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Leonor Wicke

O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

16 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Poucos serão os portugueses que não têm, hoje, algum produto da Decathlon. Este alcance não surge por acaso nem se deve unicamente a uma boa estratégia comercial. Está assente na visão de tornar o desporto verdadeiramente acessível e democrático para todos.

Fora dos campos e pistas, o sucesso também se mede dentro de portas. A organização garante investir na valorização e desenvolvimento dos seus colaboradores, promovendo formação contínua, oportunidades de progressão interna e mobilidade internacional. É Sérgio Tavares, Diretor de Recursos Humanos da Decathlon Portugal, que deslinda esta filosofia de gestão de talento, em entrevista à Líder. E garante: são as pessoas que dão vida ao projeto e que tornam a ambição possível.

 

O retalho é marcado por uma forte rotatividade. Quais são os vossos maiores desafios na retenção de talento?

O principal desafio passa por acompanhar as expectativas de um mercado de trabalho em rápida transformação, em particular junto das gerações mais jovens. Hoje, a retenção de talento exige muito mais do que um emprego estável: exige sentido, oportunidades reais de crescimento e um contexto onde as pessoas se sintam reconhecidas e valorizadas.

Na Decathlon, respondemos a este desafio através de oportunidades concretas de evolução e mobilidade interna, formação contínua e projetos com significado. Cerca de 40% das nossas lideranças iniciaram o seu percurso em funções mais operacionais em loja, o que demonstra que o desenvolvimento interno não é uma promessa, mas uma realidade vivida no dia a dia.

Sabemos também que a retenção passa por um pacote de remuneração competitivo e por benefícios relevantes, ajustados às diferentes fases da vida. Apostamos num conjunto de soluções que promovem o bem-estar físico, mental e social, integrados num ambiente flexível onde cada pessoa pode crescer e evoluir com equilíbrio.

 

Como é que uma empresa garante proximidade real entre líderes e colaboradores num negócio com equipas tão numerosas e dispersas?

A proximidade faz parte do nosso modelo de liderança. Num negócio com equipas numerosas e dispersas, escolhemos conscientemente ter poucas camadas hierárquicas, o que promove uma comunicação rápida e eficiente nos dois sentidos.

Para além desta proximidade do dia-a-dia e dos nossos líderes estarem presentes no terreno, temos um modelo de acompanhamento humano muito próprio, assente em momentos formais, estruturados e regulares de escuta e feedback, onde cada colaborador é acompanhado não só na sua performance, mas também no seu desenvolvimento e bem-estar.

Complementamos este modelo com um programa interno de liderança evolutivo, que tem como objetivo dotar os nossos líderes das ferramentas e competências necessárias para promover uma liderança moderna, inclusiva e adaptada à diversidade das nossas equipas.

 

A cultura da Decathlon é descrita como ‘centrada nas pessoas’. Como se traduz isso no dia a dia das equipas?

Na Decathlon, colocar as pessoas no centro significa, simultaneamente, a preocupação de pensar o impacto de cada decisão nas equipas e libertar o talento e o contributo único de cada pessoa através da autonomia e responsabilização.

No dia a dia, isso traduz-se em confiança e em espaço para decidir, arriscar e aprender, num contexto onde o erro é natural e faz parte do processo.

Este equilíbrio entre confiança e exigência vive num ambiente de trabalho positivo, onde a informalidade convive com o profissionalismo.

Incentivamos o feedback contínuo, a partilha de ideias e a proximidade entre todos, independentemente da função ou hierarquia. Há ainda um elemento muito identitário: somos todos apaixonados por desporto e essa paixão comum cria ligações autênticas e reforça um espírito de equipa orientado para a ação, para o bem-estar e para o impacto positivo nas pessoas.

 

Os jovens valorizam cada vez mais experiências globais. Como é que estão a responder a essa expectativa?

A Decathlon é uma empresa global, e isso reflete-se de forma muito concreta nas oportunidades que oferecemos às nossas equipas. Respondemos à crescente valorização de experiências internacionais promovendo a mobilidade entre países, a participação em projetos transversais e o trabalho em equipas multiculturais, que enriquecem tanto o percurso profissional como o pessoal.

No nosso modelo de acompanhamento, damos especial atenção ao desenvolvimento do projeto profissional de cada colaborador, ajudando-o a clarificar ambições e a identificar oportunidades alinhadas com o seu percurso. Todas as vagas são publicadas e comunicadas internamente, garantindo transparência e igualdade de acesso às oportunidades, seja em Portugal ou noutros países.

Fazer parte de um grupo com presença internacional e múltiplos projetos globais abre portas a quem quer explorar novas realidades, desenvolver competências num contexto global e viver experiências que contribuem para o seu crescimento, enquanto continua ligado à nossa cultura e valores.

 

Como está a Decathlon a adaptar-se à digitalização acelerada e que impacto traz no negócio e equipas?

Temo-nos vindo a adaptar à digitalização acelerada através de um investimento consistente em tecnologia e plataformas digitais, com o objetivo de melhorar a experiência do cliente, integrar de forma fluida os canais físicos e online e tornar os nossos processos cada vez mais simples e eficientes.

Para as equipas, esta transformação traduz-se no desenvolvimento de novas competências, no surgimento de novas funções e numa maior capacidade de inovação. Neste contexto, as novas ferramentas assumem um papel cada vez mais relevante e é muito importante a formação contínua e apoio próximo às equipas.

Acreditamos que a tecnologia deve ser um facilitador do dia-a-dia, libertando tempo e energia para aquilo que realmente importa no nosso negócio: as relações humanas, a proximidade com as equipas e a qualidade da experiência que oferecemos aos nossos clientes.

 

A Decathlon democratizou o acesso a material desportivo especializado. Como interpretam hoje essa missão e que papel deve a acessibilidade ao desporto desempenhar na sociedade?

Continuamos profundamente comprometidos com a missão de tornar o desporto acessível ao maior número de pessoas em Portugal. Hoje, esta missão vai muito além do preço: passa pela durabilidade e sustentabilidade dos produtos, por serviços como o aluguer, a subscrição ou a reparação, e por uma abordagem cada vez mais inclusiva.

No entanto, o nosso papel não se fica apenas no acesso ao equipamento. Acreditamos que a verdadeira democratização do desporto acontece quando criamos verdadeiras condições para que as pessoas possam praticar – independentemente da sua idade, contexto social ou condição física. É por isso que a promoção do acesso ao desporto é uma prioridade estratégica.

Através da Fundação Decathlon, reforçamos este compromisso, apoiando projetos sociais que utilizam o desporto como ferramenta de inclusão, educação e desenvolvimento pessoal, especialmente junto de comunidades mais vulneráveis.

Acreditamos que o desporto desempenha um papel essencial no bem-estar físico e mental, na educação e na coesão social. Enquanto empresa, assumimos a responsabilidade de contribuir ativamente para uma sociedade mais saudável, ativa e inclusiva, promovendo não só o acesso ao produto, mas o acesso ao desporto enquanto direito e oportunidade para todos.

Que balanço faz dos 25 anos da Decathlon em Portugal?

Os 25 anos da Decathlon em Portugal são motivo de enorme orgulho. Ao longo deste percurso, crescemos de forma consistente, sempre fiéis aos nossos valores, graças ao empenho das nossas equipas e à confiança dos nossos clientes. Consolidámos a nossa marca, inovando de forma contínua e contribuindo ativamente para o desenvolvimento da prática desportiva no país.

Nada disto teria sido possível sem as pessoas que fizeram e fazem parte da nossa história. São elas que dão vida ao projeto e que tornam a nossa ambição possível todos os dias. Este percurso dá-nos bases sólidas, confiança e esperança para continuarmos a evoluir, a inovar e a impactar positivamente a vida dos portugueses através do desporto.

 

Onde e como gostaria de ver a marca daqui a 25 anos?

Daqui a 25 anos, gostaríamos de ver a organização ainda mais próxima das pessoas, mais sustentável e mais inovadora. Ser uma marca que continua a liderar pela utilidade, pelo impacto positivo que tem na sua comunidade e pela capacidade de inspirar a prática desportiva em todas as fases da vida.

Independentemente das mudanças no mercado ou na tecnologia, queremos manter intacto o nosso sentido: fazer do desporto uma fonte de felicidade, saúde física e mental e de união entre todos. Queremos continuar a provar que o desporto pode ser acessível, contribuindo para uma sociedade mais feliz.

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Portugal é o terceiro país com mais dificuldades em contratar: cinco estratégias para gerir pessoas

16 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Assim, a Sesame HR, plataforma de gestão de recursos humanos (RH), partilha cinco estratégias para promover uma cultura inclusiva no trabalho:

 

1. Modelos de trabalho flexíveis

Oferecer modelos de trabalho que permitam aos colaboradores escolher onde e quando querem trabalhar permite promover um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, indo ao encontro das necessidades de cada pessoa.

Esta flexibilidade permite que os profissionais possam conciliar melhor o trabalho e as suas necessidades familiares, limitações geográficas ou de mobilidade, promovendo uma maior igualdade de oportunidades e bem-estar.

 

2. Soluções digitais acessíveis para gestão de tempo e assiduidade

Dispor de soluções digitais de registo de entradas e saídas, que ofereçam múltiplos métodos de utilização, como smartwatch, WhatsApp ou até QR Code, permite assegurar uma gestão de talento mais inclusiva.

Ao apostar neste tipo de soluções, em vez dos métodos tradicionais que se baseiam numa abordagem demasiado restrita, as empresas evitam desigualdades e garantem que todos têm as mesmas condições para cumprir este tipo de processos internos.

 

3. Políticas de benefícios personalizáveis

Apostar num pacote de benefícios adaptado a cada colaborador, que tenha em conta as suas necessidades e fase de vida, permite assegurar o bem-estar, atrair e reter talento.

Permitir que cada pessoa escolha o que faz mais sentido tendo em conta a sua realidade pessoal e profissional – como dias extra de férias, apoio à parentalidade, saúde mental ou formação – garante que cada pessoa dispõe das condições de que necessita.

 

4. Comunicação interna transparente e inclusiva

A comunicação e a relação entre as equipas e as suas lideranças são também fatores cruciais para promover uma cultura mais inclusiva.

Centralizar a comunicação, garantindo que a informação chega a todos, independentemente do local de trabalho ou da função, ajuda a criar um sentimento de pertença e reduz assimetrias no acesso à informação.

«Num cenário de grande escassez de talento, é fundamental que os empregadores recorram a diferentes bases de talento para responderem às necessidades do negócio. Para o fazerem, devem considerar estratégias diferenciadores, que garantam uma gestão inclusiva e flexível das pessoas. Desta forma, poderão diferenciar-se, promovendo a fidelização e atração de profissionais qualificados, capazes de potenciar o sucesso do negócio», explica Tiago Santos, Vice-Presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR.

Arquivado em:Gestão de Pessoas, Notícias

O próximo nível da liderança: regenerar para performar

16 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Regenerar, neste contexto, significa voltar a criar condições de alta performance: pessoais, de equipa e organizacionais. Não se trata de yoga corporativo, mas de energia produtiva: foco, clareza e confiança. As equipas que performam melhor são as que sabem quando acelerar e quando recuperar, que aprendem rápido e executam com propósito. 

Muitas lideranças têm níveis de performance muito altos com grande capacidade de atingir resultados ano após ano. Mas com que taxa de esforço? O que é que fica para trás? Em que medida é que estes líderes também praticam recuperação? Seja ela física, social, emocional, etc.  

A Inteligência Artificial é a grande aliada e o grande teste desta nova fase. A maioria das escolas e empresas já a usa em marketing e tarefas administrativas, mas o desafio está em integrar a IA no pensamento estratégico e ético da liderança. Não basta dominar a ferramenta; é preciso liderar com discernimento humano num contexto cada vez mais digital. 

Na Nova SBE Executive Education, estas tendências estão a ser trabalhadas em programas como o Horizon Leadership Program e os Management Retreats. Em ambos, o foco é simples: ajudar líderes a pensar com mais profundidade, agir com mais impacto e gerir com mais equilíbrio.

Porque, no fim, o verdadeiro luxo da liderança moderna é ter energia, foco e sentido num mundo que não para. 

Em 2026, as organizações que perceberem que a energia das pessoas é o verdadeiro multiplicador do desempenho terão mais capacidade de executar a sua estratégia com menos esforço, mais equilíbrio, maior satisfação e de forma mais sustentável. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

‘Dumbphones’ e tempo offline: algumas tendências digitais para 2026

15 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

A comunicação faz parte do dia a dia, seja para trabalhar, manter contacto com a família ou gerir tarefas pessoais, e o smartphone pode fazer toda a diferença. Ainda assim, o início de um novo ano é também o momento certo para repensar a relação diária que mantemos com estes dispositivos, indispensáveis, mas muitas vezes usados em excesso.

Como tal, em 2026, a SPC, marca europeia de tecnologia electrónica de consumo, convida os consumidores a virar a página e a adotar um uso ponderado da tecnologia.

 

Telemóveis básicos para quem quer desconectar neste novo ano

Os chamados dumbphones estão a ganhar popularidade por reduzirem as distrações e oferecerem apenas as funções essenciais que qualquer telemóvel precisa: chamadas e mensagens SMS.

Desta forma, tornam-se grandes aliados para quem procura uma pausa da hiperconectividade sem perder o contacto com familiares e entes queridos.

Reduzir a dispersão digital para aumentar a concentração

Alternar constantemente entre aplicações, notificações e diferentes dispositivos contribui para o cansaço mental e dificulta a manutenção do foco ao longo do dia. Em 2026, criar rotinas mais equilibradas passa por reduzir esta dispersão digital e tornar a tecnologia mais simples e funcional.

Optar por interfaces simplificadas e limitar notificações ao essencial ajuda a melhorar a concentração e a qualidade do tempo dedicado a cada atividade. Esta abordagem permite diminuir interrupções desnecessárias e criar momentos de atenção plena, tanto no trabalho como nos tempos de lazer.

Ao tornar a tecnologia menos invasiva e mais intencional, é possível ganhar foco, reduzir o stress e criar uma relação mais saudável e sustentável com o digital.

 

Definir horários para estar online e aproveita o tempo offline

Para conseguir desconectar, é importante definir previamente os momentos em que se estará ligado e concentrar nesse período tudo o que exige o uso da tecnologia e não pode ser adiado. Um estado de conexão permanente contribui para o aumento do stress e, por isso, deve ser reduzido.

Por exemplo, experimente evitar pegar imediatamente no smartphone ao acordar, tal ajuda a definir um ritmo mais calmo para o dia. Usar o despertador sem desbloquear o ecrã ou ativar modos de concentração nas primeiras horas permite começar a manhã com mais foco e menos estímulos desnecessários.

As opções de controlo de tempo de ecrã, integradas nos telefones Android, permitem perceber padrões de utilização e estabelecer limites saudáveis, especialmente em redes sociais ou aplicações menos prioritárias. Pequenas alterações podem fazer uma grande diferença na qualidade do tempo livre.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Novo ano, nova marca? Eis o Guia de Marketing para 2026

15 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

O marketing de 2026 será moldado por três pilares: tecnologia (IA e dados), humanidade (propósito e autenticidade) e agilidade estratégica. As marcas que conseguirem integrar estes três eixos – simplificando processos, criando experiências relevantes e comunicando com transparência – estarão mais bem posicionadas para crescer num mercado em rápida transformação. 

 

 1. IA e dados responsáveis no centro da estratégia

A Inteligência Artificial deixa de ser um recurso experimental para se tornar estrutural nas operações das marcas. O relatório Marketing Trends 2026 da Kantar destaca temas como AI-native decision-making e uso de synthetic data, reforçando a necessidade de dados de qualidade e transparência. 

Segundo o estudo Voice of a CMO, 99% dos diretores de marketing já utilizam IA e 89% recorrem a IA generativa em conteúdos e publicidade. Esta tendência reforça o papel da governança de dados. 

 

 2. Autenticidade e propósito como diferenciação

Com a fadiga digital e a saturação de conteúdos, o marketing está de volta ao essencial: confiança, consistência e relevância. Existe um movimento crescente de ‘desautomatização’ do marketing, defendendo uma divisão equilibrada de 60% para marca / 40% para performance, de acordo com a Forbes. O foco passa por narrativas duradouras, presença consistente e mensagens alinhadas com valores verificáveis.

Na parte emocional e humana, encontraremos, cada vez mais, nos produtos digitais, interfaces simples, mais ‘quentes’ e imperfeitas.

 

3. Experiências imersivas e omnicanal

A integração entre o físico e o digital vai continuar a acelerar, com tecnologias como realidade aumentada e virtual a tornarem-se parte natural das experiências de compra e de relacionamento. Segundo a consultora Rizco, campanhas que utilizam três ou mais canais têm quase quatro vezes mais engagement do que estratégias numa única plataforma. Esta é a era do phygital. 

 

4. Agilidade estratégica e aprendizagem contínua

O marketing deixa de funcionar em ciclos anuais e passa a estruturar-se em modelos de experimentação contínua: test-learn-optimize. A Content Marketing Institute mostra que os líderes de marketing mais eficazes criam fundamentos claros com IA como suporte, e não como substituto da criatividade humana. A capacidade de adaptação rápida será determinante num ambiente cada vez mais volátil. 

 

5. Sustentabilidade e ética como critérios de escolha

Os consumidores estão mais atentos ao impacto ambiental e social das marcas, valorizando transparência, práticas responsáveis e autenticidade. A tendência não é apenas reputacional – influencia a decisão de compra e a relação a longo prazo entre marca e consumidor. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading Brands

IA para procurar emprego já não é tabu e 80% dos empregadores portugueses aceitam

15 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

De acordo com o novo estudo da Experis, Global Insights Whitepaper: Construir e sustentar uma carreira significativa na era da IA, a aquisição de talento é uma das áreas em que a adoção de tecnologias baseadas em IA está mais avançada, refletindo uma integração prática crescente nos processos de contratação. Mais de metade dos empregadores a nível global (53%) já utiliza ferramentas de IA na contratação e integração de colaboradores. Em Portugal, a adoção é ligeiramente inferior, atingindo 40%, com 25% dos empregadores a prever implementar estas soluções nos próximos 12 meses.

Apesar da crescente aceitação do uso de IA nos processos de recrutamento, a tecnologia ainda apresenta diferentes níveis de maturidade nas organizações. Neste contexto, os empregadores valorizam cada vez mais candidatos capazes de utilizar a IA de forma informada, responsável e alinhada com a realidade e os objetivos da empresa.

«A IA está a consolidar-se como uma ferramenta relevante tanto para empregadores como para candidatos, particularmente nos processos de recrutamento e onboarding. Os dados mostram que o uso de IA pelos candidatos já não é visto como uma infração ao processo de recrutamento, mas sim como um reflexo da evolução do mundo do trabalho. O verdadeiro fator diferenciador deixou de ser o acesso a esta tecnologia e passou a ser a forma como é utilizada. Os candidatos mais valorizados são aqueles que sabem aplicar a IA com critério, transparência e alinhamento com o grau de maturidade digital das empresas», explica Nuno Ferro, Brand Leader da Experis.

 

Empregadores portugueses mostram forte aceitação do uso de IA pelos candidatos

O recurso à IA estende-se, contudo, além das organizações, sendo cada vez mais adotado pelos candidatos. Cerca de 80% dos empregadores nacionais consideram aceitável que os candidatos recorram à IA para procurar emprego.

Neste processo, 35% aceitam que a IA seja usada pelos candidatos para explorar potenciais empresas e oportunidades, 31% para preparar entrevistas, 29% para obter informação sobre a empresa e 28% para otimizar o currículo ou a carta de recomendação. A nível global, a aceitação é ainda maior, rondando os 85%.

 

Setores mais recetivos à utilização de IA pelos candidatos

A abertura ao uso de IA por parte dos candidatos varia entre setores. Em Portugal, as áreas de Tecnologias da Informação, Energia e Serviços Públicos, bem como Transportes, Logística e Automóvel, destacam-se como as mais recetivas à utilização destas ferramentas durante o processo de recrutamento. O estudo identifica ainda uma relação direta entre o nível de maturidade digital das organizações e a sua abertura ao uso de IA: empresas menos propensas a adotar IA internamente tendem a ser também menos recetivas à sua utilização por parte dos candidatos.

A IA surge, assim, como uma ferramenta de apoio ao recrutamento, potenciando a eficiência dos processos, mas mantendo a importância do fator humano – com o julgamento, a ética e a capacidade de comunicação – como elemento central na tomada de decisão.

Arquivado em:Gestão de Pessoas, Notícias

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