Para um país cuja transformação digital está em andamento e que ambiciona tornar-se um hub digital, Cabo Verde não pode subestimar a cibersegurança. No debate “A Segurança dos Dados e das Comunicações” na Leadership Summit Cabo Verde, pôs-se em evidência os desafios que ainda existem nessa área.
O debate contou com a moderação de Carlota Barbosa, Jornalista da Televisão de Cabo Verde, juntando-se Bruno Castro, CEO da VisionWare, Inoweze Ferreira, Administrador e Diretor-Geral da Unitel +, Arlindo Oliveira da Veiga, Docente e Pró-Reitor da Universidade de Cabo Verde e Eduardo Trigueiros Mendes, Consultor Sénior do Grupo CVTelecom.
Aposta nas pessoas
Eduardo Trigueiros Mendes conta que, pela sua experiência, “as maiores vulnerabilidades são criadas por pessoas” no que toca à cibersegurança, “acontece por falha humana”, esclarece.

Nesse sentido, advoga a necessidade emergente de apostar na formação e sensibilização das pessoas, que passa também pela Universidade de Cabo Verde.
Arlindo Oliveira da Veiga, enquanto pró-reitor da instituição de ensino, realça que já existem programas de pós-graduação e licenciatura, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Coimbra, nas áreas de segurança e informática.

“Se queremos oferecer cursos de pós-graduação, precisamos de ter pelo menos metade do corpo docente com este grau de ensino. É uma dificuldade encontrar engenheiros e doutores nestas áreas”, reconheceu Veiga.
“Estes cursos estão a funcionar por boa vontade da cooperação que estabelecemos com a Universidade de Coimbra”, realça.
Apesar de haver “altos níveis de penetração da internet”, avança Inoweze, “em termos de cibersegurança claramente há ainda trabalho a ser feito”.
Além disso, Bruno Castro deixa o alerta: “não podemos estar a dar skills e conhecimentos sobre cibersegurança a indivíduos que possam ter um caráter duvidoso, é um risco. […] Temos de fazer um screening das pessoas, para perceber o nível do caráter e do seu passado, e se são aceitáveis para trabalhar na área”.

Com a pandemia por Covid 19, instalou-se uma nova crise cibernética: a transformação digital ocorreu rapidamente, e a segurança ficou para trás. “Tenho a sensação de que perdemos essa batalha”, comenta o CEO da VisionWare.
“A defesa digital obriga também a que haja uma maturidade de cibersegurança, e isso não aconteceu”, acrescentou.
O que fazer para prevenir ciberataques?
Bruno Castro, especialista em cibersegurança, ressalta a necessidade de as empresas se prepararem para ciberataques, pois todos estão vulneráveis. Mencionou o desafio de acompanhar a velocidade da transformação digital e implementar medidas de segurança eficazes, dando dicas:
- Promover a segurança na ótica da maturidade;
- Montar um modelo de governança de segurança em que se envolve o top management;
- Garantir que estamos constantemente a stressar ferozmente as infraestruturas de segurança, e monitorizar em near-real time
O conceito de “bring your own device” (BYOD) também foi discutido, com Inoweze Ferreira a destacar os riscos adicionais que os dispositivos pessoais podem trazer para as organizações. Enfatiza a importância de se concentrar nas pessoas e na inclusão, a fim de garantir que ninguém seja deixado para trás.

Assista ao debate e a todas as intervenções da Leadership Summit Cabo Verde 2023, disponível on demand, com acesso universal e gratuito, na Líder TV na posição 165 do MEO e 560 da NOS.
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Por Denise Calado
