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Denise Calado

Professor de Yale revela avanços na descoberta de medicamentos para HIV e Coronavírus

4 Abril, 2023 by Denise Calado

Tradicionalmente, a descoberta de medicamentos envolve testar milhares de compostos, reduzindo-os a um único candidato a medicamento, que é submetido a estudos e ensaios clínicos, um processo que pode levar anos.

Uma nova abordagem utiliza técnicas computacionais, como o docking e o rastreio virtual, para identificar potenciais candidatos a medicamentos de forma mais rápida e eficiente. Este trabalho tem sido particularmente bem-sucedido no desenvolvimento de novos medicamentos antivirais.

William Jorgensen, professor da Universidade de Yale, partilhou na Leadership Summit Cabo Verde, os desenvolvimentos inovadores na descoberta de medicamentos, destacando a utilização de computadores para acelerar o processo.

Os progressos na luta contra o HIV

Foi no palco da Assembleia Nacional, no dia 23 de março, que Jorgensen revelou na sua talk “Os avanços computacionais que transformam a descoberta dos medicamentos”, a investigação de medicamentos em fase inicial, onde métodos computacionais, como o rastreio virtual, têm-se revelado cruciais.

O professor discutiu a otimização de um inibidor do HIV, que começou como um inibidor relativamente fraco e, através de uma série de modificações, resultou numa molécula extremamente potente.

Este trabalho levou ao desenvolvimento de um composto 10 vezes mais potente que um medicamento típico, com aplicações na terapia de combinação tripla para o HIV. Esta abordagem computacional permitiu à equipa passar de um inibidor fraco para um composto altamente potente em tempo recorde.

Investidores precisam-se: medicamento para o Coronavírus está a pronto para o mercado

Quando a pandemia de COVID-19 deflagrou, Jorgensen e a sua equipa “estavam bem preparados”, afirmou, devido à sua experiência no desenvolvimento de medicamentos antivirais.

Concentraram-se na inibição da protease do coronavírus, uma etapa crítica no ciclo de replicação do vírus. Ao rastrear dois mil medicamentos orais aprovados pela FDA, identificaram 17 potenciais candidatos para testes. Catorze desses compostos mostraram algum efeito inibitório na protease, embora nenhum fosse potente o suficiente para ser considerado um medicamento.

Ainda assim, a equipa embarcou num processo de otimização do composto líder, redesenhando um dos compostos mais fracos para criar um candidato a medicamento mais potente.

Em apenas alguns meses, desenvolveram um composto com uma potência de 18 nanomoles, bem dentro do intervalo necessário para um medicamento.

Para garantir a eficácia do seu composto, a equipa testou-o em células infetadas com coronavírus vivo num laboratório de contenção. O seu composto líder, número 19, provou ser dez vezes mais potente do que o Paxlovid da Pfizer, o primeiro inibidor de protease para COVID-19 aprovado.

Embora o medicamento da Pfizer já esteja no mercado, a equipa do professor de Yale está ativamente à procura de parcerias com empresas farmacêuticas para levar o seu composto ao público.

Jorgensen concluiu enfatizando a importância dos métodos computacionais e do desenvolvimento de software na descoberta de medicamentos, incentivando os jovens a aprenderem programação e desenvolvimento de software para contribuírem para este campo em rápida evolução.

As conquistas da equipa de investigação na descoberta de medicamentos para o HIV e coronavírus demonstram o potencial das técnicas computacionais para revolucionar o processo, tornando os medicamentos que salvam vidas disponíveis para o público mais rápido que nunca.

William L. Jorgensen terminou a talk com um apelo: “Já trabalho na área de software development desde que era adolescente. Para a juventude que está a assistir, posso-vos dizer que é uma área incrível para trabalhar. Têm de aprender a escrever código, não só usar o software feito por outros. Eu não estaria aqui hoje se não tivesse desenvolvido o meu próprio software. Além disso, pode ter um valor comercial enorme se criarem algo novo.”

 

Assista à talk e a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

Disponível online aqui.

Tenha acesso à galeria de imagens da Leadership Summit Cabo Verde aqui.

 

Por Denise Calado

Arquivado em:Notícias, Saúde, Tecnologia

Mercados emergentes podem perder até 15% do PIB até 2050

4 Abril, 2023 by Denise Calado

O movimento de sustentabilidade que entrou no mundo corporativo nas economias avançadas há décadas, está agora a chegar às empresas de mercados emergentes.

Da China aos Emirados Árabes Unidos e ao Brasil, as empresas estão a descobrir que fazer promessas apenas não chega: é necessário que se aja agora para se tornarem mais ecológicas, mais socialmente responsáveis e transparentes.

A consciencialização relativa à sustentabilidade, que já está presente nas economias avançadas, está agora a impactar as empresas e comunidades de economias emergentes, transformando a própria natureza da concorrência global.

Nesse sentido, o estudo da Boston Consulting Group (BCG) “The Sustainability Imperative in Emerging Markets” evidenciou a forte correlação entre as pontuações de empresas de mercados emergentes em índices ambientais, sociais e de governança (ESG), e as principais métricas financeiras e de criação de valor.

A responsabilidade dos mercados emergentes

Os mercados emergentes têm um desempenho inferior nos três pilares do ESG comparado com os seus pares de mercados desenvolvidos.

Ainda assim, acresce uma responsabilidade na mitigação das alterações climáticas por parte destes mercados emergentes, ao mesmo tempo que apoiam o crescimento do PIB global: é estimado que o seu peso aumente dos atuais 50% para 62% em 2050.

Estes países produzem também 85% das emissões globais de CO2, apesar de emitirem significativamente menos gases com efeito de estufa per capita do que os mercados desenvolvidos.

Se as alterações climáticas mantiverem a sua trajetória atual, o impacto será mais nocivo para os mercados emergentes, podendo perder até 15% do PIB per capita, de acordo com as classificações globais da S&P.

Sete medidas a implementar para ter sucesso com a sustentabilidade 

Com base na análise e entrevistas com líderes climáticos desafiadores globais da BCG, identificaram-se os seguintes fatores de sucesso que podem permitir que empresas de mercados emergentes cresçam com a sustentabilidade:

  • Incorporar a sustentabilidade no propósito da empresa, na estratégia de negócios e nos objetivos da empresa;
  • Reconhecer o impacto imediato no lucro das iniciativas ESG e descrever os retornos a longo prazo para a organização;
  • Colaborar de perto com os formuladores de políticas locais e mobilizar-se como um ecossistema que inclui colegas do setor, fornecedores, organizações de pesquisa, startups, fornecedores de tecnologia e outros parceiros;
  • Tornar a resiliência e a mudança uma prioridade das principais operações da organização por meio de iniciativas ESG.
  • Tirar partido da inovação tecnológica para alcançar a sustentabilidade enquanto considera novos modelos de negócios sustentáveis ​​para capturar oportunidades emergentes.
  • Garantir uma transformação rigorosa da organização, capacitando e incentivando líderes (por exemplo, ao estabelecer KPIs), envolvendo colaboradores através de formação;
  • Além de ter metas baseadas na ciência — declaradas e relatadas publicamente —, comunicar continuamente com os stakeholders para demonstrar que a empresa está a cumprir as suas promessas.

Arquivado em:Economia, Notícias

África tem de agir agora para enfrentar os ciberataques

4 Abril, 2023 by Denise Calado

A capacidade de proteger os dados de parceiros e clientes é hoje um dos fundamentos por detrás de todas as decisões de negócios. Os mercados atuais fornecem uma infinidade de pontos de acesso, que os agentes maliciosos arranjam forma de penetrar e adquirir informação. Mas só há um caminho: estes têm de ser protegidos.

Um sistema é tão forte quanto o seu ponto mais fraco. Portanto, à medida que as redes de comunicação e financeira se globalizam, a cibersegurança torna-se um pré-requisito para o investimento em qualquer território.

No entanto, a cibersegurança no continente africano continua desafiante e muitas empresas não estão preparadas para ciberataques. Além disso, apenas alguns países possuem leis para proteger consumidores e empresas. O Índice Global de Cibersegurança (2021), do World Economic Forum, mostra que dos 54 países africanos avaliados, apenas 29 introduziram legislação nesta área.

Em 2022, 52% das empresas em África acreditavam que não estavam preparadas para lidar com um ciberataque em grande escala. Ainda assim, a realidade é mais sombria.

O Relatório de Avaliação de Ciberameaças em África*, da Interpol, descobriu que mais de 90% das empresas neste continente estavam a operar sem os protocolos de cibersegurança necessários. Empresas africanas não priorizam a cibersegurança. As organizações africanas não estão a dar a prioridade que a cibersegurança merece e esta inadequada segurança está a afetar diretamente os negócios das empresas, bem como dos próprios países. De acordo com a Techcabal, África está a perder 3,7 mil milhões de euros anualmente para o cibercrime. No entanto, o cibercrime prejudica as empresas além das suas finanças, levando à perda de dados, roubo de propriedade intelectual e informações financeiras e/ou pessoais, e danos na marca e na reputação. A precária cibersegurança em África também significa que a região agora é alvo de cibercriminosos, como o “ponto fraco” das redes de negócios globais. Em África, muitos países viram um aumento de ameaças informáticas e de atividades maliciosas. Ironicamente, a sua rápida evolução tecnológica torna a região um alvo atraente para os cibercriminosos. Porém, isso está a mudar lentamente, com países como o Quénia e Zâmbia a implementar novas leis de cibersegurança.

* Cinco Principais Ciberataques

O relatório da Interpol identifica as ameaças mais proeminentes em África, com base em contribuições dos países membros da Interpol e dados extraídos de parceiros do setor privado. • Scams online: e-mails falsos ou mensagens de texto que alegam ser de uma fonte legítima são usados para induzir as pessoas a revelar informações pessoais ou financeiras;

  • Extorsão digital: as vítimas são levadas a partilhar imagens comprometedoras que são usadas para chantagem;
  • E-mail profissional: os criminosos invadem e-mails para obter informações sobre formas de pagamento corporativo e, de seguida, enganam os colaboradores para que transfiram dinheiro;
  • Ransomware: cibercriminosos bloqueiam sistemas de computadores de hospitais e instituições públicas e exigem dinheiro para restaurar o seu funcionamento;
  • Botnets: redes de máquinas comprometidas são usadas como uma ferramenta para automatizar ciberataques em larga escala.

 

Este artigo foi publicado na edição especial da revista Líder Cabo Verde.

Subscreva a Líder AQUI.

 

Arquivado em:Artigos, Leadership

Faltam profissionais com as competências de Inteligência Artificial mais procuradas

4 Abril, 2023 by Denise Calado

Embora 98% dos líderes empresariais acredite que os processos de recrutamento devem ser baseados em competências concretas, apenas 1 em cada 10 profissionais tem as competências de IA mais procuradas.

Uma nova análise revela ainda que a maioria dos trabalhadores (84%) considera a experiência baseada em competências concretas mais importante do que um diploma, num processo de recrutamento no mercado atual.

Contudo, há uma lacuna entre as competências para as quais as empresas estão a contratar e aquelas atualmente usadas pela força de trabalho. Mesmo que cerca de 80% dos profissionais indiquem que utilizam competências digitais no seu trabalho diário, são poucos os que dizem ter know-how além da tecnologia de colaboração, administração digital e gestão de projetos digitais.

Competências mais procuradas

O estudo global “Digital Skills Survey”, realizado pela Salesforce junto de cerca de 11 mil trabalhadores em 11 países, considera que as competências que registam um crescimento mais rápido da procura por parte dos profissionais incluem Inteligência Artificial, Programação e Desenvolvimento de Aplicações – mas estão entre as menos usadas nas funções do dia-a-dia dos trabalhadores.

Por outro lado, o estudo indica que parece haver menos medo – e mais entusiasmo – entre os trabalhadores sobre o potencial das tecnologias emergentes para transformar os empregos do futuro. Isso, combinado com o desejo em aprender novas competências, sugere que as empresas podem ajudar a fechar a lacuna de competências digitais, fornecendo formação contínua baseada em habilidades para os seus colaboradores.

Tendência global de recrutamento por competências 

Segundo a análise, a mudança para o recrutamento com base em competências é evidente a todos os níveis. A maioria dos responsáveis de negócio (82%) consultados afirma que as competências são o atributo mais importante a avaliar nos candidatos. Apenas 18% disseram que os diplomas são mais importantes.

Mais de metade dos responsáveis de Recursos Humanos (56%) citam a ‘retenção de talento’ como o principal benefício da contratação baseada em competências. Maior diversidade na equipa (48%) e partilha de conhecimento (46%) são também identificadas.

Cerca de 40% dos profissionais apontam para as competências digitais como sendo o atributo mais importante do candidato. A maioria dos responsáveis acredita que priorizar o desenvolvimento de competências digitais das equipas terá impactos positivos no desempenho empresarial, citando o aumento da produtividade (47%), a melhoria de desempenho (43%) e o aumento de recursos para resolução de problemas (40%) como principais benefícios.

Os profissionais e trabalhadores estão entusiasmados com as tecnologias emergentes de IA, como a IA generativa. A larga maioria (60%) demonstra entusiasmo com a perspetiva de utilizar IA generativa no trabalho. Neste campo, são mais os trabalhadores que ficaram entusiasmados com o uso destas tecnologias nos seus locais de trabalho (58%) do que preocupados com a possibilidade de virem a ser substituídos (42%). Os dados vão ao encontro do interesse de responsáveis e administradores de empresas e de pessoas. Dois terços dos líderes de pessoas (67%) dizem que a sua empresa considera diferentes formas de utilizar IA generativa.

As necessidades aumentam e as competências ficam para trás

Apesar da importância no futuro, apenas um em cada 10 trabalhadores diz que a sua função atualmente envolve IA. Cerca de 14% diz que a sua função envolve outras competências digitais relacionadas, como criptografia e segurança cibernética, e 13% afirma usar competências de codificação e desenvolvimento de aplicações.

A indústria com maior índice de skills de IA é a da tecnologia, onde um terço dos funcionários (27%) usa competências de IA no seu trabalho. Fora das funções tradicionais de TI, o número cai para menos de 10% dos profissionais de saúde (8%) e do setor público (6%) afirmam usar IA nas suas funções diárias.

De acordo com a análise, o caminho a seguir é a qualificação. Quase todos (97%) os trabalhadores globais acreditam que as empresas devem priorizar as competências de IA nas suas estratégias de desenvolvimento das equipas.

Resultante do aumento da IA ​​e da automação, os líderes de RH dizem que as competências de segurança de dados (60%), IA ética e skills de automação (58%) e programação (57%) vão tornar-se cada vez mais importantes no local de trabalho. Quando questionados sobre quais serão as “soft-skills” que serão as mais importantes, destacaram-se as competências criativas (56%), de relacionamento com o cliente (53%) e de liderança (51%) como as mais altas.

Por fim, as empresas que procuram aumentar as capacidades dos seus recursos humanos em competências emergentes e as que se concentram na contratação baseada em competências têm tudo a seu favor – os trabalhadores querem expandir o seu conjunto limitado de competências digitais. Nove em cada dez acredita que as empresas devem priorizar o desenvolvimento de competências digitais para os seus funcionários.

 

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Todos pela diversidade de género – do que estamos à espera?

4 Abril, 2023 by Denise Calado

Ao longo da carreira aprendi com os meus líderes, homens e mulheres, que o que importa para fazer alguém crescer numa organização, é criar as condições e ajudar as equipas a desenvolver as suas competências, estimulando e apostando na sua vontade e motivação para aprender, reconhecendo o mérito, mas também o esforço e o empenho, pois estes são importantes motores de aprendizagem e sem esses não conseguiríamos, possivelmente, experimentar coisas novas, testar, às vezes falhar. Um dos meus líderes ia mais longe: sempre que alguém comunicava uma gravidez, além da habitual celebração, aproveitava o momento para pedir aos outros que notassem como quando essas mães retornavam ao escritório teriam desenvolvido novas competências fundamentais para o bom desempenho da sua função e que as ajudariam a ter um maior foco no meio da dispersão e uma maior eficiência, entre outras. Tive chefias que promoviam igualdade de oportunidades, e integrei equipas de gestão diversas, onde muito aprendi e (penso!) também muito desafiei. Tive a sorte de viver no seio de culturas de mérito onde não se discriminava sexualmente ninguém, mas, mais que isso, se lutava para isso não acontecesse.

 

Ter vivido uma experiência saudável enquanto me formava como líder não pode, no entanto, toldar a minha perceção do mundo à volta e refrear a atenção que tenho de dar, diariamente, para assegurar que todos têm as mesmas oportunidades, mantendo uma visão humanista no desenvolvimento e crescimento dos outros.

 

A realidade, segundo o World Economic Forum, mostra que serão precisos 132 anos para eliminar o gap salarial entre homens e mulheres e que mais de 85% dos Líderes de governos mundiais, bem como dos CEOs da Fortune 500, são homens. Há muito a fazer. E sem um esforço concertado, ninguém que me está a ler estará vivo para testemunhar a paridade salarial. É por isso que infelizmente não podemos ainda “descansar”, subestimar a importância deste tema, ou ter uma perspetiva condicionada às nossas experiências positivas, pois isso só nos vai fazer – mesmo que de forma inconsciente – perpetuar uma desigualdade.

 

É necessário trabalhar a montante, desde muito cedo, a partir da forma como educamos as crianças e jovens adultos, como as preparamos para a vida e as ensinamos a desafiar mentalidades e status quo que são bloqueios ao desenvolvimento e à igualdade. Precisamos envolver-nos de forma próxima e em primeira pessoa para assegurar que as organizações de amanhã serão o reflexo de uma integração saudável, equilibrada e equitativa. Precisamos, sim, de cotas, mas precisamos sobretudo de fazer o que estiver ao nosso alcance para que estas não sejam mais necessárias no futuro.

 

Têm sido sobretudo as mulheres e raparigas a liderar os esforços globais para abordar a desigualdade de género, mas este não é apenas um tema sobre mulheres. É necessário o esforço coletivo de aliados, “embaixadores” e simpatizantes. Homens, rapazes e pessoas de todos os géneros têm aqui um papel importante a desempenhar. Segundo Yurval Harari, não existe uma qualquer razão científica comprovada que justifique o facto de os homens dominarem o poder social, económico e as esferas políticas, mas a realidade é que esse é um fator que tem sustentado a discriminação contra mulheres ou mesmo a violência baseada no género.

 

Para promover o empoderamento feminino e a igualdade, é importante envolver toda a sociedade, convocar os homens para um apoio ativo nas instituições que estes lideram – seja no governo, Academia, no setor privado ou em comunidades – para uma mudança de estereótipos, normas sociais e narrativas culturais que informam atitudes e comportamentos que são depois refletidos em políticas e práticas. É fundamental criar as condições para que mulheres e raparigas possam usufruir dos seus direitos humanos para alcançar o seu pleno potencial. Nas organizações, isso implica, nomeadamente:

 

– Promover critérios de igualdade nos modelos de gestão de talento – muitas empresas continuam a não se desafiar e a olhar para o que os números dizem – nomeadamente as diferenças salariais entre homens e mulheres no desempenho das mesmas funções ou o facto de apenas 1 em 3 funções de gestão serem ocupadas por mulheres. O que diz isso da forma como as empresas estão a preparar e a dar oportunidades de crescimento às mulheres? Temos de assegurar que existem as mesmas oportunidades ao longo da carreira, de modo a evitar esse “estrangulamento” quando procuramos futuros líderes e de que para trabalho igual, asseguramos pagamento igual.

 

– Repensar os modelos e os requisitos de recrutamento – na nossa abordagem de Executive Search, desafiamos os nossos clientes a redefinir requisitos de “perfil ideal” para funções executivas, uma vez que, considerando o talento disponível, por vezes esses requisitos são a primeira barreira a um recrutamento diverso e inclusivo (ex: em algumas áreas, procurar um CEO com experiência prévia enquanto tal, pode excluir candidatas femininas). É preciso alimentar a diversidade desde o recrutamento, seja este interno ou externo.

 

– Apostar em educação e formação para todos os colaboradores sobre os temas de igualdade de género e diversidade, enviesamento inconsciente (que todos temos, precisamos ter isso claro para o podermos endereçar da melhor forma) e liderança inclusiva. Este esforço tem de começar pelo topo da organização, pois só com o exemplo se consegue inspirar e fazer evoluir de forma eficaz comportamentos inclusivos.

 

– Empoderar o crescimento – Criar redes de suporte e preparar mentores, femininos e masculinos, que ajudem no reforço da confiança e no desenvolvimento de competências-chave para um desempenho de excelência. Mentores, bem como “sponsors”, são indispensáveis ​​no apoio às mulheres, em pontos decisivos da sua carreira. Podem ajudar a abordar discussões sobre salário e progressão, desafiar preconceitos e expectativas com confiança, melhorar a autopromoção e capitalizar os pontos fortes. Este apoio reforça a confiança de mulheres que podem sentir-se sub-representadas e ser assim mais propensas a sofrer da síndrome do impostor do que os seus colegas do sexo masculino.

 

Estas e outras iniciativas promovem locais de trabalho mais inclusivos e diversos, o que beneficia não só os colaboradores, mas também o sucesso geral e a sustentabilidade das empresas. Um estudo da McKinsey revelou que as empresas no quartil superior de diversidade de género nas equipas executivas têm 25% mais probabilidade de ter resultados acima da média do que as empresas no quartil inferior. Ou seja, ter mulheres representadas em equipas de liderança não é apenas a coisa certa de se fazer do ponto de vista moral e ético, mas também é o melhor para o negócio. Do que estamos à espera?

Arquivado em:Opinião

Um país agarrado ao passado

3 Abril, 2023 by Denise Calado

A entrevista televisiva do primeiro-ministro, esta semana, como de outros primeiros-ministros noutros anos, parece por vezes revelar uma trágica condição portuguesa: o nosso agrilhoamento ao passado. Em Portugal parecemos passar a vida a falar do passado e das suas implicações para o presente. O nosso país, por isso, parece um local sem futuro.

Eis alguns exemplos de temas recorrentes na atualidade noticiosa: as progressões dos professores; as greves dos transportes públicos que se repetem todos os anos; a falta de médicos e as filas nos hospitais; as casas velhas e o mercado habitacional deficitário; o défice propriamente dito; as forças armadas mal equipadas; o incipiente crescimento económico. E, claro, o aeroporto de Lisboa e a TAP. Mesmo quando um problema público se torna privado, ele acaba por voltar ao público como uma assombração até ao fim dos tempos.

Com tanto passado na agenda, não resta tempo nem energia para pensar e preparar o futuro. E, no entanto, isso é liderança: a capacidade de imaginar e concretizar um desejo de futuro. Em Portugal andamos demasiado ocupados com o passado para pensarmos o futuro. E por isso, como no filme Groundhog day, estamos condenados a viver o mesmo tempo todos os dias, sem nunca passar ao futuro.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

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