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Leonor Wicke

Instagram lidera publicações, mas Facebook gera mais ‘engagement’ nas redes sociais

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

As redes sociais continuam a diversificar os formatos de conteúdos disponíveis para marcas e criadores digitais. Entre reels, vídeos, carrosséis, imagens, textos e stories, cada formato desempenha um papel distinto na forma como os utilizadores consomem conteúdos e interagem com as marcas.

Para perceber quais os formatos mais utilizados e quais geram maior engagement, a análise focou-se em milhões de publicações orgânicas em português, feitas em perfis abertos entre um de janeiro de 2025 e 25 de março de 2026.

Os resultados mostram que o Instagram é, de longe, a rede social com maior volume de publicações, concentrando 61,1% do total analisado. O X (antigo Twitter) surge em segundo lugar, com 30,9%, seguido do Facebook, com 3,9%, e do YouTube, com 2,1%. Blogues, fóruns e outras plataformas digitais representam apenas uma fatia residual.

 

Redes mais presentes (em % do total):

Texto continua a ser o formato mais utilizado

No que diz respeito aos formatos, o texto mantém-se como o conteúdo mais publicado, somando cerca de 184 milhões de publicações. Segundo a Buzzmonitor, este resultado está fortemente relacionado com o peso do X na amostra analisada, já que a plataforma assenta sobretudo em conteúdos textuais e concentra também um elevado volume de comentários publicados noutras redes sociais.

Excluindo o texto, os formatos audiovisuais assumem protagonismo. Os Reels do Instagram e os Shorts do YouTube representam, em conjunto, cerca de 72,5 milhões de publicações. Em seguida surgem as imagens e fotografias, com aproximadamente 50 milhões de conteúdos publicados.

Já os carrosséis e os vídeos tradicionais ultrapassam os 21 milhões de publicações cada, confirmando a crescente aposta das marcas em formatos mais visuais e interativos.

Formatos mais utilizados (exceto texto, em milhões de publicações):

Facebook destaca-se no engagement médio

Embora o Instagram lidere no volume de conteúdos publicados, os dados revelam um cenário diferente quando se analisa o engagement. Para esta comparação, o estudo concentrou-se nas plataformas da Meta — Facebook e Instagram — por utilizarem métricas semelhantes. A análise conclui que o Facebook apresenta o maior engagement médio, especialmente através de publicações em vídeo.

Além dos vídeos, os links também demonstram forte capacidade de interação no Facebook, seguidos por eventos e fotografias, com resultados relativamente próximos.

No Instagram, os formatos que geram mais engagement são os carrosséis e os reels, que dividem a liderança. Stories e menções surgem logo a seguir entre os conteúdos com maior capacidade de interação.

Engagement médio por formato e rede (Facebook a laranja e Instagram a azul):

Arquivado em:Notícias

A (in)justiça

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Na política, a sensação que temos é que os processos se arrastam para, por design, não darem em nada. É evidente que ninguém é culpado antes de o ser mas a perceção que estes processos suscitam é a de que quem tem dinheiro acaba por se safar. O dano que estas dúvidas criam às instituições é incalculável.

Nas nossas vidas quotidianas temos a mesma sensação: de que a justiça não funciona. No meu trabalho, cada vez que aceito participar num concurso universitário, começo com a pior expectativa e com o coração nas mãos. Criou-se a noção de que protestar e eventualmente ir a tribunal são coisas normais. Uma vez no tribunal há desorganização, adiamentos e o foco na trivia administrativa que permite ganhar casos, independentemente da substância. Noutro domínio, experimentem, caros leitores, tirar um ocupa de uma vossa casa. Boa sorte. O crime parece compensar. Tudo isto, naturalmente, degrada o estado de direito. Devagar, devagarinho, um dia de cada vez. Mói e pode mesmo acabar por matar.

Arquivado em:Opinião

Portugal regista mais de 2.400 ciberataques por semana, acima da média europeia

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

As organizações portuguesas sofreram, em média, 2.437 ciberataques por semana em abril de 2026, um aumento de 11% face ao mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados pela Check Point Research, colocam Portugal acima da média europeia e global, num cenário marcado pelo crescimento do ransomware, pela pressão sobre setores críticos e pelo aumento do risco associado à utilização de inteligência artificial generativa.

A nível global, as empresas enfrentaram uma média de 2.201 ataques semanais, mais 10% do que no mês anterior, confirmando uma nova aceleração da atividade cibercriminosa.

Educação e Administração Pública continuam entre os setores mais atacados

O setor da Educação voltou a ser o principal alvo dos cibercriminosos em todo o mundo, com uma média de 4.946 ataques semanais por organização. A Administração Pública surge em segundo lugar, seguida das Telecomunicações.

Em Portugal, os setores mais visados foram:

  • Educação;
  • Administração Pública;
  • Serviços Financeiros;
  • Telecomunicações;
  • Serviços Empresariais;
  • Bens e Serviços de Consumo;
  • Indústria Transformadora.

Segundo os especialistas, estas áreas concentram grandes volumes de dados pessoais, infraestruturas críticas e cadeias complexas de fornecedores, tornando-se particularmente vulneráveis.

Portugal enfrenta mais ataques do que a média europeia

Os dados mostram que as organizações portuguesas enfrentaram cerca de 32% mais ataques semanais do que a média europeia, fixada nos 1.848 ataques por organização.

O país registou também valores superiores à média global, reforçando a pressão crescente sobre empresas e entidades públicas.

Para Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal, o cenário exige uma abordagem mais preventiva à segurança digital. «As organizações portuguesas não podem olhar para a cibersegurança apenas como uma resposta a incidentes. É essencial apostar em prevenção, visibilidade, segurança baseada em IA e governação rigorosa dos dados», afirma.

IA generativa aumenta risco de fuga de informação

O relatório alerta ainda para o impacto crescente da inteligência artificial generativa na exposição de dados empresariais.

Segundo a Check Point Research:

  • 1 em cada 28 prompts enviados para ferramentas de IA representava risco elevado de fuga de informação;
  • 19% continham dados potencialmente sensíveis;
  • e 90% das organizações utilizadoras destas ferramentas foram afetadas por algum nível de exposição.

As empresas utilizaram, em média, 10 ferramentas diferentes de IA generativa durante abril, enquanto cada colaborador gerou cerca de 77 prompts por mês.

Os especialistas alertam que o risco já não está apenas na frequência dos ataques, mas também na saída involuntária de informação crítica através do uso quotidiano destas plataformas.

Ransomware continua a crescer em 2026

O ransomware manteve-se entre as ameaças mais graves para as organizações. Em abril foram divulgados publicamente 707 ataques, um aumento de 12% face ao ano anterior.

Os setores mais afetados globalmente foram:

  • Serviços Empresariais;
  • Bens e Serviços de Consumo;
  • Indústria Transformadora.

A América do Norte concentrou 46% dos ataques divulgados, seguida da Europa (27%) e da região APAC (17%). Os grupos Qilin, The Gentlemen e DragonForce lideraram a atividade global de ransomware, refletindo um ecossistema cada vez mais profissionalizado e organizado.

Empresas portuguesas devem reforçar prevenção e governação da IA

Os especialistas apontam três prioridades imediatas para as organizações portuguesas:

  • Reforçar mecanismos de prevenção;
  • Proteger o uso empresarial de IA generativa;
  • Reduzir a exposição operacional através de segmentação, controlo de acessos e revisão de integrações externas.

Num contexto de digitalização acelerada, cloud e IA, os ciberataques tornaram-se mais automatizados, sofisticados e persistentes, obrigando empresas e instituições públicas a integrar a cibersegurança como prioridade estratégica.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Setor agrícola prevê crescimento, mas enfrenta falta de mão de obra

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

As empresas que antecipam este problema apontam as alterações legislativas na lei da migração e consequente complexidade burocrática dos processos de regularização e contratação de imigrantes (33%) como o principal fator. Outras causas incluem a procura por melhores condições de vida e de trabalho noutros locais e países (14%); o desequilíbrio entre a oferta e a procura (14%) e a falta de alojamento (9,5%).

Estas são as conclusões do inquérito anual aos associados da AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur. A amostra da investigação é composta por mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do Sudoeste alentejano, com um período de auscultação que decorreu entre 18 de agosto e 15 de novembro de 2025.

 

Agricultura continua dependente de trabalhadores imigrantes

Face às preocupações demonstradas, o inquérito confirma ainda a forte dependência de mão de obra, em particular de trabalhadores estrangeiros. Neste ponto, refira-se que 74% das organizações têm mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes, com a maioria (55%) a destacar uma proporção superior a 75%.

Apesar dos receios, as expectativas para o volume total de negócio durante o próximo exercício são globalmente positivas: mais de 60% das empresas espera um aumento e 29% antevê estabilidade. O mesmo se verifica no que diz respeito às previsões do valor das exportações, com mais de metade das empresas a predizer uma subida e 32% que se mantenha estável.

Luís Mesquita Dias, presidente da AHSA, sublinha a relevância dos dados: «Este inquérito confirma um setor dinâmico e resiliente, com perspetivas de crescimento ao nível do volume de negócio e das exportações, mesmo num contexto exigente ao nível do recrutamento e mão de obra».

E concluiu: «As alterações legislativas na área da migração eram necessárias e fazem sentido, contribuindo para um enquadramento mais estruturado e equilibrado. No entanto, trazem consigo desafios operacionais e um período de adaptação que está a dificultar o acesso a trabalhadores estrangeiros, essenciais para a atividade. É importante garantir que este processo decorre com eficácia, minimizando impactos na capacidade de resposta das empresas no curto prazo».

 

Empresas do sudoeste alentejano são maioritariamente exportadoras

O inquérito sublinha também a forte vertente exportadora da agricultura do sudoeste alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%. França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha surgem em destaque como os principais mercados.

Relativamente aos resultados da atividade em 2025, a maior parte das empresas (75%) faz um balanço alinhado com ou acima das expectativas. Os dados evidenciam também que a maioria das empresas (81%) apresenta um volume de negócio anual superior a um milhão de euros e 45% mais de cinco milhões de euros.

Os dados surgem como resultado do inquérito anual da AHSA aos seus associados. A amostra é composta por mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do Sudoeste alentejano. O período de auscultação decorreu entre 18 de agosto e 15 de novembro de 2025 e obteve uma taxa de resposta de 80%.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Ao CEO do Futuro peço: não confundas tecnologia com destino

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Caro CEO do Futuro, 

Escrevo-te com um entrelaçado de experiência primária, profissional e acima de tudo de vida. 

Nasci em 1981, em Campo Maior, onde a tecnologia chegava devagar e a vida avançava no ritmo da terra. Crescer no Alentejo interior ensinou‑me algo que nenhuma das escolas de gestão por onde passei superou. Ser consciente da paciência e visão de quem semeia antes de ver, e a responsabilidade de cuidar antes de colher. O Alentejo dos anos 80 era uma metáfora perfeita para gestão e liderança. Poucos recursos, muito engenho e a consciência de que o futuro só acontece quando alguém o prepara com sonhos e valores. 

Ao longo das últimas quatro décadas, vi a gestão transformar‑se tantas vezes quanto o próprio país e mundo. Passámos da liderança hierárquica para a colaborativa, da intuição para os dados, do controlo para a autonomia. E, sobretudo nos últimos anos, testemunhei o que significa liderar num mundo em que a tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser uma força motriz. Como Managing Director da Claranet Portugal num setor tecnológico e inovador, aprendi que a liderança moderna exige respeito coletivo, humildade para aprender, coragem para decidir e clareza para transformar – com paciência e visão. 

Em 2045, ano em que termino o meu percurso profissional e tu passas a liderar, acredito que o papel de um CEO será radicalmente diferente – mas não mais simples. A inteligência artificial, de forma ampla, está omnipresente, mas não omnisciente. Lideras pessoas, máquinas e agentes, num enlace profundo, mas não absoluto. O mundo será mais rápido, mais imprevisível e mais interdependente do que qualquer geração anterior imaginou. Os mais novos não sabem o que é o mundo analógico. 

Por isso, deixo‑te esta mensagem curta. Não confundas tecnologia com destino. A inovação será a tua maior vantagem, mas também o teu maior risco. Liderar será equilibrar velocidade com ética, eficiência com humanidade, dados com razão e consciência. Rodeia‑te de pessoas que te contradigam com rigor e que te desafiem com integridade. Cria culturas onde errar cedo é melhor do que falhar tarde. E lembra‑te de que a tua organização não será medida apenas pelo que constrói, mas também pelo que protege – pessoas, confiança e propósito não são substituíveis por nenhuma doutrina, seja AI, blockchain ou quantum. 

Que continues a semear, mesmo quando não vês ainda o campo florescer. É assim que o Alentejo me ensinou a pensar o futuro – e é assim que te desejo que o conduzas. Termino com reticências, deixando tudo em aberto para ti… 

 

Leia aqui todas as Cartas ao CEO do Futuro:

Elsa Carvalho: «o futuro não precisará tanto de líderes brilhantes quanto de líderes lúcidos»

Susana Coerver: «Uma organização pode crescer e, ao mesmo tempo, empobrecer as pessoas que a constroem»

Joana Garoupa: «Nunca foi preciso esconder o apelido para caber no mundo»

Arquivado em:Opinião

Formação em Portugal: investimento estratégico ou apenas para cumprir a lei?

18 Maio, 2026 by Leonor Wicke

Anos a colaborar com empresas portuguesas de diversas dimensões revelaram-me uma situação mista: muitas cumprem a lei, garantindo o mínimo de 40 horas anuais de formação contínua por trabalhador, mas para algumas entidades patronais é mais ‘para inglês ver’, se me permitem a expressão!

O que existe atualmente em Portugal é um paradoxo. Nunca se falou tanto de upskilling, reskilling, academias corporativas, aprendizagem contínua, liderança adaptativa ou competências adaptadas ao novo futuro criado pela IA. Nunca houve tanta oferta formativa, plataformas digitais de aprendizagem e tecnologia ao serviço do conhecimento. E, no entanto, em demasiadas organizações, continuam a pairar perguntas desconfortáveis. A formação profissional está a ser encarada como uma obrigatoriedade ou como um investimento que contribui para o bem dos colaboradores e a produtividade nacional? Estamos a desenvolver pessoas ou apenas a organizar formação? A diferença é enorme.

Organizar formação é simples: escolhe-se um tema, agenda-se uma sessão, recolhem-se presenças, distribuem-se certificados, mede-se satisfação, fecha-se o processo. Desenvolver pessoas é outra coisa, pois exige das empresas uma análise profunda das competências necessárias para o bom desempenho da função versus as competências demonstradas. E mais: exige do funcionário a mudança comportamental, a aplicação prática. Uma é atividade. A outra é transformação. E em Portugal continuamos a confundir uma com a outra.

Segundo o Relatório Anual da Formação Contínua 2023 do Gabinete de Estratégia e Planeamento, o mais recente a que há acesso, cerca de 1,3 milhões de trabalhadores participaram em formação, com um investimento declarado de 425,7 milhões de euros. Foram ministradas 46,3 milhões de horas de formação, com uma média de 34,2 horas por trabalhador abrangido. São números significativos que merecem reconhecimento, mas também exigem uma leitura crítica. A lei portuguesa prevê as 40 horas anuais de formação e a média declarada ficou abaixo disso.

Se acreditamos que as pessoas são importantes para o desenvolvimento de um negócio, então é lógico que temos que encarar a formação como um investimento estratégico! Não conheço nenhuma organização que declara que não valorize as pessoas.

Mas como medir o impacto da formação sobre o comportamento dos formandos e os benefícios para a entidade empregadora? Há uma frase célebre em inglês: You get what you measure. Considero o Modelo de Kirkpatrick a forma mais pragmática de medir a eficácia da formação. Resumidamente, os níveis 1 (reação) e 2 (aprendizagem) focam-se na reação imediata e na aquisição de conhecimentos, algo fácil de medir via questionários. O nível 3 (mudança de comportamento) é tipicamente observado e avaliado pela chefia direta, colegas e/ou equipa. É um processo difícil de implementar e tendencialmente subjectivo. Já o nível 4 (resultado e impacto no negócio/serviço) pode ser influenciado por outros factores, como o mercado, a concorrência, a conjuntura económica, etc.

Obviamente, os níveis 3 e 4 são fundamentais para medir a eficácia da formação. Queremos motivar uma mudança nas pessoas, quebrar hábitos ou vícios anteriores e começar a praticar novas rotinas em linha com os processos, ferramentas e competências exigidas pela organização, que por sua vez impactam o negócio.

Fácil de escrever, mas não tão fácil de implementar. Quantas vezes a Administração pergunta ao DRH qual o ROI sobre o investimento em formação? Esta questão não tem resposta. Neste mundo ofuscado pela gestão por objetivos (tipicamente de curto termo) é impossível calcular qual é a contribuição da formação para o alcance de um certo resultado. O número de acidentes na fábrica baixou devido à formação, porque houve uma maior atenção por parte do supervisor, ou porque uma inspeção recente fez com que todos os colaboradores ficassem mais atentos?

Portanto proponho olhar para isto de forma diferente: se os níveis 1 e 2 do Modelo de Kirkpatrick focam no ‘saber’ e no ‘saber fazer’, então o que falta medir é o ‘fazer-fazer’: a capacidade de o formando implementar no seu dia-a-dia. E só há uma forma de se avaliar isso: via observação e feedback objetivo ‘on job’, que deve ser da responsabilidade da chefia direta.

Dou o exemplo concreto de um cliente meu que implementa este processo com rigor. Tem fábrica, serviços administrativos, marketing e força de vendas. Realiza uma média de 40 horas de formação formal por empregado por ano, mas o dobro das horas de ‘treino on job’. As chefias têm em média oito empregados na equipa e passam o equivalente a um dia por mês com cada elemento, a observar e a analisar o trabalho, a dar feedback sobre comportamento e competências demonstrados. O CEO faz este processo com a Administração, a Administração com a Direção, a Direção com as chefias intermédias e as chefias com os empregados. Na reunião mensal da Administração, o primeiro ponto na agenda são os dias dedicados ao ‘treino on job’. Os resultados são extraordinários. Além de ter recebido a distinção Great Place to Work três vezes consecutivas, ganhou quota três anos seguidos e… Tem uma equipa motivadíssima.

Este é um exemplo de uma empresa que reconhece que a formação (e treino) é um verdadeiro investimento estratégico. E começa no topo da organização. Outro exemplo é o call center. Os operadores são constantemente observados pelos supervisores, não só para corrigir, mas para ajudar a melhorar a comunicação com o cliente. Como consequência, prestam um melhor serviço via implementação de ‘treino on job’.

Quase todas as empresas em Portugal já fizeram pelo menos um programa de formação em liderança e gestão de equipas. Mas será que essas formações resultam numa verdadeira diferença na forma como as chefias gerem e motivam colaboradores? O problema é que sabemos o que fazer, mas quando chegamos à realidade de implementar é mesmo difícil! Exige competências apuradas de observação, escuta, capacidade de fazer as perguntas certas, técnicas de feedback motivantes, consistência na comunicação, paciência, etc. E com a falta de tempo e a pressão dos objetivos mensais, isto fica pelo caminho.

Por isto é urgente repensar a formação. A começar por alterar a unidade de medida: passar de horas para resultados. Que se faça menos formação formal e mais treino, que se transformem as chefias em verdadeiros treinadores e experts em coaching on job e feedback. Deve-se ligar a formação à estratégia: se não mexe num KPI relevante, provavelmente não é prioritária. E medir? Sim, 90 dias depois. O verdadeiro teste é este: o que mudou on job?

Portugal precisa de mais produtividade e inovação, melhores líderes e maior competitividade. Nada disto acontecerá sem aprendizagem, mas a aprendizagem verdadeira só nasce quando alguém aprende algo, aplica melhor, produz mais valor e eleva a organização. Aprender só aporta benefício quando muda comportamento e melhora resultados. Tudo o resto é entretenimento corporativo caro.

Arquivado em:Opinião

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