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Denise Calado

O que pensam os outros sobre nós?

22 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

No ano passado, segundo a Comissão Europeia, Portugal foi o país da Zona Euro que mais cresceu, conseguindo ultrapassar a Alemanha e a França. O produto interno bruto (PIB) nacional cresceu mais de 6%. Na verdade, esteve a uma décima percentual de crescer 7% em 2022.

Nos últimos anos, Portugal tem sido visto apenas como um país turístico com um estilo de vida relativamente acessível (em comparação com os pares europeus). Em termos económicos, o país é pouco atrativo e tem se colocado cada vez mais na cauda da Europa. Porém, o ano de 2022 acabou por ser diferente, depois da economia portuguesa ter registado um crescimento acima da média europeia e da própria média nacional (a média dos últimos 5 anos ronda os 2% de crescimento).

Fatores que contribuíram para este fenómeno

Sem contabilizarmos com os efeitos base, a economia portuguesa beneficiou do facto de ser dos países da zona euro com menos exposição à guerra na Ucrânia, e mesmo quando as relações entre a Rússia e a Europa se agravaram, levando a um corte do fornecimento de gás natural Russo por via do Nord Stream I e II, o impacto sobre a economia portuguesa foi muito reduzido, embora fosse penalizada pelos aumentos dos preços da energia motivados pelo mesmo corte do fornecimento.

A juntar a tudo isto, o facto de a atividade económica ter recuperado significativamente no ano passado acabou por se refletir no crescimento económico. O consumo privado aumentou significativamente, sobretudo quando comparamos com os dados de anos anteriores, bem como as exportações de bens e serviços – estes dois fatores acabaram por ser responsáveis por grande parte das subidas no PIB. No entanto, o ano passado não deverá servir como referência para este (e para os próximos anos), uma vez que a inflação permanece elevada e deverá afetar naturalmente a atividade económica.

O aumento das taxas de juro em conjunto com os níveis de inflação elevados estão a penalizar severamente os agentes económicos. A perda de poder de compra no lado das famílias portuguesas tem sido notória, e dado que o BCE continua empenhado em subir os juros para combater a inflação, uma vez que estas medidas ajudam a “arrefecer” a economia, este cenário poderá agravar-se ainda mais.

Esta acaba por ser também uma opinião consensual entre os principais bancos de investimento em todo o mundo quando analisam e fazem projeções sobre a economia portuguesa para este e para os próximos anos. Resta-nos entender de que forma é que o país poderá tomar medidas para atenuar o impacto destas medidas de combate à inflação, em vez de entrar em contraciclo com as políticas do BCE (como já aconteceu no passado recente).

Projeções sobre o PIB dos principais bancos de investimento e agências de rating sobre a economia portuguesa para 2023 e 2024. Fonte: Bloomberg

 

Arquivado em:Opinião

Nova Liderança da agência Funnyhow

22 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

André Leite e Álvaro Silveira juntam-se a César Sousa na direção criativa da Funnyhow que passa a ocupar o cargo de Chief Creative Officer (CCO). A aposta numa tripla direção surge num momento de crescimento nacional e internacional da agência criativa.

Enquanto criativo e diretor de arte, André Leite trabalhou marcas como Betclic, Sagres, Guinness, Tanqueray, Lipton, entre outras. Começou a carreira como estagiário na Funnyhow, tendo sido responsável pelo primeiro prémio internacional da agência. Álvaro Silveira é copywriter da Funnyhow há 3 anos e conta com 15 anos de atividade nas indústrias criativas e passagens por agências como Ogilvy e Bang Bang.

Após 8 anos enquanto Diretor Criativo, César Sousa assume as funções de CCO da agência em que para além do apoio à operação em Portugal, tem o objetivo de acelerar o negócio internacional, sobretudo nos mercados norte-americano e angolano.

O André e o Álvaro são, para além de profissionais de excelência, dois seres humanos excecionais, que moldaram e se tornaram parte integrante da cultura da Funnyhow. É um orgulho para todos nós, e para mim pessoalmente, poder entregar-lhes o leme da direção criativa

César Sousa, Chief Creative Officer (CCO) da Funnyhow

A.I, Chat GPT, BARD, realidade aumentada, experiências imersivas, Gamificação. A tecnologia evolui, mas o essencial mantém-se: só queremos ouvir uma boa história. Vamos continuar a criar ideias com bang, com impacto, mas também com o pensamento estratégico que nos ajuda a fazer com que possam ser levadas às administrações mais conservadoras e saírem de lá com ordem de marcha. É nisso que nos vamos concentrar, de palito na boca e caçadeira na mão

André Leite e Álvaro Silveira, Diretores criativos da Funnyhow

 

 (Foto: da esquerda para a direita: César Sousa, Álvaro Silveira e André Leite)

Arquivado em:Notícias, Pessoas

As Outras Razões – Como a Evolução dá sentido àquilo que fazemos – Paulo Finuras

20 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

Em “As outras razões” confrontam-se alguns dos “motivos ocultos” do comportamento humano, nomeadamente, por que razão há mais homens humoristas e mais escritores do que escritoras? Porque é que os olhos não servem só para ver? Porque é que os homens dominam as posições de Liderança e de Poder? Porque é que a corrupção é tão persistente e difícil de combater nas sociedades? Por que razão amamos e fazemos guerras? Quem é mais infiel, os homens ou as mulheres? E o que é que os homens e os pavões têm em comum?

Depois de conhecer “As outras razões”, o leitor poderá não olhar para si próprio ou para o mundo da mesma forma. Porém, não ficará dececionado com a natureza humana. É que as razões que as pessoas invocam para justificar o que fazem, e porque o fazem, sejam (mesmo) essas ou “as outras”, importam menos do que aquilo que resulta delas. Um livro provocador, e invulgar de sociobiologia e psicologia evolucionista que procura desvendar e interpretar aquilo de que não se fala habitualmente e se desconhece, mas que dá sentido aos nossos comportamentos.

Arquivado em:Livros e Revistas

As Perguntas que Somos – Paula Perfeito

20 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

Coletânea de 34 entrevistas que propõe uma cartografia para a humanidade. A partir da pergunta, são mostrados os olhares de personalidades desassossegadas, inquietantes, com histórias de vida, trajetos profissionais e domínio de saberes com importantes contributos para a consolidação de valores, o debate de ideias e a hierarquia de conhecimentos. São visões multidisciplinares atuais para mapear quem somos, quem fomos e seremos, numa evolução da plataforma digital Entre | Vistas para o formato livro (e a sua sempre maior tangibilidade).

 

 

Arquivado em:Livros e Revistas

África: PMEs com acesso a financiamento promovido por parceria

20 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

O International Finance Coporation (IFC) fez parceria com o Equity Banque Commerciale du Congo (EquityBCDC), uma subsidiária do Equity Group, para aumentar o acesso financeiro e promover a diversificação económica para pequenas e médias empresas (PMEs) na República Democrática do Congo.

Através desta parceria a IFC vai apoiar a expansão das operações de empréstimos a PMEs do Equity BCDC por meio de um mecanismo de partilha de riscos (RSF) de 12,5 milhões de dólares, que oferece 50% de cobertura de perdas para uma carteira de empréstimos a PMEs originados pelo EquityBCDC.

As duas entidades irão colaborar para oferecer serviços de assessoria financeira com o objetivo de fortalecer as soluções bancárias para PMEs do EquityBCDC, e aprimorar a sua abordagem de gestão de risco, apoiando a estratégia de crescimento do Banco.

Assim, o EquityBCDC pretende fornecer mais 1.700 empréstimos para as PMEs no Congo, e expandir a sua carteira de PMEs de 250 milhões de dólares em 2021 para 631 milhões até 2026.

Mais empréstimos, maior crescimento económico

Durante a cerimónia de assinatura do acordo, em Kinshasa, o diretor administrativo do EquityBCDC, Celestin Mukeba, afirmou que “as pequenas e médias empresas continuam a ser um ponto central para os negócios do EquityBCDC, e a nossa parceria com a IFC vai permitir que estendamos o nosso programa de garantia de empréstimos, o que vai expandir a nossa oferta de produtos para este segmento de mercado específico”.

Também na cerimónia, Jumoke Jagun-Dokunmu, Diretor Regional da IFC para a África Oriental declarou que “o apoio da IFC fará com que o EquityBCDC aumente o seu apoio a empresas menores no país, contribuindo para o crescimento económico e para a criação de empregos”

As PME na República Democrática do Congo identificam o financiamento como um grande obstáculo ao crescimento.

De acordo com o relatório “Finance Gap” das MPMEs do Grupo Banco Mundial, 53% das MPMEs enfrentam restrições de acessibilidade a um empréstimo ou linha de crédito, e estima-se que a lacuna financeira seja equivalente a 26% do PIB.

Em novembro de 2021, a IFC emprestou o equivalente a 50 milhões de dólares em francos congoleses ao EquityBCDC para ajudar PMEs necessitadas no Congo a aceder a financiamento em moeda local e evitar o risco de flutuações de câmbio.

A parceria também faz parte do Programa de Garantia de Pequenos Empréstimos (SLGP) da IFC, que fortalece a capacidade das instituições financeiras de assumir riscos e financiar PMEs em países elegíveis.

Arquivado em:África, Notícias

O que pode ser feito para evitar futuros golpes no Brasil?

20 Fevereiro, 2023 by Denise Calado

No passado dia oito de janeiro, apoiantes de Bolsonaro invadiram o Congresso, o Supremo Tribunal, e o Palácio Presidencial do Brasil, exigindo a anulação do resultado das eleições. Destruíram, pilharam e espancaram pelo menos cinco jornalistas.

O que deve ser feito para evitar futuros golpes? O The Economist explica.

Semelhante ao ataque ao Capitólio nos EUA

Os paralelos com o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos da América por partidários de Donald Trump em 2021 são óbvios, e estão longe de ser coincidência: Bolsonaro há muito que admira Trump e copia os seus métodos.

Tanto em Brasília como em Washington, um populista de direita perdeu uma votação justa, mas nunca aceitou o resultado. Bolsonaro não incentivou explicitamente os seus apoiantes a invadir a sede do governo (se assim for, pode ser preso), mas passou meses a insistir que a única maneira de perder a eleição em outubro do ano passado seria se o outro lado cometesse fraude – alegações que repetiu a 10 de janeiro, aparentemente com o desejo de criar mais problemas.

Afirma que o seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, não era apenas comunista, mas também aliado do diabo. O partido de Bolsonaro iniciou um processo para anular a votação, e recusou-se a comparecer à tomada de posse de Lula a 1 de janeiro, quando deveria entregar a faixa presidencial ao seu sucessor.

Bolsonaro tentou convencer os seus seguidores de que é o presidente legítimo, e que são vítimas de uma conspiração. Muitos bolsonaristas, como muitos trumpistas, acreditam ter o dever de reverter uma eleição roubada. Tal é o poder de uma grande mentira contada por um líder carismático.

O caminho a seguir

No entanto, a ilusão não é desculpa para um golpe desta dimensão. Os que infringiram a lei devem ser punidos. Cerca de mil pessoas foram presas; é um bom começo, mas mais três medidas precisam de ser feitas para fortalecer a democracia brasileira.

Primeiro, o governo deve restaurar a ordem. Isso significa não apenas processar aqueles que planearam e perpetraram o golpe, mas também garantir que a polícia segue a lei, não o seu político favorito.

Vários polícias foram avistados a conversar com os manifestantes e a tirar selfies; outros escoltaram os manifestantes até aos edifícios do governo antes do golpe. Bolsonaro é popular entre as principais forças policiais, tendo defendido as suas pensões banhadas a ouro, bem como a sua tendência para disparar em suspeitos.

Lula deve investir numa polícia que, quando estão de serviço, seja politicamente imparciais.

Em segundo lugar, a oposição brasileira deveria condenar a violência. Vários políticos que trabalharam para Bolsonaro já o fizeram de forma inequívoca. Mas os bolsonaristas continuam devotados ao seu herói; numa sondagem, 37% dos brasileiros eram a favor de um golpe para retirar Lula do poder.

Nos EUA, os republicanos seniores inicialmente condenaram Trump por incitar um golpe letal, mas recuaram quando ficou claro que ele não tinha perdido o controlo sobre os eleitores republicanos.

Por último, Lula precisa de governar o seu país dividido de forma inclusiva, e deve evitar linguagem inflamatória. O atual presidente errou ao chamar os manifestantes de “nazis”, por exemplo. Deveria esforçar-se mais para tranquilizar aqueles que não votaram nele de que governará de forma justa para todos.

Ainda assim, Lula tem se mostrado disposto a chegar a um meio termo e trabalhar com ex-parlamentares bolsonaristas no Congresso, conseguindo preencher um enorme buraco no orçamento mesmo antes de assumir funções. Se Lula governar pragmaticamente, muitos dos que não gostam dele podem pelo menos aceitar a sua presidência.

Após a falsidade e a fúria dos anos de Bolsonaro, o Brasil precisa de uma liderança calma. Se Lula falhar, Bolsonaro, ou alguém como ele, pode novamente chegar ao poder.

Arquivado em:Notícias, Política

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