O que tem em comum drones, abelhas, aranhas e peixes? Parece algo saído de um filme de ficção científica, mas foi um projeto financiado pela União Europeia, que pretende proteger o ambiente através de sensores, materiais e biologia, ao juntar a tecnologia de drones com características de animais.
Mirko Kovac é o professor em robótica aérea no Imperial College London que está à frente do projeto, e que promete “criar robots que consigam medir e modificar o meio ambiente e, assim, ter resultados que fomentem a sustentabilidade”.
A verdade é que é difícil ter um drone em florestas, em turbinas eólicas ou em desertos: são ambientes imprevisíveis, que dificultam o movimento da robótica. Já os animais têm vindo a crescer e a evoluir para conseguirem sobreviver nesses meios. Assim, estudando os mecanismos que animais voadores – e não só – usam, a robótica pode conseguir dar um passo em frente.
“esperamos conseguir ter drones que voem quando ocorrem incêndios, e que sobrevivam a eles, que façam diferentes tarefas, que se liguem às turbinas eólicas nas florestas, e que recolham amostras”
Salvar a floresta depende das abelhas
Colocar sensores nas árvores da floresta pode ser um desafio; as folhas mexem-se, os animais voam, e o vento corre. Mas fazer biopsias às árvores pode salvá-las, ao detetar doenças, pode identificar a biomassa, quantificar a biodiversidade, pássaros e populações.
Os sensores, que são biodegradáveis, podem ainda detetar sinais acústicos para distinguir as várias espécies de pássaros presentes nos microclimas, mede níveis de pH, temperatura e humidade.
Assim, ao estudar e implementar os mecanismos usados pelas abelhas para se fixarem numa superfície, os drones conseguem mais facilmente detetar os movimentos alheios, e aterrar sem imprevistos.
Spider-man? Não, spider-drone
Os drones podem também ser utilizados para inspecionar e reparar turbinas eólicas, já que é mais difícil e dispendioso deslocar mão-de-obra para o local para esse efeito.
Assim, os drones ao prenderem-se com uma pequena âncora às turbinas não usam energia a voar, e conseguem fazer tarefas microscópicas, detetar danos no meio ambiente e na estrutura. Podem até “viver” nos parques eólicos, já que são automatizados, e usam a energia renovável do seu habitat.
As aranhas fazem também este trabalho – poupam energia enquanto trabalham materiais-, e foi daí que se pensou neste mecanismo para os drones.
Além disso, baseado nas aranhas foi também desenvolvido um sistema à base de seda biodegradável que ajuda os drones a fixarem-se entre dois pontos – duas árvores, por exemplo, como uma teia.
Um drone que muda de forma
Para estudar as alterações climáticas, é importante que os drones se consigam adaptar a ambientes desafiantes. Assim, Kovac desenvolveu drones que conseguem não só voar, mas também mergulhar, coletando assim dados ambientais essenciais.
Embora existam já alguns veículos aéreos/aquáticos bimodais, nenhum conseguiu ainda fazer um ciclo completo e energicamente eficiente no ar, água e na sua superfície. Este novo drone simula os peixes voadores, ao saltar da água, e muda de forma quando volta a voar, tendo barbatanas ou asas, consoante o meio em que se encontra.

fonte: Robert Siddal




