Convicto de que a liderança do futuro será para quem sabe que liderar, no sentido tradicional da palavra, é já passado. Michael Baum acredita que a sociedade caminha para algo mais autêntico, mais orgânico e decidido por comunidades mais participativas. Para o Membro Executivo do Board da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e Professor […]
Convicto de que a liderança do futuro será para quem sabe que liderar, no sentido tradicional da palavra, é já passado. Michael Baum acredita que a sociedade caminha para algo mais autêntico, mais orgânico e decidido por comunidades mais participativas.
Para o Membro Executivo do Board da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa, o que importa agora é “ligar” as pessoas e ajudá-las a sentirem-se empoderadas com essas conexões.
Colocámos as perguntas: Quem são os novos líderes? Quais são as palavras de ordem destas novas lideranças? Quais os novos territórios de atuação? Quais as grandes causas dos novos ativistas (a crise climática, o racismo, o assédio)? E quais são as suas referências?
A nobre e nova arte de mandar sempre nos remeteu para as elites e as lideranças. Hoje, há uma nova abordagem e até novos territórios. Os movimentos woke ou as culturas de cancelamento que dominam as redes sociais e a nossa sociedade trouxeram novos líderes a palco. Ativos, inconformados, são os primeiros a erguerem-se para mudar o Mundo. A Internet é uma arma e com o telemóvel passam a palavra, fazem petições, cartas abertas, boicotes e convocam manifestações. A neutralidade parece já não ser uma opção.
Michael Baum aceitou o desafio:
«A liderança do futuro será para quem sabe que “liderar”, no sentido tradicional da palavra, é já passado. O que importa agora é ser alguém que tem jeito para “ligar” as pessoas e ajudar-lhes a fazer as conexões entre eles e os recursos que precisam- promovendo a capacidade dos grupos sentirem-se empoderados por eles próprios.
A liderança clássica e hierárquica, tipo militar, com mandatários e seguidores, tem os seus dias contados. Acho que as novas gerações vão ficar fartas de ser geridas por “influencers” e zombificados pelos algoritmos das multinacionais do internet. Vão querer escapar disso para algo mais autêntico, mais orgânico, decidido em comunidades mais participativas – o que o Ben Barber chamou Strong Democracy (1984). Prevejo que vai haver uma certa revolta popular contra o poder da IA e o machine learning, talvez uma nova era de Levelers e Diggers, com uma contestação geral dos donos das máquinas que lhes queiram substituir».
A opinião foi publicada na edição de outono da revista Líder, que tem como tema Reborn from Chaos: The Path for a New Renaissance, no dossier Leading Politics sobre A nobre e nova arte de mandar.
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