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Denise Calado

Incivilidade no trabalho – perigo ao volante

8 Março, 2023 by Denise Calado

O que ocorre na nossa vida pessoal e familiar afeta o modo como trabalhamos. As experiências no trabalho também afetam a nossa vida pessoal e familiar. Mas o que ocorre na transição entre os dois espaços das nossas vidas tem sido alvo de menos atenção. A forma como atuamos ao volante quando regressamos de um dia de trabalho é uma dessas transições críticas. A relevância do assunto é extrema porque a mortalidade na estrada é significativamente afetada pelo comportamento dos condutores. Entre as condutas problemáticas estão o excesso de velocidade, os gestos provocatórios, a reação impulsiva a comportamentos de outros condutores, o excesso de proximidade com o veículo da frente, e a inobservância da sinalização rodoviária. Um estudo recente dá-nos conta de que a incivilidade experienciada no trabalho aumenta a probabilidade de “nos saltar a tampa” e adotarmos tais condutas enquanto conduzimos no regresso a casa.

Por incivilidade entenda-se um conjunto de condutas desrespeitadoras como a rudeza no trato, a indiferença, um comentário desagradável ou mesmo humilhante, uma repreensão em público, o desprezo pela nossa opinião, uma interrupção brusca e desrespeitadora, ou uma acusação manifestamente injusta. Quando somos alvo de tratamento incivilizado no trabalho, provenha essa conduta da chefia ou de colegas, ruminamos sobre o assunto enquanto conduzimos. Ficamos tensos. Sentimo-nos cansados ou mesmo exaustos. É mais provável que adotemos comportamentos problemáticos ao volante. É também possível que os outros condutores retaliem, gerando uma escalada que, por vezes, acaba em tragédia. Quando o tráfego é intenso e há pressões de tempo – condições observadas quando regressamos do trabalho, em “hora de ponta” – a probabilidade dessas ocorrências é maior, mesmo quando a nossa personalidade é calma e somos pessoas habitualmente “pacíficas”. Se atuamos agressivamente na estrada quando somos alvo da “mera” incivilidade no trabalho, imagine-se como atuaremos quando somos vítimas de bullying ou outros comportamentos significativamente mais abusivos e destrutivos.

Resultados de investigação como esta podem parecer irrelevantes. Fora do meio académico, algumas pessoas perguntar-se-ão porque é necessário fazer estudos, como este, cujos resultados são “óbvios”. O mesmo argumento poderá, aliás, ser usado a propósito de estudos sobre a motivação no trabalho, a conciliação trabalho-família, o stresse, ou o comportamento abusivo das lideranças. Após conhecerem os resultados de uma investigação, muitas pessoas “sabiam” que os mesmos eram óbvios. Todavia, se os resultados tivessem sido outros, essas pessoas também teriam “sabido” antecipá-los.  O meu ponto é que a investigação tem valia intrínseca. Chama a atenção para temas ignorados ou negligenciados. Suscita a reflexão e a discussão. Não descuremos, pois, a relevância prática deste estudo sobre os efeitos que a incivilidade no trabalho exerce no comportamento dos condutores. O trabalho ocupa um papel central nas nossas vidas, para o melhor e o pior. A responsabilidade social das organizações deve envolver mais do que grandes pronunciamentos narrativos que, por vezes, não têm tradução substantiva nas práticas. Uma ação de responsabilidade social tão “simples” como promover a civilidade no trabalho pode diminuir a mortalidade na estrada, evitar tragédias e salvar vidas!

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

António Guterres considera uma “vitória” o novo acordo para a proteção dos Oceanos

7 Março, 2023 by Denise Calado

Após duas décadas de debate é chegado o acordo sobre um Tratado de proteção da vida marinha em alto mar. O consenso inédito, entre mais de 100 países, visa salvaguardar pelo menos 30% dos oceanos até 2030, através da criação de áreas marítimas protegidas.

O acordo alcançado pelos delegados da Conferência Intergovernamental sobre Biodiversidade Marinha de Áreas além da Jurisdição Nacional (BBNJ), no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), é considerado um momento histórico na proteção da biodiversidade e vida marinha.

Nas palavras de Rena Lee, presidente da Conferência e líder das negociações que terminaram no fim de semana, com mais de 35 horas seguidas de discussões: “The ship has reached the shore” (O barco chegou a bom porto).

As declarações de António Guterres

De acordo com a UN News, António Guterres, secretário-geral da ONU, parabenizou os países membros pela finalização do documento, considerado um “avanço” após quase duas décadas de negociações.  “Esta ação é uma vitória para o multilateralismo e esforços globais para combater as tendências destrutivas que afetam a saúde dos oceanos, agora e nas próximas gerações”, disse o secretário-geral.

O culminar das negociações facilitadas pela ONU que começaram em 2004 resultam num Tratado crucial para enfrentar a tripla crise planetária de mudança climática, perda de biodiversidade e poluição.

“Também é vital para alcançar os objetivos para os oceanos e as metas da Agenda 2030 e o Quadro de Biodiversidade Global de Kunming-Montreal”, disse referindo-se ao chamado compromisso ’30×30′ de proteger um terço da biodiversidade do mundo – na terra e no mar – até 2030 feito numa conferência da ONU, em Montreal, em dezembro passado.

Referido como o “Tratado do Alto Mar”, o quadro legal colocaria 30 por cento dos oceanos do mundo em áreas protegidas, consideraria mais dinheiro na conservação marinha e cobriria o acesso e uso de recursos genéticos marinhos.

O secretário-geral reconhece também o apoio crítico de organizações não-governamentais, sociedade civil, instituições académicas e comunidade científica. O Tratado deve agora dar continuidade ao trabalho entre todas as partes “para garantir um oceano mais saudável, resiliente e produtivo, beneficiando gerações atuais e futuras”, realça.

Arquivado em:Clima, Notícias, Sustentabilidade

Movimento pela igualdade promove a reflexão e partilha recomendações

7 Março, 2023 by Denise Calado

Globalmente, existem 38% de mulheres em lugares de topo na Saúde, área em que 75% da força total de trabalho é feminina. Portugal é também o espelho desta realidade díspar.

O Movimento Life – Liderança no Feminino na Saúde visa a mudança de comportamentos e ações que contribuam para uma maior paridade na liderança no sector da Saúde.

Com base numa análise elaborada pela Faces de Eva: Estudos sobre a Mulher/CICS.NOVA (NOVA FCSH), cerca de 30 Embaixadoras do Movimento juntaram-se em Lisboa para debater as principais conclusões e partilhar recomendações para o setor. Pretende-se a médio e longo prazo, caminhar para uma sensibilização das desigualdades na saúde das mulheres, em prol de uma saúde melhor para todos.

Panorama global das mulheres em cargos de liderança

Apesar de a área da saúde ser predominantemente feminina, com as mulheres a representarem 75% do total da força de trabalho, pouco mais de um terço ocupa cargos de liderança.

Em Portugal, apenas 7% dos CEO das maiores empresas são mulheres e há cerca de 21% de mulheres reitoras e presidentes nas instituições do Ensino Superior em Portugal.

Segundo o Movimento LIFE, às barreiras no acesso a carreiras de topo e cargos de decisão, junta-se ainda a falta de literacia, de políticas de igualdade de género ou de medidas de tolerância zero para bullying e assédio moral e sexual no local de trabalho.

De acordo com a iniciativa, Portugal precisa de ter dados concretos da representatividade das mulheres em lugares de liderança na Saúde. Nesse sentido, o Movimento vai realizar um estudo sobre igualdade de género nas novas gerações que trabalham no setor da Saúde em Portugal, envolvendo mulheres e homens.

 

Recomendações

Estas são as medidas que as 30 mulheres de várias gerações com experiência de liderança na Saúde, Embaixadoras do Movimento LIFE, apresentaram na sequência de uma primeira reflexão:

  • A educação é a chave para uma paridade efetiva: é necessário promover a literacia, educação e formação em direitos humanos e igualdade de género, desde a escola primária até às universidades;
  • O Governo deve integrar a perspetiva de género em todas as suas políticas, na administração pública, nos orçamentos do Estado e na gestão financeira;
  • As empresas devem definir métricas de diversidade e inclusão, fazendo a sua constante avaliação e divulgando-as publicamente;
  • É urgente instituir medidas de tolerância zero para bullying e assédio moral e sexual no local de trabalho;
  • É necessário criar programas de mentoria e de empoderamento das mulheres, promovendo redes de apoio, formal e informal, e programas destinados acompanhamento individual;
  • É fundamental dar visibilidade pública às mulheres e à temática das desigualdades de género.

 

A igualdade de género é um assunto que tem de importar a todos: mulheres e homens. Importa a toda a Sociedade debater este tema para concretizar ações que mudem o panorama da desigualdade de género. Porque equipas de liderança diversificadas tornam melhor as organizações

Cláudia Ricardo, co-fundadora do Movimento LIFE – Liderança no Feminino na Saúde

 

A ‘questão das mulheres’ mantém toda a atualidade e pertinência nos dias de hoje e deve ser integrada num contexto mais vasto de Direitos Humanos. Apesar de um caminho e evolução inegáveis, ainda há tentativa de silenciamento ou apagamento, ainda há condicionamentos vários, por vezes bem subtis. Os contornos são mais ou menos nítidos, mas não perdeu qualquer atualidade

Isabel Henriques de Jesus, co-fundadora do Movimento LIFE – Liderança no Feminino na Saúde

 

Arquivado em:Liderança, Notícias, Saúde

Como ter inovação tecnológica num período de crise?

7 Março, 2023 by Denise Calado

Perante um cenário de inflação por todo o mundo, é hoje essencial que a inovação tecnológica seja acessível a todos para mitigar as desigualdades. As tecnologias frugais, usadas na Índia que utilizam atalhos e brainstorming para resolver problemas, quando o investimento é limitado, são precisas mais que nunca.

O World Economic Forum apresenta exemplos deste tipo de inovação.

Cortar custos? Não, reduzir

É possível oferecer excelentes experiências baseadas em tecnologia acessíveis a todos. Com apenas alguns ajustes e atalhos, oferecem o que os líderes de mercado já têm – mas por uma porção do custo.

Reduzir os custos nem sempre significa cortar por completo os custos, ou fazer engenharia reversa de tecnologia de ponta e usar componentes mais baratos.

Os recursos são mais bem utilizados para pensar sobre o que faz uma experiência funcionar tão bem. Como tal, a maior despesa no desenvolvimento de produtos deve ser sempre o poder do cérebro.

A inovação não precisa de ser abrangente ou grandiosa. Pequenas mudanças podem ter um impacto igualmente grande ao longo do tempo se reduzirem os custos e abrirem tecnologias genuinamente úteis para públicos mais amplos – e, mais importante, para aquelas que podem acontecer agora.

Por vezes, pensar num plano mais acessível para o desenvolvimento de um produto pode ser inovador. Os princípios das tecnologias frugais mostram-nos como:

– Devemos pensar lateralmente, e não literalmente: a solução escondida à vista de todos muitas vezes é o caminho para o sucesso.

– Reutilizar, recombinar e reciclar: melhor não implica necessariamente ser novo. Em vez disso, usar o que já se tem em mão é o ideal. Reutilizar e recombinar ferramentas, materiais e ideias já implementadas podem levar à solução do problema.

O céu é o limite

A indústria espacial pode não vir imediatamente à mente quando pensamos em tecnologia frugal, mas esse setor – consciente ou involuntariamente – tornou-se central.

Os resultados dessa abordagem são evidentes no setor comercial, no qual empresas como a SpaceX conseguiram reduzir os custos de lançamentos comerciais – mas também na exploração espacial patrocinada pelo estado.

A Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO) foi a quarta agência espacial – e notavelmente a primeira de uma nação asiática – a chegar com sucesso a Marte. Em 2014, a Mars Orbiter Mission (MOM) chegou dois dias depois do veículo MAVEN da NASA.

A missão dos EUA ao planeta vermelho custou 671 milhões de dólares, mas o projeto da Índia, de 74 milhões de dólares, ficou cerca de 90% mais barato. Indiscutivelmente, o MOM foi concebido mais como uma declaração de intenção do que como uma missão científica.

Então, como conseguiu a Índia entrar na corrida interplanetária por apenas uma fração do custo da NASA? A resposta está em parte nos custos de mão-de-obra significativamente mais baratos, na reciclagem de componentes de missões anteriores e na disposição de correr o risco de construir apenas uma nave, em vez de uma série de protótipos

No entanto, uma das reduções de custo mais significativas resultou do pensamento lateral. Tirar qualquer coisa da órbita da Terra é extremamente caro; veículos de lançamento extremamente poderosos são necessários para escapar à atração gravitacional do nosso planeta, e o custo médio de um lançamento da NASA é de 152 milhões de dólares, o que representa mais do dobro do orçamento de toda a missão da ISRO em Marte.

A equipa do MOM teve de abordar o desafio de uma forma diferente. A ISRO usou o seu próprio PSLV (Veículo de Lançamento de Satélite Polar) mais barato para entregar a sua nave espacial, mas não além, da órbita da Terra. A partir daí ganhou velocidade suficiente ao circundar o planeta por um mês até que se pudesse libertar da atração gravitacional da Terra numa trajetória para Marte.

A inovação tecnológica beneficia a todos

A tecnologia que tem a capacidade de mudar o mundo não precisa ser ‘nova’. A inovação pode resultar de como usamos a tecnologia existente – como a construímos, como a usamos e como a combinamos com o que já existe.

Da próxima vez que for desafiado a pensar de forma inovadora, lembre-se da tecnologia frugal. Que ferramentas tem já à sua disposição, e o que pode fazer com elas se as usar de forma diferente?

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Conheça as 10 tendências globais para o talento

7 Março, 2023 by Denise Calado

Apesar do impacto do cenário de incerteza económica sobre a contratação, as empresas procuram uma força de trabalho resiliente, dando prioridade ao valor a longo prazo. Com uma tendência para contratações mais lentas, existe uma procura por práticas inovadoras e experiências de talento que conduzam ao engagement, satisfação, produtividade e retenção.

Estas são parte das principais conclusões do estudo “Enterprise´s Talent Trends Research”, elaborada pela Randstad que analisou as respostas de 900 líderes, em 18 mercados a nível global.

De acordo com a análise, foram identificadas 10 tendências de talento para 2023.

 

1. Colocar a criação de valor no topo da lista de prioridades

Os líderes acreditam que as estratégias de talento estão a tornar-se mais alinhadas com o negócio através de uma maior criação de valor, impacto e agilidade. Cerca de 77% concordam com a ideia de que a aquisição de talento é mais uma questão de criação de valor do que de poupança de custos. No ano passado, este valor era de 45%.

2. Superar a escassez com propostas de experiências de talento

Cerca de 76% dos líderes dizem que as experiências que proporcionam a nível de talento têm sido um dos pontos mais relevantes nos últimos 12 meses. A maioria dos líderes de RH (77%) dizem sentir que os valores e o propósito de uma empresa, como a diversidade, a transparência e a sustentabilidade, são fatores importantes. Conferir maior valor à experiência passa por adotar uma postura autêntica e de transparência, assim como a inclusão e ainda a criação de oportunidades para que as pessoas possam partilhar o seu feedback de forma livre sobre a própria experiência.

3. Criar clareza e estar preparado para adversidades com talent intelligence

 O estudo refere que as decisões na área de talento são cada vez mais apoiadas em análises. Cerca de metade dos inquiridos dizem estar a investir mais em análise de mercado externo acerca de talento e estão a investir mais em plataformas de talent intelligence para analisar a mobilidade interna. Cerca de 74% das empresas dizem apostar mais em tecnologia para aumentar a atração e o envolvimento de talento.

4. Otimizar os investimentos em tecnologia para potenciar a criação de valor 

Os empregadores  acreditam que o aumento da robótica, assim como as soluções de Inteligência Artificial estão a ter um impacto positivo sobre a sua estratégia. Em simultâneo, 69% dizem acreditar que a crescente automatização está a ter impacto sobre o planeamento e a mobilidade interna ao nível do talento nas suas organizações, sobretudo em cargos altamente qualificados.

5. Desbloquear a força de trabalho com mobilidade interna 

Cerca de 76% dos inquiridos revelam que a mobilidade interna é um fator que coloca maior ênfase nas competências e no empenho na carreira. A vantagem é, segundo a investigação, visível não apenas para os colaboradores, como também para os empregadores, uma vez que o fator de mobilidade interna cria maior dinâmica e poderá gerar um desempenho superior ao dos concorrentes.

6. Desenvolvimento e aprendizagem para melhorar a performance do negócio 

As empresas têm vindo a requalificar as estratégias de talento ao longo dos últimos anos. Os líderes de RH têm adquirido competências e a massa de trabalhadores que têm recrutado requer investimentos contínuos significativos. Para isto, é muito útil o foco no desenvolvimento de competências e ferramentas para facilitar a aprendizagem. Cerca de metade dos inquiridos (51%), referem o uso de procedimentos e aprendizagem específica para lidar com a escassez de talentos, um problema apontado anteriormente. Já 66% relataram uma experiência positiva ou transformadora de coaching durante o ano passado.

7. Liderar com empatia durante o período de right-sizing 

A maioria (94%) refere que irá manter ou aumentar as despesas em employer branding apesar da incerteza económica que se aproxima. Quando as empresas não dispensam os seus colaboradores de forma empática, transparente e equitativa, estão a arriscar a capacidade de atração de novos talentos.

8. Transformar as boas intenções em ações de impacto

Muitas vezes, existe uma discrepância relativa à forma como as organizações valorizam as prioridades Diversidade e Inclusão (DEI) e como as colocam em prática. Foi referido no inquérito que as pessoas esperam que o seu empregador esteja realmente interessado em construir redes de colaboradores diversificadas e inclusivas. É reconhecido, por parte dos colaboradores, a necessidade de as empresas mostrarem esforços para melhorar as suas práticas e criar um sentido de pertença dentro da organização.

9. Priorizar o bem-estar continua a ser muito importante

Mais de um terço dos inquiridos cita a incerteza económica como impacto negativo para o negócio, assim como a inflação. Por isso, o bem-estar continua a ser um ponto muito relevante para os líderes de talento. Além disso, cerca de metade das respostas relatam que está a existir maior investimento em programas de bem-estar e segurança este ano.

10. Levar a cabo práticas sustentáveis

Apenas 22% dos inquiridos dizem acreditar que fornecer detalhes sobre os seus programas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade é importante para a experiência dos candidatos. No entanto, a maioria (72%) dizem que irão dar prioridade a parceiros que demonstram práticas sustentáveis e 60% referem que deixariam de trabalhar com parceiros que não revelem esforços a nível da sustentabilidade.

Leia o estudo na íntegra aqui.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Economia portuguesa nos últimos 10 anos

7 Março, 2023 by Denise Calado

Nos últimos dez anos, a economia portuguesa passou por vários desafios, desde a crise financeira de 2008 à crise da dívida soberana na Zona euro em 2010. A juntar a todos estes desafios, o período da pandemia veio alimentar novamente preocupações sobre a economia portuguesa.

Um dos principais indicadores económicos é o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o valor total dos bens e serviços produzidos no país durante um determinado período de tempo. Nos últimos anos, a economia portuguesa tem estado praticamente estagnada, ilustrando a dificuldade que o setor privado tem em produzir riqueza.

A fraca produtividade do setor privado deve-se sobretudo à falta de competitividade e incentivos no lado do Estado. A carga fiscal desencoraja claramente os empresários a escalarem os seus negócios e contribui para o aumento da economia paralela cujo é difícil de quantificar.

Curiosamente, os únicos momentos ao longo dos últimos 10 anos onde a economia portuguesa registou períodos de maior crescimento, deveram-se a efeitos base das crises anteriores económicas e financeiras anteriores.

Evolução do PIB em Portugal desde 2009. Fonte: Banco de Portugal

 

Quando comparamos o PIB per capita português com os pares europeus, vemos que o país tem vindo a ser ultrapassado ao longo dos últimos anos por várias economias como a polaca por exemplo.

PIB per capita na Zona euro. Fonte: eurostat

Outro indicador importante da economia portuguesa é a taxa de desemprego, que mede a percentagem da força de trabalho que está desempregada. Embora a taxa de desemprego tenha permanecido baixa, considerando a média destes 10 anos, as condições no emprego continuam a ser maioritariamente precárias.

Para se ter uma ideia do enquadramento dos salários no contexto português, mais de 50% da população declara 800 euros de rendimento líquido, enquanto que apenas 15% ganha mais de 1.500 euros líquidos.

Este é um quadro bastante negativo e ilustra a fraca aposta no mercado de trabalho e também o efeito da elevada carga fiscal que penaliza tanto as empresas como o trabalhador. Não obstante, todas estas circunstâncias acabam por contribuir para um aumento da economia paralela, pelo que os dados também não deverão ilustrar totalmente a realidade nacional.

Dado os factos, é importante notar que existe a necessidade urgente de se criar condições que estimulem a economia, sobretudo no setor privado que apoiem a criação de condições de trabalho mais atrativas a fim de se conseguir captar mais trabalho qualificado de qualidade para que a produtividade das empresas e a aposta possa efetivamente aumentar.
A elevada carga fiscal continua a ser um problema e um entrave tanto para os empresários, como para a entrada de novos players no mercado nacional o que penaliza severamente o crescimento do país a longo prazo.

Arquivado em:Opinião

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