• Skip to main content
Revista Líder
Ideias que fazem futuro
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos

  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «Será que ainda sou relevante?»: Rita Sambado inquieta plateia e desafia o futuro da liderança

      Catarina Esteves (Coca-Cola): «A força de uma empresa tem de servir para mais do que vender um produto»

      Catarina Eufémia, greve e o país que continua a discutir o trabalho

      Adoção de IA cresce em Portugal, mas 17% das empresas ainda não formou colaboradores

      Utilização de agentes de IA no atendimento ao cliente dispara e já chega a dois terços das empresas

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Jos Duchamps parafraseou Churchill: «Na verdade, nós moldamos os edifícios e, depois, os edifícios moldam-nos a nós»

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Bonga: As mensagens das minhas canções «foram mais longe do que o discurso dos políticos»

      Roberta Medina: «As empresas não podem ter a miopia de olhar apenas para as suas metas»

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
Loja
  • Notícias
    • Notícias

      Todos

      Academia

      África

      Cibersegurança

      Ciência

      Clima

      Corporate

      COVID-19

      Cultura e Lifestyle

      Desporto

      Diversidade e Inclusão

      Economia

      Educação

      Finanças

      Gestão de Pessoas

      Igualdade

      Inovação

      Internacional

      Lazer

      Legislação

      LGBTQIA+

      Liderança

      Marketing

      Nacional

      Pessoas

      Política

      Responsabilidade Social

      Saúde

      Sociedade

      Sustentabilidade

      Tecnologia

      Trabalho

      «Será que ainda sou relevante?»: Rita Sambado inquieta plateia e desafia o futuro da liderança

      Catarina Esteves (Coca-Cola): «A força de uma empresa tem de servir para mais do que vender um produto»

      Catarina Eufémia, greve e o país que continua a discutir o trabalho

      Adoção de IA cresce em Portugal, mas 17% das empresas ainda não formou colaboradores

      Utilização de agentes de IA no atendimento ao cliente dispara e já chega a dois terços das empresas

      Ver mais

  • Artigos
    • Artigos

      Todos

      Futuristas

      Leadership

      Leading Brands

      Leading Cars

      Leading Life

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Líderes em Destaque

      Jos Duchamps parafraseou Churchill: «Na verdade, nós moldamos os edifícios e, depois, os edifícios moldam-nos a nós»

      «A maioria dos portugueses não consegue viver com o salário que tem, embora trabalhe oito horas por dia», afirma Raquel Varela

      Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

      Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

      Governar algoritmos é o novo desafio das lideranças

      Ver mais

  • Opinião
  • Entrevistas
    • Entrevistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Bonga: As mensagens das minhas canções «foram mais longe do que o discurso dos políticos»

      Roberta Medina: «As empresas não podem ter a miopia de olhar apenas para as suas metas»

      «Se o líder for mau, a IA vai ajudá-lo a tomar más decisões mais depressa», defende Ricardo Fortes da Costa

      «Hoje a engenharia civil não consegue atrair: é uma profissão que perdeu espaço e alguma credibilidade», explica Nuno Garcia

      «O dano reputacional pode ser muito mais profundo e duradouro do que uma coima», diz Joana Cadete Pires sobre a transparência salarial

      Ver mais

  • Reportagens
  • Encontros
  • Biblioteca
    • Livros e Revistas

      Todos

      Leadership

      Leading Brands

      Leading People

      Leading Politics

      Leading Tech

      Três livros para entender a Inteligência Artificial: do dicionário à estratégia empresarial

      Supermarcas, IA e empreendedorismo: os livros de marketing que deve ler este ano

      Crise da democracia, Xi Jinping e cidades: três livros para pensar política

      Três propostas de livros para evoluir na carreira e nas relações humanas

      Genocídio – Paolo Fonzi

      Ver mais

  • Líder Corner
  • Líder Events
  • Revista Líder
    • Edições
    • Estatuto Editorial
    • Ficha Técnica
    • Publicidade
  • Eventos
    • Leadership Summit
    • Leadership Summit CV
    • Leadership Summit Next Gen
    • Leading People
  • Cabo Verde
    • Líder Cabo Verde
    • Leadership Summit CV
    • Strategic Board
    • Missão e Valores
    • Contactos
    • Newsletter
  • Leading Groups
    • Strategic Board
    • Leading People
    • Leading Politics
    • Leading Brands
    • Leading Tech
    • Missão e Valores
    • Calendário
  • Líder TV
  • Contactos
Subscrever Newsletter Assinar

Siga-nos Lider Lider Lider

As ideias que fazem futuro, no seu email Subscrever

Denise Calado

«Sem tecnologia não conseguimos fazer a nossa missão»

26 Dezembro, 2022 by Denise Calado

O edifício imponente pintado de azul céu não deixa indiferente quem passa na Ribeira das Naus, em Lisboa. É casa de mais de 600 oficiais da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional, num total de 10 mil. Uma instituição com 705 anos, que se tornou o centro nevrálgico das operações de salvamento, defesas militares, segurança e desenvolvimento, espionagem e secretismos, a que o Almirante Henrique Gouveia e Melo abriu as portas à Líder mostrando como a tecnologia é crítica no desenrolar das missões da Marinha. 

O Almirante Henrique Gouveia e Melo nunca sonhou ser outra coisa senão não militar. Mas a pandemia empurrou-o para a coordenação da Task Force para a elaboração do Plano de Vacinação contra a COVID 19 e o resto é História. É Chefe do Estado-Maior da Armada e da Autoridade Marítima Nacional desde o dia 27 de dezembro do ano passado. Um verdadeiro trabalho de estratega – minucioso e calculado em tempo real, já que a Marinha atua em quatro ambientes diferentes: debaixo de água, à superfície, no ar e em terra, o que demonstra bem a complexidade que tem em mãos.  

Além do mais, os ciberataques são permanentes e a tecnologia passou a ser o Sistema Nervoso Central de todas as operações. Nesta entrevista, o Almirante Gouveia e Melo partilhou as revoluções que se vivem dentro da organização, bem como as suas inquietações acerca do conflito na Ucrânia. Fique a conhecer a visão de um verdadeiro contador de histórias para quem a estratégia passa pela necessidade de equilíbrio de poderes, inteligência e, caso tudo se perca, pela sabedoria de nunca deixar de saber navegar olhando apenas para as estrelas. 

Como gere a Armada e a Autoridade Marítima Nacional os desafios da digitalização? 

A digitalização tem três grandes aspetos. O aspeto material: computadores, sistemas e redes. O aspeto humano: pessoas capazes de operar com as novas tecnologias. E, por fim, o aspeto dos procedimentos, que garante que as duas coisas se reúnem de uma forma organizada e consequente. Temos uma arquitetura e um plano para irmos melhorando as nossas capacidades digitais. O primeiro mainframe da Marinha é da década de 70, depois apareceram os microcomputadores e posteriormente as redes, quer externas e internas, que vieram interligar os utilizadores mais simples aos servidores. Por motivos de segurança óbvios, tivemos de estabelecer redes segredadas, o que trouxe uma duplicação de computadores por cada Oficial. Acabámos por evoluir para defesas lógicas, mas mantivemos uma rede secreta completamente isolada do exterior.  

Na década de 80, criámos um departamento específico para a área Digital e este departamento foi crescendo e hoje é também a área de Redes e Conectividade. Temos o que chamamos de Sistema Nervoso Central, que é todo o conjunto de equipamentos – servidores, desktops e até telemóveis – que fornece serviços a toda a Marinha: desde classificados e não classificados, com as regras da ciberdefesa para defender os perímetros e garantir que a informação não sai, nem compromete a nossa capacidade de usar os sistemas. Qual foi a nossa grande dificuldade? Ir estabelecendo os procedimentos cada vez mais complexos, de uma miríade de sistemas, e preparar as pessoas para usar as ferramentas, ter comportamentos seguros nas redes e saber defender-se de ataques. E isto é a instrução básica militar digital, ou seja, todos os militares que entram na Marinha fazem cursos para garantir um nível mínimo de competências digitais e desenvolver competências ao longo da sua carreira. O digital confunde-se com o dia a dia, quer nos navios, quer nos sistemas em terra, em tudo. 

Qual é a estratégia e que desafios enfrentam?  

Queremos robotizar a Marinha. Isto significa que temos de ter sistemas suficientemente robustos para não sofrer interferências eletromagnéticas, que chamamos de jamming, e ao mesmo tempo não deixar que entrem nas nossas redes e manipulem os nossos sistemas. Para isso precisamos de combater dentro do espetro eletromagnético: garantir que determinadas frequências estão disponíveis para nós e não somos jammados, isto é, combater em simultâneo a manipulação e os conteúdos das redes. A Marinha tem uma necessidade muito grande deste tipo de redes operacionais, feitas por microondas e transmissores, que podem estar muito vulneráveis a espionagem e interferência. Nós fazemos a mesma coisa, tentamos espionar e interferir e ter capacidade para lutar e sobreviver num ambiente em que não é só o conteúdo que está em causa, mas a própria disponibilidade de rede. 

O tema da ciberdefesa é cada vez mais crucial. Numa realidade como a da Marinha, quais são os principais perigos e riscos que enfrentam?  

Enfrentamos riscos como todas as organizações que trabalham no ciberespaço. Temos os hackers de fim-de-semana, os profissionais, os que estão relacionados com o crime organizado, e enfrentamos os que são financiados e estruturas dos governos dos nossos opositores. Temos uma estrutura de ciberdefesa, associada a uma estrutura superior dos três ramos das Forças Armadas, e fazemos a administração e proteção dos serviços externos da Marinha. Estamos permanentemente, em real time, a verificar se há intrusões, se o tráfego é normal, se há saídas para determinados endereços esquisitos e quais os países e locais para onde está a fluir o nosso tráfego. Temos também uma sala Intel ligada à NATO, que permite saber os tipos de ataques, quem está a atacar e quais as técnicas usadas para incorporar nos sistemas.  

Somos atacados todos os dias. Temos mais de mil ataques por dia de diversos géneros, desde o hacker de fim-de-semana, ao hacker profissional, ao criminoso e ao agente estatal.  

Quais são os países que estão mais desenvolvidos em termos de digitalização das suas estruturas operacionais no domínio das Forças Armadas, em concreto as marítimas?  

A China e os EUA, seguidos da Europa e da Rússia. A NATO, enquanto organização de defesa, está muito desenvolvida e nós fazemos parte deste ecossistema. Hoje, combatemos numa rede, em que temos um navio em África, e um destacamento militar no extremo oposto, e é preciso conseguir manter estas redes ao longo de extensões imensas, como um sistema nervoso que recebe informações de vários sensores. Portanto é uma dificuldade superior à das empresas, que tem os seus circuitos fechados, com as suas sedes. A Marinha também tem as suas sedes e as suas bases, mas é o único ramo que atua nos quatro ambientes: debaixo de água, à superfície, no ar e em terra, com os Fuzileiros. A nossa complexidade é, por isso, bastante elevada.  

Como imagina o futuro desta força armada com todo o desenvolvimento tecnológico que estamos a viver e se prevê que continue? 

Na era digital estamos muito preocupados com a conectividade, com a rede e com a capacidade de poder operar através desta rede para não sermos interferidos, ou a informação ser roubada. Mas a informação é tanta, e é produzida em tanta quantidade, que o ser humano baralha-se e não a consegue analisar. Temos de encontrar sistemas para a organizar, para que os dados se transformem em informação e em conhecimento cognitivo. Para isso começámos a investir em sistemas periciais, como Inteligência Artificial (IA) e machine learning, que liberta os seres humanos das coisas mais pesadas, repetitivas, para coisas mais interessantes e críticas. Posso dizer-vos que só uma parte dos sensores da Marinha produz um terabyte de informação ao dia (mil gigabites), e se não se processar essa informação, há coisas que estão a acontecer e não vamos saber. É preciso que a IA permita perceber este volume de informação, e o que há de estranho para o ser humano atuar. Estamos a evoluir para uma superioridade cognitiva sobre os nossos adversários, que é o que pretendemos enquanto Forças Armadas e Marinha.  

Sabemos que tem um projeto pioneiro que envolve o desenvolvimento de navios preparados para operações militares com drones. Como vai funcionar exatamente e qual o papel da digitalização nessa operação?  

O papel é central. Este navio é uma plataforma de sensores e atuadores, que são drones, o que permite ter um alcance muito superior (1500 km) a um navio normal (70/80 km). O que permite, com menos investimento, usando as novas tecnologias e com menos pessoas, ter resultados operacionais superiores. Consigo ter sensores muito longe e espalhados num grande espaço que é o mar português, que é gigantesco, e simultaneamente agir sobre qualquer coisa que detete. Com um conjunto de braços robotizados velozes, evito que o navio se desloque lentamente até à posição, o que torna tudo muito mais rápido e a um custo muito mais barato. 

Que outros projetos inovadores estão em curso?  

Temos um acelerador tecnológico para o mar. Convertemos uma base militar, em Tróia, em base experimental e disponibilizamos uma infraestrutura a quem queira fazer experiências, de uma forma controlada, com muitos dos nossos equipamentos e capacidades. É um acelerador da transformação das empresas para o Mundo, muito mais sofisticado, robotizado e a operar num dos espaços mais agrestes que é o mar. Neste momento, sem a tecnologia não conseguimos fazer a nossa missão.  

Como olha para a guerra que se desenrola em território ucraniano e qual tem sido o papel da Marinha neste conflito?  

A Marinha russa tem sido um dos principais vetores de ataques do mar para terra, usando submarinos e plataformas navais, que são muito menos vulneráveis do que as plataformas terrestres. A coluna vertebral dos ataques de precisão, vem da Marinha russa, usando o Mar de Azov e o Mar Negro. Depois há toda uma estratégia de dissuasão e contenção, que envolve a NATO e nós, que é uma espécie, e digo-o entre aspas, de um “baile”, em que andamos a dançar uns com os outros e a controlarmo-nos uns aos outros.  

A Marinha do Mar do Norte russa usa navios militares, e de investigação científica, que podem ameaçar as infraestruturas debaixo de água e pôr em causa coisas importantes para o Ocidente, como, por exemplo, os cabos submarinos onde passa 99% do tráfego de internet. O controlo mútuo permite, caso haja uma escalada do conflito, ter uma foto imediata de onde estão os navios, para se agir de forma rápida. A nossa Marinha faz parte desse esforço da NATO e está, também, em grande atividade. Tudo o que acontece na nossa costa, como ponto de passagem do Mar do Norte para o Mediterrâneo e vice-versa, é controlado. O “bunkering” (trasfegas de combustível em alto mar) que fizeram durante um grande período foi controlado e seguido. E nós não o permitíamos nas nossas águas, na Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa, pelo perigo da operação poder poluir o mar.  

Como imagina o desfecho deste conflito?  

O desfecho é difícil de conceber, mas a Rússia deu um passo mais longo do que a perna e vai ter de retirar para se reintegrar na comunidade internacional. Não o fazer, é colocar a Rússia isolada da comunidade internacional, o que inclui a China também, que no início, aparentemente a apoiava, mas pouco a pouco está a afastar-se. A Rússia está num dilema e levar o país a pensar mudar de posição pode demorar tempo e é muito penoso. Eventualmente, pode significar uma mudança do equilíbrio de poderes. É um jogo de paradas e respostas que vão definir o próprio sistema de governança internacional no futuro. O que é muito mais do que a Ucrânia – é sobre como será o futuro da Europa. Será uma potência continental, marítima, ligada aos Estados Unidos da América? E como se vai posicionar em relação à China? E a Rússia como sairá deste conflito? Ficará de tal maneira enfraquecida que pode significar uma desestruturação da própria Federação Russa e isto é muito perigoso para Mundo. Há um limite que não devemos ultrapassar, pois a Rússia é importante na comunidade internacional, e essa comunidade também a deve controlar. É esse equilíbrio que ainda estamos a tentar encontrar.  

E estamos num momento decisivo.  

Na minha opinião, nós vamos viver pelo menos mais um ano de guerra. Um ano que vai esgotar a paciência dos países ocidentais, arrasar a Ucrânia e indiretamente a economia e posicionamento estratégico da Federação Russa, o que traz perigos, por estarmos a falar de uma das maiores potências nucleares. Historicamente já foi provado que os povos humilhados reagem muito mal. Não devemos humilhar, devemos encontrar uma saída que permita um novo equilíbrio na Eurásia. Simultaneamente, devemos perceber que há outros players, como os Estados Unidos, a grande potência marítima, o “Diretor do Ocidente”, e a China. Qual será o futuro da governança social, ninguém sabe. 

Estamos a viver tempos perigosos que vão alterar a nossa vida, e já estamos a sofrer impactos da guerra, apesar de estarmos muito longe. Esperemos que o mundo tenha inteligência suficiente para perceber que qualquer coisa nuclear significa a destruição da Humanidade. 

Há uma reconfiguração geopolítica.  

Sim, mas de quem foi a culpa? Os russos dizem que o Ocidente se expandiu demasiado para o Oriente, o Ocidente diz que foram adesões naturais. Não discuto a retórica dos conflitos internacionais, mas discuto a questão dos Direitos Humanos. O ser humano tem direito a existir com dignidade e em liberdade, e esse é o princípio base das sociedades ocidentais que pode estar em causa no futuro. A Agenda dos Direitos Humanos das Nações Unidas já está em causa, e, pelo conflito, pode ficar ainda mais, ameaçando a preservação do nosso sistema. A nossa “nave espacial”, que é o planeta Terra, é finita, e a última coisa que devemos fazer é destruí-la. E nada tem a ver com raça ou religião, é sobre o ser humano e todas as espécies. Se não tivermos cuidado com a Biosfera, a Humanidade pode extinguir-se. Diria que há duas questões: preservar “nave espacial” e a nossa liberdade. Fizemos o Mundo antropomórfico, em que o ser humano está no centro, mas ele não é o centro do Mundo, é só mais um animal da Natureza.  

Quem julgar acreditar que a sua segurança está na boa vontade do outro, está a fazer uma jogada muito arriscada. A nossa segurança está no equilíbrio de poderes com o outro, nunca na sua boa vontade.  

Se o outro se desarma, nós podemos desarmar, mas se o outro se arma, nós temos de nos armar. Temos de ter a capacidade de poder infligir no outro o dano suficiente que ele nos pode infligir, pois o desequilíbrio dessa relação faz, de um momento para o outro, desaparecer aquilo em que acreditávamos.  

Na grande atividade que falou existir na Marinha Portuguesa, quais são os principais trabalhos e prioridades?  

Neste momento, as minhas preocupações relacionam-se com os três níveis em que a Marinha funciona: continuar a revolução genética, terminar a revolução estrutural e iniciar uma revolução operacional. A nível genético, estamos numa Marinha envelhecida que precisa renovar navios e capacidades. Em parte, muito advém da tecnologia, mas, também, de que o tecido industrial português seja arrastado para essa renovação e que a maior parte do investimento fique em Portugal, nas empresas, Academias e nas Faculdades – há que reter e criar talento.  

A nível estrutural, a Marinha vivia dimensionada para 15 mil militares, neste momento tem 10 mil, entre militares e civis. Houve uma redução e reorganização, para se focar em coisas importantes e ganhar capacidade. Desde a contabilidade à administração interna, mais de mil pessoas estão a mudar de funções, em consequência da nova digitalização, cuja robotização dos processos liberta as pessoas para outras áreas. Conforme temos novos meios e novas capacidades, há uma revolução operacional, e é nessa revolução que me vou focar nos próximos anos, sendo que até agora estive mais concentrado na revolução genética e estrutural.  

E qual o papel do analógico entre a digitalização da Marinha e o apogeu da tecnologia? 

Os nossos procedimentos são desenvolvidos desde o cenário em que tudo está a funcionar, passando por semi-degradados, até chegar ao hardware puro e duro, só analógico. Apesar de toda a tecnologia para a navegação digital, continuamos a fazer a navegação astronómica, olhando para as estrelas. Na Marinha, o analógico faz sempre parte. Num cenário de degradação total, desde que haja combustível, e as máquinas trabalhem, nós continuamos a trabalhar e a comunicar pelos meios mais variados. 

Por Rita Rugeroni Saldanha e TitiAna Amorim Barroso 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

Subscreva a Líder AQUI. 

 

Arquivado em:Entrevistas

O que faz reter o talento jovem?

26 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Reter talento mais jovem pode ser um desafio para as organizações. O que procuram? De acordo com o novo inquérito, as prioridades da Geração Z e Millennials são: formação, desenvolvimento, flexibilidade, autonomia e transparência.  

Sendo que constituem o futuro da força de trabalho, é essencial para as lideranças entenderem exatamente o que pretendem as novas gerações, já que trazem mais inovação e criatividade para as organizações, criando valor. 

A estatística não engana 

A análise “Global Workforce Hopes and Fears Survey 2022”, da PwC, juntou o testemunho de mais de 52 mil trabalhadores em 44 países, evidenciou as principais diferenças e demandas de gerações de trabalhadores, concluindo que: 

– Os mais jovens têm duas vezes mais probabilidade de pedir um aumento nos próximos 12 meses (com 41% da Geração Z e dos Millennials, em comparação com 20% dos Baby Boomers); 

– Há três vezes mais probabilidade de mudar para um novo emprego nos próximos 12 meses (27% da Geração Z e 23% dos Millennials, versus 9% dos entrevistados mais velhos); 

Para contrariar a saída de talento jovem das empresas é preciso que as organizações estejam atentas e mudem as estratégias. Para isso, é importante que priorizem os seguintes aspetos: 

Oferecer oportunidades de formação 

Um tópico evidente nos resultados do estudo é que os trabalhadores mais jovens estão mais preocupados em ter as skills necessárias para progredir nas suas carreiras.  

Um quarto dos trabalhadores da geração Z e Millennials afirmam que estão extremamente ou muito preocupados em serem negligenciados no que toca a oportunidades de desenvolvimento, em comparação com apenas 11% da geração mais velha.  

Existe uma preocupação generalizada entre o talento jovem relativamente à entidade empregadora não ensinar competências técnicas ou digitais relevantes. 

Flexibilidade e autonomia são essenciais 

A segunda categoria diz respeito à autonomia dos funcionários. Os trabalhadores mais jovens têm expectativas mais altas do que os mais velhos em quase todas as dimensões desta área: 

– Em relação ao horário de trabalho, a Geração Z tem 10% mais probabilidade do que os Boomers de afirmar o peso desse fator na tomada de decisão, especialmente numa altura em que se fala na redução da semana de trabalho. 

– Com o local de trabalho (híbrido, remoto, presencial), a divisão é ainda maior: a Geração Z é 11% mais propensa do que os Boomers a afirmar que essa escolha é extremamente importante e decisiva. 

– No que toca à forma como trabalham, a diferença aumenta para 17% entre as duas Gerações, sendo que os mais jovens consideram ser de extrema importância poder escolher o método como trabalham. 

Questões sociais são agora questões do local de trabalho

Mais de dois terços da geração Z e dos trabalhadores Millennials conversam com colegas sobre tópicos como os direitos humanos, a injustiça racial e a igualdade de género, em comparação com 55% dos Baby Boomers. 

Além disso, é mais provável que essas conversas levem a resultados positivos para os trabalhadores mais jovens, ajudando-os a diversificar os seus pontos de vista e pensamento crítico. A diversidade, equidade, e inclusão são questões que os jovens esperam transparência por parte do empregador para se terem um sentido de propósito e aumentar o seu bem-estar. 

As gerações mais jovens estão também mais sintonizadas com as alterações climáticas, com maior parte da parcela de entrevistados a afirmar que a transparência da empresa sobre o assunto é importante (54% para a Geração Z, em comparação com 45% para os Boomers).  

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Cinco formas de encontrar um novo emprego rapidamente

26 Dezembro, 2022 by Denise Calado

A inflação e o clima de instabilidade têm vindo a pôr em lay-off milhares de colaboradores da área de IT – desde o Twitter ao Facebook. Outras indústrias estão também a reduzir o seu pessoal, e à medida que o ano vai fechando, muitos funcionários podem encontrar-se agora sem emprego, e à procura de novas oportunidades. 

Muitos assumem que dezembro é a pior altura do ano para procurar emprego, mas os especialistas da Korn Ferry afirmam que não é motivo para desesperar. Há passos que pode dar já para entrar no Ano Novo com o pé direito: 

Networking 

Dezembro pode ser até o melhor mês para fazer networking, já que nas festas e jantares de Natal surgem as melhores oportunidades para estar com pessoas que no dia-a-dia não costuma encontrar.  

“Acompanhar uma pessoa nesses jantares é sempre positivo, nunca se sabe se não surge aí a próxima oferta de emprego”, afirma Deepali Vyas, diretora de FinTech da Korn Ferry. 

Recomenda-se também enviar postais de Natal para que as pessoas saibam que está à procura de novas oportunidades: “é uma boa maneira de fortalecer as relações, especialmente se não fala com essa pessoa há algum tempo”, acrescenta. 

Identificar os recrutadores 

Passe algum tempo a investigar as empresas e recrutadores na sua indústria. No entanto, antes de enviar mensagem, leia com atenção os seus perfis para se assegurar que estes têm cargos ao seu nível – júnior, mid ou sénior.  

Se não tiverem, pode perguntar se estão abertos a dar o contacto de outros recrutadores que tenham essas vagas disponíveis. Além disso, se algum dos seus amigos mudou recentemente de emprego, peça o nome do recrutador com quem trabalharam. 

Considere trabalhar numa start-up 

Se saiu de uma grande empresa tecnológica, há muitas start-ups que precisam do seu talento. “Se estiver disposto a levar um corte no salário, há várias start-ups de excelência que estão a precisar de talento, com urgência”, afirma Vyas.  

Uma start-up pode dar mais benefícios a longo prazo, incluindo equidade e a capacidade de estar comprometido com algo novo, e ganhar um sentido de propósito. 

Atualizar o perfil de LinkedIn

Assegure-se que tem o perfil de LinkedIn atualizado, já que este dá informações relevantes relativamente aos seus feitos mais recentes.  

Considere enumerar três factos sobre o que já fez e o impacto que teve, ou publicar artigos de reflexão e liderança, para mostrar que ainda está dentro da indústria. “Há pequenas coisas que pode fazer que vão destacar a sua experiência, e evidenciar porque é que os recrutadores o devem escolher”, conclui. 

Gerir bem as emoções

Ser despedido pode deixar as emoções à flor da pele. Assim, antes de ir para uma entrevista de emprego, pratique como é que vai abordar a questão do seu trabalho anterior, para evitar dar ao recrutador uma má imagem.  

Pode dizer “a minha posição foi eliminada, mas foi até numa boa altura, porque estou pronto para fazer algo novo”, ou “já estava na altura de procurar novas oportunidades, e estou numa boa altura da minha carreira para o fazer”. 

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

“A paragem absoluta foi para mim o mais assustador”, a resiliência de um negócio familiar entre uma crise inédita

26 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Sebastião Pinto Ribeiro, CFO da leiloeira Palácio do Correio Velho, acolheu o negócio de família do Pai, e assumiu os desafios que com ele vieram, nomeadamente a crise financeira de 2008. Ainda assim, nada o tinha preparado para a crise pandémica que se instalou em 2020. A história de resiliência de uma empresa familiar e a sua aprendizagem de que nada é impossível.   

Durante o período do primeiro confinamento, em março/abril 2020, Francisco X. Froes e Miguel Pina e Cunha, Nova SBE, entrevistaram 56 líderes/gestores de topo, das mais variadas áreas de negócios, visando encontrar padrões de comportamento suscitados pela pandemia e assim poder ajudar estes e outros líderes em crises futuras. A questão subjacente foi: quais as respostas das empresas à COVID-19? 

A entrevista é parte do projeto editorial “Como 50 CEO reagiram à pandemia?”. 

O que é que ouviste, quando e como?  

Ouvi logo no princípio de fevereiro. Para além do Palácio do Correio Velho, sou sócio de um restaurante, portanto quando começou a atingir gravemente a China, e os restaurantes e negócios a fechar, fiquei atento ao que se passava com o vírus. Ainda não tinha consciência da agressividade e de como ia atingir a Europa. A realidade atinge-nos a 13 de março. Tínhamos um leilão marcado para dia 18 desse mês, com mais de 1000 pessoas previstas. Tivemos de cancelar e fechar a empresa, ainda que sem qualquer base científica ou apoio estatal, mas por causa da saúde pública e intuição. 

Que preparação tinham? Improvisações? 

Estivemos duas semanas às apalpadelas. Não que a empresa não estivesse tecnologicamente preparada para o Covid: desde 2014 que fazemos leilões online, e os leilões físicos já eram transmitidos em live stream, através de parceiros internacionais. Mas o negócio tem outra componente, que é a angariação de obras de arte. Essa parte só vê quem recorre a nós, quando precisa de vender, e isso faz-se muito no terreno: é ir a casa das pessoas, convenções, entre outros. Essa era a parte que nos preocupava. Parte da empresa está em lay-off e aproveitámos para organizar coisas que “nunca tínhamos tempo”, como em todas as empresas. Com as pessoas que estão 50% em lay-off aproveitámos para organizar o nosso armazém de 2.000 metros quadrados, cheio de coisas para vender. Nesse sentido este break até foi positivo. 

Vossa e lema? Ajudou? 

Não temos lema, mas preservamos e valorizamos a cultura portuguesa e o património das famílias. Em nome desse valor e know-how, decidimos retribuir à sociedade na forma de uma parceria com a Nova SBE e com a FCSH, para fazermos uma pós-graduação.   

Primeiras reações e sentimentos?  

Estou há 10 anos numa tempestade, tenho 40 anos e cresci a ouvir o meu pai a falar do 25 de abril. Acho que o meu filho vai crescer a ouvir-me falar da crise do subprime de 2008 e dos Covid da vida. A minha geração anda a levar pancada para a esquerda e para a direita. Em situação de recuperação vamos sempre encontrando soluções, agora com a paragem total nunca tinha lidado. A paragem absoluta foi para mim o mais assustador. 

Decisões em real time?  

Ter de decidir sobre as responsabilidades maiores da empresa. Há alturas em que faturamos entre meio milhão a um milhão por mês, e de repente esse valor cai 90%. 

Tínhamos créditos bancários, ordenados para pagar, rendas. A primeira coisa a fazer foi ligar aos meus senhorios e negociar. Um era a Câmara Municipal de Lisboa, e correu bem. Outro era a IURD; liguei e disse que não podia pagar sem faturar. Foram espetaculares. Depois, claro, veio a preocupação com os trabalhadores. O meu Pai tem a empresa há 40 anos e os trabalhadores foram sempre a prioridade. Foi a primeira vez que não pagamos o salário a 100%. 

Preocupações estratégicas a curto e médio prazo?  

Estamos no negócio das obras de arte, isto não é uma crise típica. Não consigo prever. Numa crise típica provavelmente estava a esfregar as mãos de contente, já que é quando temos mais atividade, é quando as pessoas têm mais necessidade de vender as coisas. Temos de ver se o público aceita a nova forma de vender. Esta parte da angariação já há anos que a estávamos a ver. Quando foi a crise financeira de 2008-10, houve um boom de vendas: as pessoas não conseguiam vender as casas, vendiam o recheio. Com a subida do mercado imobiliário em Portugal, as pessoas optam por vender as casas em vez de o recheio. 

Como é que isto vai reequilibrar a hard part e a soft part?  

Este negócio nunca deu o passo total para o online puro e duro, embora internacionalmente se esteja a recorrer cada vez mais ao digital. A partir de um certo nível é um negócio muito de relação. As pessoas gostam de colecionadores, de conhecedores, de ir à exposição, falar, ver, namorar a peça, ser reconhecido. As vendas online têm crescido exponencialmente, mas ainda não há um modelo vencedor 100% online. 

Descoberta mais surpreendente?   

A nossa resiliência enquanto empresa.  

O que é que aprendeste. A grande lição?  

Ainda estou a aprender, mas acho que estou a aprender que nada é impossível. 

O Covid 19 numa palavra?  

Passou aqui, foi bonzinho comigo, pode-se ir embora. Pena foi ter feito mal a alguns. Enquanto é financeiro, resolve-se nem que se tenha de fechar a empresa, agora quando afeta a saúde é que é pior.  

Arquivado em:Entrevistas

Agir Digitalmente

26 Dezembro, 2022 by Denise Calado

O futuro digital é rico em promessas utópicas e em ameaças distópicas. A realidade ficará porventura algures no meio. Costuma ser assim. Senão vejamos… Sonhos utópicos. Era uma vez um tempo em que acreditávamos que o mundo trazido pelo digital resolveria vários problemas. Por exemplo, e tal como demonstrado pelas chamadas Primaveras Árabes, seria possível ao povo depor ditadores, em parte devido às possibilidades organizativas trazidas pelas novas tecnologias sociais. O povo juntava-se e as ditaduras caíam como peças num dominó. Surgiria assim uma nova visão do poder como processo mais democrático, mais transparente, mais partilhado.  

A transformação digital, facilitada pela pandemia de COVID-19, também permitiu mudar o trabalho: trabalhar em híbrido ou remoto permitiu em muitos casos mudar práticas seculares, talvez suportando novas formas de equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Surgiram novos modelos de negócio que oferecem novas experiências, expandidas até ao metaverso. Enfim, a transformação digital alavancou um conjunto importante de alterações que mudaram e continuarão a moldar o mundo em que vivemos. Mas nem tudo são utopias. Ameaças distópicas. Aprendemos que o mundo digital tem potencial distópico. As primaveras árabes deram lugar a outonos ou mesmo invernos. Nenhuma democracia floresceu realmente no mundo islâmico nem mesmo a Tunísia, o farol democrático desse mundo, conseguiu manter a trajetória de consolidação das instituições. Aprendemos que as redes sociais, se podem funcionar como um mecanismo de empoderamento, também funcionam como instrumento de manipulação.  

O resultado é a utilização de inteligência artificial para subverter processos eleitorais e corromper a democracia. Os regimes autoritários aprenderam a fazer das redes uma ferramenta de controlo e não de libertação. As redes sociais pressionam-nos para pensar “bem”, sendo muito agressivas face aos “malpensantes”, um processo com ressonâncias orwellianas. Apreendemos a realidade que nos querem dar a conhecer e não aquela que resulta das nossas leituras do mundo. Os nossos gostos são manipulados por sistemas tecnológicos que temos dificuldade em interpretar e a realidade virtual compete com a material. Jogamos e-sports e perdemos o contacto com a rua.  

Em resumo, agir no digital é navegar num novo mundo. Como sempre, compete-nos fazer hoje as escolhas com que teremos de viver amanhã. Algumas escolhas serão mais promissoras que outras. Mas não esqueçamos: neste momento de transição, o futuro começa… hoje. 

Ágil

Este é um livro de autores cá da casa (Miguel Pina e Cunha e Arménio Rego). Defende que não obstante a importância da tecnologia, o grande desafio do digital é a transformação organizacional: como preparar a cultura e a organização para tirar partido das potencialidades das novas tecnologias.  

Metaverso

Metaverso, de Matthew Ball ajuda a compreender a nova tecnologia, para muitos de nós ainda obscura, que tudo promete revolucionar, uma versão da realidade virtual que ameaça alterar o modo como vivemos, como trabalhamos e como nos entretemos. Este livro é porventura, neste momento, a melhor introdução ao tema. Um mergulho num futuro em construção. 

 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

Subscreva a Líder AQUI. 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

A 2.ª European Rising Innovative City

23 Dezembro, 2022 by Denise Calado

Pessoas, integração e serviço público, os três pilares para desenvolver um Concelho digital onde a tecnologia está ao serviço das pessoas e não ao contrário. Segundo Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, “se a tecnologia serve as pessoas, se o objetivo é aumentar a sua qualidade de vida, o contrário será o seu limite.”  

Reconhecida pelo Conselho Europeu de Inovação, como a 2.ª European Rising Innovative City, Cascais não tem parado de se digitalizar pondo ao serviço das pessoas todas as novidades tecnológicas sempre numa perspetiva de aumentar a qualidade de vida. 

Quando pensamos em cidades digitais é difícil não pensar em Cascais. Quais são os grandes projetos para digitalizar a cidade no futuro?  

Em Cascais vemos sempre a tecnologia no geral e a digitalização no particular como uma ferramenta para melhorar a vida dos que cá vivem, trabalham ou nos visitam. Nunca para nós a tecnologia é um fim em si mesmo, mas as suas potencialidades como meio para uma ação positiva são quase infinitas. A velocidade da informação, bem como a sua portabilidade permitem-nos uma melhoria exponencial dos processos, da experiência de utilização, mas também da interação entre serviços e cidadãos. Mas temos também de olhar para o futuro e ver as oportunidades que se abrem, o IoT por exemplo traz infinitas oportunidades de melhorias. Quanto a projetos em Cascais tenho de destacar o Viver Cascais, que integra os transportes públicos, os serviços de saúde, oferta cultural e de lazer num único cartão.  

O MOBI Cascais, a nossa APP de mobilidade, disponibiliza em tempo real a localização dos autocarros, que em Cascais são gratuitos, indica onde estacionar, ou permite aceder à rede de bicicletas partilhadas, também a custo zero. Ao abrir a APP no telemóvel, sabemos quando temos de sair de casa para apanhar o autocarro; isto traz-nos conforto, faz-nos ganhar tempo. É verdadeiramente a tecnologia ao serviço das pessoas. Também em termos de saúde temos investido na digitalização, as teleconsultas de medicina geral e familiar e de pediatria são uma realidade, gratuita, para todos os cidadãos de Cascais. E temos o C2 – o Cascais Cockpit, um centro de controlo que concentra toda a gestão territorial do concelho. Com um âmbito tão diverso como: o controlo dos parques de estacionamento, as respostas do atendimento ao munícipe, o risco de incêndio no parque natural ou a utilização e localização das bicicletas.  

Os munícipes percecionam a digitalização das cidades como uma vantagem ou ainda não valorizam as soluções tecnológicas?  

Muito sinceramente, não vejo as coisas desse modo. Penso que os munícipes valorizam a sua qualidade de vida, a oferta de serviços e o nível de serviço que lhes é prestado. Se a tecnologia lhes aumentar a qualidade de vida, se os fizer ganhar tempo é valorizada, se assim não for não tem valor acrescentado e é votada à indiferença.  

Quais as grandes vantagens competitivas de uma cidade digital?  

A integração e preparação de uma cidade para o mundo digital traz um mundo de oportunidades. Um exemplo: no início da Pandemia, a estrutura que já tínhamos no C2 foi fundamental para conseguirmos ser mais eficazes no combate à Pandemia. Cruzámos as localizações onde apareciam mais casos e reforçávamos as ações de mitigação nessas zonas. Quando idealizámos o C2 não prevíamos que fosse existir uma Pandemia, mas ele tornou-se útil também nesta situação. Uma cidade digital estará sempre mais bem preparada para o futuro, é mais rápida na implementação de respostas e no aproveitamento das oportunidades. Seja numa Pandemia, ou na oferta de uma melhor experiência de férias.  

Quais os limites da digitalização nas cidades? Há fronteiras certamente que não podem ser ultrapassadas, quais são?  

Se a tecnologia serve as pessoas, se o objetivo é aumentar a sua qualidade de vida, o contrário será o seu limite. Tecnologia que não ajude as pessoas, ou mesmo que as prejudique são a linha vermelha. Questões como a privacidade ou falta de segurança na proteção dos dados, são exemplos de como, sem os devidos cuidados, podemos estar a prejudicar em vez de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.  

Se Cascais tivesse de identificar as três grandes medidas que foram determinantes para o Município no âmbito da digitalização, quais seriam?  

A principal é este foco nas pessoas, nunca esquecer que é para elas que trabalhamos. Ter uma lógica de integração; não criamos soluções ou APPs estanques tudo faz parte de um grande conjunto. E a terceira, estar orientado para a solução, para o serviço; é assim na mobilidade, na saúde ou no atendimento municipal.  

Que cidades o inspiram para poder replicar em Cascais?  

É uma pergunta difícil. Já fomos beber, aprender com boas práticas de pequenas vilas ou cidades do país. Como vimos erros em grandes cidades e que obviamente não repetimos. O importante é o espírito de rede, é não estarmos todos a inventar a roda, mas irmos acrescentando e criando soluções para as pessoas.  

O que define exatamente uma cidade digital?  

Para mim o que define uma cidade, digital ou não, é a qualidade de vida que esta oferece aos seus cidadãos. O digital é só um meio, um grande meio, para atingir esse fim. 

 

Uma cidade digital em 7 pontos 

A missão de tornar Cascais no melhor lugar para viver um dia, uma semana, a vida inteira, tem inspirado este município a procurar as melhores soluções para residentes, trabalhadores, estudantes e visitantes. Remetendo para um conceito de qualidade de vida abrangente, onde o bem-estar do cidadão está no centro, e que se efetiva com: políticas públicas e gestão territorial inovadoras; atraindo investimento, conhecimento e talento; preservando os recursos e herança naturais; interagindo e envolvendo cidadão, promovendo o uso inteligente da tecnologia.  

O modelo de cidade digital de Cascais insere-se num ecossistema, onde se articula o local e o global, o conhecimento e a prática, envolvendo a comunidade, as universidades, as empresas locais e multinacionais, fazendo de Cascais um laboratório vivo de Inovação. Criam-se e experimentam-se soluções, sustentadas na análise dos dados, e avaliação de impacto, perspetivando a sua escalada. Cascais assume um papel pioneiro na condução de uma inovação, que também é digital, rumo a uma sociedade próxima, inclusiva e sustentável. Evidência deste percurso, é o reconhecimento pelo Conselho Europeu da Inovação, há precisamente um ano, de Cascais como a 2.ª European Rising Innovative City. 

Cascais Cockpit (C2) 

O centro de operações de Cascais permite uma visão unificada, digital, sobre todos os domínios do concelho, oferecendo uma visualização integrada de milhões de dados, permitindo a colaboração em tempo real e a elaboração análises preditivas para melhorar a eficiência das operações em Cascais.  

Cascais Smart Pole by NOVA SBE 

O primeiro living lab de descarbonização. Localizado em Carcavelos, servirá de catalisador do desenvolvimento sustentável e da neutralidade carbónica, assente no empreendedorismo e na ação/ participação cívica. Este projeto vai ao encontro das metas nacionais e do município para a descarbonização definidas para 2050.  

City Points

A app CityPoints Cascais visa promover boas práticas de cidadania e reconhecer os cidadãos que contribuem ativamente para a sustentabilidade local. Em funcionamento desde 2018, assenta num sistema de gamificação que pontua os utilizadores que participam ativamente em ações predefinidas, pontos esses que podem ser trocados por vales de produtos ou serviços oferecidos pelos parceiros locais. 

MobiCascais 

Plataforma de mobilidade que integra toda a oferta disponível em Cascais, desde a rede de transportes públicos, partilha e parqueamento de bicicletas, mapeamento de parques de estacionamento públicos, estacionamento, entre outros. Integra a política de gratuitidade dos transportes públicos, para todos aqueles que sejam residentes, trabalhadores ou estudantes em Cascais. A gratuitidade da mobilidade como caminho para a inclusão e sustentabilidade. 

Viver Cascais 

O cartão Viver Cascais (físico e digital) permite aos munícipes, estudantes e trabalhadores de Cascais usufruírem gratuitamente de um conjunto de benefícios exclusivos que vão desde os transportes rodoviários gratuitos a serviços de saúde. Atualmente tem mais de 100 000 utilizadores registados. 

Smart Waste Management  

Solução inteligente, orientada para monitorização automatizada da recolha de resíduos urbanos. Com a colocação de sensores em 400 ecopontos e ilhas ecológicas, obtém-se reporte dos níveis de enchimento, o que permite desenhar um plano de rotas de recolha otimizado e mais eficiente. Permite a redução das emissões de dióxido de carbono em cerca de 350 ton/ ano, assim como reduzir a quilometragem dos camiões de recolha em 180 000 km anuais.  

FixCascais  

Melhorar a cidade através da participação e contribuição dos cidadãos. Aplicação móvel que os cidadãos podem utilizar para reportar, em tempo real, situações que requerem resolução por parte dos serviços municipais (tais como pedidos de limpeza urbana e de cortes de jardins, avaria de sinais luminosos, ocupação indevida de via pública, etc.). Por ano são reportadas cerca de 100 000 situações. 

 

Este artigo foi publicado na edição de inverno da revista Líder 

Subscreva a Líder AQUI. 

Arquivado em:Entrevistas

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 93
  • Página 94
  • Página 95
  • Página 96
  • Página 97
  • Interim pages omitted …
  • Página 285
  • Go to Next Page »
Lider
Lider
Lider
Lider
Lider
Tema Central

Sobre nós

  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Tema Central
  • Termos e Condições
  • Política de Privacidade

Contactos

Av. Dr. Mário Soares, nº 35,
Tagus Park
2740-119 Oeiras
Tel: 214 210 107
(Chamada para a rede fixa nacional)
temacentral@temacentral.pt

Subscrever Newsletter
Lider

+10k Seguidores

Lider

+3k Seguidores

Lider

+268k Seguidores

Subscrever Newsletter

©Tema Central, 2026. Todos os direitos reservados.