Dos ecrãs da televisão a fundadora da plataforma online N 360, Marta Leite Castro aliou a sua experiência em contar histórias e a fazer entrevistas, ao crescimento do digital, na criação do conceito Business Stories – “If You have a Business, You have a story”, uma resposta para as empresas que queiram contar a sua história, customizando-a à medida do que pretendem.
Esta plataforma conecta as pessoas e os seus negócios, mostra a novidade, o sucesso, a inovação, o empreendedorismo e o pulsar do nosso País.
Paralelamente, apresenta o programa de televisão da RTP Internacional, Network Negócios, dedicado à economia, aos novos negócios e ao empreendedorismo, com exemplos de portugueses que se destacam internacionalmente nas mais diversas áreas, em busca dos segredos por detrás do sucesso.

A capacidade de transformação e adaptação à mudança foram alguns dos temas da entrevista conduzida por Francisco X. Froes (Consultor Executivo nas áreas de Liderança e Trabalho de Equipa), no âmbito de um projeto académico desenvolvido em conjunto com Miguel Pina e Cunha (Professor de Liderança da NOVA SBE e Diretor da revista Líder) e Arménio Rego (Professor da Católica Porto Business School e Diretor do LEAD.Lab) durante o período de confinamento em maio de 2020.
O que é que ouviste, quando e como?
Cheguei de Nova Iorque a 1 março, onde nem se falava do assunto, e tomei a decisão de reagir de forma preventiva, não saindo mais à rua. Ia ser a apresentadora do lançamento do Plano de Transição Digital, com o Ministro da Economia e o Secretário de Estado, e uma vez que não foi cancelado, resolvi ir sem máscara (não se usava), mas com álcool, e não iria cumprimentar ninguém com um beijinho.
Fiz as últimas entrevistas que tinha agendadas e resolvi não dar mais aulas, tal como não gravar mais e ficar em casa, coordenando tudo com os meus parceiros. Decidi recuar e perceber melhor o que aí vinha.
Ninguém estava preparado para a minha antecipação, o que me trouxe algum stress, pois senti que parecia mal ter receio de me expor, as pessoas não o compreendiam.
Tive também de negociar, como por exemplo, com a RTP, que percebeu a minha atitude de não me expor a um perigo desconhecido, mas a empresa que produz, tinha já gravações feitas para programas que não iam ser gravados nessa fase. Para quem, como nós, é prestador de um serviço, isso significa não faturar.
Que preparação prévia tinham? Improvisações?
A mudança profissional que tinha feito cinco anos antes impôs muito rigor e por isso, para além da minha experiência, senti que tinha preparação. Fiz muitos cortes e fechei-me em casa muito tempo a estudar, não sentindo por isso a diferença entre o meu dia-a-dia normal e a quarentena, tirando a parte do risco de saúde.
O vosso lema ajudou?
“Se tens um negócio, tens uma história. Deixa-me contar a tua história”. Há sempre uma maneira de contar uma história, seja em vídeo, TV ou fotos, e a vida, até à data de hoje, é feita de histórias. O COVID vai fazer parte da História. Estou ligada a tudo o que é história, a toda a atualidade. O meu lema não podia ser mais atual e milenar.

Primeiras reações e sentimentos?
Já falei das emocionais. Agora práticas: quantas faturas passei e quantas tenho que passar para estar meio ano em casa? Um pensamento que tenho: não devemos estar no fio da navalha quando falamos de negócios. Devemos ter uma almofada. Devemos ter sempre projetos em avanço. É o que eu faço.
Fiz todo o acompanhamento dos apoios do Governo, tanto com a minha contabilista como com o Grupo Your, para perceber as regalias e benefícios e pus o apoio à família para a minha filha mais nova, que é menor. O que interessa é o que não se perde, e não aquilo que não se ganha, e o que se vai fazer a partir daí para se ajustar ao momento da retoma. Há uma expressão que se enquadra na perfeição: “Durante a quarentena estávamos todos de paraquedas. A maneira como vais aterrar é que faz a diferença”. Não foi logo claro para mim, mas tinha a noção que precisava desse tempo e muita calma.
Decisões em real time?
De repente, abriu-se um novo mundo e transformei os meus projetos em novos formatos, como Podcasts, e com o canal SAPO como parceiro de negócio. Isto permitiu alargar a minha área de negócios, com uma grande oportunidade pois quando as coisas melhorarem vou continuar a moderar debates e apresentar eventos. Inspirei-me num atrigo do Bill Gates: “Tem um evento com sponsor? Reinvente-se. Faça um evento na sua tela”.
Preocupações / alterações estratégicas a curto e médio prazo?
Voltar ao estúdio da RTP com todos os cuidados. Quis ganhar tempo para as pessoas se ajustarem e os mecanismos estarem mais oleados de forma a garantir maior segurança. Mal a minha equipa entrou em quarentena, pu-la a gravar para um cliente, colocando no ativo o que podia, não eu, pois estou sempre exposta e não podia estar com máscara, mas a minha equipa sim, desde que em segurança.
Criei um novo projeto, um podcast “Work at home”, com o pressuposto de que as pessoas não vão ter a mesma vida e as empresas vão realizar que gastam menos com as pessoas em casa. Eu desconfiava que o estilo híbrido iria perdurar e em alguns casos ficar. Isto é tema para dois anos, semanalmente. Já apresentei o projeto a duas empresas, vamos ver, se calhar são precisas 100.
Descoberta mais surpreendente?
Sou a capitã da minha vida. O navio é meu e eu só me afundo se eu quiser.
O que é que aprendeste. Qual a grande lição?
Mais do que aprender, validei uma série de coisas. A decisão que tomei de me tornar independente, ou seja, ter a minha produtora de conteúdos, senti que foi bem tomada. Também aprendi que quando estou a fazer uma coisa é melhor não estar a fazer 10. Aprendi que o foco em menos projetos não era tão redutor como eu pensava. Apesar do meu foco passar também por fazer bem, pela perfeição, sem dúvida que houve algo que eu tive de aprender que passou por me dedicar às coisas com o seu devido tempo e também tirar parte desse tempo para mim.

O que passas às tuas filhas, de 15 e 6 anos?
Coisas exigentes e boas ao mesmo tempo, como termos de nos aguentar quando é preciso e elas aguentaram-se muito bem. Tive um orgulho enorme nas minhas filhas.
Brincámos juntas, cozinhámos juntas. Lembrámos a minha mãe que morreu muito cedo, aos 43 anos, quem as minhas filhas nunca conheceram, mas ouviram e ouvem falar como se estivesse connosco. Nunca nos podemos esquecer do amor, do amor e do afeto mesmo quando estamos a trabalhar. Somos humanos e o amor humaniza-nos.
A Retoma, Cautelas, ideias, festejos?
Não ter grandes contactos/ eventos físicos e os que se tiverem que se tomem todos os cuidados e no restante usar o digital.
O COVID-19 numa palavra?
Oportunidade.







