A eterna discussão do poder leva-nos para territórios e dimensões para as quais não temos ainda muitas respostas firmes, como se este também nos fizesse entrar na nebulosa quinta dimensão. Convém, apesar de tudo, estarmos cientes do seu significado para melhor nos equilibrarmos e compreendermos um mundo tendencialmente complexo, com pelo menos quatro dimensões conhecidas […]
A eterna discussão do poder leva-nos para territórios e dimensões para as quais não temos ainda muitas respostas firmes, como se este também nos fizesse entrar na nebulosa quinta dimensão. Convém, apesar de tudo, estarmos cientes do seu significado para melhor nos equilibrarmos e compreendermos um mundo tendencialmente complexo, com pelo menos quatro dimensões conhecidas e explicáveis. Ter a faculdade de fazer alguma coisa ou possuir força física ou moral, ter influência e valimento, são definições que podemos encontrar num simples dicionário de significados. Seguindo esta via, a afirmação do poder implica a utilização isolada ou cumulativa destas vertentes: a prática, a força física e moral, a influência e o valimento. Interrogo- -me inúmeras vezes sobre quem manda em quem, quem comanda, ou quem influencia, se será alguém ou alguma coisa ou se não será um conjunto complexo de fatores que no limite nos escapam à compreensão.
A quinta dimensão é um desafio enorme para os físicos e talvez o próximo passo no desenvolvimento das capacidades humanas e de uma nova definição de poder.
O mundo digital e a evolução tecnológica têm vindo a aguçar esta problemática e a sua evolução, como muitos já foram constatando assemelha-se à forma como fomos compreendendo as várias dimensões da realidade numa perspetiva física. Até Albert Einstein, eram apenas três as dimensões conhecidas: a linha, o plano e o volume. E não foi difícil explicar cada uma das três com o recurso à lógica é à fisicalidade. Mas foi com a genialidade de Einstein que acrescentámos a quarta dimensão, o tempo passou a ser a dimensão que nos ajudaria a entender o mundo e inaugurava a era da relatividade no mundo da Física.
A quinta dimensão é um desafio enorme para os físicos e talvez o próximo passo no desenvolvimento das capacidades humanas e de uma nova definição de poder. Há quem, no mundo tecnológico, considere que se trata da transformação digital “mística” e que esta será uma etapa da evolução tecnológica ainda desconhecida. O que interessa? Manter o desenvolvimento focando-nos na quarta dimensão ou caminhar no sentido da quinta dimensão? Fala-se de Computação de Borda (Edge Computing) que nos remete para um mundo de processamento de dados em rede altamente complexo e rápido, supra-humano. A base desse novo mundo está já em desenvolvimento e assenta na Internet das Coisas, no 5G, no Blockchain e na ideia de arquivos interplanetários.
E aqui chegados, quem manda afinal? A definição de poder tem estado associada à dimensão humana e à articulação das interações entre homens e, por isso, a ideia de ação, força física e mental, influência, fazem sentido neste contexto. A definição está também sempre enquadrada numa lógica tridimensional de ordem física e com a quarta dimensão a permitir uma abordagem temporal. Mas o poder pode estar a escapar ao Homem? Pode escapar à compreensão humana e remeter-nos para uma quinta dimensão mística onde interação entre máquinas e máquinas serão a força que se imporá? Serão a influência que nos orienta, o nosso valimento? Se o poder escapar para uma quinta dimensão, onde pode o Homem alojar-se, sublimar-se ou construir o sentido para a sua vida? Mais do que uma questão de poder, afinal é uma questão de sentido.
Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder
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