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Denise Calado

Não vale tudo em prol da produtividade

2 Janeiro, 2023 by Denise Calado

A tecnologia tem vindo a alterar a nossa forma de trabalhar, permitindo aumentar a eficiência e a produtividade. Os aspetos positivos do processo da digitalização nas empresas são evidentes, mas não podemos ignorar os danos que poderá causar na qualidade de vida e saúde dos colaboradores.  

Se estivermos atentos, conseguimos identificar uma relação entre os (sucessivos) saltos tecnológicos e a estabilidade da saúde mental dos profissionais. Esta ligação deve ser acompanhada de perto pelas lideranças das empresas, particularmente tendo em conta as inúmeras adaptações que se registaram durante e após a pandemia, com transições entre regimes presenciais, remotos e híbridos e todas as oscilações que estes geram nas dinâmicas de trabalho.  

Primeiramente, é preciso ter em conta que a tecnologia é apenas uma ferramenta e não é necessariamente algo nocivo para o trabalhador. A utilização de recursos digitais em contexto laboral pode e deve ser uma mais-valia para o negócio, para a empresa e para os colaboradores. No entanto, o lado perverso ocorre quando os limites não são estabelecidos e assistimos, por exemplo, a casos de burnout.  

O esgotamento mental causado pelas exigências crescentes que são impostas aos colaboradores, que estão cada vez mais “online” e perto de recursos digitais que permitem a resolução imediata de uma questão, a qualquer hora do dia, torna esta temática de importância vital na agenda dos gestores de RH. Efetivamente, a velocidade no trabalho aumentou e o imediatismo é evidente. As pessoas passaram a sentir-se cada vez mais pressionadas a entregar mais e melhores resultados e, em caso de insucesso, o sentimento de fracasso é exacerbado e pode mesmo levar a quadros de ansiedade.  

Caso estas questões não sejam abordadas com a devida atenção e sensibilidade, os modelos remoto ou híbrido poderão gerar um ambiente profícuo para esta realidade, nomeadamente quando os laços de comunicação presencial são quebrados ou fragilizados. Neste sentido, é essencial o estabelecimento de procedimentos, de limites e de apoios eficazes, por forma a evitar comprometer a saúde mental dos colaboradores em detrimento da operacionalidade dos negócios.  

Antes de mais, é crucial que a temática da saúde mental no contexto tecnológico do imediatismo não seja um assunto tabu na organização. É imperativo que seja normalizada e abordada sem receio. Os transtornos mentais decorrentes do quotidiano profissional não irão desaparecer se forem ignorados. Por outro lado, é importante a capacidade de escuta e de comunicação por parte de quem lidera. Ouvir os colaboradores e perceber o que eles precisam para se manterem equilibrados nas suas funções é uma responsabilidade primária de quem gere. Na relação entre a caminhada tecnológica e a saúde mental, a palavra-chave será sempre o equilíbrio. Existe aqui uma responsabilidade partilhada entre a empresa e o colaborador, no sentido de serem capazes de comunicar e agir em conjunto para que as mais-valias da primeira nunca comprometam a estabilidade da segunda. 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

Subscreva a Líder AQUI. 

 

Arquivado em:Artigos, Leading People

Aviões elétricos são o futuro para as emissões zero

2 Janeiro, 2023 by Denise Calado

Dois aeroportos ilustram tanto o passado como o futuro da aviação comercial em Espanha. A leste do país mais de 100 aviões a jato no Aeroporto de Teruel, permanecem num estacionamento que remete para tecnologia do passado. Cerca de 400 km a sul, o ATLAS Flight Test Center, em Villacarrillo está a fornecer uma pista para uma nova geração de aeronaves de menor dimensão: aviões elétricos de descolagem e aterragem vertical, também conhecidos por eVTOLs. A Strategy+Business faz assim um ponto de situação sobre os desenvolvimentos da aviação sustentável.  

Com mais países e empresas a fazer um esforço conjunto para reduzir as emissões, o futuro dos grandes aviões e das empresas que os operam está a mudar. “O maior desafio para a aviação comercial é o compromisso assumido para as zero emissões de carbono até 2050”, afirmou Tony Douglas, CEO da Etihad Aviation Group.  

Os voos são responsáveis por apenas 2,5% das emissões de CO2 em todo o mundo, mas esse valor espelha a proporção relativamente pequena de pessoas que voam a cada ano, e a indústria está prestes a expandir-se.  

Não é, então, de surpreender que engenheiros e cientistas de todo o mundo estejam numa corrida para decifrar como se atingirá as zero emissões de carbono. O desafio de replicar a revolução do veículo elétrico (VE) no ar é que desafiar a gravidade requer mais energia. Mover uma bateria pesada ao longo de uma estrada plana num carro é mais fácil do que levantá-la no ar num avião ou helicóptero. 

Os combustíveis verdes para aviões, que são líquidos ou gases derivados de fontes renováveis, ainda são muito caros e, de acordo com o relatório da PwC “The real cost of green aviation”, não estarão amplamente disponíveis ou acessíveis durante pelo menos os próximos dez anos.  

De garagens improvisadas a grandes multinacionais, designers e mecânicos estão a dar uso às suas impressoras 3D para esculpir protótipos, e alguns estão já a testar as suas aeronaves elétricas. 

Alguns estão a começar do zero; outros estão a procurar modernizar os aviões já existentes. E depois há os eVTOLs, que podem se tornar os táxi-helicópteros do futuro. Até agora, um avião híbrido voou 548 km e um helicóptero elétrico permaneceu no ar por 15 minutos. Todas essas experiências podem estar a valer a pena: a primeira aeronave elétrica pode começar a operar já em 2024, potencialmente fazendo rotas como Nova Iorque – Filadélfia sem emitir CO2. 

As companhias aéreas e os investidores estão a analisar os aviões elétricos de curta distância e os protótipos eVTOL. Mais de meia dúzia de start-ups eVTOL angariaram vários biliões de dólares no ano passado nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, e Brasil. 

“Uma vez superados os desafios dos voos sustentáveis com bateria e com zero emissões, as oportunidades disponíveis a curto prazo para as empresas que têm sucesso são imensas”, diz Neil Baxter, sócio da PwC. “Nos Estados Unidos, quase metade de todos os voos comerciais têm menos de 800 km para percorrer, e podem ser feitos por aeronaves com emissões zero. Há um enorme potencial para um impacto imediato na pegada ecológica.” 

O modelo de negócios subjacente para as companhias aéreas que desejam comprar aviões elétricos é a ideia de que os custos operacionais mais baratos, devido à redução das despesas no combustível e manutenção, permitirão mais voos, aproveitando assim uma vasta e subutilizada rede de aeródromos locais e regionais, e ajudando assim a descongestionar grandes aeroportos e rodovias.  

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

O verdadeiro perigo do Capitalismo Woke

30 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Carl Rhodes é o Diretor e Professor da Escola de Gestão da Universidade Tecnológica de Sydney. Escreveu recentemente Woke Capitalism (Bristol University Press), um livro de Gestão na fronteira com a Política. Para quem crê nas habituais narrativas sobre responsabilidade social e ativismo corporativo, o livro é (quase) um balde de água fria sobre essas crenças. 

Para quem acredita que são as ideias que, transpostas para a ação, mudam o mundo – o livro é um provocador compêndio de evidências sobre os objetivos instrumentais que frequentemente se escondem por trás de muitos ativismos aparentemente virtuosos e genuinamente altruístas.  

O livro é, pois, um convite à ação. Poucos leitores serão indiferentes à clareza argumentativa de Rhodes. E menos numerosos ainda serão os que manterão intactas as suas convicções sobre a bondade intrínseca versus a natureza instrumental de muitas ações ativistas empresariais. Ler esta entrevista pode ser um ponto de partida para a reflexão em torno de ideias (mais ou menos) feitas. Num mundo polarizado, discutir ideias – concordemos ou não com elas – é uma necessidade urgente. Eis uma entrevista sobre ideias.  

English version here.  

 

No seu livro Woke Capitalism defende uma terceira perspetiva, contrária às duas que prevalecem até hoje. A primeira perspetiva é a da esquerda liberal, que defende que as empresas devem genuinamente apoiar os interesses mais amplos da sociedade em vez de se focarem apenas na maximização dos interesses dos acionistas. A segunda perspetiva, a da direita, é a de que as empresas devem ser entidades puramente económicas e não devem interferir em matérias sociais ou políticas. A terceira perspetiva, a sua, é a de que o envolvimento das empresas em “políticas progressistas” prejudica a democracia e impede o progresso efetivo nessas matérias sociais ou políticas. Pode explicar-nos a sua posição?  

Obrigado. Esse é, de facto, o argumento central do meu livro. Os críticos de direita do capitalismo woke estão preocupados com a possível corrupção das empresas pelas políticas progressistas. Temem que as suas políticas reacionárias estejam em risco porque as empresas, de alguma forma, estão a ser influenciadas por agitadores de esquerda. O senador norte-americano Marco Rubio, por exemplo, proclamou o ano passado: “Em vez dos líderes patrióticos de que o capitalismo precisa, a elite empresarial norte-americana reverencia os woke, as máfias marxistas que dominam a Internet e Hollywood.”  

Esta é uma posição condescendente que apela ao sentimento populista, mas que está desligada da realidade da situação. Assume que os outrora orgulhosos capitalistas se tornaram obstinados e insignificantes na sua incapacidade de resistir aos vigaristas de esquerda que vendem coisas como o ativismo climático, o politicamente correto e políticas de identidade. Essa crítica é implausível, senão demente – acreditar que CEOs obstinados e bilionários ingénuos foram intimidados até à submissão woke por meninos, meninas e pessoas não-binárias da esquerda.  

Como diz, aqueles que apoiam o capitalismo woke defendem que as empresas devem genuinamente apoiar os interesses mais amplos da sociedade em vez de se focarem apenas nos acionistas. Mas o que tanto os apoiantes como os críticos partilham é a crença de que estamos a assistir a algo que pode ser uma genuína mudança subjacente do propósito primeiro das empresas capitalistas. A diferença é apenas se acreditamos que isso é bom ou não.  

Na minha perspetiva, o capitalismo woke não representa uma mudança fundamental do capitalismo, mas antes uma extensão do trajeto que este tem vindo a seguir desde pelo menos a década de 80 do século XX.  

Empresas que se tornam woke asseguram que o mercado capitalista pode continuar o trajeto neoliberal que percorre há 40 anos. Apesar das maquinações da direita reacionária, é preciso ter em conta os efeitos antiprogressistas tanto da retórica como das práticas do propósito social empresarial focado em partes interessadas, especialmente quando são bem-sucedidas. Enquanto o neoliberalismo inicial viu uma mudança do poder, do governo para o sector privado, numa escala global, o neoliberalismo tardio do capitalismo woke assiste a um fenómeno muito mais preocupante: uma mudança do poder político para o sector privado. Não se trata de progresso, mas de debilitar o sistema democrático de governação e o modo de vida democrático que permite que o progresso aconteça.  

Afirma que o capitalismo woke é profundamente caracterizado pelo interesse próprio, uma vez que pretende assegurar que não existe qualquer reforma fundamental do domínio neoliberal na ordem mundial, o mesmo que exacerbou a desigualdade, alimentou o populismo fascista e permanece quieto enquanto escala a crise climática. Do seu ponto de vista, qual seria a melhor forma de lidar eficientemente com estes problemas sociais, políticos e climáticos?  

Em última análise, acredito que temos de ver um compromisso renovado com a democracia e uma reposição da confiança nos governos. Não é algo fácil e muito disto se tem vindo a degradar nas mais recentes décadas. O capitalismo woke é tanto um fracasso dos governos como é um sucesso das empresas. Seja como for, precisamos de soluções públicas para problemas públicos, dentro de cada Estado e entre eles. A resposta mundial à COVID-19 é um contraponto interessante, uma vez que lidar com uma pandemia global era algo que claramente tinha de ser gerido pelos governos. Gerir a saúde pública, decidir sobre confinamentos, financiar o desenvolvimento de vacinas, apoiar quem perdeu o emprego e sustentar a economia, tudo isto requeria um governo. A motivação económica do interesse próprio que move o sector privado está totalmente em desacordo com a responsabilidade de atacar problemas públicos de grande escala.  

Não nos esqueçamos de que enquanto pequenos negócios fechavam as portas, e trabalhadores de todo o mundo sofriam nas mãos do mercado de trabalho, os grandes capitalistas passaram bem. A Oxfam apelidou-os de “lucradores da pandemia” [“pandemic profiteers”]. Por exemplo, mais de metade das maiores corporações norte-americanas viram os seus lucros aumentar durante a pandemia. O mesmo padrão se repetiu em todo o mundo. Os bilionários estiveram ainda melhor. Enquanto 99% da população mundial sofreu um impacto financeiro negativo devido à COVID, os 10 mais ricos do mundo – todos homens – duplicaram a sua fortuna. Isto é woke? Quando muito, o capitalismo woke reforça uma elite dominante autossatisfeita que acredita que a sua riqueza é merecida. O capitalismo woke permite que alguém seja extremamente rico à custa de outros e, ainda assim, se sinta bem consigo próprio.  

Podemos discutir como alguns governos estiveram melhor do que outros no combate à pandemia, mas dificilmente vamos pôr em causa que essa era uma responsabilidade dos governos. Há aqui importantes lições sobre o papel e a função do governo nas questões de interesse público das quais não nos devemos esquecer. As empresas são criadas por atos de lei e são e devem ser posicionadas como subordinadas à sociedade que lhes atribui essa licença. Temo que tenhamos virado o mundo ao contrário e as empresas estejam cada vez mais no comando. Sobre a pergunta, lidar com os problemas do mundo requer, fundamentalmente, reestabelecer um sistema, e um conjunto de crenças, que vê o negócio como secundário em relação à vontade das pessoas e dos seus representantes políticos. O negócio tem o seu papel, claro, mas esse papel não é o de comandante. É fundamental para a democracia que separemos os interesses privados dos interesses públicos.  

O que sugere que seja feito, a nível político e institucional, para tentar impedir que poderosas corporações se apoderem do processo político e democrático para servir os seus próprios interesses à custa da sociedade e dos cidadãos?  

Não há respostas gritantes nem soluções fáceis para este problema, especialmente se tivermos em conta que foram precisas décadas de mudança nas estruturas económicas de poder globais para chegarmos a este imbróglio. O capitalismo woke é um fenómeno relativamente novo, mas é uma continuação de um enredo muito mais longo que viu a ascensão das corporações como a mais poderosa forma de instituição no mundo. Um ressurgimento na crença da democracia é essencial. Mas esta mudança será geracional e não o resultado de uma única ideia ou política. Honestamente, acredito que a nova geração de jovens que está a acabar a escola agora, em alguns casos a entrar na universidade e a começar as suas carreiras, mostra sinais de uma renovada consciência política e desejo de mudança. A geração pós-Greta Thunberg vê as coisas de maneira diferente e tem o potencial de exigir e ordenar mudanças reais. Acredito que saberão lidar com os problemas que a minha geração ou criou ou ignorou.  

Pode dar-nos alguns exemplos de corporações que usaram causas progressistas para simular que estavam a seguir interesses coletivos quando, na verdade, estavam a seguir os seus próprios interesses?  

Há muito exemplos, pensemos no apoio da Nike ao movimento Black Lives Matter, na defesa do movimento #MeToo pela Gillette ou nas inúmeras empresas que começaram a interessar-se pelas políticas climáticas. Estes são exemplos em que as empresas apoiaram movimentos sociais e políticos existentes, fazendo-o de um modo que se alia ou promove o seu próprio sucesso comercial. Mas lembremo-nos de que as corporações não são os líderes. São os verdadeiros ativistas que correram riscos reais, muitas vezes arriscando as suas vidas, a invocar mudanças e progressos reais. As corporações juntam-se depois de estar feito o duro trabalho político e fazem-no de uma forma que os beneficia. São seguidores com interesses próprios, ou amplificadores, na melhor das hipóteses.  

Outro problema prende-se com o facto de que o interesse próprio comercial será sempre um fator de decisão principal no mundo corporativo, o tipo de questões progressistas que são apoiadas é muito limitado. A desigualdade económica, estratificada em torno do género, de questões raciais ou geopolíticas é um dos maiores problemas do mundo e está a piorar. Não vemos empresas woke a tomar posições ativas que se dirijam aos enormes benefícios fiscais das corporações, à distribuição de rendimentos e fortunas, à implementação de escalões fiscais progressivos, ou a acabar de vez com as escandalosas remunerações dos executivos. Basicamente, falar de desigualdade económica, talvez o tema mais central para a política progressista de hoje, está completamente fora da agenda política das corporações woke. Uma regra fundamental do capitalismo woke é que políticas que alterem a base da pirâmide corporativa devem ser evitadas a qualquer custo. Isso não é democracia, é uma expansão do poder do capitalismo para a esfera pública.  

É possível distinguir os casos em que corporações estejam genuinamente a apoiar uma causa social ou política por motivos virtuosos dos casos em que o apoio a causas progressistas seja só uma demonstração de hipocrisia? É possível que os cidadãos, consumidores, atores políticos e instituições possam estar mais atentos a essa distinção e assim adotar uma posição protetora, interrogativa e desconfiada? Se sim, como?  

É possível. Pensemos, por exemplo, em Yvon Chouinard, dono da empresa de roupa Patagonia, que há uns meses transferiu 98% das ações da empresa para uma recentemente criada organização sem fins lucrativos dedicada a combater a crise climática. “A Terra é agora o nosso único acionista”, disse ele. O resultado disto é que se estima que, por ano, cerca de 100 milhões de dólares irão para a filantropia climática. Não há motivo para duvidar de que este é um ato genuíno de Chouinard. Mas depois temos o relatório publicado durante a mais recente COP27 que diz que para atingirmos as metas do Acordo de Paris precisamos de 1 trilião de dólares por ano. Os 100 milhões anuais da Patagónia não farão grande diferença.  

Os argumentos que apresenta no livro são muito convincentes e suporta-os com várias evidências. Tem conhecimento de Escolas de Administração de Negócios nas quais este tópico esteja a ser discutido e estudado? Tem tido a oportunidade de o discutir nas suas aulas? Ou acha que este tema está fora de moda e que muitas narrativas corporativas são construídas de modo tão persuasivo que estamos quase todos cegos para o perigo das implicações do capitalismo woke?  

O livro tem recebido muito interesse de colegas de Escolas de Administração de Negócios de todo o mundo, como também de pessoas que trabalham na área. Desde o seu lançamento, tive a oportunidade de participar em inúmeras palestras em Escolas de Administração de Negócios na Europa, nos Estados Unidos e aqui na Austrália. Em todas as ocasiões, achei os alunos inquisitivos, interrogativos e interessados nas questões que tenho levantado. Também sei de colegas que usaram ideias explícitas do livro nas suas aulas de vários campos, de Administração a Marketing até à Economia. Dito isto, temos de aceitar que as escolas de Administração de Negócios têm sido parte do problema e que temos de mudar e ser parte da solução. Fomos durante demasiado tempo apoiantes da primazia do acionista global, alimentando uma ideologia que resultou numa nova era de desigualdade económica, populismo político e desastre climático. Temos de encarar estes temas com seriedade se queremos educar uma nova geração de pessoas que nos possam liderar num caminho para ultrapassar estes problemas. A crença ingénua de que o leopardo corporativo mudou as pintas e é agora inequivocamente uma força do Bem é perigosa. Como escolas de Administração de Negócios acredito que temos de focar a nossa principal atenção para como a educação e a investigação podem suportar a prosperidade partilhada e o valor público. Essa é a tarefa que nos espera, mas será um longo caminho até que o consigamos alcançar.  

Do seu ponto de vista é ou não aceitável, ou até desejável, que CEOs apoiem genuinamente causas progressistas? Há perigos para a democracia também nesses casos? Porquê?  

Os CEOs, além de serem trabalhadores corporativos extremamente bem pagos, também são cidadãos, portanto, têm também o direito de defender as suas posições políticas. Mas isso não significa que não seja perigoso para a democracia quando os CEOs começam a meter-se na política. Quando vamos além dos títulos clicáveis que tantas vezes determinam o debate sobre o capitalismo woke, tanto os de direita como os de esquerda poderão concordar que o capitalismo woke representa um perigo real e presente. Não interessa se és um apoiante do mercado livre sem restrições ou não. O que realmente importa é se genuinamente acreditas no sistema democrático que nos permite, logo à partida, desenvolver e dar voz a diferentes posições políticas.  

O verdadeiro perigo é que o capitalismo woke quebra a fundamental distinção democrática entre as esferas pública e privada. Já houve um tempo em que a democracia precisou da separação entre Igreja e Estado para permitir a liberdade religiosa. A preservação da democracia, hoje, prende-se com a separação entre o Estado e as corporações para permitir liberdade política, caso contrário voltaremos a formas de feudalismo e plutocracia que as revoluções democráticas enfrentaram no século XVIII. 

 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

Subscreva a Líder AQUI. 

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

“Tentei manter as pessoas calmas e avaliar a situação, sem precipitações”, o papel das lideranças em tempos de crise

30 Dezembro, 2022 by Denise Calado

António Lobato Faria é CEO do Clube do Autor, uma editora que teve de fechar portas com o confinamento, dedicar-se ao online e descobrir o conforto das ferramentas tecnológicas. Apesar dos lay-offs, a equipa manteve-se motivada pelo exemplo de uma liderança que, perante o desafio, não deixou de ouvir as pessoas.  

Durante o período do primeiro confinamento, em março/abril 2020, Francisco X. Froes e Miguel Pina e Cunha, Nova SBE, entrevistaram 56 líderes/gestores de topo, das mais variadas áreas de negócios, visando encontrar padrões de comportamento suscitados pela pandemia e assim poder ajudar estes e outros líderes em crises futuras. A questão subjacente foi: quais as respostas das empresas à COVID-19? 

A entrevista é parte do projeto editorial “Como 50 CEO reagiram à pandemia?”. 

O que é que ouviste, quando e como?  

O alerta surgiu no início de março com os avisos da Organização Mundial de Saúde. Aí começámos a falar no confinamento, e depois de ter falado com as pessoas, sexta-feira, dia 13, foi tudo para casa. Também já tínhamos pressões de algumas pessoas dentro da empresa para ficarem isoladas.  

Que preparação tinham? Improvisações? 

Não houve muito tempo para preparação.  O tempo entre ter consciência da gravidade do impacto desta situação na vida económica, e ela se efetivar, foi uma semana, nem tanto. Mas nessa altura a primeira coisa em que nos focámos foi como íamos organizar o teletrabalho.  Sabíamos que em parte poderia ser feito, e ficámos de ir para o escritório duas manhãs por semana, para gerir algum expediente. Eventualmente acabámos por passar para uma vez por semana. Neste momento estamos em 50% lay-off. A nossa faturação caiu em 80%, apesar de o online ter subido. As livrarias e os espaços de livreiros acabaram.  

Esta conversa passa por um tema que me é muito caro: a liderança. Como gestor há 30 anos acho que a liderança é fundamental para fazer avançar as coisas, para limitar perdas numa crise. Tentei manter as pessoas calmas e avaliar a situação, sem precipitações.

Primeiras reações e sentimentos?  

Enquanto gestor sou pouco sentimental e muito focado na solução. Perco pouco tempo a avaliar o problema. O problema existe, uma pessoa tem de o resolver. 

Foi tudo tão rápido e com tantas coisas a acontecer todos os dias que as decisões se sucediam. Assumo que sou eu o responsável, sou eu que tenho de tomar as decisões, mas todas as decisões foram tomadas escutando as pessoas.  

Preocupações estratégicas a curto e médio prazo?  

No nosso caso, os clientes fecharam, e dependemos muito da venda ao retalho. É claro que o online subiu e tivemos de nos orientar para esse lado. Fizemos alguns ajustamentos na comunicação online para aproveitar o que restava da dinâmica do mercado. Há um grupo de clientes que continua a trabalhar: os supermercados. Embora, nesta fase, as pessoas não deem prioridade a comprar livros, como é evidente. Mas temos estado a interagir com eles. Estamos também a aproveitar este tempo para planear o futuro. O nosso produto começa a ser feito com muitos meses de antecedência. O lado bom desta situação é que diminuiu alguma pressão do dia-a-dia e podemos aproveitar este buffer para ir adiantando trabalho.  

Como é que isto vai reequilibrar a hard part e a soft part?  

Isso é algo imprevisível. A própria cultura e dinâmica das empresas não costuma mudar de um dia para o outro. No imediato, as pessoas vão querer regressar ao antigamente, voltar ao normal. Mas a realidade é que esta situação vai deixar alguns “bichinhos” que estão cá e agora sabemos que estas questões digitais, reuniões virtuais, são mais normais e mais fáceis de controlar do que sabíamos há 3 meses.  

Este tipo de tecnologias e recursos vão ser usados pela empresa. Agora, estou ciente que vai depender muito de cada cultura e de cada sector. Estes sectores culturais, como o B2C, é onde o lema fundamental é “God is in the details”.  E esses detalhes, muitas vezes, só aparecem na interacção, no trabalho de equipa e não é mesma coisa ser presencialmente ou virtualmente.  Agora, é um complemento fantástico e permite resolver muitas situações práticas do dia-a-dia. Em muitas situações vai aumentar a produtividade, nomeadamente dos gestores.  

Descoberta mais surpreendente?  

Se me dissessem há 3 meses que eu estava confortável a fazer um reunião por Zoom, eu não acreditava. Há partida sendo um homem social e de contacto, rejeitaria esta situação. Quebrou uma barreira muito engraçada. No meu caso particular até fez com que “visse” mais pessoas do que antes, pela facilidade do virtual.  

O que é que aprendeste. A grande lição?  

A resiliência das pessoas. Portugal provou mais uma vez que é um país altamente civilizado e que o facto de termos uma história longa de civilização, ajuda muito a ter esta atitude perante as adversidades. Sob o ponto de vista da liderança, na cúpula política, e generalizável a todos os partidos, mostrou-se muito bom senso e características de liderança muito interessantes. A humildade do gestor é importante para que ele se mantenha credível.  

O que passas aos teus filhos?  

Vai haver uma geração Covid. Ter o pai em casa não sei quanto tempo, o “desmame” vai ser difícil. No outro dia fui ao supermercado e quando voltei ele estava amuado comigo. Contado ninguém percebe. Tudo em casa, como? Tens de viver.  

O Covid 19 numa palavra?   

A palavra será desafio, mas pode ser desafio mortal.  

 

Arquivado em:Entrevistas

Leading Books – as escolhas de Miguel Pina e Cunha

30 Dezembro, 2022 by Denise Calado

As livrarias estão cheias de boas novas e não tão novas edições. Eis uma lista de livros lidos, em leitura e a ler. Incluem boas ofertas de Natal. As escolhas são, inevitavelmente, marcadas pela guerra. 

 

Ainda à volta da Rússia – e mais além 

Guerra: Como Moldou a História da Humanidade 

Temas e Debates  

Sobre a guerra Winston Churchill disse um dia que a história da Humanidade é a guerra. As escolhas desta edição são marcadas por este triste facto: a guerra. Para compreender a guerra como característica distintivamente humana e não como anomalia histórica, Guerra: Como moldou a história da Humanidade, de Margaret MacMillan (Temas e Debates) é um excelente ponto de partida. Esta historiadora trata do assunto com uma linguagem didática, num livro rico em exemplos e ilustrações. Uma ajuda para descodificar as nossas irracionalidades… 

 

Crónicas de Sebastopol  

Guerra e Paz  

Sobre a Rússia Uma das grandes edições do ano é Crónicas de Sebastopol (Guerra e Paz), de Lev Tolstói. Basta tratar-se de Tolstói para ser uma obra recomendável. Mas a guerra trouxe novos motivos para nos perdermos nestas páginas que mostram a guerra como ela era e como ela é. Eis um exemplo: “… o vale florido está cheio de cadáveres empestados, um belo Sol desce sobre o mar azul.” Guerra e Paz, a obra-prima, prenuncia-se nestas crónicas. 

Rasputine 

Alma dos Livros 

Para nos ajudar a descodificar a Rússia está também disponível Rasputine: O fim da grande Rússia e a queda dos Romanov, de Catherine Radziwill (1858-1941), uma aristocrata russo-polaca muito crítica do monge camponês. Este estranho personagem é alvo da análise de uma autora com estatuto aristocrático que o chegou a conhecer. O retrato não é favorável ao homem que, contudo, é apontado como um joguete nas mãos de outros jogadores de bastidores. O livro refere-se ao passado, mas ajuda a perceber o presente. Eis um exemplo: “Na Rússia, em regra, as pessoas no poder encolhiam-se diante do czar, a quem nunca ousavam contradizer”. O passado nem sempre é um país distante. 

Rússia: Revolução e Guerra Civil  

Bertrand  

De Antony Beevor, mestre na narrativa histórica, chega Rússia: Revolução e guerra civil (Bertrand). Neste monumental fresco da revolução, voltamos a encontrar Rasputine, naturalmente, mas agora como personagem menor da grande batalha entre vermelhos e brancos. Mergulhar na história da Rússia é sempre importante porque estes acontecimentos definiram, como poucos, a forma do mundo em que ainda hoje vivemos. Como escreve o autor, “nenhum país consegue escapar aos fantasmas do seu passado, muito menos a Rússia”. 

 

O Abismo: A Crise dos Mísseis de Cuba  

Quixote

Continuando a seguir a linha do tempo, O Abismo: A crise dos mísseis de Cuba, de Max Hastings (D. Quixote), ganhou novo significado por causa das repetidas ameaças de uso de armas nucleares por Putin. Os acontecimentos de 1962 têm sido por essa razão, amplamente revisitados. Talvez se tenha tratado do acontecimento mais perigoso da história humana. Hastings, autor estrela na divulgação histórica, oferece um meticuloso relato desse momento. A análise chega aos dias de hoje – Putin incluído. 

 

A Rússia de Putin  

Elsinore  

Sobre a Rússia atual, a de Putin, tem sido publicada uma abundante bibliografia. Um livro incontornável é A Rússia de Putin, de Anna Politkovskaya (Elsinore). Politkovskaya foi uma voz livre num país crescentemente amordaçado. O livro mostra, com histórias da sociedade russa, como o putinismo foi evoluindo até se tornar aquilo que hoje todos conhecemos. A autora pagou a sua liberdade com a vida. É aliás inevitável pensar que quem escreveu o que ela escreveu estaria plenamente consciente daquilo que lhe poderia acontecer. Esta jornalista será um dia recordada no seu país como a heroína que foi. 

 

O Futuro é História 

O Regresso do Leviatã Russo 

Relógio D’Água

 

Outra voz central na denúncia de como a Rússia, no espaço de uma geração, mergulhou de novo na autocracia, é Masha Gessen, de quem chegou O Futuro é História (Relógio d’Água).  

Trata-se de uma história polifónica de como o regime trata as liberdades. Eis o que foi perguntado a Lyosha quando fez uma apresentação académica sobre os direitos LGBT: “Está ciente de que não existem lésbicas na Rússia?”, perguntou uma professora de São Petersburgo. “Também ouvi dizer que não existia sexo na União Soviética. (…) Porém a professora está aqui”, respondeu Lyosha. Continuando com o tema, outro perspicaz analista é Sergei Medveded, cujo O Regresso do Leviatã Russo (Relógio d’Água) mostra com cortante ironia o papel do passado no pensamento presente. Em “O preservativo como sinal de protesto”, por exemplo, o autor explica como o dito sempre foi considerado, imagine-se, um agente estrangeiro. Uma delícia trágica e a prova de que neste momento podemos ler apenas sobre a Rússia sem ficarmos desiludidos com a bibliografia. 

 

Para lá da Rússia e da guerra

Diário da República 

Quixote

Mas nem só de Rússia vive o presente. Na crónica destaco Diário da República, de João Pereira Coutinho (D. Quixote). Aprecio no escriba a qualidade da escrita, mas sobretudo a ironia e o sentido de humor por vezes autodirigido. Num panorama de plumitivos cheio de certezas, e por vezes até investidos do pleno conhecimento do Bom e do Bem – possivelmente incluindo este vosso servidor – a capacidade de usar o humor para descodificar a realidade ajuda-nos a manter o equilíbrio mental, em vez de agarrar na espada para investir contra os malignos que andam por aí. 

 

Lincoln Highway 

Quixote

No romance, conheci Amor Towles quando, estimulado pela tentativa de compreender um pouco mais a Rússia, li Um Gentleman em Moscovo. É um livro escrito com uma mestria que nos coloca na pele de um aristocrata caído em desgraça pela revolução. É uma leitura emocionante. O novo Lincoln Highway (D. Quixote) é igualmente aconselhável. Trata de uma road trip polifónica que nos coloca em contacto com as complexidades da vida, desde as crenças mágicas da infância até à perda das mesmas ao longo dessa viagem que é a vida. Chapeau, outra vez. 

 

 

E um livro fora do tempo 

Tao Te Ching  

Farol  

Termino com um livro sem tempo ou fora do tempo: o Tao Te Ching, de Lao Tzu (Farol). Trata-se do texto central do taoísmo, uma peça fundamental para compreender as civilizações orientais e o próprio mundo. Tenho várias edições desta obra maravilhosa. Esta tem a vantagem de ser traduzida por Ursula K. Le Guin. Eis um excerto: “O grande poder que não se apega ao poder/ tem um verdadeiro poder”. 

 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

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Arquivado em:Artigos, Leadership

Sabe o que são as tecnologias da natureza?

30 Dezembro, 2022 by Denise Calado

A natureza é um recurso vital que estamos a deixar morrer. Contudo, existem agora tecnologias que pretendem contrariar o rumo que o planeta está a levar: as soluções baseadas na natureza (NbS), explica o World Economic Forum. 

O que são as NbS? 

Estas soluções são projetadas para restaurar, preservar e gerir a natureza, mitigando assim as alterações climáticas, e facilitando uma transição justa, estando já a ser implementadas por todo o mundo. 

As NbS protegem os ecossistemas já existentes, ajudam a gerir a terra com mais eficiência e restaura os ambientes naturais. Além disso, as soluções baseadas na natureza estão a garantir que mil milhões de pessoas que interagem com a natureza no dia-a-dia, muitas delas com poucos recursos, possam prosperar. 

A necessidade por mais NbS é urgente, e é aí que entra a chamada “tecnologia da natureza”. 

A tecnologia da natureza é fundamental 

A tecnologia da natureza abrange qualquer tecnologia que possa ser aplicada para habilitar, acelerar e ampliar soluções baseadas na natureza, que exigem níveis significativos de investimento se quisermos atingir as metas de clima, biodiversidade e degradação da terra. 

A tecnologia da natureza pode ser dividida em quatro grandes categorias: 

– Implantação: esta foi desenhada para aliviar os desafios enfrentados pelos profissionais de NbS, como a tecnologia de drones para a reflorestação e intervenções que ajudem agricultores a aumentar o rendimento das colheitas e a produtividade do gado. 

– Monitorizar, reportar e verificar (MRV): esta categoria refere-se ao processo de medir e fazer relatórios do clima, biodiversidade e dos benefícios sociais por meio da tecnologia, com monitorização por satélite, testes LiDAR e eDNA. 

– Transparência: esta torna visível a propriedade e transações de ativos naturais através do uso da blockchain para transações e registos de carbono. 

– Conexão: aplicações móveis que podem conectar comunidades locais a mercados mais prósperos, ajudando assim a impulsionar o uso sustentável de ecossistemas naturais. 

Investir, pelo planeta 

De acordo com o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, as metas climáticas internacionais não serão atingidas se não forem feitos investimentos em soluções baseadas na natureza rapidamente. O relatório estima que é necessária uma injeção de 384 mil milhões de dólares por ano até 2025, mais do dobro dos atuais investimentos. É aqui que a tecnologia da natureza pode desempenhar um papel essencial. 

O novo mercado emergente de tecnologia natural é fundamental para criar a confiança necessária para financiar adequadamente o NbS. Ao focar nesta tecnologia, podemos medir e quantificar melhorias, em muitos casos pela primeira vez. 

No momento das implementações comerciais de soluções baseadas na natureza – necessários para financiamento e implantação sustentados – em muitos casos ainda não há um caminho bem definido para a monetização. As organizações sem fins lucrativos, embora tenham uma importante função catalisadora, não têm os fundos necessários para implantar totalmente o NbS. 

Além disso, as abordagens NbS diferem, por vezes radicalmente, das práticas de negócios habituais em toda a cadeia de valor. Utilizadores, fornecedores, e financiadores precisam de repensar como fazem os negócios, e esse tipo de mudança não é fácil. 

Próximas tendências para o mercado da tecnologia da natureza 

– A capacidade de a tecnologia da natureza avaliar e fazer registos da natureza melhorará muito, proporcionando benefícios cada vez mais lucrativos para aqueles que protegem, restauram e gerem os sistemas naturais, ecossistemas e paisagens; 

– O principal impulsionador do crescimento do mercado de tecnologia da natureza não será a tecnologia em si, mas a capacidade mundial de criar políticas eficazes, e de construir capacidade humana e comunidades; 

– À medida que as soluções de tecnologia da natureza vão amadurecendo, o mercado passará por uma considerável consolidação e integração vertical, mas com um twist de “customização em massa”; 

– Algumas das inovações mais importantes virão do Sul Global

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