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Leonor Wicke

Juliana Aguiar é a nova Business Director da Talenter

21 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Juliana Aguiar construiu a sua carreira através de diferentes funções e desafios em várias marcas do grupo, desenvolvendo uma visão transversal das operações e uma forte ligação às vertentes comercial e operacional, nomeadamente no acompanhamento de clientes e na gestão de equipas.

Licenciada e mestre em Psicologia, a nova Business Director destaca a importância da proximidade humana, da gestão emocional e da construção de relações de confiança como pilares fundamentais no contexto profissional.

«Integrar agora a direção da área de negócio da logística representa para mim um grande desafio que encaro com entusiasmo e motivação e, ao mesmo tempo, o reconhecimento de um percurso construído com dedicação, proximidade e compromisso. É uma área muito dinâmica e exigente, onde acredito que o acompanhamento próximo, a capacidade de resposta e o trabalho em equipa fazem toda a diferença», afirma Juliana Aguiar.

A experiência mais recente na Knower, empresa do grupo especializada em outsourcing, permitiu-lhe consolidar competências de gestão operacional e liderança em contextos de elevada exigência e proximidade ao cliente.

Para Nuno Cochicho, Chief Operations Officer da Talenter, esta nomeação representa uma aposta natural e estratégica: «A decisão de desafiar a Juliana para a função de Business Director Logística teve em conta a vasta experiência na área do trabalho temporário, a forte orientação para o cliente e a capacidade de gestão humanizada das equipas de trabalho. A experiência recente da Juliana na Knower permitiu-lhe consolidar o seu percurso profissional e dar-lhe as ferramentas necessárias para o mundo desafiante da Logística».

A área de Logística da Talenter tem vindo a assumir um papel estratégico no apoio às operações dos seus clientes, num contexto de crescente procura por soluções flexíveis, capacidade de resposta operacional e gestão eficiente de talento em setores críticos para a economia nacional. Atualmente, esta unidade de negócio apresenta um volume de negócios anual de cerca de 9 milhões de euros, prevendo alcançar os 15 milhões de euros em 2026.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Catarina Peleja é a nova Diretora Financeira da Cofidis

20 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Com esta reestruturação, Catarina Peleja passa a liderar uma equipa de cerca de 85 pessoas, distribuídas por cinco serviços (Conformidade operacional, Controlo de gestão, Serviço jurídico, Risco cliente, Gestão de fraude e Contabilidade). A sua principal missão será garantir o alinhamento estratégico entre a gestão financeira, a supervisão de risco e a garantia da qualidade em todos os serviços.

Antes de regressar à Cofidis em 2020 como Diretora de Risco, consolidou a sua experiência na área da consultoria e também no setor bancário. É licenciada em Matemática Aplicada à Economia e Gestão e concluiu um MBA em 2023, ambos pelo ISEG.

«É com um enorme sentido de responsabilidade e entusiasmo que aceito este novo desafio na Cofidis», afirma Catarina Peleja, nova Diretora Financeira, Risco e Qualidade da Cofidis Portugal. «Agradeço a confiança e reafirmo o meu compromisso com o crescimento sustentável e a solidez que caracterizam a Cofidis e que nos permitem continuar a ser um pilar de confiança.»

Catarina Peleja sucede a Pavlina Borovkova, que transita para o cargo de Diretora Central de Risco na sede global do Grupo Cofidis.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Uma empresa pode ser eficiente e «estar a jogar o jogo errado», explica Adrián Caldart

20 Maio, 2026 by Leonor Wicke

A obsessão pela eficiência operacional está a fazer com que muitas empresas se tornem excelentes «a jogar o jogo errado». A ideia é defendida por Adrián Caldart, Professor de Práticas de Gestão da AESE Business School e coordenador do livro A Direção Geral como Política de Empresa.

Em entrevista à Líder, o académico argentino alerta para os riscos de uma gestão excessivamente focada no curto prazo e defende que liderança, ética, visão de futuro e cultura organizacional continuam a ser fatores decisivos numa era dominada pela IA e pela transformação tecnológica. Para o especialista, as empresas que sobreviverão não serão necessariamente as mais eficientes, mas as que conseguirem construir valor, propósito e diferenciação a longo prazo.

O livro defende essencialmente que a direção geral deve ir além da gestão operacional. O que é que isso significa, na prática?

Na prática, quando estamos a gerir uma organização, existe uma classificação clássica com três níveis de gestão. Há uma gestão operacional, que é o mundo das soluções técnicas, das soluções algorítmicas – e aqui não falo apenas de algoritmos digitais, porque este é um conceito que já vem dos anos 50. É um nível heurístico, ou de gestão intermédia, que mistura soluções técnicas com soluções mais humanas e intuitivas. Aqui já são necessários conhecimentos de comunicação, trabalho em equipa, liderança, entre outros.

E por fim temos o nível da direção geral, que já é um nível mais político. É aí que lidamos com problemas muito mais abertos, com várias dimensões interdependentes e com vontades que reagem às nossas decisões. Por exemplo, quando lançamos um novo produto e a concorrência responde, ou quando alteramos preços e os consumidores reagem de formas pouco previsíveis.

No livro defendemos que a direção geral se baseia em três grandes áreas de governação. A primeira é a estratégia, ou seja, o “quê” da empresa: em que negócio atua e qual é o seu posicionamento.

A segunda é a organização, o “como”: como se desenvolvem capacidades, sistemas de gestão e, também, tudo o que está ligado à gestão de pessoas, cultura organizacional, liderança e motivação das equipas.

E a terceira área é aquilo a que chamamos configuração institucional, mais conhecida como corporate governance. Aqui entram todas as questões relacionadas com quem toma as últimas decisões dentro da organização e quais são os interesses e objetivos de quem detém o poder. Pode ser uma família empresária, gestores de topo, fundos de investimento ou até o Estado.

Defendemos que esta terceira dimensão é fundamental porque é ela que determina até onde certas estratégias são possíveis. Um fundo de private equity, por exemplo, pode querer maximizar valor em quatro ou cinco anos para vender a empresa. Já uma empresa familiar pode privilegiar continuidade, legado e reputação, sacrificando ganhos de curto prazo em favor da sustentabilidade a longo prazo.

Sem compreender esta dimensão política e institucional, torna-se difícil perceber quais são as estratégias verdadeiramente viáveis.

Que riscos existem quando uma liderança se reduz apenas à eficiência operacional? O que é que pode correr mal?

O grande risco é perder visão de longo prazo. Quando uma organização está demasiado focada na operação diária, assume implicitamente que o mundo não muda e que basta fazer o dia a dia de forma eficiente.

Mas os fatores externos mudam constantemente: guerras, inflação, crises geopolíticas, pandemias ou até mudanças geracionais e culturais na forma como os consumidores e os colaboradores encaram as empresas.

Se estivermos “sufocados” na operação, estamos cegos perante estas mudanças. E isso leva-nos a jogar muito bem o jogo errado.

Há uma diferença importante entre eficiência e eficácia. Eficiência é fazer bem as coisas. Eficácia é fazer as coisas certas. Uma empresa pode ser muito eficiente operacionalmente e, ainda assim, estar completamente desalinhada com aquilo que o mercado realmente precisa.

Num contexto empresarial marcado por pressão, resultados e transformação tecnológica acelerada, ainda há espaço para princípios filosóficos, éticos e humanos?

Quando há muita pressão de curto prazo, as organizações tendem a correr atrás das urgências e a dar respostas sintomáticas.

Mas, precisamente em momentos de grande incerteza, é fundamental saber qual é o propósito da empresa. Pode parecer um conceito repetido, mas é essencial perguntar: «Para que existimos?» e «Qual é a nossa missão?».

É impossível exercer bem a função de diretor-geral sem ter uma visão de onde se quer estar daqui a três ou cinco anos. Claro que o mundo muda e obriga a rever planos, acelerar ou travar decisões, mas não podemos viver numa lógica de adaptação total ao curto prazo.

Qualquer organização respeitada e admirada construiu-se ao longo do tempo através de uma visão consistente. Nenhuma empresa sólida foi criada com improvisações diferentes a cada trimestre.

Quando uma organização vive apenas a apagar fogos, cinco anos depois continua exatamente no mesmo sítio: sem tecnologia diferenciadora, sem marca forte e sem uma cultura organizacional sólida.

Como é que se abre espaço para estas questões mais humanas no dia a dia das empresas?

Muitas empresas tratam temas como missão, valores ou propósito como meras ferramentas de comunicação e relações públicas. Mas isso só funciona quando existe verdadeira convicção por parte da liderança. Se quem detém o poder acredita genuinamente nesses valores e os vive no dia a dia, as pessoas percebem. E valorizam.

As empresas que cuidam das pessoas em momentos difíceis, indo além do que a lei obriga, acabam por criar relações de confiança muito fortes. E quando a empresa precisa dos colaboradores, esses colaboradores lembram-se disso.

Pelo contrário, se uma organização fala de valores mas, perante uma crise, reage de forma brutal e contraditória, destrói completamente a sua credibilidade.

A cultura constrói-se através do exemplo e da consistência ao longo do tempo. Não se cria em seis meses.

Que competências relacionadas com a inteligência artificial vão ser diferenciadoras nos líderes dos próximos anos?

Hoje um líder empresarial não precisa de ser especialista em inteligência artificial, mas tem obrigação de compreender profundamente o seu potencial.

Vejo três grandes dimensões. A primeira é a IA como ajuda pessoal, algo que já todos utilizamos de alguma forma no trabalho individual.

A segunda dimensão é a otimização dos workflows e processos das empresas. Há um enorme potencial em áreas como recrutamento, análise de dados ou automatização de tarefas.

E a terceira é estratégica. A IA permite analisar tendências macroeconómicas, dados setoriais e cenários futuros com uma velocidade e profundidade que antes exigiam muito mais tempo e recursos.

Claro que a experiência humana continua a ser essencial para interpretar criticamente essas análises. Mas ignorar esta transformação tecnológica representa um risco muito sério para qualquer líder.

O que permanece do outro lado da balança e continua a depender exclusivamente da liderança humana?

As grandes decisões políticas devem continuar nas mãos das pessoas. A inteligência artificial pode apoiar tecnicamente a tomada de decisão, mas não substitui valores, cultura, sensibilidade ou visão humana.

Os valores da IA são os valores implícitos nos dados com que foi treinada. Mas cada organização tem a sua identidade própria, os seus princípios, a sua forma de estar e de liderar. Há coisas que têm a ver com o nosso estilo e gosto pessoal pelas coisas. Isso não pode ser totalmente delegado à tecnologia. Pelo menos por agora.

Dito isto, já há empresas que têm CEO’s de IA. Boa sorte com isso, eu nunca trabalharia numa dessas empresas (risos).

Existe alguma tendência ou preocupação comum entre todos os autores do livro?

É interessante ler os três primeiros capítulos do livro, porque são os mais filosóficos, e diria que todos os autores partilham essa mesma perspetiva.

Os capítulos seguintes são mais instrumentais e abordam temas clássicos da gestão, como estratégia competitiva, estratégia corporativa, inovação ou gestão de risco. Ainda assim, mesmo sendo capítulos mais técnicos e práticos, estão todos enquadrados pelo mesmo framework conceptual definido nos primeiros capítulos.

Diria que essa é precisamente a razão de ser do livro: é uma obra com uma visão do mundo. Muitas vezes, sobretudo na literatura internacional, evita-se assumir um ponto de vista mais filosófico, talvez por uma preocupação excessiva com a neutralidade ou com uma lógica puramente empírica.

Nós assumimos claramente uma perspetiva filosófica e humanista, e penso que isso é um dos grandes pontos fortes do livro.

O que distingue um bom gestor de um líder de direção geral?

Um diretor-geral precisa, antes de mais, de capacidade de foresight, ou seja, visão de futuro. Precisa de compreender profundamente o contexto onde a organização atua, diagnosticar tendências e projetar racionalmente a empresa no futuro.

Também precisa de ter visão de conjunto. Muitos gestores funcionais chegam à direção geral, mas continuam a olhar para a empresa apenas através da lente da sua área — marketing, finanças ou operações.

A direção geral exige capacidade para integrar todas as dimensões do negócio e ponderar simultaneamente fatores estratégicos, humanos, financeiros e operacionais.

Essa visão global não é automática. Desenvolve-se através da experiência, formação e exposição a diferentes áreas da organização.

Que desafios específicos enfrentam hoje as empresas portuguesas?

As empresas portuguesas têm uma particularidade: para crescerem verdadeiramente, precisam de se internacionalizar. O mercado interno é demasiado pequeno.

Mas, ao contrário de grandes multinacionais americanas ou chinesas, as empresas portuguesas têm de sair para o exterior antes de atingirem grande escala.

Isso significa que não podem competir apenas pelo custo. Precisam de competir através de diferenciação, inovação, marca, qualidade ou posicionamento estratégico.

Portugal dificilmente ganhará uma guerra de preços. O seu caminho está na criação de valor.

Ao mesmo tempo, existe uma vantagem cultural importante: os portugueses têm uma grande abertura ao internacional e uma naturalidade em trabalhar com outros mercados que nem sempre existe noutros países europeus, como em Espanha, por exemplo.

Como é que estas dimensões mais humanistas estão a ser integradas nos programas de formação da AESE?

Há duas formas principais. A primeira passa pela existência de disciplinas específicas ligadas à ética, direção de pessoas e tomada de decisão prudencial.

Mas a segunda é talvez ainda mais importante: independentemente do tema — estratégia, marketing ou finanças — procuramos que a dimensão humanista esteja sempre presente na discussão.

Quando analisamos um caso empresarial, procuramos sempre introduzir questões éticas, humanas e de impacto nas pessoas. Ao longo do tempo, os alunos acabam por naturalizar esta forma de pensar a gestão.

Além disso, tentamos trabalhar os participantes de forma integrada. Não acreditamos que exista uma vida profissional separada da vida pessoal. Existe apenas uma vida. E quando alguém não está bem pessoalmente, isso acaba inevitavelmente por afetar todas as outras dimensões.

Arquivado em:Entrevistas, Nacional, Notícias

Desporto, estilo e bem-estar: estas são as escolhas que elevam a rotina diária

20 Maio, 2026 by Leonor Wicke

As Escolhas da Revista Líder estão completas com as sugestões do Freeport Lisboa Fashion Outlet, focadas no desporto. De ténis de corrida e roupa desportiva aos relógios técnicos, este guia reúne peças e acessórios que aliam performance, conforto e estilo. Descubra as tendências, marcas e essenciais que refletem uma abordagem mais saudável, dinâmica e consciente à condição humana.

Boas compras!

Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Cultura e Lifestyle, Leading Life

As melhores marcas da próxima década serão construídas por pequenas equipas

20 Maio, 2026 by Leonor Wicke

O conteúdo deixou de ser algo pontual para passar a ser uma necessidade contínua. As redes sociais, a publicidade paga e os canais digitais multiplicaram-se e aceleraram. O volume que hoje se exige tornou o problema de produção universal.

A inteligência artificial democratizou o acesso à produção criativa. Pela primeira vez, uma equipa de cinco pessoas consegue produzir com a consistência e o volume que antes exigiam estruturas muito maiores. A barreira que durante décadas separou as marcas de maior dimensão das restantes não era o talento. Era o acesso à infraestrutura. Esse acesso está agora disponível para todos.

E aqui reside uma vantagem que vai além do acesso. As equipas mais pequenas são, por natureza, mais ágeis. Decidem mais depressa, adaptam-se com menos fricção e testam novas ideias sem depender de aprovações intermináveis. Com a IA a amplificar a sua capacidade criativa, essa agilidade torna-se uma vantagem competitiva real. Já estamos a assistir a marcas construídas por equipas reduzidas a alcançar em meses o que antes levava anos.

É neste contexto que a tese se torna clara: as melhores marcas da próxima década não serão necessariamente as de maior dimensão. Serão as que construírem os sistemas mais eficientes. Uma equipa reduzida com uma infraestrutura criativa bem desenhada pode produzir com a consistência e o volume de uma operação muito maior, e com uma agilidade que as estruturas mais pesadas raramente conseguem.

Esta mudança tem implicações que vão além do marketing. Redefine o que significa construir uma marca competitiva e quem pode entrar em mercados até agora dominados por incumbentes com décadas de vantagem. As marcas que vão liderar a próxima década já estão a ser construídas, não necessariamente com as maiores equipas ou os orçamentos mais generosos. E isso levanta uma questão que nenhuma organização pode adiar: os sistemas que temos hoje estão à altura do mundo em que operamos?

Arquivado em:Opinião

Tarifas norte americanas: um ano depois, quem paga a conta são as empresas

19 Maio, 2026 by Leonor Wicke

No entanto, a história económica sugere que, mais cedo ou mais tarde, é o consumidor que acaba por pagar, sob a forma de maior inflação. Quem o diz são os economistas da Coface no seu novo relatório sobre o custo tarifário, a resiliência do comércio global e o impacto das tarifas norte-americanas, um ano após a imposição das tarifas de Trump.

 

Um custo suportado sobretudo pelas empresas norte‑americanas

Com poucas exceções, as margens dos exportadores estrangeiros mantiveram-se praticamente intactas e não se observa uma tendência generalizada para reduzir preços a fim de preservar quotas de mercado na economia dos EUA e no mercado norte-americano.

Embora se verifique um aumento da inflação ao consumidor, este é, por agora, bastante mais moderado do que o previsto. Em 2025, a inflação anual média foi de 2,8%, muito abaixo dos 3,5 – 4% estimados, apesar de tarifas médias próximas de 15%. Ainda que, sem guerra comercial, a inflação provavelmente tivesse ficado nos 2%, estes valores não sugerem, para já, um elevado impacto das tarifas na inflação nem uma forte repercussão dos custos nos consumidores.

Estas duas observações indicam que, nesta fase, são as empresas norte-americanas que absorvem a maior parte dos custos. Outros dados corroboram esta conclusão: o índice de preços de importação aumentou apenas 0,7 % em 2025 (muito próximo da média anual de 0,5 % desde 2010). Apesar disso, algumas categorias registaram quedas excecionais de preços, como bebidas alcoólicas, madeira, cosméticos, aço e têxteis.

 

Custos sobem, margens encolhem e aumenta a pressão sobre empresas e consumidores

Registou‑se também um forte aumento dos custos dos insumos nas empresas mais expostas às tarifas. No final de 2025, a inflação dos insumos atingia 20 % na metalurgia, 9 % nos eletrodomésticos, 8 % no setor automóvel, 6 % na maquinaria industrial e têxteis, e 5 % na eletrónica. Na maioria destes setores, as margens brutas estão estagnadas ou em contração.

À primeira vista, estes dados podem parecer contraditórios face à resiliência da economia norte‑americana. Contudo, o crescimento do PIB não significa que todas as empresas estejam a prosperar.

O aumento das insolvências confirma isso mesmo: os pedidos de falência estão 15 % acima da média de 2019, mantendo‑se neste nível há três trimestres consecutivos — algo que não acontecia desde a pandemia. Embora muitas empresas ainda consigam resistir graças às suas reservas de liquidez ou ganhos de produtividade, um número crescente encontra‑se numa posição vulnerável.

Os consumidores norte‑americanos também parecem menos dispostos a aceitar novas subidas de preços após o surto inflacionista pós‑COVID‑19. A perceção de que o custo de vida se tornou insustentável alimenta um discurso sobre uma ‘crise de acessibilidade’, que poderá penalizar os republicanos nas eleições intercalares de novembro.

 

Estados Unidos: quebras empresariais

 

O comércio mundial sofreu ainda mais

A ofensiva tarifária dos EUA provocou forte turbulência no comércio global. Inicialmente, gerou volatilidade no fluxo de mercadorias: as importações norte‑americanas aumentaram 25 % em volume no primeiro trimestre de 2025, face ao mesmo período de 2024, devido à antecipação das tarifas. Em abril, o anúncio de uma trégua de 90 dias desencadeou nova onda de compras. Este movimento acabou por provocar uma queda das importações na segunda metade do ano. Ainda assim, os EUA mantiveram um forte dinamismo importador ao longo de 2025.

Os preços subiram 4,2 % no ano — uma desaceleração face aos 5,2 % de 2024 — contribuindo para a persistência do défice comercial, apesar de a sua redução ser um dos objetivos declarados da política tarifária da administração norte‑americana.

 

Crescimento do volume de comércio mundial (anual em %)

Esta instabilidade repercutiu‑se no custo do transporte marítimo. As tarifas de frete não foram afetadas no primeiro trimestre, uma vez que as companhias de navegação tinham antecipado um aumento do volume de mercadorias antes da imposição das tarifas.

No entanto, a segunda vaga de procura não estava prevista. Entretanto, as empresas tinham reduzido a capacidade nas rotas transpacíficas, antecipando uma desaceleração prolongada. O resultado: as tarifas de frete de contentores dispararam 70% em quatro semanas a partir do início de maio, com um aumento impressionante de quase 120% na rota Xangai–Los Angeles.

 

Países ponte: Vietname e Tailândia reforçam o seu papel

Também contribuíram para uma reconfiguração do comércio mundial — ou, mais precisamente, para a aceleração desse fenómeno. Com efeito, as tarifas voltaram a destacar a importância dos chamados «países ponte», um conceito que surgiu no contexto da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos iniciada em 2018. Estes países funcionam como elos comerciais entre os EUA e a China, principal alvo da ofensiva tarifária. No entanto, ao contrário de anos anteriores, a escolha destes países ponte tem estado condicionada pela dinâmica relativa das tarifas. Assim, os países que já desempenhavam esse papel viram a sua importância ganhar uma nova dimensão, beneficiando de tarifas mais favoráveis do que as aplicadas à China.

O Vietname é o exemplo mais evidente. Entre 2017 e 2024, a sua quota nas importações norte‑americanas aumentou, em média, 0,3 pontos percentuais por ano, passando de 2 % para 4,2 %. Só em 2025, o aumento foi de 1,5 pontos — uma aceleração cinco vezes superior à dos anos anteriores. As importações dos EUA provenientes do Vietname dispararam 42 % em valor, representando quase metade (44 %) da redução das importações oriundas da China. Em paralelo, as exportações chinesas para o Vietname aumentaram numa magnitude semelhante, sugerindo o seu papel como plataforma de intermediação.

Embora o aumento das importações norte‑americanas provenientes da Tailândia tenha sido metade em termos de valor, coincidiu com o crescimento das exportações chinesas para esse país. Quanto ao México, frequentemente referido como país de ligação, o caso é mais ambíguo: as suas exportações para os Estados Unidos aumentaram em 2025. No entanto, esse crescimento é quatro vezes superior ao das exportações chinesas para o México, o que relativiza o seu papel enquanto intermediário.

 

Evolução das importações dos Estados Unidos entre 2017 e 2025 em milhares de milhões de dólares

 

O futuro incerto do instrumento tarifário

As perturbações causadas até agora pelas tarifas norte‑americanas podem ser apenas o início. A 20 de fevereiro de 2026, a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de invalidar as tarifas aplicadas ao abrigo da Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) gerou novas incertezas. Esta decisão afeta a maioria das tarifas chamadas ‘recíprocas’, anunciadas inicialmente no Dia da Libertação (2 de abril de 2025), bem como as tarifas sobre o fentanil que incidem sobre o México, o Canadá e a China.

Contudo, continuam em vigor as tarifas previstas na Secção 232 — que permite ao Presidente impor medidas quando determinadas importações são consideradas uma ameaça à segurança nacional e que afetam especificamente os setores dos metais, automóvel e madeira. O mesmo acontece com as tarifas da Secção 301, dirigidas sobretudo contra a China e introduzidas em grande parte durante o primeiro mandato de Trump. Ainda assim, dos 272 mil milhões de dólares arrecadados em tarifas desde março de 2025, cerca de 166 mil milhões — cobrados ao abrigo da IEEPA — poderão ter de ser reembolsados às empresas norte‑americanas que os pagaram.

Para substituir as tarifas da IEEPA, a Casa Branca recorreu rapidamente a uma medida provisória (Secção 122 da Lei do Comércio de 1974), que permite aplicar uma tarifa geral de 10 %, podendo ser elevada para 15 %, válida até 24 de julho e renovável mediante aprovação do Congresso. Além disso, estão a ser tomadas medidas para tentar replicar o regime tarifário invalidado pelo Supremo Tribunal através de outros instrumentos legais. Isto poderá incluir, nomeadamente, tarifas adicionais ao abrigo das Secções 232 e 301.

 

Neste contexto, destacam‑se três lições principais:

Em primeiro lugar, a administração norte‑americana continua firmemente empenhada em defender um regime tarifário agressivo. Por conseguinte, uma flexibilização rápida das restrições destinadas a mitigar o possível impacto da inflação energética após a crise no estreito de Ormuz representaria uma mudança radical e incompatível com a linha política declarada. A hipótese de que Trump “acabe sempre por recuar” parece, portanto, muito improvável neste cenário.

Em segundo lugar, ao basear‑se em argumentos jurídicos frágeis, a administração Trump contribui para aumentar a incerteza em torno do comércio internacional. Se até tarifas em vigor há quase um ano podem ser anuladas, quando poderão os agentes económicos considerar estável o regime tarifário? Além disso, as novas tarifas anunciadas após a decisão do Supremo Tribunal são, elas próprias, suscetíveis de contestação legal, o que alimenta ainda mais a incerteza.

Em terceiro lugar, não há garantia de que as empresas consigam continuar a absorver os custos indefinidamente sem os transferir, de forma crescente, para os consumidores. A capacidade de reduzir margens ou depender de ganhos de produtividade tem limites. Após a fase inicial de tarifas em 2025, a guerra comercial poderá agora entrar numa fase de “maratona”: mais lenta, mais prolongada e potencialmente mais inflacionista.

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