A desinformação é o principal risco global dos próximos dois anos e o quinto dos próximos dez, mostra uma análise do World Economic Forum (WEF). Atualmente, a proliferação de conteúdos falsos é generalizada e agrava a erosão da confiança global nas instituições. De acordo com a Reuters, cerca de 40% das pessoas afirma confiar sistematicamente […]
A desinformação é o principal risco global dos próximos dois anos e o quinto dos próximos dez, mostra uma análise do World Economic Forum (WEF). Atualmente, a proliferação de conteúdos falsos é generalizada e agrava a erosão da confiança global nas instituições.
De acordo com a Reuters, cerca de 40% das pessoas afirma confiar sistematicamente nas notícias. A luta contra a desinformação exige um esforço de todos os setores.
Como salvaguardar a verdade quando uma onda de desinformação ameaça os ecossistemas globais de informação e as sociedades democráticas? A organização deixa três áreas-chave onde atuar para resolver este problema:
Nova paisagem digital
O atual panorama digital transformou a forma como acedemos à informação e consumimos notícias, dando origem a ecossistemas mediáticos fragmentados e em silos. Esta mudança simplificou excessivamente questões complexas e tornou difícil para o público discernir entre jornalismo isento e factual de opiniões. Além disso, facilitou a propagação da desinformação, fomentando a desconfiança e a divisão.
Durante a reunião de Davos do WEF, em janeiro, a CEO do New York Times, Meredith Kopit Levien, sublinhou a importância de melhorar a literacia mediática. «Temos de ajudar o público a ter mais conhecimentos sobre os meios de comunicação social no que se refere ao valor e à importância do jornalismo independente. As pessoas têm muita dificuldade, por muitas razões, em distinguir o que é e o que não é jornalismo», afirmou a Diretora.
Escrever a verdade é caro, lento e perigoso
Na era de comunicação instantânea, um dos principais desafios é o facto de a desinformação se propagar mais rapidamente do que a verdade, criando um terreno fértil para a confusão e a desconfiança. Ao contrário da propagação viral da desinformação, o processo de descoberta da verdade é muitas vezes lento e laborioso, exigindo uma verificação meticulosa e uma investigação cuidadosa.
«Em muitos casos, a verdade revela-se lentamente. A maioria das grandes histórias sobre coisas muito consequentes, em que o público precisa de compreender e saber quem deve ser responsabilizado e pelo quê, demora dias, semanas e, por vezes, meses», disse Levien. A Diretora utilizou como exemplo a investigação do New York Times sobre alegações de agressão sexual em Hollywood que ajudou a desencadear o movimento #MeToo, que levou meses a ser concluída.
Outra preocupação fundamental para a defesa da verdade é a natureza perigosa das reportagens em zonas de conflito ou sob regimes autoritários. Nesses ambientes, os jornalistas correm muitas vezes riscos, o que torna mais difícil fornecer informações exatas e no terreno, muitas vezes cruciais para um público bem informado.
Ema Tucker, Chefe da Redação do The Wall Street Journal, explicou essas dificuldades. «É um problema tão grande. Há países para onde não podemos enviar os nossos jornalistas e isso é um desafio para todos nós, porque dependemos de relatos de testemunhas oculares para nos certificarmos de que estamos a chegar à verdade. É uma tendência muito negativa», acrescentou.
Reconstruir a confiança na era da Inteligência Artificial e da desinformação
Os Princípios para o Futuro de uma Comunicação Social Responsável na Era da IA, uma investigação do World Economic Forum, salienta os desafios colocados pela fragmentação dos meios de comunicação social e aumento dos conteúdos gerados pela IA. Esta situação tem vindo a minar a confiança nos meios de comunicação social e a aumentar a suscetibilidade à desinformação proveniente de fontes alternativas.
A reconstrução da confiança e a promoção de um ecossistema mediático saudável exigem esforços de colaboração por parte dos governos, dos meios de comunicação social, das empresas tecnológicas e da sociedade civil. As principais estratégias incluem a promoção da literacia mediática, o reforço da independência e da sustentabilidade das organizações noticiosas de qualidade e a adoção responsável da IA.
Iniciativas como a Lei dos Serviços Digitais da União Europeia e a Coligação Global para a Segurança Digital do WEF visam combater a desinformação através da regulamentação de conteúdos nocivos e da promoção da literacia mediática. Apesar de parecer um feito hercúleo, combater a desinformação vai depender destes esforços coletivos, que são cruciais para preservar a verdade e salvaguardar as democracias.


