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Titiana Barroso

A urgência de Liderar pelo Coração

26 Março, 2021 by Titiana Barroso

Que novas formas de liderar estão a emergir num contexto de crise e Pandemia? É preciso reinventar a liderança – e a resposta está no amor. Acredito que o verdadeiro propósito da vida é a nossa evolução e a nossa transcendência. Que a vida conspira sempre a nosso favor, mesmo quando os caminhos para lá chegar sejam muitas vezes estranhos à nossa compreensão humana.

O contexto pandémico obrigou-nos a “despir” muitas das certezas adquiridas, planos futuros e “formas de funcionar e de trabalhar”. Resgatou-nos para dentro e catapultou-nos para um lugar a sós com a nossa Humanidade e vulnerabilidade. Convidou-nos a estar no presente e a ficar de frente com os nossos espaços vazios, outrora ocupados com inúmeras formas de distração e alienamento. A Pandemia lembrou-nos que temos um coração para acolher e cuidar.

E, apesar de não vislumbrarmos ainda para onde tudo isto nos vai levar – e da incerteza, do cansaço e da solidão – pressentimos que novas formas de viver e de encarar o trabalho não apenas são possíveis, mas há muito que eram necessárias.

Burnout, depressão, ansiedade, exaustão, abuso de poder e falta de sentido e de propósito – não eram sinais de desgaste e falência vital de muitos sistemas organizacionais e ambientes corporativos? Uma organização ou uma empresa é como um sistema vivo e – à semelhança da natureza ou do corpo humano – quando não é encontrado um equilíbrio entre todas as suas partes e uma forma de autorregeneração sistemática, aparecem vários sintomas que, quando descurados, levam à doença ou até à morte.

Muitas empresas foram criadas e conduzidas com foco exclusivo na maximização do lucro, descurando a cultura organizacional, a qualidade de vida dos seus colaboradores e o impacto comunitário e ambiental. Pessoas sobrevivem em culturas de medo e pouco humanizadas, sem qualquer sentido de propósito e pertença naqueles locais onde passam a maior parte dos seus dias. Todos estes fatores resultam de uma crise de consciência e esta é, sobretudo, uma falta de consciência da liderança vigente.

Acredito que muitos líderes não fizeram melhor por puro desconhecimento: O legado cultural que conheceram foi a valorização das características masculinas no meio empresarial e na liderança. Foram condicionados a acreditar que a centralização do poder, os valores militares de recompensa, a competição e o foco em resultados rápidos eram o caminho para a conquista do sucesso. Mesmo que, no final, existisse um vazio espiritual – havia necessidade de manter “a máscara” para ser visto como “poderoso” aos olhos dos outros. E a necessidade desenfreada de ser admirado e ter poder e controlo não encobre um desejo de amor e reconhecimento? De falta de amor próprio e de cuidar do próprio coração?

Características femininas como o amor, o cuidado, a intuição, a empatia e a vulnerabilidade – que nos conectam e nos aproximam da nossa Humanidade – começaram a ser excluídas da sociedade, da liderança e dos ambientes de trabalho. Não poderá ser a Pandemia um convite para acolher novamente o que havia sido excluído? Para olhar para dentro com consciência e amor, e sentir qual o caminho que nos indica o nosso coração?

É no coração de cada líder que se encontram as respostas, porque isso os aproxima da sua essência – e a essência é sempre amor. Para isso é necessário encontrar espaços de conexão interna, para posteriormente restabelecer a ligação com as suas equipas e com o propósito evolutivo das suas empresas.

Quando perdemos o contacto com o coração, dificilmente somos orientados pelo amor. E o amor, mesmo num contexto organizacional, é a força mais poderosa que existe. O caminho do coração é o caminho de um equilíbrio interno – de acolher as nossas características masculinas e femininas, de conciliar a firmeza ao amor, a força ao cuidado, a razão à intuição.

Mais do que nunca, precisamos de líderes conscientes e corajosos. De pessoas que liderem a partir do coração, que sejam guiados por um sentido de missão elevado, servidores do mundo e dos sistemas de que fazem parte.

É preciso coragem para deixar ir formas de estar e de liderar que já não nos trazem os resultados que precisamos criar em termos de Humanidade. Cabe aos líderes ser essa ponte de expansão e abertura para organizações mais conscientes, mais colaborativas, mais humanizadas. Precisa-se de organizações que elevem a vida em todos os sentidos, que sejam a expressão e expansão dos talentos de todos. Liderança é sinónimo de maturidade. E a maturidade escolhe sempre o caminho do amor.


Por Sandra Balau, Diretora executiva da In2Out, Consultora de Desenvolvimento Organizacional, Especialista em Liderança Sistémica, Mentora e treinadora de líderes

Arquivado em:Opinião

À descoberta do Universo. Existirá vida noutros planetas?

26 Março, 2021 by Titiana Barroso

Em fevereiro de 2021, o Perseverance, o robô mais sofisticado enviado pela NASA, pousou em Marte e as primeiras imagens da sua missão percorreram o mundo. O projeto MARS 2020 visa trazer as amostras do Planeta vermelho de volta à Terra em 2031. Por momentos, no pico de uma 3.ª vaga de Pandemia, as notícias não foram sobre os números de casos de coronavírus, mas sim sobre algo que desde sempre fascinou o Homem – a exploração do espaço em busca de outras formas de vida.

A Ciência baseia-se no conhecimento prático e sistemático, mas nela está também fundada uma das perguntas mais filosóficas de sempre: “existe vida noutros Planetas?” Num artigo publicado pelo The Economist é feita a reflexão.

Arthur C. Clarke, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica, como a que deu origem ao filme “2001: Uma Odisseia no Espaço” afirmou: “Existem duas possibilidades. Ou estamos sozinhos no cosmos ou não. Ambas são igualmente assustadoras.” A sensação de proximidade e ao mesmo tempo a vastidão do Universo fazem pensar se há efetivamente vida nos outros Planetas e se assim for, se seremos capazes de a descobrir, ou então, não existindo, faz-nos pensar que a vida na Terra é mesmo um golpe de sorte.

Não existem provas de outras formas de vida inteligente e a explicação de como tudo começou, nomeadamente o início da vida terrestre, ainda tem zonas cinzentas. Além disso os outros Planetas estão muito longe, o que dá espaço a várias teorias – talvez a vida seja rara, talvez seja comum, mas a inteligência não o é.

Lado a lado com a escassez de dados, existe uma variedade de telescópios e naves espaciais a procurar por sinais de vida em lugares que vão desde as luas e Planetas do sistema solar a outras estrelas da Via Láctea. Se um dia fosse provada a existência de vida alienígena, num Planeta a dezenas de anos-luz de distância, o Mundo seria fortemente abalado. A evidência de que a vida é realmente comum no cosmos, viria perturbar a compreensão da Humanidade sobre seu lugar no universo.

Está alguém aí?

Carl Sagan, incontornável figura no campo da Ciência Astronómica e Astrofísica e autor de centenas de obras de publicações científicas, e dezenas de livros de ficção científica, numa entrevista para a revista Rolling Stone, em 1973, falou do que poderia acontecer caso fosse encontrada vida noutros Planetas.

Para o Cientista e Autor, as pessoas iriam ficar perturbadas com a ideia de que pode haver vida noutro lugar, até mesmo formas de vida mais simples. A ideia de que pode haver civilizações mais avançadas do que nós noutros lugares seria desorientadora. Nas suas palavras: “Não sou Psicólogo, mas falei com muitas pessoas sobre o assunto e acho que há uma sensação de “vamos manter a ideia de onde estamos, num universo bem organizado.”

Imaginar que somos apenas um tipo de vida onde existem milhões de outros tipos, alguns deles muito mais avançados do que nós, seria uma experiência de expansão da mente que muitos não teriam interesse em fazer.

Há contudo, uma predisposição emocional oposta que faz com que as pessoas queiram desesperadamente acreditar que existe vida para além da Terra. Sobre isso, Sagan referiu a estrela de Barnard, a cerca de seis anos-luz de distância e a mais próxima do sol, e a descoberta de ter um companheiro escuro com cerca de metade da massa de Júpiter. Sobre esse objeto, Sagan descreveu como sendo “quase certamente um Planeta”.

Em 2018, veio a saber-se que esse Exoplaneta a orbitar a estrela Barnard, com pelo menos 3,2 massas terrestres, é uma super-Terra. Mas neste caso, um mundo gelado e fracamente iluminado, impróprio para a vida como a conhecemos.

Por galáxias e atmosferas nunca dantes navegadas

Não é apenas de ficção que se alimenta a ideia da existência de vida noutros planetas. A NASA e a sua enorme capacidade técnica e científica para além de um potencial inigualável de telescópios e profissionais, tem uma área dedica à possibilidade de vida no cosmos – o NASA Exoplanet Exploration: planets beyond our solar system.

A nossa galáxia está repleta de Exoplanetas – Planetas ao redor de outras estrelas. Alguns deles são mundos pequenos e rochosos, de tamanho semelhante e composição provavelmente semelhante ao Planeta Terra.

Já em 2021, a NASA anunciou a descoberta de mais um Exoplaneta, semelhante a Neptuno, o GJ 414 A b que orbita numa estrela do tipo K.

A busca por formas de vida para além da Terra parece estar ainda no início e a Ciência relembra que há muitos Planetas na galáxia, muitos com semelhanças ao nosso. As observações do solo e do espaço confirmaram milhares de Planetas além do nosso sistema solar.

Nunca existiu tanto conhecimento acerca da vida no cosmos como agora, mas a observação de sinais de possível vida microbiana em atmosferas de Exoplanetas está atualmente fora de alcance. Encontrar uma vida não inteligente é muito mais provável, tendo em conta que a Terra existiu durante a maior parte da sua história, 4,5 biliões de anos, sem a existência de vida e a civilização humana é um fenómeno relativamente tardio.

O Planeta “perfeito” pode estar por agora fora de alcance, mas nos próximos anos e décadas, uma equipa de verdadeiros caçadores de Exoplanetas não vão desistir do seu objetivo: a evidência inequívoca de outro mundo e a respirar.

Arquivado em:Notícias

A Sustentabilidade significa ação coletiva e liderança arrojada

26 Março, 2021 by Titiana Barroso

A primeira edição da nova revista trimestral da Capgemini “Conversations for Tomorrow”, analisa em profundidade o tema da Sustentabilidade com líderes e especialistas do setor, com o intuito de perceber o que significa para as empresas e para a sociedade.

O Capgemini Research Institute acaba de lançar a “Conversations for Tomorrow” – uma nova publicação trimestral que reúne líderes e especialistas em torno da análise e do debate dos principais imperativos estratégicos que estão a moldar o futuro das empresas e da sociedade. A primeira edição elegeu a Sustentabilidade como tema principal e intitula-se ”Why sustainability means collective action, bolder leadership, and smarter technologies”, e oferece insights críticos sobre os programas estratégicos globais em curso para responder  aos grandes desafios sociais e económicos de um futuro mais sustentável.

A publicação partilha perspetivas únicas de uma série de especialistas e profissionais de empresas, de ONGs, de responsáveis governamentais, de inovadores e de académicos, sobre temas que abrangem a inclusão dos objetivos de sustentabilidade, a identificação do quadro de governação mais correto, e compreender a importância dos prazos e da escala para as novas tecnologias.

A primeira edição conta com contributos de Frans Timmermans, Vice Presidente do European Green Deal da Comissão Europeia; de Beatriz Perez, Chief Communications, Sustainability and Strategic Partnerships Officer da Coca-Cola Company; de Laurence Pessez, Global Head de CSR no BNP Paribas; de Pia Heidenmark Cook, Chief Sustainability Officer do Ingka Group; de Ajay Kela, President e CEO da Wadhwani Foundation; e de Sally Uren, Chief Executive of Leading Sustainability  da ONG Forum for the Future; de Ann Mettler, Vice President, Europe da Breakthrough Energy; de Bertrand Piccard, Investigador Especializado na Sustentabilidade da Solar Impulse.


Aiman Ezzat, Chief Executive Officer do Grupo Capgemini, afirma: “A necessidade de abordar as questões ambientais e suas respetivas consequências sociais nunca foi tão importante como atualmente. Para terem impacto positivo no mundo, construírem vantagens competitivas e reforçarem a sua resiliência organizacional, as empresas e os seus líderes têm de se unir para encontrar soluções para os grandes desafios sistémicos com que estamos a ser confrontados. Mas isto só é possível quando há colaboração e quando se alimentam diálogos e debates importantes, partilhando ideias e inovações, de modo a podermos aproveitar as oportunidades de um futuro mais sustentável e inclusivo. É exatamente isto que esta revista, a primeira de uma série trimestral dirigida aos líderes empresariais, pretende fazer.”

Além das perspetivas dos líderes em todo o mundo, a publicação baseia-se também em temas que emergiram de um estudo multissetorial realizado em todo o mundo pelo Capgemini Research Institute sobre “Sustainability at Scale: A cross-sectoral view of why sustainability goals need a reset”. Este estudo sublinha a forte correlação que existe entre Sustentabilidade e benefícios empresariais tangíveis. Mais de seis em cada 10 organizações registaram um aumento das receitas provenientes das suas operações sustentáveis. Além disso, quase 80% dos gestores inquiridos referiram que o incremento da fidelização dos clientes é outro importante benefício alcançado pelas suas iniciativas de Sustentabilidade.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Menos ambição, mais estagnação. Os gestores portugueses estão desencantados

26 Março, 2021 by Titiana Barroso

Foram revelados os resultados do CEO Survey 2021, que face ao futuro da economia nacional, indicam um generalizado desencanto dos gestores das principais empresas do mercado nacional. O nível de expetativas foi semelhante a 2019 e 2020, resultados que apesar de positivos ficaram muito abaixo ao período de retoma “pós-troika” (2015-2018).

O estudo realizado pela Stanton Chase Portugal decorreu entre janeiro e fevereiro de 2021 e teve como base as respostas de mais de duas centenas de gestores (CEO, General Managers e Country Managers) a trabalharem atualmente no País, em organizações nacionais e internacionais.

O desencanto depois da esperança da retoma

Uma das principais conclusões da pesquisa revela que houve um claro decréscimo (cerca de 40%) do otimismo face ao período de 2015 a 2018. Embora positivos, os resultados mostram uma manutenção de um nível de expetativas similar a 2019 e 2020, no que respeita à evolução da economia portuguesa. O impacto da pandemia poderá explicar estes últimos dois anos, mas não os resultados de 2019.

Mesmo assim, em 2021 os gestores portugueses anteveem para os próximos dois anos um ligeiro acréscimo da evolução da economia face ao ano passado (de 61 para 66%) e do respetivo setor (de 70 para 74%). No que diz respeito à evolução dos negócios da própria empresa existe um decréscimo de 75 para 73%.

O sucesso dos programas de vacinação contra a COVID-19, em termos globais, ditam o horizonte da recuperação como um dos fatores internacionais que mais irão ajudar a economia portuguesa já em 2021 (cerca de 82% dos inquiridos). Outros fatores identificados foram os pacotes financeiros de recuperação (Bazuca) vindos da União Europeia (68%) e ainda a rápida retoma da procura nas economias mais afetadas pela pandemia (58%).

Relativamente às principais linhas de orientação de negócio das suas empresas para o presente ano, os gestores revelam bastante menos ambição do que em anos anteriores. A expansão desce de 57% para 43%, a Internacionalização de 20% para 18%, subindo a manutenção de 22% para 30% e reestruturação / downsizing de 7% para 15%.

Não obstante o cenário menos positivo, a maioria (62%) reconhece que considerando o mercado português nos últimos três anos, foi nas Tecnologias e/ou Telecomunicações e no setor da Logística e Transportes onde existiu um aumento da capacidade competitiva face ao estrangeiro.

2021 e mais além

Numa fase pós-Pandemia, a adoção de uma nova estratégia de atração de investimento estrangeiro é uma das medidas apontadas pelos gestores como forma de alavancar o crescimento e facilitar a vida das empresas portuguesas. Para além disso, e face à situação atual, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência, e suas reformas estruturais e a retoma de políticas de investimento público, são outros fatores identificados como fundamentais.

Ao nível da gestão de pessoas e apesar do impacto da Pandemia, as maiores dificuldades referidas pelos CEO estão em linha com os anos anteriores, sendo o recrutamento do talento adequado (53%), o incentivo à motivação e compromisso dos colaboradores (35%) e a retenção de pessoas chave (27%) as mais mencionadas.

Paralelamente a esta visão, os gestores salientam que as competências a desenvolver nos próximos anos centram-se na adaptação à mudança, criatividade e inovação, nas soft skills e nas competências de liderança. Face a 2019, realça-se a subida de 6 pontos percentuais das soft skills e a descida de 8 pontos percentuais das competências de liderança.

O perfil do gestor português

Visão estratégica do negócio, focalização nos clientes e orientação para resultados, foram as competências mais valorizados pelas empresas na seleção dos seus líderes executivos. Não descurando a criatividade e a inovação. Quanto aos principais fatores que mais podem contribuir para o desenvolvimento da carreira profissional de um líder executivo, as respostas recaíram sobre: experiência internacional (38%); desenvolvimento de soft skills (48%) e experiência em projetos de mudança organizacional (39%).

Sendo anos atípicos e de horizontes menos prósperos para a maioria dos setores da economia portuguesa, o perfil do “gestor português”, identificado pela maioria dos entrevistados, parece ser o que mais se adequa aos tempos de gestão de crise: dedicação, resiliência e flexibilidade, e orientação à mudança.

A maioria reconhece Portugal como um bom sítio para trabalhar, (67% entre bom e excelente), sendo o nível de segurança, a qualidade de vida e a cultura do país os principais atrativos para profissionais altamente qualificados.

Arquivado em:Notícias

Estes são os países com as melhores condições de trabalho na Saúde para as mulheres

25 Março, 2021 by Titiana Barroso

Neste último ano em que o mundo enfrenta uma Pandemia, a Saúde passou a estar no centro da ação dos países e no foco da atenção das pessoas e dos media. Numa pesquisa realizada pela Lenstore em 30 países europeus, foram analisados a média anual de salários, horas de trabalho, dias e subsídio de férias e o número de mulheres na indústria, e agora revelados os melhores países da Europa para as profissionais de saúde no feminino.

PaísesMédia SalarialHoras trabalho (2019)% mulheres
1.      França

 

30.300€34.544%
2.      Holanda

 

44.600€25.254%
3.      Finlândia

 

39.350€35.658%
4.      Eslovénia

 

25.350€39.363%
5.      Dinamarca

 

52.830€32.451%
6.      Reino Unido

 

34.860€3348%
7.      Letónia

 

13.780€37.274%
8.      Estónia

 

17.960€36.574%
9.      Espanha

 

29.800€34.955%
10.  Suécia

 

41.550€3448%

 

Portugal ocupa o 20.º lugar da tabela, com 84% dos empregos no setor da Saúde a serem desempenhados por mulheres (55% em medicina), havendo uma igualdade entre homens e mulheres no número de horas de trabalho (38) e dias de férias (24). Existe, contudo, tal como verificado em todos os países envolvidos na pesquisa, uma disparidade salarial entre homens e mulheres, que em Portugal ronda os 8.000€/ano (valor que os homens ganham a mais do que as mulheres).

Bélgica, Malta e Itália, ocupam os lugares mais abaixo da tabela.

No topo da carreira

Para mulheres que queiram seguir uma carreira na área da Saúde, a França é a melhor opção. Em particular, este é o país onde existe a maior percentagem (cerca de 63%) de mulheres estudantes de Medicina, que é mais do que o dobro de qualquer outro país, tornando-o ideal para a progressão de carreira. É também aqui que são dados mais dias de férias, cerca de 34 por ano, um a menos do que a Eslovénia, que ocupa o primeiro lugar, com 35. Apesar de não ser dos países com o nível salarial mais elevado (cerca de 30.300€ / ano), a França ocupa um honroso primeiro lugar.

Equilibrar a vida profissional/ pessoal é importante para manter um estilo de vida saudável e a Holanda tem o número de horas de trabalho mais baixo para as mulheres que trabalham no setor, com uma média de 25 horas por semana. É também aqui que se oferece o sexto melhor salário médio da Europa, com as mulheres a ganhar em média 44.600€.

À frente da Escandinávia, a Finlândia é o terceiro melhor país, com das maiores percentagens de mulheres a trabalhar na área de saúde e assistência social, 86% em relação aos homens, tendo ainda o quinto maior número de médicos do sexo feminino na Europa.

Apesar de não estar entre os 10 primeiros, a Suíça lidera a classificação como o país em que as mulheres profissionais de saúde são mais bem pagas (cerca de 70.000€/ano), mas que mesmo assim corresponde a menos 19% do que ganham os homens. A Islândia e o Luxemburgo ocupam a segunda e terceira posição, respetivamente.

A favor da igualdade

Os cinco países com a mais equilibrada igualdade de género no setor da saúde são:

  1. Romênia
  2. Hungria
  3. Sérvia
  4. Suécia
  5. Dinamarca

Desde o início da Pandemia que milhões de pessoas dependem dos serviços de saúde, com o trabalho de médicos e enfermeiros a inspirar os mais jovens a seguir uma carreira no setor da saúde. É por isso, cada vez mais importante considerar as oportunidades e a igualdade de género que as mulheres podem esperar.

Arquivado em:Notícias

Dormir em tempos de Pandemia. Alertas para um sono saudável

25 Março, 2021 by Titiana Barroso

Uma das atividades mais importantes na nossa existência é o sono – um pilar da saúde e da qualidade de vida. A regularidade na higiene do sono tendo em conta que um adulto deve dormir entre 7 a 9 horas por dia, é mais importante que nunca, numa época em que a ansiedade, o medo, e o pânico, são inimigos do sono.

A 19 de março assinalou-se o Dia Mundial do Sono, este ano sob a temática “Sono regular, Futuro saudável”. Nesse âmbito, foram divulgados os primeiros resultados do estudo “Como dormimos em tempo de Pandemia?”, promovido pela Associação Portuguesa do Sono (APS), em conjunto com o CINEICC – Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (Universidade de Coimbra – Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação). O inquérito realizado entre junho e julho de 2020 considerou 1079 pessoas, com uma representatividade de idades dos 12 aos 86 anos (média de 45,7 anos).

4 Principais tendências do estudo: 

  1. O impacto da situação pandémica no sono foi diferenciado: há pessoas que sentem que o sono piorou (45,7%); pessoas que mantêm o seu padrão de sono (37,8%); pessoas que experimentam melhorias do sono (14,6%);
  2. Cerca de metade das mulheres e dos estudantes referiu ter piorado o seu sono, assim como a maioria dos cuidadores e das pessoas que se encontram em casa a dar acompanhamento aos filhos;
  3. Os horários médios de deitar e de acordar durante a semana foram mais tardios, aproximando-se dos horários de fim-de-semana. Esta maior regularidade pode ser positiva e contribuir para um sono de melhor qualidade;
  4. Através da comparação com uma amostra de 2017, estima-se que as insónias passaram de 11% para 18%.

Porque temos tido dificuldade em dormir durante a Pandemia?

No artigo “COVID-19. Sono Saudável: Recomendações para Adultos, Trabalhadores e Pais”, publicado pela Ordem dos Psicólogos (OPP), dá-se o alerta para a inevitável correlação entre a Pandemia e alteração dos padrões de sono, deixando algumas recomendações.

À medida que avançamos para um segundo ano de COVID-19, são evidentes os efeitos nefastos no sono, em consequência de diferentes situações: dificuldades financeiras, desemprego, luto, medo de ser infetado ou de ver alguém próximo ser infetado ou morrer, teletrabalho e telescola, entre outras.

O aumento de horas em frente a ecrãs e à exposição da sua luz artificial diminui a produção natural de melatonina – a hormona do sono. O confinamento veio reduzir os contactos sociais, atividade física e a exposição à luz solar, trazendo alterações das rotinas pessoais resultando numa vida mais sedentária.

Por isso, é natural que aumentem as insónias (iniciais ou terminais) ou as noites mal dormidas, e tal vem afetar diretamente o nosso bem-estar e os nossos comportamentos. Já antes da Pandemia cerca de ¼ da população referia sofrer de insónias ou outros problemas de sono e a esmagadora maioria não dormia o número médio de horas recomendado.

A privação de sono está associada à desregulação emocional. Sentir-se irritado, mais deprimido, ansioso, falta de concentração e atenção são consequências comuns. A OPP afirma que por cada hora perdida de sono, existe um aumento de 14% no risco de emoções negativas; mais 38% de probabilidade de nos sentirmos tristes; ou um aumento de 23% na probabilidade do recurso ao tabaco ou álcool.

Dar prioridade ao sono

Estabelecer e manter bons hábitos de sono pode demorar algum tempo e exige persistência. De forma a manter uma boa saúde física e psicológica, garantir que tem uma boa qualidade de sono deve ser uma prioridade:

– Deve deitar e levantar sempre à mesma hora, tal como em tempos normais

– Prepare o espaço de sono que deve ser adequado, assegurando o máximo de conforto

– Adote uma rotina de sono; antes de ir dormir tome um banho quente, leia um livro, medite, ouça música ou faça outras atividades que ajudem a “desligar” de forma tranquila e relaxada

– Pratique exercício físico; uma caminhada ou atividades físicas, sobretudo ao ar livre e com exposição solar, contribuem para regular o relógio biológico e os ciclos de sono

– Evite comportamentos que podem comprometer a qualidade do sono, tais como: fazer sestas ao longo do dia; utilizar ecrãs uma hora antes de deitar; fazer refeições pesadas ou realizar exercício físico intenso perto da hora de se deitar

– Em caso de insónia, levanta-se e realize atividades tranquilas, tais como ler ou ouvir música. O quarto e a cama não devem ser associados à ansiedade de não conseguir adormecer

Sono e Teletrabalho

Durante Pandemia, centenas de milhares de trabalhadores por todo o mundo adotaram o teletrabalho. Juntamente com isso, veio o distanciamento social e a incerteza do presente e futuro, contribuindo para o aumento do stress e da ansiedade e consequentemente, alterações nas rotinas de sono.

Aqui ficam algumas dicas para atenuar as consequências desta situação:

– Estabeleça um local específico para o teletrabalho, separado ou demarcado das restantes divisões da casa, se possível evitando que seja no espaço onde dorme

– Estabeleça horários para o teletrabalho. É importante estabelecer a hora de início e fim da atividade profissional, assim como os horários e duração das pausas

– Mantenha os seus horários habituais de sono, evitando prolongar o horário de teletrabalho após a hora definida, tentando depois compensar o descanso no dia seguinte ou em sestas

 “Deus ajuda quem cedo madruga”?

Com a alteração da rotina de trabalho, muitos profissionais descobriram que trabalhar em horários alternativos pode impulsionar a sua produtividade. Todos estamos sujeitos ao Ciclo ou Ritmo Circadiano, um período de 24 horas que regula certas atividades fisiológicas, incluindo o sono. Segundo um estudo da revista Nature, existem marcadores genéticos que afetam a hora a que as pessoas sentem sono, mas não a duração ou a qualidade do mesmo. Ou seja, em certa medida, somos geneticamente predispostos para funcionar melhor em determinado momento do dia.

O horário institucionalizado desde a Revolução Industrial, do dia de trabalho das 9h00 às 17h00, foi questionado em época de Pandemia. É necessário estarem todos a trabalhar no mesmo lugar e nas mesmas horas, ou é possível flexibilizar, fixando metas em vez de um turno fixo?

Pessoas e empresas podem agora encontrar o esquema de trabalho que funcione melhor para cada um. Duas dicas: quem começa cedo deve terminar cedo e aproveite diariamente pelo menos 15 minutos de exposição à luz solar.

Arquivado em:Notícias, Saúde

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