No ano passado, segundo a Comissão Europeia, Portugal foi o país da Zona Euro que mais cresceu, conseguindo ultrapassar a Alemanha e a França. O produto interno bruto (PIB) nacional cresceu mais de 6%. Na verdade, esteve a uma décima percentual de crescer 7% em 2022.
Nos últimos anos, Portugal tem sido visto apenas como um país turístico com um estilo de vida relativamente acessível (em comparação com os pares europeus). Em termos económicos, o país é pouco atrativo e tem se colocado cada vez mais na cauda da Europa. Porém, o ano de 2022 acabou por ser diferente, depois da economia portuguesa ter registado um crescimento acima da média europeia e da própria média nacional (a média dos últimos 5 anos ronda os 2% de crescimento).
Fatores que contribuíram para este fenómeno
Sem contabilizarmos com os efeitos base, a economia portuguesa beneficiou do facto de ser dos países da zona euro com menos exposição à guerra na Ucrânia, e mesmo quando as relações entre a Rússia e a Europa se agravaram, levando a um corte do fornecimento de gás natural Russo por via do Nord Stream I e II, o impacto sobre a economia portuguesa foi muito reduzido, embora fosse penalizada pelos aumentos dos preços da energia motivados pelo mesmo corte do fornecimento.
A juntar a tudo isto, o facto de a atividade económica ter recuperado significativamente no ano passado acabou por se refletir no crescimento económico. O consumo privado aumentou significativamente, sobretudo quando comparamos com os dados de anos anteriores, bem como as exportações de bens e serviços – estes dois fatores acabaram por ser responsáveis por grande parte das subidas no PIB. No entanto, o ano passado não deverá servir como referência para este (e para os próximos anos), uma vez que a inflação permanece elevada e deverá afetar naturalmente a atividade económica.
O aumento das taxas de juro em conjunto com os níveis de inflação elevados estão a penalizar severamente os agentes económicos. A perda de poder de compra no lado das famílias portuguesas tem sido notória, e dado que o BCE continua empenhado em subir os juros para combater a inflação, uma vez que estas medidas ajudam a “arrefecer” a economia, este cenário poderá agravar-se ainda mais.
Esta acaba por ser também uma opinião consensual entre os principais bancos de investimento em todo o mundo quando analisam e fazem projeções sobre a economia portuguesa para este e para os próximos anos. Resta-nos entender de que forma é que o país poderá tomar medidas para atenuar o impacto destas medidas de combate à inflação, em vez de entrar em contraciclo com as políticas do BCE (como já aconteceu no passado recente).

Projeções sobre o PIB dos principais bancos de investimento e agências de rating sobre a economia portuguesa para 2023 e 2024. Fonte: Bloomberg