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Denise Calado

O tempo está a acabar e a água também: seis metas a alcançar até 2030

22 Março, 2023 by Denise Calado

Um quarto da população global – 2 mil milhões de pessoas – usa fontes de água potável inseguras. Metade da humanidade vive sem saneamento gerido com segurança; e um em cada três pessoas carece de instalações básicas para lavar as mãos em casa.  

De acordo com a Organização Mundial de Saúde e a UNICEF, para pelo menos 3 mil milhões de pessoas, principalmente em países em desenvolvimento, a qualidade da água de que dependem é desconhecida porque os dados são não recolhidos rotineiramente. 

Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi instituído pela ONU em 22 de março de 1992 e procura a consciencialização da população a respeito dessa substância, que é essencial para a vida no planeta. 

Em Portugal, apesar do saneamento não ser um problema, as alterações climáticas estão já a fazer-se sentir, e a falta de água foi já evidente nas regiões do interior com a seca severa e extrema. Em Junho de 2022, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), 67,8% do território português encontrava-se em seca severa, 28,4% em seca extrema e 3,7% em seca moderada. 

Apesar de o Governo garantir que tem em reserva água para consumo humano para dois anos, admitiu um racionamento de água em diversas zonas do país para usos como a agricultura no verão passado. 

O próximo verão é ainda uma incógnita, mas há medidas que podem ser tomadas já para assegurar que este bem essencial. 

As metas das Nações Unidas

A COP27 e a Conferência dos Oceanos são alguns dos eventos que têm juntado políticos, lideranças e organizações para reverter o quanto antes as alterações climáticas, e impedir uma escalada que pode não ter retorno para a Humanidade. 

De acordo com as Nações Unidas, para alcançar o acesso universal à água potável, saneamento e higiene até 2030, as atuais taxas de progresso precisariam aumentar quatro vezes. Alcançar essas metas salvaria 829 mil pessoas anualmente, que morrem de doenças diretamente atribuíveis à água imprópria, saneamento inadequado e práticas de higiene precárias. 

As seis metas até 2030

As Nações Unidas têm estabelecidas seis metas de desenvolvimento sustentável para água até 2030: 

  1. Ter acesso universal e equitativo à água potável segura e acessível para todos;
  2. Alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, prestando atenção especial às necessidades de mulheres e crianças, e pessoas em situação de vulnerabilidade;
  3. Melhorar a qualidade da água reduzindo a poluição, eliminando o despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo em metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e a reutilização segura globalmente;
  4. Aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e garantir um abastecimento de água doce sustentável para enfrentar a escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água;
  5. Implementar a gestão integrada dos recursos hídricos a todos os níveis, inclusive por meio da cooperação transfronteiriça conforme apropriado;
  6. Expandir a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países em desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, incluindo captação de água, dessalinização, eficiência hídrica, tratamento de águas residuais, tecnologias de reciclagem e reutilização.

Arquivado em:Clima, Notícias, Sustentabilidade

Leadership Summit Cabo Verde – Last Call

22 Março, 2023 by Denise Calado

É já amanhã que se vai realizar a primeira edição da Leadership Summit Cabo Verde na Assembleia Nacional, sob o tema “Nova Liderança Digital”, com a participação de várias figuras nacionais e internacionais.  

Destaque para a presença de José Maria das Neves, Presidente da República de Cabo Verde e Ulisses Correia e Silva, Primeiro-ministro, para além de Pedro Lopes, Secretário de Estado para a Inovação e Formação Profissional.  

William Jorgensen, Professor da Universidade de Yale, Ayumi Moore Aoki, Presidente da Women in Tech Global e António Gameiro Marques, Diretor Geral do Gabinete de Segurança Nacional de Portugal estão também entre o painel de oradores que vão marcar presença na maior Cimeira de liderança a acontecer em Cabo Verde. 

Dois momentos especialmente aguardados serão a videoparticipação de Paddy Cosgrave (vídeo), Fundador e CEO da Web Summit, na conversa “Quem lidera a inovação, o público ou o privado?”, entre Pedro Lopes, Secretário de Estado para a Inovação e Formação Profissional e Ricardo Lima, Head of Startups da Web Summit. O encerramento da Cimeira com o Debate “Empreendedorismo Jovem – O futuro da liderança”, vai contar com a participação de Dino D’Santiago, Músico – Compositor e Ativista, Darlene Barreto – Presidente da Fundação Orlando Pantera, Hélder Cardoso – Artista Plástico e Zedilson Almeida – Young Leader da Fundação Obama para Angola e Co-fundador da Manifexto e Kioxke, e será outro dos momentos a não perder.  

Estarão em palco outras figuras nacionais e internacionais tais como Miguel Monteiro, Presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Débora Carvalho, Primeira-dama de Cabo Verde, Pedro Barros, Presidente do Fundo Soberano, Herménio Fernandes, Presidente da Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, Advogada e Política, Edna Oliveira, Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública de Cabo Verde, Inoweze Ferreira, Administrador e Diretor Geral da Unitel T+, Arlindo Oliveira da Veiga, Docente e Pró-reitor da Universidade de Cabo Verde, Mayra Silva, Representante da Women in Tech Cabo Verde, Manuel Conde, Customer Transformation Partner da PwC, Victor Andrade, Director de Marketing Produtos e Dinamização de Canais da Garantia Seguros, João Mota Lopes, Public Sector Lead na Oracle e Docente no ISEC, Cesaltina Mendonca Semedo, Diretora de Inovação e Tecnologia de Informação da Enapor Cabo Verde, Eduardo Trigueiros Mendes, Consultor Sénior do Grupo CVTelecom, Bruno Castro, CEO da VisionWare, Joelma Tavares, CEO da DevTrust e Ricardo Martins, Administrador da Pedago Portugal e da Plurália África. 

Destaque para a programação artística que acompanha o dia da Cimeira, dentro e fora do palco da Assembleia Nacional, coordenada por Mano Preto, bailarino e Diretor da Companhia Raiz di Polon.  

Destaque também para as oito masterclasses a decorrer no Campus da Universidade de Cabo Verde, no dia 24, 6ªfeira. As sessões são de acesso limitado, sujeitas a inscrição prévia e à lotação da sala. 

A Leadership Summit Cabo Verde é uma iniciativa da Tema Central e da The Office, agência cabo-verdiana de Public Affairs. 

Veja o programa completo aqui. 

Programa dos side events podem ser encontrados neste link. 

Adquira o seu bilhete para a Leadership Summit Cabo Verde na bilheteira online Ticketline. 

Para além do apoio institucional do Governo de Cabo Verde, da Assembleia Nacional de Cabo Verde, do TechPark Cabo Verde e da Cabo Verde TradeInvest, o evento conta com o apoio da Garantia, Unitel T+, PwC, VisionWare, na qualidade de Platinum Sponsors; da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Super Bock Group, ForecastIT e ASA, na qualidade de Gold Sponsors;  Pão Quente, na qualidade de Silver Sponsor; e da Minimal, Cavibel, Banco Comercial do Atlântico, Sumol+Compal, All4Innovation, BTOC, Nosi, Rangel, BI4ALL e Redshift, na qualidade de Bronze Sponsors. A Televisão de Cabo Verde, a Rádio da Cabo Verde, a RTP África, a Bantumen, o Expresso das Ilhas, a rádio Morabeza e a revista Líder são os parceiros de media da cimeira, e os hotéis Pestana Trópico e Oásis Atlântico dão apoio à produção. 

A partir do dia 31 de março, assista às várias intervenções na Líder TV (www.lidertv.pt) MEO #165 ou NOS #560. 

 

Arquivado em:Liderança, Notícias

Refugiados em Portugal já podem receber capacitação digital

22 Março, 2023 by Denise Calado

Foi lançado um novo projeto que visa capacitar e facilitar a entrada no mercado de trabalho de refugiados que se encontrem em Portugal. 

Em parceria com o Conselho Português de Refugiados (CPR), a KCS IT, empresa de consultoria de IT, vai dar formação a refugiados para adquirirem competências digitais. A primeira turma terá 16 alunos, todos eles adolescentes entre os 16 e 17 anos, e arranca no mês de março. 

Formar para a literacia digital 

A formação dará noções básicas de como usar ferramentas informáticas, o que será essencial tendo em consideração que muitas das pessoas não sabe ainda falar português, podendo assim ter dificuldade em navegar na internet. 

Assim, o projeto procura dar “componentes de acessibilidade”, para ensinar este público a “conseguir procurar um quarto na internet, fazer pesquisas e utilizar equipamento informático”, diz Jorge Vara, Diretor da Divisão de Negócios da KCS IT, à Líder. 

Ensinar as “primeiras operações básicas num computador” será a prioridade, afirma, bem como a segurança na internet “entenderem o que são fontes seguras, quais apresentam riscos”, entre outros conteúdos programáticos, confirma Vara. 

As aulas serão lecionadas em Português, Francês, Inglês, Árabe e Punjabi, para que o grupo de refugiados escolhido pelo CPR consigam ter o apoio que precisam.  

O projeto prevê já a criação de novas turmas em abril e maio, e consideram que “existe a disponibilidade” para expandir este projeto para outros públicos vulneráveis. 

Dar a oportunidade para entrar no mercado de trabalho

Além desta formação, a KCS IT vai recolher os currículos dos refugiados e, se houver alguém com skills mais avançadas, e que se adeque ao que a empresa pretende, pode ser recrutado diretamente pela consultora.  

“Algumas nacionalidades dos refugiados até são comuns com algumas das pessoas da KCS IT”, comenta o Diretor da Divisão de Negócios, pelo que a integração destas pessoas seria, de certa forma, facilitada. 

Nas palavras de Alexandra Carvalho, Coordenadora de Projetos do CPR,“esta parceria com a KCS IT será fundamental para melhorar a vida dos requerentes de protecção internacional e menores não acompanhados apoiados pelo CPR, através do incremento da sua inclusão em Portugal por via do aumento das suas competências digitais e consequente inserção profissional. Em simultâneo, será uma boa oportunidade para sensibilizar as empresas para a questão do asilo e dos refugiados, promovendo uma cultura empresarial de apoio à integração dos refugiados em Portugal” 

Arquivado em:Notícias, Sociedade, Tecnologia, Trabalho

«Urge romper o ciclo de dependência em Cabo Verde», diz Pedro Barros

22 Março, 2023 by Denise Calado

Pedro Barros é Presidente do Fundo Soberano, e compõe o painel de oradores da Leadership Summit Cabo Verde, a Cimeira de Liderança a ter lugar na Assembleia Nacional (Cidade da Praia), já amanhã, sob o tema “Nova Liderança Digital”. 

O responsável vai marcar presença no Debate “Digitalização das organizações e das empresas”, enquadrado no primeiro slot da manhã de trabalhos, “Desmaterializar – liderança digital num admirável mundo novo”. Na mesa redonda serão abordadas as novas oportunidades da era digital, como a ascensão do dinheiro virtual, as empresas tecnológicas e os novos negócios. 

Conheça um pouco melhor o perfil Pedro Barros a partir destas três perguntas. 

Qual a importância do desenvolvimento da liderança em Cabo Verde e quais considera serem os desafios fundamentais? 

Como é sabido o desenvolvimento da liderança é um processo contínuo que consiste não só, no aprimoramento das habilidades e comportamentos pessoais, mas também na capacidade de aprender sempre e inspirar outras pessoas. Cabo Verde, à semelhança de vários outros países que possui um território diminuto e uma pequena economia, apesar das suas circunstâncias específicas, os seus líderes são confrontados com alguns desafios fundamentais que são comuns aos outros, com destaque para os seguintes: 

1.    Os limitados recursos de capital, de infraestrutura e mesmo de mão de obra especializada, tornam mais difíceis a implementação de políticas e projetos de desenvolvimento, incluindo as mais básicas, como a alimentação, saúde e a educação; 

2.    A pequenez do mercado e a limitação de recursos constituem dificuldades acrescidas na atração do investimento externo e, por conseguinte, exigem soluções disruptivas necessários ao estímulo de um rápido crescimento económico e à diversificação da economia, por forma tornar o país cada vez menos vulnerável e com maior capacidade de acesso ao mercado global; 

3.    A excessiva dependência externa em ajuda financeira, técnica e também do comércio internacional, condicionam a tomada de decisões e a satisfação das necessidades do país, pelo que urge romper esse ciclo de dependência; 

4.    E por fim, como em todos os países pequenos onde as estruturas políticas e sociais são menos desenvolvidas, detendo uma base eleitoral pequena e assente em fortes laços comunitários, tornam assim mais difícil para os líderes a tomada de decisões e a criação de entendimentos que permitam apoiar a implementação das suas políticas e agendas. 

Estes são, por conseguinte, apenas alguns de entre os vários desafios que também os líderes cabo-verdianos têm de enfrentar. 

O que podemos esperar da sua participação na Leadership Summit Cabo Verde? 

Com a minha participação espero poder dar um pequeno contributo alertando aos nossos líderes nacionais para algumas dificuldades acrescidas e específicas do país, apontando algumas soluções disponibilizadas pelo Governo, nomeadamente a nível do fomento empresarial tendo como objetivo último, vencermos com sucesso alguns dos grandes desafios específicos que as empresas e os cabo-verdianos enfrentam na realização dos seus negócios.  

Que palavras quer deixar aos líderes cabo-verdianos? 

Sem dúvida que para superarmos os inúmeros desafios que se colocam ao país na presente conjuntura e “não deixar ninguém para trás”, é importante que os líderes cabo-verdianos consigam, adotar as habilidades de liderança devidamente ajustadas para que em estreita articulação com as nossas comunidades seja possível implementar soluções inovadoras e adaptadas aos problemas e às circunstâncias locais e específicas, de modo a enfrentarmos com sucesso e vencer os inúmeros desafios que o país nos coloca. 

 

A Leadership Summit Cabo Verde é uma iniciativa da Tema Central e da The Office, agência cabo-verdiana de Public Affairs. 

Veja o programa completo aqui. 

Programa dos side events podem ser encontrados neste link. 

Adquira o seu bilhete para a Leadership Summit Cabo Verde na bilheteira online Ticketline. 

Para além do apoio institucional do Governo de Cabo Verde, da Assembleia Nacional de Cabo Verde, do TechPark Cabo Verde e da Cabo Verde TradeInvest, o evento conta com o apoio da Garantia, Unitel T+, PwC, VisionWare, na qualidade de Platinum Sponsors; da Bolsa de Valores de Cabo Verde, Super Bock Group, ForecastIT e ASA, na qualidade de Gold Sponsors;  Pão Quente, na qualidade de Silver Sponsor; e da Minimal, Cavibel, Banco Comercial do Atlântico, Sumol+Compal, All4Innovation, BTOC, Nosi, Rangel, BI4ALL e Redshift, na qualidade de Bronze Sponsors. A Televisão de Cabo Verde, a Rádio da Cabo Verde, a RTP África, a Bantumen, o Expresso das Ilhas, a rádio Morabeza e a revista Líder são os parceiros de media da cimeira, e os hotéis Pestana Trópico e Oásis Atlântico dão apoio à produção. 

A partir do dia 31 de março, assista às várias intervenções na Líder TV (www.lidertv.pt) MEO #165 ou NOS #560. 

 

Arquivado em:África, Cabo Verde, Liderança, Notícias

A terceira palavra de “Transformação Digital”  

22 Março, 2023 by Denise Calado

“Transformação digital” é uma expressão com três palavras. A palavra escondida, mas não menos importante, é “pessoas”. Refiro-me, aqui, aos membros organizacionais, stakeholders fundamentais do processo transformativo, por duas razões. Primeira: essa transformação destrói postos de trabalho, transforma o conteúdo dos existentes, e cria funções que requerem novas competências. Para algumas pessoas, a nova vaga é uma fonte de oportunidades. Para outras, é uma ameaça. É necessário que as organizações e as sociedades desenvolvam mecanismos e medidas que promovam a aplicação, a adaptação e o desenvolvimento de novas competências. Caso contrário, alargar-se-á o fosso entre os abençoados com as competências necessárias e os que ficarão excluídos. As desigualdades agravar-se-ão, com consequências nefastas para a estabilidade social e a saúde das democracias liberais. É igualmente crucial que as pessoas (e.g., os gig workers) não sejam transformadas em “abstrações” ou “objetos” geridos por algoritmos que, embora repletos de “inteligência”, tomam decisões estúpidas ou humanamente destrutivas.  

A segunda razão para colocar as pessoas no cerne do processo é que o êxito da transformação depende do envolvimento das mesmas. Tsedal Neely (Harvard Business School) e Paul Leonardi (Universidade da Califórnia, Santa Bárbara) recomendam, a esse propósito, o desenvolvimento de um mindset digital – uma cultura de aprendizagem contínua, uma forma de pensar e atuar que coloque a transformação digital na vida quotidiana da organização. O desenvolvimento dessa mentalidade requer o cumprimento de duas condições. Primeira: é necessário que as pessoas acreditem nas potencialidades da transformação digital, sob pena de não aderirem ao processo nem se empenharem na implementação do mesmo. Essa crença é mais provável quando as pessoas são encaradas como parceiras do processo, capazes de contribuírem para o sucesso do mesmo e beneficiárias desse êxito. Segunda condição: é crucial que as pessoas desenvolvam autoconfiança para aprender as novas competências. Envolvê-las, apoiá-las, estimulá-las e investir na sua formação e desenvolvimento é imprescindível.   

As pessoas que não estão cientes das vantagens da transformação digital nem se sentem confiantes para aprender as novas competências encararão a transformação como opressiva. Resistirão ou sentir-se-ão alienadas. Outras pessoas poderão estar cientes das vantagens da transformação digital – mas, ao mesmo, tempo, não acreditar que são capazes de cumprir a sua parte. Desenvolverão frustração por não se sentirem capazes de participar ativamente na construção da nova realidade. Finalmente, algumas pessoas poderão ter confiança nas suas capacidades de aprendizagem e adaptação – mas, ao mesmo tempo, não estar cientes da importância da transformação. Desenvolverão indiferença.   

Sentimentos de opressão, frustração e indiferença hipotecarão os esforços de transformação digital. E terão consequências ao nível societal, sobretudo nas economias operando num estádio precoce de digitalização e com sistemas educativos e de formação menos desenvolvidos. Termino, pois, reiterando o que escrevi, em parceria com Miguel Pina e Cunha, no livro Ágil – Transformação Organizacional para o Digital (Principia, 2022): “As tecnologias não podem ser desinventadas! Por conseguinte, importa considerar os possíveis ganhos, mas também os riscos – para que, em parceria, empresas, Estado e sociedade civil usem a oportunidade tecnológica para criar sociedades mais justas e equilibradas. As gritantes e crescentes desigualdades podem representar pólvora social que, mais dia menos dia, explode. Se a transformação digital ignorar essa possibilidade, há sérios riscos de que se cave um fosso ainda maior entre os alfabetizados digitais-tecnológicos e os analfabetos. Convém atuar antes que seja tarde.”  

 

Este artigo foi publicado na Revista Líder edição especial Cabo Verde. 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Líder publica pela primeira vez em Cabo Verde

22 Março, 2023 by Denise Calado

Já está disponível a primeira revista Líder Cabo Verde dedicada ao tema Nova Liderança Digital. Pode adquiri-la em formato digital e em alguns locais em Cabo Verde, nomeadamente na Livraria Nhô Eugénio.

«As tecnologias são o futuro de Cabo Verde, podem fazer deste país uma potência». José Maria Neves, Presidente de Cabo Verde desde 2021, na entrevista de abertura não tem dúvidas sobre a capacidade dos cabo-verdianos para transformarem um país arquipelágico numa potência.

De acordo com o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, em mais uma grande entrevista da Líder especial Cabo Verde, o país está a crescer economicamente pelo forte impacto do turismo, mas a aposta é também noutros setores da economia. Afirmar Cabo Verde no mundo, reduzindo a pobreza absoluta e erradicando a pobreza extrema, para consolidar e afirmar uma verdadeira democracia o mais imune possível aos populismos, nacionalismos e extremismos é “um imperativo da dignidade da pessoa e da liberdade”.

Duas entrevistas a não perder.

O tema de capa trata da Nova Liderança Digital composto por três dossiers: Desmaterializar, Assegurar e Humanizar. Chegámos aqui, a uma nova realidade, uma nova linguagem, um novo mundo tecnológico e digital que determina um pensamento altamente complexo e integrativo.

No dossier Desmaterializar, contamos com a sabedoria de Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico e Presidente do INESC, que nos traz ao detalhe este “Admirável Mundo Novo Digital”. Resultado de uma interação entre um número grande de tecnologias, como a “Internet of Things” (IoT), a biotecnologia, a (super)computação, a inteligência artificial. E com uma reflexão de Pedro Matias, Presidente do ISQ, sobre uma revolução cultural que se avizinha no seu texto “Liderar no Contexto da 5.ª Revolução Industrial”.

No dossier Assegurar, o texto “África tem de agir agora para enfrentar os ciberataques” incluí o Índice Global de Cibersegurança (2021), do World Economic Forum, que analisa 54 países africanos e ainda o Relatório de Avaliação de Ciberameaças em África, da Interpol, com as ameaças mais proeminentes neste continente. Também neste dossier, o Centro Nacional de Cibersegurança em Portugal (CNCS), partilha um “Guia para Campanha de Sensibilização em 5 passos”. E a ENISA (European Union Agency for Cybersecurity) ajuda a identificar o que pode ser feito quando se é vítima de um esquema fraudulento.

A encerrar o tema de capa, o dossier Humanizar vai pôr todos a pensar. Humanizar no mundo digital pode simplesmente passar por dar importância à igualdade de género. O mundo vê-se agora numa encruzilhada: deve-se permitir que a tecnologia agrave as disparidades existentes e concentre ainda mais o poder nas mãos de poucos ou deve pô-la ao serviço de um futuro mais seguro, sustentável e igualitário para todos? As escolhas feitas hoje impactarão profundamente o caminho a seguir e António Ferrari, Assessor de Comunicação para Portugal no Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), em colaboração com a ONU Mulheres, agência da ONU especializada em direitos das mulheres, identificam quatro passos para que se avance na direção correta. Tudo isto, e muito mais, nas páginas do tema de capa da Líder Cabo Verde.

Na rubrica Leading Opinion, Henrique Monteiro, jornalista e escritor, escreve “Nhos Terra, Nha Cretcheu”. E Arménio Rego, LEAD.Lab, Católica Porto Business School, aprofunda o tema de capa com “A Terceira Palavra de Transformação Digital”.

De Cabo Verde para o mundo, damos a conhecer o trabalho da agência The Office sediada na Cidade da Praia. Pelas vozes dos seus fundadores Cláudia Nunes Pereira e Ricardo Henriques Tomás.

E, a fechar, a arte como expressão de Liderança e Transformação. Edson Garcia, Hélder Cardoso, Sidney Cerqueira, Simone Spencer e Tutu Sousa são os cinco artistas cabo-verdianos que numa ação colaborativa contribuem para o projeto artístico Leadership & Art Cabo Verde, no âmbito da 1.ª edição da Leadership Summit Cabo Verde, através das suas obras, perspetivas e sonhos para África e o mundo.

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