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Marcelo Teixeira

Banksy desmascarado? O mito que valia milhões

18 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Desde os anos 90, em cidades como Bristol e depois globalmente, Banksy construiu uma linguagem visual imediata, politizada e profundamente irónica. O anonimato serviu como proteção legal e também ajudou a fundar uma ferramenta narrativa. Ao retirar o rosto, ampliou a mensagem. Ao evitar o mercado tradicional, acabou por dominá-lo.

A eventual identificação, uma investigação conduzida pela Reuters que revela «sem qualquer dúvida» quem é o artista.  A agência de notícias garante que Robin Gunningham, agora David Jobes, é a pessoa por trás do pseudónimo. Assim, o atual momento levanta uma questão essencial: será que a obra perde força quando ganha autor? Ou, pelo contrário, reforça-se enquanto documento histórico de um tempo e de um indivíduo?

O paradoxo económico: anti-sistema que gera milhões

O paradoxo económico de Banksy não é um efeito colateral da sua obra, mas parte integrante dela. Ao contrário de muitos artistas que acabam capturados pelo sistema que criticam, Banksy parece antecipar essa captura e incorporá-la no próprio gesto criativo. A crítica ao capitalismo não acontece à margem do mercado; acontece no seu epicentro, usando os mesmos mecanismos que pretende expor.

Há uma tensão constante entre intenção e consequência. As obras denunciam a mercantilização da arte, mas tornam-se, elas próprias, objetos de especulação extrema. Cada intervenção urbana, muitas vezes concebida como efémera e acessível, acaba por ser removida, protegida, vendida, leiloada. O que nasce como expressão pública transforma-se em ativo privado. Este fenómeno tem sido amplamente analisado na literatura académica sobre economia da arte, nomeadamente no enquadramento da «artificação» e da absorção institucional da dissidência cultural, como discutido por autores como Nathalie Heinich.

Instituições, mercado e inversão de poder

A relação com instituições segue a mesma lógica. Durante anos, o artista posicionou-se fora dos circuitos tradicionais de legitimação — museus, galerias, academias. Mas essa recusa não o afastou do centro, pelo contrário, acabou por reconfigurá-lo. Casas de leilão como a Sotheby’s ou a Christie’s passaram a orbitar em torno de um artista que nunca se institucionalizou verdadeiramente.

Este movimento pode ser lido à luz das teorias de campo cultural de Pierre Bourdieu, que descrevem a arte como um espaço de disputa simbólica onde agentes marginais podem, em determinadas condições, reconfigurar as hierarquias existentes. Banksy reposiciona-se dentro dele, deslocando o eixo de legitimidade.

O anonimato como marca global

O anonimato, longe de limitar a sua projeção, amplificou-a. Banksy tornou-se uma marca global sem nunca ter revelado um rosto, um caso quase único na cultura contemporânea. Num tempo dominado pela exposição constante, a ausência transformou-se em valor.

Este fenómeno encontra eco em estudos sobre branding cultural e economia simbólica, como os desenvolvidos em economia cultural, onde se explora a forma como o valor reside no objeto artístico e na narrativa que o envolve. Banksy construiu uma narrativa baseada na ausência e essa ausência tornou-se um ativo.

Impacto económico, político e cultural

A influência do seu trabalho estende-se muito para além da arte urbana. No mercado, foi determinante para legitimar uma prática que durante décadas foi vista como marginal. Na economia urbana, as suas obras transformam cidades em destinos, criando fluxos turísticos e novas formas de valorização do espaço público.

Este impacto tem sido analisado em estudos sobre turismo cultural e regeneração urbana, que mostram como a arte de rua pode funcionar como catalisador económico e simbólico — um tema recorrente em investigações publicadas em revistas como Urban Studies ou City, Culture and Society.

Mas é no plano político que a sua força se torna mais difusa. As imagens circulam, são apropriadas, reutilizadas. Da Palestina aos Estados Unidos, tornam-se linguagem visual de protesto. Aqui, Banksy aproxima-se daquilo que Jacques Rancière descreve como a «partilha do sensível» — a capacidade da arte de reorganizar aquilo que pode ser visto, dito e pensado no espaço público.

As obras que definiram uma era

Girl with Balloon (2002)

Uma das imagens mais reconhecíveis do século XXI.

Uma menina estende a mão para um balão em forma de coração que se afasta — ou escapa. A simplicidade é brutal. A leitura, múltipla: perda, esperança, inocência. Em 2018, durante um leilão da Sotheby’s, a obra auto-destruiu-se parcialmente após ser vendida, transformando-se em Love is in the Bin. O gesto foi uma crítica direta ao mercado de arte e, ironicamente, aumentou o valor da peça.

A obra valorizou-se exponencialmente após o «ataque». Banksy provou que podia manipular o mercado que criticava.

Flower Thrower (2003)

Também conhecida como «Love is in the Air». Um manifestante encapuzado prepara-se para lançar… flores. A imagem subverte o imaginário da violência urbana. A mensagem para pela resistência sem ódio, protesto com poesia e tornou-se símbolo global de movimentos pacíficos, replicada em protestos da Palestina.

There Is Always Hope (variação de Girl with Balloon)

A frase acrescentada transforma a imagem numa declaração política, de persistência em tempos de crise e muito usada em contextos de refugiados e guerra. Banksy posiciona-se como uma espécie de cronista moral do seu tempo.

Intervenções no muro da Cisjordânia (2005)

Em West Bank, Banksy pintou ilusões de abertura: janelas para praias paradisíacas, crianças a brincar do outro lado do muro. É uma denúncia direta da segregação e da ocupação. Estas obras transformaram-se em pontos de peregrinação, atraindo turismo e atenção mediática para uma zona de conflito.

 

Dismaland (2015)

Uma instalação artística em Weston-super-Mare, descrita como um ‘parque temático anti-disney’. Crítica ao consumismo, à indústria do entretenimento e à apatia social. Gerou milhões para a economia local, apesar do tom anti-sistema. Um paradoxo clássico de Banksy.

Devolved Parliament (2009)

Um parlamento britânico ocupado por chimpanzés. Uma sátira política direta ao sistema democrático. Vendida por valores recorde, reforçando a sua posição no mercado que critica.

 

E agora, com um nome? Precisamos mesmo de saber?

Se a identidade for definitivamente confirmada, o impacto dificilmente será artístico no sentido tradicional. As obras já existem, já foram absorvidas, reinterpretadas, valorizadas. O que muda é o enquadramento.

Banksy sempre funcionou como uma liderança difusa , não uma figura central, mas uma presença dispersa. Um nome introduz limites: uma biografia, um contexto, contradições inevitáveis. Humaniza-o, mas também o fixa.

No fim, a questão permanece em aberto. Não tanto «quem é Banksy?», mas se essa resposta altera verdadeiramente o significado da obra.

Porque, como sugerem várias correntes da sociologia da arte, o valor artístico não reside apenas na intenção do autor, mas na forma como a obra circula, é apropriada e ganha novos sentidos. E nesse processo, Banksy já deixou de ser apenas um indivíduo. É um fenómeno e esses não precisam de rosto para continuar a existir.

Arquivado em:Internacional, Notícias

People Engagement Summit: empresas só retêm talento se forem mais humanas

18 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

O mais recente People Engagement Survey, desenvolvido pela Cegoc em parceria com o ISCTE Executive Education, confirma essa viragem: o envolvimento dos colaboradores depende hoje menos de fatores tradicionais e cada vez mais da qualidade da experiência humana dentro das organizações.

Num momento em que a retenção de talento se tornou uma das principais batalhas das empresas, o estudo deixa um sinal claro — quem não investir em bem-estar, cultura e liderança arrisca perder pessoas.

 

O engagement já não se compra, constrói-se

Durante anos, salário e progressão eram suficientes para garantir estabilidade. Hoje, deixaram de ser. As políticas de bem-estar surgem como o principal fator de envolvimento, seguidas pela compatibilidade entre os valores dos colaboradores e os da organização.  Quando esse alinhamento falha, o impacto é imediato. A perceção de falta de dignidade ou de humanização nas relações de trabalho traduz-se em menor envolvimento e maior intenção de saída.

E há um efeito adicional: estes fatores não influenciam apenas a permanência, mas também o esforço. Colaboradores que se sentem alinhados e valorizados estão mais disponíveis para ir além do mínimo exigido. É a identidade da empresa e da pessoa que está em causa.

 

Isolamento: o problema invisível dentro das empresas

Há outro fenómeno a ganhar peso, menos visível, mas com consequências diretas: o isolamento social. O estudo mostra uma relação clara entre isolamento e desinvestimento no trabalho. Quanto maior a sensação de afastamento, maior a tendência para a negligência.

É aqui que o bem-estar psicológico deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser uma ferramenta de gestão. Organizações que investem em liderança positiva, coesão de equipa e apoio emocional conseguem reduzir esse risco e reforçar o vínculo com os colaboradores. um fator estrutural.

Inteligência artificial pode aproximar  ou afastar

A tecnologia, e em particular a inteligência artificial, surge como um dos pontos de maior tensão. Quando os colaboradores desenvolvem competências digitais, o efeito é positivo: maior envolvimento, maior abertura à mudança, maior confiança no futuro.

Mas o reverso também existe. Quando a tecnologia é percecionada como uma ameaça — ao emprego, à relevância ou à estabilidade — cresce a intenção de saída e diminui o compromisso.

O que faz a diferença não é a tecnologia em si, mas a forma como é introduzida. Liderança, comunicação e formação tornam-se determinantes para evitar que a transformação digital se transforme num fator de rutura.

Trabalho híbrido não é o problema, mas o modelo

Num debate muitas vezes simplificado, os dados mostram uma realidade mais complexa. Os níveis de isolamento são mais elevados entre trabalhadores exclusivamente presenciais do que entre aqueles em regime híbrido. E quem trabalha mais à distância reporta maior bem-estar e maior envolvimento.

A conclusão é desconfortável para muitas organizações, pois o que fragiliza a relação é a falta de qualidade na experiência de trabalho. Quando o escritório não oferece mais do que aquilo que já existe em casa, perde relevância. Ganha valor quando promove interação, colaboração e sentido de pertença.

Diferenças entre setores expõem fragilidades

O estudo identifica também disparidades relevantes. Na hotelaria e turismo, o envolvimento está abaixo da média e a intenção de saída é significativamente mais elevada — um reflexo de condições exigentes e elevada rotatividade.

Já entre setor público e privado, as diferenças são menos marcadas do que seria expectável. Os níveis de satisfação e vinculação são semelhantes, sugerindo que o fator crítico não é o setor, mas a forma como as pessoas são geridas.

O que emerge deste retrato é uma mudança de paradigma. O envolvimento deixou de depender apenas de incentivos e passou a assentar em fatores mais profundos: relações, cultura, sentido e bem-estar.

Num mercado onde o talento é escasso e cada vez mais exigente, as organizações enfrentam uma escolha clara: adaptar-se ou perder pessoas.

Zurich, CA Seguros e AMCO destacam-se no engagement

No People Engagement Summit 2026, que acompanhou a divulgação do estudo, foram também distinguidas as organizações com melhores níveis de envolvimento.

Entre as grandes empresas, a liderança foi assumida pela Zurich Portugal, seguida da InnoWave e da Bondalti.

Nas médias empresas, o primeiro lugar coube à CA Seguros, com a Samsys e a Codewin a completarem o pódio.

Já entre as pequenas, a AMCO Intermediários de Crédito lidera, seguida da Standout Technologies e da B-Training Consulting.

Mais do que prémios, são sinais. Sinais de que, num contexto de mudança acelerada, as organizações que colocam as pessoas no centro são mais atrativas e resilientes. E, cada vez mais, são também as que ficam.

Arquivado em:Corporate, Notícias

Faltam 80 mil trabalhadores na construção em Portugal

17 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

De acordo com o mais recente estudo da ManpowerGroup, o Global Talent Shortage Survey 2026, 83% dos empregadores do setor em Portugal admitem dificuldades em encontrar os profissionais de que necessitam. O número não só impressiona como ultrapassa em 12 pontos percentuais a média global, fixada nos 71%.

O retrato é claro: o setor surge como o quarto mais afetado pela escassez de talento no país, apenas atrás da indústria, da hotelaria e restauração, e dos serviços públicos e sociais. Num contexto de forte investimento, tanto nacional como estrangeiro, a falta de recursos humanos começa a revelar-se um dos principais fatores de risco.

A pressão não é nova, mas está a intensificar-se. Dados da AICCOPN apontam para um défice superior a 80 mil trabalhadores na construção — um número que expõe um problema estrutural: uma força de trabalho envelhecida, pouco renovada e cada vez menos atrativa para as novas gerações.

Daniela Lourenço, responsável pela marca da Manpower em Portugal, não tem dúvidas sobre a dimensão do desafio. A dificuldade em alinhar a disponibilidade de talento com as necessidades do mercado, explica, está a criar um desfasamento que se propaga por toda a cadeia de valor. E esse desfasamento já não é apenas operacional — começa a afetar a capacidade do setor de responder à procura.

Falta de engenheiros, técnicos e operacionais trava ritmo de crescimento

O problema não se limita à base da pirâmide. A escassez atravessa diferentes níveis de qualificação e atinge áreas críticas para o funcionamento do setor.

As empresas apontam as competências de engenharia como as mais difíceis de recrutar, representando 24% das dificuldades identificadas. Logo a seguir surgem as áreas de operações e logística, com 23%, e indústria e produção, com 21%.

Este desequilíbrio revela uma tensão transversal: faltam tanto trabalhadores especializados no terreno — como pedreiros e técnicos — como perfis altamente qualificados capazes de planear, gerir e supervisionar projetos. A consequência é direta: atrasos, aumento de custos e menor previsibilidade na execução de obras.

Num setor onde os prazos são cada vez mais apertados e os projetos mais exigentes, a ausência destes perfis torna-se um obstáculo estrutural.

Soft skills ganham peso num setor cada vez mais complexo

Mas não são apenas as competências técnicas que estão em falta. À medida que os projetos se tornam mais complexos e interdependentes, as empresas valorizam cada vez mais as chamadas competências humanas.

O profissionalismo e a ética no trabalho surgem no topo das prioridades, referidos por mais de metade dos empregadores. Seguem-se a adaptabilidade e a capacidade de aprendizagem, bem como competências de comunicação, colaboração e trabalho em equipa.

Num ambiente onde múltiplos intervenientes — desde fornecedores a equipas técnicas — têm de operar em sintonia, a capacidade de coordenação e de resposta a imprevistos tornou-se decisiva. O pensamento crítico e a resolução de problemas, apontados por cerca de um quarto das empresas, refletem precisamente essa necessidade.

Empresas respondem com formação e salários mais altos

Perante este cenário, as empresas começam a ajustar estratégias. A resposta não é uniforme, mas há tendências claras.

Cerca de 27% das organizações do setor estão a investir na requalificação das suas equipas, apostando em programas de upskilling e reskilling para colmatar lacunas internas. A mesma percentagem admite ter recorrido ao aumento salarial como forma de atrair e reter talento — um sinal de que a pressão do mercado está a traduzir-se em custos acrescidos.

Outras medidas passam pela flexibilização das condições de trabalho. Ainda que limitada pela natureza do setor, cerca de 19% das empresas referem ter introduzido horários mais flexíveis ou regimes parciais.

Apesar disso, a margem de manobra é curta. Ao contrário de outros setores, a construção continua fortemente dependente de trabalho presencial e de mão de obra intensiva, o que reduz a capacidade de adaptação a modelos mais flexíveis.

Um problema estrutural com impacto no futuro

O estudo do ManpowerGroup, baseado em mais de 39 mil empregadores em 41 países, confirma uma tendência global. Mas em Portugal, o problema assume contornos particularmente críticos.

A combinação de envelhecimento da força de trabalho, falta de atratividade e crescimento da procura coloca o setor num ponto de tensão difícil de resolver a curto prazo.

Num país onde a habitação, as infraestruturas e o investimento imobiliário continuam no centro do debate económico, a escassez de talento na construção deixa de ser apenas uma questão setorial. Passa a ser uma variável determinante para o ritmo de desenvolvimento do próprio país.

 

Arquivado em:Nacional, Notícias

250 anos depois, conseguirá a América manter a sua vantagem económica?

17 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

A jovem república da América, na melhor das hipóteses, apresentava-se como uma economia agrícola em expansão territorial. Tinha terra, tinha recursos naturais e tinha uma população em crescimento, mas faltavam-lhe instituições financeiras maduras, infraestruturas e capital comparável ao das potências europeias.

Duzentos e cinquenta anos depois, o panorama é outro. Os Estados Unidos tornaram-se a maior economia do planeta e continuam a ocupar uma posição singular no sistema económico internacional. O país representa cerca de quatro por cento da população mundial, mas gera aproximadamente um quarto da produção económica global. Ao mesmo tempo, continua a concentrar uma parte significativa das maiores empresas do mundo, a atrair talento científico e tecnológico de várias regiões e a liderar algumas das principais revoluções tecnológicas do nosso tempo.

Segundo o estudo publicado pelo McKinsey & Company, intitulado ‘At 250: Sustaining America’s Competitive Edge‘, a vantagem americana resulta de uma combinação rara de factores: inovação tecnológica, capacidade empresarial, acesso a capital e instituições económicas relativamente flexíveis.

A questão que começa agora a dominar os debates económicos internacionais é simples, mas profunda: poderá essa vantagem manter-se nas próximas décadas?

 

A construção de uma potência económica

A ascensão dos Estados Unidos não foi um processo linear. Pelo contrário, foi marcada por várias transformações estruturais que alteraram profundamente a natureza da economia americana. No século XIX, a vantagem do país era sobretudo territorial. A abundância de terra fértil permitiu uma expansão agrícola extraordinária. À medida que a população crescia e que novos territórios eram integrados na economia nacional, a produção agrícola aumentava rapidamente. Este crescimento gerou excedentes que financiaram os primeiros passos da industrialização.

A construção de ferrovias desempenhou um papel decisivo nesta fase. Ao ligar regiões distantes do território americano, as linhas ferroviárias criaram um mercado interno de dimensão continental. Mercadorias, matérias-primas e pessoas podiam deslocar-se mais rapidamente, reduzindo custos e aumentando a produtividade.

Este processo permitiu que cidades industriais emergissem em várias regiões do país. Chicago tornou-se um centro logístico fundamental, Detroit um polo da indústria automóvel e Pittsburgh um dos maiores centros siderúrgicos do mundo.

No início do século XX, os Estados Unidos já tinham ultrapassado o Reino Unido como a maior economia global. Esta transformação foi amplamente documentada por análises históricas da economia mundial, incluindo estudos compilados por instituições como o World Bank e o International Monetary Fund.

Mas a verdadeira consolidação da liderança americana viria depois da Segunda Guerra Mundial. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, grande parte da Europa e da Ásia encontrava-se devastada. Infraestruturas destruídas, cidades arruinadas e economias fragilizadas criaram um vazio económico que os Estados Unidos estavam particularmente bem posicionados para preencher.

A indústria americana, que havia sido mobilizada para a produção de guerra, possuía uma capacidade produtiva gigantesca. Fábricas que tinham produzido tanques, aviões e navios de guerra foram rapidamente adaptadas para fabricar automóveis, eletrodomésticos e outros bens de consumo.

Ao mesmo tempo, o país desempenhou um papel central na criação de novas instituições económicas internacionais destinadas a estabilizar o sistema financeiro global. Entre elas destacam-se o International Monetary Fund e o World Bank, fundados em 1944 no contexto dos acordos de Bretton Woods. Estas instituições ajudaram a estabelecer um sistema monetário internacional relativamente estável, no qual o dólar americano assumiu um papel central como moeda de reserva global.

Durante as décadas seguintes, a economia americana expandiu-se rapidamente. A classe média cresceu, o consumo aumentou e novas indústrias surgiram em sectores como a electrónica, a aviação e a química avançada. Mas talvez o elemento mais decisivo tenha sido o investimento em ciência e tecnologia.

 

A revolução científica e a economia digital

A partir da década de 1950, os Estados Unidos desenvolveram uma rede poderosa de universidades de investigação, laboratórios públicos e empresas tecnológicas. Instituições como o Massachusetts Institute of Technology e a Stanford University tornaram-se centros de investigação científica capazes de gerar descobertas com impacto global.

Grande parte deste investimento foi inicialmente motivado pela competição geopolítica da Guerra Fria. Programas financiados pelo governo federal procuravam garantir que os Estados Unidos mantinham uma vantagem tecnológica sobre a União Soviética.

Agências como a National Aeronautics and Space Administration desempenharam um papel fundamental neste processo. Os programas espaciais americanos impulsionaram avanços em áreas como computação, engenharia de materiais e telecomunicações.

Com o tempo, muitas destas tecnologias encontraram aplicações comerciais. O resultado foi o surgimento de novas indústrias que moldariam a economia global nas décadas seguintes. A revolução digital iniciada no final do século XX marcou mais uma transformação profunda da economia americana. Empresas tecnológicas começaram a redefinir vários sectores da economia, desde a comunicação e o comércio até aos serviços financeiros e ao entretenimento. A expansão da internet permitiu o surgimento de plataformas digitais capazes de operar à escala global.

Dados compilados pelo U.S. Bureau of Economic Analysis mostram que os sectores tecnológicos representam hoje uma parcela significativa da produção económica americana e são responsáveis por uma parte importante do crescimento da produtividade. Além disso, os Estados Unidos continuam a concentrar uma grande parte do investimento global em tecnologia e inovação.

Este ecossistema tecnológico é reforçado por um sistema financeiro particularmente dinâmico. O acesso a capital de risco permite que novas empresas experimentem modelos de negócio inovadores, mesmo quando esses modelos envolvem riscos elevados.

 

Os rendimentos médios são elevados, mas a prosperidade está longe de ser uniforme

Para além da dimensão das empresas e da liderança tecnológica, existe um terceiro elemento essencial para medir a competitividade de uma economia: a oportunidade económica — ou seja, até que ponto o crescimento económico se traduz em prosperidade real para as famílias, sob a forma de salários mais elevados.

Quando essa ligação funciona, cria-se um ciclo virtuoso. A possibilidade de ganhar bons rendimentos atrai talento, incentiva o empreendedorismo e facilita o acesso a recursos essenciais, como capital para criar empresas. Ao mesmo tempo, salários mais altos alimentam mercados de consumo dinâmicos — um dos motores históricos do crescimento americano.

Há também um efeito mais amplo. Quando as pessoas vivem melhor, tendem a ser mais produtivas. E quando a produtividade aumenta, a economia cresce ainda mais. Hoje, os Estados Unidos continuam a ser um país onde as oportunidades económicas podem traduzir-se em rendimentos muito elevados. Em média, os americanos continuam entre os mais bem pagos do mundo. De facto, entre os países com mais de dez milhões de habitantes, nenhum apresenta um produto interno bruto per capita mais alto, mesmo quando se ajusta o cálculo ao poder de compra. Esta realidade torna-se ainda mais evidente quando se olha para os rendimentos mais elevados. Os salários do décimo mais rico da população americana são entre 10% e 50% superiores aos dos seus equivalentes nas principais economias europeias ou no Canadá.

Menos conhecido é outro dado: os americanos que pertencem aos 40% mais ricos da população ganham mais do que os seus equivalentes nas grandes economias europeias, e os que estão nos 20% mais ricos também superam os seus pares no Canadá. Mas o retrato muda quando se desce na escala de rendimentos. Para metade da população americana com menores rendimentos, a realidade é diferente. Nesses segmentos, os salários nos Estados Unidos ficam atrás dos observados em várias economias europeias e também no Canadá. É verdade que, nos últimos anos, os rendimentos do quinto mais pobre da população americana começaram a recuperar algum terreno. Ainda assim, a diferença permanece significativa. Entre as grandes economias desenvolvidas, os Estados Unidos apresentam uma das maiores distâncias entre os rendimentos do topo da distribuição e os da metade inferior da população.

Em termos simples: o país continua a gerar níveis extraordinários de riqueza, mas essa riqueza está distribuída de forma profundamente desigual.

Alemanha e China: dois modelos industriais

Enquanto os Estados Unidos dominam a inovação tecnológica, a estrutura produtiva da economia global continua profundamente influenciada por duas potências industriais: Alemanha e China.

A Alemanha construiu a sua prosperidade sobre um modelo industrial altamente especializado. Empresas alemãs tornaram-se líderes globais em setores como maquinaria industrial, engenharia de precisão e automóveis. Segundo dados do Destatis, as exportações representam mais de 47% do PIB alemão, refletindo a importância da indústria na economia nacional. No entanto, este modelo enfrenta novos desafios: o aumento dos custos energéticos na Europa, exacerbado pelo conflito na Ucrânia, e a desaceleração da economia global têm pressionado setores tradicionais.

Por outro lado, a China seguiu uma estratégia económica distinta. Nas últimas quatro décadas, o país investiu massivamente em infraestruturas, educação técnica e capacidade industrial, transformando-se na maior potência manufatureira do mundo, de acordo com o World Bank. Inicialmente, grande parte da produção chinesa consistia em bens de baixo custo, mas o país evoluiu para setores mais sofisticados, incluindo electrónica avançada, telecomunicações e veículos elétricos. Empresas chinesas, como a BYD e a Huawei, não apenas competem no mercado interno, mas também exportam globalmente, alterando profundamente a dinâmica económica internacional.

A relação entre Alemanha e China ilustra a complexidade da globalização industrial. Durante décadas, fábricas alemãs exportaram maquinaria para a China; hoje, essas mesmas fábricas enfrentam concorrência direta de produtos chineses nos mercados globais. Este cenário destaca a necessidade de resiliência industrial e inovação contínua, tanto na Europa como nos Estados Unidos, para manter competitividade num mundo cada vez mais interdependente.

O futuro da liderança americana

Os Estados Unidos podem estar a entrar num novo capítulo da sua história económica. A tecnologia — em particular a inteligência artificial — está a avançar a um ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, persistem as perturbações macroeconómicas desencadeadas pela pandemia, visíveis numa inflação que recentemente atingiu máximos de quarenta anos. Em paralelo, o aumento das tensões geopolíticas tem alimentado uma nova vaga de protecionismo económico, refletida tanto no aumento das tarifas comerciais — a taxa média de tarifas dos Estados Unidos situa-se atualmente nos 12,7%, o nível mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial — como em políticas industriais de grande escala, como o Inflation Reduction Act e o CHIPS and Science Act.

As tendências atuais sugerem que estas forças, combinadas com custos de capital persistentemente elevados e com o envelhecimento demográfico, irão moldar o contexto competitivo dos Estados Unidos e de outras grandes economias durante os próximos anos.

Apesar destes desafios, as oportunidades são extraordinárias. Indústrias que irão moldar o futuro — como a inteligência artificial, a biotecnologia e a robótica — poderão atingir mercados avaliados em vários biliões de dólares ao longo da próxima década. Algumas estimativas indicam que a inteligência artificial poderá acrescentar até 0,6 pontos percentuais ao crescimento anual da produtividade até 2040.

Para aproveitar plenamente este potencial, os Estados Unidos terão de enfrentar uma série de desafios estruturais. Entre eles destacam-se o aumento da procura de energia, lacunas significativas em infraestruturas e uma dívida pública crescente. O sucesso também implicará uma profunda transformação nas estratégias empresariais, nos modelos operacionais e nos sistemas de inovação, de modo a integrar plenamente a inteligência artificial. Em paralelo, empresas e sociedade terão de preparar proativamente os trabalhadores para um mundo em que será comum partilhar tarefas com sistemas de IA.

Se esses desafios forem superados, o resultado poderá ser uma economia americana capaz de inovar e operar de forma mais rápida, mais ampla e mais eficiente. No entanto, tudo isto terá de ser feito tendo em conta uma realidade geopolítica cada vez mais fragmentada, na qual a segurança económica nacional se tornou uma prioridade estratégica.

O papel da iniciativa e das instituições

Uma das características mais marcantes da competitividade americana ao longo da história é que ela não resultou de um planeamento centralizado. Em vez disso, desenvolveu-se de forma orgânica a partir de duas bases fundamentais: a abundância de recursos naturais e um forte espírito empreendedor. Estes fatores foram, ao longo do tempo, amplificados por infraestruturas robustas e por instituições capazes de canalizar talento e capital.

Por essa razão, receitas excessivamente prescritivas para alcançar a próxima vaga de competitividade correm o risco de ignorar um ponto essencial: o sucesso americano tem resultado sobretudo da capacidade de adaptar continuamente essas bases estruturais a novos contextos económicos e tecnológicos.

Neste espírito, é possível identificar cinco condições fundamentais para a competitividade americana na próxima era. Duas estão relacionadas com as instituições que sustentam o empreendedorismo: uma força de trabalho fluente em inteligência artificial e investimento de longo prazo sustentado. Outras duas dizem respeito à base material da economia: energia suficiente para alimentar as tecnologias do futuro e infraestruturas modernizadas e eficientes. A quinta condição reflete o novo contexto internacional: segurança económica nacional num mundo volátil.

Segurança económica num mundo fragmentado

As condições estruturais descritas anteriormente terão de se concretizar num cenário internacional muito mais competitivo e fragmentado do que aquele que caracterizou grande parte das últimas décadas. Por essa razão, uma quinta prioridade estratégica é reforçar a segurança económica nacional.

Historicamente, esta foi uma área de força para os Estados Unidos, graças à combinação de abundância de recursos naturais, isolamento geográfico relativo e liderança em tecnologia e indústria. Contudo, o panorama global mudou significativamente.

Hoje, a China lidera a produção industrial mundial, responsável por cerca de 45% da produção manufatureira global, enquanto os Estados Unidos representam aproximadamente 11%. Parte desta mudança ocorreu de forma gradual e até voluntária: durante décadas, empresas americanas transferiram produção para a China e para outras economias emergentes atraídas por custos mais baixos.

Embora os Estados Unidos continuem a ser o segundo maior produtor industrial do mundo, ao longo do tempo perderam capacidade em várias áreas — desde produtos de consumo até componentes tecnológicos críticos. Essa transformação levanta hoje questões sobre resiliência económica e autonomia estratégica.

Todos os anos, os Estados Unidos importam cerca de 1,2 biliões de dólares em bens considerados críticos, essenciais para cadeias de abastecimento resilientes e para a segurança nacional. Estes incluem semicondutores avançados, ingredientes farmacêuticos ativos necessários à produção de medicamentos e baterias de elevada capacidade utilizadas em sistemas energéticos e militares.

O risco surge quando essas importações dependem de poucos fornecedores. Atualmente, cerca de 1,4 biliões de dólares em importações americanas provêm de apenas três ou menos países fornecedores. Em períodos de estabilidade, tal concentração não representa necessariamente um problema. No entanto, em momentos de crise ou de tensão geopolítica, pode resultar em interrupções graves nas cadeias de abastecimento.

A pandemia de COVID-19 demonstrou a fragilidade deste sistema. Durante esse período, os Estados Unidos enfrentaram escassez temporária de produtos tão diversos como máscaras, latas de alumínio ou componentes eletrónicos, revelando o grau de dependência externa em sectores que anteriormente pareciam seguros.

A dependência torna-se ainda mais evidente em matérias-primas críticas. Cerca de 70% das terras raras utilizadas pelos Estados Unidos são provenientes da China, que também domina grande parte da capacidade mundial de refinação de minerais essenciais como cobalto, lítio, níquel e cobre. Estes materiais são indispensáveis para tecnologias avançadas, sistemas energéticos e equipamentos militares.

Ao mesmo tempo, muitos produtos tecnológicos fundamentais — incluindo smartphones, computadores portáteis e baterias de iões de lítio — continuam a ser importados em grande escala. Mesmo quando o valor total dessas importações não é elevado, a sua importância estratégica pode ser enorme. O sector farmacêutico ilustra bem este fenómeno: a China fornece uma grande parte dos ingredientes ativos utilizados na produção de antibióticos e outros medicamentos essenciais nos Estados Unidos.

Neste contexto, a segurança económica tornou-se inseparável da estratégia industrial e tecnológica. A forma como os Estados Unidos gerirem estas dependências — equilibrando eficiência económica com resiliência estratégica — será determinante para a sua posição no sistema económico global nas próximas décadas.

Ao longo de 250 anos, os Estados Unidos demonstraram uma capacidade extraordinária de adaptação económica. O país reinventou-se após a guerra civil, reinventou-se após a Segunda Guerra Mundial e reinventou-se novamente com a revolução digital. A questão central agora é saber se conseguirá repetir esse processo numa nova era tecnológica. Se a história servir de guia, a vantagem americana dependerá menos da posição atual e mais da capacidade de adaptação futura. Porque na economia global, a liderança raramente é permanente. É sempre o resultado de inovação, investimento e capacidade de mudança. E essa corrida continua.

Arquivado em:Internacional, Notícias

Lisboa presa no trânsito: portugueses passam até 2 horas por dia ao volante

17 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Os dados também mostram que apenas metade dos condutores (51,5%) realiza deslocações diárias de menos de meia hora, enquanto cerca de 27,6% dos homens relatam conduzir mais de uma hora por dia — contra 20,8% das mulheres. Além disso, 80% das mulheres gastam menos de 1 hora ao volante diariamente, percentagem superior à dos homens.

O contexto urbano: congestionamento em Lisboa e Porto

Estes números não surgem isolados: o trânsito nas principais cidades portuguesas tende a agravar‑se ano após ano. Em Lisboa, os condutores irão gastar, em média, 60 horas por ano presos no trânsito, valor que representa um aumento face aos 57 horas do ano anterior, segundo o relatório global da consultora INRIX que analisou dados de mobilidade em 946 cidades de diversas partes do mundo. Lisboa surge nesta análise como a 20.ª cidade mais congestionada da Europa e a 44.ª a nível mundial.

No Porto, a situação piorou ainda mais rapidamente: os automobilistas perderam 36 horas no trânsito em 2024, um crescimento de 16% face ao ano anterior — o maior aumento entre as cidades portuguesas analisadas.

Comparação com o resto da Europa

Apesar dos desafios, Portugal tem, historicamente, uma média de deslocação para trabalho comparativamente baixa no contexto europeu. Dados do Eurostat mostram que, antes da pandemia, a média de tempo de deslocação de casa para o trabalho na UE era de cerca de 25 minutos, enquanto em Portugal rondava os 21 minutos, uma das mais curtas entre os Estados‑Membros, ao lado de Itália e Grécia.

Estudos internacionais também confirmam que, de forma geral, trabalhadores portugueses passam menos tempo em deslocações comparativamente com a média europeia, embora isso varie muito consoante o tipo de trajeto e a região analisada.

Como isso afeta os condutores no dia‑a‑dia

Para muitos condutores, estes tempos de deslocação acumulam‑se ao longo da semana, representando um custo significativo em termos de, custos de combustível e stress. Por exemplo, um estudo de comparação global estima que os condutores portugueses passam cerca de 6 dias e 11 horas por ano em deslocações de carro, um valor semelhante ao de países como Espanha e inferior a outros países europeus mais congestionados.

Especialistas indicam impacto na mobilidade urbana

«Os movimentos pendulares dos trabalhadores para dentro das cidades impactam fortemente as dificuldades de mobilidade», afirma Jennifer Amador Tavares de Sousa, Diretora para Portugal e Espanha da Arrive. «O elevado número de veículos nas horas de ponta, tanto em vias principais como em ruas secundárias, reflete‑se no tempo que os condutores passam no trânsito. Por isso, trabalhamos com municípios e provedores de mobilidade para desenvolver estratégias que equilibrem esta dinâmica sem prejudicar o quotidiano das pessoas», conclui.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Cuidado com o que o LinkedIn diz

17 Março, 2026 by Marcelo Teixeira

Fascinado pelo ambiente algo solene da plataforma — onde todos parecem ter carreiras exemplares, projetos transformadores e títulos impressionantes — decidiu testar uma ideia simples. Criou um perfil e declarou-se CEO do LinkedIn. Nada mais.

Não conhecia ninguém na empresa, nunca tinha trabalhado na organização e, naturalmente, não tinha sido escolhido por nenhum conselho de administração. Era apenas uma linha escrita num perfil. E o inesperado aconteceu ….. a plataforma aceitou a informação. Mais do que isso. Pouco depois, enviou um email automático para a rede de contactos de Duffy a anunciar a novidade. O sistema felicitava-o pela nova função: Chris Duffy era agora o CEO do LinkedIn.

Durante algum tempo, nada aconteceu. O cargo manteve-se visível no perfil e a vida seguiu normalmente. Só bastante mais tarde alguém na empresa percebeu que alguma coisa não batia certo.

Vivemos numa era em que grande parte da nossa identidade profissional é construída em ambientes digitais. Plataformas como o LinkedIn tornaram-se uma espécie de praça pública das carreiras. Ali publicamos mudanças de empresa, promoções, novos projetos, reflexões sobre liderança ou conquistas profissionais.

A rede tornou-se, em muitos casos, o primeiro lugar onde alguém olha quando quer perceber quem somos profissionalmente. Mas há um detalhe importante que raramente discutimos: grande parte da informação que ali aparece é autodeclarada.

Escrevemos quem somos, o que fazemos, onde trabalhamos e quais foram os nossos caminhos profissionais – como quisermos. Na esmagadora maioria das vezes, tudo isso corresponde à realidade. A plataforma funciona porque existe um princípio de confiança implícito entre os utilizadores.

Acreditamos no que lemos.

Esta confiança não é um erro do sistema. Pelo contrário: é precisamente o que permite que uma rede profissional funcione. Se cada informação tivesse de ser permanentemente validada por processos burocráticos complexos, a agilidade da plataforma desapareceria.

O LinkedIn baseia-se numa espécie de pacto silencioso entre profissionais: partilhamos a nossa história profissional esperando que os outros façam o mesmo de forma honesta.

Mas, como mostrou a experiência de Chris Duffy, entre a realidade e a narrativa profissional pode existir um espaço cinzento.

Esse espaço não existe necessariamente por má fé. Muitas vezes nasce simplesmente da forma como todos nós construímos a nossa própria história. Escolhemos palavras, enquadramos experiências, simplificamos percursos. No fundo, contamos uma versão organizada daquilo que fizemos.

Ao declarar-se CEO de uma empresa global e ao ver essa informação aceite automaticamente pela própria plataforma, Chris Duffy expôs a fragilidade simbólica do título. O episódio lembra-nos de algo que muitas vezes esquecemos: o cargo é apenas uma fotografia momentânea de um percurso muito maior.

Todos os cargos são temporários.

Podem durar anos, às vezes décadas, mas acabam sempre por mudar. As empresas evoluem, as pessoas mudam de função, surgem novas oportunidades ou novas fases de vida. No entanto, é fácil cair numa armadilha silenciosa: começar a confundir o cargo com a própria identidade.

No fim, aquilo que verdadeiramente sustenta uma carreira não é o cargo que aparece num perfil digital.  É a reputação. E essa não se constrói com um clique. Constrói-se ao longo do tempo, nas decisões que tomamos, nas equipas que lideramos, na forma como tratamos as pessoas e na confiança que vamos conquistando ao longo do caminho.

Talvez seja essa a lição mais interessante escondida na história do falso CEO do LinkedIn.

Num espaço onde qualquer pessoa pode declarar-se CEO com alguns cliques, aquilo que continua a distinguir os profissionais não é o título que exibem, mas a credibilidade que constroem.

Porque os cargos passam. Mas a forma como exercemos a nossa liderança — essa sim — fica.

 

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