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Denise Calado

Trabalhar menos horas e ser mais produtivo – a valorização das pessoas na pandemia

20 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Para Salvador da Cunha, CEO da Lift, a pandemia trouxe novos modelos de trabalho e notou que os colaboradores eram mais produtivos, em menos horas de expediente. O diretor da agência de comunicação e relações-públicas sublinha que no foco na gestão de uma crise estão os seus colaboradores.

Durante o período do primeiro confinamento, em março/abril 2020, Francisco X. Froes e Miguel Pina e Cunha, Nova SBE, entrevistaram 56 líderes/gestores de topo, das mais variadas áreas de negócios, visando encontrar padrões de comportamento suscitados pela pandemia e assim poder ajudar estes e outros líderes em crises futuras. A questão subjacente foi: quais as respostas das empresas à COVID-19?

A entrevista é parte do projeto editorial “Como 50 CEO reagiram à pandemia?”.

O que é que ouviste, quando e como?

Começamos a ouvir falar da Covid-19 na chegada de uma viagem de mota a Marrocos. Chegaram as primeiras notícias da China, mas não demos muita importância. Como toda a gente, sou muito atento à comunicação, nomeadamente aos Hospitais a ser construídos em quatro a cinco dias. Os chineses demonstraram uma capacidade de mobilização absolutamente extraordinária. Mas nunca pensámos que nos atingisse com a força que atingiu. A 11 de março, tive uma conversa com a minha equipa e decidimos, nesse dia, ir para casa. E não voltei ao escritório. Desde há três meses.

Que preparação tinham? Improvisações?

Tínhamos alguma preparação. Trabalhamos com o Teams há 2 anos, e já tínhamos pessoas em teletrabalho, por isso não foi difícil, de um dia para o outro, mudar de paradigma. Não sabíamos é que ia ser tanto tempo, nem tão grave do ponto de vista económico. Começámos a ter alguns casos positivos de primos e amigos. Senti que havia pessoas com medo que preferiam ficar em casa. De um dia para o outro, montámos tudo em cada de casa. Reduzi horários e os ordenados em 25% para todos. Se a Lift recuperar, é pago depois.

Vosso logo, lema? Ajudou?

“Great together”. Acho que ajudou bastante, principalmente porque valorizamos muito as pessoas. O nosso principal ativo são as pessoas, estão permanentemente em primeiro lugar. Este lema tem também a ver com o Grupo da Lift e o facto de conseguirmos, muito bem, integrar serviços: comunicação e marketing, empresas irmãs e open Space.

Primeiras reações e sentimentos?

Desvalorização: “É na China, se chegar cá logo se vê”, pensei eu. Mas os sentimentos foram-se adensando. Não é fácil, num Grupo com 90 pessoas, perceber como vou pagar ordenados. Tem tudo a ver com controlo de gestão em real time. Temos de tomar as decisões que são as corretas. Estamos mal, mas temos de sair daqui.

Decisões em real time?

A decisão mais difícil foi o corte dos ordenados e do horários de trabalho, e garantir que as pessoas mantêm produtividade. Fizemos uma formação muito interessante com a Juliana Pais Garcia, sobre como podemos trabalhar em Alta Performance, como nos organizamos, e como ser estratégico e não reativo.  Para prestar bom serviço, temos de ter tempo. Agora passo a responder em duas ou três horas, e não automaticamente.  Com isto, consegui que as pessoas fizessem em seis horas o que faziam em 12. Isto é real.

Preocupações estratégicas a curto e médio prazo?

A curto prazo, o objetivo é equilibrar financeiramente a empresa até ao fim do ano, para não despedir ninguém e perceber como podemos aproveitar esta crise transformando-a numa oportunidade. Na minha concorrência mais direta, há dois tipos de empresas: as que não se souberam adaptar e as que estão a lutar pela adaptação. As que não se souberam adaptar têm criado problemas gravíssimos aos clientes. Há clientes que não têm notícias da sua agência de comunicação há dois meses. Isto provoca no mercado um sentimento muito grave, e vêm ter connosco para saber se também estamos assim. Ficam admirados quando a resposta é não, e pedem-nos propostas. Estrategicamente vamos sair mais fortes. Estamos a fazer um grande trabalho de networking para que se lembrem de nós, quando não estiverem satisfeitos com outros.

Como é que isto vai reequilibrar a hard part e a soft part?

Vamos aproveitar estes aumentos de produtividade e vou lutar com os clientes para não estar sempre em reuniões, sobretudo fora de Lisboa. Vamos sair do sítio onde estamos para um espaço mais moderno, mais pequeno, com acesso a transportes públicos.

Descoberta mais surpreendente?

Como se consegue trabalhar em equipa, e as saudades que as pessoas têm umas das outras. Não estava à espera de que tivessem tantas, e é muito giro ver o sorriso na cara das pessoas quando se reencontram.

O que é que aprendeste. A grande lição?

Não podemos contar com ajudas, nem com medidas de governos, bancos, entre outros.  Temos de ser nós a desenrascar a forma como vamos sair desta crise.

O que passas aos teus filhos?

Tenho filhos com 25, 20, e 12 anos. A mais nova tem muito medo. Esteve três meses em casa sem querer sair. Agora desconfinou, mesmo mentalmente, e só quer sair. Penso que estas coisas podem acontecer. Vamos tentar manter o nosso nível de vida, mas vamos restringir muitas das benesses nos próximos cinco meses.

O Covid 19 numa palavra?

Resiliência. Não se pode desistir nem baixar os braços.

Arquivado em:Entrevistas

Três dicas para promover o seu negócio local

20 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Com a inflação a subir sem precedentes, muito do comércio local está em risco de fechar portas, e a altura do Natal pode ser crítica para a sua sobrevivência. De acordo com uma nova análise, os portugueses vão gastar menos nas suas compras de Natal este ano, sendo que 70% vai tentar comprar presentes mais baratos.

Se é proprietário de um negócio de comércio local ou de uma pequena empresa, a Harvard Business Review deixa-lhe dicas para potenciar e promover o seu negócio na época natalícia, com base num inquérito a mais de seis mil pequenas empresas.

Comércio local mais caro? Nem sempre

A maior preocupação que os consumidores identificam relativamente às compras em pequenas empresas ou comércio local é o preço. Mais de 70% expressou a crença de que os preços eram mais altos do que nas grandes superfícies, e quase 60% afirmou que compraria menos em comércio local este ano porque era mais caro.

Esse pode, por vezes, ser o caso, mas nem sempre. Ainda assim, pode-se mitigar a crença ao fazer descontos e promoções. Para atrair clientes cada vez mais preocupados com os preços, muitos dos proprietários de empresas entrevistados oferecem entregas gratuitas, cartões de oferta após uma compra ou promoções.

Ter presença online

A segunda maior questão a ter em consideração é que as pessoas no comércio local, ou de empresas mais pequenas tendem a não oferecer opções para compras online, com 37% dos entrevistados a afirmar que não tendo essa escolha, preferem as grandes empresas que possibilitam essa opção.

Apesar de a falta de recursos ser um dos motivos que impossibilitam a presença online com um website completo, há muitas opções de menor custo que podem ajudar.

Se procurar por apoio gratuito ou low-cost, considere entrar em contacto com escolas ou faculdades locais e oferecer a sua estratégia de media comercial como projeto de turma. Muitos cursos de marketing ou empreendedorismo incentivam os alunos a obter experiência no mundo real, por isso pode ser uma situação vantajosa para todos.

Depois, é importante sublinhar que não é preciso um site da empresa para criar visibilidade online. Identificar os canais de comunicação certos para alcançar o público-alvo – seja o Marketplace do Facebook, Instagram, TikTok, uma newsletter – pode ajudá-lo a dar o negócio a conhecer sem um grande investimento.

Incentive os clientes a dar feedback dos produtos ou serviços comprados em grupos de Facebook, no Google, ou outras redes em que tenha presença.

Ajudar as pessoas a encontrar o que procuram

As pequenas empresas tendem a oferecer menos variedade, tornando assim mais difícil encontrar os produtos que os clientes precisam, e que facilmente encontram nas grandes superfícies.

Para ajudar os clientes a encontrar o que procuram, crie guias de presentes para ele, para ela, para crianças, animais de estimação e amigos, destacando apenas as ofertas exclusivas da sua loja, ou em parceria com outras pequenas empresas.

Se tiver um site, certifique-se que inclui como ferramenta uma “wish list” para que os clientes possam fazer as suas próprias listas para partilhar com família e amigos. E, acima de tudo, seja rápido a dar resposta a qualquer questão.

Arquivado em:Liderança, Notícias

Como aumentar a literacia financeira dos portugueses?

20 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Portugal é o país da Zona Euro com o pior nível de literacia financeira. Embora tenha existido uma maior consciencialização para este problema, os portugueses continuam a estar no fundo da tabela quando comparamos o nível de literacia com os restantes países da Zona Euro.

Nível de literacia financeira entre os países Estados-Membros da Zona Euro.

Fonte: Klapper, L. and Lusardi, A. (2020).

Existem vários fatores que nos ajudam a entender melhor os dados publicados pelo Banco Central Europeu (BCE), os quais passo a referir.

Falta de cultura de investimento

Na generalidade, os portugueses continuam a confiar o seu dinheiro nos bancos através de depósitos a prazo, cuja rentabilidade é francamente modesta e nem sequer acompanha a inflação, traduzindo-se numa perda do poder de compra dos clientes que optam por este tipo de aplicações.
No caso dos portugueses que decidem investir, muitos também continuam a confiar no seu gestor de conta (que muitas vezes não têm formação / conhecimento na área) para aplicarem parte do capital disponível em produtos financeiros que não conhecem, onde por vezes se traduz também  em situações onde os investidores assumem riscos elevados devido à falta de conhecimento em relação ao instrumento financeiro que decidiu alocar parte do seu capital.

Papel dos pais e da escola na educação financeira dos mais novos

Os pais têm um papel importante na educação financeira dos mais novos, no entanto, dada a falta de cultura financeira e o facto de muitos não alocarem parte do capital em produtos financeiros, acabam por passar más práticas aos mais novos, onde muitas vezes os pais estimulam apenas à poupança sem referirem a importância e os benefícios de se investir parte do capital disponível.
Por outro lado, a escola tem um papel fundamental para combater a literacia financeira, através da educação financeira dos mais novos.

Instituições financeiras

Por último, mas não menos importante, as instituições financeiras, como por exemplo, Bancos de Investimento (não confundir com os de retalho), fundos de investimento, Corretoras têm um papel muito importante para a melhoria do nível de literacia financeira no país.

Arquivado em:Opinião

Húbris

19 Dezembro, 2022 by Denise Calado

O primeiro-ministro teve uma semana rica em afirmações bombásticas. Chegou a fazer pedidos de desculpas. Atribui os excessos ao cansaço. Ninguém terá dúvidas de que cargo é extenuante. Ninguém duvidará, também, que é impossível estar nestes lugares sem dizer o que não se devia. Aliás todos o fazemos sem porém termos uma câmara de televisão apontada.

Mas importa manter aberta outra hipótese de trabalhão. Poderá tratar-se de um caso de húbris. Húbris é uma palavra grega que descreve a doença dos poderosos. Eis os seus sintomas: orgulho, soberba, insolência, arrogância. Não há dúvida, escreveu um dia Bertrand Russell, que a tragédia nasce da húbris. O processo tem uma explicação simples: o poder pode criar desinibição; o poder absoluto pode criar a convicção de que estamos certos e prevaleceremos.

Sabe-se que o sucesso alimenta a húbris mas importa que não intoxique aqueles que lideram. Para isso, além de doses adequadas de humildade, podem os ocupantes de cargos de liderança procurar conhecer os pontos de vista dos outros e não esquecer que um dia perderão o poder. E aí, o respeito que tiverem dedicado aos outros quando ganharam, será o respeito que vão receber quando perderem. Esperemos que, de facto, no caso do primeiro-ministro se tenha tratado de cansaço. A alternativa será pior. Para todos.

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Guerra na Ucrânia duplica violência contra mulheres

19 Dezembro, 2022 by Denise Calado

A violência contra mulheres e raparigas tem vindo a duplicar na Ucrânia desde o início da invasão. A violação, por norma coletiva, tortura sexual, nudez forçada e outras formas de abusos têm sido documentadas por jornalistas e organizações de direitos humanos, e não mostra sinais de abrandar, reporta a UN News.

“Não há dúvidas de que ninguém se sente seguro por causa da guerra, e as mulheres ficaram ainda menos protegidas da violência generalizada”, afirma Hrystyna Kit, co-fundadora da JurFem, a Associação de Mulheres Advogadas da Ucrânia.

A verdadeira dimensão da violência é ainda desconhecida, acrescenta Kit, mas é hoje claro que os seus impactos serão duradouros: “teremos de saber lidar com as consequências da violência sexual relacionada com este conflito, por muitos anos.”

A violência doméstica que ainda existe 

Ao mesmo tempo, as mulheres ucranianas lutam ainda contra a violência endémica da sua própria sociedade. “Os casos de violência doméstica ou sexual contra a mulher, principalmente em locais públicos, não desapareceram. As pessoas que eram abusivas e violentas dentro das suas casas continuam a cometer atos de violência”

A invasão por parte da Rússia tornou os progressos nesta área muito mais difíceis, sublinha a advogada: “É difícil avançar na luta contra a violência contra as mulheres quando se vive num estado de guerra, e quando se luta pela sobrevivência todos os dias”

O trabalho pela frente 

Iniciando a sua carreira de advogada em 2007, Kit viu uma lacuna na assistência jurídica para sobreviventes de violência doméstica: “não havia muitos advogados dispostos a trabalhar com esses casos, porque muitas vezes são crimes latentes”.

A violência doméstica é normalmente considerada um assunto privado, e o sistema legal tende a transferir a responsabilidade de lidar com esses casos para as próprias vítimas

Em 2017 Hrystyna deu um grande passo em frente para acabar com o estigma, através a criação da JurFem. A associação tem vindo a colaborar com parceiros para garantir que sobreviventes de violência sexual relacionada com o conflito recebam proteção e apoio das autoridades policiais e dos prestadores de serviços.

Têm também prestado assistência jurídica diretamente às sobreviventes, lançando uma linha de ajuda direta, em abril.

“É possível mudar a nossa abordagem para investigar casos relacionados com a violência sexual apenas através da experiência e prática.” Ao comunicar com as agências de aplicação da lei e os tribunais, “os advogados da JurFem podem quebrar os estereótipos existentes e garantir o acesso à justiça para as vítimas.”

Embora o seu trabalho enquanto advogada esteja assente em anos de formação jurídica e décadas de experiência, Kit enfatiza que não precisa de competências ou conhecimentos especiais para se juntar a uma causa: “cada um de nós deve trabalhar para mudar algo no mundo para melhor”.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Estas foram as palavras mais pesquisadas em 2022

19 Dezembro, 2022 by Denise Calado

O motor de busca Google partilha as palavras e expressões mais pesquisadas em 2022 – em Portugal o IVAucher e o Autovaucher foram os assuntos mais populares.

Aqui fica o top cinco das categorias analisadas:

Gerais

#1 IVAucher

#2 Mundial 2022

#3 Ucrânia

#4 Rússia

#5 Certificado Digital

Os resultados desta categoria refletem as preocupações dos portugueses relativamente às ajudas do governo, com o IVAucher, bem como a guerra na Ucrânia, que veio abalar a estabilidade económica e energética na Europa. O Mundial no Catar figura o segundo lugar da lista, apesar ser um evento que só decorre no fim do ano. A polémica em torno da corrupção e a violação dos direitos humanos estará entre os motivos para a pesquisa.

Como…?

#1 Como aderir ao Autovoucher?

#2 Como saber onde votar em 2022?

#3 Como funciona o IVAucher?

#4 Como receber os 125 euros?

#5 Como obter o certificado de recuperação COVID?

O que…?

#1 O que é afasia?

#2 O que são metadados?

#3 O que é a NATO?

#4 O que é SWIFT?

#5 O que é gelo seco?

Nomes Nacionais

#1 Bruno Carvalho

#2 Liliana Almeida

#3 Bernardo Sousa

#4 Marta Gil

#5 Nuno Homem de Sá

Nomes Internacionais

#1 Putin

#2 Will Smith

#3 Johnny Depp

#4 Anitta

#5 Amber Heard

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

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