul Neto conta com uma vasta experiência comercial, financeira e em gestão de empresas, em ambiente nacional e internacional, tendo trabalhado em várias multinacionais, nas quais desempenhou um abrangente leque de funções de “top management”.

No seu percurso na Randstad Portugal, com início em 2017, esteve envolvido em processos de diferentes áreas e equipas, que estiveram diretamente sob a sua responsabilidade e contaram com apoio no desenvolvimento de serviços, negócios e projetos.

É com muita satisfação e sentido de missão que darei continuidade ao meu percurso na empresa, assumindo o legado deixado pelo José Miguel Leonardo, num contexto tão desafiante, mas ao mesmo tempo entusiasmante, como o que enfrentamos. Inicio novas funções na Randstad Portugal com muita expectativa, uma empresa que está alinhada com os valores e objetivos profissionais em que acredito e onde procurarei manter a excelência dos nossos serviços, e continuarei a contribuir para que esta seja a referência no sector

Raul Neto

 

É com enorme orgulho que comunicamos a nomeação de Raul Neto como o novo responsável da Randstad Portugal. A sua experiência, aliada ao conhecimento sobre a empresa, fazem do Raul a escolha acertada para tomar as rédeas da Randstad Portugal e assegurar que esta se mantém como a empresa líder em Recursos Humanos no nosso país, bem como uma referência de qualidade, excelência e performance, no panorama mundial do ‘universo Randstad’

José Miguel Leonardo

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Novo projeto de deteção remota de recursos pode “significar uma riqueza enorme para o País”

27 Março, 2023 by Denise Calado

Os recursos minerais que se encontram no fundo do oceano são essenciais para vários setores da indústria, e podem ser uma mais-valia para a economia. Um novo projeto faz a deteção desses recursos de forma remota, maximizando o seu potencial.   

A iniciativa do ISQ contou com o apoio da Agência Espacial Europeia para a recolha de informação a partir de “sensores não óticos instalados em satélites de Observação da Terra”, confirma Pedro Matias, Presidente do ISQ, à Líder. 

O projeto que usa Inteligência Artificial e Satélites

Além disso, a Inteligência Artificial é também a tecnologia de destaque, já que consegue assim indicar “com um nível de precisão suficiente a distribuição desses recursos minerais numa determinada zona do leito marinho”, continua. 

Estas tecnologias auxiliam o trabalho que é feito “em campo”, já que “a maior parte das variáveis utilizadas são recolhidas na coluna de água e em amostras do leito oceânico”. 

Potencial para Portugal 

Por enquanto está a ser explorada uma área do Oceano Pacífico, a Clarion Clipperton Zone, com uma profundidade entre 4 e 5,5 mil metros, onde se pode encontrar recursos como o cobre, níquel, manganês ou cobalto.  Para as indústrias do aço, ligas metálicas, automóvel, aviação e equipamentos eletrónicos estes recursos são fundamentais. 

Futuramente, o Oceano Atlântico poderá ser uma opção a explorar, já que “poderá ter eventualmente uma das maiores reservas de minerais do fundo do mar”, refere. 

Os resultados são já notórios, “com níveis de precisão elevados e resultados animadores” 

Portugal tem uma extensa costa e área marítima e, segundo Pedro Matias, “poderá ter uma das maiores reservas de minerais do fundo do mar”. Isto constitui uma grande oportunidade para o País que “a serem exploradas, podem significar uma riqueza enorme” 

 

Por Denise Calado 

Arquivado em:Inovação, Notícias

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