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Leonor Wicke

Jovens exigem mais dos políticos – só estar nas redes sociais já não mobiliza

12 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

A simples presença dos partidos e candidatos nas redes sociais já não é suficiente para mobilizar os jovens eleitores, revela um estudo realizado pelo IPAM Porto junto do público jovem. A qualidade da comunicação política digital, como a clareza e a transparência das mensagens, é hoje mais determinante para o envolvimento cívico do que a frequência ou a visibilidade online.

Com dados recolhidos em 2024 e replicados em 2025, em períodos próximos de atos eleitorais, o estudo mostra que 67,2% dos jovens consideram a informação política digital essencial para o seu envolvimento cívico. No entanto, apenas 27,6% afirmam confiar na informação política que circula nas plataformas digitais, evidenciando um fosso crescente entre exposição e credibilidade.

 

Desinformação, clareza e transparência: o que os jovens exigem da comunicação política

A perceção de desinformação é generalizada: 58,5% dos jovens reconhecem que as plataformas digitais contribuem para a disseminação de conteúdo pouco credível. Ainda assim, esta consciência não afasta os jovens da política.

Pelo contrário, a análise do IPAM conclui que os jovens demonstram uma maturidade crítica crescente, distinguindo cada vez mais entre estar exposto à comunicação política e sentir-se verdadeiramente envolvido.

 

Jovens querem programas claros e comunicação credível – não apenas presença digital

Outro dado relevante do estudo prende-se com a clareza da comunicação dos programas eleitorais. Apenas 35 % dos jovens consideram que os partidos comunicam os seus programas de forma clara. Contudo, entre este grupo, observa-se um aumento significativo da confiança na informação política, o que vem reforçar a ideia de que mensagens bem estruturadas têm impacto direto no envolvimento cívico.

A transparência surge como outro fator decisivo. Mais de metade dos jovens (51,1%) concorda que a comunicação política digital aumenta a transparência, e esta perceção está fortemente associada a níveis mais elevados de participação e interesse político, tanto em 2024, como em 2025, indicando uma tendência consistente ao longo do tempo.

Apesar do olhar crítico sobre a comunicação digital, os dados indicam uma forte predisposição para a participação eleitoral: 88,9% dos jovens inquiridos afirmam ter votado nas últimas eleições legislativas. Para os autores do estudo, este resultado demonstra a ideia de apatia juvenil.

«Num contexto de aproximação das eleições presidenciais, o principal risco para candidatos e partidos não é a ausência nas redes sociais, mas uma presença pouco esclarecedora. Estratégias centradas apenas no volume de conteúdos ou na multiplicação de plataformas tendem a ter efeitos limitados junto de um eleitorado jovem atento, informado e exigente. Para mobilizar este segmento, não basta estar online: é decisivo comunicar com clareza, consistência e transparência», afirma Catarina Domingos, Professora do IPAM e uma das autoras do estudo.

Arquivado em:Notícias, Política

Empreendedores portugueses são reconhecidos pela Comissão Europeia

12 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Ana Martins (MELLA Supply), Daniela Hernández (Equivalence), Inês Freire de Andrade (No Bully Portugal) e Tiago Fortuna (Access Lab) são os portugueses com projetos incubados na Casa do Impacto que integram a lista mais recente de Líderes Comunitários selecionados pela Representação da Comissão Europeia em Portugal. Trata-se de uma iniciativa de carácter internacional que agrega participantes de diversos países europeus, visando aproximar as realidades locais das decisões estratégicas europeias e promover a sua participação em comunicações e visitas institucionais a Bruxelas.

Os líderes escolhidos desenvolvem projetos com impacto direto nas áreas da inclusão e integração social, mobilização comunitária, apoio a populações mais vulneráveis e promoção do empreendedorismo, do emprego e da capacitação, prioridades centrais da agenda europeia.

«O valor da iniciativa esteve na diversidade do grupo e na ligação direta com a Comissão Europeia. Estes espaços de diálogo aproximam as realidades locais das decisões estratégicas e são essenciais para contribuir para políticas públicas desenhadas com representatividade e maior impacto real», afirma Daniela Hernández, fundadora e diretora de impacto da Equivalence.

«Estar na Comissão Europeia com líderes e ativistas de diferentes comunidades reforçou a minha crença em que a mudança nasce da união. Mesmo perante forças que tentam dividir, saímos mais fortes, conectados e comprometidos em construir uma Europa, e um mundo, mais justo para todas as pessoas», destaca Inês Freire de Andrade, presidente da No Bully Portugal.

 

Os quatro empreendedores selecionados representam diferentes respostas a desafios sociais que estão no centro das políticas europeias:

A MELLA Supply, fundada por Ana Martins, está a criar uma plataforma orientada por dados e centrada nas pessoas para dar visibilidade a negócios de pessoas negras e da diáspora em Portugal, um segmento que representa milhões de pessoas em atividade económica, mas permanece largamente invisível no ecossistema empreendedor. Com mais de 50 negócios verificados em nove cidades, a MELLA Supply transforma empresas invisíveis em oportunidades investíveis, promovendo a inclusão económica e a diversidade no mercado.

A Equivalence, liderada por Daniela Hernández, desenvolve tecnologia avançada, incluindo inteligência artificial, ética e blockchain, para apoiar migrantes e talento internacional nos seus processos de integração. Através do Equivalent Profile, a plataforma traduz experiências profissionais e de vida para novos contextos nacionais, facilitando o acesso ao emprego e promovendo uma integração mais justa e eficaz.

A No Bully Portugal, presidida por Inês Freire de Andrade, trabalha desde 2016 na prevenção e combate ao bullying e cyberbullying, ao fomentar a empatia e a inclusão em escolas e comunidades. Ao longo de nove anos, a associação já impactou mais de 15 mil participantes e 64 instituições, sendo hoje uma referência nacional na promoção de ambientes educativos mais seguros e inclusivos.

A Access Lab, cofundada e coliderada por Tiago Fortuna, é uma startup de impacto social dedicada a garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência, neuro divergentes e surdas, à cultura, à educação, ao desporto e ao mundo empresarial. Desde 2022, já realizou mais de 650 eventos acessíveis, formou 7500 profissionais e impactou diretamente mais de 8 mil pessoas, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e alinhada com os direitos fundamentais promovidos pela União Europeia.

«Consideramos que os objetivos foram amplamente superados, com o grupo a conhecer representantes da Comissão Europeia, a partilhar experiências, a inspirar-se mutuamente e a abrir portas para projetos futuros. A diversidade do grupo, com realidades e abordagens tão distintas mas alinhadas no empoderamento e no impacto comunitário, trouxe um enriquecimento único aos nossos empreendedores. A Casa do Impacto posiciona-se como referência na identificação e apoio a projetos com propósito claro e potencial de impacto real, através de um processo seletivo exigente. Sentimo-nos orgulhosamente representados pela qualidade destes quatro empreendedores e continuaremos a promover a construção de comunidades fortes em torno destes valores, dentro e fora da nossa incubadora», sublinha Nuno Comando, Diretor da Casa do Impacto.

Arquivado em:Liderança, Notícias

A volatilidade geopolítica e a fragilidade digital do Ocidente

12 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

A realidade mostra-nos que a infraestrutura digital é cada vez mais um campo de disputa entre Estados: datacenters, cabos submarinos, satélites e plataformas cloud são ativos estratégicos, sujeitos a pressões diplomáticas, restrições legais súbitas e, em alguns casos, a sabotagem e ciberataques. A geopolítica não entra nos sistemas pela porta da frente, infiltra-se através de dependências invisíveis.

Um exemplo evidente é o caso recente da operação militar dos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Um dos elementos mais notórios é a admissão de que capacidades cyber foram usadas para desligar ou interferir no sistema de energia e de comunicações em Caracas, facilitando assim a inserção das forças e confundir as defesas locais.

Isto confirma que operações cyber já estão a ser integradas em operações geopolíticas de alto impacto, incluindo ações com efeitos físicos no terreno. Não se trata apenas de ataques informáticos isolados ou de espionagem, mas antes de ciber operações coordenadas com meios militares convencionais para atingir objetivos estratégicos.

Assim, a escalada de conflitos híbridos, tensões entre blocos económicos e disputas estratégicas refletem-se hoje em ciber operações persistentes: espionagem, sabotagem, campanhas de desinformação e ataques a infraestruturas críticas deixam de ser exceções para se tornarem instrumentos normalizados de pressão política. Em consequência, organizações civis e empresas privadas passam a ocupar um papel desconfortável: não são alvos estratégicos por si mesmos, mas tornam-se antes, danos colaterais previsíveis. Em contextos de tensão geopolítica, a distinção entre ator estatal, grupo criminoso e proxy patrocinado por um Estado torna-se deliberadamente ambígua, sendo essa mesma ambiguidade uma arma poderosa.

Esta realidade expõe uma fragilidade fundamental das operações no ciberespaço: a dependência de cadeias globais. Software desenvolvido num país, mantido noutro, alojado num terceiro e operado a partir de um quarto país, deixa de ser apenas uma escolha económica passando a ser uma decisão com implicações geopolíticas. Em cenários de sanções, conflitos ou ruturas diplomáticas, estas cadeias podem quebrar-se de forma abrupta, deixando organizações expostas. Assim, a questão já não é apenas se, uma organização está protegida contra ciberataques, mas se, estará preparada para operar em ambientes de confiança degradada, onde parceiros de ontem podem tornar-se os riscos de amanhã.

Este contexto deveria servir de alerta inequívoco para a Europa investir seriamente em capacidades de ciberdefesa, não apenas em tecnologia, mas muito mais em talento, know-how, inteligência partilhada e capacidade operacional real. Sem isso, a dependência de terceiros e a fragmentação entre Estados-Membros continuarão a transformar o espaço digital europeu num terreno vulnerável, onde a dissuasão é fraca e a resposta é lenta.

Em 2026, operar no ciberespaço implica escolher dependências, alianças tecnológicas e, implicitamente, posicionamentos geopolíticos. Ignorar esta realidade não reduz o risco, apenas o desloca para zonas menos visíveis e mais difíceis de controlar.

Num mundo marcado por instabilidade e rivalidades crescentes, as operações no ciberespaço precisam de abandonar a ilusão de isolamento técnico. A cibersegurança deixou de ser somente uma questão de firewalls, antivírus e resposta a incidentes. É, cada vez mais, uma questão de leitura geopolítica, de estratégia e de coragem para reconhecer que o risco digital é, hoje, uma extensão direta do risco global.

Arquivado em:Opinião

Presidenciais 2026: 11 candidatos, 11 frases sobre a liderança de cada um

9 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Este é o terceiro e último sufrágio dos últimos doze meses, atípicos por já terem acontecido eleições legislativas e autárquicas. As presidenciais trazem mais um recorde: nunca se viu tantos candidatos apoiados por partidos ou um independente entre os favoritos sem qualquer experiência política.

A Líder reuniu algumas frases marcantes de cada um dos onze candidatos à presidência, que resumem o tipo de liderança que prometem dar ao país.

 

«É preciso ter coragem de enfrentar os privilégios de uma minoria» – André Pestana

O sindicalista e porta-voz do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação estreia-se na corrida presidencial depois de ser «desafiado por dezenas de pessoas» a avançar com uma candidatura independente.

Numa entrevista à RTP, o candidato garante ser o único empenhado em «acabar com os subsídios milionários, de milhões, aos partidos políticos». Em debate na Antena 1, o candidato sublinhou ainda que quer «representar uma esquerda claramente diferente, mais democrática», posicionando-se contra aquilo que considera privilégios instalados no sistema político.

 

«Sou o Presidente que quer dar um murro na mesa» – André Ventura

O líder do Chega volta a entrar na corrida a Belém depois do terceiro lugar nas Presidenciais de 2021, apresentando-se como um candidato antissistema e não apenas «uma jarra de enfeitar», no frente-a-frente televisivo com António José Seguro. Ventura foi mais longe ao dizer que não pretende ser «o presidente de todos os portugueses», mas sim dos «portugueses de bem.»

Toda a sua campanha presidencial ficou marcada por polémicas, culminando na decisão do Tribunal Cível de Lisboa que obrigou à retirada de cartazes com a mensagem ‘Os ciganos têm de cumprir a lei’, considerados discriminatórios e incitadores de ódio. O candidato classificou o processo como um «ataque à liberdade de expressão», mas alterou os cartazes para ‘As minorias do costume têm de cumprir a lei’.

 

«A Constituição não precisa de ser revista, mas tem de ser cumprida» – António Filipe

Jurista e antigo deputado do PCP, António Filipe apresenta-se como um candidato «pela mudança» e pela concretização dos direitos fundamentais previstos na Constituição, defendendo que o foco da Presidência deve estar na efetivação de direitos como a habitação, a saúde e a educação. Ao formalizar a candidatura no Tribunal Constitucional, sublinhou que pretende «agregar as vontades» de quem se identifica com os valores da Constituição e do 25 de Abril, insistindo que o país precisa menos de revisões e mais de cumprimento.

No frente-a-frente com André Ventura, recusou um discurso centrado no endurecimento policial e criticou a ideia de um Presidente atribuir «poderes excecionais à polícia», afirmando que isso só existiria «numa república das bananas». No mesmo debate, reforçou a defesa dos trabalhadores e da legislação laboral, assumindo a candidatura como uma alternativa à escalada securitária e à normalização do discurso de exceção, num momento em que considera a democracia sob pressão.

 

«As eleições presidenciais não são de partidos, são de pessoas» – António José Seguro

Numa arruada por Alvalade, o candidato afirmou à comunicação social que, apesar do historial socialista, se separa dessa gaveta, por separar as presidenciais de partidos. «As divergências partidárias são importantes em momentos de eleição, mas depois devem convergir para resolver os problemas dos portugueses», explicou.

Seguro garante estar longe dos «joguinhos de poder» e apresenta-se como um Presidente agregador, com «seriedade, independência e ação», prometendo colocar a ética e a confiança nas instituições no centro do mandato. «Quando o Estado e os governantes se esquecem da vida das pessoas, é natural que surja a ilusão do populismo e radicalismo», alertou, defendendo que combater a desilusão democrática exige proximidade, compromisso e reformas com impacto na vida quotidiana.

 

«Ouvimos atacar os imigrantes porque não se quer debater a economia que temos» – Catarina Martins

Antiga coordenadora do Bloco de Esquerda e atual eurodeputada, Catarina Martins entra na corrida a Belém como a candidata que procura dar voz a uma presidência de esquerda, centrada na defesa do Estado social, na igualdade e na democracia. No debate geral com os onze candidatos, tocou no tema da imigração, acrescentando que o problema do país «não é onde cada pessoa nasceu, mas sim os salários baixos.»

Nos debates, tem defendido que a prioridade deve ser garantir serviços públicos robustos, contestando o alargamento do papel dos privados na saúde e na educação e alertando que a transferência de recursos públicos para esse modelo «sai cara» ao país. No frente-a-frente com João Cotrim de Figueiredo, contrapôs que o essencial é assegurar que o Estado cumpre o seu papel de garantia universal.

 

«Podem confiar em mim para ser um Presidente que exige rigor, transparência e responsabilização» – Henrique Gouveia e Melo

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada entra na corrida a Belém com a promessa de ser um Presidente independente e agregador, afirmando querer trazer «união» num país marcado pela polarização. No arranque oficial da campanha, garantiu que, «em momentos em que a opacidade toma conta de muitos discursos, traz clareza e transparência«, defendendo que a Presidência deve funcionar como garante de confiança num tempo de incerteza.

Durante a campanha, prometeu também trazer «rigor, transparência e responsabilização». Caso seja eleito, o Almirante promete exercer «magistratura de influência, numa pressão constante ao longo do tempo, com consistência, com persistência e com verdadeira vontade de mudança.»

 

«O maior problema do povo português é a habitação» – Humberto Correia

Candidato independente, Humberto Correia apresenta-se como alguém que vem «da pobreza» e conhece «o sofrimento do povo português», assumindo que a sua candidatura nasce da experiência pessoal de emigração e trabalho em França. Em entrevista à RTP, afirma que o seu foco é dar voz a quem sente que ficou para trás e aponta a habitação como prioridade absoluta: descreve o problema como um «desastre» que o preocupa «dia e noite», defendendo que a Presidência deve usar toda a sua influência para colocar o tema no centro das decisões políticas.

A sua candidatura procura afirmar-se, assim, como uma campanha centrada em problemas concretos e numa agenda social, mais do que em polémicas ou disputas partidárias.

 

«Um país de pessoas paradas é um país parado» – João Cotrim de Figueiredo

O antigo líder da Iniciativa Liberal apresenta-se como o candidato da modernização e da ambição, defendendo um país «preparado para o futuro» e centrado no «conhecimento, cultura e crescimento». Na apresentação oficial da sua candidatura, Cotrim de Figueiredo afirmou querer uma Presidência que empurre Portugal para a frente e que não se limite à gestão do dia-a-dia, insistindo na necessidade de reformas estruturais e numa economia mais competitiva. «Um país de pessoas paradas é um país parado», disse, nas redes sociais, associando estagnação económica ao sedentarismo, também característico em Portugal.

Em entrevistas e declarações públicas, tem assumido uma visão de liderança mais interventiva em matéria de justiça e responsabilidade política, defendendo que, perante suspeitas graves, o Presidente deve usar os seus poderes e influência: «se houver indícios suficientemente fortes… tenho o poder direto de destituir o Primeiro-Ministro», afirmou no podcast Política com Assinatura.

 

«Os portugueses estão fartos de ter de escolher entre o menos mau» – Jorge Pinto

Deputado e candidato do Livre, Jorge Pinto entra na corrida a Belém como a voz de uma esquerda que quer ser alternativa, reivindicando uma Presidência «presente» e comprometida com justiça social, sustentabilidade e transparência. Critica a lógica do ‘voto útil’, mas diz compreender a pressão, sublinhando que «os portugueses estão fartos de ter de escolher entre o menos mau». A mensagem é clara: exigir mais da liderança política e recusar a resignação como horizonte eleitoral.

Em entrevista à RTP, admitiu estar disponível para desistir caso isso evitasse uma vitória da direita que abrisse caminho a uma revisão constitucional, desde que exista reciprocidade entre candidaturas à esquerda. Assume-se «com muito orgulho de ser de esquerda» e defende que uma Presidência deve proteger direitos sociais, reforçar a democracia e combater desigualdades, com a habitação e o clima no centro do debate.

 

«Só desisto se for eleito» – Manuel João Vieira

A candidatura do fundador da banda Ena Pá 2000 e dos Irmãos Catita gerou celeuma desde o início. A linha entre a sátira e a seriedade é ténue, passando por promessas – algumas novas, outras repetidas de candidaturas anteriores – de vinho canalizado em todas as casas, fontes de bagaço nas ruas e um Ferrari para cada português.

Já não é a primeira vez que o tenta entrar na corrida a Belém, mas apenas desta vez reuniu as assinaturas necessárias para oficializar o nome no boletim de voto. Numa entrevista à RTP Notícias, afirmou que a recolha foi resultado de um «esforço realizado por uma equipa» e voltou a assumir o estilo irreverente que tem marcado a sua presença pública: desafiou os restantes candidatos a «dar um pé de dança» na noite de Passagem de Ano e prometeu levar a Belém uma agenda cultural com «fado nacional» e «leitão».

 

«Se vencer, sou eu quem vai para Belém e não o PSD» – Luís Marques Mendes

Antigo líder do PSD e comentador político, Luís Marques Mendes apresenta-se como o candidato da experiência e do conhecimento institucional, defendendo que o cargo de Presidente exige traquejo político, capacidade de mediação e leitura estratégica do Estado. o oficializar a candidatura, fez questão de sublinhar a sua independência: «Se vencer, sou eu quem vai para Belém e não o PSD», afirmou, procurando afastar a ideia de uma candidatura partidária e reforçando que será um Presidente de todos, com liberdade para agir.

No frente-a-frente com António Filipe, as divergências foram profundas, sobretudo sobre o papel do Estado e a leitura da Constituição, mas Marques Mendes procurou reforçar o seu posicionamento: um Presidente com experiência deve garantir estabilidade e evitar aventuras políticas em tempos de incerteza. A candidatura aposta, assim, num perfil institucional, que reivindica maturidade democrática e capacidade de conter crises antes de se tornarem rupturas.

Arquivado em:Notícias, Política

Zero UI: Por que razão a melhor interface pode ser a ausência de interface

9 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

Ao longo de décadas, a nossa relação com a tecnologia foi mediada por ecrãs, cliques e menus. Mesmo as aplicações mais avançadas exigiam que soubéssemos onde clicar e como navegar. Mas este cenário está a mudar rapidamente.

No novo mundo que se anuncia, as interfaces diluem-se e a tecnologia, apesar de dominar tudo como nunca, passa a ser quase invisível. 

O primeiro passo desta evolução foi assinalado com a chegada dos prompts de texto. Graças à inteligência artificial já não precisamos de comandos rígidos. Podemos escrever ou dizer o que pretendemos fazer em linguagem natural, como por exemplo: “Cria um resumo desta reunião”, ou “Gera um relatório de vendas”. Desta forma, as tarefas passam a ser mais simples e os utilizadores ganham liberdade.  

Num segundo momento, surgiram as interfaces conversacionais dominadas pelo diálogo. Graças a elas, em vez de abrirmos uma aplicação para marcar uma reunião, basta dizermos: “Marca uma reunião com a equipa amanhã às 10:00 no Teams.” O sistema interpreta o nosso pedido/ordem, confirma e responde: “Reunião agendada para amanhã às 10:00 no Teams. Queres adicionar uma agenda?” Este modelo já está presente em assistentes virtuais e nas soluções empresariais que automatizam processos sem recurso a menus complexos, tornando as experiências dos utilizadores mais próximas de uma conversa real. 

O passo seguinte é um conceito ainda mais sofisticado, onde não há interface visível e a tecnologia atua de forma proativa, antecipando as necessidades: o Zero UI. Este conceito leva-nos para novos patamares. Imaginemos que entramos num carro e ele ajusta automaticamente a temperatura e sugere pontos de carregamento; ou um sistema bancário que identifica que o utilizador vai viajar e propõe automática e proactivamente ativar o cartão para uso internacional sem ser sequer preciso dar qualquer ordem. Um conceito também presente no retalho, quando entramos numa loja e uma aplicação invisível reconhece o nosso histórico de compras e sugere produtos relevantes sem necessidade de abrirmos menus ou apps. 

Num mundo onde os consumidores cada vez mais querem simplicidade e rapidez, esta é uma mudança crucial e que impacta também as empresas ao aumentar os níveis de satisfação e fidelização. Convém, contudo, percebermos que este não é ainda um percurso inteiramente linear, já que existem desafios a superar para que esta transformação seja segura e inclusiva, sobretudo no que diz respeito a garantir a privacidade, a confiança e a acessibilidade.  

Em suma, o caminho para a Zero UI não é apenas uma questão tecnológica; é, sobretudo, uma transformação cultural. E para se alinharem com ela, as empresas terão de repensar o design, deixando de se focar numa abordagem  de “como o utilizador navega” para passarem a adotar um novo modelo focado em “como antecipamos o que o utilizador realmente precisa?”. À medida que a IA se torna parte natural do nosso quotidiano, torna-se cada vez mais evidente que, por vezes, a melhor interface pode ser aquela que deixa de existir. 

 

Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

Afonso Nascimento nomeado como novo CEO do Grupo Finsolutia

8 Janeiro, 2026 by Leonor Wicke

O Grupo Finsolutia nomeou Afonso Nascimento como novo Chief Executive Officer (CEO) do Grupo, com efeitos a partir de um de janeiro de 2026.

Afonso Nascimento integra o Grupo Finsolutia, trazendo uma vasta experiência, liderança estratégica comprovada e uma visão inovadora, que serão determinantes para impulsionar a próxima fase de crescimento da empresa. O novo CEO irá trabalhar a partir da sede do Grupo, em Madrid.

«É uma honra e um privilégio juntar-me à Finsolutia, uma empresa que tem demonstrado um crescimento excecional e um compromisso claro com a inovação e a excelência tecnológica. Estou entusiasmado por trabalhar com a nossa equipa talentosa para continuar a reforçar a nossa posição no mercado europeu, desenvolvendo novas soluções que gerem valor para os nossos clientes e enfrentando os desafios futuros com uma estratégia clara e ambiciosa», afirma Afonso Nascimento, novo CEO do Grupo Finsolutia.

Com a nomeação do novo CEO, Nuno ES Silva, fundador da Finsolutia, assumirá funções como administrador não executivo da empresa, afirmando que «enquanto fundador, o compromisso com a visão estratégica da Finsolutia é absoluto».

«Tenho total confiança no Afonso Nascimento, enquanto novo CEO, para liderar esta etapa entusiasmante. O meu papel será de parceiro estratégico, apoiando ativamente a sua liderança e colaborando de forma estreita com toda a equipa de gestão na transição para esta nova etapa. A nossa empresa vive um momento transformador, no qual não só estamos a consolidar a nossa liderança, como também estamos a redefinir o futuro do nosso setor, através da inovação constante», acrescenta.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

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