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Rita Saldanha

Os referendos de Putin

3 Outubro, 2022 by Rita Saldanha

É interessante verificar que, nesta fase da guerra, Putin e os seus sequazes se tenham afadigado a promover referendos nos territórios ocupados.

Eis três notas sobre os ditos:

 

  1. Os ditadores do passado assumiam o seu papel de hierarcas e não se preocupavam por aí além com o voto do povo. Bastava-lhes a sua suposta capacidade de entender melhor que o povo o interesse do mesmo. Não nesta fase: mesmo os mais empedernidos ditadores precisam de um verniz democrático para poderem proclamar uma legitimidade que não têm e que todos sabem que eles não têm. Mesmo assim, procuram esse verniz.
  2. Todos sabemos hoje, todavia, que o voto não é mais que uma das faces da democracia. Mas o voto democrático é livre e não constrangido. O voto sem qualidade institucional é uma concha vazia. Estas votações com números soviéticos seriam cómicas se não fossem trágicas. São vitórias pírricas contra um inimigo, o Ocidente, satânico e colonialista diz Putin, com ironia involuntária nesta época de pensamento dominante pós-colonialista.
  3. Os russos que podem, entretanto, vão votando com os pés. Abandonam o país. Uns já o tinham feito; outros fazem-no em resposta à mobilização. Este é um voto poderoso que penalizará a Rússia. A saída de pessoas, incluindo as detentoras de elevado capital humano, terá efeitos nefastos. A combinação de sanções económicas, uma reputação destruída e a fuga de capital humano não prometem nada de bom para a nação russa, tão tragicamente castigada pelos seus dirigentes.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

World Trade Center inaugurado em Oeiras

29 Setembro, 2022 by Rita Saldanha

Foi inaugurado o World Trade Center Lisboa (WTC), um dos maiores centros de negócios do país, destinado aos segmentos do comércio e dos serviços. Representando um investimento de 120 milhões de euros, vai permitir ligar Lisboa a cerca de 90 países de todo o mundo, sendo o primeiro e único projeto do género em Portugal.

O World Trade Center Lisboa integra uma área total de 70.000m2 divididos em dois edifícios de escritórios, que totalizam 25.000m2 e áreas de retalho com 4.000m2. Os dois edifícios terão 8 pisos acima do solo, com pátios exteriores e um rooftop em cada edifício. Os espaços exteriores irão ocupar 10.000m2 e incluem ciclovias, jardins e espaços verdes que permitem a prática de exercício físico. A unidade hoteleira YOTEL tem capacidade para 127 quartos e cerca de 800 lugares de estacionamento subterrâneo e 200 no exterior. O empreendimento vai ainda dispor de 1.700m2 dedicados a retail.

O WTC é um espaço flexível, adaptável e evolutivo que vai agregar três grandes benefícios: plataforma de negócios sustentada em modelos que favorecem o sucesso empresarial, um workplace orientado para o futuro, para a tecnologia e para a produtividade e um ambiente que favorece um lifestyle focado na sustentabilidade e no bem-estar. Com certificações Leed Gold e Well Gold, o empreendimento conta já com alguns ocupantes na área dos escritórios como a Worten e a Bayer.

Acreditámos sempre, mesmo com a incerteza do período da pandemia, que este seria um projeto com grande potencial para o país. Por essa razão, estamos hoje ainda mais orgulhosos por inaugurar oficialmente o World Trade Center, um espaço que se dirige a pessoas e empresas que procuram ver desenvolvidas as suas ideias e os seus negócios, beneficiando de inovação tecnológica, networking empresarial, um workplace que olha para o futuro com otimismo e das melhores práticas de mobilidade e de sustentabilidade, tópicos fundamentais hoje para qualquer empresa.

Vasco Fonseca, COO da Foz Vintage (FCV Group), responsável pela construção e promoção do empreendimento

 

 

Arquivado em:Notícias

Leadership Summit Portugal 2022 traz o Presidente do CEO Club da Ucrânia

21 Junho, 2022 by Rita Saldanha

Já estão à venda os bilhetes Early Bird para a 6.ª edição da Leadership Summit Portugal no próximo dia 12 de Outubro, no Casino do Estoril. Este ano sob o tema  “Time’s Up – Act Now For Digital, Sustainability, Human Health and Peace”, o evento assume-se como um encontro internacional de gerações para a produção de conhecimento sobre liderança.

Num mundo pós-pandemia e perante o atual estado de guerra em que se encontra o leste da Europa, o programa será marcado por intervenções e debates que se focarão nos desafios da transição digital, da sustentabilidade, do bem-estar físico e psicológico, sempre na perspetiva da paz que se deseja alcançar brevemente.

Destaque para as presenças internacionais em placo, como Alex Edmans, considerado professor do ano em 2021 pela Poets & Quants, autor best-seller e detentor de 23 prémios de ensino na Wharton e na London Business School, Cathy Mulligan, que lidera o MBA Elective de transformação digital no Imperial College, Professora de ciência computacional no IST, Diretora do DCentral e autora de sete livros sobre tecnologia 5G e economia digital, e Sheriy Haydaychuk, Presidente do CEO Club Ukraine que reúne os top managers das trezentas maiores empresas ucranianas.

Durante o evento será apresentado o vencedor do concurso internacional, que foi lançado pela organização, junto dos nove mil Global Shapers do Fórum Económico Mundial para apresentarem as melhores ideias para o futuro da liderança.

Filipe Vaz, Diretor-geral da Tema Central declarou que “quando todos acreditávamos já estar a iniciar um período de desenvolvimento pós-pandémico, eis que surge a guerra na Europa com inesperada violência a colocar novos desafios às lideranças das organizações. Impõe-se refletir sobre os caminhos a seguir pelos líderes na busca da digitalização, sustentabilidade e bem-estar, tendo sempre a paz como objetivo”.

A Leadership Summit Portugal é uma iniciativa da Tema Central, do Lisbon Hub dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial e da Câmara Municipal de Cascais, com a parceria institucional da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, UNRIC-Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental, UN Global Compact Network Portugal, International Club of Portugal, APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas e World Trade Center Lisboa.

O evento conta com o apoio da Capgemini, Axians, Tabaqueira, MC, Zome, Fidelidade, Randstad, Peugeot, Edenred, FreeNow, Cipher, Noesis, Nova SBE, Jaba Recordati, Casino Estoril, DeltaQ, Lift, Made2web, Holmes Place, Cartuxa, Knower Brands e Turismo de Portugal.

O evento ficará disponível on demand na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

 

Bilhetes early bird à venda aqui:

https://leadershipsummitportugal.com/lsp/tickets/

Mais informações disponíveis no site:

www.leadershipsummitportugal.com

 

Arquivado em:Liderança, Notícias

Há empresas que efetivamente dizem que não querem mulheres com mais de 45 anos

21 Junho, 2022 by Rita Saldanha

“Se pensarmos do ponto de vista da saúde emocional dos indivíduos e das organizações, é muito difícil que ela exista se não tivermos um ambiente e uma cultura de inclusão, onde todas as pessoas sejam aceites por aquilo são”, diz Margarida Cardoso, Manager People & Culture Portugal da Tabaqueira acrescentando que se um colaborador se inserir num ambiente em que pode dar o seu contributo, é benéfico não só para si, como também para a organização.

Inclusão, diversidade e a saúde dos colaboradores estão intimamente relacionados, e Margarida Cardoso esteve em palco com Nuno Troni, Diretor na Randstad para conversar sobre “A Excelência na Inclusão e Diversidade”, um encontro moderado pela jornalista Catarina Marques Rodrigues, no âmbito do evento Leading People International HR Conference, “Act now for Human Health”.

Para além disso, equipas mais diversas e inclusivas estimulam o conflito, que não é algo necessariamente negativo. A verdade é que a partir do conflito gera-se a inovação, e muitos países aceitam e abraçam esses desafios, enquanto em Portugal ainda existe um olhar pejorativo. “A diversidade traz conflito porque traz perspetivas diferentes, modos de estar diferentes. A diversidade e o conflito é algo altamente construtivo, faz uma equipa e uma empresa avançar”, acrescenta a responsável da Tabaqueira.

Já nos processos de recrutamento, a situação é diferente: as empresas multinacionais, por norma, têm já instituídas políticas de diversidade e inclusão, um fator em conta ao procurarem novos colaboradores, pedindo 50% de candidatos homens, e 50% de candidatos mulheres. Mas 99% das empresas não prevê na agenda esse tipo de critérios, explica Nuno Troni.

“Há empresas que efetivamente dizem que não querem mulheres com mais de 45 anos, ou mulheres na casa dos 30 anos porque podem engravidar. Também há muitas em que isso já nem é permitido”, afirma o diretor da Randstad. A exclusão de pessoas mais velhas no mercado de trabalho continua a ser uma questão a desmistificar, e o responsável complementa: “não há nenhuma razão efetiva que prove que uma pessoa de 50 anos é menos produtiva que uma pessoa de 30.”.

As mulheres continuam a ser discriminadas nos processos de recrutamento, mas também dentro das organizações. Margarida Cardoso confidencia que estão sujeitas a microagressões no quotidiano, no ambiente de trabalho, e que ela própria já foi vítima de comentários por parte de colegas quando foi mãe. “Eu era uma pessoa que, erradamente, tinha por hábito estender o meu horário de trabalho. Quando tive o meu primeiro filho tive de rapidamente mudar isso. Recordo-me que passei a sair “à hora” e ouvia piadas: ‘Mas já vais? Hoje só fazes um turno?’. Estas piadas não são dirigidas a homens.”

Apesar de tudo, as organizações têm tido as questões de inclusão e diversidade em consideração: em 2021 a Tabaqueira tinha 40% de mulheres em cargos de gestão, e a Randstad Internacional com 50% de mulheres em posições de chefia, o que mostra que tem efetivamente havido algum progresso. As revisões anuais salariais são já uma realidade, nomeadamente na Tabaqueira.

Sobretudo, é necessário que as lideranças estejam sensibilizadas para esta discussão, e que percebam que organizações mais diversas, e inclusivas, que promovam um ambiente seguro beneficiam não só os seus negócios, como a saúde mental dos colaboradores.

Por Denise Calado

 

Assista à Talk aqui.

 

Tenha acesso à galeria de imagens da Leading People – International HR Conference aqui.

Arquivado em:Artigos, Leading People

Proibir a tecnologia com motores de combustão coloca mais de meio milhão de empregos em risco

21 Junho, 2022 by Rita Saldanha

No âmbito do pacote climático “Fit for 55”, o Parlamento Europeu aprovou uma medida que propõe que até 2035 o setor automóvel deve por fim à venda de veículos com emissões poluentes. Este novo leque de medidas tem vindo a pôr pressão no setor automóvel português, que se encontra ainda dependente dos motores a combustão.

Na apresentação do estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “Conduzir a mudança – o futuro do trabalho no setor automóvel português”, em Lisboa, foram debatidos os impactos do pacote climático na economia portuguesa, e como pode afetar os trabalhadores da indústria.

O encontro contou com a participação de João Lopes, Presidente da Confederação e Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Isabel Camarinha, Secretária-Geral da CGTP, José Couto, Presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), bem como o Secretário-Geral do Sindicato Nacional da Indústria e Energia (SINDEL), Rui Miranda, com a moderação do Diretor Regional da OIT para a Europa e Ásia Central, Heinz Koller.

A precipitação parece ser o consenso a que se chegou neste debate: Portugal tem já bastantes problemas de infraestruturas e de condições precárias, sendo que esta mudança abrupta iria provocar um abalo no tecido económico e social. “Pensamos que tem de ser gerida uma flexibilidade e pontos de equilíbrio terão de ser ajustados, com a evolução da economia e dos mercados”, justifica João Lopes.

“Apesar de o setor automóvel representar 11,9% das exportações de Portugal, há que ter em conta que o Valor Acrescentado Nacional deixa muito a desejar”, afirma o presidente da CCP, que considera que é necessário haver uma preparação do setor através da qualificação das pessoas nas novas áreas de intervenção.

No entanto, os trabalhadores do setor automóvel trabalham em condições precárias, e os baixos salários não refletem o crescimento que se tem vindo a verificar. “A estagnação dos salários que marca a última década foi particularmente impactante no setor automóvel, sendo que as remunerações mensais base em termos reais são inferiores agora ao que eram em 2010.”, declara Isabel Camarinha.

Apesar de uma forte necessidade de investir em qualificação, formação e investigação científica nas áreas das tecnologias digitais e elétricos, o presidente da AFIA antevê uma situação preocupante para os trabalhadores da área: “Ao proibir a tecnologia com motores de combustão, coloca-se mais de meio milhão de empregos neste espaço em risco”, acrescentando que em Portugal não há espaço para fábricas de baterias, nem condições para as exportar.

“Precisamos de uma transição mais suave e realista da tecnologia digital, combinando a eletrificação rápida com outros combustíveis sustentáveis, de baixo teor de carbono. Isto mitigaria a perda de empregos, tornaria a transformação menos radical e mais adequada”, declara José Couto.

Porém, sem aproveitar as oportunidades e desafios que se avizinham que esta medida, que apesar da aprovação não é definitiva ainda, certamente não se avança com os planos, afirma o Secretário-Geral da SINDEL, insistindo na necessidade crescente e urgente do investimento nas pessoas.

Por Denise Calado

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Invenção portuguesa vai criar energia a partir das ondas

21 Junho, 2022 by Rita Saldanha

REEFS (Renewable Electric Energy From Sea) é o nome de um novo dispositivo que converte a energia armazenada nas ondas do mar em energia elétrica, resultado da investigação de uma equipa da Universidade de Coimbra (UC). A estimativa é que quando estiver disponível em larga escala, esta tecnologia será tão competitiva quanto a energia eólica.

Este conversor de energia das ondas, já com patente internacional concedida, é um dispositivo costeiro modular que fica totalmente submerso, invisível à superfície do mar. O dispositivo resulta de oito anos de investigação desenvolvida no Laboratório de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Departamento de Engenharia Civil (DC), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa equipa composta por Daniel Oliveira, Aldina Santiago e José Lopes de Almeida.

José Lopes de Almeida, líder do projeto, esclarece que o REEFS “é apoiado em pilares e o resto do fundo do mar fica livre para todo o tipo de processos marinhos”. O dispositivo transforma o movimento alternado das ondas do mar num fluxo de água contínuo no interior do REEFS. O fluxo criado entre a crista e a cava das ondas, usado para acionar as referidas turbinas mini-hídricas de ultrabaixa queda, representa um salto tecnológico considerável, pois permite adaptar a tecnologia hidroelétrica já existente.

Além disso, esta tecnologia contribui para mitigar a erosão costeira, uma vez que pode funcionar como um recife artificial, induzindo a rebentação precoce das ondas para assim retirar, logo à partida, alguma da sua energia antes que atinjam a linha de costa.

Para que esta solução tecnológica possa ser comercializada, ainda são necessários novos estudos e testes para além da instalação de um projeto piloto no mar. Nesse sentido, a equipa está a concorrer a financiamentos que permitam essa instalação na costa portuguesa.

Arquivado em:Inovação, Notícias

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